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O Efeito Lúcifer – O Homem é o Homem e sua Circunstância (parte 1)

Na semana passada, participei de um programa de treinamento na renomada Harvard Business School sobre a construção de novos negócios em organizações consolidadas. Entre os vários estudos de casos e discussões sobre as diversas dimensões que influenciam este assunto, achei muito interessante a aula sobre cultura empresarial.

A ideia geral é que o contexto influencia decisivamente na atitude das pessoas, determinando seus comportamentos. Se a empresa tem uma forte cultura tradicional e anti-inovadora, os comportamentos de seus colaboradores seguirão esta cultura, mesmo que suas personalidades sejam distintas dela. Ou seja, se a empresa quer inovar, tem que primeiro ajustar sua cultura. O instrutor desta aula comentou rapidamente o trabalho de dois pesquisadores, Stanley Milgram e Phil Zimbardo. Suas experiências me causaram um impacto no meu entendimento sobre as pessoas. Usei o tempo de espera nos aeroportos na volta para estudar mais sobre os métodos e conclusões dos experimentos destes dois psicólogos.

Stanley Milgram

Stanley Milgram

O teste de Milgram foi realizado no início dos ano 60, inicialmente na Universidade de Yale. Sob a falsa alegação de que participariam de um teste sobre melhoria de memória, voluntários foram atraídos e selecionados. Na verdade o teste era sobre a obediência das pessoas em relação a ordens e apenas uma pessoa era testada (o “professor”), as outras duas (o “experimentador” e o “aluno”) eram atores. A figura abaixo apresenta o esquema básico do experimento.

Experimento de Milgram

O “professor” (T) lia uma série de pares de palavras, depois dizia uma destas palavras e as opções que completariam o par. O “aluno” (L) escolhia uma das opções. Se estivesse certa, o teste seguiria normalmente. Em caso de erro o “professor” aplicaria um choque elétrico no aluno, antes de prosseguir a leitura. O primeiro choque era de 15 volts, cada choque na sequência era acrescido de 15 volts até chegar a incríveis 450 volts! É importante salientar que ninguém sofria os choques, porque o “professor” não tinha contato visual com “aluno” que era substituído por uma gravação.

Num certo momento, após um choque, o “aluno” gritava de dor e pedia para sair. Os “professores” se viravam para o “experimentador” (E) e pediam para encerrar o teste, mas este ordenava a sua continuação, argumentando que o “aluno” não corria risco e que o teste era importante. Em um dos experimentos,  o “professor” realmente sofria a cada resposta errada do “aluno” e disse para o “experimentador” que não queria ser o responsável pela morte do “aluno”. O “experimentador” repetiu as ordens e completou que era o responsável pela integridade do “aluno”. Como não tinha mais responsabilidade, este “professor” continuou o teste, mesmo quanto o “aluno” parou de responder ou reclamar, ele prosseguiu com os choques até repetir três vezes os 450 volts, quando o teste foi finalmente encerrado.

No final, o teste era explicado para o “professor” e um ambiente mais leve era criado para atenuar o clima pesado durante o experimento. Por incrível que pareça dois terços dos testados foram até o final, conforme o gráfico apresentado abaixo. Ou seja, deram três choques de 450 volts! Nenhum dos testados, mesmos os que pararam antes, insistiu para ver o real estado dos “alunos”.

Resultado do Experimento de Milgram

Fica claro que em uma situação completamente fora do normal e do controle, ao receber as ordens, foi mais cômodo segui-las mesmo não concordando com a ação realizada. Ficou ainda mais fácil, quando a responsabilidade foi completamente removida dos ombros. Como se fosse aceitável puxar o gatilho do revólver e matar alguém, só porque alguém assumiu toda a responsabilidade.

Estas situações podem acontecer de modo mais sútil. O gerente ordena uma ação que você não concorda, mas realiza sem questionar. Esta forma é o popular “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Será que tem mesmo?  Outra, mais sútil ainda, é a do “expert” profundo conhecedor de determinada técnica. Ele fala alguma coisa sobre este assunto e todos concordam sem pensar ou questionar. Como se existisse alguém infalível…

Se você quiser saber mais sobre o experimento de Stanley Milgram, assista ao trecho do documentário abaixo. No próximo post, falarei sobre o Experimento da Prisão de Stanford desenvolvido por Phil Zimbardo.

 

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Ninguém Consegue Pensar Bem com Raiva

É muito difícil ter discernimento do que falar ou fazer, quando estamos dominados pelo ressentimento ou pela raiva. Normalmente as decisões, nestes momentos, não são as corretas e causam problemas futuros.

O esporte de lutas em mais evidência hoje é o chamado MMA (Mixed Martial Arts). Um dos maiores nomes da história deste esporte é Antônio Rodrigo Nogueira, o Minotauro. No ano passado, ele perdeu uma luta impressionante para o americano Frank Mir. Em dezembro de 2008, ele já havia perdido a luta para este lutador por nocaute técnico, a única derrota desta forma na sua carreira. No último combate de 2011, Minotauro acertou uma sequência de golpes que derrubou Mir. Se ele desse mais dois ou três golpes na cabeça do adversário, o juiz certamente encerraria a luta, mas Minotauro decidiu vencer a luta por submissão. Parecia que sua vingança só seria saciada se ele imobilizasse seu adversário no chão, a melhor técnica dominada por seu rival. Incrivelmente Mir conseguiu uma chave de braço. Nogueira tentou reverter a situação, mas não era mais possível, ele não quis desistir e acabou com o braço fraturado.

Antô Nogueira, o Minotauro vs Frank Mir

Minotauro domina a luta (esquerda). Finalização de Mir (direita).

No final de semana passado, o brasileiro Junior Cigano defendeu seu título de campeão dos pesos pesados do UFC justamente contra Frank Mir. Cigano ficou toda a luta em pé, porque seu ponto forte é o boxe. Após uma sequência de golpes, Mir caiu e o brasileiro percebeu que o adversário ainda estava ativo, se distanciou e deixou que Mir se reerguesse. Logo depois, Cigano conseguiu uma nova série de golpes, Mir sentiu e caiu, o brasileiro novamente recuou, mas desta vez o americano não conseguiu se levantar e ele aproveitou a oportunidade e acertou mais um golpe na cabeça do adversário. O juiz imediatamente encerrou o combate para evitar lesões mais graves.

Junior Cigano vs. Frank Mir

Junior Cigano dominou a luta do início ao fim.

Qual foi a diferença entre as lutas de Cigano e Minotauro? Cigano lutou focado, sem emoção e sua tática foi seguida à risca até a vitória, enquanto Minotauro teve uma atuação irrepreensível até o ponto em que conquistou uma enorme vantagem, neste momento, a vingança pareceu ser o mais importante… O resultado foi a mais dolorosa derrota da sua carreira e um braço quebrado!

Na nossa vida pessoal ou profissional, em determinados momentos, deixamo-nos levar por sentimentos inferiores como o ódio ou a raiva. Quando tomamos decisões neste estado mental, podemos machucar as outras pessoas e a nós mesmos. Só que diferentemente do Minotauro, ao invés de um braço quebrado, você pode causar sequelas mais graves. A sua própria carreira poderá sofrer sérios prejuízos. Relacionamentos importantes podem ser envenenados ou, até mesmo, inviabilizados.

Incrível Hulk

Quando não controlamos a raiva, podemos virar “Hulks”.

 

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A Reinvenção – Veja “O Artista”

Ocupar as dez horas que separam New York de São Paulo pode ser um tremendo desafio para alguns ou uma tortura terrível para outros. Sinceramente, não tenho muita dificuldade para preencher o tempo. Gosto de ver filmes, ler e, se tiver alguma inspiração, escrever.

O primeiro filme que assisti nesta última viagem foi surpreendente. Afinal qual é o louco que faz um filme mudo com fotografia em preto & branco no século XXI? O diretor Michael Hazanavicius foi realmente muito ousado! Onde estão os efeitos especiais e o 3D tão propícios para as modernas salas IMAX?

O Artista

O filme apresenta a única verdade absoluta que eu conheço – o mundo não para e temos que nos reinventar a cada dia. Se hoje somos os melhores, amanhã poderemos estar no ostracismo, porque a área que dominamos pode não ter mais a mesma importância ou destaque. Foi o que aconteceu com George Valentin, interpretado magistralmente por Jean Dujardin, ao acreditar que sua posição de ídolo do cinema mudo não se alteraria jamais. Não percebeu que o cinema falado sucederia o cinema mudo e insistiu em oferecer um produto que o público não desejava mais.

O filme se chama “O Artista”, mas poderia ser “O Engenheiro”, “O Médico”, “O Empresário”, “O CEO”, “O Político”, “O Cidadão”, “O Pai”, “O Filho” ou “O Marido”. Todos temos que nos reinventar nos diversos papeis que exercemos.

No final, como no grande cinema de Hollywood e em nossas vidas, apesar de frequentemente duvidarmos, o protagonista consegue dar a volta e se reinventa, fazendo um musical com muita dança e sapateado. Acredito que não foi à toa que as duas únicas palavras audíveis de George Valentin no filme foram “with pleasure”.

O Artista cena final

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Stay Hungry, Stay Foolish

Steve Jobs morreu nesta semana que passou. Muito já se falou sobre este gênio que mudou o mundo com as criações da Apple, empresa que fundou. Não pretendo contar a vida deste gênio ou falar sobre suas virtudes e defeitos. Gostaria de resumir e comentar uma famosa palestra feita por ele para formandos na Universidade de Stanford em 2005. Para quem quiser assistir os 14 minutos na íntegra, basta clicar abaixo.

A palestra de Jobs tem três partes.

1. Una os pontos da vida

Você não pode conectar os pontos olhando adiante, você só pode conectá-los olhando para trás. Então você tem que confiar que os pontos de algum jeito vão se conectar em seu futuro. Acreditar nisto é fundamental, porque vai lhe dar confiança para seguir seu coração, mesmo que lhe leve para um caminho diferente do previsto e isso fará toda a diferença.

2. Faça o que o coração manda

Jobs estava convencido que a única coisa que lhe permitiu seguir adiante, após sua demissão da Apple, foi o amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que ama. Isto é verdadeiro tanto para seu trabalho, quanto para com as pessoas que ama. Seu trabalho vai preencher uma grande parte da sua vida e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um excelente trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que se faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue! Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até encontrar. Não sossegue!

3. Não desperdice seu tempo

Seu tempo é limitado, então não gaste vivendo a vida de outra pessoa. Não caia na armadilha do dogma que é viver com os resultados do pensamento de outra pessoa. Não deixe o ruído da opinião alheia sufocar sua voz interior. E mais importante, tenha coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles, de alguma forma, já sabem o que você realmente quer se tornar. Tudo o mais é secundário!

Steve Jobs em dois momentos da vida

O conselho final para os formandos foi “stay hungry, stay foolish” que, se traduzido literalmente para o português significa “continue faminto, continue tolo”. Afinal o que Steve Jobs quis dizer? Ele aconselhou a sempre termos fome por novos conhecimentos. Não importa a posição, os títulos ou se somos autoridade ou referência em determinada área. Devemos prosseguir esta busca incessante por toda nossas vidas.

A humildade é um aspecto essencial desta busca. Muitas pessoas têm medo de exporem-se e admitirem que não dominam determinado assunto. Não existe forma melhor para adquirir novos conhecimentos do que a troca de informações e experiências em uma conversa desarmada.

Este conselho vai ao encontro daquela passagem em que Sócrates reagiu ao pronunciamento do oráculo de Delfos que o apontara como o mais sábio de todos os homens dizendo “só sei que nada sei”.

Filósofo Sócrates

Quando achamos que sabemos tudo e não temos mais nada para aprender, ficamos estagnados e fracassamos.

Estes conselhos de Steve Jobs, apesar de simples, encerram as bases para uma vida de sucesso, mas não é fácil colocá-los em prática. Persista! Não sossegue!

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Nenhuma Conquista Importante vem sem Persistência – o Exemplo de Rodin

Nesta semana, eu e a Cláudia voltamos de duas semanas de férias em Paris. Poderia escrever sobre várias observações que fizemos ao longo da viagem, mas escolhi, para começar, o exemplo de persistência do grande escultor francês Auguste Rodin. Visitamos o excelente Museu Rodin em Paris na semana passada e todas as fotos apresentadas neste post foram tiradas pela Cláudia.

Musée Rodin – Hotel Biron – Paris

Todos conhecem pelo menos duas obras deste artista: “O Pensador” e “O Beijo”, mas sua produção artística foi muito maior e as dificuldades enfrentadas na sua vida são um exemplo. Quem observa as duas obras apresentadas abaixo, pode pensar que Rodin teve uma vida maravilhosa rodeado de sucesso e glamour, entretanto ele só atingiu o sucesso após os 40 anos e, mesmo assim, nunca ficou imune às críticas.

O Pensador

O Beijo

Rodin nasceu em uma família pobre. Tentou entrar três vezes na principal Escola de Belas Artes da França e foi recusado. Após a morte da irmã, resolveu entrar para a vida religiosa. Felizmente o padre Eymard, reconhecendo seu talento, orientou-o a seguir a carreira artística. Por sinal Eymard foi canonizado pelo para João XXIII, como São Pedro Julião Eymard.

Padre Eymard

Para obter o sustento da família, trabalhou até os 35 anos em ateliês de arte decorativa na França e na Bélgica. Mais tarde considerou fundamental o conhecimento técnico adquirido nestes empregos. Conseguiu juntar algum dinheiro e investiu em uma viagem à Itália, onde interessou pelas esculturas de Donatello e Michelângelo. Esta viagem influenciou decisivamente seu estilo e toda sua obra.

No ano seguinte, expôs sua primeira escultura de destaque, o nu “A Idade do Bronze” apresentada abaixo. Apesar de todos admirarem seu trabalho, foi acusado de fraude, porque teria feito o molde diretamente sobre o corpo do modelo.

A Idade do Bronze

Levou anos para provar o contrário e quase desistiu por causa das críticas injustas e das dificuldades financeiras. Foi em frente e recebeu convite para fazer a obra “Porta do Inferno” baseada na Divina Comédia de Dante. Nunca concluiu a obra (foto abaixo), mas vários elementos, como “O Pensador” e “O Beijo”, ganharam vida própria.

Porta do Inferno

No mesmo período fez a obra “Os Burgueses de Calais”, apresentada na sequência, em que cada um dos seis personagens ganharam vida separadamente em outras esculturas.

Os Burgueses de Calais

Mesmo com todo o sucesso, foi duramente criticado pela escultura em homenagem ao escritor Honoré de Balzac. Pediu desculpas e recolheu a estátua para seu acervo próprio. O belíssimo bronze fotografado abaixo só foi fundido décadas após sua morte.

Honoré de Balzac

O resumo deste post poderia ser o seguinte: mesmo para um gênio como Rodin, o sucesso não chega, se não houver muito estudo e determinação. Ele aproveitou os dez anos de trabalho para aprender as mais diversas técnicas artísticas. Não hesitou em investir o dinheiro duramente amelhado naqueles anos em uma viagem à Itália que lhe traria conhecimento e inspiração. Resistiu a toda a espécie de críticas e prosseguiu com firmeza, realizando uma produção artística inovadora de alta qualidade. Quando percebeu que o público e a crítica não estavam preparados para certas obras, apenas as afastou dos olhos da maioria e as conservou para as futuras gerações.

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Em Busca da Felicidade

 

Este post é o primeiro que escrevo sobre a busca da felicidade. Provavelmente escreverei outros no futuro na medida que minha visão sobre o assunto fique mais clara. Tenho passado algum tempo pensando sobre o que nos ajuda a sermos pessoas felizes. Entre momentos de alegria e outros de depressão, cheguei à conclusão que precisamos de um propósito nas nossas vidas. Algo que realmente seja importante e nos motive para levantarmos da cama e enfrentarmos algumas coisas desagradáveis do dia a dia como clima desfavorável, trânsito caótico, chefes mal-humorados, condições ruins de trabalho e faturas de cartões de crédito. Assim preenchemos aquela sensação de vazio que por vezes se apossa dos nossos corpos e traz um incômodo desânimo.

Se a meta é ser feliz, ela é tão inatingível quanto ser rico ou bem sucedido. Felicidade, riqueza e sucesso são consequências de uma série de atitudes em nossas vidas.

Na noite de ontem, no Youtube, “esbarrei” no Dr. Viktor Frankl, médico e psicólogo austríaco falecido há pouco mais de dez anos.

Viktor Emil Frankl

 

Por ser judeu, foi enviado aos campos de concentração nazistas Auschwitz e Dachau durante a Segunda Guerra Mundial. Foi libertado no final da guerra, mas perdeu a esposa, seus pais e seu irmão. Frankl percebeu que os prisioneiros que tinham algum sentido para as suas vidas tinham chance maior de sobreviver nas terríveis condições dos campos de concentração. Com base nesta experiência identificou três caminhos para encontrar o sentido para a vida:

  • realização ou conclusão de um trabalho;
  • o amor ou a responsabilidade por alguém;
  • mesmo diante de um sofrimento inevitável, o desenvolvimento da consciência de que a vida ainda espera importantes contribuições pessoais para os demais.

 

Se você quiser conhecer um pouco sobre Viktor Frankl, pode assistir à esta entrevista concedida na África do Sul em 1985.

Primeira parte:

Segunda Parte:

Terceira Parte:

Como engenheiro, gostei da equação apresentada abaixo.

Desespero  =  Sofrimento  –  Sentido

Ou seja, em uma vida sem propósito, qualquer sofrimento pode levar ao desespero. Por outro lado, se dermos sentido a nossas vidas, suportaremos melhor os sofrimentos que a vida inevitavelmente nos impõe.

A palavra entrega pode ser uma boa síntese para este post. Se nos entregarmos verdadeiramente a um amor, a uma causa ou a um trabalho, poderemos encontrar logo adiante a tão almejada felicidade. Por outro lado, se ficarmos simplesmente a procura da felicidade, ela ficará cada vez mais distante.

E não esqueçam das palavras de sábio Hilel, famoso líder religioso judeu. “Se eu não faço por mim, quem fará? E quando eu faço por mim, o que eu sou? Se não for agora, quando será?”

Hilel, o Ancião

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Sejamos Oportunistas!

Acho incrível como certas palavras ganham contornos negativos com o passar do tempo, enquanto outras passam a ter significados muito melhores do que os originais. Por exemplo, o grande poeta Augusto dos Anjos escreveu no seu impactante soneto “Versos Íntimos”:
 

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Formidável, em seu sentido original, significa terrível, pavoroso. Afinal o que pode ser mais terrível do que o enterro do último sonho ou ilusão de uma pessoa?  Hoje todos usamos a palavra formidável, no Brasil, para adjetivarmos algo excelente.

Augusto dos Anjos publicou apenas um livro de poesias: "Eu"

Por outro lado, os dicionários definem o oportunista como aquele que sabe tirar proveito das circunstâncias de dado momento, em benefício de seus interesses. Será que isto é realmente mau, se os aspectos éticos forem levados em consideração? O significado de oportunismo, na esfera da política ou dos negócios, deixa implícito que esta prática é empregada independentemente do sacrifício de princípios éticos. No futebol, curiosamente, é um grande elogio dizer que o atacante do time é oportunista. No Internacional, lembro de nomes como Dadá Maravilha, Geraldão e Nilson. Abaixo você pode assistir ao gol de Dario na final do campeonato brasileiro de 1976 contra o Corinthians.

Sejamos o atacante oportunista da nossa vida pessoal e profissional para aproveitarmos as circunstâncias favoráveis e atingir mais rápidos nossos objetivos. Vamos manter as antenas sempre ligadas. Só tenho um último lembrete, não esqueçam da ética, porque como escreveu Augusto dos Anjos no final do soneto “O Morcego”:

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

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O Diabo Sempre Cobra a Conta

Outro dia recebi uma mensagem com a propaganda de um curso. No final tinha a seguinte frase:

– “O que sua empresa quer é sua inteligência, criatividade, capacidade inovadora, motivação, comprometimento e não o seu sangue”.

Comecei a pensar sobre a frase e cheguei a conclusão que isto necessariamente não era uma coisa boa. Afinal as empresas estavam querendo as nossas ALMAS!!!

Lembrei de um filme dos anos 80, Crossroads. Filme muito bom, especialmente para quem gosta de blues e rock. Ralph Macchio, o Karate Kid original, é o ator principal. Durante o filme ele é dublado pelo grande guitarrista Ry Cooder. O filme trata da lenda dos pactos com o diabo de grandes músicos do blues para atingir o sucesso. Para salvar a alma do seu companheiro de jornada, Ralph Macchio aceita enfrentar o guitarrista do diabo interpretado pelo “monstro” Steve Vai. O duelo é vencido quando Ralph, dublado desta vez pelo próprio Steve Vai, toca Bach na guitarra. Afinal se Johann Sebastian Bach toca a música que vem do Céu, como o guitarrista do diabo poderia vencer o duelo? Assista à cena do duelo.

Se as empresas querem nossa “alma”, não devemos “vendê-la” a uma empresa antiética , apenas em troca do sucesso. Como aconteceu no filme, um dia o “diabo” virá cobrar a conta…

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Lições do Futebol para Gerentes

Estamos acompanhando mais uma Copa do Mundo. O futebol ocupa um espaço impressionante na mídia. Jogos, reportagens, entrevistas e programas de debates preenchem a grade de programação das emissoras de televisão abertas e nos canais esportivos da TV a cabo. Para aqueles que não gostam do esporte bretão, este período é uma verdadeira tortura.

Sempre achei que o futebol traz inúmeros ensinamentos que podem ser utilizados na vida pessoal e profissional. As derrotas e vitórias deveriam ser avaliadas e as lições aprendidas usadas na busca de novas vitórias. Todos se lembram daquela velha frase:

– Devemos aprender com os nossos erros.

Sem dúvida, isto é fundamental. Se não entendermos os motivos da derrota, elas podem se repetir até a correção dos problemas. Um ato inteligente é aprender com os erros dos outros, mas esta análise não é tão simples de ser realizada, porque a transposição da situação do concorrente para a nossa realidade pode ser complexa. Entender as razões que levaram a vitória também é fundamental para que os resultados sejam sustentáveis.

Times participantes de um campeonato ou empresas ou profissionais deveriam fazer a análise SWOT antes de iniciar seus planejamentos.

 

Assim as forças (Strengths) e oportunidades (Opportunities) deverão ser aproveitadas ao máximo, gerando vantagens competitivas. Por outro lado, estratégias devem ser criadas para minimizar as fraquezas (Weaknesses) e superar as ameaças (Threats).

Uma figura central nos times de futebol é o treinador da equipe. Ele exerce a função de um importante gerente ou diretor da empresa. Deste modo, baseado na análise do seu time (empresa) e dos adversários (concorrência), o treinador (gerente ou diretor) define a escalação e a tática a ser empregada. O bom treinador aproveita as melhores virtudes do seu elenco de jogadores (forças), protege seus pontos falhos (fraquezas), procura se precaver dos pontos fortes dos adversários (ameaças) e aproveita as suas falhas (oportunidades).

O futebol mostra que um time médio motivado tem resultados melhores do que uma equipe de craques acomodados. A seleção brasileira de 2006 é a prova disto.

 

Um líder, no futebol ou nas empresas, deve conhecer as habilidades, limitações, personalidade e aspirações dos membros do seu time. Assim será mais fácil obter resultados excepcionais e superar grandes obstáculos.

Luiz Felipe Scolari já fez grandes trabalhos no Brasil e Portugal. Suas habilidades como motivador são indiscutíveis. Todavia, seus resultados na Inglaterra ficaram aquém do esperado. Provavelmente as barreiras culturais e da língua impediram a reprodução dos resultados do passado. O mesmo ocorre quando executivos são transferidos para outros países. A fórmula de sucesso adotada no Brasil para gerir pessoas pode ser um fracasso em outro país.

 

Ou seja, tanto no futebol quanto nas empresas ou nas nossas vidas, muitas vezes o sucesso pode depender mais de como o treinador (gerente) se relaciona e motiva seus subordinados do que táticas ou estratégias sofisticadas.

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A Forma e o Conteúdo: Às Vezes é Vital Separá-los…

Muitas vezes nos confrontamos com gerentes que apresentam dificuldades quase insolúveis de comunicação. O comportamento, por vezes, causa deterioração do ambiente de trabalho. Em alguns casos extremos, o grupo se une para sobreviver e, se possível, derrubar o chefe. Em posts anteriores, comentei dois casos clássicos:

–  o microgerente;
–  o caçador de culpados.

Um caso muito interessante é do profissional que “bate” rotineiramente nos subordinados. Posso citar alguns exemplos clássicos deste tipo de comportamento:

–  demonstra agressividade quando é contrariado;
–  dá espetáculos, humilhando seus subordinados;
–  erros grandes ou pequenos são tratados da mesma forma;
–  raramente elogia e quando faz, soa falso;
–  dá feedbacks negativos em público;
–  pratica o bullying;
–  aponta os problemas, mas não colabora para resolvê-los;
–  não estimula e até inibe o diálogo.

Bullying é uma das maiores violências contra o subordinado.

Mas o pior acontece quando o chefe truculento geralmente tem razão no que está falando ou pedindo ao subordinado. Existem casos em que o gerente tem bom conhecimento e a capacidade de análise suficiente para detectar e entender o problema. Chega a hora de passar a tarefa para alguém. Neste instante, ele lembra os bons tempos de Guga Kuerten jogando tênis.

Guga Kuerten

Olhe as semelhanças! A tarefa é a bolinha de tênis arremessada com violência para o outro lado da quadra e não falta nem o grito ao desferir o golpe. O subordinado deve tentar separar a tarefa (o conteúdo) da forma errada que o chefe a repassou. Senão fica a impressão que nada faz sentido. Nestas ocasiões, as consequências são nefastas para o funcionário, porque a missão é realizada de qualquer jeito e, como prêmio, ele recebe nova cacetada do chefe. Pode pensar que este é a rotina diária. Com o passar do tempo, ficará insensível às agressões do chefe e trabalhará no piloto automático. Sua contribuição para a empresa será pobre e a demissão será questão de tempo.

Uma alternativa é não esperar que isto aconteça e procurar outro emprego. Algumas pessoas aproveitam o momento da saída para “chutar o balde”. Isto deve ser feito com cuidado para não prejudicar os que prosseguiram na empresa.

Como fugir desta arapuca, se desejar permanecer neste emprego? Em primeiro lugar, o funcionário deve analisar apenas o conteúdo das ordens do chefe. Já sabemos que a forma apresenta problemas talvez insolucionáveis. Em segundo lugar, a forma que o chefe comunica-se não deve afetar o subordinado, senão ele poderá somatizar suas angústias e ansiedades, prejudicando sua própria saúde. Em terceiro lugar, o funcionário, ao executar a tarefa, deve buscar a sua autorrealização e seu crescimento profissional, porque o reconhecimento dificilmente virá através da chefia direta.

Se você é o chefe e tem dúvida de como influencia o moral dos seus subordinados, informe-se como é o clima no setor, quando você está ausente. Se ficar sensivelmente melhor, é sinal que você está oprimindo os funcionários do seu setor.

Não queremos chefes “bonzinhos” ou chefes indiferentes ao erro e ao acerto, queremos profissionais justos com perfil motivador.

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Por que não gostamos do Óbvio? Adams gostava…

Outro dia, estava lendo alguns artigos em um grupo de discussão do LinkedIn. Havia um artigo com alguns comentários negativos sobre como fazer avaliação de desempenho. Basicamente colocavam que o autor disse apenas o óbvio e que jamais contratariam a sua consultoria. O responsável pela postagem do vídeo ficou indignado com os comentários e teve uma reação forte. Fiquei curioso e cliquei no link. Era um pequeno vídeo de cinco minutos no qual um consultor de RH falava sobre a importância, os cuidados e a preparação para uma avaliação de desempenho.

Na verdade, não havia nenhuma novidade na fala do consultor, mas se todos se preocupassem com aquelas obviedades comentadas por ele no vídeo, certamente o ambiente nas empresas seria muito melhor. Por que não gostamos do óbvio e vamos atrás do complexo e do sofisticado? Soluções complexas mostram nossa inteligência e a dependência da empresa em relação ao nosso conhecimento. Afinal todos entendem as soluções simples e acham que também poderiam tê-las encontrado.

Um pequeno livro que trata deste assunto é Adams Óbvio de Robert R. Updegraff. O autor escreveu o conto sobre um publicitário em 1916. Você pode pensar que um livro de quase cem anos deve estar completamente ultrapassado, mas a sua mensagem permanece atual.

Não devemos confundir o óbvio com o simplório. O óbvio praticado por Adams era resultado de observação atenta e análise detalhada, não era um simples chute ou o exercício de “achologia”. 

O autor, vários anos após a publicação, reconheceu que existiam barreiras para a implantação de soluções óbvias, porque “o óbvio tende a ser tão simples e comum, que não tem apelo à imaginação”. Ele desenvolveu cinco maneiras para testar ideias e verificar se são realmente óbvias: 

  1. A solução, quando encontrada, será óbvia!
  2. Esta solução é compatível com a natureza humana?
  3. É fácil colocar a ideia no papel?
  4. Ela “explode” na cabeça das pessoas?
  5. Devemos reconhecer o momento certo de implementar a ideia!

Quem não teve estas experiências de “explosões” mentais ao termos uma ideia deste tipo? Realmente é uma sensação ótima! Pensamos “como não tivemos esta ideia antes”? Por outro lado, devemos cuidar para não cairmos na armadilha de nos apaixonarmos pela solução do problema antes de analisá-la com a profundidade necessária.

O livro pode ser encontrado em inglês na Amazon, entretanto existe uma versão traduzida para o português e para baixá-la basta clicar neste link.

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O Projeto não Deve Começar pela Solução do Problema

Quantas vezes não passamos por situações como esta que descreverei a seguir? O gerente de produção entra na sala do gerente de engenharia e diz:

– Precisamos comprar uma máquina nova. As três que trabalham em paralelo hoje não darão conta da produção prevista pela área comercial.

O gerente de engenharia pode simplesmente abrir uma base de dados e digitar o título do novo projeto:

– Aquisição e instalação da máquina 4 da linha de produção X.

Na sequência o gerente de produção deveria digitar a justificativa, benefícios, prazo, etc.

Comprar e instalar um novo equipamento em uma fábrica existente que não pode parar, geralmente, não é uma tarefa simples ou barata. Talvez nem seja esta a melhor alternativa, pois, na verdade, o título do projeto deveria ser:

– Aumento da produção da Linha X em 30%.

Neste caso, as possibilidades de análise seriam mais amplas. Poder-se-ia começar pelo cálculo da Eficiência Geral do Equipamento (OEE em inglês).

Assim estaríamos levando em consideração três aspectos da operação dos equipamentos atuais:

– Disponibilidade – setups, quebras, manutenções não-previstas, falta de matéria prima;
– Desempenho – pequenas paradas, redução de velocidade;
– Qualidade – retrabalhos, rejeitos, sucatas.

A figura abaixo apresenta um exemplo.

Cálculo da Eficiência Geral do Equipamento

Neste exemplo, a disponibilidade do equipamento é de 80% devido às manutenções imprevistas, a produção média horária é de 70% da capacidade nominal provada do equipamento e o índice de produto dentro da especificação é de 90%. A expressão matemática que calcula a OEE está apresentada abaixo:

OEE % = [Disponibilidade %] x [Desempenho %] x [Qualidade %]

No nosso exemplo, a OEE seria de aproximadamente 50%. Ou seja, para aumentar em 30% a produção não deve ser necessário investir em um novo equipamento, pode-se atingir ao objetivo trabalhando na melhoria destas três dimensões apresentadas acima: disponibilidade, desempenho e qualidade.

Mas, muitas vezes, não é fácil mudar a cabeça do solicitante de um novo projeto, pois ele está convicto que esta é a forma de solucionar um determinado problema. O que podemos fazer nesta hora. Existem diferentes técnicas para quebrar as barreiras. Uma das mais simples e poderosas é a dos “5 porques”.

Nossos filhos praticam a técnica dos “20 porques” por vezes com o objetivo de atrasar o início de uma tarefa doméstica.

Nosso objetivo, ao aplicar esta técnica, é chegar à causa raiz, mas cuidado com as respostas circulares…

Abaixo tem a aplicação da técnica relativa ao exemplo desenvolvido neste post.

P1.  Por que devemos comprar mais uma máquina?
R1. Porque nossa produção atual está abaixo das necessidades da área comercial.

P2.  Por que a produção está abaixo do necessário?
R2. Porque não conseguimos trabalhar na capacidade nominal dos equipamentos.

P3.  Por que não se consegue trabalhar na capacidade nominal?
R3. Porque aumentam as quebras e o percentual das peças fora de especificação.

Nem chegamos à quinta pergunta e já temos boas informações para iniciar a investigação. O próximo passo é estratificar as causas e determinar a importância de cada uma delas. Um Diagrama de Pareto é uma ferramenta simples e prática para priorizar as principais causas.

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As Quatro Fases da Formação da Equipe de Projeto

Para executar um projeto com sucesso é fundamental a criação de uma equipe que trabalhe de forma harmoniosa sem lacunas técnicas ou gerenciais. Todos concordam com esta afirmação, entretanto normalmente o time formado não é o ideal. Quantas vezes já fomos chamados na sala do chefe para receber a notícia que um funcionário da empresa vai ser deslocado para o projeto que lideramos? E existem casos que este colega apresenta dificuldades de relacionamento e gerentes de vários setores da empresa não querem colocar o “indivíduo” nas suas equipes. Como ninguém o quer ou tem coragem de demiti-lo, a “solução” é encostá-lo em um projeto.

E este é apenas o início. Depois de formar a equipe a diversão só aumenta. Existem conflitos e disputas de “beleza”. O gráfico apresentado abaixo é muito interessante.

 

Como podemos ver, ao invés de um grupo de trabalho, passamos a ter um pseudo-time com desempenho inferior à soma dos desempenhos individuais anteriores. Muito tempo é perdido com especulações de como o projeto vai ser gerenciado e quais serão as responsabilidades de cada membro da equipe.

Nesta etapa de formação temos as seguintes características:

– ambiente agitado e confuso;
– objetivos, responsabilidades e canais de comunicação nebulosos;
– relacionamentos superficiais e fraco comprometimento.

Temos, na sequência, potencialmente um time, mas os conflitos devem ser atacados de frente pelo gerente sob pena de gerar problemas de solução muito complexa. Em muitos casos, as vaidades superam as metas do projeto. Dependendo da situação, a saída pode passar pela substituição de alguns membros da equipe.

Nesta etapa de turbulência, encontramos:

– ambiente conturbado por conflitos e ataques;
– confronto com o líder, com resistências e desistências;
– “panelinhas” e dificuldades de entendimento.

Se os conflitos forem solucionados, as responsabilidades e metas claramente definidas, chegaremos a um time de verdade.

Para um grupo trabalhar realmente como uma equipe, devemos passar pela normatização:

– ambiente de coesão com padrões de comportamento e processo de entendimento;
– identificação dos problemas importantes;
– resolução de conflitos.

O sonho, ou utopia para alguns, é o time de alto desempenho. Os membros da equipe criam relações de interdependência genuínas, onde cada membro apoia o colega.

Se chegarmos à etapa de alto desempenho, teremos:

– ambiente cooperativo;
– articulação entre os componentes;
– criatividade e flexibilidade.

O gerente de projeto deve estar consciente que o sucesso do empreendimento passa pelas pessoas. A evolução da equipe depende da sua atuação. Se ele agir como um avestruz, enterrar a cabeça no chão para não ver os problemas, eles poderão assumir uma proporção muito grande para serem resolvidos apenas com bate-papos. A substituição de membros da equipe, incluindo o próprio gerente, pode ser imperiosa.

Gerente Avestruz

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A Caça aos Culpados

Um processo praticado em muitas empresas é a chamada caça aos culpados, quando alguma coisa sai diferente do planejado. Nestes casos, temos uma nova máxima:

– Errar é humano. Perdoar não é a política da companhia.

Nestas empresas, ser escalado para fazer parte do time de um projeto normalmente é visto como um fardo pesado, porque os resultados sempre ficam muito aquém do prometido. E como sempre a diretoria pede um nome para imolar, lá vai nosso bode expiatório…

Abaixo está apresentada a clássica figura das seis etapas de um projeto.

Fases-Projetos

Segundo o Estudo de Benchmarking em Gerenciamento de Projetos no Brasil em 2008 do PMI, 62% dos projetos não cumprem os prazos estabelecidos. As principais causas para os atrasos encontradas neste estudo estão listadas abaixo:

– indefinições ou mudanças no escopo;
– problemas de comunicação;
– má avaliação dos riscos;
– recursos humanos insuficientes;
– concorrência entre o dia-a-dia e o projeto.

Normalmente o problema não está materializado em uma única pessoa, mas sim no processo de execução dos projetos da empresa. Algumas das principais características destas empresas estão apresentadas abaixo:

– mudanças frequentes de prioridades;
– descrédito no planejamento;
– informalidade excessiva;
– indefinição das responsabilidades;
– falta de comprometimento e postura reativa dos funcionários;
– visão de curto prazo, centrada apenas no resultado do mês;
– falta de abertura para discussão;
– elevado turnover (rotatividade de funcionários).

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O importante é achar um culpado…

Para quebrar este círculo vicioso, a mudança deve começar pela alta administração. Ela deve se dar conta do que está ocorrendo e investir em treinamento e na melhoria do clima organizacional. Este não é um processo rápido, exige muita disciplina. Pode demorar algum tempo para a colheita dos primeiros frutos, mas uma base sólida para a obtenção de resultados sustentáveis será construída a partir deste ponto.

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Email: Aliado ou Inimigo?

Email é uma excelente forma de comunicação para trocar informações durante um projeto. Por outro lado, esta ferramenta pode causar grandes problemas, se for mal utilizada.

As mensagens eletrônicas deveriam ser usadas com muito cuidado. Quando conversamos por telefone com alguém, podemos ouvir sua voz, perceber seu estado de espírito e esclarecer imediatamente quaisquer dúvidas. Melhor ainda se estivermos dialogando pessoalmente, pois, além de ouvir a voz, veremos o rosto e os gestos. Ficará ainda mais fácil compreender as intenções do interlocutor.

Email não tem rosto ou voz. Fica muito difícil sentir a emoção que o seu emissor estava submetido. Isto pode causar erros de interpretação. Imagine esta frase:

– Você pode detalhar mais este orçamento?

Quais das carinhas da figura abaixo você imagina que expressaria melhor a emoção do emissor do Email ao redigi-lo?

O recebedor da mensagem pode achar que o emissor foi agressivo e estava desconfiado da precisão do orçamento preparado por ele.  Na verdade, o emissor apenas desejava que os itens fossem mais bem detalhados, porque ele precisava desta informação para elaborar o cronograma financeiro do projeto.

Recomendo que o emissor da mensagem releia cuidadosamente o texto para verificar se não pode haver outra interpretação além da desejada. Por outro lado, o destinatário não deve levar para o lado pessoal. Se houver alguma dúvida, deve ser imediatamente esclarecida.

Além desta limitação, o Email deve ser mandado apenas para os diretamente envolvidos. Aquelas discussões intermináveis com réplicas e tréplicas normalmente não colaboram para encontrar a melhor solução para um problema. O resultado é a explosão da caixa de entrada com mensagens que não interessam a vários destinatários.

 

Temos ainda aquelas cópias “bcc” ou “cco”. Discuto, muitas vezes, a ética de usar este recurso de copiar alguém sem o conhecimento do destinatário da mensagem.

Sempre gosto de lembrar que o Email pode se tornar público. Controlamos quem são os destinatários da mensagem, mas não temos controle sobre os encaminhamentos futuros. Deste modo, a mensagem pode chegar a pessoas que nem imaginamos. Assim devemos ter cuidado com o conteúdo das mensagens. Brincadeiras, ofensas e comentários irônicos devem ser evitados, porque o Email é um documento.

Finalmente lembrem-se que há coisas que são mais bem resolvidas pessoalmente ou por telefone do que usando o Email.

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O Microgerenciamento só Pode Trazer Microrresultados

Todos convivem, em algum momento de suas carreiras, com um chefe que pratica o microgerenciamento. Cito uma série de atitudes típicas deste tipo de profissional:

– controla o tempo gasto pelos funcionários no banheiro, na Internet ou no cafezinho;
– preocupa-se  principalmente com custos fixos visíveis como café, açúcar, papel toalha, cópias e cartuchos de impressora;
– tem aversão ao risco, faz tudo sempre do mesmo jeito;
– detesta subordinados questionadores e adora os bajuladores;
– despreza oportunidades, porque pode significar um desvio do foco inicial da missão recebida;
– repete orientações óbvias ou já conhecidas pela sua equipe;
– tem baixa tolerância aos erros;
– dá feedbacks vagos aos membros do seu time, por exemplo, “esperava mais de ti”, mas não diz concretamente qual seria o desempenho esperado;
– gosta de dar shows, quando alguma coisa sai errado.

Claro que não esgotei a lista. Cada um pode adicionar mais uma série de exemplos para enriquecer este artigo. Abaixo temos o exemplo do relacionamento do Dilbert com seu “microchefe”.

Não queremos chefes “bonzinhos” ou chefes indiferentes ao erro e ao acerto. Almejamos um líder que tenha atitudes como as apresentadas abaixo:

– estimula os membros do time;
– premia a ousadia e a criatividade;
– cria sinergia;
– olha a situação do alto e avalie o impacto das ações do setor no resultado da empresa;
– cria um ambiente onde existe abertura para diferentes posicionamentos;
– gosta de passar conhecimento para a equipe, especialmente os mais jovens;
– pratica o coaching e dá feedbacks consistentes.

Uma técnica simples de feedback é o modelo conhecido como Start / Stop / Continue.

O Start refere-se às atitudes que o colaborador deve começar a fazer.

O Stop é relativo aos comportamentos não desejados.

O Continue contém as fortalezas do funcionário que devem ser estimuladas.

Claro que exemplos concretos devem ser dados em cada item, fugindo da subjetividade típica de muitas reuniões de feedback que levam a uma postura reativa do subordinado.

Mas o grande problema ocorre quando o “microgerente” tem certeza que está fazendo tudo certo. Neste caso, ele acredita que deve agir daquele jeito para atingir as metas do setor. Ele se olha no espelho e vê um super-homem, mas na verdade a sua imagem frente aos subordinados é muito diferente…

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Sete Métodos de Tomada de Decisão – Democracia às Vezes Atrapalha…

Tomar decisões é uma das atribuições mais importantes dos gerentes de projeto. Muitos acreditam que a democracia sempre é o melhor sistema, mas, em muitos momentos, não há tempo ou condições de, pelo menos, ouvir a maioria antes de decidir. A seguir eu comento os sete principais métodos de tomada de decisão:

1.  Líder sem a participação dos membros da equipe

Este tipo é recomendado para a rotina ou quando não se tem tempo suficiente para envolver outras pessoas. Deste modo, o gerente decide baseado apenas na sua cabeça sem conhecer a opinião de outros membros da equipe. Não pode ser usado indistintamente, sob pena de transformar o gerente em ditador.

Cadeira do Gerente-Ditador

2.  Especialista da equipe

Neste método, o especialista recebe a autoridade para decidir sobre um assunto no qual ele é o maior conhecedor da equipe. O problema pode acontecer se este expert não foi bem escolhido.

Dr. Smith – Cuidado ao escolher o especialista!

3.  Opinião média dos membros da equipe

Neste caso, o líder consulta os demais membros da equipe isoladamente e escolhe a opinião mais popular. Mais uma vez perde-se a vantagem da interação entre diversas ideias que poderia criar uma nova alternativa melhor para solucionar um problema. Justifica-se quando não se tem  prazo hábil para reunir o time.

4.  Líder após consulta aos membros da equipe

O líder decide sozinho após ouvir as opiniões dos demais membros da equipe. Apesar de semelhante ao primeiro método, neste caso, o líder escuta a opinião de alguns conselheiros antes de decidir, reduzindo as chances de erro.

5.  Voto da maioria

A opinião da maioria prevalece. Pode ser adotada, quando não se tem tempo suficiente para chegar ao consenso. A minoria derrotada pode se sentir alijada, prejudicando o andamento do projeto. Assim só recomenda-se a votação em assuntos de menor importância.

6.  Pequeno grupo da equipe do projeto

Quando existe pressão muito forte de tempo, pode ser escolhida uma força-tarefa para tomar decisão sobre determinado assunto. Seria interessante envolver as pessoas que tenham conhecimento para contribuir efetivamente na decisão. Caso contrário, pode haver falta de comprometimento com a decisão adotada.

Força-Tarefa

7.  Consenso

Apesar de parecer o ideal, pode demandar muito tempo e energia do grupo. Não pode ser escolhida se houver premência de prazos. O consenso geralmente gera uma solução criativa de melhor qualidade. Deste modo, indica-se este método principalmente nas fases iniciais do projeto.

Qual é o melhor método? Não existe uma resposta absoluta. Um método é melhor do que outro em determinadas circunstâncias como prazo, competência e maturidade da equipe.

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Como Fugir da Maldição do Gráfico de Dente de Serra e Manter as Melhorias no Processo

Temos um problema de processo. Um grupo se reúne e encontra a solução. Na semana seguinte, o desempenho é medido e, para a alegria deste grupo, tem-se um resultado excelente. Mensagens com congratulações circulam pelo e-mail da empresa e a vida prossegue.  Passa um tempo e alguém se lembra de dar uma olhadinha para ver como está funcionando aquele processo e tem uma surpresa! O desempenho voltou para o nível anterior àquela intervenção. Neste momento, pode-se perguntar para um operador o que está acontecendo e a resposta será desconcertante:

– Sempre foi assim! Isto nunca funcionou muito bem mesmo…

Neste caso, pode-se simplesmente repetir o que foi feito anteriormente e voltar a colocar o processo nos trilhos.

O gráfico de dente de serra apresentado abaixo será uma rotina nesta empresa e os resultados não serão sustentáveis. 

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Gráfico de Dente de Serra

Mas como os resultados podem ser sustentados?

O primeiro ponto é o comprometimento genuíno da gerência da área. O gerente deve acreditar e adotar a solução como sendo sua. Ele deve liderar pelo exemplo. Todo o processo de mudança encontra obstáculos. A maior barreira é a reatividade das pessoas. Para conquistá-las, melhor seria a participação na solução do problema, mas, se isto não for possível, devem ser treinadas e conscientizadas sobre a importância da mudança.

A base para o treinamento é a criação e atualização de padrões e procedimentos. Taiicchi Ohno disse que onde não existem padrões não pode haver melhoria contínua. Claro que a maioria das pessoas não gosta de redigir procedimentos e para se justificar costumam dizer:

– Pessoas não são robôs! Elas têm que ter espaço para usar a criatividade.

Na verdade, um procedimento descreve a melhor forma conhecida e comprovada de fazer certa atividade. Se cada um usar seu livre arbítrio e executar uma tarefa de acordo com sua fórmula pessoal, o resultado final terá uma variabilidade desastrosa. A disciplina operacional é chave para que todos trabalhem de modo padronizado. Sempre existirá o momento para usar a criatividade, mas as melhorias serão efetuadas a partir dos standards estabelecidos.

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Taiicchi Ohno

Também é fundamental a definição de parâmetros mensuráveis para avaliar o desempenho do processo. Como todos costumam dizer “você não pode controlar o que não mede”. A divulgação dos indicadores do processo em quadros de gestão à vista ajuda a sustentá-los.

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Quadro de Gestão à Vista

O melhor mesmo é estimular a participação dos funcionários. O envolvimento do pessoal do chão de fábrica, incluindo operação e manutenção, durante a resolução de um problema, cria comprometimento para a manutenção dos resultados. A gerência deve criar as condições necessárias para maximizar esta participação.

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O Microvestido na Uniban: Quando o Grupo Ajuda a Expor as Fraquezas dos Indivíduos

O filósofo grego Aristóteles, há mais de 2300 anos, foi autor da tese que “o homem é um animal social”. Esta tese fundamenta-se na união natural entre os homens, porque o ser humano é naturalmente carente, necessitando de coisas e de outras pessoas para alcançar a sua plenitude.

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Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.)

Evidentemente estas necessidades não se restringem a aspectos materiais. Buscamos, por exemplo, apoios, estímulos e reconhecimentos pelos grupos. Deste modo, procuramos outras pessoas que têm opiniões semelhantes ou apresentam visão de mundo semelhante à nossa. Muitas vezes, dentro de um grupo, atitudes socialmente inaceitáveis são praticadas.

Em umas férias, eu viajei para New York. Havia uma grande excursão de japoneses no hotel em que eu estava hospedado. Aquele hotel oferecia o café da manhã incluído na diária e, num certo dia, parecia que todos acordaram na mesma hora e desceram para o breakfast. Para minha surpresa e indignação, muitos japoneses furaram a fila escandalosamente. Fariam isto se não estivessem fortalecidos pelo grupo? Provavelmente não! Lembro-me de uma francesa que incentivava a todos a reagirem. Por pouco não foi criado um conflito entre os japoneses e o “resto do mundo”. Aquela francesa sozinha não começaria uma guerra, mas participaria ativamente se o grupo lhe desse respaldo.

No caso da Uniban, não entrarei na discussão sobre a roupa da estudante. Eu acho que aquele vestido era inadequado para assistir a uma aula, mas nada justifica o que aconteceu. Hoje gostaria de discutir a atitude agressiva dos estudantes.

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Aluna da Uniban escoltada por seguranças

A esmagadora maioria das pessoas que agiram de modo ofensivo e preconceituoso só o fizeram porque estavam em grupo. Portanto podem ter exposto seus sentimentos, aproveitando a participação da turba injustificadamente enfurecida. Neste momento, preconceitos e repressões de origem sexual ou social devem ter aflorado. Além disto, existiam pessoas que queriam ser reconhecidas pelo grupo e aproveitaram a oportunidade para fazerem as mesmas grosserias que alguns ”líderes” perpetravam.

Devemos ter uma ética que não mude quando estamos sós ou dentro de um grupo. Se dentro de um grupo, abolirmos todos os nossos preceitos éticos, concluiremos que, para o bem do grupo, vale mentir, roubar ou matar. Aquele simples check list  que apresentei em outro post  pode ajudar em caso de dúvida.

Não cheguei ao ponto que um “cara” declarou há dois mil anos: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (evangelho de João 15,12), mas seria maravilhoso se agíssemos desta forma. Jesus também protegeu Maria Madalena de ser apedrejada e disse para as pessoas: “quem nunca pecou, jogue a primeira pedra”.

Se aqueles estudantes da Uniban seguissem, pelo menos, aquele ensinamento que escutamos desde pequeno: “não faça algo que não gostaria que os outros fizessem a você”, este fato lamentável teria sido evitado. Isto também vale para todos os tipos de discriminações (sociais, raciais ou sexuais) e assédios (sexual ou moral).

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Todos Conhecem as Sete Perdas, mas Quem se Importa com a Oitava?

Muda é definida no Sistema Toyota de Produção como qualquer atividade que não agrega valor ao processo. As sete categorias de perdas são bem conhecidas por todos.

 muda_toyota

Defeitos geram sucatas e retrabalhos. O resultado final pode afetar diretamente o cliente devido ao atraso no recebimento do produto.

Superprodução é simplesmente produzir mais do que o cliente comprou. O resultado é o aumento desnecessário dos estoques.

Transporte de produto sempre é um desperdício de tempo. Além disto, aumenta o risco de perdas.

Espera custa dinheiro. Isto vale tanto para produtos quanto para pessoas.

Estoques de produtos, matérias primas e materiais de consumo oneram os custos financeiros da empresa.

Movimentação de pessoas e equipamentos para a realização de uma etapa do processo ou tarefa não agrega valor ao produto.

Excesso de processamento gera trabalho adicional que o cliente não pediu e não pagou.

Além destas sete categorias listadas acima, existe uma mais perversa. Esta oitava categoria pode ser a causa principal das anteriores: a subutilização das pessoas.

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Encontramos funcionários não engajados por vários motivos como, por exemplo, desmotivação, falta de treinamento, limitação de autoridade ou responsabilidade, controle excessivo da gerência e falta de disponibilidade de ferramentas gerenciais adequadas.

Neste estado, as pessoas passam a aceitar as perdas dos processos como sendo normais, não buscando melhores níveis de desempenho.

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