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Os Heróis da Casa Mais Vigiada do Brasil

Ontem começou mais uma edição do reality show de maior sucesso da televisão brasileira, o BBB, Big Brother Brasil. Por incrível que possa parecer, a edição atual já é a 13ª deste programa! Confesso que minha opinião sobre a estreia de ontem segue aquela linha de Oswald de Andrade:

– Não vi e não gostei!

Assisti ao primeiro BBB em 2002 por ser uma novidade que julguei ter potencial para ser interessante. Naquele programa, houve um momento hilário, no qual o participante Bambam entra em desespero após o desaparecimento de uma boneca que ele construiu, a Maria Eugênia.

Bambam e sua boneca Maria Eugênia

Bambam e sua boneca Maria Eugênia

Vi pouca coisa do segundo programa da série e não gostei de praticamente nada. Então decidi não assistir mais os próximos BBB’s. Me senti um alienado do mundo, porque na hora do almoço ou no café do meu trabalho só se falava nisto e eu ficava com aquela cara de “paisagem”…

Poderiam ter explorado melhor o conceito interessante de manter um grupo de pessoas desconhecidas confinadas em uma casa sem informação do mundo exterior. Seriam criados testes e situações para serem estopins de diferentes reações dos participantes. No final, psicólogos analisariam os resultados.

Agora inventaram uma tal de casa de vidro, que foi instalada em um Shopping de São Paulo, onde seis pessoas estão expostas à curiosidade do público. Duas destas pessoas receberão como prêmio a classificação para a edição atual do BBB. Em cada inserção na programação da Globo, a tal casa aparece cercada por jovens, adolescentes e crianças e dentro dela o tradicional padrão do programa, garotões sarados e belas mulheres.

Casa de vidro do BBB

Casa de vidro do BBB

Dentro da casa, a audiência é garantida, além dos belos corpos, através de muita briga, fofoca, intriga e festas regadas a bebidas alcoólicas à vontade. Apesar destes aspectos negativos que o programa inspira, o pior mesmo é o apresentador Pedro Bial chamar os “brothers” de heróis. O que é ser herói afinal?

Apresentador Pedro Bial

Apresentador Pedro Bial

O heroísmo, em minha opinião, carrega um lado de autossacrifício em prol dos outros. Estes participantes do BBB estão agindo com “heróis” dos próprios egos, na busca do prêmio de R$ 1,5 milhões. A maioria das mulheres ainda consegue contratos para posarem nuas em revistas masculinas após serem eliminadas do programa. Onde está o heroísmo? Cada “brother” não está jogando de forma egoísta para si?

Alguém conhece Clodomiro Ferreira? Ele provavelmente ainda trabalha como servente de limpeza no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Há um ano, ele encontrou, no banheiro do aeroporto, uma pochete com documentos, dinheiro e a câmera de um casal chileno. Não hesitou em devolver, após pedir ao sistema de som do aeroporto chamar o casal.

Clodomiro devolve a pochete para o casal chileno

Clodomiro devolve a pochete para o casal chileno

No mesmo aeroporto, aconteceu, mais ou menos na mesma época, o caso do servente de limpeza Davi dos Santos Pereira que encontrou uma nécessaire com R$ 24 mil e encaminhou imediatamente ao balcão da Infraero. O dono acabou recuperando o dinheiro. Estes casos acontecem com “surpreendente” frequência e as atitudes destes serventes não parecem muito mais heroicas do que as pseudo-celebridades do BBB?

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Quando nos sentimos pais

No curso sobre parto humanizado, todos os homens eram marinheiros de primeira viagem com exceção deste blogueiro. Ouvi os comentários deles sobre os filhos que nasceriam brevemente e ninguém estava seguro de como seria a vida pós-parto.

No alto da minha experiência de pai por duas vezes a espera de uma nova filha, fiz alguns comentários. Em primeiro lugar, a maior mudança na vida dos casais não é o casamento; são os filhos! A partir do nascimento, perdemos aquela irresponsabilidade gostosa de fazer o que passar pela cabeça:

– Praia deserta? Com o bebê, nem pensar…
– Balada de noite? Onde deixar o bebê?
– Viagens? Tem que levar tanta coisa…
– Restaurante? E se o choro incomodar os outros clientes?

Não falei outra coisa para o pessoal naquele dia, porque alguém poderia estar nesta situação:

– Filho não salva casamento! Por sinal, normalmente filhos aceleram o fim dos casamentos problemáticos…

Na sequência, copiei o Poema Enjoadinho do “Poetinha” Vinicius De Moraes sobre filhos, assunto que ele afinal entendia bem (teve 5 filhos). Você pode assistir à apresentação do inesquecível Paulo Autran.

Filhos… Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Vinícius de Moraes

Vinícius de Moraes

O segundo ponto, que comentei com os homens do curso, é mais polêmico. Quando nos sentimos pais? Os bebês estão no ventre materno durante nove meses. A futura mãe, na verdade, já se sente mãe desde o momento em que sabe que está grávida. No caso do pai, é bem diferente… O feto está se desenvolvendo externamente, sem contato direto com o pai e, na verdade, nós homens só os reconhecemos como nossos filhos quando eles nascem. E pior, nosso amor por eles não é instantâneo, cresce progressivamente. O sentimento fica cada dia mais forte, até nós não termos dúvidas que a vida do nosso filho é mais importante do que a nossa própria. É o amor incondicional do final do poema do Vinicius:

Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Colegas pais, não sintam culpa por construirmos nosso amor pelos filhos de forma diferente do que nossas mulheres! Nossa natureza é diferente, nosso ritmo é diferente, percebemos o mundo de forma diferente… Mas ninguém nos acuse de amar menos nossos filhos…

Meus amorzinhos Júlia e Luiza

Meus amorzinhos Júlia e Luiza

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A Maior Emoção da Minha Vida

A Claudia estava no quinto ou sexto mês da gravidez, quando tomou uma decisão para mim surpreendente. Ela havia optado por ter a Luiza através de um parto normal humanizado. Sempre achei que cesárea era melhor para a mãe e para o bebê. Afinal escolhe-se a data, horário, hospital, médico, anestesista e pediatra. Na hora marcada, o casal chega no hospital e pronto… Para quebrar minha resistência, ela me “recomendou” a leitura do livro editado pela UNESP “Parto Normal ou Cesárea?” Após ler o livro, aceitei a escolha da Claudia.

Parto Normal ou Cesárea - UNESP

Depois fizemos um curso em um final de semana sobre parto natural, onde eram apresentados vários aspectos como as fases do parto, as posições, necessidade e tipos de anestesia, as situações nas quais as cesárias são indicadas. No final da tarde, assistimos ao curta-metragem “Sagrado” do Dr. Paulo Batistuta, onde os partos humanizados de duas mulheres em um hospital são apresentados de forma crua. Muita gente ficou chocada!

A próxima etapa foi montar a equipe: médica obstetra, pediatra e obstetriz (facilitadora do parto, também conhecida como parteira), visitar o Hospital São Luiz que tem duas salas para este tipo de parto e acertar a parte burocrática com o plano de saúde. Tudo certo!

No início da manhã da quinta-feira passada, eu estava no banheiro quando a Claudia entrou e disse que a bolsa tinha rompido. Duas horas depois começaram as contrações. O grande momento enfim estava chegando…

Minha família (meu filho, minha mãe, tia e irmão) havia chegado do Rio Grande do Sul na semana anterior para passar o Natal conosco e conhecer o seu mais novo membro. Por ironia do destino, o voo estava marcado para a tarde deste dia. Ou seja, não puderam ver pessoalmente a Luiza.

Até o meio-dia não houve muita evolução. No início da tarde, as contrações aumentaram em frequência, duração e intensidade. A obstetriz passou no nosso apartamento para avaliar a situação. Após o exame, concluiu que o colo do útero já estava mais macio, mas quase não havia dilatação e poderia demorar até dois dias para o parto. Ela foi embora para atender a outros compromissos, mas a partir desta hora o jogo mudou: o tampão caiu, havia uma contração a cada dois ou três minutos com duração de 40 a 50 segundos. A Claudia começou a sofrer e não tinha tempo suficiente para descansar entre as contrações, nem conseguia se alimentar. Tentou uma ducha de água morna, mas nada mudou. Resolveu então enviar uma mensagem para a obstetriz e eu liguei depois para o celular dela, pedindo para ela reavaliar a Claudia no final da tarde.

Ela chegou, fez o exame e ficou surpresa com a evolução do processo durante pouco mais de três horas, já estava com 5 ou 6 centímetros de dilatação. Chegou a hora de ir para a maternidade. Pegamos as malas, documentos e a mochila com o notebook, máquina fotográfica e filmadora. A Claudia já saiu de casa com vontade de fazer força para expulsar o nenê. Decidimos ir para a maternidade no automóvel da obstetriz que dirigiu loucamente pelas ruas de São Paulo. Enquanto dirigia, telefonou para a médica e para a pediatra, com a última não conseguiu contato. E a Claudia segurando a Luiza e sofrendo…

Entramos no saguão, avisei que ela estava em trabalho de parto com 41 semanas e o pessoal do hospital já a levou para a triagem, enquanto eu providenciava a internação. Depois de apresentar documento de identidade, carteira do convênio, senha para o procedimento, dar várias informações para o cadastro e antes do processo estar concluído, apareceu a obstetriz, fazendo sinal que eu devia deixar a burocracia para depois, porque a Claudia já seria encaminhada para a suíte do parto natural. Ela já estava com 9 a 10 centímetros de dilatação. Larguei tudo e saí correndo. Encontrei a Claudia, a obstetriz e a fotógrafa no elevador. Fui ao vestiário e troquei de roupa e desci para acompanhar o parto. Na escada, encontrei com a médica obstetra e falei:

– Oi, tudo bem? Vamos até a Claudia?

Como eu só havia encontrado a médica na primeira consulta com a Claudia, não fui reconhecido e ela pensou que eu fosse um anestesista oferecido e disse:

– Acho que você está me confundindo com outra pessoa!

Eu retruquei sorrindo:

– Acho que não…

Quando entramos na sala, ela se deu conta que eu sou o esposo da cliente e ficou totalmente sem jeito, pediu desculpas, queria dar explicações, mas o importante era a Claudia que já estava em uma enorme banheira com água quentinha. Sentei no banquinho próximo. Avisaram-me que não conseguiram contato com a pediatra “titular” (problema com o celular), mas a substituta estava a caminho.

A obstetriz orientava a Claudia que fazia força para dar a luz a nossa filha. A médica explicou que estava chegando a hora do “círculo de fogo”, quando a cabeça do nenê passaria pelo períneo. Depois de mais algumas contrações, a cabecinha da Luiza apareceu rapidamente e voltou. A médica descreveu o que havia acontecido e a Claudia decidiu que da próxima vez ela conseguiria. Na contração seguinte, a cabeça saiu. Emocionei-me, meus olhos se encheram de lágrimas, mas continuava apreensivo, porque a “batalha” ainda não havia terminado. A médica retirou duas voltas do cordão umbilical em torno do pescoço da Luiza e, depois de algum tempo, juntamente com a obstetriz, ajudaram a retirar o nenê.

Momento em que Luiza fica com a Claudia na banheira.

Momento em que Luiza fica com a Claudia na banheira.

A Luiza foi colocada sobre o peito da mãe, mas aquele momento de ternura foi interrompido bruscamente, porque havia algo errado com nossa garotinha. Colocaram um clipe, cortaram o cordão e levaram a Luiza para aspirar as vias aéreas, porque ela não estava respirando bem. Como a nossa pediatra ainda não havia chegado na suíte de parto, as profissionais da emergência do hospital realizaram os procedimentos. Neste momento, fiquei como uma “barata tonta”, tentava consolar a Claudia, que ainda estava na banheira, e acompanhar o procedimento na Luiza. Foi uma grande alegria quando ela chorou e começou a respirar normalmente.

Levaram a Claudia para a cama, para onde Luiza também foi levada após ser identificada e pesada. Finalmente o período de ternura reiniciou com a garotinha no colo, procurando e sugando o seio da mãe. Infelizmente tive que descer para fazer toda a burocracia da internação. Uma hora depois voltei para a suíte, onde nós três ficamos nos curtindo por um tempo. Depois eu e a Claudia fomos para o quarto e a Luiza teve uma longa passagem pelo berçário até a enfermeira levá-la ao nosso encontro.

Luiza no colo da Claudia.

Luiza no colo da Claudia.

A Claudia resumiu assim no Facebook:

Minha nova princesa nasceu hoje, na banheira, sem anestesia, sem cortes e ávida por mamar…
Estou super bem, diferente de quando fiz a cesárea da Júlia.
Ela tinha 41 semanas e pesou 3705g. Uma bolinha…

Meu resumo é diferente. A Claudia já queria que o parto da Júlia fosse normal e foi induzida pelo obstetra a fazer cesárea. Desta vez, ela não aceitou o procedimento padrão dos obstetras da rede privada. Negou-se a aceitar o “terrorismo” que induz as grávidas a evitarem o parto normal. No caso dela, o obstetra disse que havia probabilidade de rompimento do útero, porque seu primeiro parto foi uma cesárea, mas ela foi obstinadamente atrás de informações. Depois fez tudo que pudesse facilitar o parto: Yoga, massagens, Epi-No. Óbvio que não foi um passeio no parque, mas foi um parto sem lacerações, cortes ou pontos, onde a mãe pode ter um contato mais íntimo com a filha… Uma experiência inesquecível onde ela foi a principal agente! Só posso agradecê-la por ter participado.

Eu poderia fazer um plágio da música “Amor e Sexo” da Rita Lee e dizer:

Parto normal é imaginação
Fantasia
Cesária é prosa
Parto normal é poesia…

Aconselho todos os casais grávidos a procurarem informações científicas de qualidade, porque todos têm o direito de escolherem o que for melhor para si. A cesárea é uma operação delicada e como tal só deve ser realizada se houver real necessidade, sem contar as complicações e dores do pós-operatório. A Cláudia indicou alguns sites sobre o assunto.

Home


http://casamoara.com.br
http://www.partodoprincipio.com.br/index.php
http://www.amigasdoparto.com.br/evidencias.html

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Como Assassinamos Nossos Insights

Vou prosseguir na minha excursão pela mente humana. Nos posts anteriores, comentei um pouco sobre a percepção da realidade e sobre as lembranças. Hoje comentarei sobre uma palavra que em português não tem uma boa equivalência: insight.

O insight é aquela ideia que surge em nossas mentes, aparentemente do nada, e temos a sensação de que alguém a soprou em nossos ouvidos. Parece uma centelha divina. Ou seja, alguns diriam que são enviados por um Ente Supremo, outros diriam que são as vozes de uma consciência universal… Os mais céticos ou egocêntricos afirmariam que sempre estiveram dentro de nossas cabeças, esperando a hora certa para aflorar. Tem outros ainda que acreditam que só acontecem graças aos estímulos externos: ambiente, leituras inspiradoras, companhias, música ou silêncio…

insight

Embora muitos não acreditem, temos estes insights toda a hora, mas nem sempre percebemos, porque nossas cabeças estão ocupadas com outros pensamentos. E o que causa este “congestionamento” mental? Parece que procuramos motivos para sofrer, ressuscitamos fatos do passado, maximizamos problemas do presente e antecipamos tragédias futuras.

Como no artigo anterior, já escrevi sobre as lembranças do passado, desta vez falarei mais sobre o presente e o futuro.

Todo mundo me pergunta como está minha vida neste primeiro ano em São Paulo depois de viver 45 anos no Rio Grande do Sul. Percebo que minha resposta surpreende as pessoas. Respondo com sinceridade que estou gostando de morar na capital paulista e o único aspecto negativo é o trânsito, mas não me estresso com isto. Aproveito aquela hora (às vezes mais do que uma) na solidão do carro na lentidão da Marginal Pinheiros para relaxar, ouvir música ou alguma entrevista interessante no rádio e pensar…  Muitas vezes surgem os mais variados tipos de insights, alguns muito engraçados que me levam às gargalhadas. Se eu ficasse todos os dias tenso e irritado com estes congestionamentos, será que eu ouviria meus insights que me conduzem a boas reflexões e garantem humor, no mínimo, razoável na chegada ao meu lar?

Engarrafamento na Marginal Pinheiros em São Paulo

Engarrafamento na Marginal Pinheiros em São Paulo

Evidentemente podemos interpretar as situações em que estamos inseridos das mais diversas formas. Percebemos a realidade, a criamos e a recriamos do nosso jeito dentro de nossas cabeças. Nesta semana, ouvi uma história sobre um colega de um prestador de serviço que vai ao encontro da minha. Ele gostava do trânsito intenso entre São Paulo e Santos no início dos feriadões, porque tinha a oportunidade de conviver por algumas horas com sua família. Para muita gente isto seria absurdo!

Outra armadilha é viver em um futuro que não existe e, se não nos dedicarmos no presente, jamais existirá. Acho importante construir castelos nas nuvens, porque nos mostram como pode ser nosso futuro, mas não podemos viver neles.

CastleInTheClouds03

Um comportamento comum, quando o tempo passa e nada acontece, é a criação de conspirações ilusórias onde todos estão contra e os outros são beneficiados por razões escusas. Neste momento, a pessoa se passa por vítima e acredita que tudo sempre vai dar errado com ela, apesar de fazer tudo certo (na perspectiva dela, é claro!). Ela deve vencer a batalha no interior da sua cabeça, onde os verdadeiros combates são travados. Só após esta vitória, será possível conquistar o mundo e construir seu castelo.

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Memórias e os Fantasmas do Passado

Uma das piores coisas que podemos fazer é remoer o passado. Todas as vezes que entramos neste estado mental, nos envenenamos e esquecemos de viver o presente.

Como escrevi no post anterior, cada um tem sua própria percepção da realidade e esta realidade existe dentro de nossas cabeças. Com nossas memórias, acontece o mesmo, elas são moldadas a partir de nossas percepções, valores, inteligência e sabedoria. Isto significa que nossas memórias vão se alterando com o passar do tempo, porque nós também mudamos. Se insistirmos em guardar mágoas devido a um fato, todas as vezes que nos lembrarmos do ocorrido, sentiremos dor, tristeza ou raiva. O que ganhamos com isto? Nada!

Estátua de Rodin retrata desespero extremo.

Claro que não vamos esquecer tudo o que nos prejudicou no passado, mas seria fundamental se extraíssemos os aprendizados como aspectos positivos e os vinculássemos a estas memórias. Por exemplo, meu primeiro chefe foi o canonizável Eng.º Mário. Como profissional jovem, achei que este podia ser o padrão, mas, após 25 anos de estrada, sei que ele é uma honrosa exceção no mundo corporativo. Obviamente tive problemas com outros superiores hierárquicos ou funcionais na sequência da minha carreira. No início, guardava mágoa ou raiva em relação a estes profissionais. Há algum tempo, percebi o quanto fui ajudado por eles, do jeito deles, a me tornar um profissional e até mesmo uma pessoa melhor. Algumas vezes desconsiderei o conteúdo da mensagem por conta da forma inadequada de expressão: confusa, autoritária ou agressiva. Em outros casos, a percepção da realidade deles era diametralmente oposta à minha. Nestes casos, não adianta bancar o guri birrento e simplesmente executar as tarefas do seu jeito, ou pior ignorá-las, ao invés de pensar nas razões do chefe e, se for o caso, buscar novos argumentos para convencê-lo.

Na vida pessoal, muitas vezes valorizamos demais problemas e conflitos pontuais que temos com os pais, companheiros, filhos e amigos. Ou seja, longos anos de amor, amizade e companheirismo são destruídos nas nossas mentes por alguma ocorrência de importância muito menor.

Quem decide sofrer com as lembranças somos nós mesmos e somente nós podemos alterá-las, aprender com elas e continuar vivendo em constante evolução.

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Como a Matrix de Neo e a Caverna de Platão nos Mostram a Realidade

Há duas semanas participei de um treinamento sobre os princípios que regem nossos pensamentos, realizado em um hotel em Miami Beach. Muito além do belo visual da praia, passei dias intensos nos quais refleti profundamente sobre minhas ideias e modo de agir.

Tudo começou com a ideia de que a realidade está na cabeça de cada um. Ou seja, cada um tem a sua realidade percebida. Este conceito parece óbvio, mas muita gente não o aceita. No sensacional primeiro filme da série Matrix, Neo é abordado por Morpheus que lhe oferece a pílula vermelha para enxergar uma nova realidade ou uma azul para permanecer na mesma situação. Ele opta pela alternativa mais arriscada e opta pela vermelha. Infelizmente, em nossas vidas, a escolha não aparece de modo tão claro e direto…

matrix neo morpheus red blue pill
Morpheus oferece a Neo as pílulas vermelha e azul.

Esta passagem lembra a história da “Caverna” de Platão, presente no livro “A República”. Nesta história homens estão acorrentados no interior de uma caverna, vendo apenas sombras projetadas no seu fundo. Este era o mundo real para eles. Um dos membros daquele grupo resolve fugir para ver se existe alguma coisa além daquelas imagens. Ele se liberta, enfrenta uma jornada difícil, fica quase cego por causa da luz intensa do dia, sente dor, pensa em voltar, mas resiste, passa a entender que aquela é uma realidade totalmente nova. Finalmente resolve voltar para libertar seus companheiros. Chega à caverna e conta o que viu. Então, no início, ele é ridicularizado e depois considerado louco. Como ele insiste em manter seu pensamento, é agredido e morto pelos seus antigos colegas. Apesar do seu final triste, provavelmente ele plantou sementes que florescerão na mente de alguns dos seus algozes que se libertarão e perceberão uma nova realidade.

A Caverna de Platão
A Caverna de Platão

Podemos dizer que não agimos assim, mas quantas vezes criticamos, ridicularizamos, isolamos e, até mesmo, somos agressivos com aqueles que têm pensamento diferente dos nossos? Dentro de casa mesmo, como tratamos nossos pais, filhos e companheiros?

Fizemos um exercício interessante em trios, durante o treinamento, onde duas pessoas discutiam de forma reflexiva o problema do terceiro componente do grupo. O “dono” da questão explicava o caso e depois ouvia as reflexões e fazia comentários somente após a conclusão da conversa. Todos ficaram impressionados com os resultados obtidos, porque, sem exceção, receberam insights úteis para resolver seus problemas. Por que isto não acontece normalmente em nossas vidas?

Um dos motivos é que não ouvimos com atenção os outros. Muitas vezes cortamos a fala do nosso interlocutor para “ajudar” ou rebatê-lo, prejudicando o desenvolvimento das ideias. Por outro lado, também amamos nossas ideias e nossos egos não aceitam qualquer crítica ou desafio. Parece que nos apegamos a elas como se fossem partes inseparáveis de nosso ser. Deveríamos ter desapego pelos nossos pensamentos e imaginar que, após compartilhá-los, eles são públicos e todos têm liberdade para usá-los, desenvolvê-los e aperfeiçoá-los. Não existe ideia perfeita, porque somos criadores imperfeitos…

Não quero ouvir

Os três princípios apresentados no treinamento estão apresentados abaixo: 

  1. Nós vivenciamos nossos pensamentos a cada momento.
  2. Nós sentimos nossos pensamentos.
  3. Nós podemos sempre ter novos pensamentos.

 Ou seja, devemos sentir se devemos ou não ter certos pensamentos e atitudes e, se sentimos que não é o melhor, podemos pensar e agir diferentemente. Claro que não é fácil, mas vale a pena tentar e praticar.

Para finalizar, lembro-me de outra cena do Matrix, quando Neo vai consultar o Oráculo para saber se ele é o escolhido. A mulher pergunta se ele leu a frase que estava escrita na entrada da casa:

– Conhece a ti mesmo!

Insistimos em achar que, como diria Sartre, o inferno são os outros e que estamos infelizes por causa da família, do nosso emprego, do local onde moramos, do clima… Na verdade, nós temos a capacidade de alterar nossa percepção da realidade e analisar o que é importante e o que é acessório ou supérfluo nas nossas vidas. E muito importante: felicidade ou equilíbrio não são sinônimos de passividade e alienação!

temet nosce
“Conhece a ti mesmo” em latim.

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A Ignorância, o Atraso e o Oportunismo

No domingo que passei na Espanha, segui a sugestão do colega que estava no mesmo hotel e fizemos uma excursão para a cidade histórica de Girona e para Figueres, onde está localizado o Museu Salvador Dalí.

Girona é daquelas cidades europeias que tem mais tempo de história do que o nosso Brasil. Foi fundada pelos romanos na beira do rio Oñar, os vestígios das muralhas ainda estão firmes. Depois foi conquistada pelos visigodos, na sequência pelos árabes que foram expulsos pelos francos de Carlos Magno. Isto explica a semelhança da língua catalã falada por todos na região com o francês.

Cidade de Girona na Espanha

Cidade de Girona na Espanha

A cidade prosperou até o século XIV quando foi atingida pela epidemia de peste negra. A população da cidade, naquela época, tinha uma parcela expressiva de judeus, mais de 10% do total. A colônia era composta por profissionais das mais variadas áreas, com destaque para as ciências e medicina . Os médicos judeus tiveram pouco sucesso no tratamento dos pacientes desta doença e “pior”, a proporção de doentes  entre a sua etnia foi expressivamente menor do que na comunidade cristã. Isto ocorria, porque os judeus seguiam  rigorosamente suas leis referentes à higiene. Afinal quem tem melhores hábitos, é mais saudável.

Bairro Judeu da Cidade de Girona na Espanha

Uma das ruas do Bairro Judeu da cidade de Girona

O fanatismo religioso estimulado pelos poderosos da cidade levou muitos judeus ao massacre por serem considerados os responsáveis pela disseminação da doença. Outros se converteram ao Cristianismo para escapar da morte. Mais tarde, durante a famosa Inquisição Espanhola do século XV, muitos judeus  e “novos cristãos” foram perseguidos e mortos acusados de heresia. Na verdade, o mais importante para os reis da Espanha  era o confisco de todas as propriedades dos hereges. Mais uma vez, a ignorância foi usada pelos poderosos por meros interesses econômicos.

Fogueira de judeus

Judeus foram mortos por heresia em fogueiras

Na minha viagem de ida para a Europa, tinha um interessante artigo na Newsweek escrito por Hussain Haqqani,  ex-embaixador paquistanês em Washington de 2008 a 2011 e atualmente professor de relações internacionais na Boston University. Se quiser ler o artigo original na íntegra, basta clicar no link abaixo.

http://www.thedailybeast.com/newsweek/2012/09/30/husain-haqqani-muslim-rage-is-about-politics-not-religion.html

Hussain Haqqani

Hussain Haqqani

Com muito mais propriedade do que eu em meus artigos anteriores, Haqqani comenta que da mesma forma que as escrituras Judaicas ou Cristãs, os textos sagrados do Islã pregam a caridade, a bondade e o respeito pela vida. O Al Corão em muitas passagens encoraja seus seguidores a praticar o perdão. Em um episódio famoso, Muhammad perguntou pela saúde de uma anciã em Meca que jogava lixo nele todos os dias. Quando ela não apareceu para insultá-lo, ele ficou preocupado.

Haqqani cita vários casos de livros obscuros que se tornaram conhecidos por causa dos protestos e condenações (fatwa) dos seus autores à morte por autoridades religiosas. O objetivo, na verdade, não era acabar com as ofensas, mas mobilizar os mulçumanos contra o Ocidente. Os protestos das manchetes são função dos políticos, não da religião. Por exemplo, o governo paquistanês criou o “Dia do Amor do Profeta” e, apesar de 95% da população do país (190 milhões de habitantes) serem mulçumanos, apenas 45 mil pessoas participaram das manifestações que terminaram em mortes e feridos contra o filme “Innocence of Muslims”.

Salman Rushdie e seus "Versos Satânicos"

Salman Rushdie e seus “Versos Satânicos”

Metade dos analfabetos do mundo são mulçumanos e dois terços deste grupo são formados por mulheres. Nesta condição, as pessoas podem ser manipuladas com muito mais facilidade. A atenção do povo é desviada e o foco é “nós contra os outros”, quando deveria ser “nós contra os nossos problemas”.

sala  de aula no Paquistão

Sala de aula no Paquistão

Se você segue meu blog com regularidade, pode pensar que ultimamente estou batendo na mesma tecla. A ideia é mostrar diferentes exemplos onde a manipulação das pessoas pode gerar violência e intolerância. Muitas justificativas podem ser empregadas: autoridade, ordem, religião, pátria e tradição. Certa vez li uma frase creditada a Albert Einstein, depois vi que outros creditavam ao músico Maurice Ravel (autor do famoso “Bolero”), independente do autor, ela é impactante:

– A tradição é a personalidade dos imbecis.

Se agirmos da mesma forma, sem questionamentos, como se não existisse alternativa, seremos realmente uns imbecis. Assim qualquer um consegue convencer que o problema é outro país, outra raça ou outra religião. Não somos mais os responsáveis por conduzir e decidir sobre o que é melhor para nossas próprias vidas. Os outros ou as tradições decidem por nós…

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Aos Mestres com Carinho

Esta singela história aconteceu no já “longínquo” ano de 1973 no Colégio Notre Dame na cidade gaúcha de Passo Fundo. Acho que, pelo menos, uma das homenageadas deste post vai querer me matar por causa do adjetivo que usei para aquele ano…

Numa aula do segundo ano do primário, a professora afirmou que a Terra era um planeta e que os planetas giravam em torno do Sol. A volta completa demorava um ano ou aproximadamente 365 dias no nosso caso. Depois disse que a Terra e os outros corpos celestes do mesmo tipo também giravam em torno do seu eixo. A duração deste movimento de rotação era equivalente a um dia ou  24 horas, no caso da Terra. Quando o lado do planeta estava voltado para o Sol, tínhamos o dia e, quando não recebia os raios do “astro-rei”, era noite. E chegou o momento de explicar as estações do ano… Ela disse para a turma que as órbitas não eram circulares e sim “ovais”. Deste modo, quando a Terra está mais próxima do Sol, ficaria mais quente e teríamos o verão. Por outro lado, quando estivesse mais distante, ficaria mais frio e seria inverno.

Movimentos de rotação e translação da Terra em torno do Sol

Movimentos de rotação e translação da Terra em torno do Sol

Neste momento, eu fiz uma observação para a professora:

– Mas ontem eu vi no Jornal Nacional que estava nevando nos Estados Unidos e disseram que é o pior inverno dos últimos anos. Como é que lá é inverno e aqui no Brasil é verão ao mesmo tempo?

As quatro estações

As quatro estações

A professora foi atingida por um golpe inesperado. Ela poderia ter me desqualificado dizendo:

– Como um guri de 7 anos quer saber mais do que a professora?

Poderia ter simplesmente me “enrolado” e continuado a aula, mas ela fez algo inesquecível. Apenas parou, pensou e disse humildemente que não sabia a resposta naquele instante, mas que pesquisaria e, nos próximos dias, haveria uma explicação para minha dúvida.

Realmente após alguns dias, ela entrou na sala com um abajur e um globo terrestre e disse que teríamos uma aula especial sobre as estações do ano. Pediu para fecharmos todas as venezianas e cortinas. Depois um colega fez o papel do Sol, ao ligar o abajur. Ela desligou as luzes da sala e conduziu o globo na translação em torno do Sol. Mostrou que o eixo da Terra se inclina, fazendo que o hemisfério sul receba maior quantidade de raios solares no verão; e menor quantidade, no inverno. Tudo foi muito claro e visual. Depois usou meu exemplo e mostrou onde ficava os Estados Unidos (no inverno) e o Brasil (no verão). Na sequência, mostrou quando começava cada estação do ano nos dois hemisférios. Finalmente perguntou se minhas dúvidas tinham sido sanadas. Claro que foram!

Experiência do Sistema Solar

Experiência semelhante sobre o Sistema Solar

Aquela aula se tornou um benchmark, poucas vezes atingido. Tive outros grandes mestres na minha vida, mas guardo esta aula como um carinho especial. Na verdade, quantos professores desafiados por um aluno teriam um comportamento tão positivo como este? Na Universidade, não foram muitos… Talvez o orgulho, a insegurança ou a desmotivação impeçam o crescimento pessoal do próprio professor e da turma de estudantes. Se minha professora, que vergonhosamente não consigo lembrar o nome, ao invés de ter atitude proativa em relação ao meu questionamento, demonstrasse passividade ou, pior, agressividade, talvez hoje eu fosse outra pessoa ou profissional.

Neste Dia do Professor, só posso usar um velho chavão:

– Sem educação, não há solução!

Sem professores preparados e motivados, não conseguiremos formar os cidadãos e os profissionais que nosso mundo tanto precisa. Isto inclui, além de salário digno, treinamento contínuo. Encerro homenageando na pessoa da minha irmã Flávia que, por vocação, escolheu esta dura carreira, todos os professores que lutam, apesar de todas as dificuldades, para cumprir sua bela missão.

Feliz dia do professor

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Golfinhos de Guerra

Durante meus vinte dias no Canadá, normalmente aproveitava para fazer uma leitura do jornal local, “The Saskatoon StarPhoenix”, no café da manhã do hotel. Em uma destas leituras matutinas, havia a notícia sobre exercícios conjuntos das forças armadas americanas e canadenses nos quais participaram golfinhos treinados pelos americanos.

Golfinhos da Marinha Americana

Sargento Andrew Garrett observa um golfinho durante treinamento no Golfo Pérsico. (Foto: Brien Aho/AP)

A marinha americana, desde os anos 60, vem desenvolvendo um programa que usa mamíferos marinhos (Marine Mammal System) em operações especiais, como os golfinhos-nariz-de-garrafa (golfinhos comuns) e os leões marinhos californianos. Os golfinhos e baleias possuem um sonar mais eficiente do que o melhor dispositivo desenvolvido pelo homem, enquanto os leões marinhos apresentam uma visão privilegiada mesmo em condições de baixíssima iluminação.

Leão marinho da Marinha Americana.

Leão marinho em treinamento pela Marinha Americana.

A principal função dos golfinhos é a localização de minas marinhas. Eles foram usados com sucesso na Invasão do Iraque em 2003 para limpar as minas no Porto de Umm Qasr. Atualmente estão em treinamento para outra missão semelhante, se o Irã cumprir sua ameaça de colocar minas no Estreito de Ormuz, por onde passam pelo menos um quinto dos carregamentos de petróleo do mundo.

Estreito de Ormuz

Localização do Estreito de Ormuz no Golfo Pérsico

A marinha americana garante que os golfinhos não são responsáveis pela detonação das minas, apenas pela sua detecção e marcação. Por outro lado, de acordo com notícia do site CBS News, em 26 de março de 2011, pelo menos três mortes de golfinhos na costa de San Diego na Califórnia estavam ligadas a exercícios da marinha americana. Claro que estes mamíferos marinhos não estão prestando serviço voluntário para as Forças Armadas! Será que podemos considerar ética a exposição de animais a missões de alto risco como estas?

Peter Singer define especismo como sendo a discriminação dos homens contra as outras espécies de animais. Assim os humanos podem usar outras espécies como escravos ou criá-las para depois abatê-las e usá-las como alimento. O filósofo australiano também comparou o especismo com outras formas de discriminação como o racismo e o sexismo.

Peter Singer

Peter Singer e a Liberação Animal

A maioria das pessoas fica sensibilizada com notícias sobre violência contra golfinhos, baleias, macacos ou animais domésticos, como cães e gatos. Por outro lado, não são concedidos os mesmos direitos a outros animais, como galinhas, porcos e vacas.

Vaca e Golfinho

E eu nem falei sobre sustentabilidade ou dos problemas ecológicos causados pela criação de animais para consumo humano…

Para mais informações sobre este assunto, leia “Ecologia Dentro e Fora de Nossos Corpos“.

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O Islamismo é Violento?

Anteontem mais dezenove pessoas morreram no Paquistão em protestos contra o filme ofensivo ao profeta Muhammad, “Innocence of Muslims”. Como falei no post anterior, nada justifica esta reação violenta dos mulçumanos.

No versículo 62 da Segunda Surata (capítulo) do Alcorão, está escrito que os fieis (mulçumanos), os judeus, os cristãos e os sabeus (antigo povo que vivia na região do Iêmen), enfim todos os que crêem em Deus e praticam o bem, no Dia do Juízo Final, receberão a sua recompensa do seu Senhor e não serão presas do temor.

Este é um verdadeiro exemplo de tolerância religiosa. Onde está o radicalismo?

O embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens, e outros três funcionários morreram em ataque ao consulado em Benghazi no dia 11 de setembro. Imediatamente as redes de notícias colaram o atentado ao filme anti-islâmico, mas veja a foto abaixo onde civis líbios resgatam e tentam salvar a vida do embaixador. Estas pessoas da foto também não são mulçumanas? A generalização deve sempre ser evitada!

Resgate embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens

Resgate embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens

Parece que a religião foi só um pretexto…

Outra onda de protestos ocorreu em vários pontos da China contra os japoneses por causa das Ilhas Senkaku. Um arquipélago composto por cinco ilhotas desabitadas e três rochas estéreis, com uma área total de aproximadamente 6 km².

Ilhas Senkaku

Ilhas Senkaku

Empresas japonesas, como Toyota, Honda, Canon e Panasonic, foram obrigadas a paralisar suas atividades por questões de segurança. Qual seria a relação entre empresas japonesas e estas ilhas sem importância? Quem liderou estes protestos de cunho nacionalista?

Protestos anti-Japao na China por causa das Ilhas Senkaku

Protestos anti-Japao na China por causa das Ilhas Senkaku

Parece que as ilhas foram só um pretexto…

Em 1985, uma hora antes da disputa da final da Taça dos Campeões da Europa, entre Liverpool da Inglaterra e Juventus da Itália, aconteceu um conflito entre torcedores no Heysel Stadium em Bruxelas na Bélgica. O resultado final foi uma tragédia com 39 mortos e aproximadamente 600 feridos. O que os torcedores da Juventus fizeram de tão grave para justificar o massacre protagonizado pelos hooligans ingleses?

Liverpool_Juventus_Heysel

Imagens do conflito no jogo Liverpool x Juventus no Estádio Heysel

Em 1995, ocorreu a final da Supercopa São Paulo de Futebol Júnior entre as equipes do São Paulo e do Palmeiras no Estádio do Pacaembu na capital paulista. Logo após o final do jogo, torcedores do Palmeiras invadiram o gramado para festejar a conquista do título. A torcida do São Paulo se enfureceu, pegou pedaços de madeira e entulhos (o estádio estava em obras) e iniciou uma batalha campal. No final, um rapaz de dezesseis anos de idade morreu e outras 102 pessoas ficaram feridas.

briga entre as torcidas do Palmeiras e São Paulo na final da Supertaça São Paulo de Juniores em 1995

Briga entre as torcidas do Palmeiras e São Paulo na final da Supertaça São Paulo de Juniores em 1995

Parece que o futebol era só um pretexto…

Em todos estes casos que apresentei acima, tenho absoluta certeza que a esmagadora maioria dos mulçumanos, dos chineses e dos torcedores de futebol desaprova estes atos violentos. Então afinal por que eles aconteceram? Na minha opinião, líderes inescrupulosos conseguem usar pessoas menos evoluídas para, através da violência, atingir seus objetivos. Assim religião, futebol ou amor à pátria são apenas pretextos para a realização de atentados e assassinatos. Se melhorar a educação destas pessoas, provavelmente, esta cultura de violência será enterrada…

 

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Descoberta a Nova Redação do Primeiro Mandamento

Uma das maiores descobertas arqueológicas dos últimos séculos acabou de ser anunciada.  Em uma escavação no Castelo da Lua, antiga propriedade da Ordem dos Cavaleiros Templários na região da Galícia, noroeste da Espanha, foi encontrada a Arca da Aliança. Seu conteúdo foi minuciosamente examinado e as tábuas dos Dez Mandamentos tiveram sua veracidade comprovada através de datação com Carbono-14, estimando-se uma idade em torno de 3.500 anos.

Arca da Aliança de Indiana Jones

Arca da Aliança do filme de Indiana Jones

Especialistas em hebraico arcaico chegaram a uma surpreendente descoberta o primeiro mandamento que nos ensinaram é “Amar a Deus sobre todas as coisas”, mas duas palavras foram omitidas.

Moisés Dez Mandamentos Rembrandt

Moisés com as Tábuas dos Dez Mandamentos (Rembrandt)

A nova tradução para o português é “Amar a Deus sobre todas as coisas sem intermediários”. Ou seja, a partir de agora sabemos que nossa ligação com o Ente Supremo deve  ser direta, não precisamos mais padres católicos, pastores evangélicos, rabinos judeus ou imãs mulçumanos. Este pode ser o fim das estruturas religiosas das grandes religiões monoteístas.

Atenção - Aviso Importante

Antes de você compatilhar o link deste post no Facebook, leia o texto até o final. Na verdade, que eu saiba, a Arca da Aliança não foi encontrada, nem o primeiro mandamento teve sua redação revisada. Apenas inventei uma notícia que apoie minha visão da religião. Devemos criar nossa ligação com o Espiritual e cada um deveria desenvolver a sua forma particular. Nada deveria ser mais pessoal, sem intermediários ou líderes para serem seguidos cegamente…

Eu entendo que a religião trouxe uma série benefícios para a humanidade, como o respeito à vida e os valores éticos. Moisés trouxe os Dez Mandamentos e depois a Lei Mosaica; Jesus, as regras baseadas no amor e na compaixão; e Muhammad (Maomé para nós brasileiros), a jurisprudência para as transgressões.  A infração destas regras pode trazer punições inclusive para a vida eterna, como aparece brilhantemente no famoso monólogo de Hamlet:

“…Quem aguentaria fardos,
Gemendo e suando numa vida servil,
Senão porque o terror de alguma coisa após a morte –
O país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante – nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos,
A fugirmos pra outro que desconhecemos?”

O lado negro das religiões é a intolerância. Podemos citar vários exemplos:

– cristãos e mulçumanos no Líbano;
– católicos e protestantes na Irlanda do Norte;
– mulçumanos sunitas e xiitas em alguns países árabes.

No Brasil, alguém já esqueceu o caso do pastor Sérgio von Helder da Igreja Universal do Reino de Deus que insultou e chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida há mais de 15 anos? O país, naquela ocasião, esteve próximo de uma “Guerra Santa”. Todos brasileiros também conhecem os conflitos entre evangélicos e espíritas…

Cena do chute na santa

Cena do chute na imagem de Nossa Senhora Aparecida

Atualmente estamos presenciando mais um desdobramento com as reações belicosas dos fieis mulçumanos no mundo árabe devido ao infame filme “Innocence of Muslims” que pode ser assistido no YouTube. Por mais ofensivo que o filme possa ser contra o profeta Muhammad, nada justificaria a reação dos mulçumanos, especialmente porque o perdão e a misericórdia também fazia parte do Alcorão. Talvez você não saiba, mas Jeová, Deus e Alá são o mesmo Ente Supremo. Abraão e Moisés estão entre os principais profetas do Islã, assim como João Batista e Jesus Cristo.

profetas do islã

Os Profetas do Islã: Abraão, Moisés, Jesus e Muhammad

Se é o mesmo Deus, se os profetas das outras religiões são respeitados e considerados, por que esta reação antimulçumana? Por que um ato de um idiota, ao fazer um filme cretino, causa mortes e reações violentas? Minha resposta é simples: a ingenuidade, a ignorância e o desencanto são explorados por líderes inescrupolosos em nome da fé. Se as pessoas buscassem a verdadeira espiritualidade que existe dentro de cada um, isto jamais aconteceria!

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Houve um Dia em que Queríamos Ser Herois

Sábado passado representou para mim o início do último final de semana  antes do meu retorno ao Brasil. Resolvi dar uma olhada no evento da cidade de Saskatoon nesse dia: Broadway Street Fair. Em primeiro lugar, a Broadway daqui não lembra a nova-iorquina e o principal atrativo era a venda dos mais variados artigos com descontos especiais. Em outra área da Feira, havia shows com bandas locais de rock, nenhuma muito promissora… No cruzamento entre duas quadras, foi colocado um tablado para apresentações de dança de grupos da terceira idade. Nada diferente do que no Brasil, sempre têm integrantes mais empolgadas e outras sendo arrastadas… Muitos cães passeavam com seus donos por todo o lado, aproveitando o belo dia. Muitas crianças se divertiam das mais variadas formas, fazendo arte em uma tenda, com pintura facial em outra, aprendendo esgrima ou numa curiosa atividade de tortadas na cara.

Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Já havia passado do meio-dia quando decidi almoçar. Procurei um restaurante fechado, porque os canadenses adoram comer em mesas na rua ao vento, invariavelmente sob o sol. Esta atitude deve ser estimulada pelo longo e rigoroso inverno que se abate sobre eles, transformando os raios solares em um produto precioso! Durante o almoço, um enorme caminhão de bombeiros entrou na rua, manobrou e estacionou quase na frente do restaurante. Na mesa do lado, um casal, certamente acima da faixa dos 70 anos, almoçava tranquilamente até o surgimento do caminhão, quando o esposo apreensivo perguntou:

– What’s going on?

Pensei que se fosse uma emergência, os bombeiros não chegariam naquela tranquilidade com a sirene desligada. Passados alguns instantes, muitas crianças aproximaram-se do caminhão e foram convidadas a entrar na cabine. A satisfação dos meninos era evidente.

Bombeiros na Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Meninos no caminhão dos Bombeiros na Broadway Street Fair de Saskatoon

Tive meu segundo momento emotivo em menos de uma hora. O primeiro aconteceu quando vi o casal que citei acima almoçando e imaginei eu e a Cláudia juntos daqui a um tempo. Depois, ao sair do restaurante, fiquei uns dez minutos observando as crianças e lembrei que eu, como a grande maioria dos meninos, já sonhei um dia em ser bombeiro, apagar incêndios e salvar vidas. Quando e por que este sonho acabou? Por que simplesmente desistimos de ser herois?

Por mais contraditório que possa parecer, ao invés de me deprimir, a visão das crianças no carro de bombeiros me alegrou, porque mais uma vez provou que a natureza humana essencial é boa, queremos ajudar os outros, almejamos ser herois. Os condicionamentos externos (pais, amigos, escola, televisão) e suas definições do que é ser bem sucedido nos desviam deste caminho mais natural. Afinal bombeiros não têm carrões do ano, nem apartamentos de cobertura ou passam as férias na Europa ou em ilhas paradisíacas da Polinésia Francesa. Eles são mal remunerados, assim como muitos dos herois de carne e osso que convivemos diariamente, porque gerar dinheiro é “mais importante” do que salvar vidas!

Bora Bora

Paradisíaca ilha de Bora Bora na Polinésia Francesa

Existem muitas formas de salvar vidas e nos tornarmos herois, pode ser através da boa educação e orientação das crianças, pode ser através da boa prática da saúde pública ou através do trabalho voluntário. Termino este post, homenageando uma menina que em menos de um mês estará completando 5 anos de idade, minha filha Júlia. Desejo que tu nunca desistas de ser nossa heroína e sempre sirva de exemplo para tua maninha Luiza que em breve estará entre nós.

Julia Lanterna Verde

Júlia como o super-heroi Lanterna Verde

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O Ecomarketing de Vladimir Putin

Em mais uma leitura do “The Saskatoon StarPhoenix” no café da manhã de hoje, vi uma reportagem sobre a ultima aventura ecológica do presidente da Rússia, o todo-poderoso Vladimir Putin. Desta vez, ele vestiu um traje branco com capacete e óculos de proteção e voou em um ultraleve cercado por várias garças jovens, que nasceram em cativeiro, a fim de ajudar a apresentá-las à natureza. O feito ocorreu na Península de Yamal, no norte da Rússia, e visava induzir os pássaros a seguir o avião e, portanto, prepará-los para sua rota de migração. Esta ação faz parte do projeto “Voo da Esperança” para proteger a ameaçada garça siberiana branca. Visivelmente satisfeito, Putin disse que tinha sido sua idéia voar com o ultraleve, embora parecia ser dirigido a maior parte do tempo por outra pessoa em um traje branco semelhante ao seu sentado atrás dele. Assista ao filme abaixo.

Esta não a primeira aventura ecológica de Putin. Em 2008, ele seguiu um tigre siberiano, acertou um dardo tranquilizante e colocou uma coleira com rastreador no animal. Mais tarde surgiu a versão de que o animal não era selvagem e sim de um zoológico. Assista também a este filme.

Em 2010, foram mais duas aventuras. Primeiro ele colocou uma coleira com rastreador em um urso polar sedado no Ártico em um espetáculo para os fotógrafos. Depois, dentro de um bote com pesquisadores marinhos, na longínqua Península de Kamchatka (extremo leste da Rússia), coletou uma amostra de pele de uma baleia cinzenta, utilizando uma besta. Veja mais estes dois filmes.

Todos já ouviram as terríveis histórias do assassinato de bebês focas para a obtenção de peles brancas para a fabricação de casacos de luxo. A foto abaixo mostra o método canadense de execução dos animais inocentes.

Em janeiro de 2000, um projeto de lei para proibir a caça à foca foi aprovada pelo parlamento russo por 273 votos a 1, mas foi vetado pelo então presidente Vladimir Putin. Em março de 2009, o ministro russo de Recursos Naturais e Ecologia, Yuriy Trutnev, anunciou uma proibição total da caça de focas menores de um ano de idade no Mar Branco. Se você lembrar, a partir de 2008, Vladimir Putin inicia sua saga ecológica com o tigre siberiano, estendida em 2010 com o urso polar e com a baleia cinzenta.

Este é o mesmo Putin que não se posiciona contra os massacres na Síria e é impiedoso em relação aos rebeldes chechenos. Durante a invasão de um teatro em Moscou, por exemplo, causou a morte de pelo menos 129 reféns devido à colocação de um gás tóxico desconhecido no sistema de ventilação do prédio.

Putin visita vitimas no hospital

Putin visita as vítimas no hospital

O mesmo Putin que governa com mão de ferro a Rússia, onde recentemente as cantoras do Pussy Riot foram condenadas a dois anos de prisão pelo crime de protestar contra seu governo.

Cantoras do Pussy Riot durante o  julgamento

Cantoras do Pussy Riot durante o julgamento

Parece que Putin, no seu populismo arbitrário, percebeu qual é o produto indiscutível do século XXI, a ecologia, e decidiu dar o que a opinião pública deseja: proteger animais ameaçados de extinção. Claro que ele poderia ter estimulado a criação de políticas e ações para a preservação de tigres, ursos polares, baleias e garças siberianas, mas nada teria maior efeito do que colar sua imagem a estas iniciativas. Estes filmes deixam bem claro que Putin estava na linha de frente da preservação da vida animal, um verdadeiro “Capitão Planeta Russo”. Na verdade, ele se tornou um dos maiores ecomarqueteiros da política mundial, enquanto restringe a liberdade da população russa, sendo impiedoso com seus adversários, defende a proteção de espécies ameaçadas. Algum defensor da causa animal terá coragem de defendê-lo?

O Capitão Planeta Russo

Super Putin, O Capitão Planeta Russo

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Novos Escândalos – Isto não é Brasil!

Na terça-feira pela manhã, caminhei até o Hotel Hilton, onde estava hospedado um colega, lá pegaríamos nossa carona até a Universidade de Saskatchewan em Saskatoon no Canadá. Na esquina do hotel, um senhor sikh distribuía o Jornal Metro. Na capa, havia uma história sobre uma jovem de 23 anos que havia recebido na segunda-feira a determinação da Justiça de não ter contato com seu marido, um senador de 69 anos.

Maygan Sensenberger e Rod Zimmer

Senador Rod Zimmer, 69, e sua esposa Maygan Sensenberger, 23

A exploração que os jornais fizeram deste caso foi digno da nossa “Terra Brasilis”. Muito pouca gente conhecia o senado Rod Zimmer e menos pessoas ainda sabiam da existência da sua jovem esposa Maygan Sensenberger. Então quais seriam os motivos de tamanha repercussão? A verdade é que a maioria dos humanos gostam de uma boa fofoca. Olha só que história! Uma jovem bonita, casada com um político rico muito mais velho, durante um voo, faz um tremendo escândalo dentro do avião. Grita para todo mundo ouvir que não queria conhecer a família do marido em Saskatoon, que iria deixá-lo e chega ao ponto de ameaça-lo de morte, dizendo que cortaria sua garganta. Depois, quando parecia que já estava tudo controlado, começou a dizer que derrubaria o avião, o que gerou pânico entre os passageiros. No dia 18 de setembro, está marcada a próxima audiência para o deleite de muita gente…

O que está por trás desta notícia? Perguntei para alguns canadenses se eles conheciam este senador. Eles disseram que poucos senadores são conhecidos e que a atuação do Senado é extremamente apagada. O Senado foi criado com inspiração na Câmara dos Lordes da Inglaterra, sendo composto por 105 membros indicados originalmente pelo Governador-Geral (representante da Rainha Elizabeth, a chefe de estado do Canadá) com a influência do Primeiro-Ministro (chefe de governo do país). Hoje funciona da forma contrária, o Primeiro-Miinistro indica quem ele quiser, normalmente da mesma tendência política. Ou seja não há eleições para o Senado. Cada senador fica no cargo até morrer ou completar 75 anos de idade (o que acontecer primeiro é claro). Eles são responsáveis por aprovar as contas da Câmara dos Comuns e do Governo, mas raramente rejeitam algum item ou interferem na aprovação de alguma lei. Para fazer este trabalho estressante cada senador recebe o salário base anual de 132 mil dólares canadenses (equivalente a R$ 22 mil por mês) com direito a aposentadoria vitalícia. Já houve tentativas para alterar isto, mas não foi para frente por falta de vontade política. E tem gente que acha que isto só acontece no Brasil…

Senado Canada

Senado Canadense

Vamos para outro escândalo desta vez no outro lado do mundo. Hoje no café da manhã, folheava as páginas de um jornal local, The Saskatoon StarPhoenix, quando li uma manchete muito interessante:

– “Líder de Pequim balança devido à polêmica sobre o acidente com Ferrari”.

O líder da manchete se chama Ling Jihua e exercia um importante cargo dentro do governo chinês, estando ligado diretamente ao Presidente Hu Jintao, conforme pode ser visto na foto abaixo.

Ling Jihua e o Presidente Hu Jintao

Ling Jihua, de pé a esquerda, e o Presidente Hu Jintao, assinando um documento

Ling Gu, o filho de Jihua, destruiu uma Ferrari 458 Spider preta que dirigia na madrugada do dia 18 de março deste ano em uma estrada próxima a Pequim. Como consequência do acidente, ele morreu. Havia duas mulheres no carro (esportivo com apenas dois assentos), mas não há nenhuma informação sobre elas. A notícia foi abafada pelo governo chinês até vir à tona ontem.

O que está por trás desta notícia? Um líder do Partido Comunista Chinês recebe oficialmente US$ 15.600 por ano. Como poderia dispor de US$ 780.000 para comprar um carro esporte?

Ferrari Ling Gu

Ferrari destruída por Ling Gu, filho de Ling Jihua

Este caso perde longe para outro caso escandaloso, onde o prefeito de Chongqing, uma das cidades mais importantes da China com população de 29 milhões de pessoas, e sua esposa se envolveram em um caso que mesclou corrupção, evasão de divisas, traição e assassinato. Bo Xilai, um dos homens mais importantes da China, caiu em desgraça após a revelação que sua esposa Gu Kailai envenenou o inglês Neil Heywood.

Gu Kailai, Bo Xilai e Neil Heywood

Gu Kailai, Bo Xilai e Neil Heywood

Heywood mantinha negócios com Bo Xilai relacionado à remessa clandestina de grandes somas de dinheiro no exterior. Ele e a esposa de Bo, Gu Kailai, foram amantes, mas estavam em conflito devido a uma questão financeira. Ela envenenou e matou o inglês em novembro do ano passado, A polícia local inventou uma versão fantasiosa sobre envenenamento por álcool, que foi rejeitada, e finalmente revelou-se a verdade somente em março deste ano. Bo perdeu seu cargo no Comitê Central do Partido Comunista e sua esposa foi presa e condenada. Estima-se que os negócios e ativos de Bo Xilai no exterior cheguem a US$ 136 milhões.

O que estas histórias têm em comum? A primeira começa na confusão em um avião, mas termina na revelação de um sistema político ineficiente, inútil e caro, no qual os políticos não permitem sua mudança. O segundo caso, começa em um grave acidente de carro, mas revela o submundo da corrupção na política, onde grandes somas de dinheiro são desviadas locupletando políticos sem ética. Por incrível que pareça para muita gente, estas histórias não aconteceram no Brasil. Estamos longe da perfeição, mas não somos os únicos que temos um sistema político caro e ineficiente ou convivemos com casos de corrupção.

Para finalizar, gostaria de afirmar que não me deixa feliz ver que não somos os únicos com estes tipos de problemas. O que podemos fazer melhor do que os canadenses e os chineses? Não podemos nos acomodar como os canadenses, devemos exigir as reformas políticas que tornariam nossa democracia melhor. Devemos fiscalizar os atos dos políticos, atividade vedada aos chineses, e exigir que o dinheiro de nossos impostos sejam bem empregados.

 

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Cem Posts, Sem Segredos!!!

Este é um momento histórico para este blog. Você está lendo o centésimo post (ou artigo para os puristas) publicado desde setembro de 2009.

100º post

Passei por diversos assuntos, de gestão de pessoas a gerenciamento de projetos, de gastronomia a cinema, de psicologia e filosofia a viagens, de futebol, em especial meu Inter, a literatura, em especial o grande William Shakespeare. Escrevi sobre vários assuntos sérios e procurei descontrair, por exemplo, quando falei da minha última morada.

Até ontem as estatísticas já computavam aproximadamente 45 mil acessos. Agradeço os amigos e a família, principalmente minha irmã, pelas visitas frequentes…

Quando decidi criar um blog, tinha uma série de objetivos, o principal era escrever sobre qualquer assunto que me atraísse. Acredito que tive sucesso em criar um blog com conteúdo diversificado. Por outro lado, minha produção ficou muito aquém da meta numérica inicial, porque queria publicar dois post por semana, incluindo uma receita gastronômica nas sextas-feiras. Eu poderia me enganar e escrever agora que privilegiei a qualidade em detrimento da quantidade, mas estaria mentindo. Se eu tivesse aquele caderninho para registrar as ideias que chegaram e fugiram pouco tempo depois ou aquele gravador de voz para armazenar meus pensamentos durante os engarrafamentos na Marginal Pinheiros em São Paulo, poderia ter vários artigos interessantes inéditos. Quem sabe não estaria de fardão nas quintas-feiras, sorvendo o chá preto, na companhia de outros imortais? Acho que exagerei desta vez… Afinal dificilmente seria eleito, não sou político, nem tenho ligações dentro da ABL…

Fardão da ABLDesde o início, procurei colocar fotos ou figuras para quebrar um pouco a sequência do texto, tornando sua leitura mais agradável. Descobri que, da mesma forma que eu navegava na Internet em busca de imagens, outras pessoas faziam o mesmo e contribuíam para aumentar o tráfego no blog. Valeu Google!

Outro procedimento que ajuda a divulgação do blog é anunciar as novidades no Twitter e Facebook. Também existe a possibilidade do leitor assinar o blog (o botão está na coluna ao lado) e receber um E-mail, sempre que houver um novo post.

Para finalizar, gostaria que os leitores novos e os assíduos deste blog deixassem um pequeno comentário com críticas e sugestões. Escreva o que gostaria de ler com mais frequência. Pode simplesmente dizer quais são posts preferidos e aqueles que não gostaram. Prometo que considerarei todas as observações nos próximos cem artigos. Por gentileza, só não façam como Oswald de Andrade, se alguém lhe perguntar sobre meu blog:

– “Não li e não gostei!”

Oswald de Andrade

 

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O Artificialismo – A Melhor Forma de Proteger o Ambiente Natural

Segundo, The Wall Street Journal, uma onda de tempo ruim – seca nos Estados Unidos, verão quente demais na Rússia, muita chuva no Brasil – está prejudicando a cadeia de produção de alimentos e aumentando preços ao redor do mundo. A FAO, órgão das Nações Unidas para alimentos e agricultura, anunciou ontem que seu índice para preços de alimentos subiu 6% no mês passado, a maior alta desde novembro de 2009.

Atualmente somos 7 bilhões de habitantes no planeta e, segundo estimativa de ONU, passaremos para 8 bilhões em doze anos. Parece claro que, para alimentar uma população humana crescente, os recursos naturais necessários serão enormes. O poder aquisitivo das populações menos favorecidas também crescerá neste período, o que é muito bom! Desta forma, o consumo de alimentos aumentará de forma mais acelerada do que o simples crescimento vegetativo da população e não podemos esquecer que a agricultura depende do clima, da disponibilidade de água e de terras férteis.

Crescimento da População Mundial

Crescimento da população mundial

Há um tempo assisti a um vídeo do filósofo “pop” Slavoj Žižek no qual apresenta seus conceitos sobre ecologia. Ele afirma que a ecologia pode ser a religião do século XXI ao trazer uma série de dogmas a serem cegamente seguidos. Pode-se comprovar pelo massacre a que são submetidos aqueles que ousam contrapor ao senso comum ecológico. Já comentei o assunto no meu post sobre o aquecimento global. O obscurantismo “fanático-religioso” contra os transgênicos é outro exemplo dos malefícios destes dogmas ecológicos. Muitos transgênicos são, por exemplo, resistentes a pragas, reduzindo a aplicação de agroquímicos.

Transgênicos

Os transgênicos são muito criticados pelos ativistas

Assista ao vídeo de Žižek, onde ele apresenta seus conceitos sobre ecologia.

Proponho que dois caminhos distintos sejam trilhados para produzir os alimentos, as roupas e demais bens de consumo para satisfazer a demanda crescente da população:

– combate implacável aos desperdícios de recursos naturais através do uso das melhores técnicas disponíveis;
– ruptura total do atual modelo produtivo através criação de novas tecnologias que tornem o ser humano independente da natureza do planeta.

A primeira via é a exploração do passado. Ela engloba, na agricultura, o uso das melhores práticas disponíveis durante todas as etapas desde a escolha de cultivares, fertilização e correção dos solos, controle de pragas e doenças até a colheita, transporte e armazenamento da safra. Na indústria, o uso das melhores técnologias para a geração de bens duráveis e de consumo, consumindo a menor quantidade de recursos: matérias primas, insumos, água e energia.

A segunda via é mudar radicalmente a forma de gerar alimentos e insumos para a indústria. Como falou Slavoj Žižek, nada de volta às origens, mas a busca de um caminho totalmente novo, desvinculado da natureza. Por exemplo, a criação de novas tecnologias que produzam alimentos a partir da recombinação química ou bioquímica de átomos de carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e assim por diante. Itens fundamentais são o reciclo total de todos os resíduos e o uso de energias intrinsecamente limpas, como a solar, geotérmica e a fusão nuclear.

O consumo de carne evidentemente não é uma prática sustentável! Hoje metade do milho e 75% da soja são usadas para alimentar animais que serão mortos para servir de alimento para nós humanos. Para gerar um quilo de carne bovina são necessários 7 quilos de milho e soja, além do consumo de 15 mil litros de água. E nem comentei a poluição gerada por esta atividade, uma vaca leiteira, por exemplo, solta 700 litros de metano diariamente na atmosfera (gás 21 vezes mais nocivo do que o gás carbônico para a formação do efeito estufa). A carne não é mais um alimento essencial e seu consumo só pode ser justificado pelo prazer gastronômico. Quando inventarem a picanha ou o filet mignon de laboratório, juro que volto a comer carne. Já existem grupos de pesquisadores criando carne em laboratório. Por enquanto, são pequenas tiras de 3 centímetros de comprimento por 1,5 cm de largura e espessura de apenas meio milímetro, mas o rendimento de conversão dos nutrientes em carne já fica em torno de 50% contra menos de 15% da convencional.

Carne Artificial

No futuro, carne igual a esta na foto poderá ser produzida artificialmente.

Só o artificialismo, que distanciará a satisfação das necessidades humanas da natureza, nos reconciliará definitivamente com a própria natureza e os demais animais que nos cercam. Não existe outra opção…

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O Efeito Lúcifer – O Homem é o Homem e sua Circunstância (parte 3)

Nas duas primeiras partes, apresentei os experimentos de Stanley Milgram e Philip Zimbardo sobre a obediência cega. Agora, na parte final deste artigo, comentarei o “Efeito Lúcifer” criado por Zimbardo. Abaixo está apresentada a gravura de Gustave Doré com a representação da história da expulsão do anjo Lúcifer do Paraíso.

Paraíso Perdido de Gustavo Doré

Paraíso Perdido de Gustavo Doré

Vou iniciar este post com um pequeno vídeo para descontrair um pouco antes do assunto sério. O Candid Camera foi pioneiro nas “pegadinhas” na televisão e neste vídeo aparece a pressão do grupo sobre os indivíduos. Veja e dê boas risadas.

Em 2003, o secretário de defesa americano, Donald Rumsfeld, declarou que os fatos ocorridos na prisão de Abu Ghraib foram resultado de “umas poucas maçãs podres” no turno da noite. Zimbardo considerou que existem três categorias para explicar os fatos ocorridos na prisão iraquiana:

– disposicional – originadas de dentro de cada indivíduo, de cada soldado, as chamadas “maçãs podres”;
– situacional – originadas no entorno dos indivíduos, a prisão, o “barril de maçãs ruim”;
– sistêmica – são as influências mais amplas, poderes econômicos, políticos e legais, os “fabricantes dos barris de maçãs ruins”.

Uma das fotos da Prisão de Abu Ghraib

Zimbardo considera que a linha entre o bem e o mal é muito tênue e permeável. Eu gostaria de salientar que o mal não é um país, um povo ou uma raça. O mal está nos pensamentos e atitudes de cada indivíduo, independente de nacionalidade ou religião. Ele listou sete processos sociais que facilitam o escorregão para o mal:

– displicentemente dar o primeiro passo;
– desumanização dos outros;
– anonimato;
– responsabilidade individual difusa;
– obediência cega à autoridade;
– conformismo não crítico às regras do grupo;
– tolerância passiva ao mal pela inação ou indiferença.

Não esqueçam que o primeiro choque do experimento de Milgram foi de apenas 15 volts. Quem apertou o botão deve ter pensado que não havia problema, porque o “aluno” não deve ter sentido nada… Como diz Zimbardo, “esta é a chave, todo o mal começa com 15 volts”.

Por incrível que pareça, os experimentos que descrevi nos dois posts anteriores passaram pelos sete processos… A responsabilidade difusa, a obediência cega e o conformismo passivo são pontos de partida para uma série de comportamentos errados, principalmente em situações novas ou não familiares.

Assista à palestra de Zimbardo sobre o Efeito Lúcifer.

Zimbardo conclui que a mesma situação pode inflamar a imaginação para o mal, também pode inspirar heroísmo em outros, mas o pior, em minha opinião, é que a maioria das pessoas é culpada pelo mal da inação. Assim ele recomenda que nossos filhos sejam criados para serem heróis. Quando falamos em heróis pensamos em super-herois com superpoderes ou heróis modernos de carne e osso como Mahatma Gandhi, Martin Luther King ou Nelson Mandela. Apesar destes três últimos homens terem assumido enormes sacrifícios pessoais em nome da sociedade, buscamos herois comuns do dia a dia. Pessoas que não aceitam passivamente as injustiças denunciam e lutam para mudar o mundo que os cerca. Pode ser em casa, no trabalho, na escola ou na sua comunidade.

Para ser um heroi, você deve ser divergente, deve agir quando outras pessoas são passivas. Deve pensar de modo sociocêntrico ao invés de egocêntrico. O mais interessante é que as conclusões e recomendações de Zimbardo vão ao encontro do filósofo espanhol José Ortega y Gasset. Ele é o autor da frase que utilizei como título desta série de posts:

– “O homem é o homem e a sua circunstância”.

Filósofo espanhol José Ortega y Gasset

Para Ortega y Gasset, não é possível considerar o ser humano como sujeito ativo sem levar em conta simultaneamente tudo o que o circunda, incluindo o contexto histórico em que se insere. A Educação se transforma em instrumento para que cada um possa conscientizar-se de sua circunstância, relacionar-se com ela e superá-la. “Se não a salvo, não me salvo”, conclui o filósofo espanhol.

Sempre uso como exemplo o caso das relações entre árabes e judeus. No Brasil, não ouvimos falar de conflitos, porque o contexto não estimula violência entre estas duas etnias no nosso país. Agora se transferirmos algumas pessoas daqui para o Oriente Médio, a situação muda. O meio influencia decisivamente o comportamento dos indivíduos.

Amizade entre meninos árabe e judeu

Voltando para o mundo empresarial, muitas iniciativas são bloqueadas pela cultura interna. Grandes corporações muitas vezes tem responsabilidade individual difusa, obediência cega à autoridade, conformismo não crítico às regras e tolerância passiva ou indiferença aos verdadeiros problemas da empresa. Isto pode ser resumido por frases como:

– Esta não é minha responsabilidade!
– Eu estou fazendo a minha parte…
– Temos que manter o foco naquilo que “realmente” é importante!

Pensando bem, isto não acontece apenas em grandes corporações, pode acontecer em qualquer lugar, até mesmo nos nossos lares…

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O Efeito Lúcifer – O Homem é o Homem e sua Circunstância (parte 2)

Na primeira parte, comentei o experimento de Stanley Milgram sobre a obediência, no qual pessoas davam choques de até 450 volts em desconhecidos. Desta vez, o experimento da prisão de Stanford, criado por Philip Zimbardo em 1971, será nosso assunto principal.

Phil Zimbardo em 1971

Zimbardo recrutou 24 jovens voluntários do sexo masculino que foram divididos em dois grupos: doze seriam guardas e os demais presos. Ele transformou algumas salas do subsolo do Departamento de Psicologia da renomada Universidade de Stanford em um presídio, instalando grades no lugar de portas. O experimento deveria durar duas semanas e cada voluntário receberia US$ 15 por dia, o equivalente a US$ 85 em 2012.

Os “guardas” usavam uniformes militares, óculos escuros e cassetetes de madeiras e receberam instruções que deveriam fazer de tudo para manter a ordem com exceção do uso de violência física. Os “presos” usavam camisolões compridos, sem roupa de baixo, tocas de nylon na cabeça para simular a raspagem dos cabelos e tiveram seus nomes trocados por números. O “superintendente” do presídio era o próprio Zimbardo.

Após o primeiro dia calmo, estourou uma rebelião no segundo dia. Os guardas passaram a humilhar os presos das mais diferentes formas, inclusive sexual. Obrigavam os presos a fazerem longos períodos de exercícios forçados. Cortavam refeições e retiravam os colchões dos presos com mau comportamento. Um dos presos teve um colapso nervoso e foi substituído por outro jovem que estava na lista de espera.

Stanford Prison Experiment

Algumas fotos da Prisão de Stanford

Este novo preso, o número 416, se revoltou contra os maus tratos sofridos e iniciou uma greve de fome. Os guardas o trancaram em uma pequena peça no escuro (solitária) por algumas horas e depois tentaram forçá-lo a comer, sem sucesso.

Muitos guardas se ofereciam para fazer horas extras não remuneradas para “ajudar” a manter a ordem na prisão. No turno da noite, alguns deles achavam que as câmeras não filmavam no escuro e protagonizaram várias cenas de humilhação grave contra os prisioneiros.

No sexto dia, Zimbrado pediu que uma colega pesquisadora, Christina Maslach, avaliasse o andamento do experimento. Ela ficou horrorizada com as condições e recomendou o final imediato das atividades. Zimbardo, que estava se sentindo envolvido emocionalmente pela situação, concordou. Assim o que deveria levar duas semanas, durou apenas seis dias.

A própria Drª Maslach avaliou os participantes do experimento e concluiu que um terço dos guardas apresentaram fortes tendências sádicas, enquanto que os demais permaneceram omissos. A grande maioria dos presos aceitou passivamente as humilhações impingidas pelos guardas.

Zimbardo chegou à conclusão de que a situação é mais importante do que a personalidade individual para a determinação do comportamento das pessoas. Os guardas uniformizados ajudaram a construir uma autoridade inquestionável sobre os presos que a legitimaram através da aceitação passiva. Estes resultados são semelhantes aos obtidos por Milgram em seu experimento.

A situação ocorrida neste experimento em Stanford guarda uma incrível semelhança com os lamentáveis fatos praticados por militares americanos na prisão iraquiana Abu Ghraib (foto abaixo). Parece que lá também o ambiente estimulou comportamentos reprováveis.

Foto de tortura na Prisão de Abu Ghraib

Se você quiser saber mais sobre este experimento, veja este documentário preparado pela BBC. No último post desta série, finalmente falarei sobre o Efeito Lúcifer e como evitá-lo.

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O Efeito Lúcifer – O Homem é o Homem e sua Circunstância (parte 1)

Na semana passada, participei de um programa de treinamento na renomada Harvard Business School sobre a construção de novos negócios em organizações consolidadas. Entre os vários estudos de casos e discussões sobre as diversas dimensões que influenciam este assunto, achei muito interessante a aula sobre cultura empresarial.

A ideia geral é que o contexto influencia decisivamente na atitude das pessoas, determinando seus comportamentos. Se a empresa tem uma forte cultura tradicional e anti-inovadora, os comportamentos de seus colaboradores seguirão esta cultura, mesmo que suas personalidades sejam distintas dela. Ou seja, se a empresa quer inovar, tem que primeiro ajustar sua cultura. O instrutor desta aula comentou rapidamente o trabalho de dois pesquisadores, Stanley Milgram e Phil Zimbardo. Suas experiências me causaram um impacto no meu entendimento sobre as pessoas. Usei o tempo de espera nos aeroportos na volta para estudar mais sobre os métodos e conclusões dos experimentos destes dois psicólogos.

Stanley Milgram

Stanley Milgram

O teste de Milgram foi realizado no início dos ano 60, inicialmente na Universidade de Yale. Sob a falsa alegação de que participariam de um teste sobre melhoria de memória, voluntários foram atraídos e selecionados. Na verdade o teste era sobre a obediência das pessoas em relação a ordens e apenas uma pessoa era testada (o “professor”), as outras duas (o “experimentador” e o “aluno”) eram atores. A figura abaixo apresenta o esquema básico do experimento.

Experimento de Milgram

O “professor” (T) lia uma série de pares de palavras, depois dizia uma destas palavras e as opções que completariam o par. O “aluno” (L) escolhia uma das opções. Se estivesse certa, o teste seguiria normalmente. Em caso de erro o “professor” aplicaria um choque elétrico no aluno, antes de prosseguir a leitura. O primeiro choque era de 15 volts, cada choque na sequência era acrescido de 15 volts até chegar a incríveis 450 volts! É importante salientar que ninguém sofria os choques, porque o “professor” não tinha contato visual com “aluno” que era substituído por uma gravação.

Num certo momento, após um choque, o “aluno” gritava de dor e pedia para sair. Os “professores” se viravam para o “experimentador” (E) e pediam para encerrar o teste, mas este ordenava a sua continuação, argumentando que o “aluno” não corria risco e que o teste era importante. Em um dos experimentos,  o “professor” realmente sofria a cada resposta errada do “aluno” e disse para o “experimentador” que não queria ser o responsável pela morte do “aluno”. O “experimentador” repetiu as ordens e completou que era o responsável pela integridade do “aluno”. Como não tinha mais responsabilidade, este “professor” continuou o teste, mesmo quanto o “aluno” parou de responder ou reclamar, ele prosseguiu com os choques até repetir três vezes os 450 volts, quando o teste foi finalmente encerrado.

No final, o teste era explicado para o “professor” e um ambiente mais leve era criado para atenuar o clima pesado durante o experimento. Por incrível que pareça dois terços dos testados foram até o final, conforme o gráfico apresentado abaixo. Ou seja, deram três choques de 450 volts! Nenhum dos testados, mesmos os que pararam antes, insistiu para ver o real estado dos “alunos”.

Resultado do Experimento de Milgram

Fica claro que em uma situação completamente fora do normal e do controle, ao receber as ordens, foi mais cômodo segui-las mesmo não concordando com a ação realizada. Ficou ainda mais fácil, quando a responsabilidade foi completamente removida dos ombros. Como se fosse aceitável puxar o gatilho do revólver e matar alguém, só porque alguém assumiu toda a responsabilidade.

Estas situações podem acontecer de modo mais sútil. O gerente ordena uma ação que você não concorda, mas realiza sem questionar. Esta forma é o popular “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Será que tem mesmo?  Outra, mais sútil ainda, é a do “expert” profundo conhecedor de determinada técnica. Ele fala alguma coisa sobre este assunto e todos concordam sem pensar ou questionar. Como se existisse alguém infalível…

Se você quiser saber mais sobre o experimento de Stanley Milgram, assista ao trecho do documentário abaixo. No próximo post, falarei sobre o Experimento da Prisão de Stanford desenvolvido por Phil Zimbardo.

 

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Ninguém Consegue Pensar Bem com Raiva

É muito difícil ter discernimento do que falar ou fazer, quando estamos dominados pelo ressentimento ou pela raiva. Normalmente as decisões, nestes momentos, não são as corretas e causam problemas futuros.

O esporte de lutas em mais evidência hoje é o chamado MMA (Mixed Martial Arts). Um dos maiores nomes da história deste esporte é Antônio Rodrigo Nogueira, o Minotauro. No ano passado, ele perdeu uma luta impressionante para o americano Frank Mir. Em dezembro de 2008, ele já havia perdido a luta para este lutador por nocaute técnico, a única derrota desta forma na sua carreira. No último combate de 2011, Minotauro acertou uma sequência de golpes que derrubou Mir. Se ele desse mais dois ou três golpes na cabeça do adversário, o juiz certamente encerraria a luta, mas Minotauro decidiu vencer a luta por submissão. Parecia que sua vingança só seria saciada se ele imobilizasse seu adversário no chão, a melhor técnica dominada por seu rival. Incrivelmente Mir conseguiu uma chave de braço. Nogueira tentou reverter a situação, mas não era mais possível, ele não quis desistir e acabou com o braço fraturado.

Antô Nogueira, o Minotauro vs Frank Mir

Minotauro domina a luta (esquerda). Finalização de Mir (direita).

No final de semana passado, o brasileiro Junior Cigano defendeu seu título de campeão dos pesos pesados do UFC justamente contra Frank Mir. Cigano ficou toda a luta em pé, porque seu ponto forte é o boxe. Após uma sequência de golpes, Mir caiu e o brasileiro percebeu que o adversário ainda estava ativo, se distanciou e deixou que Mir se reerguesse. Logo depois, Cigano conseguiu uma nova série de golpes, Mir sentiu e caiu, o brasileiro novamente recuou, mas desta vez o americano não conseguiu se levantar e ele aproveitou a oportunidade e acertou mais um golpe na cabeça do adversário. O juiz imediatamente encerrou o combate para evitar lesões mais graves.

Junior Cigano vs. Frank Mir

Junior Cigano dominou a luta do início ao fim.

Qual foi a diferença entre as lutas de Cigano e Minotauro? Cigano lutou focado, sem emoção e sua tática foi seguida à risca até a vitória, enquanto Minotauro teve uma atuação irrepreensível até o ponto em que conquistou uma enorme vantagem, neste momento, a vingança pareceu ser o mais importante… O resultado foi a mais dolorosa derrota da sua carreira e um braço quebrado!

Na nossa vida pessoal ou profissional, em determinados momentos, deixamo-nos levar por sentimentos inferiores como o ódio ou a raiva. Quando tomamos decisões neste estado mental, podemos machucar as outras pessoas e a nós mesmos. Só que diferentemente do Minotauro, ao invés de um braço quebrado, você pode causar sequelas mais graves. A sua própria carreira poderá sofrer sérios prejuízos. Relacionamentos importantes podem ser envenenados ou, até mesmo, inviabilizados.

Incrível Hulk

Quando não controlamos a raiva, podemos virar “Hulks”.

 

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