Arquivo do mês: setembro 2009

O que é o Sucesso de um Projeto?

Na sexta-feira passada, fiz uma apresentação no VI Seminário de Gerenciamento de Projetos PMI-RS. O título da palestra era “Sete Fatores Críticos para o Sucesso de um Projeto Industrial”.

Hoje todos buscam o sucesso incessantemente. Não tenho a ambição de fazer um estudo amplo sobre as dimensões do sucesso nas mais variadas situações e em diferentes sociedades. Isto seria uma tarefa para filósofos, sociólogos, psicólogos e outros profissionais que estudaram profundamente a mente humana e seu comportamento social.

Gostaria de discutir algo bem mais simples. O que é sucesso em projetos?

A definição clássica de sucesso técnico em projetos está apresentada abaixo.

Restrições Clássicas para o Sucesso em Projetos
Restrições Clássicas para o Sucesso em Projetos

 

Ou seja, se for atingida a qualidade especificada, dentro do prazo e do custo estipulado, teremos atingido o tão almejado sucesso…

Todavia existem muitos casos onde temos pleno sucesso nestas três restrições e o benefício para a empresa fica aquém do esperado. Qual foi o erro?

Harold Kerzner afirma que, além de atender esta tripla-restrição, o gerente de projeto deve ter mais atenção ao valor que o projeto produzirá para a organização. Este valor pode ter diferentes dimensões, dependendo do negócio em que a empresa está inserida. Obviamente a dimensão financeira é uma das mais importantes.

Como os cenários estão em constante transformação, o gerente deve estar permanentemente ligado e sempre questionar se o projeto como está concebido continua fazendo sentido em termos de agregação de valor para a empresa. Ou seja, sucesso do empreendimento é muito mais do que simples sucesso técnico!

O gerente do projeto deve ter uma ligação forte com seus clientes internos e externos para satisfazê-los. Caso contrário, poderemos ter um gerente de projetos com comportamento “beija-flor” que comentei no post anterior. O empreendimento traz resultados financeiros pífios, mas atinge as metas de qualidade, prazo e custo. O gerente diz no final do projeto com o peito estufado:

– Eu fiz a minha parte. A culpa foi da pessoal da área de marketing ou da área comercial…

Não importa! Todos estão no mesmo barco e a empresa, por conta deste fracasso, talvez tenha que cortar custos e restringir os investimentos do próximo ano.

Outro desafio para empresas e profissionais é aumentar a eficácia na escolha e no gerenciamento de projetos. Paul Dinsmore resume simplesmente como “right project done right”.

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Quem é o Verdadeiro Líder: o Beija-Flor ou o Leão?

Herbert José de Souza, mais conhecido como Betinho, foi um grande sociólogo brasileiro. Apesar de toda a dificuldade causada pela AIDS, ele liderou bravamente, nos últimos anos de sua vida, a campanha da ação da cidadania contra a fome e pela vida.

Veja abaixo um dos vídeos mais conhecidos desta campanha:

A história contada por Betinho é poética. O vídeo é muito bem feito, chega a nos tocar, mas ele passa uma mensagem perturbadora.

Será que o beija-flor é o heroi nesta história? Sinceramente ele parece aquele funcionário que cumpre religiosamente seu horário de trabalho. Faz suas tarefas com esmero digno de elogios, mas está totalmente alienado em relação ao que acontece na sua empresa. Ou seja, mesmo sabendo que existem coisas erradas acontecendo, ele continua simplesmente “fazendo a sua parte”. Se o leão não visse a tentativa do pequeno pássaro de apagar o incêndio, ele fracassaria e morreria junto com a floresta.

Qual seria a atitude correta neste caso? O beija-flor deveria ter procurado o leão e dito:

 –  Vamos lá, chefe! Se todos nos unirmos agora, poderemos apagar este incêndio e salvar nossa floresta.

Sua chance de sucesso, neste caso, seria real! Os verdadeiros líderes escutam opiniões diferentes das suas, tentam entendê-las e, se convencidos, mudam de tática ou estratégia. Trabalhar em equipe geralmente traz resultados melhores do que esforços individuais.

Betinho, apesar da aparência frágil como a de um beija-flor, foi um leão. Ele tentou liderar os brasileiros para combater a fome, um dos piores males que pode atingir a um ser humano.

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Risoto de Funghi Secchi e Cogumelos Frescos

Um dos meus hobbies é a gastronomia. Todas as sextas-feiras tentarei apresentar alguma dica de prato para o final de semana. Como a minha esposa Cláudia é vegetariana, comecei a fazer mais pratos sem o uso de carne. Este risoto de cogumelo que apresento hoje é um dos preferidos da galera de casa.

risoto-cogumelo

Rendimento: 4 porções

Ingredientes:

20 g funghi (cogumelos) secos

300 g de cogumelos frescos (shitake, shimeji, paris, ostra) picados em pedaços médios

1 cebola grande picada

2 xícaras de arroz do tipo arbório

½ tablete de manteiga

1 colher de sopa de azeite de oliva

1 xícara de vinho branco

1,5 litros de caldo de legumes

Sal e pimenta-do-reino a gosto

Queijo parmesão ralado grosso

 Modo de preparo:

Em uma xícara, deixe os funghi de molho na água morna por uma hora. Pique os cogumelos hidratados em pedaços médios e reserve a água para utilizar posteriormente.

Numa panela, leve o azeite e metade da manteiga em fogo baixo. Quando estiver quente, acrescente a cebola picada e misture bem, com uma colher de pau, por 4 minutos, ou até que fique transparente.

Adicione os funghi e refogue por um minuto.

Aumente o fogo e acrescente o arroz. Refogue por um minuto, mexendo sempre.

Adicione o vinho e misture bem, até evaporar.

Quando o vinho secar, acrescente a água de hidratação do funghi e mexa sem parar.

Adicione os cogumelos frescos.

Quando secar, junte uma concha do caldo de legumes na sequência e repita a operação por 15 minutos.

Verifique o ponto: o risoto deve ser cremoso, mas os grãos de arroz devem estar “al dente”. Porém, se ainda estiver muito cru, continue cozinhando por mais um minuto. Se for necessário, junte um pouco mais de caldo e mexa bem. Na última adição de caldo, não deixe secar completamente. 

Adicione o restante da manteiga e o queijo parmesão, mexa e desligue o fogo.

Tampe a panela e deixe “descansar” por 5 minutos.

Prove o tempero e corrija se precisar, polvilhe com o parmesão ralado e sirva quente.

Para acompanhar, sugiro um vinho gaúcho, Boscato Merlot safra 2005.

Bom apetite!

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Pasta de Dente e o Ventilador: Como Acelerar as Mudanças na sua Empresa

Na Internet, pode-se encontrar facilmente o vídeo de uma história contada pelo filósofo e doutor em educação, Mario Sérgio Cortella, sobre um problema de caixinhas vazias de pasta de dente de uma grande empresa multinacional. Assista ao vídeo.

Nós engenheiros temos certa resistência para aceitarmos soluções pouco elegantes ou que não estejam alinhadas com o estado da arte da tecnologia. Qualquer engenheiro que fosse consultado sobre o problema da rejeição das caixinhas vazias de pasta de dente sugeriria a solução adotada pelos colegas. Ou seja, haveria um check weigher no final da linha de produção, composto por uma balança, sistema computadorizado de controle e um braço mecânico para a remoção das caixas com peso abaixo do especificado.

Exemplo de Check Weigher

Exemplo de Check Weigher

Muitas vezes as decisões são tomadas dentro de um escritório sem a participação das pessoas diretamente envolvidas na operação.  No caso desta discussão, dois engenheiros receberam uma missão e buscaram a melhor solução técnica disponível no mercado. Operadores e funcionários da manutenção provavelmente não forma envolvidos. Como resultado final obteve-se um sistema que atendia o objetivo, mas era mais complexo, bem mais caro e menos prático do que o adotado pelos operadores. Além disto, foram necessários três meses para solucionar o problema.

Existem inúmeras técnicas para acelerar a implementação de melhorias de processo. Uma das ferramentas mais poderosas que eu conheço e emprego é o chamado evento Kaizen. Monta-se uma equipe multidisciplinar integrada por operadores, engenheiros, gerentes, membros da manutenção e pessoas de outras áreas. Esta equipe, com no máximo dez pessoas, é conduzida por um facilitador, conhecedor de técnicas Lean. Após um breve treinamento nas técnicas a serem utilizadas, realiza-se uma visita na área problema. Na sequência, é feito um brain storming (o nosso toró de palpite). Todas as ideias levantadas são discutidas e classificadas de acordo com seu impacto e dificuldade de execução. Definem-se todas as ações a serem implantadas e testadas nos dois dias seguintes, bem como os seus responsáveis. Em menos de uma semana e com baixo custo, melhorias significativas são obtidas.

Como disse o filósofo Mario Sérgio Cortella, a melhor solução está no estoque de conhecimento da empresa. Para explorar este valioso estoque, nada melhor do que juntar pessoas que podem colaborar na solução do problema e dar a mesma oportunidade de expressar suas opiniões.

Finalmente devemos ter sempre em nossas mentes que primeiro temos que compreender para depois sermos compreendidos.

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Comédia Clássica com Marilyn Monroe

Em 2009 a comédia “Some Like it Hot”, lançada no Brasil com o título “Quanto Mais Quente Melhor”, está completando cinquenta anos de aniversário.

Num daqueles finais de semana chuvosos de inverno, estava em casa procurando alguma coisa para ver na televisão e achei este filme no Telecine Cult. Foram duas horas excelentes.

É a história de dois músicos de Chicago, Jerry (Jack Lemmon) e Joe (Tony Curtis), que testemunham acidentalmente assassinatos e passam a ser perseguidos por gângsters. Ambos se disfarçam de mulher, entram para uma banda de jazz composta só por garotas e fogem de trem para a Flórida. Joe passa a ser Daphne; e Jerry, Josephine. A cantora da banda é Sugar Kane (Marilyn Monroe). Assista ao vídeo com o trailer do filme do diretor Billy Wilder.

Esta comédia clássica foi eleita pelos críticos americanos a melhor de todos os tempos. O filme ganhou os Globos de Ouro na categoria Comédia ou Musical de Melhor Filme, Melhor Ator (Jack Lemmon) e Melhor Atriz (Marilyn Monroe).

Se você não quiser saber o final, pare a leitura por aqui.

Os disfarces funcionam bem até que Sugar se apaixona por Josephine, um experiente playboy (Joe E. Brown) se apaixona por Daphne, e um chefe da Máfia (George Raft) identifica a dupla.

O diálogo entre Lemmon e Brown na cena final é simplesmente sensacional e por si só já vale o filme…

Passe na sua locadora. Estoure a pipoca e assista a este filme. É diversão garantida!

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Questão Ética: Você absolveria Nelsinho Piquet?

Ontem saiu o resultado do julgamento do rumoroso caso da manipulação no GP de Cingapura de Fórmula 1 em 2008. Para quem está por fora do assunto, Nelsinho Piquet recebeu uma ordem do ex-chefe da escuderia Renault, Flavio Briatore, e pelo ex-diretor técnico, Pat Symonds, para bater propositalmente no muro para favorecer seu companheiro Fernando Alonso. Como ele estava numa situação difícil dentro da equipe e fortemente ameaçado de perder o emprego no final daquela temporada, cumpriu a ordem em troca da renovação do seu contrato. Assista ao vídeo da BBC com o resumo da história.

Após ser demitido, no decorrer da atual temporada, Nelsinho denunciou o plano em troca de imunidade.

 A Federação Internacional de Automobilismo divulgou a seguinte decisão:

 – a Renault permanece na disputa do campeonato, mas será excluída se cometer qualquer infração grave nos próximos dois anos;

– Flavio Briatore foi banido da categoria por ser o “cabeça” da fraude;

– Pat Symonds foi suspenso por cinco anos por participar da maracutaia;

– Nelsinho Piquet teve a imunidade confirmada e não foi punido.

 A equipe francesa conseguiu se livrar razoavelmente bem nesta história, porque admitiu a culpa e demitiu os dois idealizadores a armação.

Briatore foi proibido de manter qualquer vínculo com a Fórmula 1, incluindo agenciar a carreira de pilotos. Fernando Alonso, Mark Webber, Heikki Kovalainen e Romain Grosjean estão entre os seus clientes. Neste caso, fica claro que existe, pelo menos, um conflito de interesses. Como Briatore pode ser o chefe de uma escuderia e, ao mesmo tempo, agente de seus pilotos (Alonso e Grojean) e de pilotos de equipes adversárias (Weber e Kovalainen)?  É realmente muito estranho…

No caso de Nelsinho, houve a troca de uma atitude antiética por mais um ano de contrato. Todos concordam que ele errou, mas no nosso cotidiano enfrentamos situações mais complexas ou sutis. Quando isto ocorrer, devemos recorrer a um pequeno check list:

1. O ato a ser executado infringe alguma lei?

2. O ato é contrário a alguma norma interna ou procedimento da empresa?

3. Alguém será prejudicado por esta ação?

4. Alguém pode interpretar que a ação é antiética?

Mesmo que todas as respostas das perguntas acima sejam negativas, se você estiver com aquela sensação que tem alguma coisa errada, não faça. Afinal, como diziam os romanos, não basta à mulher de César ser honesta, ela tem que parecer honesta.

Reputação depois de atingida, dificilmente fica completamente restabelecida. O tempo deverá mostrar esta dura realidade para o Nelsinho Piquet.



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Concorrência Fraca e a Acomodação

Este é um ano especial para todos os colorados. O Internacional completou cem anos de existência em 4 de abril de 2009. Dentre as várias ações para comemorar seu centenário, foi lançado um filme que conta a história do clube desde sua fundação até os dias atuais. O aspecto inovador deste filme foi a escolha de torcedores para apresentar esta história. Tive a honra e felicidade de ser um dos escolhidos para dar um depoimento.

Cartaz do filme sobre o centenário do S.C. Internacional

Cartaz do filme sobre o centenário do S.C. Internacional

O diretor do filme, Saturnino Rocha, durante minha entrevista, fez uma pergunta interessante:

– Por que o Inter teve um desempenho tão ruim durante os anos 90?

Eu tenho uma explicação para fato e parece que o pessoal do filme aprovou, pois esta é uma das minhas aparições no filme. Em 1991, o maior rival do Inter, o Grêmio, foi rebaixado para a série B. Parece que a torcida do Inter e a direção do clube se acomodaram com aquela situação. Afinal o maior rival estava condenado a jogar uma divisão inferior, enquanto o Inter permanecia no convívio dos grandes clubes brasileiros. Em 1992, houve uma mudança no regulamento e doze clubes subiram para a primeira divisão, inclusive o Grêmio. Pior ainda, eles montaram um bom time e tiveram a melhor década da sua história. O Inter, por sua vez, tentou desesperadamente reverter a situação e passou a pensar no curto prazo, mudando jogadores e treinadores algumas vezes por ano. Os resultados foram pífios e o clube quase foi rebaixado em duas ocasiões. Somente na virada do século, quando passou a fazer um trabalho mais estruturado, voltou a crescer e atingiu seu momento mais importante com a conquista do campeonato mundial interclubes em 2006.

Nas empresas muitas vezes acontece este tipo de acomodação:

– a concorrência está passando por dificuldades;

– o câmbio está favorável, deixando os produtos importados pouco competitivos;

– barreiras alfandegárias ou não-alfandegárias inviabilizam importações.

Nós também nessas situações nos acomodamos e achamos que nossa bagagem técnico-gerencial já é suficiente, mas o mundo está mudando em velocidade cada vez maior.

Parece que aquela situação vai perdurar até o final dos tempos. De repente tudo muda:

– uma grande multinacional entra no mercado com um marketing agressivo;

– um concorrente lança um produto com tecnologia inovadora;

– o real se valoriza e produtos chineses entram no mercado com preços arrasadores.

O que fizemos na época de “vacas gordas”?

A empresa se modernizou? Buscou novas tecnologias? Investiu em inovação? Cortou suas ineficiências?

Nós estudamos outro idioma? Aprendemos novas técnicas de gerenciamento de pessoas? Fizemos uma especialização ou MBA?

Talvez nós ou nossas empresas não tenhamos a oportunidade que o Internacional teve de dar a volta por cima depois de dez anos de maus resultados. A acomodação é uma palavra que deve ser expurgada de nossas vidas sob pena de criar situações irreversíveis.

Termino este post, falando sobre um atleta que muitos dizem que é extraterrestre, o jamaicano Usain Bolt. Assista ao vídeo da final dos 100 metros do campeonato mundial de atletismo em Berlim. Notem que ele apenas confere com o canto do olho a posição de seu maior rival, o americano Tyson Gay, mas vira a cabeça para a esquerda para ver o tempo de sua prova. Sua luta é para superar o seu recorde mundial, não é para vencer adversários inferiores a ele.

Segundo informações do site GloboEsporte.com, Bolt falou sobre sua reconhecida irreverência após esta prova consagradora:

– Esse é o meu jeito. Eu treino duro o ano inteiro, então posso me divertir o quanto quero e mesmo antes das provas. Mas quando a corrida começa, eu me concentro totalmente. Sei exatamente o que tenho que fazer. Estou me sentindo orgulhoso de mim mesmo. Estava buscando esse título, buscando chegar à faixa dos 9s50. Ser o primeiro é especial.

Ou seja, ele tem metas de desempenho bem definidas e as busca independente de sua concorrência. Além disto, o trabalho lhe traz diversão e satisfação pessoal. Esta deve ser a postura a ser seguida por nós e pelas empresas.

Boa semana a todos!

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