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A Entrevista de Yuval Harari no TED – Nacionalismo x Globalismo

Na noite de segunda-feira recebi um e-mail do TED com o link da conversa do historiador israelense Yuval Noah Harari, autor de Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, com Chris Anderson.

Vale a pena assistir ao vídeo. Harari considera impossível lidar com as grandes questões atuais da humanidade em escala nacional. Como resolver a questão ambiental sem uma coordenação global? Como disciplinar os fluxos de capital especulativo ou coibir a circulação de dinheiro oriundo de atividades ilícitas? Como regular o desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias como a Inteligência Artificial e a Bioengenharia? Globalismo, neste contexto, seria a construção de um sistema que coloque os interesses de todo o mundo acima dos interesses de cada nação. Assim devemos construir um novo sistema. Claro que uma estrutura supranacional deve ser criada com muito cuidado para evitar a criação de uma casta de notáveis ou de burocracia desnecessária.

No documentário “Requiem for the American Dream”, o filósofo e cientista político Noam Chomsky apresenta a financeirização (redução da atividade industrial e aumento da atividade financeira) da economia americana. Em 1950, 28% do PIB era advindo da indústria e 11% do setor financeiro. Em 2010, apenas 11% era oriundo da indústria e 21% do PIB vinha do setor financeiro. Aproximadamente 40% dos lucros corporativos, em 2007, foram de instituições financeiras. Isto ocorreu após a redução da regulamentação do setor financeiro ocorrida nos Estados Unidos nas décadas de 70 e 80. Como resultado, houve crescimento na especulação financeira que terminou estourando na crise de 2008. Hoje Donald Trump fala em desregulamentar mais a economia americana. O economista francês, Thomas Piketty, autor do best seller “Capital do Século XXI”, também alerta para o perigo da financeirização da economia global. Ou seja, a ação para evitar novas crises financeiras, que geram instabilidade e desemprego em vários países do mundo, deve ser global.

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Da mesma forma, a questão da Inteligência Artificial (AI) deve ser analisada globalmente, porque sua aplicação poderá gerar desemprego em massa no futuro. Neste caso, as populações dos países mais pobres devem ser as mais prejudicadas. As discussões éticas sobre a aplicação da Bioengenharia em seres humanos é outro ponto crítico com a possibilidade da criação de super-humanos. Se não houver uma regulamentação global, alguns países podem restringir a aplicação, enquanto outros liberá-la irrestritamente.

As pessoas precisam se dar conta de que não é possível voltar no tempo e usar velhos modelos. Eles não funcionarão no futuro. Há 2.500 anos o filósofo Heráclito de Éfeso disse algumas frases que deveríamos, no mínimo, refletir a respeito.

Da luta dos contrários é que nasce a harmonia.

Tudo o que é fixo é ilusão.

Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio.

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Heráclito de Éfeso

O mundo está em eterna transformação, novos modelos devem ser criados. Aquela tese exótica do “fim da história” do filósofo e economista Francis Fukuyama, sobre o triunfo definitivo do modelo da democracia liberal, está fortemente abalada. Estas discussões bobas sobre direita e esquerda aqui no Brasil são grandes perdas de energia e de tempo. As pessoas devem parar de olhar para trás como se a história fosse se repetir para um lado ou para outro, porque o rio continua correndo e, quando nos banharmos em suas águas, veremos que não é mais o mesmo rio e nem nós somos os mesmos.

Hirari faz um outro alerta sobre nossa desconexão com a natureza e, até mesmo, com nós mesmos. Este poderia ser um bom ponto de partida, ficar menos em frente das telas (computador, celular, tablete, televisão) e olhar mais para dentro de si, para as pessoas em volta, para o mundo que nos cerca, para a natureza. Em janeiro assisti na escola das minhas filhas a uma palestra do professor alemão Dr. Peter Guttenhoefer. Num momento ele disse estas frases simples:

O andar faz o pé.
O uso faz a mão.
O pensar faz o cérebro.

Como nossas crianças estão usando seus pés, mãos e cérebros? Como é o ambiente em que nossas crianças estão inseridas? Estão próximas à natureza ou em um ambiente quase hospitalar? Qual é a diversão delas – televisão e tablet? Precisamos nos conectar ao mundo real e ajudar nossas crianças a fazer o mesmo. Só desta forma poderemos viver num mundo mais sadio.

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Post 200 – Retrospectiva

Este é o ducentésimo (por que não é “duzentésimo”?) post publicado neste blog.

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Normalmente o centésimo é mais festejado, talvez pela introdução do terceiro dígito na contagem do número de posts, mas não posso perder a chance de fazer uma retrospectiva dos últimos cem posts publicados.

Vários posts foram inspirados por filmes. “Diários de Motocicleta” ajudou a contar a história da formação da consciência social de Che Guevara. “As Aventuras de Pi” tratou de temas como religiosidade e espiritualidade. “Amour” tratou dos sacrifícios extremos assumidos em nome do amor. “Meia-Noite em Paris” inspirou uma discussão sobre “O Passado e o Futuro”. “Ela” (título original Her) trouxe à tona as maravilhas e os perigos da inteligência artificial meio ano antes do físico Stephen Hawking externar seus temores sobre o assunto (fiquei bem acompanhado desta vez…).

Outros posts resgataram fatos históricos, como as descobertas e invenções de Heron de Alexandria ou o ato heroico de Sérgio Macaco que evitou centenas de mortes durante os anos de chumbo no Brasil. O próprio golpe militar foi protagonista de um post, onde reafirmei minha certeza que a democracia é o único caminho. As semelhanças dos casos de Napoleão Bonaparte e Eike Batista também renderam um post. E a guerra, o ato mais estúpido do ser humano, foi meu alvo após uma visita a Les Invalides em Paris,”Pra Não Dizer que Não Falei das Flores“.

O nascimento de nossa caçula, Luiza, recebeu um post superespecial – “A Maior Emoção da Minha Vida”. A Claudia deve futuramente fazer um post mais aprofundado sobre o parto humanizado.

Alguns posts trataram das minhas visões pessoais sobre família, amor pelos filhos (“Quando nos sentimos pais”) e educação dos filhos (“O que Dar e o que Esperar do Futuro de Nossos Filhos”). Afinal minha riqueza não deve ser medida pelos meus bens materiais, mas pela qualidade dos meus relacionamentos e “Eu Sou um Homem Rico”.

As questões do exibicionismo e da privacidade foram discutidas em dois posts, o primeiro sobre o BBB e o segundo que também trata do monitoramento da vida privada das pessoas pelos Estados – “Privacidade, Intromissão e Exibicionismo”. A propósito este post foi publicado quatro meses antes das denúncias de Edward Snowden.

As religiões e a manipulação dos fiéis por líderes inescrupulosos são fontes inesgotáveis de inspiração. Não escaparam deste blog o Islamismo, a igreja católica, representada pelos papas Bento XVI e Francisco, e nem mesmo “Deus, Sempre Ele”.

Dediquei dois posts para uma das piores figuras públicas da atualidade, o russo Vladimir Putin, sobre seu ecomarketing e sobre a Crimeia. Muito, mas muito menos importante, o ex-prefeito de Novo Hamburgo, Tarcísio Zimmermann, também foi “agraciado” com dois posts, enquanto tentava se reeleger antes de ser cassado devido à Lei da Ficha Limpa.

Em outros três posts, procurei comentar como nossos pensamentos podem ser nossos maiores aliados ou inimigos – “Como a Matrix de Neo e a Caverna de Platão nos Mostram a Realidade”, “Memórias e os Fantasmas do Passado” e “Como Assassinamos Nossos Insights”. Na mesma linha, escrevi mais dois posts – “O Medo” e “A Autossabotagem”.

A culinária vegana manteve seu lugar de destaque – moqueca de tofu, ratatouille, torta de sorvete, estrogonofe ou como preparar proteína texturizada de soja.

Aventurei-me em novos territórios – primeiro escrevi uma história infantil sobre bullying (“A Bruxinha Totute”); depois um poema no meio da “Turbulência” de um voo entre a França e o Brasil; mais um conto de ficção científica dividido em cinco partes sobre a expansão da humanidade em outros sistemas planetários e sua incontrolável ambição (“A Fonte da Juventude de Perennial”). Para finalizar escrevi, na semana passada, uma história que mescla ciência e religião (“Projeto Gaia – Experiência Final”).

Vários posts tiveram como inspiração as manifestações de junho do ano passado. Iniciei com “Os Protestos e a Verdadeira Democracia”, na sequência sugeri como próximo alvo a finada PEC 37/2011. Imaginem como ficaria a investigação da “Operação Lava Jato”, se o poder de investigação do Ministério Público Federal fosse tolhido? A melhoria nos serviços públicos de saúde foi um dos principais alvos dos manifestantes e o governo federal reagiu com a criação do “Programa Mais Médicos” que inspirou um artigo. Em breve, voltarei a escrever sobre a política brasileira.

Tentei desvendar os mistérios da satisfação pessoal em ”Não Esqueçam seus Objetivos Pessoais no Avião” e “Salário Motiva os Funcionários?”.

Questões éticas com animais foram tratadas em “Golfinhos de Guerra” e “Sofrer e Amar não são Exclusividades dos Humanos”.

A sustentabilidade ambiental também teve destaque com artigos sobre reciclagem de metais raros de telefones celulares, reciclagem de fósforo e da influência do consumo de carne na degradação do meio ambiente.

Este blog não é mais somente meu. A Claudia estreou em grande estilo com o post que conta como virou vegetariana, “Eu, a carne e a berinjela…”. Sinto que o respeito aos vegetarianos cresce a cada dia como retratei no post “Vitória Vegetariana”. E aqui entre nós, “Por Que Comer Carne?”.

A Copa do Mundo de Futebol realizada no Brasil em 2014 rendeu dois posts, “A Copa do Mundo Envergonhada” e “Como o Futebol Brasileiro foi Massacrado pelo Alemão”. Dentro da esfera futebolística, publiquei mais dois post “De Volta para o Meu Lugar”, sobre a reabertura do Beira-Rio, e “Fernandão, Vida, Morte e Piscadas”, sobre o morte do ídolo colorado Fernandão.

A seca em São Paulo que ameaça o fornecimento de água à população do estado também inspirou dois posts – “o que fazer quando a água acabar?” e “as medidas que evitariam a crise de abastecimento de água”. Apesar das excelentes chuvas dos últimos dias, o risco continua…

Falei sobre os mais variados assuntos, das “Gambiarras” ao “Portuglish ou Portunglês”, do show de Yusuf Islam em São Paulo aos “Múltiplos Papéis da Mulher no Mundo Atual”, dos conflitos entre judeus e palestinos em “O Escudo Humano” aos problemas da economia americana em “Obama e o Dilema Capitalista”, do racismo contra o goleiro Aranha a “Os Psicopatas, os Hiperativos, os Estranhos e os Normais”. Afinal “As Pessoas são Diferentes – Que Bom!!!”.

Agradeço a todos que acompanham nosso blog, espero críticas e sugestões para os assuntos dos próximos cem posts e lembro, mais uma vez que tento não falhar e fazer “Jornalismo Profundo como um Pires“ e “Eu Não me Chamo “Martho Medeiros”.

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Drogas – O Fim da Guerra

Recentemente pessoas de diversos lugares do mundo ficaram chocadas com o desaparecimento e provável assassinato de 43 estudantes no México. Segundo membros do cartel de narcotraficantes, “Guerreros Unidos”, um ônibus com os estudantes foi interceptado pela polícia, quando estava a caminho da cidade de Iguala. Após a prisão, os estudantes foram entregues ao grupo de criminosos que os executou e seus corpos foram queimados. José Luis Abarca Velázquez, o prefeito de Iguala, e sua esposa, María de los Ángeles Pineda Villa, foram apontados como os prováveis autores intelectuais deste crime bárbaro.

Painel com as fotos dos 43 estudantes mexicanos desaparecidos.

Painel com as fotos dos 43 estudantes mexicanos desaparecidos.

O envolvimento de autoridades políticas, policiais e traficantes de drogas infelizmente não é novidade. A corrupção do sistema pode ser explicada pelo tamanho do negócio das drogas ilícitas, um mercado de US$ 300 bilhões por ano.

Por que algumas drogas são lícitas e outras são ilícitas? Álcool, cigarro e açúcar têm consumo permitido; e maconha, cocaína e heroína, não! Você pode ficar surpreso com a inclusão do açúcar no rol das drogas lícitas, mas foi assim que começou minha conversa com Ethan Nadelmann, diretor e fundador da ONG Drug Policy Alliance, durante o TEDGlobal 2014 no Rio de Janeiro. Você pode assistir sua impactante apresentação durante o TED abaixo.

 

Eu estava na mesa do buffet de sobremesas, quando ele chegou. Escolhi alguns doces e disse para ele:

– Dizem que o açúcar vicia mais do que cocaína…

Ele sorriu e concordou. Contou a história de um donut cheio de açúcar e creme que, segundo um comediante americano, dava a sensação que o cérebro iria explodir – efeito semelhante da cocaína. Elogiei a apresentação dele, falamos sobre amenidades e ele disse que estaria em São Paulo na semana seguinte. Comentei sobre o programa da prefeitura paulistana para reintegrar ao convívio social os viciados em crack. Lembrei também da reação da polícia do estado que agiu de forma agressiva, batendo e prendendo usuários de drogas da região da cracolândia de São Paulo. Nadelmann elogiou a iniciativa da prefeitura e disse que, em todo o mundo, a polícia é a maior inimiga da legalização das drogas.

Na sequência, para exemplificar, ele contou a história de um rapaz que criou uma ONG na Colômbia que procurava ajudar dependentes de drogas injetáveis, auxiliando-os a se libertar do vício e, se isto não fosse possível, dando agulhas esterilizadas para evitar a proliferação de doenças, como a AIDS. A atuação desta ONG começou a incomodar os traficantes e os policiais corruptos que faziam parte do esquema. A Justiça Colombiana decidiu proteger a vida do rapaz com policiais honestos e a intimidade entre o protegido e seus protetores começou a crescer. Numa noite, enquanto bebiam cerveja juntos, um dos policiais falou:

– Você é um cara legal! Está fazendo o acredita, é honesto, bem-intencionado, mas eu agiria diferente. Se pudesse, daria um tiro na cabeça de cada um destes viciados e acabava com o problema…

Esta postura lembra o ódio do Capitão Nascimento nutria contra os viciados no primeiro filme da “Tropa de Elite”.

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Capitão Nascimento agride um viciado e diz que ele é o responsável por aquela situação.

 

Os Estados Unidos gastaram US$ 1 trilhão no combate às drogas nos últimos 40 anos. O fracasso é evidente, o consumo de drogas ilícitas só cresce e a violência ligada à atividade atinge níveis impressionantes em várias regiões do mundo como no México.

Nadelmann brincou na sua apresentação que muda de opinião muitas vezes em relação à legalização das drogas:

– Estou dividido: três dias por semana eu acho que sim, três dias por semana eu acho que não, e aos domingos, eu sou agnóstico.

Eu também me sinto dividido, mas vejo que alguns argumentos contra a descriminalização são fracos. Se a proteção à saúde fosse realmente o motivo principal, deveríamos proibir o consumo de álcool, cigarro, açúcar, gorduras saturadas…

Se o argumento é a proteção de nossos filhos em relação à violência, também podemos demonstrar que uma boa dose da violência urbana advém desta guerra antidrogas que vitima muitos inocentes. Além disto, proibir alguma coisa para nossos filhos não é, com certeza, tão efetivo quanto amá-los, educá-los, orientá-los e sermos pais presentes.

Hoje não é permitida a venda de álcool e cigarros para menores de 18 anos. O mesmo critério poderia ser adotado em relação a outras drogas. Em minha opinião, a maconha poderia ser a primeira droga atualmente ilícita a ser liberada e vendida com estas restrições de idade, com cobrança de impostos similar às bebidas alcoólicas destiladas ou cigarros. A maioria das demais drogas poderia ser liberada na sequência de acordo com as peculiaridades de cada uma.

Se a proibição das drogas resolvesse a questão, ninguém nos Estados Unidos beberia álcool. A Lei Seca só serviu para capitalizar a Máfia americana e enriquecer seu líder, Al Capone.

Termino este post, reproduzindo o encerramento da apresentação de Ethan Nadelmann no TEDGlobal que foi aplaudido de pé pela plateia presente.

– Então é a isso que eu tenho dedicado a minha vida para a construção de uma organização e um movimento de pessoas que acreditam que precisamos virar as costas a proibições fracassadas do passado e abraçar novas políticas de drogas baseadas em ciência, compaixão, saúde e direitos humanos, onde as pessoas que vêm de todo o espectro político e todos os outros espectros, onde pessoas que amam as nossas drogas, pessoas que odeiam drogas e pessoas que não dão a mínima para as drogas, mas onde cada um de nós acredite que essa guerra às drogas, este atraso, sem coração, esta guerra desastrosa tem que acabar.

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Aranha, os Torcedores Gremistas e o Racismo

Na sexta-feira passada, recebi de um colega de empresa a encomenda de uma postagem no meu blog, tratando do evento recente de racismo no jogo entre Grêmio e Santos. Como já foi amplamente divulgado pela mídia, no jogo contra o Grêmio em Porto Alegre, parte da torcida gremista ofendeu o goleiro Aranha do Santos, chamando-o de macaco.

Goleiro Aranha se revolta com a atitude de parte da torcida do Grêmio

Goleiro Aranha se revolta com a atitude de parte da torcida do Grêmio

Lembro-me de um filme americano de 1970, “Watermelon Man” que assisti com meu pai numa madrugada de sábado no final dos anos 70 ou início dos 80. No Brasil, o título do filme é “A Noite em que o Sol Brilhou”. Neste filme, um americano branco e racista acorda negro. Após tentar voltar ao normal, sem sucesso, ele decide retomar sua vida normalmente, mas percebe que as pessoas passam a tratá-lo de forma diferente. Assista ao trailer do filme.

A cena da corrida para chegar antes à parada do ônibus era uma aposta com o motorista e ele fazia aquilo todos os dias. Para vencer a aposta ele inclusive atravessava quintais de alguns vizinhos. Suas atitudes, incluindo seu humor grosseiro, eram toleradas e ele era considerado um excêntrico. Quando ele tentou fazer a mesma coisa depois de ficar negro, foi preso. Quem se lembra daquela velha piada? Um rico, quando corre, está fazendo um cooper; e um pobre está fugindo da polícia! No filme, a esposa branca do protagonista, apesar de mais liberal e apoiar a luta dos negros americanos, não suportou aquela situação e deixou o marido.

Nos Estados Unidos, a situação foi mais séria, porque houve segregação racial, mas, no Brasil, a coisa não foi muito melhor. Durante muito tempo, atos racistas foram tolerados na nossa sociedade. A Lei Afonso Arinos, que entrou em vigor em 1951, tornou os direitos de todos iguais independente de raça. Ou seja, um negro, por exemplo, não poderia ser impedido de frequentar um estabelecimento comercial apenas por ser negro. Mas o racismo continua vivo ou, pelo menos, adormecido na cabeça de muitas pessoas até hoje. Talvez a jovem torcedora do Grêmio flagrada pelas câmeras de TV não discrimine negros no seu dia a dia, mas, junto com outros torcedores, usou uma forma racista para ofender o goleiro santista. Isto mostra que ela achava aquela atitude normal, senão, no mínimo, ficaria calada.

O fim do racismo claramente é um processo de mudança cultural. Em um post comentei o processo de mudança cultural em relação à segurança. Apresentei o exemplo do uso de cinto de segurança nos automóveis. Vivemos décadas numa sociedade onde o racismo e os atos inseguros eram tolerados. Para mudar a situação devemos ser inflexíveis, senão a “maionese desanda”. Naquele post, apresentei a curva de Bradley da DuPont.

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Existem pessoas com diferentes níveis de maturidade: algumas ainda têm comportamento reativo, outras dependem de supervisão, outros têm comportamento adequado independentemente de orientação e existem os que ajudam os outros a melhorar seus padrões de comportamento.

A punição de exclusão da Copa do Brasil sofrida pelo Grêmio deve servir de exemplo para toda a sociedade brasileira. Quando a Justiça Esportiva passou a punir os clubes, porque algum torcedor lançava algum objeto no campo, muita gente achou que era um exagero, mas os próprios torcedores passaram a se autocontrolar.

Sem dúvida chamar um negro de macaco não está certo, mesmo num estádio de futebol! A maioria da torcida do Grêmio também já entendeu que chamar os torcedores do Internacional de “macacos imundos” é errado e vaiou os que cantaram esta música antes do ultimo jogo em seu estádio.

Todos merecem respeito e igualdade de direitos independente de raça, sexo, patrimônio material, orientação sexual, local de nascimento, religião e profissão. Isto é lógico, parece fácil de fazer, mas, na verdade, é uma luta diária, onde não podemos baixar a guarda ou sermos omissos .

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Inteligência Artificial e Sentimentos Naturais

No sábado passado, no voo entre New York e Munique, assisti ao filme “Ela” (título original Her) do diretor americano Spike Jonze. Neste trabalho, além de dirigir, ele escreveu o roteiro e produziu o filme.

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A seguir faço um breve resumo do filme. A história acontece no futuro, onde todas as pessoas estão conectadas virtualmente. Theodore (atuação muito boa de Joaquin Phoenix) é um homem solitário e seu trabalho é escrever cartas a pedido de outras pessoas, normalmente entre casais. Ele não consegue iniciar novo relacionamento após o final do seu casamento. Para amenizar a sua solidão, ele compra um novo sistema operacional dotado de inteligência artificial (A.I.), Samantha (representada pela voz sexy de Scarlett Johansson). Samantha evolui rapidamente e a relação entre os dois passa pela amizade, cumplicidade, paixão e amor. Como toda relação humana, ela esquenta, esfria e tem crises. Já assisti a filmes bons com finais fracos ou, pelo menos, muito previsíveis. O final de “Ela” é inteligente e surpreendente. Sempre gosto de destacar uma frase do filme. Achei esta, de uma amiga de Theodore, muito boa, eu só trocaria a palavra amor por paixão:

– “O amor é uma forma de insanidade socialmente aceitável”.

Assista ao filme! Garanto que não é daquelas melosas comédias românticas. A história é ótima e nos faz pensar também o que se espera dos relacionamentos em uma era, onde existe muita conexão virtual, mas pouca compreensão e conversas reais. Por incrível que pareça, uma história possível que ganhou o Oscar de melhor roteiro original de 2014.

Outros filmes já trataram a questão da inteligência artificial. Em “A.I. – Inteligência Artificial” de Steven Spielberg, a história gira em torno de um androide menino que é comprado para amar seus pais e substituir o filho humano que está em estado vegetativo. Após um acidente, o “pai” resolve se livrar do androide para proteger o filho natural, mas a “mãe” o ajuda a fugir. Como na história de Pinóquio, o androide quer virar um menino de verdade.

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Em outros filmes, computadores dotados de inteligência artificial escravizam os humanos como no “Exterminador do Futuro” e no brilhante “Matrix”. A questão ética é se os sistemas computacionais poderiam ser programados para aprender a desenvolver sentimentos? Como um ser humano, os computadores poderiam sentir amor, compaixão, medo, orgulho, raiva… Até que ponto isto seria seguro?

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Lembro-me da declaração de Larry Page, fundador e atual presidente do Google, sobre a possibilidade dos sistemas lerem o cérebro humano. Assim não seriam mais necessárias interfaces de comunicação. Estaremos nus! Enquanto Samantha vasculhava os e-mails e arquivos de Theodore, os sistemas do futuro poderão explorar nossas mentes. Assustador…

Esta discussão pode parecer exótica, mas há pouco foi aprovado o marco civil da internet brasileira. A grande maioria dos países não tem regulação que garanta liberdade de expressão, privacidade e neutralidade da internet. Se hoje este é um assunto importante, há dez anos não tinha relevância. Assim, seria bom iniciar logo a discussão ética sobre a inteligência artificial, porque isto poderá ter grande impacto em nossas vidas no futuro.

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Deus, Sempre Ele

Nestes últimos dias, Claudia e eu nos divertimos no cinema na quinta-feira e no teatro no sábado. No cinema, assistimos ao polêmico filme Noé do diretor Darren Aronofsky (seu trabalho anterior foi o intenso “Cisne Negro”). No sábado, foi a vez da peça “Meu Deus” da israelense Anat Gov com Dan Stulbach, no papel de Deus, e Irene Ravache como sua psicoterapeuta.

Começarei com um comentário sobre as polêmicas do filme. Não podemos esquecer que Noé, além de ser patriarca bíblico, é um dos profetas do islamismo. Assim as maiores críticas dos religiosos judaicos, cristãos e mulçumanos basearam-se nas inconsistências do filme em relação ao Gênesis e ao Al Corão. Aronofsky alega que, com as informações contidas sobre Noé e o dilúvio, seria impossível fazer um filme com duas horas de duração. Afinal todo o caso é tratado em apenas quatro capítulos curtos do Gênesis. A questão maior não se refere ao “recheio” de detalhes para preencher as lacunas, mas a algumas alterações em relação ao original. O diretor e roteirista, Aronofsky, deu um enfoque ecológico para a história, onde Deus teria decidido extinguir a espécie humana. Deste modo, nenhuma mulher fértil deveria entrar na arca para salvar-se do Dilúvio. A gravidez da esposa, supostamente estéril, de Sem, seu filho mais velho, gera um enorme dilema para Noé no filme. Os outros dois filhos, Cam e Jafé, na história original, entraram na arca com suas esposas, enquanto que no filme estavam sozinhos. A tensão entre Cam e Noé, por exemplo, é explicada no filme pela inexistência de uma esposa para Cam. Poderia comentar outros pontos, como a morte do pai de Noé, Lameque, a participação de Tubalcaim, um dos descendentes da sétima geração de Caim, mas não me estenderei, porque vale a pena ir ao cinema para assistir ao filme. Gosto de filmes que sejam persistentes na minha cabeça.

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Na peça “Meu Deus”, um Deus amargurado e deprimido procura a ajuda de uma psicoterapeuta para achar a explicação para sua perda de poderes e para sua vontade de acabar com a própria vida. Temos que entender que o Deus da peça é o Deus do Velho Testamento, muito mais temido do que amado. No final, chega-se a conclusão que Deus ficou deprimido após tudo o que fez com Jó, um dos seus servos mais fiéis.

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Farei a análise de algumas passagens da Bíblia, onde Deus tem algumas atitudes no mínimo interessantes. Após criar e colocar Adão e Eva no Jardim do Éden, Deus resolveu tentá-los através da árvore do conhecimento do bem e do mal, a única que não poderia ter seus frutos comidos. Todos sabem o final desta história; a serpente tenta Eva; Eva convence Adão; os dois experimentam o fruto proibido; Deus descobre, amaldiçoa a serpente, Adão e Eva e os expulsa do Paraíso. Por que colocar esta árvore bem no meio do Jardim do Éden? Parece uma mera provocação da curiosidade de dois jovens imaturos que cometeram apenas um erro e não foram perdoados.

O caso dos filhos mais velhos de Adão e Eva, Caim e Abel, nos mostra mais um teste de Deus. Abel era pastor e Caim agricultor. Abel ofertou um cordeiro ao Senhor; e Caim, frutos do seu trabalho na terra. Deus aceita apenas a oferenda de Abel, o que causa enorme irritação de Caim. Deus fala a Caim que ele tem que aprender a controlar sua ira. Não adianta, logo após Caim golpeia a cabeça do irmão com uma pedra e o mata. Deus descobre o assassinato, amaldiçoa Caim e o expulsa para uma terra no leste do Éden. Incrivelmente Ele protege Caim e diz que quem matá-lo sofrerá sete vezes a vingança. Caim constrói uma cidade, Enoque, tem vários descendentes, como os que moram em tendas e criam rebanhos, os que tocam harpa e flauta, e os que fabricavam todos os tipos de ferramentas de bronze e ferro. Por que Deus primeiro provoca a ira de Caim e depois de Caim matar o próprio irmão o protege? Será que Deus se sentiu culpado ou tinha alguma identificação com a ira de Caim?

“O Assassinato de Abel” de Tintoretto

“O Assassinato de Abel” de Tintoretto

Mais tarde arrependido da Criação, Deus resolve exterminar a humanidade através do dilúvio. Salva-se apenas a família de Noé, descendente de Set, filho mais novo de Adão e Eva. Todos os demais são mortos – homens, mulheres, crianças e animais que não entraram na arca. No final Deus diz a si mesmo:

– “Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, porque seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância. E nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz desta vez”.

“A Construção da Arca” de Francesco Bassano

“A Construção da Arca” de Francesco Bassano

Interessante é que o homem foi criado por Deus “a sua imagem e semelhança”.

Mais adiante no Gênesis, tem uma das provações mais cruéis de toda a Bíblia. Deus pede para que Abraão ofereça a Ele, em sacrifício, Isaac, seu único filho com Sara. Abraão vai com o filho para um monte, prepara o altar para o sacrifício, amarra o filho, saca a faca e, no instante em que consumaria o ato, um anjo do Senhor aparece e o impede:

– “Não toque no rapaz. Não faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, seu único filho”.

Por que fazer um teste de lealdade deste tipo? Forçar alguém a preparar a morte do próprio filho… Como se não pudesse amar simultaneamente o seu filho e a Deus? Como se Deus sempre exigisse estar acima de tudo?

“O Sacrifício de Isaac” de Caravaggio

“O Sacrifício de Isaac” de Caravaggio

Não vou falar da destruição de Sodoma e Gomorra ou dos conflitos entre irmãos como Ismael e Isaac ou Esaú e Jacó. Vou falar um pouco sobre Jó.

Jó era justo, temente a Deus, seu servo mais leal. Ele tinha dez filhos, possuía muitas posses – terras, servos e animais. Um dia Deus se encontra com Satanás e comenta sobre a lealdade de Jó. O Satanás comenta que é fácil ser fiel quando se é protegido por Deus com casa, família, propriedades. Para provar a fidelidade de Jó, Deus permite que Satanás lhe tire de uma só vez todos os bens, seus animais são mortos ou roubados, a maioria dos seus servos é assassinada e os dez filhos morrem no desabamento da casa do irmão mais velho atingida por um furacão. Ao saber de todas estas notícias, Jó desespera-se, rasga suas roupas, raspa a cabeça, cai por terra e, em adoração, diz:

– “Nu, saí do ventre de minha mãe e nu, voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou; como foi do agrado do Senhor, assim aconteceu. Seja bendito o nome do Senhor!”

Deus reencontra-se com Satanás e mostra como, apesar de tudo, Jó manteve-se fiel a Ele. O Satanás diz que o que fizera até aquele momento era pouco. Se Jó fosse atingido na sua saúde, não permaneceria fiel a Deus. Deus pede apenas que a vida de Jó fosse poupada. O corpo do pobre homem fica coberto por feridas purulentas. Depois três amigos aparecem e ficam acusando Jó de ter feito algo errado para merecer isto. Jó somente quer que Deus lhe diga o que fez de errado para merecer tudo aquilo. No final, Deus enfim aparece e faz um discurso em mostra toda a grandeza de sua obra. Jó, no final daquele debate desigual, ainda desculpa-se. Deus restabelece seus bens e Jó tem mais dez filhos.

“A Paciência de Jó” de Gerard Seghers

“A Paciência de Jó” de Gerard Seghers

Na peça “Meu Deus”, o Satanás que tenta Deus é apresentado pela psicanalista Ana como o lado ruim do próprio Deus. Na verdade, o Senhor faz mais um teste, desta vez com seu servo mais fiel, fazendo-o sofrer terrivelmente. Jó aceita todas as perdas e, quando sofre uma terrível doença, apenas quer saber o motivo de tanto sofrimento. Onde Jó havia errado?

O Deus do Velho Testamento nos passa a impressão de ser um jovem brilhante, mas orgulhoso de sua capacidade. Quando se sente contrariado, age de forma impulsiva e pune impiedosamente os faltosos. Não consegue perceber que a pessoa que cometeu o erro pode estar num estágio inferior ao Seu. Pune ao invés de educar. Não perdoa! Criou, como um cientista em um laboratório, muitas formas de vida e, simplesmente, as extermina se agiram de forma diversa das suas expectativas. Fez vários testes para provar que ninguém era mais temido do que Ele, basta lembrar-se dos casos de Adão, Caim, Abraão ou Jó. Afinal parecia melhor ser temido do que amado…

Lembra o Zeus grego, distribuindo sua ira santa. Apenas moralmente mais correto que seu “par” grego, pois não engana ou comete adultérios, por exemplo. Deus exige e cobra os acordos firmados, sem perdão.

Após uns 4 mil anos, considerando os períodos de tempo do Gênesis, Deus se mostra muito mais reservado e manda para a Terra, Jesus Cristo que prega o amor entre todos. Agora Deus é amor. Devemos amar Deus, não temê-lo. Deus perdoa a quem se arrepende, um novo paradigma…

“A Criação de Adão” de Michelangelo

“A Criação de Adão” de Michelangelo

A frase mais impactante da peça foi feita por Ana, após Deus revelar que queria se matar, ela conclui que seria impossível Ele fazer isto, porque Deus vive na cabeça das pessoas e, para Ele deixar de existir, teria que matar todas as pessoas. Enquanto houver uma pessoa viva, Deus permaneceria vivo…

Veja o filme, assista à peça, pense bem e decida qual Deus você quer que viva dentro de sua cabeça! Mas lembre-se de que talvez não sejamos tão importantes quanto imaginamos ou desejamos. Assista ao inesquecível final do “MIB – Homens de Preto 1”.

 

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Eu Sou um Homem Rico

Guardei a mala e a mochila no bagageiro sobre meu assento no avião. Tirei o tênis e coloquei aquela meia que vem no nécessaire das companhias aéreas. Acomodei-me na poltrona e resolvi conferir quais eram as opções disponíveis de filmes. Escolhi “Captain Phillips” como primeiro filme da noite, esperando mais uma convincente atuação de Tom Hanks. A surpresa ficou com seu antagonista no filme, o somali Barkhad Abdi.

Capitão Phillips

“Captain Phillips” com Tom Hanks e Barkhad Abdi

Antes de o filme começar, passou um comercial do Bank of Singapore. Você pode assisti-lo abaixo.

Realmente, não há nada mais precioso em nossas vidas do que os relacionamentos que mantemos com as pessoas ao nosso redor, mas não é fácil se dar conta disto. Enquanto a moça da Columbia Pictures aparecia com aquela pose de Estátua da Liberdade, eu cheguei a uma importante conclusão:

– Eu sou um homem rico!

Mais importante do que casas, apartamentos, automóveis e investimentos que pudessem fazer parte do meu patrimônio, tenho três filhos e uma esposa que amo muito e que me amam. Todo o dia tenho uma troca intensa com eles e a cada reencontro parece que tudo se renova, me sinto feliz!

No ano passado, fiz um curso sobre finanças no INSEAD da França. A primeira parte do curso poderia ser resumida em três frases simples em inglês:

Cash is king!

Time is queen!

Risk matters!

Ou seja, o caixa é o rei, o tempo é a rainha e o risco importa. Os investidores procuram projetos que tornem o fluxo de caixa da empresa mais positivo do que projetos apenas lucrativos. Manter o fluxo de caixa positivo conserva a saúde da empresa. O tempo é importante, porque, ao comparar diferentes projetos, devemos trazer suas contribuições ao caixa da empresa para o tempo presente, para o dia de hoje. Finalmente, sempre que investimos em alguma coisa, olhamos para o retorno e para o risco associados ao investimento.

Paradoxalmente, pela minha nova definição de homem rico, o caixa deve estar sempre praticamente zerado. Devemos retornar tudo o que recebemos o mais rápido possível. Isto não significa que os fluxos de entrada e saída sejam pequenos, pelo contrário devemos circular grandes volumes de amor, carinho e compreensão. Vamos ser mais perdulários do que a caricata figura do “rei do camarote”, mas ao invés de focar nos bens materiais, vamos prestar atenção aos sentimentos.

O "rei do camarote"

O “rei do camarote”

Para finalizar, lembro-me de um presente que meu filho Léo me deu há um bom tempo, o saco do carinho. Estava escrito assim:

– Carinho – quanto mais se dá, mais se tem!

Este parece um daqueles círculos virtuosos. Quanto mais a gente dá e demonstra afeto, mais recebe, mais feliz e autoconfiante fica, mais a gente dá, mais recebe…

Como eu apresentei antes, a nova lógica é sempre devolver, no mínimo, tudo o que se recebeu e nosso “caixa” ficará zerado, mas nossos corações ficarão cada vez mais plenos em felicidade e alegria.

Foto da minha família (São Paulo, julho de 2013)

Foto da minha família (São Paulo, julho de 2013)

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