Vitória Vegetariana

Na semana passada, critiquei duramente o jornalismo atual, muitas vezes monocromático e óbvio. Na noite da sexta-feira passada, a Rede Globo com seu programa jornalístico, Globo Repórter, mostrou como é possível tratar uma questão polêmica de modo leve e ao mesmo tempo objetivo. O programa discutiu qual seria a melhor forma de alimentação – a vegetariana ou a onívora (onde também se consome carne). Você pode assistir alguns trechos deste programa no site oficial da emissora.

http://g1.globo.com/globo-reporter/videos/

O link abaixo apresenta a íntegra do programa.

http://www.dailymotion.com/video/x16zscz_globo-reporter-08-11-2013-caque se alimentam com rnivoros-x-vegetarianos_auto?search_algo=2#

O programa, conduzido pela repórter Mônica Teixeira, ficou centrado nos aspectos nutricionais e concluiu que os vegetarianos podem ter uma saúde melhor do que a média da população, através de uma dieta balanceada. Apenas as pessoas que se alimentam com pequenas porções diárias de carnes magras (120 gramas de peixe, ave ou carne vermelha sem gordura) apresentaram resultados semelhantes aos vegetarianos. Ou seja, carne não é essencial para a saúde e o excesso, como quase tudo na vida, prejudica!

A única ressalva ficou por conta da vitamina B12. O médico nutrólogo Eric Slywitch orientou os veganos (aqueles que não consomem nada de origem animal como leite, queijo ou ovos) a monitorarem periodicamente sua B12 e, se for o caso, tomar suplemento.

Outro ponto interessante do programa foi a apresentação de “pessoas normais” vegetarianas. No passado, havia a ideia que os vegetarianos eram lentos e amarelados. O vídeo abaixo é a propaganda de uma churrascaria nos anos 90.

Como não existe qualquer restrição nutricional em ser vegetariano, pelo contrário os vegetarianos tendem a ser na média mais saudáveis, não há mais razão para os colegas onívoros fazerem bullying nos restaurantes e cantinas durante o almoço. A mesma churrascaria fez outra campanha publicitária, seguindo a mesma linha – a “cura” vegetariana.

Propaganda de uma churrascaria

Propaganda de uma churrascaria – “Daltonismo não tem cura. Vegetarianismo sim.”

Noto que muitas pessoas já estão abstraindo conscientemente que a picanha vem de um boi, a linguiça vem de um porco e assim por diante. Desta forma, não se sentem responsáveis pela morte do animal. No Globo Repórter, algumas pessoas se mostravam envergonhadas em ter o hábito de consumir carne em excesso.

A decisão para se tornar vegetariano é motivada por vários fatores – saúde, sustentabilidade, defesa dos animais, ética. Cada vez temos mais informações de como o consumo de carne não é sustentável devido à enorme quantidade de recursos empregados na sua produção e à poluição gerada por esta atividade. Também existe a discussão cada vez mais presente sobre os maus tratos com os animais e a ética de criá-los confinados para abate. Desta forma, se existem bons motivos para se tornar vegetariano e não existem mais restrições, o número de pessoas a aderirem ao vegetarianismo crescerá cada vez mais rápido, especialmente nas novas gerações. O Globo Repórter da sexta-feira passada foi mais uma etapa vitoriosa deste processo de transformação da sociedade.

Para finalizar, assista ao humor com inteligência do canal “Porta dos Fundos” do YouTube, o garçom vegetariano.

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5 Comentários

Arquivado em Animais, Ética, Filosofia, Gastronomia, Meio Ambiente, Psicologia, Saúde

5 Respostas para “Vitória Vegetariana

  1. Pingback: Post 200 – Retrospectiva | World Observer by Claudia & Vicente

  2. Mauricio Bandeira

    Grande Vicente, adoro ler seu WordPress. Tenho me esforçado nessa mudança de hábito e confesso que o fato de ter mudado para João Pessoa e não ter uma churrasqueira a disposição com tanta facilidade tem ajudado, naturalmente, sem grandes desejos para esta melhoria de vida em busca do equilibrio. Tanto é que nas leituras recentes me deparei o assunto sobre Viver de Luz…algo ainda mais conflitante. Seria interessante se pudesse escrever sobre isso em algum momento, fica a dica. Forte abraço!

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    • Maurício,

      Grato por prestigiar meu blog!

      Bons hábitos devem ser cultivados, a alimentação é um deles. Eu também já fui um carnívoro. Tua sugestão foi muito interessante. Como não sei o suficiente sobre o assunto, vou estudar e, quando me sentir preparado, escrevo um artigo sobre o assunto.

      Grande abraço!

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  3. Buenas! Excelente post!

    Este é um assunto que me interessa demais e no qual venho aprofundando meus conhecimentos. Atualmente eu reduzi muito o meu consumo de carne e eu sempre fui um rival dos vegetais. Mas estou mudando, embora não saiba onde isso vai terminar. Por enquanto revejo meus hábitos alimentares e informação sobre o assunto.

    Entendo que a carne é um dos mitos que estamos desconstruindo nos nossos hábitos, principalmente os alimentares. Como já disse numa outra discussão da qual tu participou (leia-se “fuzarca no Facebook”), os nossos conceitos de obtenção e consumo da carne remonta aos nossos primórdios como seres humanos e isso, no meu ponto de vista, é inaceitável em pleno 2013.

    Mas, vejam como são as coisas, me deliciei num tradicional churrasco no domingo. Isso quer dizer que não me forço a nada e gosto muito de carne, mas entendo que as mudanças se dão quando os conceitos vencem os desejos; atualmente a briga é ótima, seria um campeonato entre Barça e Real, onde cada um vence um pouco em cada ocasião. Mas só de existir esse confronto já me orgulho das posições que tomo, pois passei a me questionar. E quem sabe até onde posso ir?

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    • Nilson,

      Concordo com teu comentário. As mudanças normalmente ocorrem através de um processo. Vamos observando, lendo, pensando e, num certo dia, nos damos conta que nossa forma de agir não faz mais sentido e adotamos outra. Muitas vezes as mudanças são progressivas. Parei de fazer de conta que comia salada e passei efetivamente a comê-la depois dos 30 anos. Com a carne foi parecido, fui reduzindo o consumo e há dois anos parei de comer os “animais que respiram fora d’água”. Agora estou reduzindo o consumo de peixes e um dia vou parar, não sei ainda quando.

      Muita gente vai dizer que tu és incoerente, porque ainda come carne eventualmente ou porque usa sapatos ou cinto de couro, mas estas pessoas são os reacionários que desejam deixar as coisas imutáveis. A simples redução do consumo já é um grande progresso.

      Um argumento dos “carnívoros” é que a humanidade só evoluiu devido ao consumo de carne. Isto foi válido numa época em que existia escassez de proteínas. Hoje existem ótimas fontes vegetais – feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico, soja. Ou seja, o consumo de carne deixou de ser essencial para ser um prazer acima de tudo.

      Para finalizar, nós treinamos nosso paladar. As crianças são treinadas para gostar de carne. Nós podemos treinar o nosso. Por exemplo um dos pratos que eu mais curto hoje é o ratatouille. Quem diria que eu gostaria de comer um prato cheio de berinjela e abobrinha…

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