Arquivo do mês: março 2013

Não Esqueçam seus Objetivos Pessoais no Avião

Quando viajo para fora do Brasil, através de uma empresa aérea estrangeira, costumo prestar a atenção na comunicação em português feita pelos comissários de bordo. Às vezes o funcionário é brasileiro e o aviso, evidentemente, fica perfeito. Noutras ocasiões, o comissário estrangeiro domina bem a língua de Camões e Machado de Assis. Finalmente existem os casos onde o comissário tem muitas dificuldades com nosso idioma e hesitações, erros e confusões acontecem. Ontem, logo após a aterrissagem em São Paulo do voo originário de Toronto, aconteceu a terceira alternativa. Após os avisos em inglês e francês, veio uma enrolada comunicação em português:

– Não esqueçam seus objetivos pessoais no avião!

Comissária de bordo

Comissária de bordo

Claro que ele se referia aos objetos pessoais… Tive aquela vontade de dar boas risadas, olhei para o lado e outro passageiro estava com a mesma expressão irônica. Balancei a cabeça afirmativamente para ele que sorriu para mim. Voltei a me acomodar normalmente no meu assento, enquanto o avião taxiava na pista do Aeroporto de Guarulhos, mas a frase do comissário da Air Canada voltava logo na minha cabeça. Inicialmente dei algumas risadas, depois um pensamento perturbador me atingiu. Havia sentido na frase do canadense. Não esquecemos nossos objetivos pessoais apenas nos aviões, também os deixamos para trás no trânsito, nos nossos lares, nos nossos locais de trabalho, enfim, em todos os lugares.

Na maior parte do tempo, seguimos como no refrão daquele samba do Zeca Pagodinho:

– Deixa a vida me levar…

Zeca Pagodinho

Zeca Pagodinho

Claro que nossos valores são a base de tudo. Eles nos dão as balizas do que pode e do que não deve ser feito na busca dos nossos objetivos pessoais. Isto não quer dizer que eles sejam imutáveis, porque podemos modificar nossa visão em relação a tudo – ética, família, religião, natureza, animais… De qualquer forma, os valores deverão ser sempre respeitados na busca de nossos objetivos, porque os fins não podem justificar os meios!

Quais são objetivos pessoais a seguir?

Quais são objetivos pessoais a seguir?

Do mesmo modo, os objetivos pessoais vão mudando ao longo da vida, porque dependem dos valores, da maturidade e dos conhecimentos de cada um. O que não é admissível é viver sem propósitos ou passar anos fazendo alguma coisa que não ajude a aproximar-se dos objetivos. Nesta hora, precisamos de atenção para não esquecer nossos objetivos pessoais “em qualquer lugar” e virar passageiro da própria vida. Se os objetivos ainda são válidos e não estamos agindo proativamente para atingi-los, devemos nos munir de coragem para reverter a situação. Afinal a vida é um dom precioso demais para ser displicentemente desperdiçada.

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Ratatouille

Uma das cenas mais tocantes, que eu já assisti no cinema, é aquela em que o crítico de culinária Anton Ego, no filme de animação Ratatouille, prova o prato de mesmo nome no Restaurante Gusteau’s. Sem dúvida, a magia da viagem para a sua infância remota, quando come o mesmo prato preparado por sua mãe, e a redescoberta da alegria de desfrutar as coisas simples da vida são de uma singeleza cativante. Abaixo você pode ver ou rever esta bela cena.

Lembro este momento mágico do cinema, porque a Claudia incluiu no menu vegetariano da família um maravilhoso ratatouille. Voltarei no final deste post para comentar o final do filme, quando Anton Ego faz um depoimento sobre os críticos e suas críticas. Agora passo o bastão para a Claudia.

Ratatouille

Ratatouille – foto do prato antes de ser assado no forno

Ingredientes:

1 cebola média roxa
1 dente de alho
5 tomates italianos maduros
1 abobrinha
1 berinjela
1 pimentão amarelo pequeno
1 bandeja de cogumelos shitake
1 vidro de molho vermelho pronto (sugestão: molho de manjericão De Cecco)
sal, pimenta e azeite de oliva.

Se você não quiser usar o molho pronto, é só usar mais tomates vermelhos sem a pele e sem as sementes e temperos a gosto.

Modo de preparo:

1. Molho

Picar a cebola, o pimentão e o alho em pedaços pequenos.
Picar um tomate grosseiramente (sem pele e sem sementes).
Picar os cogumelos em fatias largas (1 cm).
Refogar a cebola e o alho.
Assim que a cebola murchar, acrescentar os cogumelos e o pimentão.
Refogar pouco, os cogumelos não precisam ficar no ponto, pois o prato ainda irá para o forno.
Acrescentar o molho de tomate e acertar o tempero a gosto.

Este molho vai no fundo da forma pequena (aproximadamente 20 x 30 cm).

2. Montagem e Finalização do Prato

Fatiar a berinjela, a abobrinha e os outros tomates em rodelas com espessura de em torno de 0,5 cm. Escolha legumes com diâmetros parecidos, o prato fica mais bonito após a montagem.
Sobre o molho disponha as rodelas de berinjela, abobrinha e tomate, como na foto. Depois de preencher toda a forma, polvilhar sal e pimenta e regar com bastante azeite de oliva.
Assar até a berinjela ficar “marronzinha” e murcha. Costumo assar a 200°C por uns 30 a 40 min.

Se quiserem assistir uma receita parecida, recomendo o vídeo abaixo.

Para acompanhar o prato, no domingo passado, degustamos o ótimo vinho gaúcho Boscato Reserva Merlot, safra 2007.

Para concluir, assista ao final do Ratatouille, vencedor do Oscar de Melhor Filme de Animação de 2008.

“A mais simples porcaria talvez seja mais significativa do que nossa crítica.” Esta é uma grande frase, a presunção de superioridade, muitas vezes nos impede de perceber o valor nas coisas e ações mais simples. Como dizia o chef Auguste Gusteau, “todos podem cozinhar”. Todos podem cozinhar, desenhar, escrever, fazer o que tiverem vontade… Isto não significa que todos serão gênios, mas podem fazer o suficiente para propiciar felicidade para si e para as pessoas que o cercam. Neste momento, o excesso de rigor na crítica, ao invés de ajudar, pode levar a pessoa simplesmente a desistir de uma atividade prazerosa.

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As Boas Derrotas da Vida

Li na sexta-feira no LinkedIn um texto aparentemente despretensioso de Peter Guber. Aqueles que nunca ouviram falar nele, por gentileza, juntaram-se a mim, porque também nunca tinha ouvido nele anteriormente. Guber é o fundador e CEO da Mandalay Entertainment, que produz filmes para o cinema, séries para a TV, além de ser proprietário de várias franquias de esportivas, sendo as principais o Golden State Warriors (time de basquete da NBA) e Los Angeles Dodgers (time de beisebol da MLB). Por que resolvi comentar este texto aqui no blog? Simplesmente enxergamos o que nos cerca através dos filtros que usamos no momento.

Peter Guber

Peter Guber

No final de semana passado, perdi para mim mesmo. Tive algumas reações que eu deveria controlar, mas não consegui… Muitas vezes enfrentamos casos assim, achamos que estamos dominando tudo e de repente, algo nos derruba. Nestes momentos, temos duas opções para encarar a situação:

1. O problema está no exterior – outras pessoas, azar, ambiente;
2. O problema está dentro de nós.

Claro que acontecem muitas coisas que nos atingem que não temos controle algum. Não tenho a visão ingênua de que tudo depende exclusivamente de mim, mas não podemos acreditar que somos uma vítima da sociedade, dos governos e das corporações e, por não termos poder comparável, nada podemos fazer. Por outro lado, devemos ter auto-controle e não revidar simplesmente uma agressão com outra, porque perdemos assim todo nosso equilíbrio.

Guber cita a declaração do maior jogador de basquete de todos os tempos, Michael Jordan, quando foi homenageado por ocasião do seu aniversário de 50 anos:

– Já perdi mais de 9.000 arremessos em minha carreira. Eu perdi quase 300 jogos. Em 26 ocasiões me foi confiada a oportunidade de vencer o jogo, acertando um arremesso e eu perdi. Eu falhei uma e outra e outra vez na minha vida. E é por isso que eu consegui.

Michael Jordan

Michael Jordan

Se Jordan entrasse em depressão após cada um destes fracassos, ele jamais teria atingido os níveis de excelência superados durante sua exitosa carreira. Cada erro se tornava um estímulo para seguir em frente e fazer cada vez melhor. Após minha péssima noite de domingo, no dia seguinte já tinha pensado em tudo que poderia fazer para evitar a repetição daqueles erros. Da mesma forma, usando uma gíria esportiva, não podemos usar “salto alto”, porque todas as vezes em que acreditamos que nada nos derrubará, acabamos caindo sozinhos. Nestas horas, a dor, a vergonha e a tristeza de não ter feito o que devíamos será nossa maior derrota.

Encerro o post, comentando uma frase realista de Guber:

– Você como um líder deve reconhecer que o sucesso tem muitos pais e fracasso é órfão. E é no fracasso que a sua liderança é mais necessária.

Ou seja, o fracasso deve ser encarado de frente, as causas devem ser analisadas e ações devem ser efetivadas para evitar a repetição. Quando temos uma postura positiva, atingimos novos níveis de excelência. Nesta hora, tentaremos fazer coisas mais complexas e, eventualmente, falharemos de novo. Nesta hora, devemos repetir o mesmo processo, ter a mesma atitude e seguir em frente.

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