Arquivo do mês: outubro 2011

Gasto com Publicidade Oficial – Como o Dinheiro Público Escorre pelo Ralo

Todos criticam a malversação de recursos públicos no Brasil. As recentes denúncias sobre as ONGs do Programa Segundo Tempo do Ministério dos Esportes são mais um exemplo recente. Deveria haver fiscalização, além dos tribunais de contas, dos próprios cidadãos. Quando navegamos pelos portais da transparência das três esferas da administração pública, podemos buscar dados interessantes de como o dinheiro público é gasto pelos governos.

No meu último post, sobre liberdade de expressão, comentei sobre a relação dos governos com a imprensa. As verbas dedicadas à publicidade oficial crescem anualmente. Segundo o Portal Transparência do governo federal, os gastos com publicidade institucional foram de R$ 177 milhões em 2010. O gasto total com publicidade da administração direta do governo federal foi de R$ 644 milhões neste período. Se for incluída a administração indireta, segundo a Folha de São Paulo, o gasto deve chegar a R$ 1 bilhão.

Na cidade de Novo Hamburgo, a Prefeitura resolveu investir pesado em publicidade oficial a partir de 2010. A Tabela abaixo apresenta o orçamento com publicidade oficial dos últimos nove anos.

Neste momento, ainda não discutirei os gastos com publicidade legal e de utilidade pública, mesmo suspeitando que muitos destes dispêndios não tenham estas motivações. O gráfico abaixo mostra o aumento impressionante dos gastos com a publicidade institucional da Prefeitura de Novo Hamburgo. Em 2011, serão gastos aproximadamente R$ 2 milhões, quase o mesmo valor orçado no período 2005-2009.

Sob a desculpa de prestar contas à população e divulgar iniciativas de interesse público, a Prefeitura faz propaganda eleitoral para a eleição municipal do próximo ano. De acordo com o Portal Transparência do município, de janeiro a agosto de 2011, foram gastos aproximadamente R$ 2 milhões com o pagamento de três agências de publicidade. Apenas uma agência de Porto Alegre recebeu R$ 1.175.000,00. Outras duas de Novo Hamburgo receberam, no mesmo período, R$ 426 mil e R$ 381 mil cada.

Gostaria que a publicidade oficial fosse proibida no país. Este dinheiro poderia ser investido em áreas realmente importantes para a população como saúde, educação e infraestrutura. Sugiro que não se espere a sanção de uma lei federal, porque existe um projeto tramitando no Congresso Nacional há seis anos e ninguém sabe quando entrará na pauta de votação.

Lembro da proibição de animais em circos. Uma lei foi aprovada em Novo Hamburgo em 2007 devido ao desejo da população organizada pela ONG de proteção animal ONDAA. No ano seguinte, foi aprovada outra lei na Assembleia Legislativa do estado do Rio Grande do Sul. Deste o final de 2009, um projeto de lei (PL 7291/2006) foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e encontra-se atualmente no Plenário da Câmara dos Deputados, onde aguarda para entrar na pauta de votação.

A população deve exigir que os vereadores de Novo Hamburgo evitem a queima dos recursos públicos no orçamento de 2012. Na sequência, deve pedir que seus representantes criem e aprovem a lei municipal que proíba a publicidade oficial. Só assim poderemos realmente aproveitar bem o dinheiro dos impostos que pagamos. Chega de propaganda enganosa!

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Liberdade de Expressão

Há um ou dois meses, participei de um pequeno debate no Facebook sobre o gasto de verbas para publicidade da Prefeitura de Novo Hamburgo. Por exemplo, a campanha “Eu Cuido, Nós Cuidamos” atinge várias mídias simultaneamente, como outdoors espalhados pela cidade, inserções nas programações de emissoras de rádio locais e da capital, além de anúncios em jornais.

Um dos anúncios da campanha "Eu cuido, Nós cuidamos" da Prefeitura de Novo Hamburgo

Sou contra este tipo de propaganda com jeito de campanha eleitoral em todas as esferas da administração pública. Qual é o benefício para a população desta despesa da Prefeitura de Novo Hamburgo? Esta verba não seria melhor empregada na saúde, educação ou simplesmente na manutenção das esburacadas ruas da cidade? Quando isto é feito de modo continuado, pode deixar grupos de comunicação dependentes do dinheiro do Estado. Assim esta empresa passaria a ter conflitos de interesses. Como poderia dar notícias negativas sobre um cliente importante? Ficaria sempre aquela dúvida de que se esta notícia fosse publicada, o jornal ou a rádio poderiam perder o dinheiro com a publicidade oficial. Mesmo que isto não ocorra, sempre os leitores, ouvintes e telespectadores poderiam ter esta dúvida.

A pior consequência desta prática é, sem dúvida alguma, a autocensura. Um dos participantes do debate, que mencionei no início de post, fez uma ótima colocação sobre este relacionamento:

Não importa o partido que habita aquele prédio. Tanto faz. Desde a antiga Arena, passando por PMDB, PDT e agora o PT. O cliente é o patrão. Os interesses não mudam, são os mesmos. Reclamam quando querem censurar a imprensa. Mas quando a imprensa faz sua própria censura???

Quando isto ocorre, estes grupos de comunicação fazem propaganda positiva diária. Fatos negativos são minimizados ou omitidos. Solenidades para “inauguração” de alicerces de prédios públicos ou abertura de buracos para troca de adutoras de água potável são noticiadas com pompa. Uma atmosfera rósea em torno do poder público é criada.

Já defendi no meu blog o financiamento público das campanhas eleitorais, no post sobre o filme Tropa de Elite 2. Agora defendo que os governos só possam gastar verbas com publicidade em campanhas realmente de utilidade pública. Chegou a hora de acabar com esta mistura promíscua do público com o privado. Não podemos mais aceitar esta troca de favores, onde o dinheiro público escoa pelo ralo. Infelizmente o lobby dos grandes grupos da área de comunicação não permitirá que esta ideia prospere facilmente. Mais uma vez só com forte apoio popular será possível avançar nesta área.

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Stay Hungry, Stay Foolish

Steve Jobs morreu nesta semana que passou. Muito já se falou sobre este gênio que mudou o mundo com as criações da Apple, empresa que fundou. Não pretendo contar a vida deste gênio ou falar sobre suas virtudes e defeitos. Gostaria de resumir e comentar uma famosa palestra feita por ele para formandos na Universidade de Stanford em 2005. Para quem quiser assistir os 14 minutos na íntegra, basta clicar abaixo.

 
A palestra de Jobs tem três partes.

1. Una os pontos da vida

Você não pode conectar os pontos olhando adiante, você só pode conectá-los olhando para trás. Então você tem que confiar que os pontos de algum jeito vão se conectar em seu futuro. Acreditar nisto é fundamental, porque vai lhe dar confiança para seguir seu coração, mesmo que lhe leve para um caminho diferente do previsto e isso fará toda a diferença.

2. Faça o que o coração manda

Jobs estava convencido que a única coisa que lhe permitiu seguir adiante, após sua demissão da Apple, foi o amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que ama. Isto é verdadeiro tanto para seu trabalho, quanto para com as pessoas que ama. Seu trabalho vai preencher uma grande parte da sua vida e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um excelente trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que se faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue! Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até encontrar. Não sossegue!

3. Não desperdice seu tempo

Seu tempo é limitado, então não gaste vivendo a vida de outra pessoa. Não caia na armadilha do dogma que é viver com os resultados do pensamento de outra pessoa. Não deixe o ruído da opinião alheia sufocar sua voz interior. E mais importante, tenha coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles, de alguma forma, já sabem o que você realmente quer se tornar. Tudo o mais é secundário!

Steve Jobs em dois momentos da vida

O conselho final para os formandos foi “stay hungry, stay foolish” que, se traduzido literalmente para o português significa “continue faminto, continue tolo”. Afinal o que Steve Jobs quis dizer? Ele aconselhou a sempre termos fome por novos conhecimentos. Não importa a posição, os títulos ou se somos autoridade ou referência em determinada área. Devemos prosseguir esta busca incessante por toda nossas vidas.

A humildade é um aspecto essencial desta busca. Muitas pessoas têm medo de exporem-se e admitirem que não dominam determinado assunto. Não existe forma melhor para adquirir novos conhecimentos do que a troca de informações e experiências em uma conversa desarmada.

Este conselho vai ao encontro daquela passagem em que Sócrates reagiu ao pronunciamento do oráculo de Delfos que o apontara como o mais sábio de todos os homens dizendo “só sei que nada sei”.

Filósofo Sócrates

Quando achamos que sabemos tudo e não temos mais nada para aprender, ficamos estagnados e fracassamos.

Estes conselhos de Steve Jobs, apesar de simples, encerram as bases para uma vida de sucesso, mas não é fácil colocá-los em prática. Persista! Não sossegue!

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Claude Monet e as Ninfeias

Nas nossas férias na França em agosto, visitamos belos museus, palácios e jardins. Se alguém me perguntar qual foi o lugar mais inspirador que eu e a Cláudia visitamos, eu responderei que não foram os Palácios de Versalhes, residência dos reis Luís XV e Luís XVI ou Fontainebleau, morada de Napoleão Bonaparte. O jardim da casa de Claude Monet em Giverny foi um destes lugares inspiradores que jamais esquecerei.

Viajamos de trem de Paris a Vernon e, como não conseguimos lugar no ônibus, pegamos uma van até a Fundação Monet. Ficamos a manhã na casa e nos jardins, almoçamos uns crepes deliciosos em um restaurante próximo. Voltamos a Paris e completamos nosso dia impressionista no Museu L’Orangerie situado na frente da praça Concorde, no interior do Jardin des Tuileries.

Casa de Monet em Giverny

O jardim da casa em Giverny, incluindo o lago das ninfeias (plantas aquáticas), a ponte japonesa sobre este lago e tudo que orna suas margens como árvores, flores e plantas, foi criado pelo próprio Monet e inspirou a maioria das obras impressionistas nos últimos trinta anos da sua vida.

As fotos foram tiradas pela Cláudia, com exceção de duas telas: ponte japonesa e ninfeias. Vocês podem ver a beleza do lugar onde Monet pintava, literalmente dentro do cenário, do amanhecer ao por do sol nas quatro estações do ano. Começo mostrando a famosa ponte japonesa.

Ponte Japonesa

  

Lagoa de Ninfeias com a Ponte Japonesa ao fundo

A seguir podemos ver as ninfeias na pintura de Monet e “ao vivo” em foto.

Ninfeias de Monet

  

Lagoa da Ninfeias

As duas próximas fotos nos fazem entender porque Monet se tornou o mestre dos reflexos.

Reflexos na Lagoa das Ninfeias

  

Mais reflexos na Lagoa das Ninfeias

Após o final da Primeira Grande Guerra Mundial em 1918, Monet decidiu doar para a França os enormes paineis que retratam as ninfeias de seu jardim. O governo francês reformou a L’Orangerie para recebê-los, criando duas grandes salas elípticas com um banco no centro de cada uma.

Um dos paineis das Ninfeias no Museu L'Orangerie

Este é um dos lugares que eu gostaria de passar um bom tempo sozinho, em silêncio, apenas admirando estas obra única na história da arte. Achei este pequeno vídeo no YouTube que dá uma boa ideia sobre o museu e os maravilhosos paineis pintados por Monet.

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