Arquivo da categoria: Turismo

Post 200 – Retrospectiva

Este é o ducentésimo (por que não é “duzentésimo”?) post publicado neste blog.

200-posts

Normalmente o centésimo é mais festejado, talvez pela introdução do terceiro dígito na contagem do número de posts, mas não posso perder a chance de fazer uma retrospectiva dos últimos cem posts publicados.

Vários posts foram inspirados por filmes. “Diários de Motocicleta” ajudou a contar a história da formação da consciência social de Che Guevara. “As Aventuras de Pi” tratou de temas como religiosidade e espiritualidade. “Amour” tratou dos sacrifícios extremos assumidos em nome do amor. “Meia-Noite em Paris” inspirou uma discussão sobre “O Passado e o Futuro”. “Ela” (título original Her) trouxe à tona as maravilhas e os perigos da inteligência artificial meio ano antes do físico Stephen Hawking externar seus temores sobre o assunto (fiquei bem acompanhado desta vez…).

Outros posts resgataram fatos históricos, como as descobertas e invenções de Heron de Alexandria ou o ato heroico de Sérgio Macaco que evitou centenas de mortes durante os anos de chumbo no Brasil. O próprio golpe militar foi protagonista de um post, onde reafirmei minha certeza que a democracia é o único caminho. As semelhanças dos casos de Napoleão Bonaparte e Eike Batista também renderam um post. E a guerra, o ato mais estúpido do ser humano, foi meu alvo após uma visita a Les Invalides em Paris,”Pra Não Dizer que Não Falei das Flores“.

O nascimento de nossa caçula, Luiza, recebeu um post superespecial – “A Maior Emoção da Minha Vida”. A Claudia deve futuramente fazer um post mais aprofundado sobre o parto humanizado.

Alguns posts trataram das minhas visões pessoais sobre família, amor pelos filhos (“Quando nos sentimos pais”) e educação dos filhos (“O que Dar e o que Esperar do Futuro de Nossos Filhos”). Afinal minha riqueza não deve ser medida pelos meus bens materiais, mas pela qualidade dos meus relacionamentos e “Eu Sou um Homem Rico”.

As questões do exibicionismo e da privacidade foram discutidas em dois posts, o primeiro sobre o BBB e o segundo que também trata do monitoramento da vida privada das pessoas pelos Estados – “Privacidade, Intromissão e Exibicionismo”. A propósito este post foi publicado quatro meses antes das denúncias de Edward Snowden.

As religiões e a manipulação dos fiéis por líderes inescrupulosos são fontes inesgotáveis de inspiração. Não escaparam deste blog o Islamismo, a igreja católica, representada pelos papas Bento XVI e Francisco, e nem mesmo “Deus, Sempre Ele”.

Dediquei dois posts para uma das piores figuras públicas da atualidade, o russo Vladimir Putin, sobre seu ecomarketing e sobre a Crimeia. Muito, mas muito menos importante, o ex-prefeito de Novo Hamburgo, Tarcísio Zimmermann, também foi “agraciado” com dois posts, enquanto tentava se reeleger antes de ser cassado devido à Lei da Ficha Limpa.

Em outros três posts, procurei comentar como nossos pensamentos podem ser nossos maiores aliados ou inimigos – “Como a Matrix de Neo e a Caverna de Platão nos Mostram a Realidade”, “Memórias e os Fantasmas do Passado” e “Como Assassinamos Nossos Insights”. Na mesma linha, escrevi mais dois posts – “O Medo” e “A Autossabotagem”.

A culinária vegana manteve seu lugar de destaque – moqueca de tofu, ratatouille, torta de sorvete, estrogonofe ou como preparar proteína texturizada de soja.

Aventurei-me em novos territórios – primeiro escrevi uma história infantil sobre bullying (“A Bruxinha Totute”); depois um poema no meio da “Turbulência” de um voo entre a França e o Brasil; mais um conto de ficção científica dividido em cinco partes sobre a expansão da humanidade em outros sistemas planetários e sua incontrolável ambição (“A Fonte da Juventude de Perennial”). Para finalizar escrevi, na semana passada, uma história que mescla ciência e religião (“Projeto Gaia – Experiência Final”).

Vários posts tiveram como inspiração as manifestações de junho do ano passado. Iniciei com “Os Protestos e a Verdadeira Democracia”, na sequência sugeri como próximo alvo a finada PEC 37/2011. Imaginem como ficaria a investigação da “Operação Lava Jato”, se o poder de investigação do Ministério Público Federal fosse tolhido? A melhoria nos serviços públicos de saúde foi um dos principais alvos dos manifestantes e o governo federal reagiu com a criação do “Programa Mais Médicos” que inspirou um artigo. Em breve, voltarei a escrever sobre a política brasileira.

Tentei desvendar os mistérios da satisfação pessoal em ”Não Esqueçam seus Objetivos Pessoais no Avião” e “Salário Motiva os Funcionários?”.

Questões éticas com animais foram tratadas em “Golfinhos de Guerra” e “Sofrer e Amar não são Exclusividades dos Humanos”.

A sustentabilidade ambiental também teve destaque com artigos sobre reciclagem de metais raros de telefones celulares, reciclagem de fósforo e da influência do consumo de carne na degradação do meio ambiente.

Este blog não é mais somente meu. A Claudia estreou em grande estilo com o post que conta como virou vegetariana, “Eu, a carne e a berinjela…”. Sinto que o respeito aos vegetarianos cresce a cada dia como retratei no post “Vitória Vegetariana”. E aqui entre nós, “Por Que Comer Carne?”.

A Copa do Mundo de Futebol realizada no Brasil em 2014 rendeu dois posts, “A Copa do Mundo Envergonhada” e “Como o Futebol Brasileiro foi Massacrado pelo Alemão”. Dentro da esfera futebolística, publiquei mais dois post “De Volta para o Meu Lugar”, sobre a reabertura do Beira-Rio, e “Fernandão, Vida, Morte e Piscadas”, sobre o morte do ídolo colorado Fernandão.

A seca em São Paulo que ameaça o fornecimento de água à população do estado também inspirou dois posts – “o que fazer quando a água acabar?” e “as medidas que evitariam a crise de abastecimento de água”. Apesar das excelentes chuvas dos últimos dias, o risco continua…

Falei sobre os mais variados assuntos, das “Gambiarras” ao “Portuglish ou Portunglês”, do show de Yusuf Islam em São Paulo aos “Múltiplos Papéis da Mulher no Mundo Atual”, dos conflitos entre judeus e palestinos em “O Escudo Humano” aos problemas da economia americana em “Obama e o Dilema Capitalista”, do racismo contra o goleiro Aranha a “Os Psicopatas, os Hiperativos, os Estranhos e os Normais”. Afinal “As Pessoas são Diferentes – Que Bom!!!”.

Agradeço a todos que acompanham nosso blog, espero críticas e sugestões para os assuntos dos próximos cem posts e lembro, mais uma vez que tento não falhar e fazer “Jornalismo Profundo como um Pires“ e “Eu Não me Chamo “Martho Medeiros”.

2 Comentários

Arquivado em Animais, Arte, Ética, Blog, Cinema, Economia, Educação, Esporte, Filosofia, Gastronomia, Gerenciamento de Projetos, Gestão de Pessoas, História, Inovação, Inter, Lazer, linkedin, Literatura, Música, Meio Ambiente, Política, Psicologia, Religião, Saúde, Segurança, Tecnologia, Turismo

Pra Não Dizer que Não Falei das Flores

Há pouco mais de dois anos, eu e a Claudia passamos nossas férias em Paris. Logo após a visita ao Museu Rodin, nos dirigimos ao Hotel dos Inválidos que fica ao lado. Exploramos apenas o lado externo, porque a Claudia não quis entrar para ver o Museu do Exército ou a tumba de Napoleão Bonaparte. Eu aceitei a decisão e falei para ela que na primeira vez que eu estivesse sozinho em Paris faria esta visita.

Hotel dos Inválidos - Paris

Hotel dos Inválidos – Paris

O dia chegou! Estou fazendo um treinamento esta semana em Fontainebleau e aproveitei para passar o final de semana passado em Paris. Cheguei ao “Les Invalides” no final da manhã de domingo e comecei pelo museu que conta a história das guerras em que o exército francês participou no final do século XIX, Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Na sequência visitei a tumba de Napoleão Bonaparte, ou Napoleão I. Depois passei pelas alas dedicadas ao exército francês e suas guerras desde a monarquia, passando pela Revolução Francesa, por Napoleão, pela restauração da monarquia, por uma nova tentativa de república, por uma nova tentativa de império com Napoleão III e enfim a chamada Terceira República.

Tumba de Napoleão Bonaparte

Tumba de Napoleão Bonaparte

Foi muito deprimente ver todo o esforço e dispêndio de recursos dedicados para a guerra, onde o resultado final é sempre mortes, destruição e sofrimento. E todas as histórias, neste museu, eram basicamente variações sobre o mesmo tema:

– o líder de um país queria mais poder e resolvia invadir o vizinho. Não ficava satisfeito e invadia seu novo vizinho, mas ainda queria mais, e invadia mais um e continuava até perder feio alguma batalha. Depois desta derrota, várias outras viriam até a destruição do país e a destituição do seu antigo líder.

– os vencedores finais, que foram originalmente agredidos, vingavam-se através de tratados de paz que levavam humilhação e miséria aos perdedores.

– os países perdedores, depois de algum tempo tentando sair do buraco, ficavam instáveis social, econômica e politicamente. Nesta hora, aparecia um líder carismático que prometia a solução de todos os problemas. Foi assim após a Revolução Francesa com Napoleão ou, na Alemanha, após a Primeira Guerra Mundial com Hitler.

– estes líderes faziam muita coisa boa, como resultado, eles aumentavam seu poder até ficar absoluto, mas, sob o pretexto de se defender dos vizinhos ou vingar-se dos vencedores da guerra anterior, iniciavam novas guerras e o ciclo se repetia.

Incrível como a espécie humana que cria maravilhosas obras de arte, desenvolve técnicas para curar todas as doenças, decifra segredos das ciências, faz grandes obras de engenharia, também faz a guerra, o horror, a antítese de toda a beleza. Na Primeira Guerra Mundial, milhares morreram dentro de trincheiras, por ação de bombas ou gases tóxicos. No final da Segunda Guerra, os americanos testaram um novo armamento, a bomba atômica, com destruição total de Hiroshima e Nagasaki.

Bomba Atômica lançada em Nagasaki (06-08-1945)

Bomba Atômica lançada em Nagasaki  (06-08-1945)

Shakespeare apresenta, em suas peças, várias histórias de guerra que mostram a futilidade dos motivos da guerra. Na peça histórica sobre o rei da Inglaterra Henrique V, ele inicia uma guerra contra a França por acreditar que tem direito ao trono daquele país. Em Hamlet, um capitão do exército norueguês, em nome de um príncipe, pede permissão para uma tropa de seu exército cruzar o território dinamarquês. Hamlet surpreende-se quando recebe a explicação que o motivo da guerra é um pequeno território sem valor na Polônia. Quando o capitão do exército norueguês sai, ele tem um de seus monólogos e, em certo momento, define bem aquela guerra:

Vejo a morte iminente de vinte mil homens que, por um capricho, uma ilusão de glória, caminham para a cova como quem vai pro leito, combatendo por um terreno no qual não há espaço para lutarem todos; nem dá tumba suficiente pra esconder os mortos…

A estupidez dos motivos da guerra persiste até hoje, pode ser petróleo, ideologia, religião, etnia, um pedaço de terra qualquer…

Mas afinal qual é a relação entre o título deste artigo e seu conteúdo? O que flores têm a ver com a guerra? Pela manhã, antes de pegar o metrô para “Les Invalides”, passeei no “Jardin des Plantes”, um daqueles lugares com energia boa que revigoram qualquer um. Talvez por isso eu não saí de “Les Invalides” deprimido, porque o ser humano que cria um lugar como “Jardin des Plantes”, não pode soltar bombas ou gases tóxicos em cima dos outros seres humanos. E aí estão algumas das belas flores que fotografei na manhã deste domingo, pra não dizer que não falei das flores…

Flores_Jardin-des-Plantes

3 Comentários

Arquivado em Arte, Ética, História, linkedin, Literatura, Política, Turismo

Moqueca à Baiana Vegana

Em 2004, eu a Cláudia estávamos de férias no Ceará e visitamos várias praias como Canoa Quebrada, Jericoacoara, Cumbuco, Morro Branco e Lagoinha, entre outras. Sinceramente nos arrependemos de ter ficado apenas um dia em Lagoinha e até hoje falamos em ficar uns dias a mais por lá.

Praia de Lagoinha - Ceará

Praia de Lagoinha – Ceará

Depois de caminhar pela bela praia de manhã, tomamos banho e nos preparamos para seguir viagem após o almoço. O funcionário da recepção nos informou que, nas segundas-feiras, o restaurante do hotel não funcionava e eles serviam somente lanches. Felizmente ele nos indicou o Restaurante Fullxico perto da praça da igreja.

Fachada do Restaurante Fullxico em 2004

Fachada do Restaurante Fullxico em 2004

Fomos os primeiros a chegar ao local. O dono do estabelecimento, o Xico, nos recebeu e indicou dois pratos, um com camarão e outro com lagosta e comentou que cada prato era suficiente para duas pessoas. Como sou alérgico a crustáceos, perguntei se ele não faria um prato individual de lagosta para a Claudia e outro de peixe para mim. Ele nos disse que normalmente não fazia isto, mas, como chegamos cedo, estava tudo bem e sugeriu uma Lagosta ao Termidor para a Claudia e uma moqueca de peixe para mim. Ainda fez um desafio: com ou sem azeite de dendê na moqueca? Minha resposta foi categórica:

– Quero com tudo que eu tenho direito!

Ele ficou surpreso e disse aquela frase tradicional:

– Oh gaúcho corajoso!

Tenho grandes recordações deste restaurante… O lugar era muito simples, o cardápio era um caderninho manuscrito (algo realmente cult), a comida era maravilhosa, o Xico era um sujeito muito legal e a conta foi barata. Foi a melhor moqueca baiana que comi em toda minha vida! Tornou-se uma referência, um paradigma ou o benchmark (o que vocês preferirem) de uma moqueca de alta qualidade…

Eu e a Cláudia criamos uma moqueca vegana inspirada na do Fullxico. No almoço natalino, fiz para nossa família e foi aprovada pelos onívoros presentes.

Moqueca pronta para ir à mesa

Moqueca pronta para ir à mesa

Ingredientes:

3 cebolas roxas grandes
4 tomates italianos
1 pimentão amarelo
1 pimentão ou pimenta vermelha
500 gramas de tofu firme
pimenta dedo de moça sem semente (opcional)
azeite de dendê
2 vidros de leite de coco
sal e pimenta branca a gosto

Modo de preparo:

Cortar o tofu em fatias, deixar de molho em água com sal por duas horas e colocar no forno para selar a superfície.

Usar preferencialmente uma panela de barro ou cerâmica e cobrir o fundo e as laterais com uma fina camada de azeite de dendê. Para facilitar, coloque o vidro do azeite em uma panela com água quente a fim de torná-lo homogêneo e menos viscoso.

Cortar as cebolas, tomates e pimentões em rodelas.

Colocar na panela sucessivas camadas de rodelas de cebolas, tomates, pimentões, pimentas e tofu, pingando algumas gotas do azeite de dendê sobre cada fatia de tofu. Veja a foto abaixo.

Moqueca montagem

Temperar com sal e pimenta branca.

Colocar o leite de coco.

Levar ao fogo alto até começar a ferver.

Baixar o fogo e tampar a panela. Mexer delicadamente para evitar que grude no fundo da panela.

O acompanhamento perfeito é arroz branco. A melhor combinação fica com o arroz de jasmim para culinária tailandesa. Para beber pode ser cerveja ou uma caipirinha com uma cachaça das boas. Eu gosto de duas cachaças gaúchas, Bucco e Weber Haus.

Moqueca prato

1 comentário

Arquivado em Gastronomia, Lazer, Turismo

Houve um Dia em que Queríamos Ser Herois

Sábado passado representou para mim o início do último final de semana  antes do meu retorno ao Brasil. Resolvi dar uma olhada no evento da cidade de Saskatoon nesse dia: Broadway Street Fair. Em primeiro lugar, a Broadway daqui não lembra a nova-iorquina e o principal atrativo era a venda dos mais variados artigos com descontos especiais. Em outra área da Feira, havia shows com bandas locais de rock, nenhuma muito promissora… No cruzamento entre duas quadras, foi colocado um tablado para apresentações de dança de grupos da terceira idade. Nada diferente do que no Brasil, sempre têm integrantes mais empolgadas e outras sendo arrastadas… Muitos cães passeavam com seus donos por todo o lado, aproveitando o belo dia. Muitas crianças se divertiam das mais variadas formas, fazendo arte em uma tenda, com pintura facial em outra, aprendendo esgrima ou numa curiosa atividade de tortadas na cara.

Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Já havia passado do meio-dia quando decidi almoçar. Procurei um restaurante fechado, porque os canadenses adoram comer em mesas na rua ao vento, invariavelmente sob o sol. Esta atitude deve ser estimulada pelo longo e rigoroso inverno que se abate sobre eles, transformando os raios solares em um produto precioso! Durante o almoço, um enorme caminhão de bombeiros entrou na rua, manobrou e estacionou quase na frente do restaurante. Na mesa do lado, um casal, certamente acima da faixa dos 70 anos, almoçava tranquilamente até o surgimento do caminhão, quando o esposo apreensivo perguntou:

– What’s going on?

Pensei que se fosse uma emergência, os bombeiros não chegariam naquela tranquilidade com a sirene desligada. Passados alguns instantes, muitas crianças aproximaram-se do caminhão e foram convidadas a entrar na cabine. A satisfação dos meninos era evidente.

Bombeiros na Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Meninos no caminhão dos Bombeiros na Broadway Street Fair de Saskatoon

Tive meu segundo momento emotivo em menos de uma hora. O primeiro aconteceu quando vi o casal que citei acima almoçando e imaginei eu e a Cláudia juntos daqui a um tempo. Depois, ao sair do restaurante, fiquei uns dez minutos observando as crianças e lembrei que eu, como a grande maioria dos meninos, já sonhei um dia em ser bombeiro, apagar incêndios e salvar vidas. Quando e por que este sonho acabou? Por que simplesmente desistimos de ser herois?

Por mais contraditório que possa parecer, ao invés de me deprimir, a visão das crianças no carro de bombeiros me alegrou, porque mais uma vez provou que a natureza humana essencial é boa, queremos ajudar os outros, almejamos ser herois. Os condicionamentos externos (pais, amigos, escola, televisão) e suas definições do que é ser bem sucedido nos desviam deste caminho mais natural. Afinal bombeiros não têm carrões do ano, nem apartamentos de cobertura ou passam as férias na Europa ou em ilhas paradisíacas da Polinésia Francesa. Eles são mal remunerados, assim como muitos dos herois de carne e osso que convivemos diariamente, porque gerar dinheiro é “mais importante” do que salvar vidas!

Bora Bora

Paradisíaca ilha de Bora Bora na Polinésia Francesa

Existem muitas formas de salvar vidas e nos tornarmos herois, pode ser através da boa educação e orientação das crianças, pode ser através da boa prática da saúde pública ou através do trabalho voluntário. Termino este post, homenageando uma menina que em menos de um mês estará completando 5 anos de idade, minha filha Júlia. Desejo que tu nunca desistas de ser nossa heroína e sempre sirva de exemplo para tua maninha Luiza que em breve estará entre nós.

Julia Lanterna Verde

Júlia como o super-heroi Lanterna Verde

6 Comentários

Arquivado em Ética, Geral, Gestão de Pessoas, linkedin, Psicologia, Turismo

Claude Monet e as Ninfeias

Nas nossas férias na França em agosto, visitamos belos museus, palácios e jardins. Se alguém me perguntar qual foi o lugar mais inspirador que eu e a Cláudia visitamos, eu responderei que não foram os Palácios de Versalhes, residência dos reis Luís XV e Luís XVI ou Fontainebleau, morada de Napoleão Bonaparte. O jardim da casa de Claude Monet em Giverny foi um destes lugares inspiradores que jamais esquecerei.

Viajamos de trem de Paris a Vernon e, como não conseguimos lugar no ônibus, pegamos uma van até a Fundação Monet. Ficamos a manhã na casa e nos jardins, almoçamos uns crepes deliciosos em um restaurante próximo. Voltamos a Paris e completamos nosso dia impressionista no Museu L’Orangerie situado na frente da praça Concorde, no interior do Jardin des Tuileries.

Casa de Monet em Giverny

O jardim da casa em Giverny, incluindo o lago das ninfeias (plantas aquáticas), a ponte japonesa sobre este lago e tudo que orna suas margens como árvores, flores e plantas, foi criado pelo próprio Monet e inspirou a maioria das obras impressionistas nos últimos trinta anos da sua vida.

As fotos foram tiradas pela Cláudia, com exceção de duas telas: ponte japonesa e ninfeias. Vocês podem ver a beleza do lugar onde Monet pintava, literalmente dentro do cenário, do amanhecer ao por do sol nas quatro estações do ano. Começo mostrando a famosa ponte japonesa.

Ponte Japonesa

  

Lagoa de Ninfeias com a Ponte Japonesa ao fundo

A seguir podemos ver as ninfeias na pintura de Monet e “ao vivo” em foto.

Ninfeias de Monet

  

Lagoa da Ninfeias

As duas próximas fotos nos fazem entender porque Monet se tornou o mestre dos reflexos.

Reflexos na Lagoa das Ninfeias

  

Mais reflexos na Lagoa das Ninfeias

Após o final da Primeira Grande Guerra Mundial em 1918, Monet decidiu doar para a França os enormes paineis que retratam as ninfeias de seu jardim. O governo francês reformou a L’Orangerie para recebê-los, criando duas grandes salas elípticas com um banco no centro de cada uma.

Um dos paineis das Ninfeias no Museu L'Orangerie

Este é um dos lugares que eu gostaria de passar um bom tempo sozinho, em silêncio, apenas admirando estas obra única na história da arte. Achei este pequeno vídeo no YouTube que dá uma boa ideia sobre o museu e os maravilhosos paineis pintados por Monet.

1 comentário

Arquivado em Arte, História, Lazer, Meio Ambiente, Turismo

Nenhuma Conquista Importante vem sem Persistência – o Exemplo de Rodin

Nesta semana, eu e a Cláudia voltamos de duas semanas de férias em Paris. Poderia escrever sobre várias observações que fizemos ao longo da viagem, mas escolhi, para começar, o exemplo de persistência do grande escultor francês Auguste Rodin. Visitamos o excelente Museu Rodin em Paris na semana passada e todas as fotos apresentadas neste post foram tiradas pela Cláudia.

Musée Rodin – Hotel Biron – Paris

Todos conhecem pelo menos duas obras deste artista: “O Pensador” e “O Beijo”, mas sua produção artística foi muito maior e as dificuldades enfrentadas na sua vida são um exemplo. Quem observa as duas obras apresentadas abaixo, pode pensar que Rodin teve uma vida maravilhosa rodeado de sucesso e glamour, entretanto ele só atingiu o sucesso após os 40 anos e, mesmo assim, nunca ficou imune às críticas.

O Pensador

O Beijo

Rodin nasceu em uma família pobre. Tentou entrar três vezes na principal Escola de Belas Artes da França e foi recusado. Após a morte da irmã, resolveu entrar para a vida religiosa. Felizmente o padre Eymard, reconhecendo seu talento, orientou-o a seguir a carreira artística. Por sinal Eymard foi canonizado pelo para João XXIII, como São Pedro Julião Eymard.

Padre Eymard

Para obter o sustento da família, trabalhou até os 35 anos em ateliês de arte decorativa na França e na Bélgica. Mais tarde considerou fundamental o conhecimento técnico adquirido nestes empregos. Conseguiu juntar algum dinheiro e investiu em uma viagem à Itália, onde interessou pelas esculturas de Donatello e Michelângelo. Esta viagem influenciou decisivamente seu estilo e toda sua obra.

No ano seguinte, expôs sua primeira escultura de destaque, o nu “A Idade do Bronze” apresentada abaixo. Apesar de todos admirarem seu trabalho, foi acusado de fraude, porque teria feito o molde diretamente sobre o corpo do modelo.

A Idade do Bronze

Levou anos para provar o contrário e quase desistiu por causa das críticas injustas e das dificuldades financeiras. Foi em frente e recebeu convite para fazer a obra “Porta do Inferno” baseada na Divina Comédia de Dante. Nunca concluiu a obra (foto abaixo), mas vários elementos, como “O Pensador” e “O Beijo”, ganharam vida própria.

Porta do Inferno

No mesmo período fez a obra “Os Burgueses de Calais”, apresentada na sequência, em que cada um dos seis personagens ganharam vida separadamente em outras esculturas.

Os Burgueses de Calais

Mesmo com todo o sucesso, foi duramente criticado pela escultura em homenagem ao escritor Honoré de Balzac. Pediu desculpas e recolheu a estátua para seu acervo próprio. O belíssimo bronze fotografado abaixo só foi fundido décadas após sua morte.

Honoré de Balzac

O resumo deste post poderia ser o seguinte: mesmo para um gênio como Rodin, o sucesso não chega, se não houver muito estudo e determinação. Ele aproveitou os dez anos de trabalho para aprender as mais diversas técnicas artísticas. Não hesitou em investir o dinheiro duramente amelhado naqueles anos em uma viagem à Itália que lhe traria conhecimento e inspiração. Resistiu a toda a espécie de críticas e prosseguiu com firmeza, realizando uma produção artística inovadora de alta qualidade. Quando percebeu que o público e a crítica não estavam preparados para certas obras, apenas as afastou dos olhos da maioria e as conservou para as futuras gerações.

4 Comentários

Arquivado em Arte, Geral, Gestão de Pessoas, História, linkedin, Turismo

Cambará do Sul – Poucos Visitantes para Tanta Beleza Natural

 

Com a chegada do inverno, turistas de vários pontos do Brasil procuram algo pouco comum em suas regiões – o frio. Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, é um dos lugares mais frios do Brasil e conta com belíssimas paisagens.

Entre o Natal e a virada de 2011, passei cinco dias em Cambará do Sul. Viajei com meu filho e ele poderia escolher qualquer lugar atingível através de automóvel. Até Montevidéu estava entre as alternativas, mas a sua escolha foi Cambará.

Reservei de 25 a 30 de dezembro um quarto na Pousada Pindorama. As acomodações são simples, mas tem o necessário. O destaque ficou para o café da manhã bem servido e para a simpatia e cortesia do pessoal da Pousada.

No primeiro dia, fomos ao Parque Nacional dos Aparados da Serra, onde está localizado o cânion do Itaimbezinho. Aproximadamente 50 mil turistas visitam anualmente a principal atração da região. Na minha opinião, este número é baixo para as paisagens que surgem ao percorrermos suas trilhas.

Cânion Itaimbezinho - final de uma das trilhas do Parque Nacional dos Aparados da Serra

No segundo dia, exploramos o interior deste cânion, fizemos uma trilha no Rio do Boi com paisagens incríveis. O nível de dificuldade nesta trilha é relativamente alto, o que exige algum preparo físico. O acompanhamento de um guia credenciado é obrigatório, o que ajuda a evitar perdas de rumo e acidentes com escorregões e cobras.

Cachoeira no Cânion Itaimbezinho

Uma das cachoeiras no interior do Cânion Itaimbezinho

 

Canion Itaimbezinho - Rio do Boi

Leito do Rio do Boi no interior do Cânion Itaimbezinho

No terceiro dia, foi a vez de visitarmos o Parque Nacional da Serra Geral, onde está localizado o cânion Fortaleza. As paisagens são incríveis, mas neste dia a neblina não colaborou e escondeu-a na maior parte do tempo. Quem viu a mini-série da Globo, “A Casa das Sete Mulheres”, lembra das cenas filmadas na beira do cânion Fortaleza. As imagens eram lindas, mas, na verdade, nenhuma batalha da Revolução Farroupilha foi travada naquela região. De toda forma, as sequências foram muito bem feitas e ajudou a divulgar a região.

Cânion Fortaleza em dia de "viração"

Para finalizar, no quarto dia, pegamos uma trilha de 24 quilômetros, passando pelos cânions Leão, Corujão, Churriado e Malacara. Neste dia, o clima parecia de outono ou inverno com temperatura baixa, apesar estarmos em dezembro, e períodos com chuva e neblina forte.

Cânion Malacara em dia de chuva e neblina

Recomendo a todos que visitem esta região do Rio Grande do Sul. Aqueles que visitam a Gramado e Canela, estão a pouco mais de 100 quilômetros de Cambará do Sul. As paisagens são únicas e estão muito bem preservadas. A única crítica que faço neste post é para a estrutura dos parques. O Parque Nacional dos Aparados da Serra tem banheiros apenas na sede e não tem restaurante ou lancheria. Deste modo, para almoçar, você é obrigado a voltar para Cambará. O caso é pior no Parque Nacional da Serra Geral, totalmente selvagem, no qual não existe estrutura de apoio para o visitante.

 

Deixe um comentário

Arquivado em Geral, Lazer, Meio Ambiente, Turismo