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As Surpresas de 2016, as Bolhas e o Algoritmo da Felicidade de Mark Zuckerberg

Este ano de 2016 foi fora do normal! Muitos fatos surpreendentes ocorreram e nossa sensação de que é possível prever o futuro ficou muito abalada. Comentarei três episódios da política internacional neste post.

Em junho, os eleitores do Reino Unido optaram pela saída do país da União Europeia, apelidada como Brexit. A vitória foi apertada: 51,9% dos eleitores votaram “sim”; e 48,1%, “não”. O mapa abaixo mostra que a Escócia, Irlanda do Norte e a região de Londres votaram contra a saída da União Europeia, enquanto que o interior da Inglaterra e País de Gales votaram a favor.

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Mapa Reino Unido – Legenda: em azul a favor do Brexit; e em amarelo, contra  (Fonte: Wikipedia)

Mas a maior divisão não foi geográfica; e sim, etária. Veja está pesquisa apresentada no site da BBC. Os mais jovens majoritariamente desejavam a permanência na União Europeia.

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Brexit – Intenção de voto por faixa etária (Fonte: BBC)

Como o Brexit foi aprovado? O próximo gráfico publicado pelo The Independent ajuda a entender melhor o resultado deste plebiscito. A largura de cada barra é proporcional à população. A barra amarela são os contrários ao Brexit e a azul representa os favoráveis. A barra hachurada representa as pessoas não registradas e as pessoas que não compareceram às urnas.

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Brexit – Intenção de voto por faixa etária e abstenção (Fonte: The Independent)

Apenas 36% da população entre 18 e 24 anos e 58% entre 25 e 34 anos votaram no plebiscito. Por outro lado, os mais velhos foram maciçamente às urnas: 81% entre 55 e 64 anos e 83% das pessoas com mais de 64 anos. Os maiores interessados, as pessoas que trabalharão pelos próximos trinta ou quarenta anos, não se mobilizaram para defender sua vontade. Provavelmente este perfil de abstenção muito diferente por faixa de idade causou o erro nas pesquisas pré-eleitorais britânicas. O quadro abaixo resume como foi a votação por faixa de idade. Por outro lado, as projeções favoráveis à rejeição do Brexit podem ter desmobilizado os eleitores contrários à proposta. Após a divulgação dos resultados, houve revolta e pedido para realização de um novo plebiscito.

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O Brexit e a idade dos eleitores (Fonte: https://peterjamesthomas.com/)

No início de outubro, outro resultado surpreendeu o mundo. O acordo de paz entre o governo colombiano e as Farc, que colocaria um ponto final a uma guerra de mais de meio século de duração com mais de duzentas mil mortes, foi rejeitado por apenas 54 mil votos. No plebiscito, o “não” recebeu 50,2% dos votos.

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Pessoas chocadas com o resultado do plebiscito sobre a paz com as Farc na Colômbia (Fonte: BBC)

O mapa abaixo mostra como foi a votação na Colômbia. Destaca-se o resultado no Departamento de Antioquia, cuja capital é Medellín. A propaganda pelo “não” foi muito forte nesta região e garantiu uma vitória por uma margem de mais de 400 mil votos.

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Resultado da votação do plebiscito por departamento da Colômbia  (Fonte: BBC)

A abstenção foi muito alta para uma decisão desta importância – 62,6%. Muitas pessoas ficaram chocadas com o resultado e disseram que estavam tranquilas, porque as pesquisas apontavam para a vitória do “sim”. Felizmente novas rodadas de negociações entre o governo colombiano e as Farc foram realizadas e um novo acordo de paz foi elaborado e, posteriormente, aprovado pelo Congresso da Colômbia.

Para coroar o ano, em novembro, aconteceu a quase inacreditável vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas. Apesar de Hillary Clinton ter recebido cerca de 2,86 milhões de votos a mais do que Trump, ele foi vencedor por conquistar mais delegados nos estados, conforme a regra eleitoral dos Estados Unidos.

Com raras exceções, o candidato que vencer a eleição em um estado leva todos os seus delegados. O candidato que obtiver o maior número de delegados é eleito presidente. O mapa abaixo, onde o tamanho de cada quadrado representa o número de delegados em disputa, mostra o resultado da eleição americana e ajuda a entender a sua regra.

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Eleição presidencial americana 2016  (Fonte BBC)

Os três próximos gráficos, copiados do site da BBC, mostram as intenções de votos para presidente de acordo com gênero, raça e idade.

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Eleições americanas – intenções de voto por gênero

 

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Eleições americanas – intenções de voto por raça

 

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Eleições americanas – intenções de voto por faixa etária

A conclusão, após ver estes gráficos acima, é óbvia – homens brancos de meia idade elegeram Donald Trump como presidente do Estados Unidos. Mas este grupo específico não é o majoritário da população americana. Se todas as mulheres que declararam seu voto para Hillary comparecessem às urnas, por exemplo, dificilmente Trump venceria. Provavelmente a abstenção dos eleitores de Trump foi muito menor do que de Hillary… Sites, como FiveThirtyEight, traziam a confiança na vitória de Hillary no dia da eleição (veja a figura abaixo).

O cineasta Michael Moore, quase quatro meses antes da eleição, publicou uma carta no seu site intitulada “5 motivos pelos quais Donald Trump será o próximo presidente dos Estados Unidos”. Você pode ler o texto original, clicando no link abaixo.

http://michaelmoore.com/trumpwillwin/

Ou pode ler a tradução desta carta para o português através deste link.

http://www.brasilpost.com.br/michael-moore/donald-trump_b_11217240.html

Michael Moore acertou em cheio suas previsões. A mais decisiva foi a vitória de Trump nos estados de Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. O Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), apoiado por Hillary Clinton, ajudou a transferir os empregos industriais destes estados para o México. Trump explorou politicamente estes fatos, prometendo represálias para as empresas americanas que fechassem fábricas nos Estados Unidos para abrir no México ou na China. Os outros quatro motivos eram a ameaça à predominância dos homens brancos na política, a impopularidade de Hillary Clinton, a baixa motivação dos eleitores de Bernie Sanders (candidato derrotado por Hillary nas prévias do Partido Democrata) e o voto de protesto.

Nos primeiros parágrafos da sua carta, Moore escreve sobre as pessoas que menosprezam as suas previsões:

Infelizmente, você está vivendo numa bolha anexa a uma câmara de eco, onde você e seus amigos vivem convencidos de que o povo americano não vai eleger um idiota como presidente.

Na verdade, as redes sociais criaram milhões de bolhas, onde nos aproximamos das pessoas que pensam parecido e nos afastamos daqueles que têm opiniões opostas. No Facebook de Mark Zuckerberg, foi criado um algoritmo chamado EdgeRank (figura abaixo),

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Ou seja, se clicarmos, curtirmos ou comentarmos frequentemente as publicações de um amigo, maior será a afinidade e veremos majoritariamente suas atualizações. Se a publicação for curtida, comentada ou compartilhada por muitos amigos, se tornará visível para mais pessoas por mais tempo. Com o passar do tempo, as publicações mais novas terão prioridade e serão exibidas à frente das mais antigas.

A afinidade acaba criando bolhas dentro do Facebook. As motivações desta afinidade podem ser familiares, religiosas, esportivas, causas comuns ou políticas. Não importa, você vai receber novas informações com a mesma visão de mundo das pessoas que pensam parecido com você. Por que Mark Zuckerberg fez isso? Em minha opinião, ele queria criar uma rede social, onde as pessoas sentissem prazer ao ficar muito tempo nela. Se você entra na rede e se irrita na primeira atualização que lê, existe o risco de afastar-se por um bom tempo. Por outro lado, fica mais fácil traçar os perfis dos usuários e suas preferências quando já estão classificados dentro de seus silos específicos. Ou seja, Zuckerberg criou uma ótima ferramenta para maximizar seus lucros, mas novos efeitos colaterais foram criados na sociedade – o aumento da segregação e polarização.

Estas bolhas da Internet ajudaram na vitória do Brexit no Reino Unido, na rejeição do acordo de paz na Colômbia e na vitória de Donald Trump nos Estados Unidos. Afinal “todos meus amigos do Facebook iriam votar como eu, por isso não acredito no resultado desta eleição”.

Daniel Kahneman apresenta, no best-seller “Rápido e Devagar”, uma série de vieses cognitivos (padrões de distorção dos julgamentos). O viés de confirmação é a tendência de buscar informações que confirmem nossa forma de pensar, nossa visão de mundo e, até mesmo, nossos preconceitos. Questionar nossos posicionamentos e opiniões exige um grande esforço de nosso cérebro. Por outro lado, se deixar levar pelo viés de confirmação é fácil e indolor. Ouvir sempre as mesmas pessoas, ler as mesmas revistas e interagir com os mesmos grupos no Facebook ou Twitter só sedimentam as nossas certezas, sem questionamentos.

As redes sociais que ajudaram a vencer as distâncias entre amigos que não se encontram há tempos, agora poderão separá-los definitivamente apenas por terem opiniões divergentes na política.

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O que Fazer Quando o Prozac Político Acabar?

A Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff em 17 de abril. Provavelmente nesta quarta-feira, o Senado confirmará o julgamento de Dilma que será automaticamente afastada do cargo e o vice-presidente Michel Temer assumirá a presidência.

Temo (não é trocadilho com Temer) que, neste momento, poderá acabar o efeito do “Prozac político” ingerido por boa parte da população e tudo volte para aquele marasmo que estamos acostumados.

Hoje está cada vez mais claro que o país precisa de reformas em várias áreas – política, tributária e previdenciária. Não podemos mais conviver com um sistema político que se alimenta do fisiologismo e da corrupção, onde velhas raposas se perpetuam no Congresso e nas Assembleias Legislativas estaduais e, quando finalmente aposentam-se, são substituídas por parentes. Na atual legislatura da Câmara, metade dos deputados é oriunda de dinastias políticas e apenas 15% dos deputados eleitos com até 35 anos de idade não receberam o impulso de um sobrenome político. Se quiser saber mais detalhes, leia a reportagem completa da Agência Pública (jornalismo investigativo independente), clicando no link abaixo.

http://apublica.org/2016/02/truco-as-dinastias-da-camara/

No site brasileiro do jornal El País, também é apresentada outra distorção marcante do nosso sistema político, apenas 36 deputados de um total de 513 receberam votos suficientes para se eleger sem ajuda dos demais candidatos do partido. Tiririca, por exemplo, recebeu votos suficientes para eleger, além dele, mais cinco candidatos. Deste modo, estamos votando em um candidato, mas, na verdade, podemos ajudar a eleger outro que não gostamos ou, pelo menos, não conhecemos. O link abaixo apresenta a reportagem completa do El País.

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/19/politica/1461023531_819960.html

Temos um grande problema, porque se o sistema político atual favorece a esmagadora maioria dos políticos eleitos espalhados pelo Brasil, de onde surgirá a motivação para alterá-lo?

O Procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato deu uma esclarecedora entrevista para o site brasileiro da BBC no dia 15 de abril. Dallagnol afirmou:

A única proteção que nós temos é a sociedade, eu não tenho dúvida que, de modo ostensivo ou de modo sorrateiro, diversas pessoas com poder econômico e político tentarão derrubar a Lava Jato. Somos alvo daqueles que são investigados, e o número de investigados cresce a cada dia.

Eu temo com certeza esse tipo de mudança. Porque ainda que exista alguma mudança na chefia do poder Executivo – e cumpre lembrar que o Ministério Público é neutro em relação a qualquer coisa relacionada ao impeachment, porque somos um órgão independente do governo – mude ou não o governo, nós continuaremos tendo muitos inimigos no poder, porque grande parte das pessoas que estão no Congresso e que potencialmente venham a assumir inclusive o poder Executivo são investigadas pela Lava Jato.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160413_entrevista_dallagnol_rm

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Deltan Dallagnol (Fonte Reuters)

 

Num país sem memória, temos a impressão que sempre estamos vivendo o pior momento da nossa história. Agora o PT representa um processo de corrupção inédito, “nunca antes visto na história do Brasil”…

Este vídeo tem o depoimento do jornalista Fernando Rodrigues (ex-Folha de São Paulo) para o documentário “O Mercado de Notícias” de Jorge Furtado. Vale a pena assistir a todo o depoimento. Se você tiver apenas 15 minutos, veja a parte “Imprensa x Governo” (a partir de 35:50) e tire suas próprias conclusões.

As semelhanças entre a compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição de FHC e o Mensalão de Lula são evidentes.

E este grampo do FHC? Sem dúvida, um presidente não deveria pressionar o fundo de pensão de uma estatal, como o Previ do Banco do Brasil, para entrar em uma concorrência com um banco privado e uma multinacional italiana para privatização da Telebrás. Se quiser mais detalhes, incluindo a conversa comprometedora entre o presidente FHC e o economista André Lara Resende, clique no link abaixo.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/pre_sp_3.htm

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FHC teve uma conversa com André Lara Resende grampeada

Por incrível que pareça, nada foi investigado naquela época, porque o então Procurador Geral da República, Geraldo Brindeiro, não encontrou indícios suficientes para investigar estes casos. FHC escolheu Brindeiro em 1995 e o conduziu mais três vezes ao cargo. Ou seja, Brindeiro foi o Procurador Geral da República durante os dois mandatos de FHC. Ele foi apelidado de “Engavetador Geral da República” depois de aceitar apenas 60 denúncias de 626 inquéritos criminais que recebeu em oito anos de trabalho. Mais de duas centenas de inquéritos foram simplesmente engavetadas! Em sua última recondução, em 2001, Brindeiro foi apenas o sétimo mais votado pelos demais procuradores da República, recebendo 67 votos. Ou seja, apesar de não fazer parte da lista tríplice, ele foi o escolhido por FHC. Lula e Dilma, por outro lado, sempre conduziram o primeiro nome da lista tríplice, incluindo Roberto Gurgel (peça-chave no avanço do processo do Mensalão) e Rodrigo Janot (fundamental nas investigações de réus com foro privilegiado na Lava Jato).

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Geraldo Brindeiro (Fonte: O Globo)

Poderia contar outras histórias, como as denúncias de Paulo Francis sobre corrupção na Petrobrás durante o governo FHC, mas acredito que já é suficiente para demonstrar que a corrupção brasileira não é filha de um partido. O sistema político do país estimula a corrupção. Como cidadãos, devemos exigir que as apurações dos malfeitos de nossas autoridades sejam aprofundadas e os seus responsáveis punidos.

Minha esperança é que, após o impeachment de Dilma, a população não se acomode e aceite um “acordão” para restringir a Lava Jato com a justificativa que o país não pode ficar paralisado por mais tempo devido a estas investigações. Se perdermos agora a oportunidade de melhorar nossas práticas políticas, sabe-se lá quando teremos uma nova chance…

 

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Muito Triste, meu Brasil…

Assistimos a um conflito insano entre os partidários do impeachment da presidente Dilma Rousseff e aqueles que defendem seu mandato. Muitas amizades já foram abaladas devido a agressões verbais mútuas nas redes sociais. A frase do poeta brasileiro Iacyr Anderson Freitas resume bem os tempos atuais.

O Brasil encontra-se dividido entre as pessoas que pensam como nós (os bons, inteligentes e honestos) e as que pensam diferente de nós (os maus, burros e corruptos).

O espaço para uma boa e desarmada troca de ideias foi praticamente exterminado. Um lado grita “fora PT”, enquanto o outro responde “não vai ter golpe”. Neste ambiente, Eduardo Cunha é tolerado pelos partidários do impeachment, porque, além de inviabilizar o governo com suas manobras na Câmara, está acelerando o processo de cassação do mandato da presidente. Por outro lado, para se manter no poder, o PT transformou o governo em um balcão de negócios, onde cargos são trocados por votos contra o impeachment. O Partido Progressista (PP) é peça chave nesta estratégia, apesar de possuir 32 dos 51 políticos investigados pela Lava Jato, sendo que sete já foram denunciados ao STF. Os dois lados agem como aquele torcedor que vibra com erros de arbitragem a seu favor.

Neste maniqueísmo ingênuo só existem duas opções a favor ou contra o governo. Cada lado também já elegeu seu herói. O juiz Sérgio Moro é o super-homem do lado “anti-PT” e Lula é o ídolo do lado “anti-golpe”. Esta postura infantil de achar que só existe dois lados e seu lado é o certo impede qualquer diálogo.

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Boneco do juiz Sérgio Moro

O preocupante é ver que este governo não conseguiu avançar para resolver os problemas da economia nos últimos quinze meses. Caso consiga evitar que um terço dos deputados federais votem a favor do impeachment, Dilma permanecerá na presidência, mas não terá maioria na Câmara. Ou seja, não conseguirá governar e, depois deste processo de impeachment, devem vir outros, como o protocolado recentemente pela OAB. E a vida (ou sobrevida) deste governo não será administrar o país e sim salvar a própria pele. Ou seja, corremos o risco de ver a administração federal paralisada ainda por um bom tempo.

Então devemos apoiar a remoção da Dilma? Afinal ela demonstrou incompetência ao nos colocar nesta crise e não tem força para nos tirar. Além disto, seu partido está envolvido até os ossos em inúmeros casos de corrupção. Sem falar que sua campanha de reeleição foi baseada em mentiras. Não sou jurista, mas tirar um presidente devido a “pedaladas fiscais” não parece adequado à democracia. Se não for revelado envolvimento da presidente nos malfeitos da Lava Jato, não haveria razão clara para impeachment.

Avaliação presidente Dilma

Lembro-me dos pedidos de impeachment contra o então presidente Itamar Franco, porque ficou de mãos dadas com Lilian Ramos, que estava sem calcinha, no carnaval de 1994. Itamar era o vice de Fernando Collor que sofreu impeachment no final de 1992.

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Itamar Franco e Lilian Ramos no carnaval do Rio em 1994 (se quiser fotos mais picantes, procure na Internet)

Quando se iniciaram as discussões para remover Itamar da presidência, a inflação brasileira estava acima de 40% ao mês. Ou seja, o problema não era a fata de decoro de Itamar, era a desaprovação da população. Se tivéssemos um mecanismo de recall para retirar o mandato de políticos fortemente rejeitados pela população, seria diferente. Este sistema já é adotado em países como Alemanha, Suíça, Venezuela e em alguns estados dos Estados Unidos. Não se deve banalizar o impeachment! Se o Plano Real não estivesse no período final de gestação, talvez Itamar Franco tivesse sido removido da presidência. Depois da criação do Real em junho de 1994, a inflação caiu para menos de 10% ao mês, a tensão diminuiu e o impeachment devido à genitália desnuda de Lilian Ramos foi arquivado.

Avaliação presidente Itamar Franco

O caso de Dilma é semelhante. Se a economia estivesse ”bombando”, os pedidos de impeachment não seriam considerados.

Se o problema é a corrupção, então não faz sentido tirar Dilma e colocar Michel Temer. Em 2009, a Operação Castelo de Areia da Polícia Federal investigou a lavagem de dinheiro do Grupo Camargo Correa. Temer foi citado “apenas” 21 vezes e foi salvo, porque as provas foram anuladas.

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Michel Temer

Vamos agora considerar que o governo não consiga comprar o apoio necessário para evitar que o plenário da Câmara aprove o impeachment. Temer já assume a presidência, enquanto o processo segue no Senado. Se o impeachment for confirmado, corre-se o risco de um grande acordo que gere um fluxo de boas notícias e o arrefecimento dos protestos nas ruas do país. Assim pode ser perdida a grande oportunidade de discutir as relações entre o público e o privado, servindo de base para a reforma de todo nosso sistema político. Teremos clima para isto depois do impeachment de Dilma?

Quem me chamar de petista pode estar certo que considero Dilma Rousseff uma das piores presidentes da história do país. Preferiria que a chapa Dilma-Temer fosse cassada pelo TSE, ou renunciasse num lampejo de desprendimento, e novas eleições presidenciais fossem realizadas. Então dirão que estou em cima do muro? Na verdade, estou bem acima do alto muro que divide petralhas dos coxinhas.

Perdemos a oportunidade em 2013 de pressionar os congressistas para fazerem uma reforma política ampla. No final, Eduardo Cunha (logo quem) liderou uma reforma remendo que de bom só trouxe o fim da reeleição para cargos do Executivo. Se não reformarmos nosso sistema político, daqui a pouco estaremos novamente divididos em dois lados na defesa cega de uma posição ou outra.

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Eduardo Cunha sob uma chuva de dólares falsos em um protesto na Câmara

Vejo pessoas emocionalmente tão afetadas que suas vidas passaram a girar apenas em torno desta crise política do país. Parecem que se tornaram verdadeiras caixas de ódio. Eu olho ao redor e só sinto tristeza…

 

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Nova Intervenção Militar no Brasil – 1º de Abril

Hoje se completa 50 anos do golpe que levou os militares brasileiros ao poder em 1º de abril de 1964. Nossos militares tentaram puxar a data para o dia 31 de março para evitar piadas a respeito…

Vejo cada vez mais pessoas nas redes sociais, pedindo uma nova intervenção militar devido aos níveis alarmantes de corrupção do atual governo. Muitas destas pessoas têm menos de 40 anos. Ou seja, quando o regime militar encerrou seu ciclo em 15 de março de 1985, tinham no máximo uns 10 anos. Não foram às ruas na campanha das “Diretas Já”. Não viveram a expectativa pela possibilidade de um novo golpe militar na madrugada da véspera da posse de Tancredo Neves, quando ele foi internado para uma cirurgia de emergência. Não viveram sob o regime da censura da produção cultural e dos meios de comunicação. Não tiveram aulas com um agente do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) infiltrado como “colega”, em alguma cadeira como, por exemplo, EPB (Estudo dos Problemas Brasileiros). Não acompanharam cassações de políticos por apenas fazerem discursos fortes contra o regime militar. Também não ouviram histórias sobre prisões arbitrárias, exílio, tortura e desaparecimento de pessoas.

Para aqueles que já esqueceram ou não sabem, selecionei algumas histórias. Vou começar pela censura. Hoje falamos que nunca houve tanta corrupção e desmando no Brasil, mas nos esquecemos de que atualmente temos abundância de fontes de informação. Através dos “portais da transparência”, é possível fiscalizar as despesas dos três poderes nos âmbitos municipal, estadual e federal. As principais estatais têm ações na Bolsa de Valores de São Paulo, o que obriga a comunicar os atos relevantes e publicar seus resultados trimestralmente. Existem revistas com as mais diversas tendências da direita à esquerda. Temos Internet com suas redes sociais e blogs com a divulgação das mais variadas opiniões e informações sobre tudo. Na época do regime militar, estávamos restritos a jornais impressos, rádios e poucas redes de televisão, onde apenas os amigos do regime conseguiam as concessões estatais para explorar as emissoras de rádio e TV.

Muitos jornais que se atreviam a divulgar alguma notícia que desagradava o regime eram censurados. No início para mostrar que a notícia foi censurada, deixavam enormes espaços em branco. Os militares não gostaram daquela afronta e exigiram que o espaço fosse ocupado. Alguns jornais resolveram ocupar estes espaços com receitas culinárias ou poesias. Segundo o jornal “O Estado de São Paulo”, entre agosto de 1973 e janeiro de 1975, versos de “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, apareceram 655 vezes nas páginas do Estadão.

Versos de “Os Lusíadas” no Estadão

Versos de “Os Lusíadas” no Estadão

A censura também atingiu a cultura. Chico Buarque foi um dos mais censurados na época. Uma de suas músicas censuradas mais emblemáticas foi “Apesar de Você” que parece ser uma inocente música sobre um conflito entre dois namorados, mas, na verdade, era uma crítica ao governo Médici. Clara Nunes inocentemente gravou esta música e, para limpar a barra com os militares, teve que cantar até na abertura das Olimpíadas do Exército em 1971. Você pode ouvir a interpretação de Clara Nunes de “Apesar de Você” e “Fado Tropical”.

Outro cantor e compositor muito censurado foi o brega Odair José. Os censores não se limitavam apenas às questões políticas, mas também aos costumes. O governo iniciava uma campanha de controle da natalidade, não gostou do refrão da música “Uma Vida Só” que dizia “pare de tomar a pílula” e censurou a música.

Era preciso manter o país livre da ameaça causada por qualquer coisa que ameaçasse os valores das famílias. Esta atitude paternalista levava à censura de músicas, filmes, jornais e revistas.

O pior mesmo foram as torturas e mortes durante o período da ditadura militar. Vou comentar apenas dois dos vários casos conhecidos – Rubens Paiva e Vladimir Herzog.

Rubens Paiva foi um deputado federal cassado em 1964 logo após o golpe militar. Em 1971, foi preso em sua casa, torturado e assassinado nos porões do DOI-CODI no Rio de Janeiro. Há alguns dias, o coronel reformado Paulo Malhães admitiu que liderou uma operação na qual os restos do corpo de Rubens Paiva foram desenterrados na praia do Recreio dos Bandeirantes e lançados em alto-mar. Dias depois no depoimento na Comissão Nacional da Verdade (CNV), ele negou que havia participado desta missão, mas admitiu que participou de torturas na chamada “Casa da Morte”, localizada em Petrópolis na serra carioca.

Rubens Paiva com seu filho, o escritor Marcelo Rubens Paiva

Rubens Paiva com seu filho, o escritor Marcelo Rubens Paiva

O que falar então do caso do jornalista Vladimir Herzog que foi preso, torturado e morto no DOI-CODI em São Paulo? A foto de Herzog morto em uma simulação grotesca de suicídio se transformou no símbolo da luta pelo fim da ditadura militar no Brasil.

Vladimir Herzog morto no DOI-CODI

Vladimir Herzog morto no DOI-CODI

Os regimes totalitários, de qualquer matiz ideológica, podem até começar com boas intenções, mas, depois de um tempo, o mais importante é se manter no poder, não importam os meios. Já escrevi um artigo sobre um caso ocorrido em 1968, no qual o brigadeiro João Paulo Burnier criou um plano onde haveria uma onda de atentados e a culpa recairia sobre os comunistas. A ação heroica do militar Sérgio Macaco, que denunciou o esquema, evitou uma tragédia, onde centenas de pessoas morreriam.

Winston Churchill, em um pronunciamento em 1947 disse uma frase célebre:

– “A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.

Quase 70 anos depois que Churchill disse esta frase, a situação não mudou. A democracia é um sistema imperfeito, a jovem democracia brasileira pode possuir mais imperfeições ainda, mas não existe como melhorar a democracia fora do estado direito, sem liberdade de expressão. O povo tem muito mais força do que imagina e todas as vezes que a usa faz valer sua vontade. O resultado da votação do “Marco Civil da Internet” na Câmara Federal, na semana passada, foi a mais recente prova disto. Infelizmente o povo brasileiro não exerce seus direitos frequentemente.

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O Verdadeiro Fim da História

Em 2014, completará 25 anos da publicação do polêmico ensaio “The End of History?” do cientista político americano Francis Fukuyama na revista National Interest. Depois, no final daquele ano, aconteceu a queda do Muro de Berlim, o que levou muita gente a afirmar que a História havia terminado, porque a democracia liberal triunfara e não surgiria outro sistema para disputar a hegemonia, como foram os casos do fascismo e do socialismo no século XX.

Francis Fukuyama

Francis Fukuyama

No último parágrafo deste ensaio, Fukuyama fala do fim das disputas ideológicas e da “estagnação” que tomará conta da humanidade após o fim da História:

“O fim da história será um momento muito triste. A luta pelo reconhecimento, a vontade de arriscar a própria vida por um objetivo puramente abstrato, a luta ideológica mundial que suscitou ousadia, coragem, imaginação e idealismo, será substituída pelo cálculo econômico, pela solução interminável de problemas técnicos, por preocupações ambientais, e pela satisfação de exigências sofisticadas dos consumidores. No período pós-histórico não haverá nem arte nem filosofia, apenas a guarda perpétua do museu da história humana. Eu posso sentir em mim mesmo, e ver nos outros ao meu redor, uma nostalgia poderosa para o momento em que a história existia. Essa nostalgia, de fato, continuará a alimentar competição e conflito, mesmo no mundo pós-histórico por algum tempo. Apesar de eu reconhecer a sua inevitabilidade, eu tenho os sentimentos mais ambivalentes para a civilização que foi criado na Europa desde 1945, com suas ramificações pelo Atlântico Norte e Ásia. Talvez esta perspectiva de séculos de tédio no final da história servirá para iniciar a história mais uma vez.”

Para começar, não acredito no fim da arte ou da filosofia e prefiro a guerra trancafiada no Musée de l’Armée de Paris. Você pode acessar a íntegra do ensaio através do link abaixo.

http://www.wesjones.com/eoh.htm

Em 1992, Fukuyama lançou o livro “The End of History and the Last Man”, onde desenvolveu melhor os pressupostos de seu ensaio de 1989. Com o fim da Guerra Fria devido ao dilaceramento do bloco socialista, a democracia liberal tornou-se, segundo ele, a forma final de governo para todas as nações. Não poderia haver progressão da democracia liberal para um sistema alternativo. Como a História deve ser vista como um processo evolutivo, poderíamos concluir que a História chegou ao fim, mesmo que eventos ainda ocorram.

Não acredito que esta seria uma boa definição do “fim da História”. Atualmente temos uma série de revoluções acontecendo de forma pacífica no mundo. Estamos entrando em uma era de informação, nunca as pessoas tiveram informação com a abundância de hoje. Figuras como Assis Chateaubriand, o poderoso dono dos Diários Associados entre as décadas de 40 e 60, ou Roberto Marinho, dono das Organizações Globo que chegou ao auge da sua influência entre as décadas de 60 e 90, teriam hoje como principal limitador a Internet. Qualquer um pode dar sua versão dos fatos ou publicar fotos e documentos comprometedores que derrubam versões da grande imprensa.

Assis Chateaubriand (esq.) e Roberto Marinho (dir.)

Assis Chateaubriand (esq.) e Roberto Marinho (dir.)

A tecnologia, em todas as áreas, avança e sinaliza um futuro de maior longevidade e abundância. A biotecnologia é outra revolução deste século. Fukuyama demonstrava pessimismo sobre o futuro da humanidade devido à incapacidade humana de controlar a tecnologia. Em minha opinião, as discussões éticas acontecem depois do desenvolvimento tecnológico, o que evidentemente pode causar sérios problemas, mas dificilmente ocorrerão problemas irreversíveis. Os erros fazem parte do processo de aprendizado.

Voltando para o “fim da História”, o capitalismo, o neoliberalismo e a globalização atacam em duas frentes para garantir a manutenção da sua expansão:

– estímulo ao consumismo das populações mais ricas;
– busca e desenvolvimento de novos mercados.

Atualmente pode-se citar os países pobres ou emergentes da África, Ásia, América Latina e do próprio leste europeu como exemplos destes novos mercados-alvo da globalização. Há quase dois anos escrevi o artigo “Malditas Multinacionais”, onde faço uma análise do binômio lucro e risco. Na África, por exemplo, as instituições dos países estão ficando mais estáveis, atraindo novos investimentos, porque os riscos estão menores ou, pelo menos, administráveis. Como consequência, há uma melhoria considerável nos padrões sociais destes países. O número de filhos por casal cai, o crescimento demográfico declina e a expansão econômica perde velocidade. Outros novos mercados serão procurados e o ciclo se repete.

Conforme minha visão, o “Fim da História” acontecerá quando houver igualdade entre as pessoas e povos. Isto não significa que não existirão pessoas e povos mais ricos ou mais pobres, mas todos terão liberdade e acesso à alimentação de qualidade, moradia digna, saúde e educação. Continuará a haver mobilidade interna entre pessoas e povos, mas isto não será o suficiente para estimular o crescimento da atividade econômica. Assim o neoliberalismo e a globalização perderão fôlego. O que vai acontecer em um mundo com redução de população, com fontes de energia alternativas baratas e confiáveis, com abundância de alimentos de qualidade, onde não será preciso trabalhar mais do que 20 ou 24 horas semanais?

Talvez só exista uma alternativa para o capitalismo, a expansão espacial – a conquista e colonização de novos planetas. Neste caso, se tornará realidade aquela frase do seriado de TV “Jornada nas Estrelas” (“Star Trek” no original em inglês):

– “Espaço – a fronteira final”.

Para os fãs da série, grupo no qual me incluo, matem ou alimentem a saudade, assistindo a abertura original da segunda temporada.

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Qual será o Próximo Alvo dos Protestos?

Após uma série de manifestações nas maiores cidades do Brasil, onde o principal objetivo era a redução das tarifas do transporte coletivo, fica uma importante questão no ar:

– Qual será o próximo objetivo deste grande movimento popular?

A força popular do movimento ficou claramente comprovada com a redução das tarifas em várias cidades brasileiras. Faço um paralelo entre os manifestantes brasileiros e o movimento de protesto “Occupy Wall Street” (OWS). Em setembro de 2011, milhares de pessoas ocuparam ruas próximas a Wall Street, acampando no Zuccotti Park (antigo Liberty Park).

Um dos lemas do movimento Occupy Wall Street

Um dos lemas do movimento Occupy Wall Street

As principais questões levantadas pelo OWS foram a desigualdade social e econômica, a ganância, a corrupção e a influência indevida das empresas sobre o governo, particularmente do setor de serviços financeiros. Passados dois anos do início deste movimento, o resultado prático foi insignificante. Entre as causas do fracasso, eu destaco a falta de foco em ações específicas para solucionar as questões justas levantadas pelo movimento.

Na semana passada, a população brasileira mudou rapidamente a percepção sobre movimento local. Como exemplo, vocês podem assistir a este comentário do Arnaldo Jabor no Jornal da Globo do dia 12 de junho.

Como comentei no artigo da última sexta-feira, Os Protestos e a Verdadeira Democracia, muita gente era contra o movimento, influenciada pelas imagens de vandalismo apresentadas na televisão. Após o lamentável confronto em São Paulo entre PM e manifestantes no dia 13 de junho, a maioria da população passou a apoiar as manifestações, desde que não haja vandalismo. Você pode escutar o pedido de desculpas do Arnaldo Jabor na Rádio CBN.

Sem dúvida, se o movimento flanar entre objetivos estratosféricos ou mal definidos, suas conquistas serão tão pífias quanto as obtidas pelo OWS americano. O próximo objetivo escolhido, até pela premência do prazo, deveria ser a PEC 37 que será votada na Câmara dos Deputados na próxima semana.

Para quem não sabe o que é este Projeto de Emenda Constitucional, explicarei sucintamente. Este projeto de lei inclui um parágrafo no Artigo 144 da Constituição. Se for aprovado pelo Congresso Nacional, o Ministério Público não poderá mais apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei.

Ou seja, apenas a polícia poderá investigar os crimes praticados pelos políticos como corrupção ou prevaricação (retardar ou deixar de praticar indevidamente ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse pessoal). O Ministério Público, que faz um trabalho muito bom em defesa dos direitos do cidadão, ficará de fora da apuração deste tipo de crime. Esta lei tem o objetivo claro de favorecer a impunidade. Se quisermos combater a corrupção no Brasil, não podemos permitir que esta alteração da Constituição seja aprovada. Preparei a tabela abaixo com a distribuição das assinaturas na proposição da lei por partido.

PEC 37 - partidos

É interessante notar que os percentuais de adesão nos principais partidos de oposição (PSDB, DEM e PPS) são parecidos aos dos partidos da base governista. Isto evidencia, em minha opinião, que a preocupação em não ser investigado pelo Ministério Público depende mais do caráter de cada deputado do que de sua posição política. Se você quiser verificar se seu deputado assinou esta proposição, basta clicar no link abaixo.

Proposição PEC 37

Talvez os melhores versos para descrever este momento é o refrão da música de Geraldo Vandré, Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores, verdadeiro hino contra a ditadura militar brasileira do final dos anos 60 e 70:

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Esta é a hora da população buscar o atendimento das necessidades básicas, como educação e saúde, além do fim da corrupção e da redução  dos impostos, e exigir melhorias no nosso sistema político para criarmos um país mais eficiente e justo. E melhor, tudo poderá ser conquistado na paz desta vez!

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Os Protestos e a Verdadeira Democracia

Após o primeiro protesto contra os aumentos das tarifas do transporte público na cidade de São Paulo, fiquei com uma sensação estranha. A Grande Imprensa em todos os jornais e telejornais apresentou os manifestantes como vândalos ou baderneiros, mas em nenhum lugar aparecia a origem do conflito. As barricadas foram montadas antes ou depois dos policias avançarem sobre a multidão? A manifestação era pacífica no momento em que os policiais lançaram as primeiras bombas de gás lacrimogêneo e deram os primeiros tiros com balas de borracha? As imagens só mostraram policias feridos, nenhum manifestante ficou machucado?

Início dos protestos em frente ao Theatro Municipal de São Paulo

Início dos protestos em frente ao Theatro Municipal de São Paulo

Depois disto houve o segundo protesto. A cobertura foi muito parecida com a anterior. Nenhuma das pessoas que comentaram as ocorrências comigo teve alguma palavra de apoio ao movimento. Sinceramente eu achei bom que havia alguém lutando por alguma coisa, porque a acomodação do povo brasileiro é algo incrível. Os políticos prometem o céu a cada eleição e ganhamos, no máximo, o purgatório e nós ainda fazemos piadas… Somos enganados, nos vendem gato por lebre e não reagimos. A classe estudantil e a classe média que lutaram na época da ditadura militar, hoje, na sua maioria, assistem a tudo com total apatia e indiferença. As pessoas são incentivadas a olhar para seu umbigo ao invés de se preocuparem com suas comunidades.

Ontem saí do trabalho pouco depois das 19 horas, estava dirigindo meu automóvel e ouvindo a Band News. Uma repórter entrou no ar para dar o boletim sobre a manifestação do dia. Ela disse basicamente que a passeata era pacífica e que as pessoas pediam por paz e “violência não”. Acho que menos de dez minutos depois ela voltou ao ar para dizer que o Tropa de Choque da PM havia bloqueado a Rua da Consolação para impedir que a passeata chegasse à Avenida Paulista. No meio deste boletim, iniciaram as explosões das bombas de gás lacrimogêneo e os tiros. Depois de um tempo, ela voltou para tentar continuar com o boletim, mas era praticamente impossível ouvir a sua voz.

Ficou claro que a iniciativa deste confronto coube à PM, mas desta vez a Grande Imprensa, ao ter diversos de seus membros feridos ou presos, também apresentou o outro lado da moeda. Abaixo estão as fotos do fotógrafo Sérgio Silva da agência de fotografia Futura Press e da repórter Giuliana Vallone da TV Folha atingidos por balas de borracha da PM.

Sergio Silva e Giuliana Vallone feridos por balas de borracha

Sergio Silva e Giuliana Vallone feridos por balas de borracha

Para que haja uma verdadeira democracia com avanços sociais, é necessária a efetiva participação da sociedade. Isto não significa o simples comparecimento obrigado às urnas a cada dois anos, significa sim lutar pelos direitos como transporte público, saúde ou educação. Só desta forma construiremos uma grande nação, mas para isto acontecer é fundamental respeitar e tentar entender os pontos de vista divergentes. Se o brasileiro discutisse política e economia, como discute futebol ou novelas, provavelmente estaríamos em um estágio muito melhor. Talvez um bom início seja o cartaz que a jovem está segurando na foto abaixo.

desculpe-o-transtorno

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