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O que acontece com nosso mundão?

Por incrível que pareça, Donald Trump começou seu mandato na Casa Branca, fazendo exatamente o que prometeu. Por exemplo, assinou uma ordem executiva para enfraquecer o Obamacare (lei que facilita a obtenção de seguros-saúde para pessoas de baixa renda ou com problemas pré-existentes à contratação do seguro), assinou um decreto para construção do já famoso muro na fronteira com o México, abandonou o TPP (acordo de livre comércio Transpacífico), liberou a construção de um oleoduto que passará sob o rio Missouri (principal fonte de água potável das reservas dos índios Sioux) e decretou também a proibição da entrada nos Estados Unidos de viajantes de sete países muçulmanos (incluindo refugiados da guerra da Síria).

A revista alemã Der Spiegel colocou na sua capa uma ilustração com Donald Trump decapitando a Estátua da Liberdade. A ilustração foi feita pelo artista Edel Rodríguez, refugiado político cubano que vive nos Estados Unidos desde 1980.

U. S. President Donald Trump is depicted beheading the Statue of Liberty in this illustration on the cover of the latest issue of German news magazine Der Spiegel

Talvez a melhor capa fosse Trump, retirando a placa de bronze do pedestal da Estátua da Liberdade, onde está escrito o famoso poema “The New Colossus” (O Novo Colosso) da poetisa americana Emma Lazarus.

Não como o gigante bronzeado de grega fama,
Com pernas abertas e conquistadoras a abarcar a terra
Aqui nos nossos portões banhados pelo mar e dourados pelo sol, se erguerá
Uma mulher poderosa, com uma tocha cuja chama
É o relâmpago aprisionado e seu nome
Mãe dos Exílios. Do farol de sua mão
Brilha um acolhedor abraço universal; os seus suaves olhos
Comandam o porto unido por pontes que enquadram cidades gémeas.
“Mantenham antigas terras sua pompa histórica!” grita ela
Com lábios silenciosos “Dai-me os seus fatigados, os seus pobres,
As suas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade
O miserável refugo das suas costas apinhadas.
Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades,
Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado.”

Parece que Trump tentou fechar as portas do país aos refugiados, “massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade”. Só não atingiu completamente seu intento devido à resistência da Justiça americana. Este assunto irrita tanto o novo presidente americano que ele interrompeu uma conversa telefônica com Malcolm Turnbull, primeiro-ministro da Austrália, quando este tentou garantir o cumprimento da promessa americana de acolher 1.250 refugiados que se encontram em um centro de acolhida australiano.

Por outro lado, Trump tolera e, até mesmo, afaga o presidente russo Vladimir Putin. Esta relação pode ser sintetizada em uma das respostas de Trump na entrevista para Bill O’Reilly da Fox News. Após Trump falar que respeita Putin e que a Rússia poderá ser uma importante aliada na luta contra o terrorismo islâmico, O’Reilly contra-argumentou dizendo que Putin era um assassino, Trump defendeu assim o presidente russo:

– Há muitos assassinos. Você acha nosso país tão inocente?

trump_putin_the-economist

Para deixar o caso do relacionamento Trump e Putin ainda mais nebuloso, nesta semana, o general reformado Michael Flynn, assessor de Segurança Nacional da presidência, renunciou após o vazamento da informação de um encontro com o embaixador da Rússia em Washington acontecido algumas semanas antes da posse de Trump. Segundo o jornal The Washington Post, a CIA havia compartilhado estas informações com o novo governo americano. Trump, na sua conta oficial do Twitter, reclamou dos vazamentos ilegais seletivos das relações do novo governo com a Rússia.

twitter_donald-trump_russia

Twitter de Trump sobre vazamentos de informações (Fonte: El País)

Neste ambiente de indefinições sobre a real posição do novo governo americano sobre a Rússia, surgem várias especulações sobre futuras ações militares de Vladimir Putin no leste europeu. O semanário The Economist apresenta os Países Bálticos (Letônia, Estônia e Lituânia), repúblicas que faziam parte da extinta União Soviética, como possível novo alvo russo. Assista ao vídeo abaixo.

Assim temos o risco da volta dos conflitos na Europa, potencializados pelo enfraquecimento da Comunidade Europeia e da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Por outro lado, vemos o crescimento no mundo inteiro de atitudes xenófobas – medidas anti-imigração, recusa ao acolhimento de refugiados de guerras e discriminação contra religiões (especialmente o Islamismo).

Os habitantes da maioria dos países ainda não se deram conta de que os imigrantes exercem as funções que os locais não querem mais fazer ou não conseguem fazer.

Tudo isto traz medo e insegurança às pessoas. Os políticos da maioria dos países democráticos também perderam a credibilidade. Os partidos tradicionais ficaram muito parecidos entre si. Os governos perderam poder. Atualmente as corporações econômico-financeiras se tornaram mais poderosas do que os governos. Neste formato, nenhum país tem força para fazer qualquer reforma radical. Só restam ajustes e ações puntuais. Por outro lado, as pessoas, cada vez mais infantilizadas, querem direitos sem deveres ou contrapartidas. Querem que seus empregos sejam preservados, mas querem também comprar produtos baratos. Como se fosse possível o governo proteger apenas seu ramo de negócio. As pessoas sonham com um passado que nunca existiu. Aí se criam Trump e Brexit, entre outros.

Estamos em frente a uma bifurcação na história da humanidade. Se abraçarmos a ideia do “nós primeiro”, agirmos com preconceito, acreditarmos que o problema está em outro povo, raça ou religião, então escolheremos o caminho do totalitarismo. Vocês não estão assistindo os tristes espetáculos diários de Donald Trump, atacando a imprensa e vendendo aos seguidores os seus “fatos alternativos”? Hitler escolheu os judeus como inimigos da Alemanha durante o Nazismo. Na década de 50, o senador americano Joseph McCarthy elegeu os comunistas como inimigos da nação e patrocinou uma terrível caça às bruxas. Hoje Trump pode escolher os muçulmanos ou os mexicanos como os vilões…

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Senador Joseph McCarthy (Fonte: Wikipedia)

Existe um outro caminho a ser trilhado. Devemos abandonar o consumismo e a especulação financeira. No futuro, teremos crescimento populacional zero e crescimento do PIB zero – mais três ou quatro décadas, chegaremos lá. O sistema deve ser completamente redesenhado. A solidariedade entre as pessoas e povos deverá ser o ingrediente indispensável nas relações sociais e econômicas para construirmos um mundo mais justo e fraterno. Todos devem abraçar este grande desafio, não é trabalho para um punhado de líderes populistas ou salvadores da pátria.

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Para Obter a Paz, não Basta uma Vitória Militar sobre o Estado Islâmico

Há uma semana, as pessoas ficaram chocadas com a série de atentados terroristas acontecidos na noite de sexta-feira em Paris. O Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pela operação que causou a morte de dezenas de pessoas, com 89 vítimas fatais apenas na casa de espetáculos Bataclan.

Grávida tenta fugir pela janela do Bataclan

Grávida tenta fugir pela janela do Bataclan

Três grupos islâmicos, considerados por muitos como terroristas, surpreenderam ao condenar veementemente os atentados em Paris. O grupo libanês xiita Hezbollah e os movimentos palestinos Hamas, no poder na Faixa de Gaza, e Jihad Islâmica desaprovaram a ação do Estado Islâmico que vitimou inocentes. Assim norte-americanos e russos, todos os países europeus, todos os países muçulmanos (independente da orientação sunita ou xiita), além de diversos grupos armados islâmicos alinharam-se no objetivo de acabar com a ameaça do Estado Islâmico.

Abaixo está a tradução de uma nota publicada no diário “The Economist Espresso” na terça-feira passada:

Cada um com seu próprio interesse: o Oriente Médio depois de Paris

A região fragmentada está unida na indignação e sobre a necessidade de fazer mais para combater Estado Islâmico. Os líderes políticos concordam com mais ataques aéreos, incluindo um bombardeio francês contra Raqqa, base síria do EI. No entanto, apenas esta unidade é tão profunda. Muitos libaneses estão reclamando que os atentados mortais em Beirute, um dia antes dos ataques em Paris tiveram muito menos atenção. Alguns sírios apontam que Bashar al-Assad matou milhares a mais do que o EI. Todos os lados estão usando os ataques para reforçar suas narrativas: o regime de Assad insiste que está combatendo apenas “terroristas”, em vez de seu próprio povo; no Egito Abdel-Fattah al-Sisi usa a ameaça extremista para justificar a regra da mão de ferro. Uma segunda rodada de conversações de paz sobre a Síria neste fim de semana obteve pouco progresso. Os grandes vencedores até agora são os principais aliados do Ocidente, os curdos. Eles estão propensos a tirar proveito de mais ataques aéreos para expandir seu território.

Para entender (ou compreender menos ainda) as complexas relações entre os diversos agentes que atuam no Oriente Médio, veja a figura abaixo.

Middle Eastern relationships

Não tenho dúvida que os territórios ocupados pelo EI no Iraque e na Síria serão reconquistados e este grupo perderá grande parte do seu poderio bélico. Infelizmente tenho convicção que esta futura vitória militar não trará paz para o mundo e estabilidade para o Oriente Médio em particular.

Não farei uma detalhada análise sobre as causas do agravamento dos conflitos na região ou o aumento da violência dos terroristas mundo afora. Apenas levantarei alguns pontos para reflexão.

Em primeiro lugar e acima de tudo, tão importante quanto neutralizar militarmente o Estado Islâmico é apoiar social e economicamente a enorme população muçulmana pobre. Estas pessoas marginalizadas são a matéria prima para pseudolíderes religiosos radicais. Como apresentei no artigo “A Ignorância, o Atraso e o Oportunismo” de 2012, metade da população de analfabetos do mundo é muçulmana e dois terços deste total são mulheres. Sem empregos, sem educação e saúde, a juventude muçulmana carente vira presa fácil dos aliciadores de grupos terroristas. Isto vale inclusive para os jovens que vivem na periferia de Paris ou outra cidade europeia.

Sem dúvida, uma ação diplomática ampla também deve ser feita. Existe uma janela de oportunidade, na qual os atores principais têm um inimigo em comum – o Estado Islâmico. As diversas linhas do Islã – sunitas, xiitas e alauitas sírios, além dos curdos e dos governos do Irã, Iraque, Arábia Saudita, Turquia, Egito, Síria, Israel, Estados Unidos, Rússia e Comunidade Europeia deveriam buscar um grande acordo em busca da paz e estabilidade na região.

Na Primeira Grande Guerra Mundial, a Alemanha foi derrotada e o acordo de paz, assinado em Versalhes na França, foi terrível para o país. Anos depois, o Nazismo ascendeu na Alemanha com o que parecia ser a única forma para reverter aquela situação. Derrotas humilhantes e acordos de paz parciais e injustos causam revolta entre a população e favorecem o surgimento de lideranças populistas. Durante uma guerra, cada bombardeio que atinge uma escola ou um hospital gera novas vítimas inocentes. Serão os mártires a serem explorados por estes regimes violentos.

Outro ponto é a interpretação literal do Alcorão pelo Estado Islâmico, sem o entendimento que a peregrinação de Maomé (Profeta Muhammad) ocorreu no início do século VII. Também não são consideradas as mensagens de perdão e compaixão contidas nesta escritura. Da mesma forma, a Bíblia tem livros que regulamentam o comportamento dos fiéis – Levítico e Deuteronômio. Por exemplo, se a filha de um sacerdote se prostituir, deve ser queimada viva diante de todos de acordo com o Levítico 21:9. Um filho muito rebelde, que não obedece a seus pais, pode ser condenado à morte por apedrejamento, conforme Deuteronômio 21:18-21.

Os homens e mulheres bombas seguramente não são perdoados pelo Alcorão. Não sei se alguma religião incentiva ou, pelo menos, perdoa o suicídio. Ou seja, esta é mais uma exploração da ignorância e da completa falta de significado da vida de um ser humano usado como um objeto descartável a favor dos interesses de líderes inescrupulosos.

Quando o Xá Reza Pahlevi foi deposto pela revolução islâmica do Irã, no final dos anos 70, o seu líder, Aiatolá Khomeini, virou a representação do Mal no Ocidente.

Aiatolá Khomeini com uma criança (foto bem diferente das publicadas usualmente no Ocidente)

Aiatolá Khomeini com uma criança (foto bem diferente das publicadas usualmente no Ocidente)

Os Estados Unidos armou o Iraque de Saddam Hussein para lutar contra o Irã para impedir que outros países da região se transformassem em Estados islâmicos. Na mesma época, ainda sob a Guerra Fria, os americanos apoiaram a resistência às tropas soviéticas no Afeganistão. Diz-se que o Al-Qaeda de Osama Bin Laden recebeu armas, dinheiro e treinamento dos americanos durante este conflito. O Afeganistão ficou esquecido e em ruínas após a dissolução da União Soviética em 1989. O Al-Qaeda revoltou-se contra os americanos que eram aliados de Israel na região e, em 11 de setembro de 2011, protagonizaram uma série de atentados em solo americano, culminando com a destruição das torres gêmeas do World Trade Center em New York. Em represália, os Estados Unidos invadiu o Afeganistão, atrás de Bin Laden. Depois invadiu pela segunda vez o Iraque, caçou Saddam Hussein e o país se transformou em um barril de pólvora. Acabou surgindo uma dissidência ainda mais radical do que o Al-Qaeda, nascia o Estado Islâmico, cujo objetivo é a criação de um califado no Iraque e Síria.

Ou seja, se apenas a opção militar for considerada, teremos novos e mais terríveis capítulos desta história. Diplomacia e investimentos econômicos e sociais são indispensáveis. Esta crise é uma grande oportunidade!

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A Direita, a Esquerda e o Papa Marxista

Este negócio de direita e esquerda começou em 1789, durante a Revolução Francesa, quando no lado direito da Assembleia ficavam os Girondinos (moderados); e na esquerda, os Jacobinos (radicais e mais exaltados). Os Girondinos queriam instituir uma monarquia constitucional na França; os Jacobinos, a república. O tempo passou e as palavras direita e esquerda passaram a designar diferentes correntes de pensamento político e econômico. Em algumas ocasiões, a direita passou a representar a manutenção do status quo; e a esquerda, a mudança.

Desenho de Jacques-Louis David sobre um episódio da Revolução Francesa

Desenho de Jacques-Louis David sobre um episódio da Revolução Francesa

Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo se dividiu em dois blocos. A esquerda passou a ser representada pelo bloco socialista ou comunista, liderado pela União Soviética. Um aspecto deve ficar bem claro, os regimes do leste europeu eram ditaduras, nas quais liberdades e direitos civis foram suprimidos. Da mesma forma, existiam ditaduras na América Latina, que se opunham à esquerda, e empregaram alguns métodos muito semelhantes aos dos seus antagonistas. Regimes totalitários devem ser condenados independente da corrente ideológica. Não há nada de bom sem liberdade.

Com a falência do bloco comunista, simbolizada pela queda do Muro de Berlim em 1989, muitos passaram a considerar a esquerda como sinônimo de atraso e ineficiência. Nas últimas décadas, podemos considerar que a direita é representada pelo pensamento liberal conservador. Quem pensa diferente muitas vezes é ridicularizado e desacreditado como se só existisse uma forma de ver a realidade. De acordo com esta forma de pensar, o egoísmo humano é considerado irremediável. Assim sendo, não se deve lutar contra esta característica ou sentir-se culpado por demonstrá-la. Na área econômica, cada indivíduo deve buscar a maximização de seu lucro, seu bem-estar, sua riqueza. O economista americano Milton Friedman, conselheiro do governo do ditador chileno Augusto Pinochet e influenciador dos presidentes americanos Nixon e Reagan, define perfeitamente, neste contexto, qual é a função social das empresas:

“Há poucas coisas capazes de minar tão profundamente as bases de nossa sociedade livre como a aceitação por parte dos dirigentes das empresas de uma responsabilidade social que não seja a de gerar tanto dinheiro quanto possível para seus acionistas. Trata-se de uma doutrina fundamentalmente subversiva. Se homens de negócios têm outra responsabilidade social diferente de maximizar o lucro para seus acionistas, como poderão eles saber qual seria esta responsabilidade? Podem os indivíduos decidir o que constitui o interesse social? Podem eles decidir que carga impor a si próprios e a seus acionistas para servir ao interesse social? É tolerável que funções públicas como imposição de impostos, despesas e controle sejam exercidas pelas pessoas, que estão no momento dirigindo empresas particulares, escolhidas para estes postos por grupos estritamente privados? Se os homens de negócios são servidores civis e não empregados de seus acionistas – então, numa democracia, eles serão, cedo ou tarde, escolhidos pelas técnicas públicas de eleições e nomeações.”

Milton Friedman

Milton Friedman

Ou seja, o administrador da empresa deve apenas maximizar o lucro dentro dos limites legais requeridos, nada mais. O impacto econômico positivo da atividade econômica trará os benefícios para a sociedade. Este pensamento parece ser utópico e simplista. Se um país ou uma comunidade estiver preso em um círculo vicioso de pobreza, poderá ficar eternamente condenado a esta situação, porque não haverá estímulo à atividade econômica e, deste modo, não haverá progresso social.

Se um país ou estado tiver exigências ambientais menos restritivas ou fiscalização mais frouxa, uma empresa poderá optar por se instalar nesta região para reduzir seus custos, maximizando seus lucros. Segundo Friedman, esta seria a atitude que os acionistas esperariam do CEO da empresa. Se a comunidade passaria a ter seu rio poluído, com menos peixes, ou o ar com substâncias nocivas à saúde, esta preocupação não deveria afetar este CEO, porque sua missão é maximizar o lucro dos acionistas da empresa dentro da legalidade.

Poderia dar outros exemplos, como alimentos com ingredientes nocivos à saúde ou medicamentos com efeitos colaterais, mas acredito que a distorção causada pelo liberalismo econômico defendido por Friedman já está clara. O problema pode ser agravado, se as empresas, através de lobbies, usarem seu poderio econômico para influenciar na legislação que rege suas atividades.

O mais curioso é que uma parcela expressiva da direita alia, ao liberalismo econômico, uma postura conservadora em relação às questões sociais e comportamentais. São contrários à ampliação dos direitos das minorias, especialmente dos homossexuais, ou programas sociais – cotas raciais ou econômicas, complementação de renda, universalização da saúde, etc..

Sem dúvida o capitalismo é muito mais eficiente economicamente do que o comunismo. Existe estímulo muito maior para a evolução tecnológica e a busca pela eficiência, mas o consumismo é um dos pilares para a manutenção do crescimento econômico. Vivemos em um planeta que possui limites e, se todos os habitantes da Terra passarem a ter padrões americanos de consumo, nossos filhos não terão um ambiente saudável no futuro próximo.

As críticas sobre o Papa Francisco se iniciaram no início de 2015. Liberais conservadores americanos passaram a atacá-lo, dizendo que suas posições são da esquerda marxista. Parece claro que o papa deseja apenas que as distorções causadas pela busca desenfreada de riqueza por alguns e pelo consumismo de muitos sejam repensadas. Com este modelo de capitalismo, será difícil viver em um mundo socialmente mais justo e ecologicamente mais equilibrado.

Papa Francisco recebe polêmico presente de Evo Morales (Foto: Osservatore Romano)

Papa Francisco recebe polêmico presente de Evo Morales (Foto: Osservatore Romano)

Francisco sugere a leitura do “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” publicado em 2006 durante o papado de João Paulo II. A propriedade privada é defendida nesta obra desde que atenda uma função social e todos tenham condições de adquirir a sua. Parece justo…

Se pensarmos unicamente na figura de Jesus Cristo, veremos que sua opção foi pelos pobres e injustiçados. O Reino de Deus, antes de ser um jardim onde ficaremos após a morte, é a Terra em que os humanos viverão um dia, onde haverá justiça e melhor divisão das riquezas. Se Cristo lutava por justiça social como um revolucionário de esquerda adepto da não violência, por que Marx, por exemplo, rejeitou a Igreja Católica? A Igreja havia perdido há séculos completamente sua ligação com o social, apoiando os poderosos, a manutenção da escravidão de negros ou a exploração de indígenas.

Francisco quer que os cristãos não façam leituras mecânicas dos Evangelhos, mas que os vivenciem genuinamente, buscando promover justiça para todos. Isto não tem a ver com ser comunista ou marxista, tem a ver com ser um cristão de verdade. Esta é a volta aos ensinamentos originais de Jesus. Não é assistir a missa dominical para ter os pecados expiados, é deixar o egoísmo de lado e ajudar os outros.

“Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes” (Mt 25,40).

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O Direito sobre a Própria Vida e a Própria Morte

Em agosto do ano passado, na hora do jantar, chegou a notícia da morte do ator Robin Williams. Na sequência, foi revelado que o ator americano havia se suicidado. Lembramo-nos de vários filmes de Williams, onde a mensagem otimista era a tônica. Ele passava por uma profunda depressão e, naquele momento, preferiu acabar com a própria vida.

Robin Williams tinha condições de levar a cabo seu desejo de não viver mais, mas existem pessoas que precisam de ajuda para ter suas vontades atendidas. Para estas pessoas cada dia de vida é um sofrimento terrível e a morte seria um verdadeiro alívio. Questões éticas e morais inexplicáveis impedem que os desejos destas pessoas sejam atendidos e cada um passa a seguir sua própria “Via Crúcis”.

Na edição de 19 de julho de 2014 da revista The Economist, havia um artigo sobre o suicídio assistido. Leia a história abaixo.

Depois de sofrer um acidente vascular cerebral numa viagem de negócios, Tony Nicklinson, um ex-jogador de rugby e paraquedista, desenvolveu síndrome do encarceramento, uma doença incurável que deixa o paciente consciente, mas incapaz de se mover ou falar. Nicklinson aprendeu a se comunicar através do piscar os olhos e, assim, foi capaz de descrever seu terrível sofrimento. Preso em sua cela corporal sem nenhuma chance de escapar, ele queria morrer. Mas como a Grã-Bretanha não permite o suicídio assistido, o seu “pesadelo de vida” continuou.

Em poucos lugares do planeta, o suicídio assistido é legal: nos chamados Países Baixos (Holanda, Bélgica e Luxemburgo), na Suíça, no Canadá, onde a Suprema Corte do país derrubou recentemente a proibição, e em cinco estados norte-americanos.

Na Holanda e na Bélgica, inclusive há regulamentação aplicável a crianças e adolescentes com idade entre 12 e 16 anos. Você pode pensar que aí já é demais, mas veja esta outra história que li ontem no site da BBC Brasil. Valentina Maureira tem 14 anos e sofre de fibrose cística, uma doença hereditária, degenerativa e incurável que afeta seus pulmões, fígado e pâncreas.

Valentina Maureira

Valentina Maureira

Valentina publicou um vídeo no seu perfil do Facebook, onde faz o seguinte apelo à presidente chilena, Michelle Bachelet:

– Peço com urgência para falar com a presidente, porque estou cansada de viver com esta doença e ela pode autorizar a injeção para que eu durma para sempre.

A menina já perdeu o irmão mais velho, que morreu aos 6 anos de idade, e um grande amigo, companheiro de tratamento no hospital. Para a reportagem da BBC, ela disse as seguintes frases:

– Ele era um dos meus melhores amigos e, mesmo dando 100% de si, sofria. Vê-lo morrer me chocou.

– São 14 anos de luta, todos os dias, e para minha família tem sido pior. Estou cansada de seguir lutando, porque vejo sempre o mesmo resultado. É muito cansativo.

– É sobre a minha qualidade de vida. É isso que não tenho.

Como a eutanásia e o suicídio assistidos são proibidos no Chile, o sofrimento de Valentina deve continuar…

Se você ficou curioso sobre o desfecho do caso do inglês Tony Nicklinson, leia a tradução do final do artigo do The Economist.

Depois de ter sido negado o direito de morrer pela alta corte da Grã-Bretanha em 2012, ele recusou comida e finalmente sucumbiu à pneumonia.

A questão fundamental a ser discutida é o direito das pessoas de viverem e morrerem com dignidade. A maioria dos Estados modernos, incluindo o brasileiro, é laica. Assim questões religiosas não deveriam obstruir o livre arbítrio das pessoas sobre a interrupção de suas próprias vidas. Forçar uma pessoa a viver em constante sofrimento revela uma completa falta de compaixão e misericórdia.

Fontes:

http://www.economist.com/news/leaders/21607854-most-people-western-world-favour-assisted-suicide-law-should-reflect-their

http://www.economist.com/news/international/21607888-small-group-countries-helping-someone-die-not-crime-where-go-die

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150226_chile_apelo_hb

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Post 200 – Retrospectiva

Este é o ducentésimo (por que não é “duzentésimo”?) post publicado neste blog.

200-posts

Normalmente o centésimo é mais festejado, talvez pela introdução do terceiro dígito na contagem do número de posts, mas não posso perder a chance de fazer uma retrospectiva dos últimos cem posts publicados.

Vários posts foram inspirados por filmes. “Diários de Motocicleta” ajudou a contar a história da formação da consciência social de Che Guevara. “As Aventuras de Pi” tratou de temas como religiosidade e espiritualidade. “Amour” tratou dos sacrifícios extremos assumidos em nome do amor. “Meia-Noite em Paris” inspirou uma discussão sobre “O Passado e o Futuro”. “Ela” (título original Her) trouxe à tona as maravilhas e os perigos da inteligência artificial meio ano antes do físico Stephen Hawking externar seus temores sobre o assunto (fiquei bem acompanhado desta vez…).

Outros posts resgataram fatos históricos, como as descobertas e invenções de Heron de Alexandria ou o ato heroico de Sérgio Macaco que evitou centenas de mortes durante os anos de chumbo no Brasil. O próprio golpe militar foi protagonista de um post, onde reafirmei minha certeza que a democracia é o único caminho. As semelhanças dos casos de Napoleão Bonaparte e Eike Batista também renderam um post. E a guerra, o ato mais estúpido do ser humano, foi meu alvo após uma visita a Les Invalides em Paris,”Pra Não Dizer que Não Falei das Flores“.

O nascimento de nossa caçula, Luiza, recebeu um post superespecial – “A Maior Emoção da Minha Vida”. A Claudia deve futuramente fazer um post mais aprofundado sobre o parto humanizado.

Alguns posts trataram das minhas visões pessoais sobre família, amor pelos filhos (“Quando nos sentimos pais”) e educação dos filhos (“O que Dar e o que Esperar do Futuro de Nossos Filhos”). Afinal minha riqueza não deve ser medida pelos meus bens materiais, mas pela qualidade dos meus relacionamentos e “Eu Sou um Homem Rico”.

As questões do exibicionismo e da privacidade foram discutidas em dois posts, o primeiro sobre o BBB e o segundo que também trata do monitoramento da vida privada das pessoas pelos Estados – “Privacidade, Intromissão e Exibicionismo”. A propósito este post foi publicado quatro meses antes das denúncias de Edward Snowden.

As religiões e a manipulação dos fiéis por líderes inescrupulosos são fontes inesgotáveis de inspiração. Não escaparam deste blog o Islamismo, a igreja católica, representada pelos papas Bento XVI e Francisco, e nem mesmo “Deus, Sempre Ele”.

Dediquei dois posts para uma das piores figuras públicas da atualidade, o russo Vladimir Putin, sobre seu ecomarketing e sobre a Crimeia. Muito, mas muito menos importante, o ex-prefeito de Novo Hamburgo, Tarcísio Zimmermann, também foi “agraciado” com dois posts, enquanto tentava se reeleger antes de ser cassado devido à Lei da Ficha Limpa.

Em outros três posts, procurei comentar como nossos pensamentos podem ser nossos maiores aliados ou inimigos – “Como a Matrix de Neo e a Caverna de Platão nos Mostram a Realidade”, “Memórias e os Fantasmas do Passado” e “Como Assassinamos Nossos Insights”. Na mesma linha, escrevi mais dois posts – “O Medo” e “A Autossabotagem”.

A culinária vegana manteve seu lugar de destaque – moqueca de tofu, ratatouille, torta de sorvete, estrogonofe ou como preparar proteína texturizada de soja.

Aventurei-me em novos territórios – primeiro escrevi uma história infantil sobre bullying (“A Bruxinha Totute”); depois um poema no meio da “Turbulência” de um voo entre a França e o Brasil; mais um conto de ficção científica dividido em cinco partes sobre a expansão da humanidade em outros sistemas planetários e sua incontrolável ambição (“A Fonte da Juventude de Perennial”). Para finalizar escrevi, na semana passada, uma história que mescla ciência e religião (“Projeto Gaia – Experiência Final”).

Vários posts tiveram como inspiração as manifestações de junho do ano passado. Iniciei com “Os Protestos e a Verdadeira Democracia”, na sequência sugeri como próximo alvo a finada PEC 37/2011. Imaginem como ficaria a investigação da “Operação Lava Jato”, se o poder de investigação do Ministério Público Federal fosse tolhido? A melhoria nos serviços públicos de saúde foi um dos principais alvos dos manifestantes e o governo federal reagiu com a criação do “Programa Mais Médicos” que inspirou um artigo. Em breve, voltarei a escrever sobre a política brasileira.

Tentei desvendar os mistérios da satisfação pessoal em ”Não Esqueçam seus Objetivos Pessoais no Avião” e “Salário Motiva os Funcionários?”.

Questões éticas com animais foram tratadas em “Golfinhos de Guerra” e “Sofrer e Amar não são Exclusividades dos Humanos”.

A sustentabilidade ambiental também teve destaque com artigos sobre reciclagem de metais raros de telefones celulares, reciclagem de fósforo e da influência do consumo de carne na degradação do meio ambiente.

Este blog não é mais somente meu. A Claudia estreou em grande estilo com o post que conta como virou vegetariana, “Eu, a carne e a berinjela…”. Sinto que o respeito aos vegetarianos cresce a cada dia como retratei no post “Vitória Vegetariana”. E aqui entre nós, “Por Que Comer Carne?”.

A Copa do Mundo de Futebol realizada no Brasil em 2014 rendeu dois posts, “A Copa do Mundo Envergonhada” e “Como o Futebol Brasileiro foi Massacrado pelo Alemão”. Dentro da esfera futebolística, publiquei mais dois post “De Volta para o Meu Lugar”, sobre a reabertura do Beira-Rio, e “Fernandão, Vida, Morte e Piscadas”, sobre o morte do ídolo colorado Fernandão.

A seca em São Paulo que ameaça o fornecimento de água à população do estado também inspirou dois posts – “o que fazer quando a água acabar?” e “as medidas que evitariam a crise de abastecimento de água”. Apesar das excelentes chuvas dos últimos dias, o risco continua…

Falei sobre os mais variados assuntos, das “Gambiarras” ao “Portuglish ou Portunglês”, do show de Yusuf Islam em São Paulo aos “Múltiplos Papéis da Mulher no Mundo Atual”, dos conflitos entre judeus e palestinos em “O Escudo Humano” aos problemas da economia americana em “Obama e o Dilema Capitalista”, do racismo contra o goleiro Aranha a “Os Psicopatas, os Hiperativos, os Estranhos e os Normais”. Afinal “As Pessoas são Diferentes – Que Bom!!!”.

Agradeço a todos que acompanham nosso blog, espero críticas e sugestões para os assuntos dos próximos cem posts e lembro, mais uma vez que tento não falhar e fazer “Jornalismo Profundo como um Pires“ e “Eu Não me Chamo “Martho Medeiros”.

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Projeto Gaia – Experiência Final

Um cientista observa atentamente várias telas digitais, onde eram apresentados dados e imagens. Ao seu lado, dezenas de imagens holográficas tridimensionais de moléculas de DNA eram projetadas. Naquele instante, um colega entrou no laboratório, lhe cumprimentou animadamente e perguntou o que ele estava fazendo. A resposta foi lacônica:

– Projeto Gaia!

– Humm… O chefe quer acabar com este projeto! Você é nosso maior especialista em vida sintética. As estruturas de DNA que você cria têm tantas alternativas para ativar e desativar os genes que geram biodiversidade mais rápido do que qualquer outro membro do nosso time. Além disto, você monta sistemas complexos autônomos que possuem equilíbrio e resiliência incríveis. Por que você não larga o “Gaia” e vai para o próximo desafio? Parece que o cronograma do Projeto “Nexus Universal” é muito apertado e sem teu conhecimento e competência, não vamos conseguir atender as metas no prazo…

dna hologram

– Tem uma espécie que criei no “Gaia” que é muito interessante, está multiplicando-se cada vez mais rápido, com isto está consumindo recursos e desequilibrando Gaia. Eu já induzi cinco ondas de extinção, Gaia sempre consegue buscar um novo equilíbrio e uma nova biodiversidade é desenvolvida. Desta vez, uma sexta onda de extinção está em andamento causada por esta espécie. Nas outras vezes, eu causei enormes extinções de seres vivos. Já congelei as águas da superfície de Gaia, já aqueci o seu interior até que metal fundido extravasasse na sua superfície, já lancei objetos contra sua superfície – cometas ou meteoritos. Agora é uma espécie, teoricamente a mais evoluída de todas deste sistema, não é um simples vírus, que está ameaçando a vida das demais que coabitam Gaia.

Após a última frase, ele deu um sorriso enigmático e deixou o colega realmente intrigado com aquela situação.

– Mas como uma espécie pode ser mais evoluída e, ao mesmo tempo, destruir o ambiente onde vive, causando sua própria extinção? Isto não faz sentido!

– Eu criei um gatilho do DNA desta espécie que ativa um gene gerador de uma verdadeira compulsão para consumir cada vez mais. Quanto mais come, por exemplo, mais quer comer, incluindo a carne de outros animais. Chega ao ponto de consumir muitos recursos para criar animais somente para alimentá-los, mesmo com uma série de alternativas menos prejudiciais para Gaia. As modificações causadas pela ação desta única espécie estão gerando incríveis desequilíbrios em todo sistema.

– Parece interessante, mas esta experiência ainda pode demorar muito tempo…

– Agora a temperatura média de Gaia está subindo perigosamente. Isto é causado pelos padrões de consumo desta espécie que lança certos gases, como o gás carbônico e o metano, que absorvem a radiação infravermelha, impedindo que o calor saia de sua atmosfera e volte para o espaço. Assim, o gelo da superfície de Gaia está derretendo, suas águas doces estão poluídas e ficando cada vez mais escassas, suas águas salgadas estão ficando mais ácidas, o clima de Gaia está mudando radicalmente e as outras espécies estão desaparecendo. Pode avisar o chefe que esta etapa do teste deve estar concluída em menos de 100 ciclos completos de Gaia.

– Ah bom! Não vai demorar muito. Ele vai gostar desta informação. Pode deixar que eu acalmo a fera. Só me diz mais uma coisa e eu te deixarei em paz até o final deste teu experimento. Como se chama esta espécie terrível que você criou?

– Homem!

– Interessante… Até mais… Tchau!

gaia

O cientista voltou a ficar só em seu laboratório, onde criava novas formas de vida e sistemas complexos de conexão entre seres vivos evoluídos. De repente divagou sobre o que acontecia em Gaia:

– Criei um local inóspito há mais de 4 bilhões de ciclos. Depois criei a vida neste lugar há centenas de milhões de ciclos. Depois de alguns aprimoramentos, vi surgir o Homo sapiens há apenas 100 mil ciclos. Os genes consumistas que poderão causar a destruição da humanidade só foram ativados em grande escala há uns 250 ciclos com a chamada Revolução Industrial.

– Eles não imaginam com são pequenos, são apenas uma experiência no meu laboratório entre tantas deste instituto de pesquisa. Eu sou seu Deus ou seu Alá. Eu sou a tríade de deuses hindus. Fui Brahma ao criar este pequeno universo, mas meu chefe quer que eu seja Shiva e destrua tudo e comece algo novo. Torço que o ser humano se salve, mas, caso ele não consiga evoluir rápido o suficiente, serei o terceiro deus hindu, Vishnu, e manterei Gaia viva a espera da evolução de novas espécies, daqui uns milhões de ciclos, que saibam cuidar bem de suas maravilhas.

Brahma, Vishnu e Shiva

Brahma, Vishnu e Shiva

– De repente senti uma vontade de interferir neste teste e reduzir a expressão deste gene do consumismo. Será que uma ponta de vaidade está se apossando de mim? Será que eu quero continuar a ser o Deus desta estranha espécie?

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O Escudo Humano

Ele era o inimigo público número 1, como se dizia nas histórias policiais. Mais de cinquenta assassinatos eram atribuídos diretamente a ele, incluindo alguns policiais e duas famílias inteiras mortas com requintes de crueldade. Finalmente a polícia o encurralou na casa daquela família. O criminoso queria negociar:

– Minha vida pelas vidas das pessoas desta casa!

Ele queria um “salvo-conduto”, mas a polícia estava inflexível, não haveria negociação! Quando ele chegou à janela, usou uma filha do casal como escudo. Queria mostrar que não estava brincando e mataria todos, se a polícia tentasse entrar na casa. O atirador da polícia não teve dúvida e atirou, o bandido e a criança caíram mortos no chão da sala.

Os policiais se abraçaram e festejaram o sucesso da operação. O criminoso mais perigoso da região não mataria mais ninguém. Infelizmente aquela criança inocente acabou morrendo, mas, se o assassino tivesse saído livre daquela casa quantos inocentes ele mataria?

hostage

O criminoso havia usado uma criança como seu escudo humano, presumindo que isto inibiria uma ação mais violenta da polícia. Evidentemente a esmagadora maioria das pessoas não concordaria com o desfecho desta história fictícia. Não se pode aceitar que para “eliminar” uma ameaça se sacrifique um inocente.

Não farei uma análise profunda sobre a guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Apenas seguirei a mesma linha da história que inventei há pouco.

Até agora centenas de civis palestinos, incluindo muitas crianças, morreram devido aos bombardeios de Israel à Faixa de Gaza. O governo israelense afirma que não está lançando bombas sobre civis e que a culpa é do Hamas que tem seus esconderijos e arsenais sob escolas e hospitais. Seria a mesma resposta que o policial que matou a criança-refém daria:

– Não atirei na criança! Atirei no assassino!

Por outro lado, Israel possui o melhor sistema antimísseis do mundo, o “Iron Dome” (Cúpula de Ferro). Graças ao seu sistema de defesa, felizmente há raríssimas baixas civis no lado israelense. Ou seja, os mísseis do Hamas não são uma ameaça tão terrível para a população do país.

Uma bateria antimísseis do Iron Dome (fonte: businessweek.com)

Uma bateria antimísseis do Iron Dome (fonte: businessweek.com)

Enquanto isto, além de vários prédios com civis, duas escolas da ONU com refugiados foram atingidas na Faixa de Gaza. Cada palestino que perde um irmão, cada filho que perde os pais ou cada pai que perde um filho torna-se um novo potencial recruta do Hamas. O ódio e a intolerância são realimentados e geram um círculo vicioso de violência. Israel não ganha nada com isto!

Escola da ONU em Gaza bombardeada por Israel (fonte: nbcnews.com)

Escola da ONU em Gaza bombardeada por Israel (fonte: nbcnews.com)

A paz só se tornará uma realidade naquela região, se houver tolerância, diálogo e ajuda humanitária entre os povos. Assim será construída a verdadeira e duradoura paz. Armas, bombas e violência de ambos os lados não construirão a paz. Como já falei neste blog, não há razão religiosa para esta guerra, porque Jeová, Deus e Alá são o mesmo Ente Supremo. Abraão e Moisés estão entre os principais profetas do Islã, assim como João Batista e Jesus Cristo.

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