Como o Futebol Brasileiro foi Massacrado pelo Alemão

Durante a última Copa do Mundo, escrevi um artigo, “Lições do Futebol para Gerentes”. Eu comentei que o treinador do time deveria escalar o time e escolher a sua tática após analisar os pontos fortes e fracos do seu elenco e da equipe adversária. Conclui o artigo, dizendo que “muitas vezes o sucesso pode depender mais de como o treinador se relaciona e motiva seus subordinados do que táticas ou estratégias sofisticadas”.

Naquele artigo, citei o Felipão como exemplo de técnico motivador. O que assistimos ontem, sem dúvida, foi o maior prova de que apenas motivação e torcida a favor não são suficientes para vencer alguma coisa. Alguém pode dizer que os jogadores alemães não estavam tão motivados quanto os brasileiros? Nesta hora, a organização e a qualidade técnica muito superiores do adversário ajudaram a escancarar as deficiências que apareceram em todos os jogos anteriores do Brasil nesta Copa. Felipão acreditou na superação, advinda da perda de Neymar, e armou um time ultraofensivo, onde apenas dois volantes marcavam no meio-campo. Por outro lado, o alemão Joachim Löw montou uma equipe compacta para aproveitar todas as fraquezas brasileiras. Quem assistiu ao jogo tinha a impressão que a Alemanha jogava com dois jogadores a mais. Após o segundo gol, os alemães foram para cima do Brasil, como um lutador em busca do nocaute ao ver seu adversário atordoado, e marcou mais três gols em apenas cinco minutos.

Klose comemora o segundo gol da Alemanha contra o Brasil [Fonte: site globoesporte.com]

Klose comemora o segundo gol da Alemanha contra o Brasil [Fonte: site globoesporte.com]

Claro que Felipão teve uma parcela significativa de culpa na tragédia desta terça-feira! Alguém pode dizer que o principal culpado é quem o colocou como técnico, o que também é certo, mas quais são os técnicos brasileiros de destaque hoje, além do Felipão? Mano Menezes (testado e reprovado na Seleção), Tite, Muricy… Nenhum empolga muito…

Felipão e Joachim Löw se cumprimentam ao fim do jogo – [Fonte: David Gray / Agência Reuters]

Felipão e Joachim Löw se cumprimentam ao fim do jogo [Fonte: David Gray / Agência Reuters]

O futebol brasileiro também está numa fase de transição. Além de Neymar, alguém se lembra de mais algum grande jogador em atividade? Apenas alguns bons jogadores, sendo que a maioria já faz parte do elenco da seleção brasileira na Copa.

O último campeonato brasileiro foi o mais fraco tecnicamente desde 2003. O campeão Cruzeiro era um bom time, nada excepcional, mas não teve adversário e conquistou o título com onze pontos de diferença para o segundo colocado. Na Libertadores deste ano, a pobreza técnica do nosso futebol ficou clara, nenhum time brasileiro se classificou para a semifinal da competição.

Veteranos, em final de carreira, voltam para o Brasil e parecem deuses desfilando em nossos gramados, devido ao desnível técnico em relação aos outros jogadores. Onde estão os jovens talentos? As promessas surgem no início da temporada e muitas vezes, na metade do mesmo ano, seus passes já são negociados com equipes do exterior, normalmente do leste europeu, onde são esquecidos.

No meu Internacional, por exemplo, os dois melhores jogadores são estrangeiros, o argentino D’Alessandro e o chileno Aránguiz. Na metade do ano passado, o meia Fred, destaque do time desde o segundo semestre de 2012, foi vendido para o Shakhtar Donetsk da Ucrânia, destino de outros jovens jogadores brasileiros.

Os jogadores brasileiros do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Pela ordem, atrás: Luiz Adriano (E), Ilsinho, Taison, Alex Teixeira, Maicon (morto em fevereiro), Ismaily – na frente: Eduardo (E), Fred, técnico Lucescu, Fernando, Wellington Nem, Bernard e Douglas Costa

Os jogadores brasileiros do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Pela ordem, atrás: Luiz Adriano (E), Ilsinho, Taison, Alex Teixeira, Maicon (morto em fevereiro), Ismaily – na frente: Eduardo (E), Fred, técnico Lucescu, Fernando, Wellington Nem, Bernard e Douglas Costa

Como fortalecer nossos clubes para melhorar a promoção e retenção dos jovens talentos? Urge uma alteração do calendário brasileiro com o fim, ou pelo menos redução, dos campeonatos regionais. Seria ótimo sanear clubes, federações e CBF, assim poderia sobrar mais dinheiro no cofre dos clubes para segurar suas promessas. Quando eu falo sanear, significa botar na cadeia os ladrões que se locupletam com o dinheiro das transações com jogadores e patrocinadores.

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6 Comentários

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6 Respostas para “Como o Futebol Brasileiro foi Massacrado pelo Alemão

  1. Pingback: Post 200 – Retrospectiva | World Observer by Claudia & Vicente

  2. Edison

    Muito bom Vicente, espero que alem da CBF, escalões mais altos passem por uma renovação em Outubro.

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    • Delboni,

      No que se refere à CBF, nossa influência é baixa. Só resta torcer para que o “baixinho” Romário continue infernizando a direção desta entidade. Por outro lado, para os escalões mais altos temos nossos votos. Vamos usar bem nossa “arma”.

      Abraço.

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  3. Sissym

    A diferença é que a Alemanha vem se preparando como um “time” já tem anos e nada de convocação, como praxe nacional, encima da hora. Talvez o anjo da guarda de Neymar o poupou, porque sozinho, ou mesmo com Thiago Silva em campo, não poderia(m) levar um jogo nas costas. O time brasileiro não se conhece entre si e não precisamos de um técnico sentimental e sim muito profissional.

    A minha familia (e muitos amigos) que é Alemã e adora o Brasil está constrangida de usar a camisa natal, porque nem mesmo os alemães esperavam um jogo como aquele.

    Que sirva de lição para o futuro.

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    • Depois da derrota para o Brasil na final da Copa de 2002, jogando um futebol burocrático, a Alemanha decidiu adicionar qualidade técnica ao seu futebol. Apesar de não chegar às finais de 2006 e 2010, manteve o rumo e agora é favorita ao título.

      Se o Neymar estivesse em campo, talvez o Brasil tivesse aproveitado alguma das chances do início do segundo tempo. Não mudaria muita coisa… Um time sem estrutura tática, sem jogadas, só pode ganhar um título se os adversários forem muito fracos. Lembre-se do sofrimento no jogo contra o Chile e no segundo tempo contra a Colômbia…

      O constrangimento dos alemães é algo fantástico. Nunca vi uma equipe e sua torcida, após uma vitória acachapante como a de ontem, tratarem o derrotado com tanto respeito. Alemães exibam suas camisetas e bandeiras com orgulho!

      Abraço.

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