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Dia Mundial da Água – Apresentação sobre Poluição Hídrica para Crianças

No dia 22 de março comemora-se o Dia Mundial da Água. Sendo bem redundante, seria “chover no molhado” falar sobre a importância da água para todos os seres vivos.

Em 2015, fiz uma apresentação sobre poluição hídrica para um grupo de crianças do projeto da Associação São Paulo da Cruz, junto à Igreja do Calvário no Bairro Pinheiros em São Paulo.

A apresentação on line está disponível abaixo.

Se você quiser baixar o arquivo original em PowerPoint, basta clicar no link abaixo.

Apresentação_Meio-Ambiente

Guia para apresentação:

Slide 1 – capa.

Slide 2 – explique que os peixes respiram o oxigênio que está dissolvido na água, enquanto nós respiramos o oxigênio que está no ar.

Slide 3 – descobra quais crianças já tiveram aquário em casa. Elas darão depoimentos que comprovam um importante mecanismo da poluição hídrica a ser explicado na sequência da apresentação.

Slide 4 – a grande maioria das pessoas que tem ou já tiveram um aquário matou todos os peixes por colocar mais alimento do que os peixes conseguem consumir. Isto normalmente acontece, durante uma ausência mais prolongada da família, para que os peixes não passem fome.

Slide 5 – gere discussão da causa da morte dos peixes.

Slide 6 – explique que, na água, no ar, no solo, no nosso corpo, existem microrganismos (invisíveis sem o auxílio de um microscópio). As bactérias são um dos principais grupos dos microrganismos.

Slide 7 – explique que as bactérias se alimentam, respiram e se multiplicam em grande velocidade, enquanto houver alimento.

Slide 8 – conclua que os peixes morreram asfixiados, porque não havia mais oxigênio dissolvido na água do aquário. Como havia excesso de alimento, as bactérias começaram a se reproduzir com grande velocidade e consumiram todo o oxigênio dissolvido e os peixes não conseguiram mais respirar e morreram.

Slide 9 – mostrar que a poluição pode ser apenas uma quantidade exagerada de alimento que os peixes não conseguirão consumir.

Slide 10 – explique que a poluição pode ser causada por uma substância tóxica como venenos e metais pesados.

Slide 11 – apresente exemplos de fontes geradoras de poluição. O primeiro exemplo é o esgoto doméstico. Sim, o nosso cocô, quando chega no rio pode servir de alimento para os peixes e as bactérias. Como as bactérias se multiplicam rápido e existe muito alimento (cocô) no rio, elas acabam consumindo todo oxigênio e os peixes morrem.

Slide 12 – o efluente líquido de uma indústria também pode causar poluição nos rios. Dependendo do tipo da indústria, seu efluente pode ser parecido com o esgoto doméstico ou ser um veneno para toda a vida aquática.

Slide 13 – os efluentes agrícolas podem ser água da chuva ou de irrigação contaminada por fertilizantes ou agrotóxicos.

Slide 14 – o esterco de animais segue a mesma lógica da poluição causada pelo esgoto doméstico (slide 11).

Slide 15 – existem muitos lixões localizados próximos a rios que terminam por contaminá-los. Muitas pessoas jogam lixo no chão e, quando chove, este lixo é arrastado para os bueiros das ruas e chegam até os rios, gerando poluição. Neste caso, a poluição é causada pelo excesso de alimento (matéria orgânica) e por venenos (substâncias tóxicas).

Slide 16 – este é um exemplo de tragédia ambiental. No final de 2006, cerca de 100 toneladas de peixes morreram no Rio dos Sinos no Rio Grande do Sul. Houve uma combinação de seca no rio, de altas temperaturas, de esgoto doméstico não tratado e lançamentos clandestinos de algumas indústrias e de um grande aterro de resíduos industriais. Este slide poderia ser substituído pelo do desastre de Mariana, causado pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, que encheu o Rio Doce de lama tóxica.

Slide 17 – pergunte o que devemos fazer para evitar a poluição dos rios.

Slide 18 – explique que é melhor evitar que a poluição seja gerada do que tratar os seus efeitos. Assim o primeiro passo é não gerar resíduos e economizar água.

Slide 19 – se não for possível evitar a geração de resíduos, procure reaproveitá-los ou reciclá-los.

Slide 20 – se depois de todas as medidas para evitar a geração de resíduos, ainda sobrar alguma coisa, devemos tratá-la antes de devolvê-la novamente ao meio ambiente. Esta figura mostra uma estação de tratamento de esgotos da cidade de São Paulo. O esgoto passa inicialmente por um sistema de gradeamento, onde os sólidos maiores são removidos. Depois passa por um tanque de sedimentação, onde os sólidos menores são separados. Na sequência, o líquido é conduzido para um tanque onde microrganismos consomem a matéria orgânica solúvel. Estes microrganismos são separados do líquido antes de retornar o esgoto tratado para o rio.

Slide 21 – Os sólidos retirados nas diversas etapas do tratamento são digeridos por bactérias em tanques fechados, concentrados e secos.

Slide 22 – O tratamento de esterco de vacas e porcos em biodigestores anaeróbios produz biogás que pode ser usado para geração de calor ou energia elétrica. Os sólidos biodigeridos podem ser usados como fertilizantes na agricultura. Assim um resíduo altamente poluente pode ser reaproveitado.

Slide 23 – Agradecimento final.

Espero que esta apresentação seja útil para apresentar a seus filhos e alunos. Estou à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas.

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A Empatia e os Julgamentos – o Caso Bruna Sena

As redes sociais tornaram públicas opiniões que antes só eram expressas no âmbito privado. Duvido que um décimo do que é escrito no Facebook ou Twitter seria dito cara a cara para o alvo das manifestações – ofensas gratuitas, palavrões, acusações levianas, distorções…

No mundo corporativo, não existe treinamento na área de desenvolvimento humano que não fale de empatia. Os americanos usam uma frase que resume o significado desta palavra:

– Put yourself in others’ shoes.

Poderíamos traduzir livremente a frase como “coloque-se no lugar de outra pessoa”. Ou seja, veja, escute, pense e sinta como o outro. Ou como li em um artigo de Elaine Brum no site do El país recentemente, “vestir a pele do outro”.

A maioria das pessoas não consegue mais escutar ativamente os outros para tentar entender as lógicas e motivações que fundamentam seus raciocínios. Muitas vezes, a fala é interrompida com um contra-argumento ou, quando isto não acontece, já se começa a pensar na resposta enquanto o outro ainda está falando.

Se escutar ativamente é difícil, imagina ler ativamente. Quem lê uma coluna de jornal de um comentarista com posição política contrária à sua?

No início de fevereiro, a notícia de que uma jovem de 17 anos, negra e pobre, que cursou escola pública durante toda a sua vida, foi a primeira colocada no vestibular da USP de Ribeirão Preto teve muita repercussão nas redes. Infelizmente o que mais se discutiu não foi a incrível história de superação de Bruna Sena, filha de uma operadora de caixa de supermercado com salário mensal de R$ 1.400,00, mas uma frase que ela postou na sua conta do Twitter.

“A casa-grande surta quando a senzala vira médica”.

Dentro de diversas bolhas das redes sociais, Bruna foi duramente criticada por homens e mulheres brancos que provavelmente nunca sentiram as dificuldades que ela e sua mãe passam.

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Aposto que a maioria das pessoas não seguiu a leitura da matéria da Folha de São Paulo, pois a frase foi colocada “convenientemente” no primeiro parágrafo. Não leram o pedido da mãe com medo que sua filha seja discriminada na universidade.

“Por favor, coloque no jornal que tenho medo dos racistas. Ela vai ser o 1% negro e pobre no meio dos brancos e ricos da faculdade.”

Quem teve empatia por Bruna e sua mãe? Quem ao menos tentou imaginar todas as dificuldades de uma mãe pobre, abandonada pelo marido, de criar uma menina, tentando proporcionar as maiores oportunidades possíveis? Quem tentou sentir o que uma negra pobre passa em um país como o Brasil? Quem tentou sentir a emoção de jovem de 17 anos, com muito menos condições de competir com jovens que estudaram nos melhores colégios particulares do país, ao descobrir que foi a primeira colocada no vestibular de medicina da USP?

Como podem minimizar toda a luta e os medos desta família a um simples “mimimi”? Faltou empatia! Como as pessoas podem julgar uma menina de 17 anos com tamanha dureza? Faltou empatia!

Bruna, vou tentar te tranquilizar. Você será muito bem recebida pela esmagadora maioria de teus colegas de medicina. Mais tarde, se você for competente, verá que, como o número de médicas negras é muito pequeno, muitos hospitais desejarão contratá-la. Aproveitando tua frase, a casa grande não vai surtar, vai te querer, porque, deste modo, o sistema é legitimado. As grandes empresas precisam de mulheres e negros em gerências e diretorias para mostrarem que não são sexistas nem racistas. Ainda temos um longo caminho pela frente…

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A Entrevista de Yuval Harari no TED – Nacionalismo x Globalismo

Na noite de segunda-feira recebi um e-mail do TED com o link da conversa do historiador israelense Yuval Noah Harari, autor de Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, com Chris Anderson.

Vale a pena assistir ao vídeo. Harari considera impossível lidar com as grandes questões atuais da humanidade em escala nacional. Como resolver a questão ambiental sem uma coordenação global? Como disciplinar os fluxos de capital especulativo ou coibir a circulação de dinheiro oriundo de atividades ilícitas? Como regular o desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias como a Inteligência Artificial e a Bioengenharia? Globalismo, neste contexto, seria a construção de um sistema que coloque os interesses de todo o mundo acima dos interesses de cada nação. Assim devemos construir um novo sistema. Claro que uma estrutura supranacional deve ser criada com muito cuidado para evitar a criação de uma casta de notáveis ou de burocracia desnecessária.

No documentário “Requiem for the American Dream”, o filósofo e cientista político Noam Chomsky apresenta a financeirização (redução da atividade industrial e aumento da atividade financeira) da economia americana. Em 1950, 28% do PIB era advindo da indústria e 11% do setor financeiro. Em 2010, apenas 11% era oriundo da indústria e 21% do PIB vinha do setor financeiro. Aproximadamente 40% dos lucros corporativos, em 2007, foram de instituições financeiras. Isto ocorreu após a redução da regulamentação do setor financeiro ocorrida nos Estados Unidos nas décadas de 70 e 80. Como resultado, houve crescimento na especulação financeira que terminou estourando na crise de 2008. Hoje Donald Trump fala em desregulamentar mais a economia americana. O economista francês, Thomas Piketty, autor do best seller “Capital do Século XXI”, também alerta para o perigo da financeirização da economia global. Ou seja, a ação para evitar novas crises financeiras, que geram instabilidade e desemprego em vários países do mundo, deve ser global.

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Da mesma forma, a questão da Inteligência Artificial (AI) deve ser analisada globalmente, porque sua aplicação poderá gerar desemprego em massa no futuro. Neste caso, as populações dos países mais pobres devem ser as mais prejudicadas. As discussões éticas sobre a aplicação da Bioengenharia em seres humanos é outro ponto crítico com a possibilidade da criação de super-humanos. Se não houver uma regulamentação global, alguns países podem restringir a aplicação, enquanto outros liberá-la irrestritamente.

As pessoas precisam se dar conta de que não é possível voltar no tempo e usar velhos modelos. Eles não funcionarão no futuro. Há 2.500 anos o filósofo Heráclito de Éfeso disse algumas frases que deveríamos, no mínimo, refletir a respeito.

Da luta dos contrários é que nasce a harmonia.

Tudo o que é fixo é ilusão.

Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio.

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Heráclito de Éfeso

O mundo está em eterna transformação, novos modelos devem ser criados. Aquela tese exótica do “fim da história” do filósofo e economista Francis Fukuyama, sobre o triunfo definitivo do modelo da democracia liberal, está fortemente abalada. Estas discussões bobas sobre direita e esquerda aqui no Brasil são grandes perdas de energia e de tempo. As pessoas devem parar de olhar para trás como se a história fosse se repetir para um lado ou para outro, porque o rio continua correndo e, quando nos banharmos em suas águas, veremos que não é mais o mesmo rio e nem nós somos os mesmos.

Hirari faz um outro alerta sobre nossa desconexão com a natureza e, até mesmo, com nós mesmos. Este poderia ser um bom ponto de partida, ficar menos em frente das telas (computador, celular, tablete, televisão) e olhar mais para dentro de si, para as pessoas em volta, para o mundo que nos cerca, para a natureza. Em janeiro assisti na escola das minhas filhas a uma palestra do professor alemão Dr. Peter Guttenhoefer. Num momento ele disse estas frases simples:

O andar faz o pé.
O uso faz a mão.
O pensar faz o cérebro.

Como nossas crianças estão usando seus pés, mãos e cérebros? Como é o ambiente em que nossas crianças estão inseridas? Estão próximas à natureza ou em um ambiente quase hospitalar? Qual é a diversão delas – televisão e tablet? Precisamos nos conectar ao mundo real e ajudar nossas crianças a fazer o mesmo. Só desta forma poderemos viver num mundo mais sadio.

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Índia – Meio Bilhão Atrás da Moita

Como comentei no artigo anterior, estive na feira IFAT, em Munique, no mês passado. Assisti a uma apresentação sobre um projeto de cooperação entre Índia e Alemanha na área de saneamento básico.

IFAT 2016

M. Sevala Naik, Cônsul Geral da Índia em Munique, na IFAT

Estima-se que a população atual da Índia seja 1,3 bilhões de habitantes, 17% da população humana no planeta, vivendo em 2,5% da terra, dispondo de apenas 4,0% da água fresca. Em breve, deverá ultrapassar a China e se tornar o país mais populoso do mundo. Em 2050, estima-se que sua população esteja em torno de 1,7 bilhões de habitantes, a maioria estará vivendo em cidades.

A seguir apresento dois slides que fotografei de uma das apresentações sobre a Índia.

India - slide 1

As cidades com mais de 50 mil habitantes geram diariamente 38 milhões de metros cúbicos de esgoto. Apenas uma pequena fração deste total é tratada de forma eficiente. Além dos esgotos domésticos, existe a poluição industrial causada, principalmente por farmacêuticas, têxteis e curtumes. O resultado final é a poluição de 75% das águas superficiais do país.

Por outro lado, apenas um terço das casas destas cidades está ligada a sistemas de coleta de esgoto, como pode ser visto no slide abaixo.

India - slide 2

Atualmente cerca um terço da população indiana vive em áreas urbanas. Se 12,6% das pessoas que vivem em cidades fazem suas necessidades a céu aberto, isto representa 55 milhões de pessoas. Outras 25 milhões de pessoas usam banheiros públicos, totalizando mais 80 milhões sem privadas em casa.

Na zona rural, a situação ainda é muito pior! Mais da metade dos habitantes faz suas necessidades a céu aberto, 450 milhões de pessoas. Ou seja, mais de meio bilhão de pessoas na Índia defecam na rua ou atrás de moitas. Observe a situação em outros países no mapa abaixo.

Defecating in the Open - Global

Em julho de 2014, The Economist fez uma reportagem sobre o assunto. Leia um trecho traduzido abaixo.

Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, diz que a construção de banheiros é uma prioridade sobre templos. Seu ministro das Finanças, Arun Jaitley, utilizou o orçamento deste mês para definir uma meta de acabar com a defecação a céu aberto em 2019. Isto acontecerá 150 anos após o nascimento de Mohandas Gandhi que disse que o bom saneamento era mais importante do que a independência.

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Primeiro-ministro Narendra Modi

Esta deve ser uma das maiores e mais importantes iniciativas na área do saneamento básico em toda a história da humanidade. Você consegue imaginar um político que prioriza construção de privadas ou invés de grandes obras?

A decisão do primeiro-ministro indiano segue uma lógica clara – má higiene pública leva a problemas de saúde, má nutrição e mortalidade infantil –, sem falar do grande risco de estupro para as mulheres devido à falta de um banheiro junto a suas casas. Superar este problema requer um plano abrangente, porque envolve educação e mudança de hábitos culturais, não apenas a construção de mais de cem milhões de novos banheiros pelo governo.

Termino este artigo com o mesmo pensamento que iniciei o artigo anterior. Fica escancarado como nosso mundo é desigual. Assisti a palestras na IFAT sobre a remoção de micropoluentes da água, através de processos sofisticados com o uso de carvão ativado e membranas, e a um seminário sobre a situação delicadíssima do abastecimento de água e saneamento básico na Índia.

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Péssimas condições sanitárias na Índia  [Fonte: The Economist]

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Por um Mundo mais Sadio e Justo – o Lixo e a Consciência

Após passar alguns dias na maior feira do mundo de tecnologia para tratamento de água, esgotos e reciclagem, a IFAT, em Munique na Alemanha, fica escancarado como nosso mundo é desigual. Assisti a palestras de como remover micropoluentes da água, através de processos sofisticados com o uso de carvão ativado e membranas, e a um seminário sobre a situação do abastecimento de água e saneamento básico na Índia.

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IFAT 2016 – painel Future Dialog

Na manhã do primeiro dia da feira, assisti a um painel muito interessante, “Um mundo sem desperdício – visão ou ilusão? ”, no qual quatro apresentadores mostraram suas visões sobre o assunto e o que estavam fazendo sobre o tema. O cientista Prof. Dr. Michael Braungart afirmou que os principais problemas já são conhecidos há 25 anos, mas muito pouco foi feito até hoje. A questão não é melhorar o que está aí, mas criar algo novo que não gere resíduos. O antimônio, por exemplo é um metal pesado usado como catalisador no processo de fabricação de garrafas PET e pode contaminar os líquidos contidos por elas. Outro exemplo é a série de metais pesados utilizados em equipamentos eletrônicos que não são reciclados e poluem o meio ambiente.

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Michael Braungart

O representante de Gana no painel, o jornalista e ambientalista Michael Anane, denunciou que mensalmente quinhentos containers são enviados para seu país por nações desenvolvidas com equipamentos eletrônicos obsoletos, boa parte deste material sem nenhuma condição de uso ou conserto. Nestes casos, fios são queimados ao ar livre, para recuperar o cobre que, posteriormente, será enviado para a Europa. Todo o material que sobra é lançado em um lixão, onde metais extremamente tóxicos, como mercúrio e cádmio, contaminam o solo. Se achou esta transferência de lixo tóxico estranha, você está certo! A Convenção de Basel (Basileia, em português) proíbe estas movimentações de resíduos perigosos e sua disposição final em outros países.

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Michael Anane

Se por um lado, os países desenvolvidos discutem os princípios da “economia circular”, onde resíduos não são gerados ou são aproveitados nos próximos elos da cadeia produtiva, por outro lado, os olhos são tapados para que lixo tóxico seja jogado “embaixo do tapete” dos países pobres.

Uma reportagem interativa do portal de notícias Al Jazeera mostra este grave problema humano e ambiental. Leia sem preconceito, o site é muito bom.

E-waste Republic – Al Jazeera

Existem uma série de iniciativas elogiáveis como o “Plastic Bank” criado pelo canadense David Katz, um dos apresentadores do painel. O “Plastic Bank” cria centros de processamento de resíduos de plástico em áreas muito pobres que têm uma quantidade elevada deste tipo de resíduo. O objetivo do “Plastic Bank” é liderar o movimento em direção a uma demanda mundial para o uso deste “Social Plastic” em produtos de uso diário. Quanto maior for a demanda, maior será o impacto social para ajudar os pobres do mundo. Segundo Katz, grande parte do plástico nos oceanos do mundo é originária dos países em desenvolvimento. Deste modo, o “Plastic Bank” criou um sistema para evitar o desperdício de plástico lançado em oceanos, rios e cursos de água, tornando-o muito valioso para ser simplesmente jogado fora.

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David Katz

Para se ter ideia do tamanho deste problema, copiei o parágrafo abaixo do site da ONG Instituto Akatu (www.akatu.org.br).

Por ano, 250 milhões de toneladas de plástico produzidas e cerca de 35% desse montante são usados apenas uma vez, por apenas 20 minutos. Após o uso, em torno 10% do material descartado tem como destino o mar, revelou um estudo da Race for Water, fundação suíça dedicada à preservação da água.

A jornalista alemã independente Hanna Gersmann, quarta apresentadora do painel, defendeu a existência de um ambiente legal que favoreça os processos sustentáveis através, por exemplo, da taxação de processos muito intensivos em recursos. Os plásticos e papéis oriundos de reciclagem, por exemplo, deveriam ser menos tributados do que os produtos obtidos, respectivamente, a partir do petróleo e da madeira.

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Hanna Gersmann

No Brasil, a gasolina é mais pesadamente tributada do que etanol. Deste modo, aumenta a viabilidade econômica das pessoas abastecerem seus automóveis com um combustível renovável do que com o combustível fóssil, reduzindo a emissão de gás carbônico (principal gás do efeito estufa) por quilômetro rodado.

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Tributação dos combustíveis no Brasil

Michael Braungart, juntamente com o designer William McDonough, criou uma abordagem para o projeto de produtos ou sistemas chamada “Cradle to Cradle”. O nome é uma oposição à expressão do inglês “cradle to grave”, berço ao túmulo. Assim a ideia é um ciclo contínuo interminável, sustentável, baseado em cinco princípios:

  1. Saúde ligada ao material – ausência de compostos tóxicos, como metais pesados ou produtos químicos cancerígenos, para a saúde das pessoas e do meio ambiente. Neste item, também está incluída a origem das matérias primas, por exemplo, a origem da madeira – floresta nativa ou reflorestamento.
  2. Reutilização do material – todo o material deve ser recuperado ou reciclado após o final da sua vida útil.
  3. Energias renováveis – em todas as etapas do processo devem ser empregadas majoritariamente energias renováveis.
  4. Água limpa – o consumo de água deve ser minimizado e a água empregada deve ser reutilizada no próprio processo, reciclada ou, se não houver outra alternativa, tratada e devolvida ao meio ambiente com qualidade aceitável.
  5. Responsabilidade social – o impacto do produto ou sistema sobre a comunidade deve ser positivo.

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Tem um ponto que deve ser atacado em paralelo com o redesenho de processos produtivos – o consumismo crescente no mundo. Você acha racional trocar de celular anualmente? Apple e Samsung trazem todo ano novos modelos de seus carros chefe, iPhone e Galaxy. Qualquer destes aparelhos multifuncionais de dois ou três anos atrás já possui mais utilidades do que a esmagadora maioria dos mortais jamais imaginou. Podemos, além de fazer ligações telefônicas, trocar mensagens eletrônicas instantâneas (inclusive de áudio e vídeo), tirar fotografias em alta resolução e imediatamente compartilhá-las através de e-mails ou nas redes sociais, usar navegadores (Waze e Google Maps) que nos ajudam a chegar a qualquer lugar, fazer transações bancárias, ouvir música, ver vídeos, ler e escrever textos, tomar conhecimento sobre as últimas notícias, passar o tempo com jogos. Tudo isto está na palma de nossas mãos, precisando apenas de uma conexão sem fio com a Internet, mas muita gente se sente obrigada a comprar o modelo recém lançado e o “antigo” vai para a gaveta. Nos últimos modelos, até mesmo a remoção das baterias de lítio é complexa com a necessidade de ferramentas especiais.

O consumo de produtos descartáveis é outro ponto a ser atacado. Se mais de um terço de todo o plástico produzido no mundo, 90 milhões de toneladas, é descartado logo após o uso, devemos também repensar nosso estilo de vida. Estes plásticos são sacos e filmes que envolvem alimentos e produtos em geral, copos, pratos, garrafas, canudos e talheres. O destino final deste recurso transformado em lixo, pode ser o estômago de peixes, aves marinhas e tartarugas. Não seria melhor voltar aos velhos tempos e usar utensílios de vidro ou aço e embalagens de papel? Assista ao vídeo abaixo.

 

Resumindo, nosso planeta tem recursos e capacidade de regeneração finitos. Não adianta estimular o consumo, se não existe boas soluções para aproveitar o produto após sua vida útil. Não adianta também se livrar do problema, enviando resíduos para países pobres. A solução deve ser holística e sustentável – ambientalmente, socialmente e economicamente. Os nossos hábitos e valores devem seguir esta condição, porque, ao comprar um produto, deveríamos pagar todos os custos ambientais e sociais que este produto carrega desde sua produção até seu destino final após a vida útil. Nosso consumo deve ser consciente!

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Para Obter a Paz, não Basta uma Vitória Militar sobre o Estado Islâmico

Há uma semana, as pessoas ficaram chocadas com a série de atentados terroristas acontecidos na noite de sexta-feira em Paris. O Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pela operação que causou a morte de dezenas de pessoas, com 89 vítimas fatais apenas na casa de espetáculos Bataclan.

Grávida tenta fugir pela janela do Bataclan

Grávida tenta fugir pela janela do Bataclan

Três grupos islâmicos, considerados por muitos como terroristas, surpreenderam ao condenar veementemente os atentados em Paris. O grupo libanês xiita Hezbollah e os movimentos palestinos Hamas, no poder na Faixa de Gaza, e Jihad Islâmica desaprovaram a ação do Estado Islâmico que vitimou inocentes. Assim norte-americanos e russos, todos os países europeus, todos os países muçulmanos (independente da orientação sunita ou xiita), além de diversos grupos armados islâmicos alinharam-se no objetivo de acabar com a ameaça do Estado Islâmico.

Abaixo está a tradução de uma nota publicada no diário “The Economist Espresso” na terça-feira passada:

Cada um com seu próprio interesse: o Oriente Médio depois de Paris

A região fragmentada está unida na indignação e sobre a necessidade de fazer mais para combater Estado Islâmico. Os líderes políticos concordam com mais ataques aéreos, incluindo um bombardeio francês contra Raqqa, base síria do EI. No entanto, apenas esta unidade é tão profunda. Muitos libaneses estão reclamando que os atentados mortais em Beirute, um dia antes dos ataques em Paris tiveram muito menos atenção. Alguns sírios apontam que Bashar al-Assad matou milhares a mais do que o EI. Todos os lados estão usando os ataques para reforçar suas narrativas: o regime de Assad insiste que está combatendo apenas “terroristas”, em vez de seu próprio povo; no Egito Abdel-Fattah al-Sisi usa a ameaça extremista para justificar a regra da mão de ferro. Uma segunda rodada de conversações de paz sobre a Síria neste fim de semana obteve pouco progresso. Os grandes vencedores até agora são os principais aliados do Ocidente, os curdos. Eles estão propensos a tirar proveito de mais ataques aéreos para expandir seu território.

Para entender (ou compreender menos ainda) as complexas relações entre os diversos agentes que atuam no Oriente Médio, veja a figura abaixo.

Middle Eastern relationships

Não tenho dúvida que os territórios ocupados pelo EI no Iraque e na Síria serão reconquistados e este grupo perderá grande parte do seu poderio bélico. Infelizmente tenho convicção que esta futura vitória militar não trará paz para o mundo e estabilidade para o Oriente Médio em particular.

Não farei uma detalhada análise sobre as causas do agravamento dos conflitos na região ou o aumento da violência dos terroristas mundo afora. Apenas levantarei alguns pontos para reflexão.

Em primeiro lugar e acima de tudo, tão importante quanto neutralizar militarmente o Estado Islâmico é apoiar social e economicamente a enorme população muçulmana pobre. Estas pessoas marginalizadas são a matéria prima para pseudolíderes religiosos radicais. Como apresentei no artigo “A Ignorância, o Atraso e o Oportunismo” de 2012, metade da população de analfabetos do mundo é muçulmana e dois terços deste total são mulheres. Sem empregos, sem educação e saúde, a juventude muçulmana carente vira presa fácil dos aliciadores de grupos terroristas. Isto vale inclusive para os jovens que vivem na periferia de Paris ou outra cidade europeia.

Sem dúvida, uma ação diplomática ampla também deve ser feita. Existe uma janela de oportunidade, na qual os atores principais têm um inimigo em comum – o Estado Islâmico. As diversas linhas do Islã – sunitas, xiitas e alauitas sírios, além dos curdos e dos governos do Irã, Iraque, Arábia Saudita, Turquia, Egito, Síria, Israel, Estados Unidos, Rússia e Comunidade Europeia deveriam buscar um grande acordo em busca da paz e estabilidade na região.

Na Primeira Grande Guerra Mundial, a Alemanha foi derrotada e o acordo de paz, assinado em Versalhes na França, foi terrível para o país. Anos depois, o Nazismo ascendeu na Alemanha com o que parecia ser a única forma para reverter aquela situação. Derrotas humilhantes e acordos de paz parciais e injustos causam revolta entre a população e favorecem o surgimento de lideranças populistas. Durante uma guerra, cada bombardeio que atinge uma escola ou um hospital gera novas vítimas inocentes. Serão os mártires a serem explorados por estes regimes violentos.

Outro ponto é a interpretação literal do Alcorão pelo Estado Islâmico, sem o entendimento que a peregrinação de Maomé (Profeta Muhammad) ocorreu no início do século VII. Também não são consideradas as mensagens de perdão e compaixão contidas nesta escritura. Da mesma forma, a Bíblia tem livros que regulamentam o comportamento dos fiéis – Levítico e Deuteronômio. Por exemplo, se a filha de um sacerdote se prostituir, deve ser queimada viva diante de todos de acordo com o Levítico 21:9. Um filho muito rebelde, que não obedece a seus pais, pode ser condenado à morte por apedrejamento, conforme Deuteronômio 21:18-21.

Os homens e mulheres bombas seguramente não são perdoados pelo Alcorão. Não sei se alguma religião incentiva ou, pelo menos, perdoa o suicídio. Ou seja, esta é mais uma exploração da ignorância e da completa falta de significado da vida de um ser humano usado como um objeto descartável a favor dos interesses de líderes inescrupulosos.

Quando o Xá Reza Pahlevi foi deposto pela revolução islâmica do Irã, no final dos anos 70, o seu líder, Aiatolá Khomeini, virou a representação do Mal no Ocidente.

Aiatolá Khomeini com uma criança (foto bem diferente das publicadas usualmente no Ocidente)

Aiatolá Khomeini com uma criança (foto bem diferente das publicadas usualmente no Ocidente)

Os Estados Unidos armou o Iraque de Saddam Hussein para lutar contra o Irã para impedir que outros países da região se transformassem em Estados islâmicos. Na mesma época, ainda sob a Guerra Fria, os americanos apoiaram a resistência às tropas soviéticas no Afeganistão. Diz-se que o Al-Qaeda de Osama Bin Laden recebeu armas, dinheiro e treinamento dos americanos durante este conflito. O Afeganistão ficou esquecido e em ruínas após a dissolução da União Soviética em 1989. O Al-Qaeda revoltou-se contra os americanos que eram aliados de Israel na região e, em 11 de setembro de 2011, protagonizaram uma série de atentados em solo americano, culminando com a destruição das torres gêmeas do World Trade Center em New York. Em represália, os Estados Unidos invadiu o Afeganistão, atrás de Bin Laden. Depois invadiu pela segunda vez o Iraque, caçou Saddam Hussein e o país se transformou em um barril de pólvora. Acabou surgindo uma dissidência ainda mais radical do que o Al-Qaeda, nascia o Estado Islâmico, cujo objetivo é a criação de um califado no Iraque e Síria.

Ou seja, se apenas a opção militar for considerada, teremos novos e mais terríveis capítulos desta história. Diplomacia e investimentos econômicos e sociais são indispensáveis. Esta crise é uma grande oportunidade!

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A Redução da Maioridade Penal

Segundo pesquisa de opinião pública do Datafolha, 87% população brasileira apoia a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Dentre as pessoas favoráveis a esta medida, 74% desejam que o novo critério seja aplicado a menores praticantes de qualquer tipo de crime, incluindo furtos simples.

Segundo diagnóstico apresentado pelo Conselho Nacional de Justiça há um ano, o Brasil possui hoje a quarta maior população carcerária do mundo, sem considerar os presos domiciliares. Veja o quadro abaixo:

Ranking população prisional mundial

Você pode ficar surpreso com a liderança folgada dos Estados Unidos neste ranking. Em artigo na edição da semana passada do “The Economist”, fica clara a desigualdade do sistema prisional americano, onde, com menos de 5% da população mundial, o país detém cerca de um quarto dos seus prisioneiros: mais de 2,3 milhões de pessoas. Apesar de um negro ser o seu presidente, o país ainda não conseguiu equacionar bem sua questão racial. Um terço dos homens negros americanos deverá ser preso em algum ponto de suas vidas, e uma em cada nove crianças negras tem seu pai atrás das grades.

Voltando para o Brasil, além de mais de meio milhão de pessoas em prisões e presídios, existem mais 148 mil pessoas em prisões domiciliares, totalizando quase 716 mil pessoas privadas de liberdade no nosso país. O gráfico abaixo mostra a população prisional brasileira, incluindo os presos domiciliares, e o número de vagas disponíveis.

Deficit vagas presidios

De acordo com gráfico acima, dever-se-ia dobrar o número de vagas nos presídios brasileiros, atualmente superlotados. Nas últimas décadas, houve um crescimento do poder de grupos como o PCC, Primeiro Comando da Capital, que supostamente tem como um de seus principais líderes, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola. Estes grupos buscam manter uma ordem interna nos presídios, garantindo a segurança e, até mesmo, assistência jurídica para os apenados. Em troca, os ex-detentos trabalharão para a organização criminosa ao ganharem a liberdade, mesmo a condicional.

Hoje os presídios brasileiros fazem um péssimo trabalho de ressocialização dos apenados. A grande maioria não estuda, trabalha ou aprende um ofício honesto enquanto está preso. Em muitos presídios não há separação entre os presos de baixa periculosidade dos presos de alta periculosidade. Tão pouco há separação de acordo com a faixa etária ou reincidência. Para este ambiente terrível, a maioria da população brasileira deseja enviar adolescentes infratores. Estes jovens serão presas fáceis de organizações criminosas como o PCC que passarão a ter a sua disposição, dentro dos presídios, um novo fluxo constante de trainees.

A presidente da Fundação Casa de São Paulo, Berenice Maria Gianella, informou em um artigo que apenas 2,43% dos adolescentes cumpriam medidas socioeducativas de internação em 2012 devido a crimes graves como latrocínio (roubo seguido de morte), estupro e homicídio doloso (quando houve intenção de matar). Assim enviar a totalidade dos adolescentes infratores para os presídios, um grupo quarenta vezes maior do que apenas os praticantes de crimes graves, é um erro gravíssimo. Ao invés de melhorar a segurança pública, a redução irrestrita da maioridade penal poderá ativar uma enorme bomba relógio social. Achar que esta medida resolverá a questão de segurança pública no país é o mesmo que limpar a casa, varrendo a sujeira para debaixo do tapete.

Para ajustar todo o sistema prisional brasileiro seriam necessários alguns bilhões de reais, sem contar o alto custo operacional mensal. Para salvar a juventude pobre e marginalizada, que acaba delinquindo devido a inúmeros motivos como a desestruturação familiar e falta de alternativas culturais e educacionais, poder-se-ia investir maciçamente em educação. Manter crianças e adolescentes no contra-turno escolar seria ótimo para estimular interesse pela leitura, cultura e ciências.

Se você quiser mais informações sobre o assunto, leia o artigo publicado pela Agência Pública (jornalismo independente), onde também são mostrados as humilhações e os maus-tratos sofridos pelos adolescentes internos da Fundação Casa de São Paulo.

Jogados aos Leões – Agência Pública

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