Arquivo do mês: janeiro 2014

O Recomeço da História – A Fonte da Juventude de Perennial (Parte 1)

A população da Terra pela primeira vez em séculos tivera uma redução. A atividade econômica, apesar de certo dinamismo, apresentava crescimento global praticamente nulo. Havia fontes abundantes e baratas de energia e alimentos, se vivia um período de paz e prosperidade. Este seria o “Fim da História” que alguns pensadores descreveram no passado? Como não havia mais alternativas para a economia mundial crescer na Terra, os olhos dos homens se voltaram para o espaço.

Novos planetas, onde existiam condições para o desenvolvimento de vida, foram descobertos. Sondas não tripuladas e naves espaciais foram enviadas para procurar formas de vida e recursos minerais nestes planetas, além de analisar a viabilidade da instalação de colônias de seres humanos.

Foram criados grupos de investidores públicos e privados para explorar os planetas mais promissores. Por coincidência ou não, os planetas mais interessantes possuíam ecossistemas mais desenvolvidos, mas não havia formas de vidas tão evoluídas quanto o ser humano. Após pesados investimentos e muitos anos de planejamento, foram construídas as primeiras bases fora do Sistema Solar. A nova “Era das Grandes Navegações” se iniciava pelo cosmos ao invés dos mares da Terra do século XV.

As Grandes Navegações do Século XV

As Grandes Navegações do Século XV

Em um destes planetas, “Perennial”, foi encontrada uma planta com sementes que possuem propriedades milagrosas – seu consumo interrompia o envelhecimento celular. A planta foi chamada de “Fonte da Juventude”. Muitas tentativas foram feitas para isolar a substância responsável por este efeito, mas não houve sucesso. Também se tentou multiplicar as sementes e fazer grandes plantações na Terra e na própria Perennial, mas a produtividade foi baixa e não foi observado o efeito rejuvenescedor das sementes da planta selvagem. Só havia uma alternativa – coletar as sementes do ambiente natural, mas havia um grande problema. Os bilhões de habitantes da Terra e os milhões de humanos que viviam em outros planetas queriam consumir a semente e viver pela eternidade. Após muito debate na sede das Nações Unidas em New York, foi definida a quantidade anual de sementes que seria coletada para evitar a extinção da fonte da juventude. Até uma espécie de loteria foi criada para determinar quem seriam os felizardos a receber pequenas quantidades de sementes.

Quando a coleta de sementes foi iniciada, surgiram as primeiras dificuldades. O ambiente não era amistoso aos humanos. Havia animais selvagens, plantas venenosas, novas doenças transmitidas por animais parecidos com os insetos terráqueos.

Como não tinha como mecanizar esta atividade, alguém teve a ideia de usar uma espécie muito dócil de Arboreal, o planeta das árvores gigantes. Os kwasha-kwashas, ou simplesmente kwashas, pareciam com lêmures, mas eram mais altos. Um macho adulto, por exemplo, media 1,40 metros.

Lêmure

Lêmure

Um grupo de kwashas foi levado para Perennial a fim de analisar a viabilidade de usá-los na coleta das sementes da fonte da juventude. Os resultados foram excelentes e se decidiu transferir um quarto da população dos simpáticos lêmures gigantes de Arboreal para Perennial.

No trajeto entre os dois planetas, muitos kwashas entraram em profunda depressão, um em cada dez morreu. Quando chegaram a Perennial, não havia boas condições de alojamento e as florestas eram diferentes das nativas de seu planeta. Também não havia alimento na quantidade e qualidade necessárias. Por outro lado, não havia tempo a perder, o envio de sementes da fonte da juventude estava muito atrasada e apenas uma remessa fora despachada à Terra.

Desta vez, não houve o mesmo cuidado que se teve com o primeiro grupo de kwashas. Eles foram expostos a longas jornadas de trabalho, com pouca água e comida. Quando os responsáveis por supervisionar o trabalho perceberam que os kwashas estavam comendo a fonte da juventude, espancaram e castigaram brutalmente os animais. Alguns não resistiram ao cansaço, aos ferimentos e morreram. Seus corpos ficaram atirados no meio da floresta.

A produção da fonte da juventude aumentou exponencialmente, atingindo finalmente a meta. Os kwashas não aguentavam mais os maus tratos e tentavam fugir. Para evitar perda expressiva de mão de obra, tornozeleiras com localizadores e máquinas de choque foram colocadas em todos kwashas. Algumas pessoas da Terra, de Arboreal e de Perennial se revoltaram com aquela forma de tratamento, mas eram chamados de loucos, idiotas ou românticos. A maioria das pessoas falava:

– O que é mais importante, a vida de uma pessoa ou de um kwasha? Você deixaria sua mãe morrer para salvar um kwasha?

A própria Igreja definiu que os kwashas não eram humanos e que seriam os instrumentos que Deus nos presenteou para coletar a fonte da juventude. Só se deveria cuidar para não castigar excessivamente os animais a ponto de mutilá-los ou matá-los.

A Escravidão, que estava banida na Terra, ressurgia com toda força em Perennial.

Escravo sendo castigado (Debret)

Escravo sendo castigado (Debret)

CONTINUA…

Anúncios

3 Comentários

Arquivado em Animais, Ética, Economia, Filosofia, História, linkedin, Literatura, Meio Ambiente, Política, Psicologia, Tecnologia

Rir é Contagioso

Tenho fama de estar sempre de bom humor, mas quem convive mais diretamente comigo sabe que isto não é verdade. Tenho meus momentos de rabugice, aliás, supervalorizados pelos meus irmãos, mas não sou como os personagens vividos por Walter Matthau!

Walter Matthau

Walter Matthau

No ano passado, li uma reportagem sobre o inglês Malcolm Myatt, ele sofreu um AVC há dez anos. Depois de meses de tratamento hospitalar e fisioterapia, Malcolm recuperou-se fisicamente, mas algumas coisas mudaram. Sua memória recente foi afetada, ele recorda-se perfeitamente do que ocorreu há vinte anos, mas não se lembra dos acontecimentos da semana passada. A habilidade de comportar-se de acordo com a situação também foi irreversivelmente prejudicada, agora ele sempre diz o que pensa, gerando às vezes embaraços. E, acima de tudo, ele não sente mais tristeza, passa os dias rindo de tudo.

Malcolm Myatt com sua esposa Kath

Malcolm Myatt com sua esposa Kath

Sua esposa Kath teve que adaptar-se a esta nova rotina, admite que as questões da memória e da inconveniência causam alguns problemas, mas, em relação às risadas do marido, sua avaliação é totalmente diferente:

– Ele é muito infantil agora. Quando ele começa a rir, todo mundo na sala ri também. Ele alegra qualquer ambiente, todo mundo sente falta quando ele não está.

A palavra “infantil” é muito importante na resposta da esposa de Malcolm. As crianças riem de tudo e têm o assombro da descoberta. Nós adultos temos vergonha de ter estes comportamentos. Afinal quem já não ouviu a expressão:

– Já está na hora de ser mais sério!

O que quer dizer “ser mais sério”? Perder o bom humor? Ser carrancudo?

Assista ao vídeo abaixo e comprove como rir é contagioso.

A neurociência explica que temos os chamados “neurônios espelho”, localizados em duas áreas do cérebro, uma das quais é envolvida diretamente no desenvolvimento da linguagem, onde a repetição é muito útil. Voltando para as risadas, o que seria melhor ver as pessoas imitando rabugices ou gostosas gargalhadas?

Vamos seguir aquela expressão “sorria e o mundo inteiro vai sorrir com você”!

Deixe um comentário

Arquivado em Gestão de Pessoas, linkedin, Psicologia, Saúde

O Verdadeiro Fim da História

Em 2014, completará 25 anos da publicação do polêmico ensaio “The End of History?” do cientista político americano Francis Fukuyama na revista National Interest. Depois, no final daquele ano, aconteceu a queda do Muro de Berlim, o que levou muita gente a afirmar que a História havia terminado, porque a democracia liberal triunfara e não surgiria outro sistema para disputar a hegemonia, como foram os casos do fascismo e do socialismo no século XX.

Francis Fukuyama

Francis Fukuyama

No último parágrafo deste ensaio, Fukuyama fala do fim das disputas ideológicas e da “estagnação” que tomará conta da humanidade após o fim da História:

“O fim da história será um momento muito triste. A luta pelo reconhecimento, a vontade de arriscar a própria vida por um objetivo puramente abstrato, a luta ideológica mundial que suscitou ousadia, coragem, imaginação e idealismo, será substituída pelo cálculo econômico, pela solução interminável de problemas técnicos, por preocupações ambientais, e pela satisfação de exigências sofisticadas dos consumidores. No período pós-histórico não haverá nem arte nem filosofia, apenas a guarda perpétua do museu da história humana. Eu posso sentir em mim mesmo, e ver nos outros ao meu redor, uma nostalgia poderosa para o momento em que a história existia. Essa nostalgia, de fato, continuará a alimentar competição e conflito, mesmo no mundo pós-histórico por algum tempo. Apesar de eu reconhecer a sua inevitabilidade, eu tenho os sentimentos mais ambivalentes para a civilização que foi criado na Europa desde 1945, com suas ramificações pelo Atlântico Norte e Ásia. Talvez esta perspectiva de séculos de tédio no final da história servirá para iniciar a história mais uma vez.”

Para começar, não acredito no fim da arte ou da filosofia e prefiro a guerra trancafiada no Musée de l’Armée de Paris. Você pode acessar a íntegra do ensaio através do link abaixo.

http://www.wesjones.com/eoh.htm

Em 1992, Fukuyama lançou o livro “The End of History and the Last Man”, onde desenvolveu melhor os pressupostos de seu ensaio de 1989. Com o fim da Guerra Fria devido ao dilaceramento do bloco socialista, a democracia liberal tornou-se, segundo ele, a forma final de governo para todas as nações. Não poderia haver progressão da democracia liberal para um sistema alternativo. Como a História deve ser vista como um processo evolutivo, poderíamos concluir que a História chegou ao fim, mesmo que eventos ainda ocorram.

Não acredito que esta seria uma boa definição do “fim da História”. Atualmente temos uma série de revoluções acontecendo de forma pacífica no mundo. Estamos entrando em uma era de informação, nunca as pessoas tiveram informação com a abundância de hoje. Figuras como Assis Chateaubriand, o poderoso dono dos Diários Associados entre as décadas de 40 e 60, ou Roberto Marinho, dono das Organizações Globo que chegou ao auge da sua influência entre as décadas de 60 e 90, teriam hoje como principal limitador a Internet. Qualquer um pode dar sua versão dos fatos ou publicar fotos e documentos comprometedores que derrubam versões da grande imprensa.

Assis Chateaubriand (esq.) e Roberto Marinho (dir.)

Assis Chateaubriand (esq.) e Roberto Marinho (dir.)

A tecnologia, em todas as áreas, avança e sinaliza um futuro de maior longevidade e abundância. A biotecnologia é outra revolução deste século. Fukuyama demonstrava pessimismo sobre o futuro da humanidade devido à incapacidade humana de controlar a tecnologia. Em minha opinião, as discussões éticas acontecem depois do desenvolvimento tecnológico, o que evidentemente pode causar sérios problemas, mas dificilmente ocorrerão problemas irreversíveis. Os erros fazem parte do processo de aprendizado.

Voltando para o “fim da História”, o capitalismo, o neoliberalismo e a globalização atacam em duas frentes para garantir a manutenção da sua expansão:

– estímulo ao consumismo das populações mais ricas;
– busca e desenvolvimento de novos mercados.

Atualmente pode-se citar os países pobres ou emergentes da África, Ásia, América Latina e do próprio leste europeu como exemplos destes novos mercados-alvo da globalização. Há quase dois anos escrevi o artigo “Malditas Multinacionais”, onde faço uma análise do binômio lucro e risco. Na África, por exemplo, as instituições dos países estão ficando mais estáveis, atraindo novos investimentos, porque os riscos estão menores ou, pelo menos, administráveis. Como consequência, há uma melhoria considerável nos padrões sociais destes países. O número de filhos por casal cai, o crescimento demográfico declina e a expansão econômica perde velocidade. Outros novos mercados serão procurados e o ciclo se repete.

Conforme minha visão, o “Fim da História” acontecerá quando houver igualdade entre as pessoas e povos. Isto não significa que não existirão pessoas e povos mais ricos ou mais pobres, mas todos terão liberdade e acesso à alimentação de qualidade, moradia digna, saúde e educação. Continuará a haver mobilidade interna entre pessoas e povos, mas isto não será o suficiente para estimular o crescimento da atividade econômica. Assim o neoliberalismo e a globalização perderão fôlego. O que vai acontecer em um mundo com redução de população, com fontes de energia alternativas baratas e confiáveis, com abundância de alimentos de qualidade, onde não será preciso trabalhar mais do que 20 ou 24 horas semanais?

Talvez só exista uma alternativa para o capitalismo, a expansão espacial – a conquista e colonização de novos planetas. Neste caso, se tornará realidade aquela frase do seriado de TV “Jornada nas Estrelas” (“Star Trek” no original em inglês):

– “Espaço – a fronteira final”.

Para os fãs da série, grupo no qual me incluo, matem ou alimentem a saudade, assistindo a abertura original da segunda temporada.

2 Comentários

Arquivado em Ética, Cinema, Economia, Filosofia, História, Inovação, linkedin, Política, Psicologia

Bem-vindo ao Programa Saúde Fácil

No meu último check-up, os resultados de modo geral foram bons apesar das medições da pressão arterial mais altas do que o normal. Existia ainda a possibilidade de ser a chamada “hipertensão do avental branco”, onde a pressão arterial aumenta consideravelmente quando é medida dentro de um consultório médico.

Para tirar a dúvida, o cardiologista do Sírio Libanês pediu que eu fizesse o MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial). Neste exame, a pressão arterial é medida a cada 20 minutos, durante 24 horas. Você pode imaginar com é desagradável ficar um dia com aquela braçadeira inflando até quase esmagar seu braço! Na cintura, você carrega uma caixinha responsável por enviar o ar para a braçadeira, medir e arquivar os resultados. O dia deveria ser o mais normal possível: dirigi no complicado trânsito paulistano, trabalhei, participei de reuniões, almocei num restaurante próximo ao escritório… De noite, tentei dormir normalmente, mas não foi muito fácil. O resultado final confirmou a suspeita inicial, eu estou ou sou hipertenso.

Aparelho para o MAPA

Aparelho para o MAPA

Na sequência, fui a um cardiologista clínico próximo da nossa nova casa. Ele conversou comigo, me examinou, auscultou coração e pulmões, mediu pressão e viu os resultados dos exames de imagem e laboratoriais do check-up. No final, fez um comentário que, apesar de elogioso, não me deixou muito feliz:

– Seus exames e condição física são muito bons para alguém da tua idade.

Este é aquele momento no qual lembramos que não somos mais garotões. É o peso dos 47 anos de vida…

Fiz uma pergunta que meu médico disse que todos os diagnosticados como hipertensos fazem:

– Por que eu fiquei hipertenso de uma hora para outra? Minha pressão foi sempre 12 por 8.

Ele sorriu e disse que todos fazem a mesma pergunta e comentou que 90 a 95% dos casos de hipertensão não têm uma causa claramente definida. Citou alguns exemplos, como os casos ligados à obesidade, mas meus 6 quilos de sobrepeso não se enquadravam nesta justificativa. Parece que a genética (pais hipertensos) me levou para este caminho…

Na sequência, perguntei se havia chance de eu deixar de ser hipertenso e não precisar mais tomar remédio. Ele disse que mais de 90% daqueles que se tornaram hipertensos, sem uma causa clara definida, continuavam consumindo remédios até o final da vida. Má notícia…

Como ouvimos toda hora nos meios de comunicação, mas normalmente não prestamos a atenção devida, a hipertensão é uma doença crônica. Hoje não tem cura e, se não for controlada com dieta sem sal e medicamentos, vai danificando aos poucos órgãos importantes do nosso organismo. No meu caso, o corpo se adaptou ao novo patamar de pressão e eu não sentia sintomas como dores de cabeça ou tonturas. É exatamente aí que mora o perigo! Em um “belo” dia, acontece um infarto ou um AVC, por isso devemos controlar e monitorar nossa pressão arterial.

Agora recebi o cartão do “Programa Saúde Fácil” do laboratório fabricante do meu remédio para controle da pressão com o qual consigo 50% de desconto e, depois de dois meses, já adquiri o hábito de tomar um comprimido todas as manhãs.

Basicamente temos três opções – morrer jovem, envelhecer doente ou envelhecer com saúde. O melhor é optar pela última alternativa e fazer o melhor possível para atingir este objetivo, sem exageros e sem dramas…

2 Comentários

Arquivado em linkedin, Psicologia, Saúde