Os números de 2012 by WordPress

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

4.329 filmes foram submetidos ao Festival de Cinema de Cannes 2012. Este blog teve 24,000 visitas em 2012. Se cada visualização fosse um filme, este blog teria alimentado seis Festivais de Cinema.

Clique aqui para ver o relatório completo

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A Maior Emoção da Minha Vida

A Claudia estava no quinto ou sexto mês da gravidez, quando tomou uma decisão para mim surpreendente. Ela havia optado por ter a Luiza através de um parto normal humanizado. Sempre achei que cesárea era melhor para a mãe e para o bebê. Afinal escolhe-se a data, horário, hospital, médico, anestesista e pediatra. Na hora marcada, o casal chega no hospital e pronto… Para quebrar minha resistência, ela me “recomendou” a leitura do livro editado pela UNESP “Parto Normal ou Cesárea?” Após ler o livro, aceitei a escolha da Claudia.

Parto Normal ou Cesárea - UNESP

Depois fizemos um curso em um final de semana sobre parto natural, onde eram apresentados vários aspectos como as fases do parto, as posições, necessidade e tipos de anestesia, as situações nas quais as cesárias são indicadas. No final da tarde, assistimos ao curta-metragem “Sagrado” do Dr. Paulo Batistuta, onde os partos humanizados de duas mulheres em um hospital são apresentados de forma crua. Muita gente ficou chocada!

A próxima etapa foi montar a equipe: médica obstetra, pediatra e obstetriz (facilitadora do parto, também conhecida como parteira), visitar o Hospital São Luiz que tem duas salas para este tipo de parto e acertar a parte burocrática com o plano de saúde. Tudo certo!

No início da manhã da quinta-feira passada, eu estava no banheiro quando a Claudia entrou e disse que a bolsa tinha rompido. Duas horas depois começaram as contrações. O grande momento enfim estava chegando…

Minha família (meu filho, minha mãe, tia e irmão) havia chegado do Rio Grande do Sul na semana anterior para passar o Natal conosco e conhecer o seu mais novo membro. Por ironia do destino, o voo estava marcado para a tarde deste dia. Ou seja, não puderam ver pessoalmente a Luiza.

Até o meio-dia não houve muita evolução. No início da tarde, as contrações aumentaram em frequência, duração e intensidade. A obstetriz passou no nosso apartamento para avaliar a situação. Após o exame, concluiu que o colo do útero já estava mais macio, mas quase não havia dilatação e poderia demorar até dois dias para o parto. Ela foi embora para atender a outros compromissos, mas a partir desta hora o jogo mudou: o tampão caiu, havia uma contração a cada dois ou três minutos com duração de 40 a 50 segundos. A Claudia começou a sofrer e não tinha tempo suficiente para descansar entre as contrações, nem conseguia se alimentar. Tentou uma ducha de água morna, mas nada mudou. Resolveu então enviar uma mensagem para a obstetriz e eu liguei depois para o celular dela, pedindo para ela reavaliar a Claudia no final da tarde.

Ela chegou, fez o exame e ficou surpresa com a evolução do processo durante pouco mais de três horas, já estava com 5 ou 6 centímetros de dilatação. Chegou a hora de ir para a maternidade. Pegamos as malas, documentos e a mochila com o notebook, máquina fotográfica e filmadora. A Claudia já saiu de casa com vontade de fazer força para expulsar o nenê. Decidimos ir para a maternidade no automóvel da obstetriz que dirigiu loucamente pelas ruas de São Paulo. Enquanto dirigia, telefonou para a médica e para a pediatra, com a última não conseguiu contato. E a Claudia segurando a Luiza e sofrendo…

Entramos no saguão, avisei que ela estava em trabalho de parto com 41 semanas e o pessoal do hospital já a levou para a triagem, enquanto eu providenciava a internação. Depois de apresentar documento de identidade, carteira do convênio, senha para o procedimento, dar várias informações para o cadastro e antes do processo estar concluído, apareceu a obstetriz, fazendo sinal que eu devia deixar a burocracia para depois, porque a Claudia já seria encaminhada para a suíte do parto natural. Ela já estava com 9 a 10 centímetros de dilatação. Larguei tudo e saí correndo. Encontrei a Claudia, a obstetriz e a fotógrafa no elevador. Fui ao vestiário e troquei de roupa e desci para acompanhar o parto. Na escada, encontrei com a médica obstetra e falei:

– Oi, tudo bem? Vamos até a Claudia?

Como eu só havia encontrado a médica na primeira consulta com a Claudia, não fui reconhecido e ela pensou que eu fosse um anestesista oferecido e disse:

– Acho que você está me confundindo com outra pessoa!

Eu retruquei sorrindo:

– Acho que não…

Quando entramos na sala, ela se deu conta que eu sou o esposo da cliente e ficou totalmente sem jeito, pediu desculpas, queria dar explicações, mas o importante era a Claudia que já estava em uma enorme banheira com água quentinha. Sentei no banquinho próximo. Avisaram-me que não conseguiram contato com a pediatra “titular” (problema com o celular), mas a substituta estava a caminho.

A obstetriz orientava a Claudia que fazia força para dar a luz a nossa filha. A médica explicou que estava chegando a hora do “círculo de fogo”, quando a cabeça do nenê passaria pelo períneo. Depois de mais algumas contrações, a cabecinha da Luiza apareceu rapidamente e voltou. A médica descreveu o que havia acontecido e a Claudia decidiu que da próxima vez ela conseguiria. Na contração seguinte, a cabeça saiu. Emocionei-me, meus olhos se encheram de lágrimas, mas continuava apreensivo, porque a “batalha” ainda não havia terminado. A médica retirou duas voltas do cordão umbilical em torno do pescoço da Luiza e, depois de algum tempo, juntamente com a obstetriz, ajudaram a retirar o nenê.

Momento em que Luiza fica com a Claudia na banheira.

Momento em que Luiza fica com a Claudia na banheira.

A Luiza foi colocada sobre o peito da mãe, mas aquele momento de ternura foi interrompido bruscamente, porque havia algo errado com nossa garotinha. Colocaram um clipe, cortaram o cordão e levaram a Luiza para aspirar as vias aéreas, porque ela não estava respirando bem. Como a nossa pediatra ainda não havia chegado na suíte de parto, as profissionais da emergência do hospital realizaram os procedimentos. Neste momento, fiquei como uma “barata tonta”, tentava consolar a Claudia, que ainda estava na banheira, e acompanhar o procedimento na Luiza. Foi uma grande alegria quando ela chorou e começou a respirar normalmente.

Levaram a Claudia para a cama, para onde Luiza também foi levada após ser identificada e pesada. Finalmente o período de ternura reiniciou com a garotinha no colo, procurando e sugando o seio da mãe. Infelizmente tive que descer para fazer toda a burocracia da internação. Uma hora depois voltei para a suíte, onde nós três ficamos nos curtindo por um tempo. Depois eu e a Claudia fomos para o quarto e a Luiza teve uma longa passagem pelo berçário até a enfermeira levá-la ao nosso encontro.

Luiza no colo da Claudia.

Luiza no colo da Claudia.

A Claudia resumiu assim no Facebook:

Minha nova princesa nasceu hoje, na banheira, sem anestesia, sem cortes e ávida por mamar…
Estou super bem, diferente de quando fiz a cesárea da Júlia.
Ela tinha 41 semanas e pesou 3705g. Uma bolinha…

Meu resumo é diferente. A Claudia já queria que o parto da Júlia fosse normal e foi induzida pelo obstetra a fazer cesárea. Desta vez, ela não aceitou o procedimento padrão dos obstetras da rede privada. Negou-se a aceitar o “terrorismo” que induz as grávidas a evitarem o parto normal. No caso dela, o obstetra disse que havia probabilidade de rompimento do útero, porque seu primeiro parto foi uma cesárea, mas ela foi obstinadamente atrás de informações. Depois fez tudo que pudesse facilitar o parto: Yoga, massagens, Epi-No. Óbvio que não foi um passeio no parque, mas foi um parto sem lacerações, cortes ou pontos, onde a mãe pode ter um contato mais íntimo com a filha… Uma experiência inesquecível onde ela foi a principal agente! Só posso agradecê-la por ter participado.

Eu poderia fazer um plágio da música “Amor e Sexo” da Rita Lee e dizer:

Parto normal é imaginação
Fantasia
Cesária é prosa
Parto normal é poesia…

Aconselho todos os casais grávidos a procurarem informações científicas de qualidade, porque todos têm o direito de escolherem o que for melhor para si. A cesárea é uma operação delicada e como tal só deve ser realizada se houver real necessidade, sem contar as complicações e dores do pós-operatório. A Cláudia indicou alguns sites sobre o assunto.

Home


http://casamoara.com.br
http://www.partodoprincipio.com.br/index.php
http://www.amigasdoparto.com.br/evidencias.html

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Moqueca à Baiana Vegana

Em 2004, eu a Cláudia estávamos de férias no Ceará e visitamos várias praias como Canoa Quebrada, Jericoacoara, Cumbuco, Morro Branco e Lagoinha, entre outras. Sinceramente nos arrependemos de ter ficado apenas um dia em Lagoinha e até hoje falamos em ficar uns dias a mais por lá.

Praia de Lagoinha - Ceará

Praia de Lagoinha – Ceará

Depois de caminhar pela bela praia de manhã, tomamos banho e nos preparamos para seguir viagem após o almoço. O funcionário da recepção nos informou que, nas segundas-feiras, o restaurante do hotel não funcionava e eles serviam somente lanches. Felizmente ele nos indicou o Restaurante Fullxico perto da praça da igreja.

Fachada do Restaurante Fullxico em 2004

Fachada do Restaurante Fullxico em 2004

Fomos os primeiros a chegar ao local. O dono do estabelecimento, o Xico, nos recebeu e indicou dois pratos, um com camarão e outro com lagosta e comentou que cada prato era suficiente para duas pessoas. Como sou alérgico a crustáceos, perguntei se ele não faria um prato individual de lagosta para a Claudia e outro de peixe para mim. Ele nos disse que normalmente não fazia isto, mas, como chegamos cedo, estava tudo bem e sugeriu uma Lagosta ao Termidor para a Claudia e uma moqueca de peixe para mim. Ainda fez um desafio: com ou sem azeite de dendê na moqueca? Minha resposta foi categórica:

– Quero com tudo que eu tenho direito!

Ele ficou surpreso e disse aquela frase tradicional:

– Oh gaúcho corajoso!

Tenho grandes recordações deste restaurante… O lugar era muito simples, o cardápio era um caderninho manuscrito (algo realmente cult), a comida era maravilhosa, o Xico era um sujeito muito legal e a conta foi barata. Foi a melhor moqueca baiana que comi em toda minha vida! Tornou-se uma referência, um paradigma ou o benchmark (o que vocês preferirem) de uma moqueca de alta qualidade…

Eu e a Cláudia criamos uma moqueca vegana inspirada na do Fullxico. No almoço natalino, fiz para nossa família e foi aprovada pelos onívoros presentes.

Moqueca pronta para ir à mesa

Moqueca pronta para ir à mesa

Ingredientes:

3 cebolas roxas grandes
4 tomates italianos
1 pimentão amarelo
1 pimentão ou pimenta vermelha
500 gramas de tofu firme
pimenta dedo de moça sem semente (opcional)
azeite de dendê
2 vidros de leite de coco
sal e pimenta branca a gosto

Modo de preparo:

Cortar o tofu em fatias, deixar de molho em água com sal por duas horas e colocar no forno para selar a superfície.

Usar preferencialmente uma panela de barro ou cerâmica e cobrir o fundo e as laterais com uma fina camada de azeite de dendê. Para facilitar, coloque o vidro do azeite em uma panela com água quente a fim de torná-lo homogêneo e menos viscoso.

Cortar as cebolas, tomates e pimentões em rodelas.

Colocar na panela sucessivas camadas de rodelas de cebolas, tomates, pimentões, pimentas e tofu, pingando algumas gotas do azeite de dendê sobre cada fatia de tofu. Veja a foto abaixo.

Moqueca montagem

Temperar com sal e pimenta branca.

Colocar o leite de coco.

Levar ao fogo alto até começar a ferver.

Baixar o fogo e tampar a panela. Mexer delicadamente para evitar que grude no fundo da panela.

O acompanhamento perfeito é arroz branco. A melhor combinação fica com o arroz de jasmim para culinária tailandesa. Para beber pode ser cerveja ou uma caipirinha com uma cachaça das boas. Eu gosto de duas cachaças gaúchas, Bucco e Weber Haus.

Moqueca prato

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Torta de Sorvete sem Lactose, sem Glúten e com Muito Sabor

Esta é mais uma receita desenvolvida pela Cláudia dentro dos princípios básicos: vegetariana, sem lactose e sem glúten. Como vocês notarão, ela dividiu a receita em três partes:

– sorvete de baunilha;
– torta de sorvete;
– calda de chocolate.

A bola agora está com a Cláudia que vai apresentar a receita que arrasou na sobremesa do almoço natalino.

Esta é a receita básica para um pote de sorvete e pode ser usada para fazer outros sabores ou um creme de papaia com cassis  (já apresentado no blog) que fica uma delícia…

Torta de sorvete, após o "desaparecimento" de metade...

Torta de sorvete, após o “desaparecimento” de metade…

Ingredientes:

2 latas de leite condensado de soja;
3 caixas de creme de leite de soja;
umas gotas de essência de baunilha.

Modo de preparo do sorvete base:

Bater todos ingredientes no liquidificador.

Colocar em uma forma e por no freezer (se for preparar a torta, não faça esta etapa).

Modo de preparo da torta de sorvete:

A torta tem duas camadas: chocolate e passas com Amarula ou rum.

Na primeira camada da torta, utilizei metade da receita acima com cacau em pó (a gosto) e não precisa a baunilha. Deixei mais ou menos 2h no freezer antes de colocar o segundo sabor, senão mistura.

Para o segundo sabor, coloquei passas previamente de molho na Amarula (pode ser usado rum). O que as passas não absorveram da Amarula, eu coloquei na massa, foram umas duas colheres. Também não usei a baunilha neste caso.

Coloquei frutas cristalizadas em cima da camada de chocolate, para criar uma divisão, mas não é necessário. Então coloquei o sorvete com Amarula e deixei no freezer por 1h, antes de colocar as passas, como fica muito líquido, as passas iriam todas para o fundo. Assim ficou mais fácil misturar as passas na camada superior da torta.

Usei uma forma que ficou fácil desenformar, mas pode ser qualquer pote e servir com colher mesmo. Na torta pronta, o sabor de passas à Amarula ficou por baixo e o de chocolate por cima, como pode ser observado na foto.

Impossível resistir a esta delícia com a calda de chocolate...

Impossível resistir a esta delícia com a calda de chocolate…

Para acompanhar, pode ser feito uma calda quente de chocolate que fica uma delícia! Você pode fazer esta mesma calda para comer com frutas picadas, não tem quem não goste…

Ingredientes:

1/2 xícara de cacau em pó;
1 xícara de açúcar;
1 colher de chá cheia de pimenta da jamaica em pó (não é obrigatório, mas dá um gostinho muito especial. E para quem não conhece, não é “apimentado”, fica muito bem em bolos também);
1 colher de sopa de margarina Becel (sem leite);
1 caixa de creme de leite de soja.

Modo de preparo da calda de chocolate quente:

Misturar tudo (menos o creme de leite), pode aquecer uns 10 segundos no micro-ondas para facilitar a mistura da margarina.

Acrescentar uma caixa de creme de leite de soja, misturar bem e aquecer. Pode servir frio, mas experimente o sorvete com calda quente…

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Como Assassinamos Nossos Insights

Vou prosseguir na minha excursão pela mente humana. Nos posts anteriores, comentei um pouco sobre a percepção da realidade e sobre as lembranças. Hoje comentarei sobre uma palavra que em português não tem uma boa equivalência: insight.

O insight é aquela ideia que surge em nossas mentes, aparentemente do nada, e temos a sensação de que alguém a soprou em nossos ouvidos. Parece uma centelha divina. Ou seja, alguns diriam que são enviados por um Ente Supremo, outros diriam que são as vozes de uma consciência universal… Os mais céticos ou egocêntricos afirmariam que sempre estiveram dentro de nossas cabeças, esperando a hora certa para aflorar. Tem outros ainda que acreditam que só acontecem graças aos estímulos externos: ambiente, leituras inspiradoras, companhias, música ou silêncio…

insight

Embora muitos não acreditem, temos estes insights toda a hora, mas nem sempre percebemos, porque nossas cabeças estão ocupadas com outros pensamentos. E o que causa este “congestionamento” mental? Parece que procuramos motivos para sofrer, ressuscitamos fatos do passado, maximizamos problemas do presente e antecipamos tragédias futuras.

Como no artigo anterior, já escrevi sobre as lembranças do passado, desta vez falarei mais sobre o presente e o futuro.

Todo mundo me pergunta como está minha vida neste primeiro ano em São Paulo depois de viver 45 anos no Rio Grande do Sul. Percebo que minha resposta surpreende as pessoas. Respondo com sinceridade que estou gostando de morar na capital paulista e o único aspecto negativo é o trânsito, mas não me estresso com isto. Aproveito aquela hora (às vezes mais do que uma) na solidão do carro na lentidão da Marginal Pinheiros para relaxar, ouvir música ou alguma entrevista interessante no rádio e pensar…  Muitas vezes surgem os mais variados tipos de insights, alguns muito engraçados que me levam às gargalhadas. Se eu ficasse todos os dias tenso e irritado com estes congestionamentos, será que eu ouviria meus insights que me conduzem a boas reflexões e garantem humor, no mínimo, razoável na chegada ao meu lar?

Engarrafamento na Marginal Pinheiros em São Paulo

Engarrafamento na Marginal Pinheiros em São Paulo

Evidentemente podemos interpretar as situações em que estamos inseridos das mais diversas formas. Percebemos a realidade, a criamos e a recriamos do nosso jeito dentro de nossas cabeças. Nesta semana, ouvi uma história sobre um colega de um prestador de serviço que vai ao encontro da minha. Ele gostava do trânsito intenso entre São Paulo e Santos no início dos feriadões, porque tinha a oportunidade de conviver por algumas horas com sua família. Para muita gente isto seria absurdo!

Outra armadilha é viver em um futuro que não existe e, se não nos dedicarmos no presente, jamais existirá. Acho importante construir castelos nas nuvens, porque nos mostram como pode ser nosso futuro, mas não podemos viver neles.

CastleInTheClouds03

Um comportamento comum, quando o tempo passa e nada acontece, é a criação de conspirações ilusórias onde todos estão contra e os outros são beneficiados por razões escusas. Neste momento, a pessoa se passa por vítima e acredita que tudo sempre vai dar errado com ela, apesar de fazer tudo certo (na perspectiva dela, é claro!). Ela deve vencer a batalha no interior da sua cabeça, onde os verdadeiros combates são travados. Só após esta vitória, será possível conquistar o mundo e construir seu castelo.

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Memórias e os Fantasmas do Passado

Uma das piores coisas que podemos fazer é remoer o passado. Todas as vezes que entramos neste estado mental, nos envenenamos e esquecemos de viver o presente.

Como escrevi no post anterior, cada um tem sua própria percepção da realidade e esta realidade existe dentro de nossas cabeças. Com nossas memórias, acontece o mesmo, elas são moldadas a partir de nossas percepções, valores, inteligência e sabedoria. Isto significa que nossas memórias vão se alterando com o passar do tempo, porque nós também mudamos. Se insistirmos em guardar mágoas devido a um fato, todas as vezes que nos lembrarmos do ocorrido, sentiremos dor, tristeza ou raiva. O que ganhamos com isto? Nada!

Estátua de Rodin retrata desespero extremo.

Claro que não vamos esquecer tudo o que nos prejudicou no passado, mas seria fundamental se extraíssemos os aprendizados como aspectos positivos e os vinculássemos a estas memórias. Por exemplo, meu primeiro chefe foi o canonizável Eng.º Mário. Como profissional jovem, achei que este podia ser o padrão, mas, após 25 anos de estrada, sei que ele é uma honrosa exceção no mundo corporativo. Obviamente tive problemas com outros superiores hierárquicos ou funcionais na sequência da minha carreira. No início, guardava mágoa ou raiva em relação a estes profissionais. Há algum tempo, percebi o quanto fui ajudado por eles, do jeito deles, a me tornar um profissional e até mesmo uma pessoa melhor. Algumas vezes desconsiderei o conteúdo da mensagem por conta da forma inadequada de expressão: confusa, autoritária ou agressiva. Em outros casos, a percepção da realidade deles era diametralmente oposta à minha. Nestes casos, não adianta bancar o guri birrento e simplesmente executar as tarefas do seu jeito, ou pior ignorá-las, ao invés de pensar nas razões do chefe e, se for o caso, buscar novos argumentos para convencê-lo.

Na vida pessoal, muitas vezes valorizamos demais problemas e conflitos pontuais que temos com os pais, companheiros, filhos e amigos. Ou seja, longos anos de amor, amizade e companheirismo são destruídos nas nossas mentes por alguma ocorrência de importância muito menor.

Quem decide sofrer com as lembranças somos nós mesmos e somente nós podemos alterá-las, aprender com elas e continuar vivendo em constante evolução.

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Como a Matrix de Neo e a Caverna de Platão nos Mostram a Realidade

Há duas semanas participei de um treinamento sobre os princípios que regem nossos pensamentos, realizado em um hotel em Miami Beach. Muito além do belo visual da praia, passei dias intensos nos quais refleti profundamente sobre minhas ideias e modo de agir.

Tudo começou com a ideia de que a realidade está na cabeça de cada um. Ou seja, cada um tem a sua realidade percebida. Este conceito parece óbvio, mas muita gente não o aceita. No sensacional primeiro filme da série Matrix, Neo é abordado por Morpheus que lhe oferece a pílula vermelha para enxergar uma nova realidade ou uma azul para permanecer na mesma situação. Ele opta pela alternativa mais arriscada e opta pela vermelha. Infelizmente, em nossas vidas, a escolha não aparece de modo tão claro e direto…

matrix neo morpheus red blue pill
Morpheus oferece a Neo as pílulas vermelha e azul.

Esta passagem lembra a história da “Caverna” de Platão, presente no livro “A República”. Nesta história homens estão acorrentados no interior de uma caverna, vendo apenas sombras projetadas no seu fundo. Este era o mundo real para eles. Um dos membros daquele grupo resolve fugir para ver se existe alguma coisa além daquelas imagens. Ele se liberta, enfrenta uma jornada difícil, fica quase cego por causa da luz intensa do dia, sente dor, pensa em voltar, mas resiste, passa a entender que aquela é uma realidade totalmente nova. Finalmente resolve voltar para libertar seus companheiros. Chega à caverna e conta o que viu. Então, no início, ele é ridicularizado e depois considerado louco. Como ele insiste em manter seu pensamento, é agredido e morto pelos seus antigos colegas. Apesar do seu final triste, provavelmente ele plantou sementes que florescerão na mente de alguns dos seus algozes que se libertarão e perceberão uma nova realidade.

A Caverna de Platão
A Caverna de Platão

Podemos dizer que não agimos assim, mas quantas vezes criticamos, ridicularizamos, isolamos e, até mesmo, somos agressivos com aqueles que têm pensamento diferente dos nossos? Dentro de casa mesmo, como tratamos nossos pais, filhos e companheiros?

Fizemos um exercício interessante em trios, durante o treinamento, onde duas pessoas discutiam de forma reflexiva o problema do terceiro componente do grupo. O “dono” da questão explicava o caso e depois ouvia as reflexões e fazia comentários somente após a conclusão da conversa. Todos ficaram impressionados com os resultados obtidos, porque, sem exceção, receberam insights úteis para resolver seus problemas. Por que isto não acontece normalmente em nossas vidas?

Um dos motivos é que não ouvimos com atenção os outros. Muitas vezes cortamos a fala do nosso interlocutor para “ajudar” ou rebatê-lo, prejudicando o desenvolvimento das ideias. Por outro lado, também amamos nossas ideias e nossos egos não aceitam qualquer crítica ou desafio. Parece que nos apegamos a elas como se fossem partes inseparáveis de nosso ser. Deveríamos ter desapego pelos nossos pensamentos e imaginar que, após compartilhá-los, eles são públicos e todos têm liberdade para usá-los, desenvolvê-los e aperfeiçoá-los. Não existe ideia perfeita, porque somos criadores imperfeitos…

Não quero ouvir

Os três princípios apresentados no treinamento estão apresentados abaixo: 

  1. Nós vivenciamos nossos pensamentos a cada momento.
  2. Nós sentimos nossos pensamentos.
  3. Nós podemos sempre ter novos pensamentos.

 Ou seja, devemos sentir se devemos ou não ter certos pensamentos e atitudes e, se sentimos que não é o melhor, podemos pensar e agir diferentemente. Claro que não é fácil, mas vale a pena tentar e praticar.

Para finalizar, lembro-me de outra cena do Matrix, quando Neo vai consultar o Oráculo para saber se ele é o escolhido. A mulher pergunta se ele leu a frase que estava escrita na entrada da casa:

– Conhece a ti mesmo!

Insistimos em achar que, como diria Sartre, o inferno são os outros e que estamos infelizes por causa da família, do nosso emprego, do local onde moramos, do clima… Na verdade, nós temos a capacidade de alterar nossa percepção da realidade e analisar o que é importante e o que é acessório ou supérfluo nas nossas vidas. E muito importante: felicidade ou equilíbrio não são sinônimos de passividade e alienação!

temet nosce
“Conhece a ti mesmo” em latim.

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Rescaldo Eleitoral ou a Volta de Tarcísio “Jason” Zimmermann

Na noite de ontem, finalmente saiu o resultado do julgamento do recurso do prefeito de Novo Hamburgo, Tarcísio Zimmermann, no TSE. Ele foi derrotado por 4 a 3. Deste modo, foi confirmada a sua inelegibilidade até o final de 2012. Se você quiser saber toda a história, leia o post Auf Wiedersehen Tarcísio.

Tarcísio Zimmermann

Tarcísio Zimmermann fez festa apesar da eleição estar sob júdice.

Abaixo está apresentado o raio-X da eleição para o executivo municipal hamburguense:

Eleitorado – 177.706
Abstenção – 26.295 (14,80%)
Total de votos – 151.411

Votos brancos – 13.839 (9,14%)
Votos nulos – 11.135 (7,35%)
Votos válidos – 126.437

Tarcísio Zimmermann (PT) – 67.283 votos (53,21%)
Paulo Kopschina (PMDB) – 57.085 votos (43,29%)
Dione Moraes (PSC) – 2.069 votos (3,50%)

Como Tarcísio obteve mais da metade do votos válidos, esta eleição está anulada e uma nova será realizada no primeiro trimestre de 2013.

No julgamento, os votos favoráveis ao atual prefeito petista foram dos ministros Marco Aurélio Mello, Dias Toffoli e Henrique Neves. O ministro Marco Aurélio lembrou que a Justiça Eleitoral deferiu os registros de candidatura de Zimmermann a deputado federal em 2006 e a prefeito de Novo Hamburgo em 2008. “Como pode agora fulminar a tentativa de reeleição em 2012?”, perguntou o ministro.

Marco Aurélio Mello

Ministro Marco Aurélio Mello do STF e do TSE.

O mais curioso neste voto é que, pela redação vigente da Lei da Ficha Limpa, estão inelegíveis os que forem condenados, em decisão por órgão colegiado da Justiça Eleitoral (como o TRE gaúcho) por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma, pelo prazo de 8 (oito) anos a contar da eleição. Ou seja, o ministro desprezou a Lei da Ficha Limpa…

O ministro Dias Toffoli afirmou que o artigo que trata de condutas vedadas a agentes públicos é o 73 e não o 77 da Lei das Eleições. “Essa questão de comparecer a uma inauguração, ela tem a sua repercussão para a eleição específica”, disse.

Dias Toffoli

Ministro Dias Toffoli do STF e TSE.

Mas que “grande contribuição” deste membro do Supremo Tribunal Federal! Abaixo transcrevi a redação do Artigo 77 da Lei Federal 9.504/97 que vale para todos os candidatos a cargos eletivos.

Art. 77. É proibido a qualquer candidato comparecer, nos 3 (três) meses que precedem o pleito, a inaugurações de obras públicas.
Parágrafo único. A inobservância do disposto neste artigo sujeita o infrator à cassação do registro ou do diploma.

Parece que pela segunda vez a Lei da Ficha Limpa foi desconsiderada. Sempre devemos lembrar que Tarcísio Zimmermann foi condenado pelo TRE-RS por participar de uma inauguração de obra pública antes da eleição de 2004.

Infelizmente os votos destes dois Excelentíssimos Ministros do Supremo Tribunal Federal não me surpreende. Basta observar seus votos em outros julgamentos…

Voltando à eleição de Novo Hamburgo. Tarcísio afirma que vai recorrer ao STF e tentar bloquear na Justiça a execução de novas eleições antes do julgamento do mérito do seu derradeiro recurso. Enquanto isto, a cidade será governada por um interino, o presidente da Câmara de Vereadores do município. Ele também pretende concorrer se houver nova eleição. Isto é muito polêmico já vi argumentos a favor e contra a sua participação. Ou seja, ele pode ganhar e não levar de novo!

Jason da séria Sexta-Feira 13

Jason da séria Sexta-Feira 13 e Tarcísio – os dois voltam sempre para continuar suas maldades…

Por outro lado, me surpreende que o povo hamburguense seja iludido pela propaganda oficial da Prefeitura e continue votando no atual prefeito que a cada dia mostra mais seu ego superinflado, sua prepotência e o desrespeito pelas regras democráticas.

Independente do que acontecer pela frente, gostaria que Tarcísio Zimmermann pagasse integralmente o custo desta nova eleição. Talvez uma ação popular consiga buscar o ressarcimento destes gastos que, segundo li em um site de notícias, ficariam em torno de R$ 200 mil.

Urna Eletrônica

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Obama e o Dilema Capitalista

Nesta semana, a principal notícia foi a reeleição de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos, o país mais poderoso do mundo. Um dos pontos mais importantes debatidos, durante toda a campanha, foi a lenta recuperação da economia americana. Na segunda-feira, li um artigo muito interessante no The New York Times escrito por um professor de Harvard, Clayton Christensen, que iniciava com a seguinte constatação:

– Independente do que acontecerá no Dia das Eleições, os americanos continuarão perguntando: quando a economia melhorará?

Um dos recados transmitidos é que a influência do presidente eleito, Obama ou mesmo Romney, na retomada da economia seria pequena. Você pode ler o artigo na íntegra, clicando no link abaixo.

http://www.nytimes.com/2012/11/04/business/a-capitalists-dilemma-whoever-becomes-president.html?pagewanted=all

Romney e Obama

Um dos debates entre Romney e Obama

Segundo o autor, existem três tipos de inovação:

  1. Inovação capacitante (“empowering innovation”)
  2. Inovação de sustentação (“sustaining innovation”)
  3. Inovação de eficiência (“efficiency innovation”)

O primeiro tipo de inovação supre uma demanda do mercado ainda não atendida. Ela transforma produtos caros disponíveis apenas para um pequeno grupo de pessoas em produtos mais baratos para a maioria da população. Ele cita os exemplos do Ford Modelo T e dos computadores pessoais. Esta forma de inovação cria empregos e usa capital para estruturação da nova cadeia produtiva. Ou seja, estimula o crescimento econômico.

Linha de produção do Ford modelo T

Linha de produção do Ford modelo T

A inovação de sustentação substitui os velhos produtos por novos modelos. Por exemplo, os carros híbridos possuem tecnologia mais avançada do que os convencionais, entretanto o número total de automóveis vendidos não crescerá devido à sua introdução no mercado, porque o público-alvo é exatamente o mesmo dos modelos tradicionais. Esta forma de inovação, apesar de criar poucos empregos novos, mantém o dinamismo da economia.

Automóvel híbrido Toyota Prius

Automóvel híbrido Toyota Prius

A inovação de eficiência, como o próprio nome sugere, busca a redução dos custos de geração de um produto ou serviço. Assim o número de empregos sempre é reduzido com a aplicação deste terceiro tipo de inovação. Por outro lado, a empresa recupera o capital investido que poderá ser o combustível para o próximo ciclo de inovação capacitante.

Estas três formas de inovação devem operar de modo cíclico, onde as inovações capacitantes são essenciais, porque criam novos consumos e mais empregos do que as inovações de eficiência conseguem eliminar posteriormente.

Segundo Christensen, nos últimos 150 anos, a economia americana operou desta forma e conseguiu manter-se distante dos longos períodos de recessão. De 1948 a 1981, o nível de emprego anterior à recessão era recuperado em apenas 6 meses. Na recessão de 1990, demorou 15 meses; na de 2001, 39 meses. E agora já são 60 meses, lutando para voltar ao nível anterior a esta recessão.

O que está havendo? O autor explica que as inovações de eficiência estão gerando capital que é reinvestido em novas inovações de eficiência ao invés das capacitantes. Desta forma, gera-se mais capital, mas não são gerados novos empregos. O capitalismo trata com carinho os bens escassos e “despreza” os bens abundantes. Hoje capital não representa mais uma restrição, porque existem abundantes linhas de financiamento com baixas taxas de juros no mundo. O problema é que os líderes das empresas estão seguindo fielmente os ensinamentos que receberam no passado. Ao analisar a taxa interna de retorno (I.R.R. em inglês) de dois investimentos, uma inovação capacitante com retorno em 8 anos e uma inovação de eficiência que retorna na metade deste período, a opção pelo ganho mais fácil e garantido tem sido a escolhida na grande maioria dos casos.

Eu diria que os capitalistas se viciaram no capital. Ou, em inglês, deixaram de ser capitalist e viraram capital addict.

Dilema capitalista

O Dilema Capitalista

O autor sugere que existe um problema educacional nos Estados Unidos, porque as habilidades para a criação de inovações capacitantes estão escassas atualmente. As universidades deveriam treinar os estudantes para estes tipos de desenvolvimentos, passando a mirar no longo prazo. Em paralelo, o governo americano deveria criar um sistema para incentivar este tipo de investimento.

Clayton Christensen

Clayton Christensen

O Brasil experimentou um crescimento baseado no aumento do consumo interno nos últimos anos. Este modelo parece ter se esgotado. Parece que este artigo dá uma pista sobre o que deve ser feito para que nosso país dê um novo salto de desenvolvimento, mas para que isto ocorra, investimentos em inovação e educação são fundamentais.

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A Ignorância, o Atraso e o Oportunismo

No domingo que passei na Espanha, segui a sugestão do colega que estava no mesmo hotel e fizemos uma excursão para a cidade histórica de Girona e para Figueres, onde está localizado o Museu Salvador Dalí.

Girona é daquelas cidades europeias que tem mais tempo de história do que o nosso Brasil. Foi fundada pelos romanos na beira do rio Oñar, os vestígios das muralhas ainda estão firmes. Depois foi conquistada pelos visigodos, na sequência pelos árabes que foram expulsos pelos francos de Carlos Magno. Isto explica a semelhança da língua catalã falada por todos na região com o francês.

Cidade de Girona na Espanha

Cidade de Girona na Espanha

A cidade prosperou até o século XIV quando foi atingida pela epidemia de peste negra. A população da cidade, naquela época, tinha uma parcela expressiva de judeus, mais de 10% do total. A colônia era composta por profissionais das mais variadas áreas, com destaque para as ciências e medicina . Os médicos judeus tiveram pouco sucesso no tratamento dos pacientes desta doença e “pior”, a proporção de doentes  entre a sua etnia foi expressivamente menor do que na comunidade cristã. Isto ocorria, porque os judeus seguiam  rigorosamente suas leis referentes à higiene. Afinal quem tem melhores hábitos, é mais saudável.

Bairro Judeu da Cidade de Girona na Espanha

Uma das ruas do Bairro Judeu da cidade de Girona

O fanatismo religioso estimulado pelos poderosos da cidade levou muitos judeus ao massacre por serem considerados os responsáveis pela disseminação da doença. Outros se converteram ao Cristianismo para escapar da morte. Mais tarde, durante a famosa Inquisição Espanhola do século XV, muitos judeus  e “novos cristãos” foram perseguidos e mortos acusados de heresia. Na verdade, o mais importante para os reis da Espanha  era o confisco de todas as propriedades dos hereges. Mais uma vez, a ignorância foi usada pelos poderosos por meros interesses econômicos.

Fogueira de judeus

Judeus foram mortos por heresia em fogueiras

Na minha viagem de ida para a Europa, tinha um interessante artigo na Newsweek escrito por Hussain Haqqani,  ex-embaixador paquistanês em Washington de 2008 a 2011 e atualmente professor de relações internacionais na Boston University. Se quiser ler o artigo original na íntegra, basta clicar no link abaixo.

http://www.thedailybeast.com/newsweek/2012/09/30/husain-haqqani-muslim-rage-is-about-politics-not-religion.html

Hussain Haqqani

Hussain Haqqani

Com muito mais propriedade do que eu em meus artigos anteriores, Haqqani comenta que da mesma forma que as escrituras Judaicas ou Cristãs, os textos sagrados do Islã pregam a caridade, a bondade e o respeito pela vida. O Al Corão em muitas passagens encoraja seus seguidores a praticar o perdão. Em um episódio famoso, Muhammad perguntou pela saúde de uma anciã em Meca que jogava lixo nele todos os dias. Quando ela não apareceu para insultá-lo, ele ficou preocupado.

Haqqani cita vários casos de livros obscuros que se tornaram conhecidos por causa dos protestos e condenações (fatwa) dos seus autores à morte por autoridades religiosas. O objetivo, na verdade, não era acabar com as ofensas, mas mobilizar os mulçumanos contra o Ocidente. Os protestos das manchetes são função dos políticos, não da religião. Por exemplo, o governo paquistanês criou o “Dia do Amor do Profeta” e, apesar de 95% da população do país (190 milhões de habitantes) serem mulçumanos, apenas 45 mil pessoas participaram das manifestações que terminaram em mortes e feridos contra o filme “Innocence of Muslims”.

Salman Rushdie e seus "Versos Satânicos"

Salman Rushdie e seus “Versos Satânicos”

Metade dos analfabetos do mundo são mulçumanos e dois terços deste grupo são formados por mulheres. Nesta condição, as pessoas podem ser manipuladas com muito mais facilidade. A atenção do povo é desviada e o foco é “nós contra os outros”, quando deveria ser “nós contra os nossos problemas”.

sala  de aula no Paquistão

Sala de aula no Paquistão

Se você segue meu blog com regularidade, pode pensar que ultimamente estou batendo na mesma tecla. A ideia é mostrar diferentes exemplos onde a manipulação das pessoas pode gerar violência e intolerância. Muitas justificativas podem ser empregadas: autoridade, ordem, religião, pátria e tradição. Certa vez li uma frase creditada a Albert Einstein, depois vi que outros creditavam ao músico Maurice Ravel (autor do famoso “Bolero”), independente do autor, ela é impactante:

– A tradição é a personalidade dos imbecis.

Se agirmos da mesma forma, sem questionamentos, como se não existisse alternativa, seremos realmente uns imbecis. Assim qualquer um consegue convencer que o problema é outro país, outra raça ou outra religião. Não somos mais os responsáveis por conduzir e decidir sobre o que é melhor para nossas próprias vidas. Os outros ou as tradições decidem por nós…

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Aos Mestres com Carinho

Esta singela história aconteceu no já “longínquo” ano de 1973 no Colégio Notre Dame na cidade gaúcha de Passo Fundo. Acho que, pelo menos, uma das homenageadas deste post vai querer me matar por causa do adjetivo que usei para aquele ano…

Numa aula do segundo ano do primário, a professora afirmou que a Terra era um planeta e que os planetas giravam em torno do Sol. A volta completa demorava um ano ou aproximadamente 365 dias no nosso caso. Depois disse que a Terra e os outros corpos celestes do mesmo tipo também giravam em torno do seu eixo. A duração deste movimento de rotação era equivalente a um dia ou  24 horas, no caso da Terra. Quando o lado do planeta estava voltado para o Sol, tínhamos o dia e, quando não recebia os raios do “astro-rei”, era noite. E chegou o momento de explicar as estações do ano… Ela disse para a turma que as órbitas não eram circulares e sim “ovais”. Deste modo, quando a Terra está mais próxima do Sol, ficaria mais quente e teríamos o verão. Por outro lado, quando estivesse mais distante, ficaria mais frio e seria inverno.

Movimentos de rotação e translação da Terra em torno do Sol

Movimentos de rotação e translação da Terra em torno do Sol

Neste momento, eu fiz uma observação para a professora:

– Mas ontem eu vi no Jornal Nacional que estava nevando nos Estados Unidos e disseram que é o pior inverno dos últimos anos. Como é que lá é inverno e aqui no Brasil é verão ao mesmo tempo?

As quatro estações

As quatro estações

A professora foi atingida por um golpe inesperado. Ela poderia ter me desqualificado dizendo:

– Como um guri de 7 anos quer saber mais do que a professora?

Poderia ter simplesmente me “enrolado” e continuado a aula, mas ela fez algo inesquecível. Apenas parou, pensou e disse humildemente que não sabia a resposta naquele instante, mas que pesquisaria e, nos próximos dias, haveria uma explicação para minha dúvida.

Realmente após alguns dias, ela entrou na sala com um abajur e um globo terrestre e disse que teríamos uma aula especial sobre as estações do ano. Pediu para fecharmos todas as venezianas e cortinas. Depois um colega fez o papel do Sol, ao ligar o abajur. Ela desligou as luzes da sala e conduziu o globo na translação em torno do Sol. Mostrou que o eixo da Terra se inclina, fazendo que o hemisfério sul receba maior quantidade de raios solares no verão; e menor quantidade, no inverno. Tudo foi muito claro e visual. Depois usou meu exemplo e mostrou onde ficava os Estados Unidos (no inverno) e o Brasil (no verão). Na sequência, mostrou quando começava cada estação do ano nos dois hemisférios. Finalmente perguntou se minhas dúvidas tinham sido sanadas. Claro que foram!

Experiência do Sistema Solar

Experiência semelhante sobre o Sistema Solar

Aquela aula se tornou um benchmark, poucas vezes atingido. Tive outros grandes mestres na minha vida, mas guardo esta aula como um carinho especial. Na verdade, quantos professores desafiados por um aluno teriam um comportamento tão positivo como este? Na Universidade, não foram muitos… Talvez o orgulho, a insegurança ou a desmotivação impeçam o crescimento pessoal do próprio professor e da turma de estudantes. Se minha professora, que vergonhosamente não consigo lembrar o nome, ao invés de ter atitude proativa em relação ao meu questionamento, demonstrasse passividade ou, pior, agressividade, talvez hoje eu fosse outra pessoa ou profissional.

Neste Dia do Professor, só posso usar um velho chavão:

– Sem educação, não há solução!

Sem professores preparados e motivados, não conseguiremos formar os cidadãos e os profissionais que nosso mundo tanto precisa. Isto inclui, além de salário digno, treinamento contínuo. Encerro homenageando na pessoa da minha irmã Flávia que, por vocação, escolheu esta dura carreira, todos os professores que lutam, apesar de todas as dificuldades, para cumprir sua bela missão.

Feliz dia do professor

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Auf Wiedersehen Tarcísio!

Meu domicílio eleitoral é Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul. Como estou morando em São Paulo e não transferi meu título, este ano apenas justificarei minha ausência na urna. Apesar da distância, acompanhei alguns acontecimentos da campanha eleitoral hamburguense. Sem dúvida, o grande fato é a decisão da Justiça Eleitoral que considerou o candidato a reeleição, Tarcísio Zimmermann do PT, inelegível por causa da Lei da Ficha Limpa.

Tarcísio Zimmermann

Tarcísio Zimmermann (fonte: novohamburgo.org)

Em 2004, os candidatos à prefeitura, Tarcísio e o ex-prefeito Jair Foscarini (PMDB) participaram da inauguração de uma obra pública e tiveram o registro cassado naquele ano.  Como a Lei da Ficha Limpa torna o candidato condenado inelegível por oito anos, a candidatura do petista foi indeferida. Os advogados de Tarcísio alegam que o prazo se encerraria oito anos após o pleito de 2004, dia 2 de outubro, mas o ministro Arnaldo Versiani, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerou que o impedimento vale até o final de 2012.

Em entrevista ao Terra, nesta sexta-feira, o petista disse que pensou melhor e resolveu “arriscar”. O risco citado pelo candidato seria a manutenção da decisão do ministro Arnaldo Versiani pelo plenário do TSE. Neste caso, haveria três alternativas: 

  1. Outro candidato ganha a eleição – caso encerrado, o recurso do Tarcísio perde a razão.
  2. Tarcísio vence com menos de 50% dos votos válidos – se ele perder o recurso, o segundo colocado assume a prefeitura.
  3. Tarcísio vence com mais de 50% dos votos válidos – se ele perder o recurso, o pleito será anulado, novas eleições para prefeito serão convocadas.

Ou seja, se o TSE entender que Tarcísio não tem razão, o Partido dos Trabalhadores terá um prejuízo eleitoral muito grande. Impressiona o domínio que o atual prefeito exerce sobre seu partido.

Quem acompanha meu blog sabe das críticas que tenho em relação ao atual governo exercido por Tarcísio Zimmermann em Novo Hamburgo. Tudo começou com a obra para colocação da rede de alta tensão na Avenida Sete de Setembro. Publiquei dois artigos (links abaixo) a respeito desta obra da empresa AES Sul. Descobri, neste período, como funcionava a Câmara dos Vereadores, onde poucos representantes faziam oposição, enquanto os outros concordavam com tudo que vinha do Executivo Municipal.

https://vicentemanera.com/2011/06/23/redes-de-alta-tensao-sobre-nossas-cabecas/

https://vicentemanera.com/2011/07/28/audiencia-publica-de-esclarecimentos-sobre-a-rede-de-alta-tensao-em-novo-hamburgo/

Também percebi que a principal empresa de comunicação da região, fazia propaganda positiva para o governo. Depois veio a gigantesca  campanha “Eu Cuido, Nós Cuidamos”, que atingiu várias mídias simultaneamente, como outdoors espalhados pela cidade, inserções nas programações de emissoras de rádio locais e da capital, além de anúncios em jornais. Os links abaixo são relativos aos dois artigos sobre o assunto.

https://vicentemanera.com/2011/10/22/liberdade-de-expressao/

https://vicentemanera.com/2011/10/29/gasto-com-publicidade-oficial-%e2%80%93-como-o-dinheiro-publico-escorre-pelo-ralo/

Resolvi atualizar a tabela e o gráfico sobre os gastos com publicidade da Prefeitura de Novo Hamburgo em 2012 e me surpreendi com a magnitude do aumento deste ano. Passou de R$ 2 milhões para R$ 2,8 milhões, um aumento de 40%. Veja abaixo.

Tabela gastos publicidade Novo Hamburgo

Gráfico Gastos Publicidade Institucional Novo Hamburgo

Tarcísio se apropriou de obras privadas e federais como se fossem suas realizações. O exemplo é a extensão do Trensurb para a cidade. Parece que ao invés de fazer obras importantes para o município, ele prefere gastar vultosas quantias para convencer a população, sempre apoiado por uma Câmara dos Vereadores subserviente e por uma imprensa omissa que faz apenas jornalismo positivo para o Executivo.

O mais irônico é que, apesar disto tudo, Tarcísio pode ser cassado por um motivo menos importante como participar de uma inauguração. Lembra a história do gângster Al Capone preso por causa do Imposto de Renda ao invés de todos seus crimes e assassinatos.

Al Capone

Al Capone

Gostaria mesmo é que a população de Novo Hamburgo cassasse o futuro mandato do prefeito petista, dizendo NÃO para a queima de recursos com publicidade e para toda a sua incompetência e prepotência. Amanhã é o dia!

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Golfinhos de Guerra

Durante meus vinte dias no Canadá, normalmente aproveitava para fazer uma leitura do jornal local, “The Saskatoon StarPhoenix”, no café da manhã do hotel. Em uma destas leituras matutinas, havia a notícia sobre exercícios conjuntos das forças armadas americanas e canadenses nos quais participaram golfinhos treinados pelos americanos.

Golfinhos da Marinha Americana

Sargento Andrew Garrett observa um golfinho durante treinamento no Golfo Pérsico. (Foto: Brien Aho/AP)

A marinha americana, desde os anos 60, vem desenvolvendo um programa que usa mamíferos marinhos (Marine Mammal System) em operações especiais, como os golfinhos-nariz-de-garrafa (golfinhos comuns) e os leões marinhos californianos. Os golfinhos e baleias possuem um sonar mais eficiente do que o melhor dispositivo desenvolvido pelo homem, enquanto os leões marinhos apresentam uma visão privilegiada mesmo em condições de baixíssima iluminação.

Leão marinho da Marinha Americana.

Leão marinho em treinamento pela Marinha Americana.

A principal função dos golfinhos é a localização de minas marinhas. Eles foram usados com sucesso na Invasão do Iraque em 2003 para limpar as minas no Porto de Umm Qasr. Atualmente estão em treinamento para outra missão semelhante, se o Irã cumprir sua ameaça de colocar minas no Estreito de Ormuz, por onde passam pelo menos um quinto dos carregamentos de petróleo do mundo.

Estreito de Ormuz

Localização do Estreito de Ormuz no Golfo Pérsico

A marinha americana garante que os golfinhos não são responsáveis pela detonação das minas, apenas pela sua detecção e marcação. Por outro lado, de acordo com notícia do site CBS News, em 26 de março de 2011, pelo menos três mortes de golfinhos na costa de San Diego na Califórnia estavam ligadas a exercícios da marinha americana. Claro que estes mamíferos marinhos não estão prestando serviço voluntário para as Forças Armadas! Será que podemos considerar ética a exposição de animais a missões de alto risco como estas?

Peter Singer define especismo como sendo a discriminação dos homens contra as outras espécies de animais. Assim os humanos podem usar outras espécies como escravos ou criá-las para depois abatê-las e usá-las como alimento. O filósofo australiano também comparou o especismo com outras formas de discriminação como o racismo e o sexismo.

Peter Singer

Peter Singer e a Liberação Animal

A maioria das pessoas fica sensibilizada com notícias sobre violência contra golfinhos, baleias, macacos ou animais domésticos, como cães e gatos. Por outro lado, não são concedidos os mesmos direitos a outros animais, como galinhas, porcos e vacas.

Vaca e Golfinho

E eu nem falei sobre sustentabilidade ou dos problemas ecológicos causados pela criação de animais para consumo humano…

Para mais informações sobre este assunto, leia “Ecologia Dentro e Fora de Nossos Corpos“.

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O Islamismo é Violento?

Anteontem mais dezenove pessoas morreram no Paquistão em protestos contra o filme ofensivo ao profeta Muhammad, “Innocence of Muslims”. Como falei no post anterior, nada justifica esta reação violenta dos mulçumanos.

No versículo 62 da Segunda Surata (capítulo) do Alcorão, está escrito que os fieis (mulçumanos), os judeus, os cristãos e os sabeus (antigo povo que vivia na região do Iêmen), enfim todos os que crêem em Deus e praticam o bem, no Dia do Juízo Final, receberão a sua recompensa do seu Senhor e não serão presas do temor.

Este é um verdadeiro exemplo de tolerância religiosa. Onde está o radicalismo?

O embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens, e outros três funcionários morreram em ataque ao consulado em Benghazi no dia 11 de setembro. Imediatamente as redes de notícias colaram o atentado ao filme anti-islâmico, mas veja a foto abaixo onde civis líbios resgatam e tentam salvar a vida do embaixador. Estas pessoas da foto também não são mulçumanas? A generalização deve sempre ser evitada!

Resgate embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens

Resgate embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens

Parece que a religião foi só um pretexto…

Outra onda de protestos ocorreu em vários pontos da China contra os japoneses por causa das Ilhas Senkaku. Um arquipélago composto por cinco ilhotas desabitadas e três rochas estéreis, com uma área total de aproximadamente 6 km².

Ilhas Senkaku

Ilhas Senkaku

Empresas japonesas, como Toyota, Honda, Canon e Panasonic, foram obrigadas a paralisar suas atividades por questões de segurança. Qual seria a relação entre empresas japonesas e estas ilhas sem importância? Quem liderou estes protestos de cunho nacionalista?

Protestos anti-Japao na China por causa das Ilhas Senkaku

Protestos anti-Japao na China por causa das Ilhas Senkaku

Parece que as ilhas foram só um pretexto…

Em 1985, uma hora antes da disputa da final da Taça dos Campeões da Europa, entre Liverpool da Inglaterra e Juventus da Itália, aconteceu um conflito entre torcedores no Heysel Stadium em Bruxelas na Bélgica. O resultado final foi uma tragédia com 39 mortos e aproximadamente 600 feridos. O que os torcedores da Juventus fizeram de tão grave para justificar o massacre protagonizado pelos hooligans ingleses?

Liverpool_Juventus_Heysel

Imagens do conflito no jogo Liverpool x Juventus no Estádio Heysel

Em 1995, ocorreu a final da Supercopa São Paulo de Futebol Júnior entre as equipes do São Paulo e do Palmeiras no Estádio do Pacaembu na capital paulista. Logo após o final do jogo, torcedores do Palmeiras invadiram o gramado para festejar a conquista do título. A torcida do São Paulo se enfureceu, pegou pedaços de madeira e entulhos (o estádio estava em obras) e iniciou uma batalha campal. No final, um rapaz de dezesseis anos de idade morreu e outras 102 pessoas ficaram feridas.

briga entre as torcidas do Palmeiras e São Paulo na final da Supertaça São Paulo de Juniores em 1995

Briga entre as torcidas do Palmeiras e São Paulo na final da Supertaça São Paulo de Juniores em 1995

Parece que o futebol era só um pretexto…

Em todos estes casos que apresentei acima, tenho absoluta certeza que a esmagadora maioria dos mulçumanos, dos chineses e dos torcedores de futebol desaprova estes atos violentos. Então afinal por que eles aconteceram? Na minha opinião, líderes inescrupulosos conseguem usar pessoas menos evoluídas para, através da violência, atingir seus objetivos. Assim religião, futebol ou amor à pátria são apenas pretextos para a realização de atentados e assassinatos. Se melhorar a educação destas pessoas, provavelmente, esta cultura de violência será enterrada…

 

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Descoberta a Nova Redação do Primeiro Mandamento

Uma das maiores descobertas arqueológicas dos últimos séculos acabou de ser anunciada.  Em uma escavação no Castelo da Lua, antiga propriedade da Ordem dos Cavaleiros Templários na região da Galícia, noroeste da Espanha, foi encontrada a Arca da Aliança. Seu conteúdo foi minuciosamente examinado e as tábuas dos Dez Mandamentos tiveram sua veracidade comprovada através de datação com Carbono-14, estimando-se uma idade em torno de 3.500 anos.

Arca da Aliança de Indiana Jones

Arca da Aliança do filme de Indiana Jones

Especialistas em hebraico arcaico chegaram a uma surpreendente descoberta o primeiro mandamento que nos ensinaram é “Amar a Deus sobre todas as coisas”, mas duas palavras foram omitidas.

Moisés Dez Mandamentos Rembrandt

Moisés com as Tábuas dos Dez Mandamentos (Rembrandt)

A nova tradução para o português é “Amar a Deus sobre todas as coisas sem intermediários”. Ou seja, a partir de agora sabemos que nossa ligação com o Ente Supremo deve  ser direta, não precisamos mais padres católicos, pastores evangélicos, rabinos judeus ou imãs mulçumanos. Este pode ser o fim das estruturas religiosas das grandes religiões monoteístas.

Atenção - Aviso Importante

Antes de você compatilhar o link deste post no Facebook, leia o texto até o final. Na verdade, que eu saiba, a Arca da Aliança não foi encontrada, nem o primeiro mandamento teve sua redação revisada. Apenas inventei uma notícia que apoie minha visão da religião. Devemos criar nossa ligação com o Espiritual e cada um deveria desenvolver a sua forma particular. Nada deveria ser mais pessoal, sem intermediários ou líderes para serem seguidos cegamente…

Eu entendo que a religião trouxe uma série benefícios para a humanidade, como o respeito à vida e os valores éticos. Moisés trouxe os Dez Mandamentos e depois a Lei Mosaica; Jesus, as regras baseadas no amor e na compaixão; e Muhammad (Maomé para nós brasileiros), a jurisprudência para as transgressões.  A infração destas regras pode trazer punições inclusive para a vida eterna, como aparece brilhantemente no famoso monólogo de Hamlet:

“…Quem aguentaria fardos,
Gemendo e suando numa vida servil,
Senão porque o terror de alguma coisa após a morte –
O país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante – nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos,
A fugirmos pra outro que desconhecemos?”

O lado negro das religiões é a intolerância. Podemos citar vários exemplos:

– cristãos e mulçumanos no Líbano;
– católicos e protestantes na Irlanda do Norte;
– mulçumanos sunitas e xiitas em alguns países árabes.

No Brasil, alguém já esqueceu o caso do pastor Sérgio von Helder da Igreja Universal do Reino de Deus que insultou e chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida há mais de 15 anos? O país, naquela ocasião, esteve próximo de uma “Guerra Santa”. Todos brasileiros também conhecem os conflitos entre evangélicos e espíritas…

Cena do chute na santa

Cena do chute na imagem de Nossa Senhora Aparecida

Atualmente estamos presenciando mais um desdobramento com as reações belicosas dos fieis mulçumanos no mundo árabe devido ao infame filme “Innocence of Muslims” que pode ser assistido no YouTube. Por mais ofensivo que o filme possa ser contra o profeta Muhammad, nada justificaria a reação dos mulçumanos, especialmente porque o perdão e a misericórdia também fazia parte do Alcorão. Talvez você não saiba, mas Jeová, Deus e Alá são o mesmo Ente Supremo. Abraão e Moisés estão entre os principais profetas do Islã, assim como João Batista e Jesus Cristo.

profetas do islã

Os Profetas do Islã: Abraão, Moisés, Jesus e Muhammad

Se é o mesmo Deus, se os profetas das outras religiões são respeitados e considerados, por que esta reação antimulçumana? Por que um ato de um idiota, ao fazer um filme cretino, causa mortes e reações violentas? Minha resposta é simples: a ingenuidade, a ignorância e o desencanto são explorados por líderes inescrupolosos em nome da fé. Se as pessoas buscassem a verdadeira espiritualidade que existe dentro de cada um, isto jamais aconteceria!

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Houve um Dia em que Queríamos Ser Herois

Sábado passado representou para mim o início do último final de semana  antes do meu retorno ao Brasil. Resolvi dar uma olhada no evento da cidade de Saskatoon nesse dia: Broadway Street Fair. Em primeiro lugar, a Broadway daqui não lembra a nova-iorquina e o principal atrativo era a venda dos mais variados artigos com descontos especiais. Em outra área da Feira, havia shows com bandas locais de rock, nenhuma muito promissora… No cruzamento entre duas quadras, foi colocado um tablado para apresentações de dança de grupos da terceira idade. Nada diferente do que no Brasil, sempre têm integrantes mais empolgadas e outras sendo arrastadas… Muitos cães passeavam com seus donos por todo o lado, aproveitando o belo dia. Muitas crianças se divertiam das mais variadas formas, fazendo arte em uma tenda, com pintura facial em outra, aprendendo esgrima ou numa curiosa atividade de tortadas na cara.

Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Já havia passado do meio-dia quando decidi almoçar. Procurei um restaurante fechado, porque os canadenses adoram comer em mesas na rua ao vento, invariavelmente sob o sol. Esta atitude deve ser estimulada pelo longo e rigoroso inverno que se abate sobre eles, transformando os raios solares em um produto precioso! Durante o almoço, um enorme caminhão de bombeiros entrou na rua, manobrou e estacionou quase na frente do restaurante. Na mesa do lado, um casal, certamente acima da faixa dos 70 anos, almoçava tranquilamente até o surgimento do caminhão, quando o esposo apreensivo perguntou:

– What’s going on?

Pensei que se fosse uma emergência, os bombeiros não chegariam naquela tranquilidade com a sirene desligada. Passados alguns instantes, muitas crianças aproximaram-se do caminhão e foram convidadas a entrar na cabine. A satisfação dos meninos era evidente.

Bombeiros na Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Meninos no caminhão dos Bombeiros na Broadway Street Fair de Saskatoon

Tive meu segundo momento emotivo em menos de uma hora. O primeiro aconteceu quando vi o casal que citei acima almoçando e imaginei eu e a Cláudia juntos daqui a um tempo. Depois, ao sair do restaurante, fiquei uns dez minutos observando as crianças e lembrei que eu, como a grande maioria dos meninos, já sonhei um dia em ser bombeiro, apagar incêndios e salvar vidas. Quando e por que este sonho acabou? Por que simplesmente desistimos de ser herois?

Por mais contraditório que possa parecer, ao invés de me deprimir, a visão das crianças no carro de bombeiros me alegrou, porque mais uma vez provou que a natureza humana essencial é boa, queremos ajudar os outros, almejamos ser herois. Os condicionamentos externos (pais, amigos, escola, televisão) e suas definições do que é ser bem sucedido nos desviam deste caminho mais natural. Afinal bombeiros não têm carrões do ano, nem apartamentos de cobertura ou passam as férias na Europa ou em ilhas paradisíacas da Polinésia Francesa. Eles são mal remunerados, assim como muitos dos herois de carne e osso que convivemos diariamente, porque gerar dinheiro é “mais importante” do que salvar vidas!

Bora Bora

Paradisíaca ilha de Bora Bora na Polinésia Francesa

Existem muitas formas de salvar vidas e nos tornarmos herois, pode ser através da boa educação e orientação das crianças, pode ser através da boa prática da saúde pública ou através do trabalho voluntário. Termino este post, homenageando uma menina que em menos de um mês estará completando 5 anos de idade, minha filha Júlia. Desejo que tu nunca desistas de ser nossa heroína e sempre sirva de exemplo para tua maninha Luiza que em breve estará entre nós.

Julia Lanterna Verde

Júlia como o super-heroi Lanterna Verde

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O Ecomarketing de Vladimir Putin

Em mais uma leitura do “The Saskatoon StarPhoenix” no café da manhã de hoje, vi uma reportagem sobre a ultima aventura ecológica do presidente da Rússia, o todo-poderoso Vladimir Putin. Desta vez, ele vestiu um traje branco com capacete e óculos de proteção e voou em um ultraleve cercado por várias garças jovens, que nasceram em cativeiro, a fim de ajudar a apresentá-las à natureza. O feito ocorreu na Península de Yamal, no norte da Rússia, e visava induzir os pássaros a seguir o avião e, portanto, prepará-los para sua rota de migração. Esta ação faz parte do projeto “Voo da Esperança” para proteger a ameaçada garça siberiana branca. Visivelmente satisfeito, Putin disse que tinha sido sua idéia voar com o ultraleve, embora parecia ser dirigido a maior parte do tempo por outra pessoa em um traje branco semelhante ao seu sentado atrás dele. Assista ao filme abaixo.

Esta não a primeira aventura ecológica de Putin. Em 2008, ele seguiu um tigre siberiano, acertou um dardo tranquilizante e colocou uma coleira com rastreador no animal. Mais tarde surgiu a versão de que o animal não era selvagem e sim de um zoológico. Assista também a este filme.

Em 2010, foram mais duas aventuras. Primeiro ele colocou uma coleira com rastreador em um urso polar sedado no Ártico em um espetáculo para os fotógrafos. Depois, dentro de um bote com pesquisadores marinhos, na longínqua Península de Kamchatka (extremo leste da Rússia), coletou uma amostra de pele de uma baleia cinzenta, utilizando uma besta. Veja mais estes dois filmes.

Todos já ouviram as terríveis histórias do assassinato de bebês focas para a obtenção de peles brancas para a fabricação de casacos de luxo. A foto abaixo mostra o método canadense de execução dos animais inocentes.

Em janeiro de 2000, um projeto de lei para proibir a caça à foca foi aprovada pelo parlamento russo por 273 votos a 1, mas foi vetado pelo então presidente Vladimir Putin. Em março de 2009, o ministro russo de Recursos Naturais e Ecologia, Yuriy Trutnev, anunciou uma proibição total da caça de focas menores de um ano de idade no Mar Branco. Se você lembrar, a partir de 2008, Vladimir Putin inicia sua saga ecológica com o tigre siberiano, estendida em 2010 com o urso polar e com a baleia cinzenta.

Este é o mesmo Putin que não se posiciona contra os massacres na Síria e é impiedoso em relação aos rebeldes chechenos. Durante a invasão de um teatro em Moscou, por exemplo, causou a morte de pelo menos 129 reféns devido à colocação de um gás tóxico desconhecido no sistema de ventilação do prédio.

Putin visita vitimas no hospital

Putin visita as vítimas no hospital

O mesmo Putin que governa com mão de ferro a Rússia, onde recentemente as cantoras do Pussy Riot foram condenadas a dois anos de prisão pelo crime de protestar contra seu governo.

Cantoras do Pussy Riot durante o  julgamento

Cantoras do Pussy Riot durante o julgamento

Parece que Putin, no seu populismo arbitrário, percebeu qual é o produto indiscutível do século XXI, a ecologia, e decidiu dar o que a opinião pública deseja: proteger animais ameaçados de extinção. Claro que ele poderia ter estimulado a criação de políticas e ações para a preservação de tigres, ursos polares, baleias e garças siberianas, mas nada teria maior efeito do que colar sua imagem a estas iniciativas. Estes filmes deixam bem claro que Putin estava na linha de frente da preservação da vida animal, um verdadeiro “Capitão Planeta Russo”. Na verdade, ele se tornou um dos maiores ecomarqueteiros da política mundial, enquanto restringe a liberdade da população russa, sendo impiedoso com seus adversários, defende a proteção de espécies ameaçadas. Algum defensor da causa animal terá coragem de defendê-lo?

O Capitão Planeta Russo

Super Putin, O Capitão Planeta Russo

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Novos Escândalos – Isto não é Brasil!

Na terça-feira pela manhã, caminhei até o Hotel Hilton, onde estava hospedado um colega, lá pegaríamos nossa carona até a Universidade de Saskatchewan em Saskatoon no Canadá. Na esquina do hotel, um senhor sikh distribuía o Jornal Metro. Na capa, havia uma história sobre uma jovem de 23 anos que havia recebido na segunda-feira a determinação da Justiça de não ter contato com seu marido, um senador de 69 anos.

Maygan Sensenberger e Rod Zimmer

Senador Rod Zimmer, 69, e sua esposa Maygan Sensenberger, 23

A exploração que os jornais fizeram deste caso foi digno da nossa “Terra Brasilis”. Muito pouca gente conhecia o senado Rod Zimmer e menos pessoas ainda sabiam da existência da sua jovem esposa Maygan Sensenberger. Então quais seriam os motivos de tamanha repercussão? A verdade é que a maioria dos humanos gostam de uma boa fofoca. Olha só que história! Uma jovem bonita, casada com um político rico muito mais velho, durante um voo, faz um tremendo escândalo dentro do avião. Grita para todo mundo ouvir que não queria conhecer a família do marido em Saskatoon, que iria deixá-lo e chega ao ponto de ameaça-lo de morte, dizendo que cortaria sua garganta. Depois, quando parecia que já estava tudo controlado, começou a dizer que derrubaria o avião, o que gerou pânico entre os passageiros. No dia 18 de setembro, está marcada a próxima audiência para o deleite de muita gente…

O que está por trás desta notícia? Perguntei para alguns canadenses se eles conheciam este senador. Eles disseram que poucos senadores são conhecidos e que a atuação do Senado é extremamente apagada. O Senado foi criado com inspiração na Câmara dos Lordes da Inglaterra, sendo composto por 105 membros indicados originalmente pelo Governador-Geral (representante da Rainha Elizabeth, a chefe de estado do Canadá) com a influência do Primeiro-Ministro (chefe de governo do país). Hoje funciona da forma contrária, o Primeiro-Miinistro indica quem ele quiser, normalmente da mesma tendência política. Ou seja não há eleições para o Senado. Cada senador fica no cargo até morrer ou completar 75 anos de idade (o que acontecer primeiro é claro). Eles são responsáveis por aprovar as contas da Câmara dos Comuns e do Governo, mas raramente rejeitam algum item ou interferem na aprovação de alguma lei. Para fazer este trabalho estressante cada senador recebe o salário base anual de 132 mil dólares canadenses (equivalente a R$ 22 mil por mês) com direito a aposentadoria vitalícia. Já houve tentativas para alterar isto, mas não foi para frente por falta de vontade política. E tem gente que acha que isto só acontece no Brasil…

Senado Canada

Senado Canadense

Vamos para outro escândalo desta vez no outro lado do mundo. Hoje no café da manhã, folheava as páginas de um jornal local, The Saskatoon StarPhoenix, quando li uma manchete muito interessante:

– “Líder de Pequim balança devido à polêmica sobre o acidente com Ferrari”.

O líder da manchete se chama Ling Jihua e exercia um importante cargo dentro do governo chinês, estando ligado diretamente ao Presidente Hu Jintao, conforme pode ser visto na foto abaixo.

Ling Jihua e o Presidente Hu Jintao

Ling Jihua, de pé a esquerda, e o Presidente Hu Jintao, assinando um documento

Ling Gu, o filho de Jihua, destruiu uma Ferrari 458 Spider preta que dirigia na madrugada do dia 18 de março deste ano em uma estrada próxima a Pequim. Como consequência do acidente, ele morreu. Havia duas mulheres no carro (esportivo com apenas dois assentos), mas não há nenhuma informação sobre elas. A notícia foi abafada pelo governo chinês até vir à tona ontem.

O que está por trás desta notícia? Um líder do Partido Comunista Chinês recebe oficialmente US$ 15.600 por ano. Como poderia dispor de US$ 780.000 para comprar um carro esporte?

Ferrari Ling Gu

Ferrari destruída por Ling Gu, filho de Ling Jihua

Este caso perde longe para outro caso escandaloso, onde o prefeito de Chongqing, uma das cidades mais importantes da China com população de 29 milhões de pessoas, e sua esposa se envolveram em um caso que mesclou corrupção, evasão de divisas, traição e assassinato. Bo Xilai, um dos homens mais importantes da China, caiu em desgraça após a revelação que sua esposa Gu Kailai envenenou o inglês Neil Heywood.

Gu Kailai, Bo Xilai e Neil Heywood

Gu Kailai, Bo Xilai e Neil Heywood

Heywood mantinha negócios com Bo Xilai relacionado à remessa clandestina de grandes somas de dinheiro no exterior. Ele e a esposa de Bo, Gu Kailai, foram amantes, mas estavam em conflito devido a uma questão financeira. Ela envenenou e matou o inglês em novembro do ano passado, A polícia local inventou uma versão fantasiosa sobre envenenamento por álcool, que foi rejeitada, e finalmente revelou-se a verdade somente em março deste ano. Bo perdeu seu cargo no Comitê Central do Partido Comunista e sua esposa foi presa e condenada. Estima-se que os negócios e ativos de Bo Xilai no exterior cheguem a US$ 136 milhões.

O que estas histórias têm em comum? A primeira começa na confusão em um avião, mas termina na revelação de um sistema político ineficiente, inútil e caro, no qual os políticos não permitem sua mudança. O segundo caso, começa em um grave acidente de carro, mas revela o submundo da corrupção na política, onde grandes somas de dinheiro são desviadas locupletando políticos sem ética. Por incrível que pareça para muita gente, estas histórias não aconteceram no Brasil. Estamos longe da perfeição, mas não somos os únicos que temos um sistema político caro e ineficiente ou convivemos com casos de corrupção.

Para finalizar, gostaria de afirmar que não me deixa feliz ver que não somos os únicos com estes tipos de problemas. O que podemos fazer melhor do que os canadenses e os chineses? Não podemos nos acomodar como os canadenses, devemos exigir as reformas políticas que tornariam nossa democracia melhor. Devemos fiscalizar os atos dos políticos, atividade vedada aos chineses, e exigir que o dinheiro de nossos impostos sejam bem empregados.

 

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Che Guevara: Anjo ou Demônio?

Esta é minha terceira viagem ao Canadá em 2012. Desta vez escolhi o filme “Diários de Motocicleta” para meu entretenimento durante o jantar. O filme trata de uma viagem que Ernesto Che Guevara e seu amigo Alberto Granado fizeram pela América Latina em 1952.

Che Guevara é daquelas figuras que a maioria das pessoas ama ou odeia. Todos os grandes líderes revolucionários de esquerda fazem parte deste clube como Lenin, Mao Tse Tung e Fidel Castro. Na política brasileira, o grande nome, sem dúvida, é Getúlio Vargas: endeusado pela maioria dos gaúchos e odiado pela maioria dos paulistas.

Ernesto Che Guevara

Ernesto Che Guevara

Voltando ao filme, Guevara tinha uma vida tranquila em Buenos Aires. Ele estava praticamente se formando em medicina aos 23 anos de idade e seu hobby preferido era jogar rúgbi. Na sua viagem de moto, ele se confronta com uma realidade totalmente diferente da sua vida “pasteurizada”. Ele vê, convive e sofre com a miséria extrema que colonos, índios e mestiços sem posses são submetidos no interior da América Latina. Na parte final do filme, ele e Alberto trabalham como voluntários em uma colônia de leprosos na Amazônia peruana. Fica chocado com a separação dos doentes das outras pessoas – médicos, religiosas, enfermeiras – feita através de um grande rio.

A questão básica é se as motivações de Ernesto Guevara eram justas. Minha resposta é sim! Não devemos ser insensíveis à miséria e às injustiças. Neste momento, chegamos à pergunta cuja resposta torna Che Guevara e outras figuras históricas tão polêmicas:

– Se a causa é justa, vale qualquer método para torná-la realidade?

Ernesto Che Guevara acreditava que apenas a luta armada mudaria aquela situação que ele vivenciou em sua viagem pela América Latina. Por outro lado, em todas as guerras, inocentes são mortos, crimes são cometidos e injustiças imperdoáveis são justificadas. Para ele estas perdas seriam aceitáveis, o que eu não concordo. Certa vez li, não me recordo onde, a seguinte frase:

– Até os mais nobres fins são conspurcados pelos meios empregados para obtê-los.

Isto explica a polêmica em torno da maioria dos grandes líderes da história da humanidade. Todos tinham defeitos e virtudes como cada um de nós, mas suas qualidades foram decisivas dentro de determinado contexto histórico. Muitos lutaram contra o Apartheid na África do Sul, mas Gandhi e Mandela optaram por não usar violência. Isto os coloca acima dos demais! Muitos lutaram contra a discriminação racial nos Estados Unidos, Martin Luther King escolheu a não violência como forma de ação e ajudou a melhorar situação dos negros sem derramamento de sangue, com exceção do seu próprio.

Martin Luther King - Nelson Mandela - Mahatma Gandhi

Martin Luther King (esquerda), Nelson Mandela (direita acima) e Mahatma Gandhi (direita abaixo)

Che Guevara decidiu agir com 24 anos para melhorar a vidas dos oprimidos da América Latina. Sua opção pela luta armada, em minha opinião, deve ser criticada, mas, por outro lado, devemos entender que foi tomada por um jovem idealista num contexto muito diferente do atual. Não devemos ser maniqueístas em relação a pessoas, países, religiões, culturas… Devemos analisar sempre nossos atos e nunca seguir líderes cegamente (como apresentei na série de posts sobre o Efeito Lúcifer), porque, como todos os seres humanos, eles acertam e erram.

Assista ao filme! Vale pela história, pelas atuações de Gael Garcia Bernal como Che Guevara e de Rodrigo de La Serna como Alberto Granado, pela música em especial “Al outro lado do rio” do uruguaio Jorge Drexler. Escute esta bela música com imagens de diversas cenas do filme. Como assisti ao filme em espanhol com legendas em inglês, o lado cômico foi a tradução dos palavrões que Alberto Granado volta e meia lançava sobre Ernesto Guevara, até aprendi uns novos de baixíssimo nível.

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Cem Posts, Sem Segredos!!!

Este é um momento histórico para este blog. Você está lendo o centésimo post (ou artigo para os puristas) publicado desde setembro de 2009.

100º post

Passei por diversos assuntos, de gestão de pessoas a gerenciamento de projetos, de gastronomia a cinema, de psicologia e filosofia a viagens, de futebol, em especial meu Inter, a literatura, em especial o grande William Shakespeare. Escrevi sobre vários assuntos sérios e procurei descontrair, por exemplo, quando falei da minha última morada.

Até ontem as estatísticas já computavam aproximadamente 45 mil acessos. Agradeço os amigos e a família, principalmente minha irmã, pelas visitas frequentes…

Quando decidi criar um blog, tinha uma série de objetivos, o principal era escrever sobre qualquer assunto que me atraísse. Acredito que tive sucesso em criar um blog com conteúdo diversificado. Por outro lado, minha produção ficou muito aquém da meta numérica inicial, porque queria publicar dois post por semana, incluindo uma receita gastronômica nas sextas-feiras. Eu poderia me enganar e escrever agora que privilegiei a qualidade em detrimento da quantidade, mas estaria mentindo. Se eu tivesse aquele caderninho para registrar as ideias que chegaram e fugiram pouco tempo depois ou aquele gravador de voz para armazenar meus pensamentos durante os engarrafamentos na Marginal Pinheiros em São Paulo, poderia ter vários artigos interessantes inéditos. Quem sabe não estaria de fardão nas quintas-feiras, sorvendo o chá preto, na companhia de outros imortais? Acho que exagerei desta vez… Afinal dificilmente seria eleito, não sou político, nem tenho ligações dentro da ABL…

Fardão da ABLDesde o início, procurei colocar fotos ou figuras para quebrar um pouco a sequência do texto, tornando sua leitura mais agradável. Descobri que, da mesma forma que eu navegava na Internet em busca de imagens, outras pessoas faziam o mesmo e contribuíam para aumentar o tráfego no blog. Valeu Google!

Outro procedimento que ajuda a divulgação do blog é anunciar as novidades no Twitter e Facebook. Também existe a possibilidade do leitor assinar o blog (o botão está na coluna ao lado) e receber um E-mail, sempre que houver um novo post.

Para finalizar, gostaria que os leitores novos e os assíduos deste blog deixassem um pequeno comentário com críticas e sugestões. Escreva o que gostaria de ler com mais frequência. Pode simplesmente dizer quais são posts preferidos e aqueles que não gostaram. Prometo que considerarei todas as observações nos próximos cem artigos. Por gentileza, só não façam como Oswald de Andrade, se alguém lhe perguntar sobre meu blog:

– “Não li e não gostei!”

Oswald de Andrade

 

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