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As Surpresas de 2016, as Bolhas e o Algoritmo da Felicidade de Mark Zuckerberg

Este ano de 2016 foi fora do normal! Muitos fatos surpreendentes ocorreram e nossa sensação de que é possível prever o futuro ficou muito abalada. Comentarei três episódios da política internacional neste post.

Em junho, os eleitores do Reino Unido optaram pela saída do país da União Europeia, apelidada como Brexit. A vitória foi apertada: 51,9% dos eleitores votaram “sim”; e 48,1%, “não”. O mapa abaixo mostra que a Escócia, Irlanda do Norte e a região de Londres votaram contra a saída da União Europeia, enquanto que o interior da Inglaterra e País de Gales votaram a favor.

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Mapa Reino Unido – Legenda: em azul a favor do Brexit; e em amarelo, contra  (Fonte: Wikipedia)

Mas a maior divisão não foi geográfica; e sim, etária. Veja está pesquisa apresentada no site da BBC. Os mais jovens majoritariamente desejavam a permanência na União Europeia.

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Brexit – Intenção de voto por faixa etária (Fonte: BBC)

Como o Brexit foi aprovado? O próximo gráfico publicado pelo The Independent ajuda a entender melhor o resultado deste plebiscito. A largura de cada barra é proporcional à população. A barra amarela são os contrários ao Brexit e a azul representa os favoráveis. A barra hachurada representa as pessoas não registradas e as pessoas que não compareceram às urnas.

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Brexit – Intenção de voto por faixa etária e abstenção (Fonte: The Independent)

Apenas 36% da população entre 18 e 24 anos e 58% entre 25 e 34 anos votaram no plebiscito. Por outro lado, os mais velhos foram maciçamente às urnas: 81% entre 55 e 64 anos e 83% das pessoas com mais de 64 anos. Os maiores interessados, as pessoas que trabalharão pelos próximos trinta ou quarenta anos, não se mobilizaram para defender sua vontade. Provavelmente este perfil de abstenção muito diferente por faixa de idade causou o erro nas pesquisas pré-eleitorais britânicas. O quadro abaixo resume como foi a votação por faixa de idade. Por outro lado, as projeções favoráveis à rejeição do Brexit podem ter desmobilizado os eleitores contrários à proposta. Após a divulgação dos resultados, houve revolta e pedido para realização de um novo plebiscito.

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O Brexit e a idade dos eleitores (Fonte: https://peterjamesthomas.com/)

No início de outubro, outro resultado surpreendeu o mundo. O acordo de paz entre o governo colombiano e as Farc, que colocaria um ponto final a uma guerra de mais de meio século de duração com mais de duzentas mil mortes, foi rejeitado por apenas 54 mil votos. No plebiscito, o “não” recebeu 50,2% dos votos.

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Pessoas chocadas com o resultado do plebiscito sobre a paz com as Farc na Colômbia (Fonte: BBC)

O mapa abaixo mostra como foi a votação na Colômbia. Destaca-se o resultado no Departamento de Antioquia, cuja capital é Medellín. A propaganda pelo “não” foi muito forte nesta região e garantiu uma vitória por uma margem de mais de 400 mil votos.

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Resultado da votação do plebiscito por departamento da Colômbia  (Fonte: BBC)

A abstenção foi muito alta para uma decisão desta importância – 62,6%. Muitas pessoas ficaram chocadas com o resultado e disseram que estavam tranquilas, porque as pesquisas apontavam para a vitória do “sim”. Felizmente novas rodadas de negociações entre o governo colombiano e as Farc foram realizadas e um novo acordo de paz foi elaborado e, posteriormente, aprovado pelo Congresso da Colômbia.

Para coroar o ano, em novembro, aconteceu a quase inacreditável vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas. Apesar de Hillary Clinton ter recebido cerca de 2,86 milhões de votos a mais do que Trump, ele foi vencedor por conquistar mais delegados nos estados, conforme a regra eleitoral dos Estados Unidos.

Com raras exceções, o candidato que vencer a eleição em um estado leva todos os seus delegados. O candidato que obtiver o maior número de delegados é eleito presidente. O mapa abaixo, onde o tamanho de cada quadrado representa o número de delegados em disputa, mostra o resultado da eleição americana e ajuda a entender a sua regra.

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Eleição presidencial americana 2016  (Fonte BBC)

Os três próximos gráficos, copiados do site da BBC, mostram as intenções de votos para presidente de acordo com gênero, raça e idade.

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Eleições americanas – intenções de voto por gênero

 

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Eleições americanas – intenções de voto por raça

 

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Eleições americanas – intenções de voto por faixa etária

A conclusão, após ver estes gráficos acima, é óbvia – homens brancos de meia idade elegeram Donald Trump como presidente do Estados Unidos. Mas este grupo específico não é o majoritário da população americana. Se todas as mulheres que declararam seu voto para Hillary comparecessem às urnas, por exemplo, dificilmente Trump venceria. Provavelmente a abstenção dos eleitores de Trump foi muito menor do que de Hillary… Sites, como FiveThirtyEight, traziam a confiança na vitória de Hillary no dia da eleição (veja a figura abaixo).

O cineasta Michael Moore, quase quatro meses antes da eleição, publicou uma carta no seu site intitulada “5 motivos pelos quais Donald Trump será o próximo presidente dos Estados Unidos”. Você pode ler o texto original, clicando no link abaixo.

http://michaelmoore.com/trumpwillwin/

Ou pode ler a tradução desta carta para o português através deste link.

http://www.brasilpost.com.br/michael-moore/donald-trump_b_11217240.html

Michael Moore acertou em cheio suas previsões. A mais decisiva foi a vitória de Trump nos estados de Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. O Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), apoiado por Hillary Clinton, ajudou a transferir os empregos industriais destes estados para o México. Trump explorou politicamente estes fatos, prometendo represálias para as empresas americanas que fechassem fábricas nos Estados Unidos para abrir no México ou na China. Os outros quatro motivos eram a ameaça à predominância dos homens brancos na política, a impopularidade de Hillary Clinton, a baixa motivação dos eleitores de Bernie Sanders (candidato derrotado por Hillary nas prévias do Partido Democrata) e o voto de protesto.

Nos primeiros parágrafos da sua carta, Moore escreve sobre as pessoas que menosprezam as suas previsões:

Infelizmente, você está vivendo numa bolha anexa a uma câmara de eco, onde você e seus amigos vivem convencidos de que o povo americano não vai eleger um idiota como presidente.

Na verdade, as redes sociais criaram milhões de bolhas, onde nos aproximamos das pessoas que pensam parecido e nos afastamos daqueles que têm opiniões opostas. No Facebook de Mark Zuckerberg, foi criado um algoritmo chamado EdgeRank (figura abaixo),

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Ou seja, se clicarmos, curtirmos ou comentarmos frequentemente as publicações de um amigo, maior será a afinidade e veremos majoritariamente suas atualizações. Se a publicação for curtida, comentada ou compartilhada por muitos amigos, se tornará visível para mais pessoas por mais tempo. Com o passar do tempo, as publicações mais novas terão prioridade e serão exibidas à frente das mais antigas.

A afinidade acaba criando bolhas dentro do Facebook. As motivações desta afinidade podem ser familiares, religiosas, esportivas, causas comuns ou políticas. Não importa, você vai receber novas informações com a mesma visão de mundo das pessoas que pensam parecido com você. Por que Mark Zuckerberg fez isso? Em minha opinião, ele queria criar uma rede social, onde as pessoas sentissem prazer ao ficar muito tempo nela. Se você entra na rede e se irrita na primeira atualização que lê, existe o risco de afastar-se por um bom tempo. Por outro lado, fica mais fácil traçar os perfis dos usuários e suas preferências quando já estão classificados dentro de seus silos específicos. Ou seja, Zuckerberg criou uma ótima ferramenta para maximizar seus lucros, mas novos efeitos colaterais foram criados na sociedade – o aumento da segregação e polarização.

Estas bolhas da Internet ajudaram na vitória do Brexit no Reino Unido, na rejeição do acordo de paz na Colômbia e na vitória de Donald Trump nos Estados Unidos. Afinal “todos meus amigos do Facebook iriam votar como eu, por isso não acredito no resultado desta eleição”.

Daniel Kahneman apresenta, no best-seller “Rápido e Devagar”, uma série de vieses cognitivos (padrões de distorção dos julgamentos). O viés de confirmação é a tendência de buscar informações que confirmem nossa forma de pensar, nossa visão de mundo e, até mesmo, nossos preconceitos. Questionar nossos posicionamentos e opiniões exige um grande esforço de nosso cérebro. Por outro lado, se deixar levar pelo viés de confirmação é fácil e indolor. Ouvir sempre as mesmas pessoas, ler as mesmas revistas e interagir com os mesmos grupos no Facebook ou Twitter só sedimentam as nossas certezas, sem questionamentos.

As redes sociais que ajudaram a vencer as distâncias entre amigos que não se encontram há tempos, agora poderão separá-los definitivamente apenas por terem opiniões divergentes na política.

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Post 200 – Retrospectiva

Este é o ducentésimo (por que não é “duzentésimo”?) post publicado neste blog.

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Normalmente o centésimo é mais festejado, talvez pela introdução do terceiro dígito na contagem do número de posts, mas não posso perder a chance de fazer uma retrospectiva dos últimos cem posts publicados.

Vários posts foram inspirados por filmes. “Diários de Motocicleta” ajudou a contar a história da formação da consciência social de Che Guevara. “As Aventuras de Pi” tratou de temas como religiosidade e espiritualidade. “Amour” tratou dos sacrifícios extremos assumidos em nome do amor. “Meia-Noite em Paris” inspirou uma discussão sobre “O Passado e o Futuro”. “Ela” (título original Her) trouxe à tona as maravilhas e os perigos da inteligência artificial meio ano antes do físico Stephen Hawking externar seus temores sobre o assunto (fiquei bem acompanhado desta vez…).

Outros posts resgataram fatos históricos, como as descobertas e invenções de Heron de Alexandria ou o ato heroico de Sérgio Macaco que evitou centenas de mortes durante os anos de chumbo no Brasil. O próprio golpe militar foi protagonista de um post, onde reafirmei minha certeza que a democracia é o único caminho. As semelhanças dos casos de Napoleão Bonaparte e Eike Batista também renderam um post. E a guerra, o ato mais estúpido do ser humano, foi meu alvo após uma visita a Les Invalides em Paris,”Pra Não Dizer que Não Falei das Flores“.

O nascimento de nossa caçula, Luiza, recebeu um post superespecial – “A Maior Emoção da Minha Vida”. A Claudia deve futuramente fazer um post mais aprofundado sobre o parto humanizado.

Alguns posts trataram das minhas visões pessoais sobre família, amor pelos filhos (“Quando nos sentimos pais”) e educação dos filhos (“O que Dar e o que Esperar do Futuro de Nossos Filhos”). Afinal minha riqueza não deve ser medida pelos meus bens materiais, mas pela qualidade dos meus relacionamentos e “Eu Sou um Homem Rico”.

As questões do exibicionismo e da privacidade foram discutidas em dois posts, o primeiro sobre o BBB e o segundo que também trata do monitoramento da vida privada das pessoas pelos Estados – “Privacidade, Intromissão e Exibicionismo”. A propósito este post foi publicado quatro meses antes das denúncias de Edward Snowden.

As religiões e a manipulação dos fiéis por líderes inescrupulosos são fontes inesgotáveis de inspiração. Não escaparam deste blog o Islamismo, a igreja católica, representada pelos papas Bento XVI e Francisco, e nem mesmo “Deus, Sempre Ele”.

Dediquei dois posts para uma das piores figuras públicas da atualidade, o russo Vladimir Putin, sobre seu ecomarketing e sobre a Crimeia. Muito, mas muito menos importante, o ex-prefeito de Novo Hamburgo, Tarcísio Zimmermann, também foi “agraciado” com dois posts, enquanto tentava se reeleger antes de ser cassado devido à Lei da Ficha Limpa.

Em outros três posts, procurei comentar como nossos pensamentos podem ser nossos maiores aliados ou inimigos – “Como a Matrix de Neo e a Caverna de Platão nos Mostram a Realidade”, “Memórias e os Fantasmas do Passado” e “Como Assassinamos Nossos Insights”. Na mesma linha, escrevi mais dois posts – “O Medo” e “A Autossabotagem”.

A culinária vegana manteve seu lugar de destaque – moqueca de tofu, ratatouille, torta de sorvete, estrogonofe ou como preparar proteína texturizada de soja.

Aventurei-me em novos territórios – primeiro escrevi uma história infantil sobre bullying (“A Bruxinha Totute”); depois um poema no meio da “Turbulência” de um voo entre a França e o Brasil; mais um conto de ficção científica dividido em cinco partes sobre a expansão da humanidade em outros sistemas planetários e sua incontrolável ambição (“A Fonte da Juventude de Perennial”). Para finalizar escrevi, na semana passada, uma história que mescla ciência e religião (“Projeto Gaia – Experiência Final”).

Vários posts tiveram como inspiração as manifestações de junho do ano passado. Iniciei com “Os Protestos e a Verdadeira Democracia”, na sequência sugeri como próximo alvo a finada PEC 37/2011. Imaginem como ficaria a investigação da “Operação Lava Jato”, se o poder de investigação do Ministério Público Federal fosse tolhido? A melhoria nos serviços públicos de saúde foi um dos principais alvos dos manifestantes e o governo federal reagiu com a criação do “Programa Mais Médicos” que inspirou um artigo. Em breve, voltarei a escrever sobre a política brasileira.

Tentei desvendar os mistérios da satisfação pessoal em ”Não Esqueçam seus Objetivos Pessoais no Avião” e “Salário Motiva os Funcionários?”.

Questões éticas com animais foram tratadas em “Golfinhos de Guerra” e “Sofrer e Amar não são Exclusividades dos Humanos”.

A sustentabilidade ambiental também teve destaque com artigos sobre reciclagem de metais raros de telefones celulares, reciclagem de fósforo e da influência do consumo de carne na degradação do meio ambiente.

Este blog não é mais somente meu. A Claudia estreou em grande estilo com o post que conta como virou vegetariana, “Eu, a carne e a berinjela…”. Sinto que o respeito aos vegetarianos cresce a cada dia como retratei no post “Vitória Vegetariana”. E aqui entre nós, “Por Que Comer Carne?”.

A Copa do Mundo de Futebol realizada no Brasil em 2014 rendeu dois posts, “A Copa do Mundo Envergonhada” e “Como o Futebol Brasileiro foi Massacrado pelo Alemão”. Dentro da esfera futebolística, publiquei mais dois post “De Volta para o Meu Lugar”, sobre a reabertura do Beira-Rio, e “Fernandão, Vida, Morte e Piscadas”, sobre o morte do ídolo colorado Fernandão.

A seca em São Paulo que ameaça o fornecimento de água à população do estado também inspirou dois posts – “o que fazer quando a água acabar?” e “as medidas que evitariam a crise de abastecimento de água”. Apesar das excelentes chuvas dos últimos dias, o risco continua…

Falei sobre os mais variados assuntos, das “Gambiarras” ao “Portuglish ou Portunglês”, do show de Yusuf Islam em São Paulo aos “Múltiplos Papéis da Mulher no Mundo Atual”, dos conflitos entre judeus e palestinos em “O Escudo Humano” aos problemas da economia americana em “Obama e o Dilema Capitalista”, do racismo contra o goleiro Aranha a “Os Psicopatas, os Hiperativos, os Estranhos e os Normais”. Afinal “As Pessoas são Diferentes – Que Bom!!!”.

Agradeço a todos que acompanham nosso blog, espero críticas e sugestões para os assuntos dos próximos cem posts e lembro, mais uma vez que tento não falhar e fazer “Jornalismo Profundo como um Pires“ e “Eu Não me Chamo “Martho Medeiros”.

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Estrogonofe Vegano

Quando uma amiga que NÃO é vegetariana insiste para você dar a receita do estrogonofe vegano e ainda sai fazendo propaganda, é para glorificar de pé!!, a gente publica logo, claro… rsrsrs

Toma Viviane Barchinski, faz pra mim agora!

Primeiro preciso confessar, nunca fui fã de estrogonofe quando comia carne. Aí depois de 8 anos vegetariana, resolvi testar uma receita só para fazer algo diferente. A receita original é da super Ellen,  mas adaptamos ao nosso gosto (ficou maravilhoso!!).

Obs.: Você que já comeu proteína de soja num restaurante e odiou, dê uma segunda chance… tem gente que não sabe preparar mesmo, fica um amarguinho detestável. Ela tem um segredinho no “pré-preparo”. Veja aqui.

Ingredientes:

– 1 cebola (média ou grande) picadinha;
– 1 vidro de molho de tomate orgânico de sua preferência;
– 2 tomates picados grosseiramente e sem sementes;
– 1 pacote de 30 – 40g de cogumelo seco Porcini (the best of!) ou outro qualquer;
– 1 xicara de proteína texturizada de soja (a graúda, que tem uns 2 cm de largura);
– shoyo, alho desidratado, azeite de oliva, pimentas e sal;
– opcional: palmito in natura (não usamos conservas, altera muito o sabor).

Preparo:

Primeiro deixe de molho a proteína com shoyo e alho desidratado. Deixe os cogumelos hidratando numa xícara com água quente. Quando estiverem hidratados, pique-os bem pequeninho e guarde a água para usar depois.

Para substituir o creme de leite – por um muito mais light (e o de soja de caixinha não fica bem em pratos salgados) veja outra dica da Ellen. Você vai precisar:
– 1 tofu soft de 250 gramas;
– 50 ml de água;
– 50 ml de óleo.
Bata tudo no liquidificador e reserve.

A partir daqui é rapidíssimo:
Refogue a cebola, no azeite com um pouquinho de sal (bem pouco). Acrescente os cogumelos picados, refogue um pouco e coloque o molho vermelho e os tomates e um pouco de pimenta do reino (moída na hora é melhor). Se for usar palmitos, coloque neste momento também. Deixe ferver e acrescente a água dos cogumelos. Quando levantar fervura novamente, acrescente a proteína (só ela, se tiver muito shoyo, não coloque junto). Quando ferver, coloque o creme de leite. Acerte o sal (pode usar o shoyo), a pimenta (neste momento pode colocar pimenta branca) e desligue.
Sirva com batata palha e arroz.

estrogonofe vegano

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Como o Futebol Brasileiro foi Massacrado pelo Alemão

Durante a última Copa do Mundo, escrevi um artigo, “Lições do Futebol para Gerentes”. Eu comentei que o treinador do time deveria escalar o time e escolher a sua tática após analisar os pontos fortes e fracos do seu elenco e da equipe adversária. Conclui o artigo, dizendo que “muitas vezes o sucesso pode depender mais de como o treinador se relaciona e motiva seus subordinados do que táticas ou estratégias sofisticadas”.

Naquele artigo, citei o Felipão como exemplo de técnico motivador. O que assistimos ontem, sem dúvida, foi o maior prova de que apenas motivação e torcida a favor não são suficientes para vencer alguma coisa. Alguém pode dizer que os jogadores alemães não estavam tão motivados quanto os brasileiros? Nesta hora, a organização e a qualidade técnica muito superiores do adversário ajudaram a escancarar as deficiências que apareceram em todos os jogos anteriores do Brasil nesta Copa. Felipão acreditou na superação, advinda da perda de Neymar, e armou um time ultraofensivo, onde apenas dois volantes marcavam no meio-campo. Por outro lado, o alemão Joachim Löw montou uma equipe compacta para aproveitar todas as fraquezas brasileiras. Quem assistiu ao jogo tinha a impressão que a Alemanha jogava com dois jogadores a mais. Após o segundo gol, os alemães foram para cima do Brasil, como um lutador em busca do nocaute ao ver seu adversário atordoado, e marcou mais três gols em apenas cinco minutos.

Klose comemora o segundo gol da Alemanha contra o Brasil [Fonte: site globoesporte.com]

Klose comemora o segundo gol da Alemanha contra o Brasil [Fonte: site globoesporte.com]

Claro que Felipão teve uma parcela significativa de culpa na tragédia desta terça-feira! Alguém pode dizer que o principal culpado é quem o colocou como técnico, o que também é certo, mas quais são os técnicos brasileiros de destaque hoje, além do Felipão? Mano Menezes (testado e reprovado na Seleção), Tite, Muricy… Nenhum empolga muito…

Felipão e Joachim Löw se cumprimentam ao fim do jogo – [Fonte: David Gray / Agência Reuters]

Felipão e Joachim Löw se cumprimentam ao fim do jogo [Fonte: David Gray / Agência Reuters]

O futebol brasileiro também está numa fase de transição. Além de Neymar, alguém se lembra de mais algum grande jogador em atividade? Apenas alguns bons jogadores, sendo que a maioria já faz parte do elenco da seleção brasileira na Copa.

O último campeonato brasileiro foi o mais fraco tecnicamente desde 2003. O campeão Cruzeiro era um bom time, nada excepcional, mas não teve adversário e conquistou o título com onze pontos de diferença para o segundo colocado. Na Libertadores deste ano, a pobreza técnica do nosso futebol ficou clara, nenhum time brasileiro se classificou para a semifinal da competição.

Veteranos, em final de carreira, voltam para o Brasil e parecem deuses desfilando em nossos gramados, devido ao desnível técnico em relação aos outros jogadores. Onde estão os jovens talentos? As promessas surgem no início da temporada e muitas vezes, na metade do mesmo ano, seus passes já são negociados com equipes do exterior, normalmente do leste europeu, onde são esquecidos.

No meu Internacional, por exemplo, os dois melhores jogadores são estrangeiros, o argentino D’Alessandro e o chileno Aránguiz. Na metade do ano passado, o meia Fred, destaque do time desde o segundo semestre de 2012, foi vendido para o Shakhtar Donetsk da Ucrânia, destino de outros jovens jogadores brasileiros.

Os jogadores brasileiros do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Pela ordem, atrás: Luiz Adriano (E), Ilsinho, Taison, Alex Teixeira, Maicon (morto em fevereiro), Ismaily – na frente: Eduardo (E), Fred, técnico Lucescu, Fernando, Wellington Nem, Bernard e Douglas Costa

Os jogadores brasileiros do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Pela ordem, atrás: Luiz Adriano (E), Ilsinho, Taison, Alex Teixeira, Maicon (morto em fevereiro), Ismaily – na frente: Eduardo (E), Fred, técnico Lucescu, Fernando, Wellington Nem, Bernard e Douglas Costa

Como fortalecer nossos clubes para melhorar a promoção e retenção dos jovens talentos? Urge uma alteração do calendário brasileiro com o fim, ou pelo menos redução, dos campeonatos regionais. Seria ótimo sanear clubes, federações e CBF, assim poderia sobrar mais dinheiro no cofre dos clubes para segurar suas promessas. Quando eu falo sanear, significa botar na cadeia os ladrões que se locupletam com o dinheiro das transações com jogadores e patrocinadores.

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A Copa do Mundo Envergonhada

Começou na semana passada a Copa do Mundo de Futebol no Brasil. Já ganhamos o primeiro jogo na nossa jornada rumo ao hexacampeonato! Infelizmente, estava no meio de um teste no Canadá e apenas pude ver os melhores lances do jogo à noite em um canal de esportes local.

Gol de empate de Neymar para o Brasil contra a Croacia [Fonte: site Globoesporte.com]

Gol de empate de Neymar para o Brasil contra a Croácia  [Fonte: site Globoesporte.com]

Mesmo em Saskatoon, tive a surpresa de ver o destaque da Copa na edição local do jornal Metro, considerando que o futebol tem pouca importância para a população local. No dia da estreia do Brasil, a capa era dedicada à Copa, além de mais uma página interna. No dia seguinte, havia mais uma página sobre a abertura e o jogo do Brasil; e outra, sobre os jogos de sexta-feira. Nos canais de esporte canadenses, a Copa dividia o tempo com as finais da NBA, da NHL (hóquei no gelo, o esporte nacional) e do U.S. Open de golfe. Realmente a Copa é um dos maiores eventos mundiais.

Poucos povos do mundo gostam de futebol como os brasileiros, mas nunca vi uma Copa do Mundo na qual os brasileiros estão tão tímidos ou mesmo envergonhados para torcer pela nossa seleção. Houve os tradicionais atrasos de obras, a malversação das verbas públicas, os desmandos da FIFA… Isto pode e deve nos trazer indignação, mas por que a vergonha em torcer pelo Brasil?

Lembro-me que no segundo grau se decidiu fazer uma peça com a versão em inglês do texto do “Pequeno Príncipe” de Saint-Exupéry. Eu recebi o menor papel de todos – o bêbado, porque provavelmente ninguém acreditava no meu talento dramático. O motivo da escolha do papel não foi certamente a minha identificação com o personagem, porque, naquela época, eu não consumia absolutamente nada de álcool. Leia a íntegra do capítulo XII abaixo.

Bebado_Pequeno-Principe

O planeta seguinte era habitado por um bêbado. Esta visita foi muito curta, mas mergulhou o principezinho numa profunda melancolia.

– Que fazes aí? Perguntou ao bêbado, silenciosamente instalado diante de uma coleção de garrafas vazias e uma coleção de garrafas cheias.

– Eu bebo, respondeu o bêbado, com ar lúgubre.

– Por que é que bebes? Perguntou-lhe o principezinho.

– Para esquecer, respondeu o beberrão.

– Esquecer o que? Indagou o principezinho, que já começava a sentir pena.

– Esquecer que eu tenho vergonha, confessou o bêbado, baixando a cabeça.

– Vergonha de que? Investigou o principezinho, que desejava socorrê-lo.

– Vergonha de beber! Concluiu o beberrão, encerrando-se definitivamente no seu silêncio.

E o principezinho foi-se embora, perplexo.

As pessoas grandes são decididamente muito bizarras, dizia de si para si, durante a viagem.

Vejo amigos, amantes absolutos de futebol, envergonhados de torcer pela nossa seleção. As pessoas estão com vergonha de botar bandeiras nas casas e carros. Lembro-me de outras copas realizadas fora do país – as ruas eram decoradas; postes e meios-fios pintados; população mobilizada.

A vergonha é um sentimento curioso, é muito diferente da culpa. A vergonha é baseada na frase:

– O que os outros vão pensar se descobrirem que eu fiz isto?

Ou seja, a vergonha não nasce do conflito entre uma ação e os valores da pessoa, como a culpa. A vergonha se origina nas convenções sociais ou regras religiosas, por exemplo.

Agora parece que o brasileiro que torcer pela seleção, estará apoiando o governo, a FIFA, o gasto excessivo com estádios, desvios de verbas, falta de investimentos em educação, saúde e infraestrutura. Como se a paixão por futebol tivesse algo a ver com isto? Para ajudar o pessoal a ficar “sem vergonha”, preparei o quadro abaixo que mostra que eleição para presidente e o resultado da seleção brasileira na Copa não tem relação.

Copa_Presidentes-Brasil

Quadro: Resultado do Brasil na Copa do Mundo e a eleição presidencial.

Como observamos no quadro acima, FHC foi o único candidato da situação vencedor de eleição em ano que o Brasil ganhou a Copa. Em 1994, o maior cabo eleitoral de FHC não foi o futebol pragmático da seleção de Parreira, certamente foi o sucesso do Plano Real. Em 2002, o Brasil conquistou o Penta no Japão, mas o candidato da situação, José Serra, foi derrotado por Lula.

Ao invés de ficar com esta vergonha depreciativa, devíamos lutar para melhorar o país. Devíamos fiscalizar ativamente os atos e as contas dos três poderes em todas as esferas do país. Devíamos pressionar os Legislativos para aprovarem as leis de nosso interesse, ao invés de ficar lamentando ou postando coisas sem o menor fundamento nas redes sociais. Se continuarmos na espera que os outros resolvam os problemas do Brasil, deveremos sentir culpa por nossa omissão, ao invés de vergonha em relação ao país.

Felizmente as crianças, com sua espontaneidade, estão fazendo os adultos a perderem a vergonha de torcer pela nossa seleção, porque “as pessoas grandes são decididamente muito bizarras”

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Deus, Sempre Ele

Nestes últimos dias, Claudia e eu nos divertimos no cinema na quinta-feira e no teatro no sábado. No cinema, assistimos ao polêmico filme Noé do diretor Darren Aronofsky (seu trabalho anterior foi o intenso “Cisne Negro”). No sábado, foi a vez da peça “Meu Deus” da israelense Anat Gov com Dan Stulbach, no papel de Deus, e Irene Ravache como sua psicoterapeuta.

Começarei com um comentário sobre as polêmicas do filme. Não podemos esquecer que Noé, além de ser patriarca bíblico, é um dos profetas do islamismo. Assim as maiores críticas dos religiosos judaicos, cristãos e mulçumanos basearam-se nas inconsistências do filme em relação ao Gênesis e ao Al Corão. Aronofsky alega que, com as informações contidas sobre Noé e o dilúvio, seria impossível fazer um filme com duas horas de duração. Afinal todo o caso é tratado em apenas quatro capítulos curtos do Gênesis. A questão maior não se refere ao “recheio” de detalhes para preencher as lacunas, mas a algumas alterações em relação ao original. O diretor e roteirista, Aronofsky, deu um enfoque ecológico para a história, onde Deus teria decidido extinguir a espécie humana. Deste modo, nenhuma mulher fértil deveria entrar na arca para salvar-se do Dilúvio. A gravidez da esposa, supostamente estéril, de Sem, seu filho mais velho, gera um enorme dilema para Noé no filme. Os outros dois filhos, Cam e Jafé, na história original, entraram na arca com suas esposas, enquanto que no filme estavam sozinhos. A tensão entre Cam e Noé, por exemplo, é explicada no filme pela inexistência de uma esposa para Cam. Poderia comentar outros pontos, como a morte do pai de Noé, Lameque, a participação de Tubalcaim, um dos descendentes da sétima geração de Caim, mas não me estenderei, porque vale a pena ir ao cinema para assistir ao filme. Gosto de filmes que sejam persistentes na minha cabeça.

Noe - filme

Na peça “Meu Deus”, um Deus amargurado e deprimido procura a ajuda de uma psicoterapeuta para achar a explicação para sua perda de poderes e para sua vontade de acabar com a própria vida. Temos que entender que o Deus da peça é o Deus do Velho Testamento, muito mais temido do que amado. No final, chega-se a conclusão que Deus ficou deprimido após tudo o que fez com Jó, um dos seus servos mais fiéis.

meu-deus-teatro

Farei a análise de algumas passagens da Bíblia, onde Deus tem algumas atitudes no mínimo interessantes. Após criar e colocar Adão e Eva no Jardim do Éden, Deus resolveu tentá-los através da árvore do conhecimento do bem e do mal, a única que não poderia ter seus frutos comidos. Todos sabem o final desta história; a serpente tenta Eva; Eva convence Adão; os dois experimentam o fruto proibido; Deus descobre, amaldiçoa a serpente, Adão e Eva e os expulsa do Paraíso. Por que colocar esta árvore bem no meio do Jardim do Éden? Parece uma mera provocação da curiosidade de dois jovens imaturos que cometeram apenas um erro e não foram perdoados.

O caso dos filhos mais velhos de Adão e Eva, Caim e Abel, nos mostra mais um teste de Deus. Abel era pastor e Caim agricultor. Abel ofertou um cordeiro ao Senhor; e Caim, frutos do seu trabalho na terra. Deus aceita apenas a oferenda de Abel, o que causa enorme irritação de Caim. Deus fala a Caim que ele tem que aprender a controlar sua ira. Não adianta, logo após Caim golpeia a cabeça do irmão com uma pedra e o mata. Deus descobre o assassinato, amaldiçoa Caim e o expulsa para uma terra no leste do Éden. Incrivelmente Ele protege Caim e diz que quem matá-lo sofrerá sete vezes a vingança. Caim constrói uma cidade, Enoque, tem vários descendentes, como os que moram em tendas e criam rebanhos, os que tocam harpa e flauta, e os que fabricavam todos os tipos de ferramentas de bronze e ferro. Por que Deus primeiro provoca a ira de Caim e depois de Caim matar o próprio irmão o protege? Será que Deus se sentiu culpado ou tinha alguma identificação com a ira de Caim?

“O Assassinato de Abel” de Tintoretto

“O Assassinato de Abel” de Tintoretto

Mais tarde arrependido da Criação, Deus resolve exterminar a humanidade através do dilúvio. Salva-se apenas a família de Noé, descendente de Set, filho mais novo de Adão e Eva. Todos os demais são mortos – homens, mulheres, crianças e animais que não entraram na arca. No final Deus diz a si mesmo:

– “Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, porque seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância. E nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz desta vez”.

“A Construção da Arca” de Francesco Bassano

“A Construção da Arca” de Francesco Bassano

Interessante é que o homem foi criado por Deus “a sua imagem e semelhança”.

Mais adiante no Gênesis, tem uma das provações mais cruéis de toda a Bíblia. Deus pede para que Abraão ofereça a Ele, em sacrifício, Isaac, seu único filho com Sara. Abraão vai com o filho para um monte, prepara o altar para o sacrifício, amarra o filho, saca a faca e, no instante em que consumaria o ato, um anjo do Senhor aparece e o impede:

– “Não toque no rapaz. Não faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, seu único filho”.

Por que fazer um teste de lealdade deste tipo? Forçar alguém a preparar a morte do próprio filho… Como se não pudesse amar simultaneamente o seu filho e a Deus? Como se Deus sempre exigisse estar acima de tudo?

“O Sacrifício de Isaac” de Caravaggio

“O Sacrifício de Isaac” de Caravaggio

Não vou falar da destruição de Sodoma e Gomorra ou dos conflitos entre irmãos como Ismael e Isaac ou Esaú e Jacó. Vou falar um pouco sobre Jó.

Jó era justo, temente a Deus, seu servo mais leal. Ele tinha dez filhos, possuía muitas posses – terras, servos e animais. Um dia Deus se encontra com Satanás e comenta sobre a lealdade de Jó. O Satanás comenta que é fácil ser fiel quando se é protegido por Deus com casa, família, propriedades. Para provar a fidelidade de Jó, Deus permite que Satanás lhe tire de uma só vez todos os bens, seus animais são mortos ou roubados, a maioria dos seus servos é assassinada e os dez filhos morrem no desabamento da casa do irmão mais velho atingida por um furacão. Ao saber de todas estas notícias, Jó desespera-se, rasga suas roupas, raspa a cabeça, cai por terra e, em adoração, diz:

– “Nu, saí do ventre de minha mãe e nu, voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou; como foi do agrado do Senhor, assim aconteceu. Seja bendito o nome do Senhor!”

Deus reencontra-se com Satanás e mostra como, apesar de tudo, Jó manteve-se fiel a Ele. O Satanás diz que o que fizera até aquele momento era pouco. Se Jó fosse atingido na sua saúde, não permaneceria fiel a Deus. Deus pede apenas que a vida de Jó fosse poupada. O corpo do pobre homem fica coberto por feridas purulentas. Depois três amigos aparecem e ficam acusando Jó de ter feito algo errado para merecer isto. Jó somente quer que Deus lhe diga o que fez de errado para merecer tudo aquilo. No final, Deus enfim aparece e faz um discurso em mostra toda a grandeza de sua obra. Jó, no final daquele debate desigual, ainda desculpa-se. Deus restabelece seus bens e Jó tem mais dez filhos.

“A Paciência de Jó” de Gerard Seghers

“A Paciência de Jó” de Gerard Seghers

Na peça “Meu Deus”, o Satanás que tenta Deus é apresentado pela psicanalista Ana como o lado ruim do próprio Deus. Na verdade, o Senhor faz mais um teste, desta vez com seu servo mais fiel, fazendo-o sofrer terrivelmente. Jó aceita todas as perdas e, quando sofre uma terrível doença, apenas quer saber o motivo de tanto sofrimento. Onde Jó havia errado?

O Deus do Velho Testamento nos passa a impressão de ser um jovem brilhante, mas orgulhoso de sua capacidade. Quando se sente contrariado, age de forma impulsiva e pune impiedosamente os faltosos. Não consegue perceber que a pessoa que cometeu o erro pode estar num estágio inferior ao Seu. Pune ao invés de educar. Não perdoa! Criou, como um cientista em um laboratório, muitas formas de vida e, simplesmente, as extermina se agiram de forma diversa das suas expectativas. Fez vários testes para provar que ninguém era mais temido do que Ele, basta lembrar-se dos casos de Adão, Caim, Abraão ou Jó. Afinal parecia melhor ser temido do que amado…

Lembra o Zeus grego, distribuindo sua ira santa. Apenas moralmente mais correto que seu “par” grego, pois não engana ou comete adultérios, por exemplo. Deus exige e cobra os acordos firmados, sem perdão.

Após uns 4 mil anos, considerando os períodos de tempo do Gênesis, Deus se mostra muito mais reservado e manda para a Terra, Jesus Cristo que prega o amor entre todos. Agora Deus é amor. Devemos amar Deus, não temê-lo. Deus perdoa a quem se arrepende, um novo paradigma…

“A Criação de Adão” de Michelangelo

“A Criação de Adão” de Michelangelo

A frase mais impactante da peça foi feita por Ana, após Deus revelar que queria se matar, ela conclui que seria impossível Ele fazer isto, porque Deus vive na cabeça das pessoas e, para Ele deixar de existir, teria que matar todas as pessoas. Enquanto houver uma pessoa viva, Deus permaneceria vivo…

Veja o filme, assista à peça, pense bem e decida qual Deus você quer que viva dentro de sua cabeça! Mas lembre-se de que talvez não sejamos tão importantes quanto imaginamos ou desejamos. Assista ao inesquecível final do “MIB – Homens de Preto 1”.

 

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A Bruxinha Totute

Clara era uma menina que não tinha amigos. Sua família havia mudado de uma pequena cidade do interior para a capital do estado. Como Clara era muito tímida, não conversava com seus novos colegas na escola.

Todos os colegas da escola pegavam no pé dela, debochavam do jeito que ela falava. Quando fazia desenhos, todos falavam que os trabalhos eram feios. Quando cantava, todos tapavam os ouvidos e diziam que ela desafinava. Ninguém brincava com ela na hora do recreio.

Ela foi crescendo e a situação não mudava… Cada dia ficava mais triste com aquela solidão. Com o passar do tempo, começou a se revoltar. Jurou que se transformaria numa bruxa e usaria os mais poderosos feitiços para se vingar de todos que a desprezavam.

Procurou livros com palavras mágicas para enfeitiçar os colegas, mas todos os termos eram tão difíceis de pronunciar… E se ela dissesse alguma palavra errada e a praga se voltasse contra ela mesma? Melhor achar outra forma para se vingar…

Depois Clara se lembrou da estória da Branca de Neve e de sua madrasta, a bruxa má, que fazia poções mágicas e venenos poderosos. Ela acabou desistindo também, porque precisava de tantos ingredientes complicados. Onde encontrar asa de morcego, baba de sapo, pelo do rabo de mula-sem-cabeça? Esquece…

E aqueles bonequinhos de vodu? Parece bem mais fácil de aprender a fazer o feitiço. Afinal é só fazer um bonequinho e espetar alfinetes. O problema é que Clara nunca foi boa em artes e o boneco poderia ficar muito diferente dos seus inimigos. Imagina se um inocente leva a espetada por causa de um bonequinho de vodu malfeito? Tem que haver mais alternativas…

Clara ainda não tinha descoberto qual feitiço usaria para se vingar dos colegas insensíveis. Um dia ela viu um pai passeando com sua linda filha. A menina falava para seu pai assim:

– Pai, você não vai me pegar para fazer “totutes”…

A menina saiu correndo, mas o pai alcançou-a e começou a fazer cócegas na barriguinha dela. Ela gritava desesperada e o pai sorria sadicamente…

Clara pensou que este tal de “totute” poderia ser o feitiço para a realização da sua grande vingança. Ela não sabia o que aquela pobre menina tinha feito para sofrer aquela tortura impiedosa. Hummm, “totute” deveria significar tortura em alguma língua antiga. A partir daquele dia ela passaria a ter um nome secreto – Bruxa Totute, e se vingaria de todos seus colegas através deste terrível feitiço…

Mas antes de começar a usar este novo feitiço, ela decidiu treinar alguns dias nas suas bonecas. Clara fazia “totutes” nas barriguinhas, nas axilas, nas coxinhas, nas solas dos pezinhos, nos pescocinhos…

Depois testou suas novas técnicas no seu gatinho Mingau. Que estranho, parecia que Mingau gostava, mas gatos e pessoas são tão diferentes…

Finalmente chegou o grande dia! Clara decidiu atacar o colega que ficasse sozinho com ela na sala de aula. Todos saíram para o recreio e Clara, como sempre, ficou na sala sozinha. De repente, o colega Guilherme, mais conhecido como Gui, voltou para a sala, porque ele tinha se esquecido de pegar seu lanche. Chegou a hora da Bruxa Totute. Enquanto ele procurava o lanche na sua mochila, Clara veio sorrateiramente por trás e começou a fazer cócegas no pescoço do Gui. Depois fez nas axilas. Gui riu até perder as forças e cair no chão. Ele pedia para parar, mas Clara impiedosa partiu para cima dele e atacou a barriga com cócegas frenéticas. Depois de alguns minutos, tocou o sinal do final do recreio e Clara fugiu correndo e deixou Gui estirado no chão da sala.

Os colegas voltaram para a sala e viram Guilherme no chão, tentando se levantar. Correram em direção da mesa do Gui para saber o que havia acontecido com o colega. Após sentar na sua cadeira, ele recuperou o fôlego e disse:

– Fui atacado por alguém que fez cócegas até eu perder a força e cair no chão.

Carol, curiosa como sempre, perguntou:

– Gui, você viu quem te atacou?

Guilherme pensou um pouco e respondeu:

– Quando entrei na sala, só a Clara estava sentada na mesa dela. Depois fui pegar um sanduíche na minha mochila e não vi se a Clara saiu da sala. Aí fui atacado por trás e não vi quem foi.

Tiago, o Ti, que ouvia atentamente tudo, comentou:

– Não consigo imaginar a Clara fazendo brincadeira com alguém da turma. Não foi ela, foi alguém de outra turma…

A professora entrou na sala conversando com a Clara e todos foram para suas mesas. Carol levantou o braço e a professora fez sinal para ela falar:

– Profe, alguém invadiu nossa sala e atacou o Gui.

A professora preocupada olhou para o Guilherme e perguntou:

– Tudo bem contigo, Gui?

Guilherme procurou tranquilizar sua professora:

– Tudo bem! Não foi nada!

Depois disto a aula recomeçou, mas todos estavam inquietos com o incidente ocorrido. Por outro lado, Clara estava feliz, porque a primeira etapa de sua vingança teve sucesso.

Na semana seguinte, o episódio já estava praticamente esquecido e Clara decidiu que estava na hora da Bruxa Totute voltar ao ataque.

Na hora do recreio, Carol disse para os outros colegas que ficaria na sala, porque estava com sono e queria descansar um pouco. Na noite anterior, seu irmãozinho havia chorado várias vezes e ela não dormiu bem.

Todos saíram da sala, deixando Carol sozinha. Depois de dez minutos, Clara espiou e viu que Carol estava quase dormindo. Então decidiu que a Bruxa Totute devia aproveitar a oportunidade. Entrou na sala sem ser percebida e atacou Carol, fazendo cócegas em várias partes do corpo ao mesmo tempo. Ela não tinha força para reagir ou falar, apenas chorava de forma estranha.

Com medo de que aparecesse alguém, Clara parou e saiu correndo da sala. Foi a sua sorte, porque a professora resolveu voltar um pouco antes para preparar a próxima atividade. Ao ver a Carol no chão, assustou-se e correu para ver o que aconteceu com sua aluna. Abaixou-se ao lado da menina, segurou no seu ombro e perguntou:

– Carol, o que houve? Está tudo bem contigo? Você está sentindo alguma coisa?

Carol abriu os olhos e disse:

– Profe, que bom que você está aqui! Fui atacada! Deve ter sido a mesma pessoa que atacou o Gui…

Neste instante, tocou a sirene, anunciando o final de mais um recreio. Os colegas começaram a voltar para a sala e viram a professora ajudando Carol a sentar-se na sua cadeira. Todos cercaram as duas e queriam saber o que havia acontecido. Quando Carol contou a história, a preocupação tomou conta de todos. Afinal este já era o segundo ataque. No resto da manhã, não houve mais aula. A professora chamou a pedagoga responsável que chamou a diretora. Todos, incluindo Clara, disseram que não viram nada. Por outro lado, havia muitas perguntas no ar:

– Quem estava por trás destes ataques? Qual era seu objetivo?  Quando seria o próximo ataque? Quem seria a próxima vítima?

Como fazia frequentemente, Tiago criou uma teoria surpreendente para explicar o que estava acontecendo:

– Pessoal, já sei! Um fantasma está atacando quem fica na sala na hora do recreio, por isso ninguém enxerga ele.

Guilherme não concordou com Tiago:

– Mas que bobagem Ti! Meu pai disse para mim que fantasmas não existem. Além disso, por que este fantasma nunca atacou a Clara que fica quase todos os recreios na sala?

Tiago não se deu por vencido e retrucou:

– Gui, nem este fantasma quer brincar com a Clara!

Neste momento, a professora interferiu na discussão:

– Amigos, por favor, mais respeito! Vocês podem conversar, mas não vamos ofender os colegas, certo?

As semanas passaram e ninguém mais ficava sozinho na sala de aula durante o recreio. Se alguém precisasse pegar alguma coisa na mochila, outro colega o acompanharia. Assim Clara não teve nova oportunidade de usar o feitiço totute contra seus colegas.

Um dia Tiago teve uma ideia e chamou seu amigo Guilherme para contá-la:

– Gui, já sei como pegar o fantasma “cosquento”. Num recreio, fico na sala sozinho e você fica escondido e aparece na sala de surpresa para ver o que está acontecendo…

Guilherme ficou admirado com a coragem do amigo e aceitou a missão na mesma hora. Combinaram que no dia seguinte colocariam o plano em prática.

No dia seguinte, conforme o combinado, Tiago voltou para a sala na metade do recreio. Quando Clara viu o colega voltando sozinho para a sala quase não acreditou. Será que a Bruxa Totute teria chance de executar mais uma etapa da sua vingança? Quando ela espiou pela porta da sala de aula, viu Tiago com a cabeça dentro da mochila, procurando alguma coisa. Ela chegou silenciosamente e começou mais uma sessão de cócegas. Ele tentava chamar o Guilherme, mas não conseguia. Clara estava tão empolgada com suas “totutes” que não percebeu que Guilherme estava na porta vendo tudo. Quando ele viu quem era o “fantasma” deu um grito:

– Clara, eu não acredito!!! Você! Não pode ser!

Clara ficou paralisada, não conseguia fazer mais nada… Foi descoberta e agora o que seria dela?

Os outros colegas e a professora, quando ouviram o grito de Guilherme, foram correndo para a sala e viram a cena. Tiago estava finalmente com a cabeça fora da mochila, recuperando o fôlego. Clara estava mais branca do que aquelas camisetas de propaganda de sabão em pó. Todos gritavam… A professora pediu calma, olhou para Clara e perguntou por que ela havia feito aquilo com seus colegas. Ela tentou responder, mas não conseguiu, começou a chorar e saiu correndo da sala. Entrou no banheiro e trancou a porta. A professora pediu que todos ficassem na sala, enquanto foi conversar com a desesperada Clara. Bateu na porta do banheiro e disse:

– Clara, estou sozinha. Por favor, abre a porta para conversarmos!

Após alguns segundos de hesitação, a menina abriu a porta com os olhos vermelhos e soluçando. A professora abraçou-a, ajeitou seu cabelo, fez um carinho no rosto e falou com uma voz doce:

– Clarinha, você é uma menina tão bem comportada. Nunca se meteu em brigas ou confusões. Por que você fez isto com seus colegas? Você não gosta deles?

Clara, entre soluços e lágrimas, respondeu:

– Profe, ninguém gosta de mim! Ninguém brinca comigo! Sou desprezada por todos desde que cheguei aqui.

A professora conteve o impulso inicial de dizer que aquilo não era verdade e pensou um pouco. Realmente ela não se lembrava de ter visto Clara brincando com os outros colegas. A menina raramente sorria ou expressava suas opiniões durante as aulas. Como ela não havia percebido isto antes? Agora não era mais hora de chorar sobre o leite derramado, era hora de resolver esta situação definitivamente. Ela perguntou para Clara se ela gostaria de ir para casa mais cedo.

Clara disse que sim. A professora falou que a condição seria ela vir normalmente à escola no dia seguinte. Depois levou Clara até a pedagoga que ficou conversando com ela, enquanto a professora telefonava para a mãe da menina. Inicialmente ela ficou muito preocupada, mas foi tranquilizada pela professora que disse que naquela hora Clara precisava de muita compreensão e de todo o carinho. A mãe da menina entendeu a mensagem e foi imediatamente à escola para levá-la para casa.

Quando a professora voltou para a sala, todos queriam saber o que aconteceu com a Clara, se ela voltaria ou sairia da escola. A professora pediu silêncio e perguntou se alguém sabia o que era “bullying”. Como ninguém conhecia a palavra, ela explicou:

– “Bullying” é uma palavra inglesa que significa o tratamento ruim que uma pessoa sofre todos os dias de seus colegas ou, no caso de uma escola, dos seus professores.

Carol levantou o braço e perguntou:

– Por que tratam mal esta pessoa? O que ela fez de errado?

A professora sorriu e respondeu:

– Boa pergunta, Carol! Geralmente a pessoa não fez nada errado, apenas é diferente, pode ser a altura, o peso, a cor da pele, o local onde nasceu, a religião que segue… Outras vezes, a pessoa tem mais dificuldade para aprender, ou troca algumas letras para falar, ou é gaga, ou o sotaque é diferente. E, às vezes, a pessoa apenas mudou de escola e não fala com os outros colegas porque é tímida.

A maioria da turma entendeu o que a professora queria dizer. Clara foi isolada, desprezada e sofreu com o deboche da turma. Eles fizeram “bullying” só porque Clara era tímida. Aqueles ataques foram a forma que ela encontrou para vingar-se deles. Desta vez, foi Tiago que levantou o braço e falou:

– Profe, a gente não sabia que estava maltratando a Clara. Agora nós entendemos e não vamos repetir, mas o jeito que ela encontrou para se vingar foi muito engraçado.

Todos começaram a rir. A professora então perguntou como poderiam resolver este problema. Guilherme foi o primeiro a falar:

– Eu quero ir até a casa da Clara para pedir desculpas e dizer que queremos que ela volte.

Carol e Tiago se ofereceram para acompanhar Guilherme. A professora disse que telefonaria para a mãe de Clara para combinar a visita.

Depois de acertar tudo, os três visitaram Clara na tarde daquele dia. Ela pediu desculpa pelos ataques. Os colegas disseram que estava tudo bem e, da mesma forma, pediram desculpas pelo modo que a tratavam na escola. Depois disso, conversaram animadamente e brincaram durante toda tarde. Clara explicou o que eram as “totutes” e os quatro riram muito…

Este foi o primeiro dia de uma grande amizade que durou por todas as vidas de Gui, Ti, Carol e Clara, a Fada Totute.

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