O Cisne Negro entre a Loucura e a Genialidade

 

Na semana passada, assisti ao filme Cisne Negro no voo entre São Paulo e Munique. Este é daqueles filmes que mexem com a gente, é impossível ficar indiferente ao que se passa com a protagonista da trama, a bailarina Nina, interpretada de forma brilhante por Natalie Portman.

 

A arte não é simplesmente técnica. Se assim fosse, um supercomputador poderia criar obras de Michelângelo ou Van Gogh. O artista excepcional consegue transmitir emoção e, que eu saiba, não há ciência exata que ensine isto. Certa vez, no Metropolitan Museum, eu e a Cláudia sentamos na frente de uma enorme tela de Jackson Pollock. Alguns poderiam dizer que aquilo se resumia a borrões de tinta, mas eu juro que aquela tela era uma verdadeira explosão de emoções e insanidade.

Autumn Rhythm nr. 30 de Jackson Pollock

 

Sempre penso que alguém brilhante tecnicamente que consiga transmitir toda esta carga de sentimento em seus trabalhos possa ser um “borderline”. É alguém no limite entre a razão e a loucura. Como se existisse uma fronteira definida…

No filme, parece claro que a bailarina Nina ultrapassou com folga esta fronteira na sua busca de representar com perfeição a maldade do cisne negro e o sofrimento do cisne branco. Como ela mesmo afirma na sua derradeira fala… Para superar ou ter outro momento de igual brilho, somente ultrapassando novamente ou, quem sabe, tangenciando esta fronteira.

Quantas pessoas buscam a perfeição a qualquer custo? Parece que a perfeição de sua obra é mais importante do que a própria vida! Será possível atenuar o sofrimento causado por esta busca sem fim? Será possível manter-se psicologicamente sadio?

No filme. Nina, apesar de brilhante tecnicamente, somente se tornou genial quando rompeu a fronteira e passou a misturar a realidade com a loucura. Assista a este excelente filme e pense a respeito disto tudo…

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3 Comentários

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3 Respostas para “O Cisne Negro entre a Loucura e a Genialidade

  1. Pingback: Deus, Sempre Ele | World Observer by Vicente

  2. Simone Palmeiro

    Já assisti o filme e achei sensacional. Internso, as vezes quase terror.Realmente admirável quando um filme consegue transmitir tantas sensações na gente. Quanto a tua pergunta, acho possível sim atenuar o caminho da perfeição desde que seja feita com consciência e vontade. E que essa trilha seja em nome de algo realmente valoroso . E o que realmente vale a pena nessa vida? O que levamos dela? Muito a que refletir…Abraço Vicente

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    • Querida amiga Simone,
      Concordo que podemos atenuar este caminho para a perfeição. Neste caso, admitimos racionalmente que não atingiremos a perfeição e teremos uma produção quase-ótima. Esta é a chamada solução de compromisso ou, em inglês, trade-off, onde analisamos os prós e contras e decidimos pelo melhor para o momento.
      Temos nossos valores e sabemos o que pode ser sacrificado, e por quanto tempo, para atingirmos nossos objetivos. E se o objetivo for atingir a perfeição e nada mais importa? É o que tu mesmo questionaste sobre “o que realmente vale a pena nessa vida”. Sem dúvida, é a pergunta mais pessoal de todas e temos muito a refletir!
      Grande abraço.

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