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Os Heróis da Casa Mais Vigiada do Brasil

Ontem começou mais uma edição do reality show de maior sucesso da televisão brasileira, o BBB, Big Brother Brasil. Por incrível que possa parecer, a edição atual já é a 13ª deste programa! Confesso que minha opinião sobre a estreia de ontem segue aquela linha de Oswald de Andrade:

– Não vi e não gostei!

Assisti ao primeiro BBB em 2002 por ser uma novidade que julguei ter potencial para ser interessante. Naquele programa, houve um momento hilário, no qual o participante Bambam entra em desespero após o desaparecimento de uma boneca que ele construiu, a Maria Eugênia.

Bambam e sua boneca Maria Eugênia

Bambam e sua boneca Maria Eugênia

Vi pouca coisa do segundo programa da série e não gostei de praticamente nada. Então decidi não assistir mais os próximos BBB’s. Me senti um alienado do mundo, porque na hora do almoço ou no café do meu trabalho só se falava nisto e eu ficava com aquela cara de “paisagem”…

Poderiam ter explorado melhor o conceito interessante de manter um grupo de pessoas desconhecidas confinadas em uma casa sem informação do mundo exterior. Seriam criados testes e situações para serem estopins de diferentes reações dos participantes. No final, psicólogos analisariam os resultados.

Agora inventaram uma tal de casa de vidro, que foi instalada em um Shopping de São Paulo, onde seis pessoas estão expostas à curiosidade do público. Duas destas pessoas receberão como prêmio a classificação para a edição atual do BBB. Em cada inserção na programação da Globo, a tal casa aparece cercada por jovens, adolescentes e crianças e dentro dela o tradicional padrão do programa, garotões sarados e belas mulheres.

Casa de vidro do BBB

Casa de vidro do BBB

Dentro da casa, a audiência é garantida, além dos belos corpos, através de muita briga, fofoca, intriga e festas regadas a bebidas alcoólicas à vontade. Apesar destes aspectos negativos que o programa inspira, o pior mesmo é o apresentador Pedro Bial chamar os “brothers” de heróis. O que é ser herói afinal?

Apresentador Pedro Bial

Apresentador Pedro Bial

O heroísmo, em minha opinião, carrega um lado de autossacrifício em prol dos outros. Estes participantes do BBB estão agindo com “heróis” dos próprios egos, na busca do prêmio de R$ 1,5 milhões. A maioria das mulheres ainda consegue contratos para posarem nuas em revistas masculinas após serem eliminadas do programa. Onde está o heroísmo? Cada “brother” não está jogando de forma egoísta para si?

Alguém conhece Clodomiro Ferreira? Ele provavelmente ainda trabalha como servente de limpeza no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Há um ano, ele encontrou, no banheiro do aeroporto, uma pochete com documentos, dinheiro e a câmera de um casal chileno. Não hesitou em devolver, após pedir ao sistema de som do aeroporto chamar o casal.

Clodomiro devolve a pochete para o casal chileno

Clodomiro devolve a pochete para o casal chileno

No mesmo aeroporto, aconteceu, mais ou menos na mesma época, o caso do servente de limpeza Davi dos Santos Pereira que encontrou uma nécessaire com R$ 24 mil e encaminhou imediatamente ao balcão da Infraero. O dono acabou recuperando o dinheiro. Estes casos acontecem com “surpreendente” frequência e as atitudes destes serventes não parecem muito mais heroicas do que as pseudo-celebridades do BBB?

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Quando nos sentimos pais

No curso sobre parto humanizado, todos os homens eram marinheiros de primeira viagem com exceção deste blogueiro. Ouvi os comentários deles sobre os filhos que nasceriam brevemente e ninguém estava seguro de como seria a vida pós-parto.

No alto da minha experiência de pai por duas vezes a espera de uma nova filha, fiz alguns comentários. Em primeiro lugar, a maior mudança na vida dos casais não é o casamento; são os filhos! A partir do nascimento, perdemos aquela irresponsabilidade gostosa de fazer o que passar pela cabeça:

– Praia deserta? Com o bebê, nem pensar…
– Balada de noite? Onde deixar o bebê?
– Viagens? Tem que levar tanta coisa…
– Restaurante? E se o choro incomodar os outros clientes?

Não falei outra coisa para o pessoal naquele dia, porque alguém poderia estar nesta situação:

– Filho não salva casamento! Por sinal, normalmente filhos aceleram o fim dos casamentos problemáticos…

Na sequência, copiei o Poema Enjoadinho do “Poetinha” Vinicius De Moraes sobre filhos, assunto que ele afinal entendia bem (teve 5 filhos). Você pode assistir à apresentação do inesquecível Paulo Autran.

Filhos… Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Vinícius de Moraes

Vinícius de Moraes

O segundo ponto, que comentei com os homens do curso, é mais polêmico. Quando nos sentimos pais? Os bebês estão no ventre materno durante nove meses. A futura mãe, na verdade, já se sente mãe desde o momento em que sabe que está grávida. No caso do pai, é bem diferente… O feto está se desenvolvendo externamente, sem contato direto com o pai e, na verdade, nós homens só os reconhecemos como nossos filhos quando eles nascem. E pior, nosso amor por eles não é instantâneo, cresce progressivamente. O sentimento fica cada dia mais forte, até nós não termos dúvidas que a vida do nosso filho é mais importante do que a nossa própria. É o amor incondicional do final do poema do Vinicius:

Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Colegas pais, não sintam culpa por construirmos nosso amor pelos filhos de forma diferente do que nossas mulheres! Nossa natureza é diferente, nosso ritmo é diferente, percebemos o mundo de forma diferente… Mas ninguém nos acuse de amar menos nossos filhos…

Meus amorzinhos Júlia e Luiza

Meus amorzinhos Júlia e Luiza

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A Maior Emoção da Minha Vida

A Claudia estava no quinto ou sexto mês da gravidez, quando tomou uma decisão para mim surpreendente. Ela havia optado por ter a Luiza através de um parto normal humanizado. Sempre achei que cesárea era melhor para a mãe e para o bebê. Afinal escolhe-se a data, horário, hospital, médico, anestesista e pediatra. Na hora marcada, o casal chega no hospital e pronto… Para quebrar minha resistência, ela me “recomendou” a leitura do livro editado pela UNESP “Parto Normal ou Cesárea?” Após ler o livro, aceitei a escolha da Claudia.

Parto Normal ou Cesárea - UNESP

Depois fizemos um curso em um final de semana sobre parto natural, onde eram apresentados vários aspectos como as fases do parto, as posições, necessidade e tipos de anestesia, as situações nas quais as cesárias são indicadas. No final da tarde, assistimos ao curta-metragem “Sagrado” do Dr. Paulo Batistuta, onde os partos humanizados de duas mulheres em um hospital são apresentados de forma crua. Muita gente ficou chocada!

A próxima etapa foi montar a equipe: médica obstetra, pediatra e obstetriz (facilitadora do parto, também conhecida como parteira), visitar o Hospital São Luiz que tem duas salas para este tipo de parto e acertar a parte burocrática com o plano de saúde. Tudo certo!

No início da manhã da quinta-feira passada, eu estava no banheiro quando a Claudia entrou e disse que a bolsa tinha rompido. Duas horas depois começaram as contrações. O grande momento enfim estava chegando…

Minha família (meu filho, minha mãe, tia e irmão) havia chegado do Rio Grande do Sul na semana anterior para passar o Natal conosco e conhecer o seu mais novo membro. Por ironia do destino, o voo estava marcado para a tarde deste dia. Ou seja, não puderam ver pessoalmente a Luiza.

Até o meio-dia não houve muita evolução. No início da tarde, as contrações aumentaram em frequência, duração e intensidade. A obstetriz passou no nosso apartamento para avaliar a situação. Após o exame, concluiu que o colo do útero já estava mais macio, mas quase não havia dilatação e poderia demorar até dois dias para o parto. Ela foi embora para atender a outros compromissos, mas a partir desta hora o jogo mudou: o tampão caiu, havia uma contração a cada dois ou três minutos com duração de 40 a 50 segundos. A Claudia começou a sofrer e não tinha tempo suficiente para descansar entre as contrações, nem conseguia se alimentar. Tentou uma ducha de água morna, mas nada mudou. Resolveu então enviar uma mensagem para a obstetriz e eu liguei depois para o celular dela, pedindo para ela reavaliar a Claudia no final da tarde.

Ela chegou, fez o exame e ficou surpresa com a evolução do processo durante pouco mais de três horas, já estava com 5 ou 6 centímetros de dilatação. Chegou a hora de ir para a maternidade. Pegamos as malas, documentos e a mochila com o notebook, máquina fotográfica e filmadora. A Claudia já saiu de casa com vontade de fazer força para expulsar o nenê. Decidimos ir para a maternidade no automóvel da obstetriz que dirigiu loucamente pelas ruas de São Paulo. Enquanto dirigia, telefonou para a médica e para a pediatra, com a última não conseguiu contato. E a Claudia segurando a Luiza e sofrendo…

Entramos no saguão, avisei que ela estava em trabalho de parto com 41 semanas e o pessoal do hospital já a levou para a triagem, enquanto eu providenciava a internação. Depois de apresentar documento de identidade, carteira do convênio, senha para o procedimento, dar várias informações para o cadastro e antes do processo estar concluído, apareceu a obstetriz, fazendo sinal que eu devia deixar a burocracia para depois, porque a Claudia já seria encaminhada para a suíte do parto natural. Ela já estava com 9 a 10 centímetros de dilatação. Larguei tudo e saí correndo. Encontrei a Claudia, a obstetriz e a fotógrafa no elevador. Fui ao vestiário e troquei de roupa e desci para acompanhar o parto. Na escada, encontrei com a médica obstetra e falei:

– Oi, tudo bem? Vamos até a Claudia?

Como eu só havia encontrado a médica na primeira consulta com a Claudia, não fui reconhecido e ela pensou que eu fosse um anestesista oferecido e disse:

– Acho que você está me confundindo com outra pessoa!

Eu retruquei sorrindo:

– Acho que não…

Quando entramos na sala, ela se deu conta que eu sou o esposo da cliente e ficou totalmente sem jeito, pediu desculpas, queria dar explicações, mas o importante era a Claudia que já estava em uma enorme banheira com água quentinha. Sentei no banquinho próximo. Avisaram-me que não conseguiram contato com a pediatra “titular” (problema com o celular), mas a substituta estava a caminho.

A obstetriz orientava a Claudia que fazia força para dar a luz a nossa filha. A médica explicou que estava chegando a hora do “círculo de fogo”, quando a cabeça do nenê passaria pelo períneo. Depois de mais algumas contrações, a cabecinha da Luiza apareceu rapidamente e voltou. A médica descreveu o que havia acontecido e a Claudia decidiu que da próxima vez ela conseguiria. Na contração seguinte, a cabeça saiu. Emocionei-me, meus olhos se encheram de lágrimas, mas continuava apreensivo, porque a “batalha” ainda não havia terminado. A médica retirou duas voltas do cordão umbilical em torno do pescoço da Luiza e, depois de algum tempo, juntamente com a obstetriz, ajudaram a retirar o nenê.

Momento em que Luiza fica com a Claudia na banheira.

Momento em que Luiza fica com a Claudia na banheira.

A Luiza foi colocada sobre o peito da mãe, mas aquele momento de ternura foi interrompido bruscamente, porque havia algo errado com nossa garotinha. Colocaram um clipe, cortaram o cordão e levaram a Luiza para aspirar as vias aéreas, porque ela não estava respirando bem. Como a nossa pediatra ainda não havia chegado na suíte de parto, as profissionais da emergência do hospital realizaram os procedimentos. Neste momento, fiquei como uma “barata tonta”, tentava consolar a Claudia, que ainda estava na banheira, e acompanhar o procedimento na Luiza. Foi uma grande alegria quando ela chorou e começou a respirar normalmente.

Levaram a Claudia para a cama, para onde Luiza também foi levada após ser identificada e pesada. Finalmente o período de ternura reiniciou com a garotinha no colo, procurando e sugando o seio da mãe. Infelizmente tive que descer para fazer toda a burocracia da internação. Uma hora depois voltei para a suíte, onde nós três ficamos nos curtindo por um tempo. Depois eu e a Claudia fomos para o quarto e a Luiza teve uma longa passagem pelo berçário até a enfermeira levá-la ao nosso encontro.

Luiza no colo da Claudia.

Luiza no colo da Claudia.

A Claudia resumiu assim no Facebook:

Minha nova princesa nasceu hoje, na banheira, sem anestesia, sem cortes e ávida por mamar…
Estou super bem, diferente de quando fiz a cesárea da Júlia.
Ela tinha 41 semanas e pesou 3705g. Uma bolinha…

Meu resumo é diferente. A Claudia já queria que o parto da Júlia fosse normal e foi induzida pelo obstetra a fazer cesárea. Desta vez, ela não aceitou o procedimento padrão dos obstetras da rede privada. Negou-se a aceitar o “terrorismo” que induz as grávidas a evitarem o parto normal. No caso dela, o obstetra disse que havia probabilidade de rompimento do útero, porque seu primeiro parto foi uma cesárea, mas ela foi obstinadamente atrás de informações. Depois fez tudo que pudesse facilitar o parto: Yoga, massagens, Epi-No. Óbvio que não foi um passeio no parque, mas foi um parto sem lacerações, cortes ou pontos, onde a mãe pode ter um contato mais íntimo com a filha… Uma experiência inesquecível onde ela foi a principal agente! Só posso agradecê-la por ter participado.

Eu poderia fazer um plágio da música “Amor e Sexo” da Rita Lee e dizer:

Parto normal é imaginação
Fantasia
Cesária é prosa
Parto normal é poesia…

Aconselho todos os casais grávidos a procurarem informações científicas de qualidade, porque todos têm o direito de escolherem o que for melhor para si. A cesárea é uma operação delicada e como tal só deve ser realizada se houver real necessidade, sem contar as complicações e dores do pós-operatório. A Cláudia indicou alguns sites sobre o assunto.

Home


http://casamoara.com.br
http://www.partodoprincipio.com.br/index.php
http://www.amigasdoparto.com.br/evidencias.html

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Como Assassinamos Nossos Insights

Vou prosseguir na minha excursão pela mente humana. Nos posts anteriores, comentei um pouco sobre a percepção da realidade e sobre as lembranças. Hoje comentarei sobre uma palavra que em português não tem uma boa equivalência: insight.

O insight é aquela ideia que surge em nossas mentes, aparentemente do nada, e temos a sensação de que alguém a soprou em nossos ouvidos. Parece uma centelha divina. Ou seja, alguns diriam que são enviados por um Ente Supremo, outros diriam que são as vozes de uma consciência universal… Os mais céticos ou egocêntricos afirmariam que sempre estiveram dentro de nossas cabeças, esperando a hora certa para aflorar. Tem outros ainda que acreditam que só acontecem graças aos estímulos externos: ambiente, leituras inspiradoras, companhias, música ou silêncio…

insight

Embora muitos não acreditem, temos estes insights toda a hora, mas nem sempre percebemos, porque nossas cabeças estão ocupadas com outros pensamentos. E o que causa este “congestionamento” mental? Parece que procuramos motivos para sofrer, ressuscitamos fatos do passado, maximizamos problemas do presente e antecipamos tragédias futuras.

Como no artigo anterior, já escrevi sobre as lembranças do passado, desta vez falarei mais sobre o presente e o futuro.

Todo mundo me pergunta como está minha vida neste primeiro ano em São Paulo depois de viver 45 anos no Rio Grande do Sul. Percebo que minha resposta surpreende as pessoas. Respondo com sinceridade que estou gostando de morar na capital paulista e o único aspecto negativo é o trânsito, mas não me estresso com isto. Aproveito aquela hora (às vezes mais do que uma) na solidão do carro na lentidão da Marginal Pinheiros para relaxar, ouvir música ou alguma entrevista interessante no rádio e pensar…  Muitas vezes surgem os mais variados tipos de insights, alguns muito engraçados que me levam às gargalhadas. Se eu ficasse todos os dias tenso e irritado com estes congestionamentos, será que eu ouviria meus insights que me conduzem a boas reflexões e garantem humor, no mínimo, razoável na chegada ao meu lar?

Engarrafamento na Marginal Pinheiros em São Paulo

Engarrafamento na Marginal Pinheiros em São Paulo

Evidentemente podemos interpretar as situações em que estamos inseridos das mais diversas formas. Percebemos a realidade, a criamos e a recriamos do nosso jeito dentro de nossas cabeças. Nesta semana, ouvi uma história sobre um colega de um prestador de serviço que vai ao encontro da minha. Ele gostava do trânsito intenso entre São Paulo e Santos no início dos feriadões, porque tinha a oportunidade de conviver por algumas horas com sua família. Para muita gente isto seria absurdo!

Outra armadilha é viver em um futuro que não existe e, se não nos dedicarmos no presente, jamais existirá. Acho importante construir castelos nas nuvens, porque nos mostram como pode ser nosso futuro, mas não podemos viver neles.

CastleInTheClouds03

Um comportamento comum, quando o tempo passa e nada acontece, é a criação de conspirações ilusórias onde todos estão contra e os outros são beneficiados por razões escusas. Neste momento, a pessoa se passa por vítima e acredita que tudo sempre vai dar errado com ela, apesar de fazer tudo certo (na perspectiva dela, é claro!). Ela deve vencer a batalha no interior da sua cabeça, onde os verdadeiros combates são travados. Só após esta vitória, será possível conquistar o mundo e construir seu castelo.

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Memórias e os Fantasmas do Passado

Uma das piores coisas que podemos fazer é remoer o passado. Todas as vezes que entramos neste estado mental, nos envenenamos e esquecemos de viver o presente.

Como escrevi no post anterior, cada um tem sua própria percepção da realidade e esta realidade existe dentro de nossas cabeças. Com nossas memórias, acontece o mesmo, elas são moldadas a partir de nossas percepções, valores, inteligência e sabedoria. Isto significa que nossas memórias vão se alterando com o passar do tempo, porque nós também mudamos. Se insistirmos em guardar mágoas devido a um fato, todas as vezes que nos lembrarmos do ocorrido, sentiremos dor, tristeza ou raiva. O que ganhamos com isto? Nada!

Estátua de Rodin retrata desespero extremo.

Claro que não vamos esquecer tudo o que nos prejudicou no passado, mas seria fundamental se extraíssemos os aprendizados como aspectos positivos e os vinculássemos a estas memórias. Por exemplo, meu primeiro chefe foi o canonizável Eng.º Mário. Como profissional jovem, achei que este podia ser o padrão, mas, após 25 anos de estrada, sei que ele é uma honrosa exceção no mundo corporativo. Obviamente tive problemas com outros superiores hierárquicos ou funcionais na sequência da minha carreira. No início, guardava mágoa ou raiva em relação a estes profissionais. Há algum tempo, percebi o quanto fui ajudado por eles, do jeito deles, a me tornar um profissional e até mesmo uma pessoa melhor. Algumas vezes desconsiderei o conteúdo da mensagem por conta da forma inadequada de expressão: confusa, autoritária ou agressiva. Em outros casos, a percepção da realidade deles era diametralmente oposta à minha. Nestes casos, não adianta bancar o guri birrento e simplesmente executar as tarefas do seu jeito, ou pior ignorá-las, ao invés de pensar nas razões do chefe e, se for o caso, buscar novos argumentos para convencê-lo.

Na vida pessoal, muitas vezes valorizamos demais problemas e conflitos pontuais que temos com os pais, companheiros, filhos e amigos. Ou seja, longos anos de amor, amizade e companheirismo são destruídos nas nossas mentes por alguma ocorrência de importância muito menor.

Quem decide sofrer com as lembranças somos nós mesmos e somente nós podemos alterá-las, aprender com elas e continuar vivendo em constante evolução.

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Como a Matrix de Neo e a Caverna de Platão nos Mostram a Realidade

Há duas semanas participei de um treinamento sobre os princípios que regem nossos pensamentos, realizado em um hotel em Miami Beach. Muito além do belo visual da praia, passei dias intensos nos quais refleti profundamente sobre minhas ideias e modo de agir.

Tudo começou com a ideia de que a realidade está na cabeça de cada um. Ou seja, cada um tem a sua realidade percebida. Este conceito parece óbvio, mas muita gente não o aceita. No sensacional primeiro filme da série Matrix, Neo é abordado por Morpheus que lhe oferece a pílula vermelha para enxergar uma nova realidade ou uma azul para permanecer na mesma situação. Ele opta pela alternativa mais arriscada e opta pela vermelha. Infelizmente, em nossas vidas, a escolha não aparece de modo tão claro e direto…

matrix neo morpheus red blue pill
Morpheus oferece a Neo as pílulas vermelha e azul.

Esta passagem lembra a história da “Caverna” de Platão, presente no livro “A República”. Nesta história homens estão acorrentados no interior de uma caverna, vendo apenas sombras projetadas no seu fundo. Este era o mundo real para eles. Um dos membros daquele grupo resolve fugir para ver se existe alguma coisa além daquelas imagens. Ele se liberta, enfrenta uma jornada difícil, fica quase cego por causa da luz intensa do dia, sente dor, pensa em voltar, mas resiste, passa a entender que aquela é uma realidade totalmente nova. Finalmente resolve voltar para libertar seus companheiros. Chega à caverna e conta o que viu. Então, no início, ele é ridicularizado e depois considerado louco. Como ele insiste em manter seu pensamento, é agredido e morto pelos seus antigos colegas. Apesar do seu final triste, provavelmente ele plantou sementes que florescerão na mente de alguns dos seus algozes que se libertarão e perceberão uma nova realidade.

A Caverna de Platão
A Caverna de Platão

Podemos dizer que não agimos assim, mas quantas vezes criticamos, ridicularizamos, isolamos e, até mesmo, somos agressivos com aqueles que têm pensamento diferente dos nossos? Dentro de casa mesmo, como tratamos nossos pais, filhos e companheiros?

Fizemos um exercício interessante em trios, durante o treinamento, onde duas pessoas discutiam de forma reflexiva o problema do terceiro componente do grupo. O “dono” da questão explicava o caso e depois ouvia as reflexões e fazia comentários somente após a conclusão da conversa. Todos ficaram impressionados com os resultados obtidos, porque, sem exceção, receberam insights úteis para resolver seus problemas. Por que isto não acontece normalmente em nossas vidas?

Um dos motivos é que não ouvimos com atenção os outros. Muitas vezes cortamos a fala do nosso interlocutor para “ajudar” ou rebatê-lo, prejudicando o desenvolvimento das ideias. Por outro lado, também amamos nossas ideias e nossos egos não aceitam qualquer crítica ou desafio. Parece que nos apegamos a elas como se fossem partes inseparáveis de nosso ser. Deveríamos ter desapego pelos nossos pensamentos e imaginar que, após compartilhá-los, eles são públicos e todos têm liberdade para usá-los, desenvolvê-los e aperfeiçoá-los. Não existe ideia perfeita, porque somos criadores imperfeitos…

Não quero ouvir

Os três princípios apresentados no treinamento estão apresentados abaixo: 

  1. Nós vivenciamos nossos pensamentos a cada momento.
  2. Nós sentimos nossos pensamentos.
  3. Nós podemos sempre ter novos pensamentos.

 Ou seja, devemos sentir se devemos ou não ter certos pensamentos e atitudes e, se sentimos que não é o melhor, podemos pensar e agir diferentemente. Claro que não é fácil, mas vale a pena tentar e praticar.

Para finalizar, lembro-me de outra cena do Matrix, quando Neo vai consultar o Oráculo para saber se ele é o escolhido. A mulher pergunta se ele leu a frase que estava escrita na entrada da casa:

– Conhece a ti mesmo!

Insistimos em achar que, como diria Sartre, o inferno são os outros e que estamos infelizes por causa da família, do nosso emprego, do local onde moramos, do clima… Na verdade, nós temos a capacidade de alterar nossa percepção da realidade e analisar o que é importante e o que é acessório ou supérfluo nas nossas vidas. E muito importante: felicidade ou equilíbrio não são sinônimos de passividade e alienação!

temet nosce
“Conhece a ti mesmo” em latim.

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A Ignorância, o Atraso e o Oportunismo

No domingo que passei na Espanha, segui a sugestão do colega que estava no mesmo hotel e fizemos uma excursão para a cidade histórica de Girona e para Figueres, onde está localizado o Museu Salvador Dalí.

Girona é daquelas cidades europeias que tem mais tempo de história do que o nosso Brasil. Foi fundada pelos romanos na beira do rio Oñar, os vestígios das muralhas ainda estão firmes. Depois foi conquistada pelos visigodos, na sequência pelos árabes que foram expulsos pelos francos de Carlos Magno. Isto explica a semelhança da língua catalã falada por todos na região com o francês.

Cidade de Girona na Espanha

Cidade de Girona na Espanha

A cidade prosperou até o século XIV quando foi atingida pela epidemia de peste negra. A população da cidade, naquela época, tinha uma parcela expressiva de judeus, mais de 10% do total. A colônia era composta por profissionais das mais variadas áreas, com destaque para as ciências e medicina . Os médicos judeus tiveram pouco sucesso no tratamento dos pacientes desta doença e “pior”, a proporção de doentes  entre a sua etnia foi expressivamente menor do que na comunidade cristã. Isto ocorria, porque os judeus seguiam  rigorosamente suas leis referentes à higiene. Afinal quem tem melhores hábitos, é mais saudável.

Bairro Judeu da Cidade de Girona na Espanha

Uma das ruas do Bairro Judeu da cidade de Girona

O fanatismo religioso estimulado pelos poderosos da cidade levou muitos judeus ao massacre por serem considerados os responsáveis pela disseminação da doença. Outros se converteram ao Cristianismo para escapar da morte. Mais tarde, durante a famosa Inquisição Espanhola do século XV, muitos judeus  e “novos cristãos” foram perseguidos e mortos acusados de heresia. Na verdade, o mais importante para os reis da Espanha  era o confisco de todas as propriedades dos hereges. Mais uma vez, a ignorância foi usada pelos poderosos por meros interesses econômicos.

Fogueira de judeus

Judeus foram mortos por heresia em fogueiras

Na minha viagem de ida para a Europa, tinha um interessante artigo na Newsweek escrito por Hussain Haqqani,  ex-embaixador paquistanês em Washington de 2008 a 2011 e atualmente professor de relações internacionais na Boston University. Se quiser ler o artigo original na íntegra, basta clicar no link abaixo.

http://www.thedailybeast.com/newsweek/2012/09/30/husain-haqqani-muslim-rage-is-about-politics-not-religion.html

Hussain Haqqani

Hussain Haqqani

Com muito mais propriedade do que eu em meus artigos anteriores, Haqqani comenta que da mesma forma que as escrituras Judaicas ou Cristãs, os textos sagrados do Islã pregam a caridade, a bondade e o respeito pela vida. O Al Corão em muitas passagens encoraja seus seguidores a praticar o perdão. Em um episódio famoso, Muhammad perguntou pela saúde de uma anciã em Meca que jogava lixo nele todos os dias. Quando ela não apareceu para insultá-lo, ele ficou preocupado.

Haqqani cita vários casos de livros obscuros que se tornaram conhecidos por causa dos protestos e condenações (fatwa) dos seus autores à morte por autoridades religiosas. O objetivo, na verdade, não era acabar com as ofensas, mas mobilizar os mulçumanos contra o Ocidente. Os protestos das manchetes são função dos políticos, não da religião. Por exemplo, o governo paquistanês criou o “Dia do Amor do Profeta” e, apesar de 95% da população do país (190 milhões de habitantes) serem mulçumanos, apenas 45 mil pessoas participaram das manifestações que terminaram em mortes e feridos contra o filme “Innocence of Muslims”.

Salman Rushdie e seus "Versos Satânicos"

Salman Rushdie e seus “Versos Satânicos”

Metade dos analfabetos do mundo são mulçumanos e dois terços deste grupo são formados por mulheres. Nesta condição, as pessoas podem ser manipuladas com muito mais facilidade. A atenção do povo é desviada e o foco é “nós contra os outros”, quando deveria ser “nós contra os nossos problemas”.

sala  de aula no Paquistão

Sala de aula no Paquistão

Se você segue meu blog com regularidade, pode pensar que ultimamente estou batendo na mesma tecla. A ideia é mostrar diferentes exemplos onde a manipulação das pessoas pode gerar violência e intolerância. Muitas justificativas podem ser empregadas: autoridade, ordem, religião, pátria e tradição. Certa vez li uma frase creditada a Albert Einstein, depois vi que outros creditavam ao músico Maurice Ravel (autor do famoso “Bolero”), independente do autor, ela é impactante:

– A tradição é a personalidade dos imbecis.

Se agirmos da mesma forma, sem questionamentos, como se não existisse alternativa, seremos realmente uns imbecis. Assim qualquer um consegue convencer que o problema é outro país, outra raça ou outra religião. Não somos mais os responsáveis por conduzir e decidir sobre o que é melhor para nossas próprias vidas. Os outros ou as tradições decidem por nós…

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Aos Mestres com Carinho

Esta singela história aconteceu no já “longínquo” ano de 1973 no Colégio Notre Dame na cidade gaúcha de Passo Fundo. Acho que, pelo menos, uma das homenageadas deste post vai querer me matar por causa do adjetivo que usei para aquele ano…

Numa aula do segundo ano do primário, a professora afirmou que a Terra era um planeta e que os planetas giravam em torno do Sol. A volta completa demorava um ano ou aproximadamente 365 dias no nosso caso. Depois disse que a Terra e os outros corpos celestes do mesmo tipo também giravam em torno do seu eixo. A duração deste movimento de rotação era equivalente a um dia ou  24 horas, no caso da Terra. Quando o lado do planeta estava voltado para o Sol, tínhamos o dia e, quando não recebia os raios do “astro-rei”, era noite. E chegou o momento de explicar as estações do ano… Ela disse para a turma que as órbitas não eram circulares e sim “ovais”. Deste modo, quando a Terra está mais próxima do Sol, ficaria mais quente e teríamos o verão. Por outro lado, quando estivesse mais distante, ficaria mais frio e seria inverno.

Movimentos de rotação e translação da Terra em torno do Sol

Movimentos de rotação e translação da Terra em torno do Sol

Neste momento, eu fiz uma observação para a professora:

– Mas ontem eu vi no Jornal Nacional que estava nevando nos Estados Unidos e disseram que é o pior inverno dos últimos anos. Como é que lá é inverno e aqui no Brasil é verão ao mesmo tempo?

As quatro estações

As quatro estações

A professora foi atingida por um golpe inesperado. Ela poderia ter me desqualificado dizendo:

– Como um guri de 7 anos quer saber mais do que a professora?

Poderia ter simplesmente me “enrolado” e continuado a aula, mas ela fez algo inesquecível. Apenas parou, pensou e disse humildemente que não sabia a resposta naquele instante, mas que pesquisaria e, nos próximos dias, haveria uma explicação para minha dúvida.

Realmente após alguns dias, ela entrou na sala com um abajur e um globo terrestre e disse que teríamos uma aula especial sobre as estações do ano. Pediu para fecharmos todas as venezianas e cortinas. Depois um colega fez o papel do Sol, ao ligar o abajur. Ela desligou as luzes da sala e conduziu o globo na translação em torno do Sol. Mostrou que o eixo da Terra se inclina, fazendo que o hemisfério sul receba maior quantidade de raios solares no verão; e menor quantidade, no inverno. Tudo foi muito claro e visual. Depois usou meu exemplo e mostrou onde ficava os Estados Unidos (no inverno) e o Brasil (no verão). Na sequência, mostrou quando começava cada estação do ano nos dois hemisférios. Finalmente perguntou se minhas dúvidas tinham sido sanadas. Claro que foram!

Experiência do Sistema Solar

Experiência semelhante sobre o Sistema Solar

Aquela aula se tornou um benchmark, poucas vezes atingido. Tive outros grandes mestres na minha vida, mas guardo esta aula como um carinho especial. Na verdade, quantos professores desafiados por um aluno teriam um comportamento tão positivo como este? Na Universidade, não foram muitos… Talvez o orgulho, a insegurança ou a desmotivação impeçam o crescimento pessoal do próprio professor e da turma de estudantes. Se minha professora, que vergonhosamente não consigo lembrar o nome, ao invés de ter atitude proativa em relação ao meu questionamento, demonstrasse passividade ou, pior, agressividade, talvez hoje eu fosse outra pessoa ou profissional.

Neste Dia do Professor, só posso usar um velho chavão:

– Sem educação, não há solução!

Sem professores preparados e motivados, não conseguiremos formar os cidadãos e os profissionais que nosso mundo tanto precisa. Isto inclui, além de salário digno, treinamento contínuo. Encerro homenageando na pessoa da minha irmã Flávia que, por vocação, escolheu esta dura carreira, todos os professores que lutam, apesar de todas as dificuldades, para cumprir sua bela missão.

Feliz dia do professor

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Descoberta a Nova Redação do Primeiro Mandamento

Uma das maiores descobertas arqueológicas dos últimos séculos acabou de ser anunciada.  Em uma escavação no Castelo da Lua, antiga propriedade da Ordem dos Cavaleiros Templários na região da Galícia, noroeste da Espanha, foi encontrada a Arca da Aliança. Seu conteúdo foi minuciosamente examinado e as tábuas dos Dez Mandamentos tiveram sua veracidade comprovada através de datação com Carbono-14, estimando-se uma idade em torno de 3.500 anos.

Arca da Aliança de Indiana Jones

Arca da Aliança do filme de Indiana Jones

Especialistas em hebraico arcaico chegaram a uma surpreendente descoberta o primeiro mandamento que nos ensinaram é “Amar a Deus sobre todas as coisas”, mas duas palavras foram omitidas.

Moisés Dez Mandamentos Rembrandt

Moisés com as Tábuas dos Dez Mandamentos (Rembrandt)

A nova tradução para o português é “Amar a Deus sobre todas as coisas sem intermediários”. Ou seja, a partir de agora sabemos que nossa ligação com o Ente Supremo deve  ser direta, não precisamos mais padres católicos, pastores evangélicos, rabinos judeus ou imãs mulçumanos. Este pode ser o fim das estruturas religiosas das grandes religiões monoteístas.

Atenção - Aviso Importante

Antes de você compatilhar o link deste post no Facebook, leia o texto até o final. Na verdade, que eu saiba, a Arca da Aliança não foi encontrada, nem o primeiro mandamento teve sua redação revisada. Apenas inventei uma notícia que apoie minha visão da religião. Devemos criar nossa ligação com o Espiritual e cada um deveria desenvolver a sua forma particular. Nada deveria ser mais pessoal, sem intermediários ou líderes para serem seguidos cegamente…

Eu entendo que a religião trouxe uma série benefícios para a humanidade, como o respeito à vida e os valores éticos. Moisés trouxe os Dez Mandamentos e depois a Lei Mosaica; Jesus, as regras baseadas no amor e na compaixão; e Muhammad (Maomé para nós brasileiros), a jurisprudência para as transgressões.  A infração destas regras pode trazer punições inclusive para a vida eterna, como aparece brilhantemente no famoso monólogo de Hamlet:

“…Quem aguentaria fardos,
Gemendo e suando numa vida servil,
Senão porque o terror de alguma coisa após a morte –
O país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante – nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos,
A fugirmos pra outro que desconhecemos?”

O lado negro das religiões é a intolerância. Podemos citar vários exemplos:

– cristãos e mulçumanos no Líbano;
– católicos e protestantes na Irlanda do Norte;
– mulçumanos sunitas e xiitas em alguns países árabes.

No Brasil, alguém já esqueceu o caso do pastor Sérgio von Helder da Igreja Universal do Reino de Deus que insultou e chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida há mais de 15 anos? O país, naquela ocasião, esteve próximo de uma “Guerra Santa”. Todos brasileiros também conhecem os conflitos entre evangélicos e espíritas…

Cena do chute na santa

Cena do chute na imagem de Nossa Senhora Aparecida

Atualmente estamos presenciando mais um desdobramento com as reações belicosas dos fieis mulçumanos no mundo árabe devido ao infame filme “Innocence of Muslims” que pode ser assistido no YouTube. Por mais ofensivo que o filme possa ser contra o profeta Muhammad, nada justificaria a reação dos mulçumanos, especialmente porque o perdão e a misericórdia também fazia parte do Alcorão. Talvez você não saiba, mas Jeová, Deus e Alá são o mesmo Ente Supremo. Abraão e Moisés estão entre os principais profetas do Islã, assim como João Batista e Jesus Cristo.

profetas do islã

Os Profetas do Islã: Abraão, Moisés, Jesus e Muhammad

Se é o mesmo Deus, se os profetas das outras religiões são respeitados e considerados, por que esta reação antimulçumana? Por que um ato de um idiota, ao fazer um filme cretino, causa mortes e reações violentas? Minha resposta é simples: a ingenuidade, a ignorância e o desencanto são explorados por líderes inescrupolosos em nome da fé. Se as pessoas buscassem a verdadeira espiritualidade que existe dentro de cada um, isto jamais aconteceria!

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Houve um Dia em que Queríamos Ser Herois

Sábado passado representou para mim o início do último final de semana  antes do meu retorno ao Brasil. Resolvi dar uma olhada no evento da cidade de Saskatoon nesse dia: Broadway Street Fair. Em primeiro lugar, a Broadway daqui não lembra a nova-iorquina e o principal atrativo era a venda dos mais variados artigos com descontos especiais. Em outra área da Feira, havia shows com bandas locais de rock, nenhuma muito promissora… No cruzamento entre duas quadras, foi colocado um tablado para apresentações de dança de grupos da terceira idade. Nada diferente do que no Brasil, sempre têm integrantes mais empolgadas e outras sendo arrastadas… Muitos cães passeavam com seus donos por todo o lado, aproveitando o belo dia. Muitas crianças se divertiam das mais variadas formas, fazendo arte em uma tenda, com pintura facial em outra, aprendendo esgrima ou numa curiosa atividade de tortadas na cara.

Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Já havia passado do meio-dia quando decidi almoçar. Procurei um restaurante fechado, porque os canadenses adoram comer em mesas na rua ao vento, invariavelmente sob o sol. Esta atitude deve ser estimulada pelo longo e rigoroso inverno que se abate sobre eles, transformando os raios solares em um produto precioso! Durante o almoço, um enorme caminhão de bombeiros entrou na rua, manobrou e estacionou quase na frente do restaurante. Na mesa do lado, um casal, certamente acima da faixa dos 70 anos, almoçava tranquilamente até o surgimento do caminhão, quando o esposo apreensivo perguntou:

– What’s going on?

Pensei que se fosse uma emergência, os bombeiros não chegariam naquela tranquilidade com a sirene desligada. Passados alguns instantes, muitas crianças aproximaram-se do caminhão e foram convidadas a entrar na cabine. A satisfação dos meninos era evidente.

Bombeiros na Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Meninos no caminhão dos Bombeiros na Broadway Street Fair de Saskatoon

Tive meu segundo momento emotivo em menos de uma hora. O primeiro aconteceu quando vi o casal que citei acima almoçando e imaginei eu e a Cláudia juntos daqui a um tempo. Depois, ao sair do restaurante, fiquei uns dez minutos observando as crianças e lembrei que eu, como a grande maioria dos meninos, já sonhei um dia em ser bombeiro, apagar incêndios e salvar vidas. Quando e por que este sonho acabou? Por que simplesmente desistimos de ser herois?

Por mais contraditório que possa parecer, ao invés de me deprimir, a visão das crianças no carro de bombeiros me alegrou, porque mais uma vez provou que a natureza humana essencial é boa, queremos ajudar os outros, almejamos ser herois. Os condicionamentos externos (pais, amigos, escola, televisão) e suas definições do que é ser bem sucedido nos desviam deste caminho mais natural. Afinal bombeiros não têm carrões do ano, nem apartamentos de cobertura ou passam as férias na Europa ou em ilhas paradisíacas da Polinésia Francesa. Eles são mal remunerados, assim como muitos dos herois de carne e osso que convivemos diariamente, porque gerar dinheiro é “mais importante” do que salvar vidas!

Bora Bora

Paradisíaca ilha de Bora Bora na Polinésia Francesa

Existem muitas formas de salvar vidas e nos tornarmos herois, pode ser através da boa educação e orientação das crianças, pode ser através da boa prática da saúde pública ou através do trabalho voluntário. Termino este post, homenageando uma menina que em menos de um mês estará completando 5 anos de idade, minha filha Júlia. Desejo que tu nunca desistas de ser nossa heroína e sempre sirva de exemplo para tua maninha Luiza que em breve estará entre nós.

Julia Lanterna Verde

Júlia como o super-heroi Lanterna Verde

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Che Guevara: Anjo ou Demônio?

Esta é minha terceira viagem ao Canadá em 2012. Desta vez escolhi o filme “Diários de Motocicleta” para meu entretenimento durante o jantar. O filme trata de uma viagem que Ernesto Che Guevara e seu amigo Alberto Granado fizeram pela América Latina em 1952.

Che Guevara é daquelas figuras que a maioria das pessoas ama ou odeia. Todos os grandes líderes revolucionários de esquerda fazem parte deste clube como Lenin, Mao Tse Tung e Fidel Castro. Na política brasileira, o grande nome, sem dúvida, é Getúlio Vargas: endeusado pela maioria dos gaúchos e odiado pela maioria dos paulistas.

Ernesto Che Guevara

Ernesto Che Guevara

Voltando ao filme, Guevara tinha uma vida tranquila em Buenos Aires. Ele estava praticamente se formando em medicina aos 23 anos de idade e seu hobby preferido era jogar rúgbi. Na sua viagem de moto, ele se confronta com uma realidade totalmente diferente da sua vida “pasteurizada”. Ele vê, convive e sofre com a miséria extrema que colonos, índios e mestiços sem posses são submetidos no interior da América Latina. Na parte final do filme, ele e Alberto trabalham como voluntários em uma colônia de leprosos na Amazônia peruana. Fica chocado com a separação dos doentes das outras pessoas – médicos, religiosas, enfermeiras – feita através de um grande rio.

A questão básica é se as motivações de Ernesto Guevara eram justas. Minha resposta é sim! Não devemos ser insensíveis à miséria e às injustiças. Neste momento, chegamos à pergunta cuja resposta torna Che Guevara e outras figuras históricas tão polêmicas:

– Se a causa é justa, vale qualquer método para torná-la realidade?

Ernesto Che Guevara acreditava que apenas a luta armada mudaria aquela situação que ele vivenciou em sua viagem pela América Latina. Por outro lado, em todas as guerras, inocentes são mortos, crimes são cometidos e injustiças imperdoáveis são justificadas. Para ele estas perdas seriam aceitáveis, o que eu não concordo. Certa vez li, não me recordo onde, a seguinte frase:

– Até os mais nobres fins são conspurcados pelos meios empregados para obtê-los.

Isto explica a polêmica em torno da maioria dos grandes líderes da história da humanidade. Todos tinham defeitos e virtudes como cada um de nós, mas suas qualidades foram decisivas dentro de determinado contexto histórico. Muitos lutaram contra o Apartheid na África do Sul, mas Gandhi e Mandela optaram por não usar violência. Isto os coloca acima dos demais! Muitos lutaram contra a discriminação racial nos Estados Unidos, Martin Luther King escolheu a não violência como forma de ação e ajudou a melhorar situação dos negros sem derramamento de sangue, com exceção do seu próprio.

Martin Luther King - Nelson Mandela - Mahatma Gandhi

Martin Luther King (esquerda), Nelson Mandela (direita acima) e Mahatma Gandhi (direita abaixo)

Che Guevara decidiu agir com 24 anos para melhorar a vidas dos oprimidos da América Latina. Sua opção pela luta armada, em minha opinião, deve ser criticada, mas, por outro lado, devemos entender que foi tomada por um jovem idealista num contexto muito diferente do atual. Não devemos ser maniqueístas em relação a pessoas, países, religiões, culturas… Devemos analisar sempre nossos atos e nunca seguir líderes cegamente (como apresentei na série de posts sobre o Efeito Lúcifer), porque, como todos os seres humanos, eles acertam e erram.

Assista ao filme! Vale pela história, pelas atuações de Gael Garcia Bernal como Che Guevara e de Rodrigo de La Serna como Alberto Granado, pela música em especial “Al outro lado do rio” do uruguaio Jorge Drexler. Escute esta bela música com imagens de diversas cenas do filme. Como assisti ao filme em espanhol com legendas em inglês, o lado cômico foi a tradução dos palavrões que Alberto Granado volta e meia lançava sobre Ernesto Guevara, até aprendi uns novos de baixíssimo nível.

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O Efeito Lúcifer – O Homem é o Homem e sua Circunstância (parte 3)

Nas duas primeiras partes, apresentei os experimentos de Stanley Milgram e Philip Zimbardo sobre a obediência cega. Agora, na parte final deste artigo, comentarei o “Efeito Lúcifer” criado por Zimbardo. Abaixo está apresentada a gravura de Gustave Doré com a representação da história da expulsão do anjo Lúcifer do Paraíso.

Paraíso Perdido de Gustavo Doré

Paraíso Perdido de Gustavo Doré

Vou iniciar este post com um pequeno vídeo para descontrair um pouco antes do assunto sério. O Candid Camera foi pioneiro nas “pegadinhas” na televisão e neste vídeo aparece a pressão do grupo sobre os indivíduos. Veja e dê boas risadas.

Em 2003, o secretário de defesa americano, Donald Rumsfeld, declarou que os fatos ocorridos na prisão de Abu Ghraib foram resultado de “umas poucas maçãs podres” no turno da noite. Zimbardo considerou que existem três categorias para explicar os fatos ocorridos na prisão iraquiana:

– disposicional – originadas de dentro de cada indivíduo, de cada soldado, as chamadas “maçãs podres”;
– situacional – originadas no entorno dos indivíduos, a prisão, o “barril de maçãs ruim”;
– sistêmica – são as influências mais amplas, poderes econômicos, políticos e legais, os “fabricantes dos barris de maçãs ruins”.

Uma das fotos da Prisão de Abu Ghraib

Zimbardo considera que a linha entre o bem e o mal é muito tênue e permeável. Eu gostaria de salientar que o mal não é um país, um povo ou uma raça. O mal está nos pensamentos e atitudes de cada indivíduo, independente de nacionalidade ou religião. Ele listou sete processos sociais que facilitam o escorregão para o mal:

– displicentemente dar o primeiro passo;
– desumanização dos outros;
– anonimato;
– responsabilidade individual difusa;
– obediência cega à autoridade;
– conformismo não crítico às regras do grupo;
– tolerância passiva ao mal pela inação ou indiferença.

Não esqueçam que o primeiro choque do experimento de Milgram foi de apenas 15 volts. Quem apertou o botão deve ter pensado que não havia problema, porque o “aluno” não deve ter sentido nada… Como diz Zimbardo, “esta é a chave, todo o mal começa com 15 volts”.

Por incrível que pareça, os experimentos que descrevi nos dois posts anteriores passaram pelos sete processos… A responsabilidade difusa, a obediência cega e o conformismo passivo são pontos de partida para uma série de comportamentos errados, principalmente em situações novas ou não familiares.

Assista à palestra de Zimbardo sobre o Efeito Lúcifer.

Zimbardo conclui que a mesma situação pode inflamar a imaginação para o mal, também pode inspirar heroísmo em outros, mas o pior, em minha opinião, é que a maioria das pessoas é culpada pelo mal da inação. Assim ele recomenda que nossos filhos sejam criados para serem heróis. Quando falamos em heróis pensamos em super-herois com superpoderes ou heróis modernos de carne e osso como Mahatma Gandhi, Martin Luther King ou Nelson Mandela. Apesar destes três últimos homens terem assumido enormes sacrifícios pessoais em nome da sociedade, buscamos herois comuns do dia a dia. Pessoas que não aceitam passivamente as injustiças denunciam e lutam para mudar o mundo que os cerca. Pode ser em casa, no trabalho, na escola ou na sua comunidade.

Para ser um heroi, você deve ser divergente, deve agir quando outras pessoas são passivas. Deve pensar de modo sociocêntrico ao invés de egocêntrico. O mais interessante é que as conclusões e recomendações de Zimbardo vão ao encontro do filósofo espanhol José Ortega y Gasset. Ele é o autor da frase que utilizei como título desta série de posts:

– “O homem é o homem e a sua circunstância”.

Filósofo espanhol José Ortega y Gasset

Para Ortega y Gasset, não é possível considerar o ser humano como sujeito ativo sem levar em conta simultaneamente tudo o que o circunda, incluindo o contexto histórico em que se insere. A Educação se transforma em instrumento para que cada um possa conscientizar-se de sua circunstância, relacionar-se com ela e superá-la. “Se não a salvo, não me salvo”, conclui o filósofo espanhol.

Sempre uso como exemplo o caso das relações entre árabes e judeus. No Brasil, não ouvimos falar de conflitos, porque o contexto não estimula violência entre estas duas etnias no nosso país. Agora se transferirmos algumas pessoas daqui para o Oriente Médio, a situação muda. O meio influencia decisivamente o comportamento dos indivíduos.

Amizade entre meninos árabe e judeu

Voltando para o mundo empresarial, muitas iniciativas são bloqueadas pela cultura interna. Grandes corporações muitas vezes tem responsabilidade individual difusa, obediência cega à autoridade, conformismo não crítico às regras e tolerância passiva ou indiferença aos verdadeiros problemas da empresa. Isto pode ser resumido por frases como:

– Esta não é minha responsabilidade!
– Eu estou fazendo a minha parte…
– Temos que manter o foco naquilo que “realmente” é importante!

Pensando bem, isto não acontece apenas em grandes corporações, pode acontecer em qualquer lugar, até mesmo nos nossos lares…

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O Efeito Lúcifer – O Homem é o Homem e sua Circunstância (parte 2)

Na primeira parte, comentei o experimento de Stanley Milgram sobre a obediência, no qual pessoas davam choques de até 450 volts em desconhecidos. Desta vez, o experimento da prisão de Stanford, criado por Philip Zimbardo em 1971, será nosso assunto principal.

Phil Zimbardo em 1971

Zimbardo recrutou 24 jovens voluntários do sexo masculino que foram divididos em dois grupos: doze seriam guardas e os demais presos. Ele transformou algumas salas do subsolo do Departamento de Psicologia da renomada Universidade de Stanford em um presídio, instalando grades no lugar de portas. O experimento deveria durar duas semanas e cada voluntário receberia US$ 15 por dia, o equivalente a US$ 85 em 2012.

Os “guardas” usavam uniformes militares, óculos escuros e cassetetes de madeiras e receberam instruções que deveriam fazer de tudo para manter a ordem com exceção do uso de violência física. Os “presos” usavam camisolões compridos, sem roupa de baixo, tocas de nylon na cabeça para simular a raspagem dos cabelos e tiveram seus nomes trocados por números. O “superintendente” do presídio era o próprio Zimbardo.

Após o primeiro dia calmo, estourou uma rebelião no segundo dia. Os guardas passaram a humilhar os presos das mais diferentes formas, inclusive sexual. Obrigavam os presos a fazerem longos períodos de exercícios forçados. Cortavam refeições e retiravam os colchões dos presos com mau comportamento. Um dos presos teve um colapso nervoso e foi substituído por outro jovem que estava na lista de espera.

Stanford Prison Experiment

Algumas fotos da Prisão de Stanford

Este novo preso, o número 416, se revoltou contra os maus tratos sofridos e iniciou uma greve de fome. Os guardas o trancaram em uma pequena peça no escuro (solitária) por algumas horas e depois tentaram forçá-lo a comer, sem sucesso.

Muitos guardas se ofereciam para fazer horas extras não remuneradas para “ajudar” a manter a ordem na prisão. No turno da noite, alguns deles achavam que as câmeras não filmavam no escuro e protagonizaram várias cenas de humilhação grave contra os prisioneiros.

No sexto dia, Zimbrado pediu que uma colega pesquisadora, Christina Maslach, avaliasse o andamento do experimento. Ela ficou horrorizada com as condições e recomendou o final imediato das atividades. Zimbardo, que estava se sentindo envolvido emocionalmente pela situação, concordou. Assim o que deveria levar duas semanas, durou apenas seis dias.

A própria Drª Maslach avaliou os participantes do experimento e concluiu que um terço dos guardas apresentaram fortes tendências sádicas, enquanto que os demais permaneceram omissos. A grande maioria dos presos aceitou passivamente as humilhações impingidas pelos guardas.

Zimbardo chegou à conclusão de que a situação é mais importante do que a personalidade individual para a determinação do comportamento das pessoas. Os guardas uniformizados ajudaram a construir uma autoridade inquestionável sobre os presos que a legitimaram através da aceitação passiva. Estes resultados são semelhantes aos obtidos por Milgram em seu experimento.

A situação ocorrida neste experimento em Stanford guarda uma incrível semelhança com os lamentáveis fatos praticados por militares americanos na prisão iraquiana Abu Ghraib (foto abaixo). Parece que lá também o ambiente estimulou comportamentos reprováveis.

Foto de tortura na Prisão de Abu Ghraib

Se você quiser saber mais sobre este experimento, veja este documentário preparado pela BBC. No último post desta série, finalmente falarei sobre o Efeito Lúcifer e como evitá-lo.

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O Efeito Lúcifer – O Homem é o Homem e sua Circunstância (parte 1)

Na semana passada, participei de um programa de treinamento na renomada Harvard Business School sobre a construção de novos negócios em organizações consolidadas. Entre os vários estudos de casos e discussões sobre as diversas dimensões que influenciam este assunto, achei muito interessante a aula sobre cultura empresarial.

A ideia geral é que o contexto influencia decisivamente na atitude das pessoas, determinando seus comportamentos. Se a empresa tem uma forte cultura tradicional e anti-inovadora, os comportamentos de seus colaboradores seguirão esta cultura, mesmo que suas personalidades sejam distintas dela. Ou seja, se a empresa quer inovar, tem que primeiro ajustar sua cultura. O instrutor desta aula comentou rapidamente o trabalho de dois pesquisadores, Stanley Milgram e Phil Zimbardo. Suas experiências me causaram um impacto no meu entendimento sobre as pessoas. Usei o tempo de espera nos aeroportos na volta para estudar mais sobre os métodos e conclusões dos experimentos destes dois psicólogos.

Stanley Milgram

Stanley Milgram

O teste de Milgram foi realizado no início dos ano 60, inicialmente na Universidade de Yale. Sob a falsa alegação de que participariam de um teste sobre melhoria de memória, voluntários foram atraídos e selecionados. Na verdade o teste era sobre a obediência das pessoas em relação a ordens e apenas uma pessoa era testada (o “professor”), as outras duas (o “experimentador” e o “aluno”) eram atores. A figura abaixo apresenta o esquema básico do experimento.

Experimento de Milgram

O “professor” (T) lia uma série de pares de palavras, depois dizia uma destas palavras e as opções que completariam o par. O “aluno” (L) escolhia uma das opções. Se estivesse certa, o teste seguiria normalmente. Em caso de erro o “professor” aplicaria um choque elétrico no aluno, antes de prosseguir a leitura. O primeiro choque era de 15 volts, cada choque na sequência era acrescido de 15 volts até chegar a incríveis 450 volts! É importante salientar que ninguém sofria os choques, porque o “professor” não tinha contato visual com “aluno” que era substituído por uma gravação.

Num certo momento, após um choque, o “aluno” gritava de dor e pedia para sair. Os “professores” se viravam para o “experimentador” (E) e pediam para encerrar o teste, mas este ordenava a sua continuação, argumentando que o “aluno” não corria risco e que o teste era importante. Em um dos experimentos,  o “professor” realmente sofria a cada resposta errada do “aluno” e disse para o “experimentador” que não queria ser o responsável pela morte do “aluno”. O “experimentador” repetiu as ordens e completou que era o responsável pela integridade do “aluno”. Como não tinha mais responsabilidade, este “professor” continuou o teste, mesmo quanto o “aluno” parou de responder ou reclamar, ele prosseguiu com os choques até repetir três vezes os 450 volts, quando o teste foi finalmente encerrado.

No final, o teste era explicado para o “professor” e um ambiente mais leve era criado para atenuar o clima pesado durante o experimento. Por incrível que pareça dois terços dos testados foram até o final, conforme o gráfico apresentado abaixo. Ou seja, deram três choques de 450 volts! Nenhum dos testados, mesmos os que pararam antes, insistiu para ver o real estado dos “alunos”.

Resultado do Experimento de Milgram

Fica claro que em uma situação completamente fora do normal e do controle, ao receber as ordens, foi mais cômodo segui-las mesmo não concordando com a ação realizada. Ficou ainda mais fácil, quando a responsabilidade foi completamente removida dos ombros. Como se fosse aceitável puxar o gatilho do revólver e matar alguém, só porque alguém assumiu toda a responsabilidade.

Estas situações podem acontecer de modo mais sútil. O gerente ordena uma ação que você não concorda, mas realiza sem questionar. Esta forma é o popular “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Será que tem mesmo?  Outra, mais sútil ainda, é a do “expert” profundo conhecedor de determinada técnica. Ele fala alguma coisa sobre este assunto e todos concordam sem pensar ou questionar. Como se existisse alguém infalível…

Se você quiser saber mais sobre o experimento de Stanley Milgram, assista ao trecho do documentário abaixo. No próximo post, falarei sobre o Experimento da Prisão de Stanford desenvolvido por Phil Zimbardo.

 

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Ninguém Consegue Pensar Bem com Raiva

É muito difícil ter discernimento do que falar ou fazer, quando estamos dominados pelo ressentimento ou pela raiva. Normalmente as decisões, nestes momentos, não são as corretas e causam problemas futuros.

O esporte de lutas em mais evidência hoje é o chamado MMA (Mixed Martial Arts). Um dos maiores nomes da história deste esporte é Antônio Rodrigo Nogueira, o Minotauro. No ano passado, ele perdeu uma luta impressionante para o americano Frank Mir. Em dezembro de 2008, ele já havia perdido a luta para este lutador por nocaute técnico, a única derrota desta forma na sua carreira. No último combate de 2011, Minotauro acertou uma sequência de golpes que derrubou Mir. Se ele desse mais dois ou três golpes na cabeça do adversário, o juiz certamente encerraria a luta, mas Minotauro decidiu vencer a luta por submissão. Parecia que sua vingança só seria saciada se ele imobilizasse seu adversário no chão, a melhor técnica dominada por seu rival. Incrivelmente Mir conseguiu uma chave de braço. Nogueira tentou reverter a situação, mas não era mais possível, ele não quis desistir e acabou com o braço fraturado.

Antô Nogueira, o Minotauro vs Frank Mir

Minotauro domina a luta (esquerda). Finalização de Mir (direita).

No final de semana passado, o brasileiro Junior Cigano defendeu seu título de campeão dos pesos pesados do UFC justamente contra Frank Mir. Cigano ficou toda a luta em pé, porque seu ponto forte é o boxe. Após uma sequência de golpes, Mir caiu e o brasileiro percebeu que o adversário ainda estava ativo, se distanciou e deixou que Mir se reerguesse. Logo depois, Cigano conseguiu uma nova série de golpes, Mir sentiu e caiu, o brasileiro novamente recuou, mas desta vez o americano não conseguiu se levantar e ele aproveitou a oportunidade e acertou mais um golpe na cabeça do adversário. O juiz imediatamente encerrou o combate para evitar lesões mais graves.

Junior Cigano vs. Frank Mir

Junior Cigano dominou a luta do início ao fim.

Qual foi a diferença entre as lutas de Cigano e Minotauro? Cigano lutou focado, sem emoção e sua tática foi seguida à risca até a vitória, enquanto Minotauro teve uma atuação irrepreensível até o ponto em que conquistou uma enorme vantagem, neste momento, a vingança pareceu ser o mais importante… O resultado foi a mais dolorosa derrota da sua carreira e um braço quebrado!

Na nossa vida pessoal ou profissional, em determinados momentos, deixamo-nos levar por sentimentos inferiores como o ódio ou a raiva. Quando tomamos decisões neste estado mental, podemos machucar as outras pessoas e a nós mesmos. Só que diferentemente do Minotauro, ao invés de um braço quebrado, você pode causar sequelas mais graves. A sua própria carreira poderá sofrer sérios prejuízos. Relacionamentos importantes podem ser envenenados ou, até mesmo, inviabilizados.

Incrível Hulk

Quando não controlamos a raiva, podemos virar “Hulks”.

 

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Minha Última Morada

Já pensei algumas vezes sobre o que seria feito com meu corpo após a vida abandoná-lo. Sinceramente não gostaria que fosse colocado em um caixão para ser consumido por bactérias vorazes e, num dia, ter os ossos transferidos para uma pequena urna guardada em um jazigo por toda a eternidade.

Prefiro a cremação, após a retirada de todos os órgãos ainda úteis para outras pessoas. O problema, neste caso, seria o que fazer com as cinzas. Meu coloradismo exacerbado sugere o gramado do Beira-Rio como o depositário dos minerais que compunham minha carcaça. Duvido que a direção do clube permitisse este procedimento. Afinal quantos torcedores desejariam ter o mesmo destino? Outro ponto contrário são as superstições futebolísticas bobas. Se o time passasse a perder, seria rotulado como um morto pé-frio causador do sofrimento de toda a “Nação Vermelha”. Por outro lado, se ganhasse um campeonato importante logo no primeiro ano, teria o status de santo. Logo eu…Se construirmos alguma casa especial ou, pelo menos, encontrarmos uma, poderia ser incorporado à terra de algum canteiro. Imagina ser reciclado e virar legume, fruta ou verdura? Não acho uma boa ideia! Sempre haveria comentários do tipo:

– Esta laranja está ácida!
– Mas também, a laranjeira foi fertilizada por quem? Como poderia ser diferente?

Só não reclamem que o chuchu está sem gosto, porque aí a culpa não será minha! Resta a alternativa de virar flor, mas gerará comentários maldosos. Que eu vire então uma ávore não-frutífera ou um arbusto…

Às vezes penso que o melhor seria voltar direto para a terra e não dar trabalho para os outros fazerem a “disposição final” dos meus restos. Se algum dia este post tiver alguma importância no mundo, talvez alguém diga:

– Putz! O cara se deu mal…

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A Reinvenção – Veja “O Artista”

Ocupar as dez horas que separam New York de São Paulo pode ser um tremendo desafio para alguns ou uma tortura terrível para outros. Sinceramente, não tenho muita dificuldade para preencher o tempo. Gosto de ver filmes, ler e, se tiver alguma inspiração, escrever.

O primeiro filme que assisti nesta última viagem foi surpreendente. Afinal qual é o louco que faz um filme mudo com fotografia em preto & branco no século XXI? O diretor Michael Hazanavicius foi realmente muito ousado! Onde estão os efeitos especiais e o 3D tão propícios para as modernas salas IMAX?

O Artista

O filme apresenta a única verdade absoluta que eu conheço – o mundo não para e temos que nos reinventar a cada dia. Se hoje somos os melhores, amanhã poderemos estar no ostracismo, porque a área que dominamos pode não ter mais a mesma importância ou destaque. Foi o que aconteceu com George Valentin, interpretado magistralmente por Jean Dujardin, ao acreditar que sua posição de ídolo do cinema mudo não se alteraria jamais. Não percebeu que o cinema falado sucederia o cinema mudo e insistiu em oferecer um produto que o público não desejava mais.

O filme se chama “O Artista”, mas poderia ser “O Engenheiro”, “O Médico”, “O Empresário”, “O CEO”, “O Político”, “O Cidadão”, “O Pai”, “O Filho” ou “O Marido”. Todos temos que nos reinventar nos diversos papeis que exercemos.

No final, como no grande cinema de Hollywood e em nossas vidas, apesar de frequentemente duvidarmos, o protagonista consegue dar a volta e se reinventa, fazendo um musical com muita dança e sapateado. Acredito que não foi à toa que as duas únicas palavras audíveis de George Valentin no filme foram “with pleasure”.

O Artista cena final

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O Aracnicídio

Quando mudei para São Paulo, pedi uma vaga no estacionamento do conjunto de prédios onde estão localizados os escritórios da empresa em que trabalho. Passados alguns dias me deram uma vaga no quarto subsolo de um dos edifícios-garagem. Notei que havia algumas teias de aranha no teto e em paredes próximas. Um dia vi uma aranha preta com manchas vermelhas no corpo e nas patas. Depois apareceu uma teia semiesférica com outra aranha dentro. Depois de algumas semanas, a aranha saiu da sua “toca”, ela era parecida com a primeira, mas era maior.

Aranha parecida com minhas vizinhas

Resolvi buscar uma convivência pacífica com minhas colegas de vaga. Inclusive dei nomes, a primeira era a Lucrécia (homenagem à Lucrécia Bórgia) e a maior era a Jacobina (homenagem a Jacobina Mentz Maurer dos Muckers).

As teias foram crescendo, assim como a proximidade das aranhas ao meu automóvel. Comecei a ficar com receio de me enrolar em alguma teia ou de ser atacado por uma das aranhas. Na quinta-feira passada, quando estava descendo a rampa de acesso do estacionamento, encontrei dois funcionários da limpeza. Aproveitei e informei o número da minha vaga e pedi para remover as aranhas. O pessoal imediatamente foi até o local e matou a Lucrécia, a Jacobina e suas crias. Sinceramente senti certo remorso por ter sido o mandante da matança das aranhas, mas tentei racionalizar que a situação representava um risco para mim.

Depois estava trabalhando normalmente, quando a secretária chegou e me avisou que mudou o local do estacionamento do meu carro. Na mesma hora, lembrei-me das aranhas inutilmente mortas. Que coisa mais terrível, parecia script de filme…

No final do dia, me dirigi até meu carro e vi que todas as teias foram removidas exceto uma junto à coluna no lado da minha ex-vaga. Ali durante o dia outra aranha da mesma espécie teceu uma nova teia. Já a batizei como Messalina (a polêmica imperatriz romana casada com Cláudio).

Lucrécia Borgia, Jacobina Maurer e a Imperatriz Messalina

Parecia um sinal que, apesar do massacre a que foram expostas, aquela espécie continuaria lutando e resistiria a todas as violências e adversidades do mundo exterior. Afinal a vida deve triunfar no final, mesmo que um tirano intolerante ache impossível a convivência entre criaturas diferentes. Esta é uma história verídica, mas poderia ser uma fábula sobre xenofobia e genocídios…

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Malditas Multinacionais

Muitas pessoas acreditam que empresas multinacionais querem prejudicar um país, quando decidem não investir ou descontinuar suas atividades em determinadas regiões do planeta. Na verdade, tudo se baseia no binômio lucro e risco. Meu objetivo, neste artigo, não é fazer uma defesa incondicional destes grupos econômicos, mas levantar alguns pontos para reflexão.

Visão sobre Multinacionais por Rodrigo Minêu

Multinacionais na visão de Rodrigo Minêu

Todos nós fazemos esta análise de risco e lucro ou custo e benefício na nossa vida. Se você tiver R$ 200 mil para aplicar e dois bancos lhe oferecem propostas para fundos de investimento. Um dos bancos é de primeira linha, um dos maiores do Brasil, e paga uma taxa de 1% ao mês, enquanto que o outro é um pequeno banco desconhecido da maioria das pessoas e remunera o capital com o dobro da taxa do grande banco. O que você faria? Colocaria todo seu dinheiro no banco menor, arriscando a perder tudo em caso de uma falência?

A opção da maioria das pessoas seria pela alternativa do grande banco, onde os lucros e os riscos são menores. O mesmo acontece muitas vezes em relação às multinacionais. As empresas procuram países onde haja estabilidade política e econômica, onde as regras não mudem com frequência e exista um judiciário independente. Este é o motivo que hoje é muito mais atraente investir no Brasil do que há vinte anos.
dineheiro na mão

Continuando o nosso exemplo, o Fundo Garantidor de Crédito cobre investimentos até R$ 70 mil em caso de falência da instituição financeira. Neste caso, poderíamos colocar R$ 70 mil no banco menor e os restantes R$ 130 mil no banco maior. Claramente houve uma maximização do lucro e um controle do risco. Você acha que os funcionários do banco pequeno teriam razão em dizer que você deveria investir todo seu dinheiro onde trabalham? Por que então as multinacionais deveriam colocar todo seu dinheiro em países onde podem perder seu patrimônio?

A conclusão deste post é que temos mais um motivo para desejar estabilidade político-econômica e instituições sólidas no país, porque ninguém põe seu dinheiro onde não existe isto. Sem investimentos não há desenvolvimento econômico nem empregos, nem redução da pobreza, nem justiça social.

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A Humanidade é Desumana

Todo o dia ligamos a TV e vemos uma quantidade impressionante de imagens que provam que a humanidade vai de mal a pior. Eu, algumas vezes (talvez devesse ser quase o tempo todo…), me sinto um verdadeiro louco, porque defendo exatamente o contrário. A humanidade caminha, na minha visão, para novos estágios de evolução. Hoje se um homem bomba faz um atentado suicida no interior do Afeganistão, imediatamente somos informados pela CNN ou Globo News. De noite, em horário nobre, os diversos telejornais nos apresentam um grande número de tragédias pessoais ou coletivas, violência contra crianças, . crimes ambientais ou contra animais. Não temos como pensar diferente, a humanidade é desumana…

Na quinta-feira, quando cheguei em casa, a Cláudia assistia ao filme sobre Elizabeth I, a “rainha virgem” da Inglaterra, que reinou até o início do século XVII. A quantidade de maldades, perpetradas pelos seus adversários para matá-la, foi impressionante. Por outro lado, seu pai, o Rei Henrique VIII, para casar novamente e tentar um filho homem, inventou o adultério da sua esposa Ana Bolena que foi impiedosamente executada.

Elizabeth I

Elizabeth I

Há algumas semanas, eu e meu filho fomos a exposição sobre Roma no MASP. As histórias sobre os imperadores romanos também apresentam passagens deploráveis. A melhor que vimos é de Agripina. Ela teve um filho no primeiro casamento, Nero. Quando a esposa do imperador Cláudio, Messalina, foi executada por conspiração, ela seduziu o tio e casou-se com ele. Convenceu primeiro a adotar Nero como filho, depois convenceu a escolher Nero como seu sucessor. Quando Cláudio se arrependeu da escolha, envenenou e matou o marido. O pior é que depois Nero cansou da influência da mãe e resolveu matá-la. Fez as tentativas mais bizarras, incluindo até um naufrágio forçado. Finalmente conseguiu matar a mãe.

Nero e Agripina

Moedas com Nero e sua mãe Agripina

Nem falei de Átila, de Genghis Khan, Hitler ou Stalin. Guerras eram eventos normais; torturas, aceitas; assassinatos de inimigos, tolerados; violência, banalizada… Crianças e mulheres eram as principais vítimas no meio disso tudo. A humanidade civilizada admite isto hoje? Claro que não! Por isso, quando vemos na TV este tipo de notícia, achamos que as coisas estão piorando. Acontece exatamente o contrário.

Quando o Legião Urbana compôs a bela “Quando o Sol Bater na Janela do teu Quarto”, todos lembram do verso que usei como título deste post, “a humanidade é desumana”, mas esta música é um hino de otimismo e nos dá pistas sobre como melhorar o mundo.

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Porque esperar
Se podemos começar
Tudo de novo?
Agora mesmo,

A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance,
O sol nasce pra todos,
Só não sabe quem não quer,

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Até bem pouco tempo atrás,
Poderíamos mudar o mundo,
Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor,
E toda dor vem do desejo,
De não sentimos dor,

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só

Hoje podemos mudar o mundo, basta querer! Que mundo vamos deixar para trás? Assisti a um vídeo criado pela ONG Invisible Children na Internet que, apenas no YouTube teve até hoje 67 milhões de acessos. O vídeo pede a captura do rebelde Joseph Kony que faz ações na região central da África, raptando e torturando crianças para formar seu exército. A campanha quer a mobilização da comunidade internacional para atingir este objetivo até o final de 2012. Óbvio que existe controvérsia na web sobre esta ONG e suas reais intenções, mas vale a pena assisti-lo. O link abaixo é para o vídeo com legendas em português.

As redes sociais nos trazem possibilidades nunca antes imaginadas para debate, conscientização e ação. Se o Invisible Children, através desta ação, consegue influenciar o governo americano que não tem interesse político ou econômico na região, imaginem as possibilidades para melhorar o mundo…

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