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Eu Não me Chamo “Martho Medeiros”

Faz quase quatro anos que mantenho este blog ativo e tenho publicado artigos todas as terças-feiras desde julho do ano passado, incluindo até a terça de carnaval. Confesso que algumas vezes não foi fácil encontrar algum assunto interessante. No penúltimo domingo, a Claudia me perguntou qual seria o assunto do próximo artigo. Eu comentei que escreveria sobre o reciclo de fósforo. Na sequência, completei:

– O número de acessos diretos através das redes sociais será baixo. Este tipo de artigo mais técnico tem pouco acesso.

Eu tinha assistido a algumas apresentações em uma feira sobre sustentabilidade na Alemanha e queria compartilhar algumas informações interessantes sobre reciclagem. Estava certo, não tive dez acessos diretos ao artigo, somando Facebook, Twitter e Linkedin. Tudo bem, não tenho como saber quantos dos assinantes diretos do blog, além da própria Claudia, leram este artigo… Alguns ainda dirão maldosamente que a “coitada” da Claudia é obrigada a ler tudo que eu escrevo, mas é mentira! Eu só tenho que obrigá-la a ler os posts sobre futebol…

Desde que criei meu blog, decidi que me manteria fiel a sua missão e escreveria sobre tudo o que me interessa. Alguns artigos fizeram mais sucesso; outros, muito pouco… Sinceramente, gostaria de ter milhares de acessos diários, mas não deixaria de publicar artigos que nasceram de uma boa reflexão e, ao escrevê-los, consegui resolver as maiores (só as maiores) inconsistências do meu pensamento. Muitas vezes não consigo solucionar meus conflitos, em relação ao tema, em uma ou, pior, duas páginas. Se a pessoa não se sente atraída por determinado tema, como vai suportar a leitura de um longo artigo? Parece impossível resumir tudo a poucos “tweets” de 140 caracteres…

Twitter

Meus sucessos (guardadas as devidas proporções) foram os artigos que tratavam de temas pessoais, como relacionamentos, ou os profissionais, como autorrealização e sucesso na carreira. Nesta hora, me dei conta de um dos motivos do sucesso da escritora Martha Medeiros.

Martha Medeiros

Martha Medeiros

Não sou um leitor frequente de suas colunas no jornal, mas acho seu estilo muito interessante. Ela apresenta temas, aparentemente simples do dia a dia, com sua visão de mundo, chegando a uma conclusão que eu concordo integralmente – não se preocupe com os rótulos e não se estresse em seguir os modelos de sucesso dos livros e revistas, ache seu modelo e seja feliz do seu jeito. E mais, sofrer de vez em quando também é normal.

Apesar dos meus textos de maior sucesso seguirem esta linha, eu não sou o “Martho Medeiros”!

Quero ter a mais completa liberdade no meu blog de baixar a lenha no ex-prefeito de Novo Hamburgo por causa de seus desmandos, como se minha antiga cidade no Rio Grande do Sul fosse a Antares de Érico Veríssimo ou a Lagoa Branca do excelente “Tambores Silenciosos” de Josué Guimarães. Afinal a política de Novo Hamburgo era a representação do pior da política brasileira (sobre a qual também escrevi)…

Quero falar livremente das religiões! Por que não questionar o Islamismo, o Judaísmo e o Cristianismo? Pior do que seguir cegamente alguma coisa, é ser manipulado por um líder sem escrúpulos. As escrituras não devem ser usadas literalmente fora do contexto da época. Não se pode destacar as passagens que interessam e omitir as que não interessam.

Quero escrever sobre futebol, sem deslumbramentos, apesar da maravilha que é meu Internacional, nem com aquele surrado chavão de “ópio do povo”.

Quero falar sobre tecnologia, meio ambiente, sobre o futuro da humanidade… Sou um otimista, apesar de ter certeza que o caminho até este futuro radioso não será um passeio no parque.

Quero falar sobre a ética como algo absoluto, jamais relativo. As circunstâncias que explicam os desvios de comportamento devem ser discutidas sem preconceitos, entendidas e alteradas.

Sei que muitas pessoas buscam algum conforto para seus problemas imediatos. Ler uma coluna da Martha Medeiros que ajude a perceber que você não é o único do mundo que sofre com certo tipo de dor é bom. Talvez por isto, as mulheres são suas maiores fãs. Como já escrevi no meu blog, as mulheres são pressionadas atualmente para serem mães, esposas, amantes e profissionais perfeitas. Sejam as melhores de acordo com suas possibilidades, porque perfeição total não existe! Quando eu escrevo sobre este tipo de assunto, existe sempre uma motivação pessoal, nasce dentro de mim ou da observação de uma pessoa próxima. O diabo é que ainda tenho aquela ideia de querer ajudar a salvar o mundo, por isso também tenho que escrever sobre política, religião, economia, tecnologia, meio ambiente…

Eu e Martha, sem dúvida, concordamos que escrever liberta, como pode ser visto neste trecho de uma entrevista:

– Para mim, escrever é libertador sempre. Posso ter sofrimentos meus pessoais, mas que na hora que começo a escrever começam a se dissolver. O ato da escrita não é sofrido. Sofrida é a vida. O ato de escrever, para mim, é mais cura do que sofrimento.

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A Humanidade é Desumana

Todo o dia ligamos a TV e vemos uma quantidade impressionante de imagens que provam que a humanidade vai de mal a pior. Eu, algumas vezes (talvez devesse ser quase o tempo todo…), me sinto um verdadeiro louco, porque defendo exatamente o contrário. A humanidade caminha, na minha visão, para novos estágios de evolução. Hoje se um homem bomba faz um atentado suicida no interior do Afeganistão, imediatamente somos informados pela CNN ou Globo News. De noite, em horário nobre, os diversos telejornais nos apresentam um grande número de tragédias pessoais ou coletivas, violência contra crianças, . crimes ambientais ou contra animais. Não temos como pensar diferente, a humanidade é desumana…

Na quinta-feira, quando cheguei em casa, a Cláudia assistia ao filme sobre Elizabeth I, a “rainha virgem” da Inglaterra, que reinou até o início do século XVII. A quantidade de maldades, perpetradas pelos seus adversários para matá-la, foi impressionante. Por outro lado, seu pai, o Rei Henrique VIII, para casar novamente e tentar um filho homem, inventou o adultério da sua esposa Ana Bolena que foi impiedosamente executada.

Elizabeth I

Elizabeth I

Há algumas semanas, eu e meu filho fomos a exposição sobre Roma no MASP. As histórias sobre os imperadores romanos também apresentam passagens deploráveis. A melhor que vimos é de Agripina. Ela teve um filho no primeiro casamento, Nero. Quando a esposa do imperador Cláudio, Messalina, foi executada por conspiração, ela seduziu o tio e casou-se com ele. Convenceu primeiro a adotar Nero como filho, depois convenceu a escolher Nero como seu sucessor. Quando Cláudio se arrependeu da escolha, envenenou e matou o marido. O pior é que depois Nero cansou da influência da mãe e resolveu matá-la. Fez as tentativas mais bizarras, incluindo até um naufrágio forçado. Finalmente conseguiu matar a mãe.

Nero e Agripina

Moedas com Nero e sua mãe Agripina

Nem falei de Átila, de Genghis Khan, Hitler ou Stalin. Guerras eram eventos normais; torturas, aceitas; assassinatos de inimigos, tolerados; violência, banalizada… Crianças e mulheres eram as principais vítimas no meio disso tudo. A humanidade civilizada admite isto hoje? Claro que não! Por isso, quando vemos na TV este tipo de notícia, achamos que as coisas estão piorando. Acontece exatamente o contrário.

Quando o Legião Urbana compôs a bela “Quando o Sol Bater na Janela do teu Quarto”, todos lembram do verso que usei como título deste post, “a humanidade é desumana”, mas esta música é um hino de otimismo e nos dá pistas sobre como melhorar o mundo.

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Porque esperar
Se podemos começar
Tudo de novo?
Agora mesmo,

A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance,
O sol nasce pra todos,
Só não sabe quem não quer,

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Até bem pouco tempo atrás,
Poderíamos mudar o mundo,
Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor,
E toda dor vem do desejo,
De não sentimos dor,

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só

Hoje podemos mudar o mundo, basta querer! Que mundo vamos deixar para trás? Assisti a um vídeo criado pela ONG Invisible Children na Internet que, apenas no YouTube teve até hoje 67 milhões de acessos. O vídeo pede a captura do rebelde Joseph Kony que faz ações na região central da África, raptando e torturando crianças para formar seu exército. A campanha quer a mobilização da comunidade internacional para atingir este objetivo até o final de 2012. Óbvio que existe controvérsia na web sobre esta ONG e suas reais intenções, mas vale a pena assisti-lo. O link abaixo é para o vídeo com legendas em português.

As redes sociais nos trazem possibilidades nunca antes imaginadas para debate, conscientização e ação. Se o Invisible Children, através desta ação, consegue influenciar o governo americano que não tem interesse político ou econômico na região, imaginem as possibilidades para melhorar o mundo…

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