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Os Veganos e os Orgânicos

O veganismo não é somente um tipo de dieta, é muito mais do que isto. Na verdade, ser vegano é optar por uma filosofia de vida, onde qualquer sofrimento animal é intolerável.

Começo por uma definição sobre veganismo divulgada pela The Vegan Society em 1979:

“Uma filosofia e modo de vida que procura excluir – na medida do possível e praticável – todas as formas de exploração e crueldade de animais para alimentação, vestuário ou qualquer outro propósito e, por extensão, promove o desenvolvimento e uso de alternativas livres de animais em benefício dos seres humanos, dos animais e do meio ambiente. Em termos alimentares, denota a prática de dispensar todos os produtos derivados total ou parcialmente de animais.”

Deste modo, um vegano não se alimenta com produtos de origem animal como carne, leite, ovos, mel e todos os seus derivados. Não usa roupas de couro, seda ou lã. Não usa cosméticos ou produtos de limpeza testados em animais. Também não aprova diversões como zoológicos, aquários, rodeios e shows com animais.

go-veganNo que se refere à alimentação, o vegano só consome plantas e seus derivados, sua dieta é estritamente vegetariana. Como sabemos, atualmente, a agricultura comercial emprega fertilizantes químicos para garantir a fertilidade do solo; herbicidas, para reduzir a concorrência de outras espécies vegetais por água e nutrientes do solo; e pesticidas, para que insetos não se alimentem de partes das plantas, reduzindo a produtividade da lavoura.

A agricultura orgânica supre as necessidades de nutrientes do solo com resíduos de animais e vegetais. Deste modo, não são adicionadas novas quantidades de nitrogênio (extraído do ar e transformado em amônia através da síntese de Haber-Bosch) e fósforo (extraído através de mineração) aos ciclos destes nutrientes. Para obter mais detalhes, leia o artigo Temos Tempo para Discutir o Aquecimento Global?, e você verá que existem outros problemas ambientais tão importantes quanto o aquecimento global – o desequilíbrio dos ciclos de nitrogênio e fósforo é um dos mais graves. Outra motivação para o consumo de produtos orgânicos é o não uso de herbicidas e pesticidas, o que é benéfico para quem se alimenta dos vegetais e para a natureza em geral.

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Neste ponto, um vegano chegaria a um dilema – as frutas, grãos e verduras orgânicas não são provavelmente veganas, porque geralmente usam dejetos de criação de animais como fertilizante. Vocês poderão concluir que, pelo menos, os dejetos provêm de animais criados de forma orgânica, sem confinamento, mas esta prática é apenas uma recomendação. De acordo com a norma que rege à agricultura orgânica, os agricultores de locais sem disponibilidade de dejetos oriundos de produção orgânica poderão usar dejetos de produção convencional, sem que seu produto deixe de ser rotulado como orgânico. Estrume de vacas confinadas e camas de frango de aviários são exemplos de fertilizantes permitidos nestas circunstâncias.

As camas de frango são misturas de serragem colocadas no piso de aviários para receber os excrementos das aves. São gerados entre 1,0 e 1,5 kg de cama de frango por ave. Se considerarmos que em 2016 foram abatidos aproximadamente 6 bilhões de frangos no Brasil, houve geração entre 6 e 9 milhões de toneladas de cama de frango.

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Aviário comercial com cama de frango.

Atualmente cerca de 80% do total dos antibióticos produzidos no mundo são consumidos por animais que servirão como alimento para humanos. Os frangos possuem aparelho digestivo curto e uma quantidade significativa do medicamento não é absorvida por seus intestinos. Deste modo, suas fezes contaminadas com antibióticos são incorporadas às camas de frangos.

O tratamento normalmente empregado para a estabilização deste resíduo é a compostagem em grandes pilhas, onde os microrganismos presentes na cama degradam parte da matéria orgânica, elevando a temperatura acima de 70°C. As pilhas são periodicamente revolvidas e, depois de alguns dias, os microrganismos patogênicos são inativados. As especificações exigidas na regulamentação dos produtos orgânicos com relação ao patógenos são atendidas. Por outro lado, as moléculas dos antibióticos são apenas parcialmente degradadas e não existe restrição, quanto as concentrações máximas permitidas para o uso como fertilizante orgânico.

Quando esta cama de frango estabilizada é utilizada como fertilizante no solo, os efeitos são imprevisíveis, resultando, por exemplo, na degradação parcial das moléculas dos antibióticos com a geração de moléculas mais tóxicas, na absorção parcial pelas plantas, na contaminação de águas superficiais e lençol freático, além da seleção de superbactérias patogênicas.

Então um vegano poderia chegar à conclusão que talvez seja melhor comprar produtos agrícolas oriundos de adubação química. Assista ao vídeo abaixo e depois discutiremos alternativas.

Existe a possibilidade de usar adubação 100% vegetal, estabilizada através de compostagem. A Embrapa Agrobiologia, localizada no estado do Rio de Janeiro, desenvolveu compostos totalmente vegetais a partir da compostagem de mistura de torta-de-mamona com bagaço de cana-de-açúcar ou palhada de capim-elefante com excelente desempenho e isento de contaminantes biológicos ou químicos.

Assim os vegetarianos em geral e especificamente os veganos (além dos onívoros que consomem orgânicos) deveriam buscar informação sobre a forma de fertilização do solo onde seus orgânicos foram produzidos. Alimentos produzidos com resíduos da pecuária comercial não deveriam ser certificados como orgânicos. Admitir o uso de cama de frango na agricultura auxilia na redução dos custos da avicultura comercial que promove exploração e maus-tratos em animais, polui o meio ambiente e compromete a saúde dos humanos.

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Por que Chegamos a Este Ponto? Em Busca de um Novo Equilíbrio

Há quase dois séculos e meio, o escocês Adam Smith publicou um dos livros mais influentes da nossa era, “A Riqueza das Nações”. Neste livro, ele defende que as pessoas devem maximizar seu próprio proveito e existiria uma “mão invisível” que ajudaria a equilibrar as relações econômicas e sociais. Hoje Adam Smith é considerado o pai da moderna economia e do liberalismo.

Adam Smith_The Wealth of Nations

Praticamente um século depois, com a revolução industrial e a falha da “mão invisível” de Adam Smith, Karl Marx publica o primeiro volume de outra obra influente do nosso tempo, “O Capital”. Esta obra combinada com o “Manifesto Comunista”, publicado por Marx e Engels, duas décadas antes são a base do socialismo.

Karl Marx_Das Kapital

Aristóteles, dois mil anos antes de Adam Smith, afirmou que o homem é um animal político – político por viver em uma polis (cidade-estado grega), local em que poderia se desenvolver plenamente nas relações com os outros humanos, onde o bem comum seria traduzido em felicidade, justiça e bem-estar social.

Aristoteles

Aristóteles

Podemos dizer que, no liberalismo, o indivíduo predomina sobre a sociedade, enquanto, no socialismo, a sociedade predomina sobre o indivíduo. Precisa-se buscar o equilíbrio. Este verso de Rudolf Steiner representa este equilíbrio.

Salutar só é, quando
No espelho da alma humana
Forma-se toda a comunidade;
E na comunidade
Vive a força da alma individual.

steiner-1915

Rudolf Steiner

Atualmente estamos atingindo o auge do individualismo na nossa sociedade. Se este estado não for alterado em breve, teremos problemas irreversíveis para a humanidade.

O economista britânico Guy Standing, no seu livro “O Precariado – A Nova Classe Perigosa” (The Precariat: The New Dangerous Class), descreve a formação e crescimento de uma nova classe, o “precariado”, com o avanço da globalização neoliberal. Segundo Standing:

“O precariado é definido pela visão de curto prazo e, induzida pela baixa probabilidade de progresso pessoal ou de construção de uma carreira, pode verificar-se uma evolução massificada no sentido da incapacidade de pensar a longo prazo.”

“Aqueles no precariado têm vidas dominadas por inseguranças, incertezas, dúvidas e humilhações.”

“As pessoas inseguras deixam as outras furiosas e as pessoas com raiva são voláteis, propensas a apoiar uma política de ódio e amargura.”

Se aceitamos que os menos favorecidos sejam pouco protegidos pela legislação ou ameaçados por processos como terceirização ou contratos de trabalho temporários, estaremos também aceitando que os menos favorecidos sejam explorados e marginalizados. O problema é que os interesses econômicos se tornaram tão dominantes que as pessoas são convencidas que não existe outra forma de organizar a sociedade.

Precariat_Guy Standing

Podemos dividir a atividade humana em três setores: político-jurídico, econômico e cultural-social. Estes setores deveriam ser totalmente independentes. O setor econômico deve financiar os dois outros setores através dos impostos transparentemente. O que vemos hoje aqui no Brasil (e na maior parte do planeta) é a compra do setor político pelo setor econômico: leis são alteradas; isenções fiscais acertadas; grandes obras definidas, enquanto que os interesses da sociedade são relegados ao segundo plano. Simultaneamente a ideia de que a economia deve ser desregulamentada é vendida como se isto fosse bom para a sociedade, mas isto só beneficia os muito ricos, porque o setor econômico também compra a mídia e a cultura.

Devemos separar totalmente estes três setores para termos um futuro mais justo e sustentável. O problema é que, para obtermos sucesso, esta ação deve ser global. Seguindo o ideário da Revolução Francesa, queremos ter Liberdade na cultura, Igualdade na política e Fraternidade na economia.

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Autofagia Liberal e o Umbigocentrismo

As reformas trabalhistas e da Previdência em andamento no Brasil são provas evidentes da autofagia liberal e do umbigocentrismo dos nossos dias.

autofagia liberal

Vamos às explicações sobre o significado destas duas expressões. O liberalismo é autofágico, porque, ao buscar a maximização do lucro, pode comprometer seriamente o meio ambiente, a comunidade onde atua e, até mesmo, segmentos significativos da população de diversos país. Em 1962, Milton Friedman escreveu sua principal obra “Capitalismo e Liberdade”. Sobre a atuação do governo na economia, escreveu:

Do que precisamos urgentemente, para a estabilidade e o crescimento econômico, é de uma redução da intervenção do governo não de seu aumento.

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Milton Friedman

Alinha-se a conhecida ideia neoliberal de que tudo anda melhor se o Estado desregulamentar a economia. Sobre a responsabilidade social das empresas, o resumo de sua opinião está apresentado abaixo.

A ideia de que as empresas têm “responsabilidade social” para além de ter lucro é perigosa. Ela mostra uma concepção fundamentalmente errada da natureza de uma economia de livre mercado. Em tal economia, a obrigação social das empresas é aumentar seus lucros dentro da lei. É só isto. A aceitação pelos líderes das empresas da responsabilidade de fazerem mais que aumentar valor para os acionistas pode minar os fundamentos de nosso sistema econômico.

Como a obrigação social das empresas, segundo Friedman, é apenas aumentar seus lucros dentro da lei, se a lei for alterada em benefício da empresa, não há nenhum arrepio ético. Após alguns anos, a aplicação desta lei pode causar queda do poder aquisitivo da população e o que beneficiou a empresa, no curto prazo, através da redução de seus custos com pessoal, se voltará contra a própria empresa devido à queda de suas vendas. Autofagia!

A reforma trabalhista proposta pelo governo Temer em tramitação acelerada no Congresso é um exemplo. Cito três pontos que deveríamos pensar a respeito:

  1. Acordos coletivos prevalecem sobre a legislação.
  2. Ratificação da lei da terceirização, sancionada há pouco por Temer.
  3. Demissão em massa não precisará mais ter a concordância do sindicato.

Assim, durante um período de alto desemprego, como o que estamos vivendo atualmente, a faca e o queijo estarão nas mãos das empresas. A empresa simplesmente pode ameaçar os empregados com o encerramento de suas atividades naquele local, forçando-os a aceitar cláusulas em que abrem mão de alguns benefícios, como as “horas in itinere”, o tempo de deslocamento até o trabalho. Os bancos de horas poderão ser revalidados eternamente, se o acordo coletivo permitir.

A terceirização das atividades-fim das empresas deve gerar também uma redução dos seus gastos com pessoal, porque uma série de benefícios sociais deixam de ser pagos. Além de abrir a possibilidade de colocar outro profissional mais barato na função.

A possibilidade de fazer uma demissão em massa sem concordância do sindicato enfraquece as posições dos trabalhadores e dos próprios sindicatos. Sempre será possível mudar a empresa para uma região onde o “estoque” de mão de obra barata seja maior.

O umbigocentrismo é a certeza que o universo gira em torno do próprio umbigo. Se existe vantagem ou, até mesmo, ausência de prejuízo para o dono do umbigo, nada mais importa. O impacto nos outros de qualquer decisão não é relevante.

Umbigocentrismo

A reforma da Previdência Social brasileira mostra como as pessoas que deveriam ser mais críticas em relação às medidas estão olhando para o próprio umbigo e acatam o discurso oficial. Esta reforma acabará prejudicando sensivelmente as pessoas com escolaridade mais baixa, O ator Wagner Moura liderou uma campanha contra a reforma. Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil e ex-economista chefe de uma série de grandes bancos privados, na sua coluna semanal na Folha de São Paulo, criticou o ator, dizendo que ele foi intelectualmente desonesto.

Wagner Moura_reforma Previdencia

Wagner Moura

Schwartsman apresentou o gráfico abaixo, baseado em dados do IBGE. O gráfico mostra qual é a expectativa de vida em cada idade para homens e mulheres. Por exemplo, uma mulher brasileira quando nasce tem expectativa de vida de 78,6 anos. Aos 60 anos, ela viveria, em média, mais 23,5 anos. Ou seja, uma mulher de 60 anos viveria, em média, até os 83,5 anos.

Expectativa de vida condicional

Gráfico do artigo de Alexandre Schwartsman, baseado em dados do IBGE [http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/tabuadevida/2013/defaulttab_xls.shtm]

Abaixo está a explicação de Schwartsman no seu atigo, onde tenta provar que Wagner Moura foi desonesto intelectualmente ao dizer que “querem que você morra antes de se aposentar!”.

De fato, a expectativa de vida ao nascer se encontra ao redor de 75 anos, porque (infelizmente) a mortalidade infantil ainda é relativamente elevada e a violência cobra muitas vidas de homens jovens. Quem, porém, se aposenta por tempo de contribuição atinge esta condição em média aos 54,5 anos (homens 55,5 e mulheres 52,3), idade em que, como mostrado no gráfico, a expectativa de vida supera 80 anos (78,4 homens, 82,1 mulheres). Quem não comprova tempo de contribuição, os mais pobres, já se aposenta hoje aos 65 anos, com expectativa de vida de 83 anos.

Parece que você, Alexandre Schwartsman, foi desonesto intelectualmente ao pegar estatísticas que não consideram as diferenças entre regiões e nível educacional. Sua visão é liberal autofágica e umbigocêntrica. Sua visão é baseada em trabalhadores urbanos com formação superior que terão chances de manterem-se ativos até os 65 anos. Imagina pessoas com baixa formação educacional, trabalhadores braçais. Como conseguirão emprego com carteira assinada após os 55 anos?

Esta reforma da Previdência segue o velho script – trabalhadores organizados do serviço público e militares, os maiores responsáveis pelos déficits previdenciários, são deixados de lado, enquanto os trabalhadores de empresas privadas mais uma vez pagarão a conta. Não é uma razão válida colocar idade mínima de 65 anos, porque nos países desenvolvidos é esta a idade. Precisamos ser mais críticos e exercitar a empatia para nos colocarmos no lugar dos outros – os mais pobres, menos protegidos.

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A Entrevista de Yuval Harari no TED – Nacionalismo x Globalismo

Na noite de segunda-feira recebi um e-mail do TED com o link da conversa do historiador israelense Yuval Noah Harari, autor de Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, com Chris Anderson.

Vale a pena assistir ao vídeo. Harari considera impossível lidar com as grandes questões atuais da humanidade em escala nacional. Como resolver a questão ambiental sem uma coordenação global? Como disciplinar os fluxos de capital especulativo ou coibir a circulação de dinheiro oriundo de atividades ilícitas? Como regular o desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias como a Inteligência Artificial e a Bioengenharia? Globalismo, neste contexto, seria a construção de um sistema que coloque os interesses de todo o mundo acima dos interesses de cada nação. Assim devemos construir um novo sistema. Claro que uma estrutura supranacional deve ser criada com muito cuidado para evitar a criação de uma casta de notáveis ou de burocracia desnecessária.

No documentário “Requiem for the American Dream”, o filósofo e cientista político Noam Chomsky apresenta a financeirização (redução da atividade industrial e aumento da atividade financeira) da economia americana. Em 1950, 28% do PIB era advindo da indústria e 11% do setor financeiro. Em 2010, apenas 11% era oriundo da indústria e 21% do PIB vinha do setor financeiro. Aproximadamente 40% dos lucros corporativos, em 2007, foram de instituições financeiras. Isto ocorreu após a redução da regulamentação do setor financeiro ocorrida nos Estados Unidos nas décadas de 70 e 80. Como resultado, houve crescimento na especulação financeira que terminou estourando na crise de 2008. Hoje Donald Trump fala em desregulamentar mais a economia americana. O economista francês, Thomas Piketty, autor do best seller “Capital do Século XXI”, também alerta para o perigo da financeirização da economia global. Ou seja, a ação para evitar novas crises financeiras, que geram instabilidade e desemprego em vários países do mundo, deve ser global.

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Da mesma forma, a questão da Inteligência Artificial (AI) deve ser analisada globalmente, porque sua aplicação poderá gerar desemprego em massa no futuro. Neste caso, as populações dos países mais pobres devem ser as mais prejudicadas. As discussões éticas sobre a aplicação da Bioengenharia em seres humanos é outro ponto crítico com a possibilidade da criação de super-humanos. Se não houver uma regulamentação global, alguns países podem restringir a aplicação, enquanto outros liberá-la irrestritamente.

As pessoas precisam se dar conta de que não é possível voltar no tempo e usar velhos modelos. Eles não funcionarão no futuro. Há 2.500 anos o filósofo Heráclito de Éfeso disse algumas frases que deveríamos, no mínimo, refletir a respeito.

Da luta dos contrários é que nasce a harmonia.

Tudo o que é fixo é ilusão.

Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio.

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Heráclito de Éfeso

O mundo está em eterna transformação, novos modelos devem ser criados. Aquela tese exótica do “fim da história” do filósofo e economista Francis Fukuyama, sobre o triunfo definitivo do modelo da democracia liberal, está fortemente abalada. Estas discussões bobas sobre direita e esquerda aqui no Brasil são grandes perdas de energia e de tempo. As pessoas devem parar de olhar para trás como se a história fosse se repetir para um lado ou para outro, porque o rio continua correndo e, quando nos banharmos em suas águas, veremos que não é mais o mesmo rio e nem nós somos os mesmos.

Hirari faz um outro alerta sobre nossa desconexão com a natureza e, até mesmo, com nós mesmos. Este poderia ser um bom ponto de partida, ficar menos em frente das telas (computador, celular, tablete, televisão) e olhar mais para dentro de si, para as pessoas em volta, para o mundo que nos cerca, para a natureza. Em janeiro assisti na escola das minhas filhas a uma palestra do professor alemão Dr. Peter Guttenhoefer. Num momento ele disse estas frases simples:

O andar faz o pé.
O uso faz a mão.
O pensar faz o cérebro.

Como nossas crianças estão usando seus pés, mãos e cérebros? Como é o ambiente em que nossas crianças estão inseridas? Estão próximas à natureza ou em um ambiente quase hospitalar? Qual é a diversão delas – televisão e tablet? Precisamos nos conectar ao mundo real e ajudar nossas crianças a fazer o mesmo. Só desta forma poderemos viver num mundo mais sadio.

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O que acontece com nosso mundão?

Por incrível que pareça, Donald Trump começou seu mandato na Casa Branca, fazendo exatamente o que prometeu. Por exemplo, assinou uma ordem executiva para enfraquecer o Obamacare (lei que facilita a obtenção de seguros-saúde para pessoas de baixa renda ou com problemas pré-existentes à contratação do seguro), assinou um decreto para construção do já famoso muro na fronteira com o México, abandonou o TPP (acordo de livre comércio Transpacífico), liberou a construção de um oleoduto que passará sob o rio Missouri (principal fonte de água potável das reservas dos índios Sioux) e decretou também a proibição da entrada nos Estados Unidos de viajantes de sete países muçulmanos (incluindo refugiados da guerra da Síria).

A revista alemã Der Spiegel colocou na sua capa uma ilustração com Donald Trump decapitando a Estátua da Liberdade. A ilustração foi feita pelo artista Edel Rodríguez, refugiado político cubano que vive nos Estados Unidos desde 1980.

U. S. President Donald Trump is depicted beheading the Statue of Liberty in this illustration on the cover of the latest issue of German news magazine Der Spiegel

Talvez a melhor capa fosse Trump, retirando a placa de bronze do pedestal da Estátua da Liberdade, onde está escrito o famoso poema “The New Colossus” (O Novo Colosso) da poetisa americana Emma Lazarus.

Não como o gigante bronzeado de grega fama,
Com pernas abertas e conquistadoras a abarcar a terra
Aqui nos nossos portões banhados pelo mar e dourados pelo sol, se erguerá
Uma mulher poderosa, com uma tocha cuja chama
É o relâmpago aprisionado e seu nome
Mãe dos Exílios. Do farol de sua mão
Brilha um acolhedor abraço universal; os seus suaves olhos
Comandam o porto unido por pontes que enquadram cidades gémeas.
“Mantenham antigas terras sua pompa histórica!” grita ela
Com lábios silenciosos “Dai-me os seus fatigados, os seus pobres,
As suas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade
O miserável refugo das suas costas apinhadas.
Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades,
Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado.”

Parece que Trump tentou fechar as portas do país aos refugiados, “massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade”. Só não atingiu completamente seu intento devido à resistência da Justiça americana. Este assunto irrita tanto o novo presidente americano que ele interrompeu uma conversa telefônica com Malcolm Turnbull, primeiro-ministro da Austrália, quando este tentou garantir o cumprimento da promessa americana de acolher 1.250 refugiados que se encontram em um centro de acolhida australiano.

Por outro lado, Trump tolera e, até mesmo, afaga o presidente russo Vladimir Putin. Esta relação pode ser sintetizada em uma das respostas de Trump na entrevista para Bill O’Reilly da Fox News. Após Trump falar que respeita Putin e que a Rússia poderá ser uma importante aliada na luta contra o terrorismo islâmico, O’Reilly contra-argumentou dizendo que Putin era um assassino, Trump defendeu assim o presidente russo:

– Há muitos assassinos. Você acha nosso país tão inocente?

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Para deixar o caso do relacionamento Trump e Putin ainda mais nebuloso, nesta semana, o general reformado Michael Flynn, assessor de Segurança Nacional da presidência, renunciou após o vazamento da informação de um encontro com o embaixador da Rússia em Washington acontecido algumas semanas antes da posse de Trump. Segundo o jornal The Washington Post, a CIA havia compartilhado estas informações com o novo governo americano. Trump, na sua conta oficial do Twitter, reclamou dos vazamentos ilegais seletivos das relações do novo governo com a Rússia.

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Twitter de Trump sobre vazamentos de informações (Fonte: El País)

Neste ambiente de indefinições sobre a real posição do novo governo americano sobre a Rússia, surgem várias especulações sobre futuras ações militares de Vladimir Putin no leste europeu. O semanário The Economist apresenta os Países Bálticos (Letônia, Estônia e Lituânia), repúblicas que faziam parte da extinta União Soviética, como possível novo alvo russo. Assista ao vídeo abaixo.

Assim temos o risco da volta dos conflitos na Europa, potencializados pelo enfraquecimento da Comunidade Europeia e da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Por outro lado, vemos o crescimento no mundo inteiro de atitudes xenófobas – medidas anti-imigração, recusa ao acolhimento de refugiados de guerras e discriminação contra religiões (especialmente o Islamismo).

Os habitantes da maioria dos países ainda não se deram conta de que os imigrantes exercem as funções que os locais não querem mais fazer ou não conseguem fazer.

Tudo isto traz medo e insegurança às pessoas. Os políticos da maioria dos países democráticos também perderam a credibilidade. Os partidos tradicionais ficaram muito parecidos entre si. Os governos perderam poder. Atualmente as corporações econômico-financeiras se tornaram mais poderosas do que os governos. Neste formato, nenhum país tem força para fazer qualquer reforma radical. Só restam ajustes e ações puntuais. Por outro lado, as pessoas, cada vez mais infantilizadas, querem direitos sem deveres ou contrapartidas. Querem que seus empregos sejam preservados, mas querem também comprar produtos baratos. Como se fosse possível o governo proteger apenas seu ramo de negócio. As pessoas sonham com um passado que nunca existiu. Aí se criam Trump e Brexit, entre outros.

Estamos em frente a uma bifurcação na história da humanidade. Se abraçarmos a ideia do “nós primeiro”, agirmos com preconceito, acreditarmos que o problema está em outro povo, raça ou religião, então escolheremos o caminho do totalitarismo. Vocês não estão assistindo os tristes espetáculos diários de Donald Trump, atacando a imprensa e vendendo aos seguidores os seus “fatos alternativos”? Hitler escolheu os judeus como inimigos da Alemanha durante o Nazismo. Na década de 50, o senador americano Joseph McCarthy elegeu os comunistas como inimigos da nação e patrocinou uma terrível caça às bruxas. Hoje Trump pode escolher os muçulmanos ou os mexicanos como os vilões…

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Senador Joseph McCarthy (Fonte: Wikipedia)

Existe um outro caminho a ser trilhado. Devemos abandonar o consumismo e a especulação financeira. No futuro, teremos crescimento populacional zero e crescimento do PIB zero – mais três ou quatro décadas, chegaremos lá. O sistema deve ser completamente redesenhado. A solidariedade entre as pessoas e povos deverá ser o ingrediente indispensável nas relações sociais e econômicas para construirmos um mundo mais justo e fraterno. Todos devem abraçar este grande desafio, não é trabalho para um punhado de líderes populistas ou salvadores da pátria.

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Temos Tempo para Discutir o Aquecimento Global?

Há sete anos, escrevi um artigo (Aquecimento Global é um Dogma e Dogmas não Podem Ser Discutidos) onde discutia-se a certeza que o aquecimento global é causado pelo ser humano. Após estes anos, estou convencido que dificilmente será provada a teoria antropogênica do aquecimento global. Afinal a Terra já passou por eras glaciais e eras de aquecimento, sem a presença dos humanos ou, antes da Revolução Industrial com a humanidade presente. Fica muito difícil provar se a concentração de CO2 é causa ou consequência. Como provar cientificamente que a humanidade é a causadora deste ciclo de aquecimento? Esta é uma boa hipótese, mas é somente uma hipótese.

Se você insistir com o argumento sobre o aumento da concentração de CO2 e demais gases do efeito estufa na atmosfera, corremos o risco de seguir uma falácia lógica conhecida pela expressão latina post hoc ergo propter hoc (depois disso, logo causado por isso), também chamada de correlação coincidente. Por exemplo, quando A ocorreu, B ocorreu, logo A é a causa de B. Muitas vezes isto não é verdade…

Se não tem como provar a teoria antropogênica do aquecimento global, vale à pena arriscar? Prefiro que a humanidade faça as coisas do jeito certo, como se a teoria estivesse correta, mude os padrões de consumo e seja mais sustentável.

As mudanças climáticas são apenas um dos aspectos do que vem acontecendo de errado com o meio ambiente da Terra. O pesquisador sueco Johan Rockström e o químico americano Will Steffen lideraram um grupo de cientistas que propôs 9 limites planetários que não deveriam ser transpostos.

1. Mudanças climáticas
2. Perda da integridade da biosfera (perda de biodiversidade e extinção de espécies)
3. Destruição do ozônio estratosférico
4. Acidificação dos oceanos
5. Fluxos biogeoquímicos (ciclos do fósforo e do nitrogênio)
6. Mudança do sistema terrestre (por exemplo, o desmatamento)
7. Utilização da água doce
8. Carga atmosférica de aerossóis (partículas microscópicas na atmosfera que afetam o clima e os organismos vivos – ainda não quantificado globalmente)
9. Introdução de novas entidades (por exemplo, poluentes orgânicos, materiais radioativos, nanomateriais, e microplásticos – ainda não quantificado globalmente)

Atualmente quatro destes nove itens ultrapassaram o limite seguro e entraram na “zona de perigo”: mudanças climáticas, perda da integridade da biosfera, fluxos biogeoquímicos e mudança do sistema terrestre.

A humanidade está gerando a sexta grande onda de extinção de espécies da história da Terra. As outras cinco foram causadas por causas naturais – erupção de grandes vulcões ou impacto de asteroides, meteoros e cometas. Podemos chegar a 2020 com apenas um terço da população de vertebrados de 1970. A figura abaixo mostra a aceleração do número de extinções de vertebrados.

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Taxa de extinção de vertebrados (Fonte: WWF – Living Planet Report 2016)

O desequilíbrio dos ciclos de nitrogênio e fósforo é causado pelo uso crescente de fertilizantes na agricultura. Há um século, os químicos alemães Fritz Haber e Carl Bosch inventaram um processo para produzir amônia (composto básico para a produção de fertilizantes) a partir do nitrogênio atmosférico. Deste modo, quantidades enormes de nitrogênio sob forma de amônia e nitratos foram introduzidas no ciclo do nitrogênio, desequilibrando-o totalmente.

O fósforo é um elemento químico com reservas mais ameaçadas do que, por exemplo, o petróleo. Já escrevi um artigo sobre esta questão (A Ameaça da Fome no Mundo – Reciclar é Preciso, Extrair não é Preciso). Como o fósforo é extraído do subsolo como mineral, purifica-se para ser empregado na agricultura sob a forma de fosfato. O maior problema é que as plantas não aproveitam todo nitrogênio e fósforo adicionado ao solo e as chuvas arrastam o excesso para os rios, reduzindo a concentração de oxigênio dissolvido, o que prejudica a vida aquática. Ao chegar nos oceanos causa as chamadas dead zones (zonas mortas) nas regiões costeiras, onde há redução expressiva na viabilidade da vida marinha. O delta do Rio Mississippi, no Golfo do México, é um dos principais casos. Atualmente mais de 400 pontos de dead zones foram detectados na Terra. Veja a figura abaixo.

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Dead zones (Fonte: Robert Simmon & Jesse Allen – NASA Earth Observatory)

A agricultura, além de contribuir fortemente para a extinção de espécies e para o desequilíbrio nos ciclos do nitrogênio e do fósforo, tem causado desmatamento, alteração radical de ecossistemas e desertificação de muitas áreas do planeta (o quarto item a superar os limites planetários – mudança do sistema terrestre). Sem contar que apenas a pecuária é responsável por 14,5% dos gases de efeito estufa, o que ajudaria na mudança climática.

Obama fez um grande esforço para que os Estados Unidos se comprometesse com redução de emissões e assumisse um acordo na COP21 em Paris. Provavelmente, com Trump na presidência, os Estados Unidos ficarão de fora como já aconteceu com o Protocolo de Kyoto. Os Estados Unidos nunca gostaram de assumir acordos e resoluções internacionais. Por exemplo, o país não é signatário da maioria dos tratados referentes aos direitos humanos.
Este é o problema se Donald Trump botar para quebrar na questão ambiental, como a indicação de Scott Pruitt como administrador da EPA (agência americana de proteção ambiental), nossos filhos e netos viverão num planeta bem diferente do que o atual. Em dezembro, o jornal El País iniciou assim seu artigo sobre a indicação de Pruitt:

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu para ser o novo responsável pela política do país para o meio ambiente um promotor veterano de Oklahoma que não acredita que a ação humana interfira na mudança climática e que dedicou seus últimos anos a vetar na Justiça as regulamentações propostas por Barack Obama na batalha contra o aquecimento global. Scott Pruitt, promotor geral do Estado que mais utiliza petróleo e gás de forma intensiva, será o novo diretor da Agência para Proteção do Meio Ambiente dos EUA.

Na semana passada, Pruitt foi sabatinado pelo senado americano para ter a indicação de seu nome confirmada. O Senador Bernie Sanders deu uma verdadeira prensa em Pruitt e perguntou por que o clima estava mudando. A resposta de Pruitt foi evasiva:

– O clima está mudando e a atividade humana contribui para isto de alguma maneira.

Se quiser ver o vídeo com a íntegra dos questionamentos de Sanders para Pruitt ou ler a transcrição completa, basta clicar no link abaixo do Washington Post.

https://www.washingtonpost.com/news/energy-environment/wp/2017/01/18/bernie-sanders-to-scott-pruitt-why-is-the-climate-changing/?utm_term=.75539e270718

A humanidade tem feito um “ótimo” trabalho para destruir a Terra. Agora com a ajuda de Trump e sua equipe, parece que o trabalho será ainda mais bem executado…

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Índia – Meio Bilhão Atrás da Moita

Como comentei no artigo anterior, estive na feira IFAT, em Munique, no mês passado. Assisti a uma apresentação sobre um projeto de cooperação entre Índia e Alemanha na área de saneamento básico.

IFAT 2016

M. Sevala Naik, Cônsul Geral da Índia em Munique, na IFAT

Estima-se que a população atual da Índia seja 1,3 bilhões de habitantes, 17% da população humana no planeta, vivendo em 2,5% da terra, dispondo de apenas 4,0% da água fresca. Em breve, deverá ultrapassar a China e se tornar o país mais populoso do mundo. Em 2050, estima-se que sua população esteja em torno de 1,7 bilhões de habitantes, a maioria estará vivendo em cidades.

A seguir apresento dois slides que fotografei de uma das apresentações sobre a Índia.

India - slide 1

As cidades com mais de 50 mil habitantes geram diariamente 38 milhões de metros cúbicos de esgoto. Apenas uma pequena fração deste total é tratada de forma eficiente. Além dos esgotos domésticos, existe a poluição industrial causada, principalmente por farmacêuticas, têxteis e curtumes. O resultado final é a poluição de 75% das águas superficiais do país.

Por outro lado, apenas um terço das casas destas cidades está ligada a sistemas de coleta de esgoto, como pode ser visto no slide abaixo.

India - slide 2

Atualmente cerca um terço da população indiana vive em áreas urbanas. Se 12,6% das pessoas que vivem em cidades fazem suas necessidades a céu aberto, isto representa 55 milhões de pessoas. Outras 25 milhões de pessoas usam banheiros públicos, totalizando mais 80 milhões sem privadas em casa.

Na zona rural, a situação ainda é muito pior! Mais da metade dos habitantes faz suas necessidades a céu aberto, 450 milhões de pessoas. Ou seja, mais de meio bilhão de pessoas na Índia defecam na rua ou atrás de moitas. Observe a situação em outros países no mapa abaixo.

Defecating in the Open - Global

Em julho de 2014, The Economist fez uma reportagem sobre o assunto. Leia um trecho traduzido abaixo.

Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, diz que a construção de banheiros é uma prioridade sobre templos. Seu ministro das Finanças, Arun Jaitley, utilizou o orçamento deste mês para definir uma meta de acabar com a defecação a céu aberto em 2019. Isto acontecerá 150 anos após o nascimento de Mohandas Gandhi que disse que o bom saneamento era mais importante do que a independência.

narendra-modi

Primeiro-ministro Narendra Modi

Esta deve ser uma das maiores e mais importantes iniciativas na área do saneamento básico em toda a história da humanidade. Você consegue imaginar um político que prioriza construção de privadas ou invés de grandes obras?

A decisão do primeiro-ministro indiano segue uma lógica clara – má higiene pública leva a problemas de saúde, má nutrição e mortalidade infantil –, sem falar do grande risco de estupro para as mulheres devido à falta de um banheiro junto a suas casas. Superar este problema requer um plano abrangente, porque envolve educação e mudança de hábitos culturais, não apenas a construção de mais de cem milhões de novos banheiros pelo governo.

Termino este artigo com o mesmo pensamento que iniciei o artigo anterior. Fica escancarado como nosso mundo é desigual. Assisti a palestras na IFAT sobre a remoção de micropoluentes da água, através de processos sofisticados com o uso de carvão ativado e membranas, e a um seminário sobre a situação delicadíssima do abastecimento de água e saneamento básico na Índia.

Open defecation India

Péssimas condições sanitárias na Índia  [Fonte: The Economist]

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