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O Princípio de Le Chatelier e as Soluções Tampão – A Dificuldade de Deslocar o Equilíbrio

Este é o quarto e, por enquanto, último artigo da viciante série sobre a físico-química e o comportamento humano. Se você não gosta ou não entende química, no final da sua leitura, você entenderá o Princípio de Le Chatelier e seu paralelo com as relações humanas. Como nos artigos anteriores, procurarei não complicar os conceitos da química.

O Princípio de Le Chatelier afirma que o equilíbrio químico de um sistema é deslocado, quando suas condições (temperatura, pressão ou concentrações dos reagentes ou produtos) são alteradas.Reaction_equilibriumOu seja, se adicionarmos mais reagentes, o equilíbrio será deslocado para o lado dos produtos e, quanto mais reagentes forem adicionados, mais “violenta” será a guinada para este lado. Se adicionarmos mais produtos, acontecerá o contrário, o equilíbrio se deslocará para o lado dos reagentes. Se a reação direta precisa de energia para acontecer, se aumentarmos a temperatura, esta reação será favorecida e o equilíbrio se deslocará para o lado dos produtos.

Uma pessoa pode não ir a festas (ou baladas, como você preferir) pelos mais variados motivos: falta de dinheiro, compromisso com parceiro amoroso, restrição religiosa ou proibição dos pais, entre outras razões. Se for removida a restrição que neutraliza a vontade, a pessoa pode iniciar uma temporada de festas, onde trabalho ou estudo ficam em plano secundário. Isto é muito comum com jovens que passam a receber bons salários ou pessoas, que se casaram muito cedo, quando se separam. Jogadores de futebol de alto potencial com dezoito ou vinte e poucos anos de idade costumam passar por este processo. Depois de passar por dificuldades e apertos durante a infância e adolescência, passam a ganhar mais dinheiro que jamais sonharam e fica fácil cair nesta armadilha.

Na química, a acidez de um líquido é medida através do pH. Para segurar as mudanças de pH de um meio são usadas as chamadas “soluções tampão” (não tem nada a ver com soluções provisórias). Em inglês, usa-se a palavra buffer que significa amortecedor. Ou seja, estas soluções amortecem as mudanças de pH de um sistema.

buffer_pH

Gráfico sobre o efeito de soluções tampão

Como você pode notar no gráfico acima, o pH cresce pouco apesar da adição da solução alcalina (por exemplo soda cáustica) devido à presença de um agente tamponador. Neste caso, poderia ser o ácido acético (principal componente do vinagre). Num determinado ponto, o agente tamponador não consegue mais segurar o pH e seu aumento é imediato.

A definição de equilíbrio que uso neste artigo é diferente da empregada cotidianamente, equilíbrio é uma situação de estabilidade, onde a composição do meio não muda. Ou seja, não é algo necessariamente bom no âmbito humano, pois pode significar, por exemplo, estagnação ou uma situação desfavorável mantida por comodismo ou medo de tentar algo melhor.

Nas nossas vidas, também podemos ter uma série de “amortecedores”, por exemplo, nossos valores, nossas famílias ou nossos credos. Se a frase “cada um tem seu preço” for realmente verdade, deduzimos que as pessoas não tomam certas atitudes até que se atinja um certo “preço”. Quando ouvimos esta frase, a ligamos imediatamente à corrupção. Neste caso, além dos valores pessoais, a certeza da punição seria um excelente amortecedor para não sair da linha.

Por outro lado, o “preço” pode ser, por exemplo, o ponto em que a violência doméstica deixa de ser suportada por uma mulher. Neste ponto, a relação é rompida e, muitas vezes, o agressor é denunciado em alguma delegacia da mulher.

Também podemos fazer este tipo de analogia no campo social. Aqui no Brasil, vivemos uma quase contínua apatia, normalmente o amortecimento é enorme. Estamos sempre à espera que os governos resolvam nossos problemas. Em junho de 2013, o Brasil foi sacudido por uma enorme onda de protestos e o equilíbrio foi rompido. Os políticos sentiram-se ameaçados e aprovaram algumas medidas que apoiavam as aspirações populares dos protestos. Depois os protestos esfriaram, a pressão sobre a classe política baixou e, infelizmente, o equilíbrio voltou praticamente para o ponto original pré-protestos. Os políticos retornaram para seu universo paralelo e os anseios da população ficaram em terceiro plano.

Resumindo, todos nós temos alguns “amortecedores” que nos impedem de deslocar o equilíbrio atual estabelecido. Se quisermos crescer pessoal ou profissionalmente, vários “tampões” (ou buffers) deverão ser superados. O melhor sempre é, através de autoanálise, identificarmos para onde queremos deslocar o novo equilíbrio e quais são os “amortecedores” que seguram o deslocamento desejado. A partir deste momento, uma parte fundamental, apesar de muito pequena, foi alcançada, porque botar em prática nossos planos exige muita mais energia e coragem. A zona de conforto (às vezes muito desconfortável) deve ser abandonada para que a transformação ocorra.

homer simpson

Homer Simpson, eternamente na zona de conforto – este é o seu ponto de equilíbrio.

 

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Reações Espontâneas e Energia de Ativação – A Barreira Quase Intransponível Para Ser Feliz

Sabe que gostei deste negócio de misturar físico-química com comportamento humano… Hoje mostrarei que, da mesma forma que uma reação química, não basta ser espontânea para que uma transformação ocorra em nossas vidas, é necessária uma energia para iniciar o processo.

Muitas reações químicas que ocorrem à nossa volta são espontâneas, isto é, uma vez iniciadas prosseguem sem a necessidade de ajuda externa. A combustão da gasolina ou etanol é um exemplo deste tipo de reação. Se houver oxigênio, basta uma faísca para iniciá-la. Se não interferirmos, enquanto houver combustível e oxigênio, a chama não se extinguirá, porque a reação é espontânea.

Para reduzir a energia necessária para iniciar uma reação e aumentar sua velocidade muitas vezes usam-se catalisadores. Veja a figura abaixo.

Energia ativacao

Efeito do catalisador na energia de ativação de uma reação

Neste gráfico, fica claro que a reação catalisada (curva azul) ocorrerá mais facilmente do que a não-catalisada (curva vermelha).

Em nossas vidas, normalmente sabemos o que não está certo e o que deve ser mudado. Por que deixamos como está? Simplesmente, porque para que a mudança ocorra, necessitamos da “maldita” energia de ativação. Este é o motivo que justifica a permanência num emprego desmotivador, a manutenção de um casamento falido ou a dificuldade para assumir a opção sexual.

Para muitas pessoas, a energia para iniciar sua transformação é uma barreira praticamente intransponível. Medo do fracasso, de críticas dos outros, de preconceitos sociais elevam às alturas a demanda de energia de ativação.

gulliver

Gulliver preso pelas finas cordas dos pequenos habitantes de Lilliput. Na verdade, seu medo o manteve preso, não foram as cordas.

Neste momento, podem surgir catalisadores nas nossas vidas. Você está descontente com seu emprego e aparece uma proposta para um novo. Seu casamento vai de mal a pior e surge uma nova paixão. E assim por diante…

O ideal é autocatalisarmos as mudanças. Os catalisadores externos muitas vezes nos levam a armadilhas, porque as decisões são geralmente pouco refletidas. Passam-se anos sem encarar o problema, evitando até pensar nele e, graças a um estímulo externo, decide-se impulsivamente. Sempre é melhor refletir profundamente sobre os motivos das insatisfações para decidir quais serão as nossas ações para atacá-los. Geralmente os problemas, as oportunidades e as soluções já estão dentro de nós mesmos.

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As Pessoas Agem de Modo Exotérmico ou Endotérmico

Quando publiquei meu último artigo “A Primeira Lei da Termodinâmica e o Comportamento Humano”, a Claudia me provocou, via Facebook, para “escrever um sobre as pessoas exotérmicas e as endotérmicas”. Desafio aceito!

Quando você terminar a leitura, poderá classificar seus amigos e conhecidos nestas duas categorias. Por outro lado, você se lembrará de situações nas quais foi exotérmico ou endotérmico. Sei que a maioria das pessoas odeia química, mas iniciarei com a explicação sobre a diferença das reações exotérmicas e endotérmicas. Como no artigo anterior, serei mais pé no chão e direto possível. No final, além de entender um pouco mais de química, você poderá dar cantadas incríveis em uma balada como esta:

– Gata, você é muito endotérmica! E eu tenho toda energia que você precisa… 😉

OK, já sei – a piadinha foi muito nerd…

Nas reações exotérmicas, a energia dos produtos da reação será menor do que a dos reagentes. Esta energia é chamada entalpia (símbolo H) e a “sobra” (variação da entalpia ΔH) será liberada no meio, ocasionando aumento da temperatura. A combustão é um exemplo deste tipo de reação. Veja a figura abaixo.

exotermica

Reação exotérmica

Nas reações endotérmicas, ocorre exatamente o contrário. A energia dos produtos da reação será maior do que a dos reagentes. A entalpia (H) que “falta” (DH) será absorvida do meio, ocasionando redução da temperatura. A fotossíntese é um exemplo deste tipo de reação, pois utiliza a energia do sol para acontecer. Veja a figura abaixo.

endotermica

Reação endotérmica

Agora que você já sabe o que são reações exotérmicas e endotérmicas, entendeu a piadinha e teve certeza de que ela é fraca mesmo, vamos discutir as pessoas e a classificação de seus comportamentos.

Pessoas normalmente exotérmicas são aquelas que incendeiam o ambiente. Isto é péssimo, quando a harmonia do ambiente é prejudicada por esta forma de comportamento. São indivíduos que parecem amar os conflitos. Por outro lado, é ótimo, quando o ambiente é energizado por esta pessoa. São agentes da mudança que não permitem que o marasmo e o “concordismo” se perpetuem no ambiente. Algumas vezes a fronteira é tênue entre estes dois tipos de exotérmicos.

Da mesma forma do caso anterior, podem existir dois tipos de pessoas endotérmicas. O primeiro tipo é o depressivo. Ele parece existir para sofrer e roubar a energia das outras pessoas. São “vampiros”! Uma variação deste tipo são os pessimistas e os maledicentes que sempre acham que tudo está errado. A energia do ambiente é destruída por estas pessoas. Por outro lado, existem ótimos endotérmicos. São aquelas pessoas que absorvem a energia do ambiente para reduzir os conflitos. São grandes conciliadores!

Preparei a figura abaixo para resumir os quatro tipos apresentados acima.

Pessoas exotermicas endotermicas

Diagrama – Comportamentos Exotérmicos e Endotérmicos

Fica claro que ninguém deve ser 100% do tempo exotérmico ou endotérmico. O melhor sempre é agirmos conforme a situação. Poderíamos ser endotérmicos, quando houver conflitos, e exotérmicos, quando o moral do grupo estivar baixo ou se consolidar aquele pensamento único perigoso.

 

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A Primeira Lei da Termodinâmica e o Comportamento Humano

Se você não gosta ou não entende física ou química, prometo que, no final da leitura deste artigo, entenderá a Primeira Lei da Termodinâmica e seu paralelo com o comportamento humano. Serei mais pé no chão e direto possível.

A Primeira Lei da Termodinâmica diz basicamente que, ao fornecemos energia a um sistema, esta energia se converterá em trabalho ou variação da energia interna. Trabalho é movimento, expansão ou contração. Variação da energia interna pode ser medida pela temperatura. Ou seja, se adicionarmos energia a um sistema, esta energia pode se transformar em movimento e aumento de temperatura. A energia se conserva e a equação abaixo é representação desta Lei.

Q = W + ΔU

Onde Q é a energia, W é trabalho (work) e ΔU é a variação da energia interna.

Vamos usar um automóvel como exemplo. A combustão do etanol no interior do motor gera a expansão dos gases (trabalho) nos cilindros que é responsável pelo movimento do automóvel. Simultaneamente há aumento na temperatura do motor (variação da energia interna) que será absorvido pela água de arrefecimento. Esta água será, por sua vez, resfriada pelo ar que passa através do radiador do automóvel. Ou seja, a parcela da energia da combustão do etanol que aumentou a temperatura do motor foi desperdiçada. Só a parte que gerou trabalho foi útil, geralmente apenas 22% nos motores de automóveis a etanol ou gasolina. Sim, mais de 3/4 da energia do combustível são “desperdiçados”.

maq termica

Funcionamento de um motor à explosão

Os comportamentos humanos seguem uma lógica parecida. Recebemos permanentemente estímulos (energias) do ambiente externo. Seria interessante que nossa reação a estes estímulos fosse uma ação proporcional à magnitude destes estímulos. Infelizmente, muitas vezes, apenas geramos calor ou, pelo menos, geramos um calor desnecessário para a resolução de algum problema.

O ideal é, ao recebermos um estímulo, refletir antes de responder. Depois de falar ou enviar uma mensagem de forma agressiva, será necessária muito mais energia para corrigir o estrago.

Pato Donald stress

Não haja como o estressado Pato Donald.

Outra forma de apenas aumentar a “temperatura” sem gerar “trabalho” é a procrastinação. Muitas vezes, temos dificuldade para decidir sob certos graus de incerteza, mesmo sabendo que certeza absoluta, se realmente existir, é raríssima. Nestes casos, novas reuniões são marcadas ou novos estudos são requisitados. No final, muito mais energia é gasta para tomar a decisão, relacionamentos são desgastados e oportunidades perdidas. Não confunda reflexão com procrastinação!

Num mundo, onde desenvolvem-se máquinas cada vez mais eficientes que obtêm mais resultado com consumo mais baixo de energia, nós humanos também devemos buscar este tipo de eficiência. Para atingir este objetivo não precisamos agir como máquinas, devemos ser mais empáticos, menos egoístas, mais humildes, porque ninguém é dono da verdade. E, se for possível decidir, não devemos procrastinar.

 

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Índia – Meio Bilhão Atrás da Moita

Como comentei no artigo anterior, estive na feira IFAT, em Munique, no mês passado. Assisti a uma apresentação sobre um projeto de cooperação entre Índia e Alemanha na área de saneamento básico.

IFAT 2016

M. Sevala Naik, Cônsul Geral da Índia em Munique, na IFAT

Estima-se que a população atual da Índia seja 1,3 bilhões de habitantes, 17% da população humana no planeta, vivendo em 2,5% da terra, dispondo de apenas 4,0% da água fresca. Em breve, deverá ultrapassar a China e se tornar o país mais populoso do mundo. Em 2050, estima-se que sua população esteja em torno de 1,7 bilhões de habitantes, a maioria estará vivendo em cidades.

A seguir apresento dois slides que fotografei de uma das apresentações sobre a Índia.

India - slide 1

As cidades com mais de 50 mil habitantes geram diariamente 38 milhões de metros cúbicos de esgoto. Apenas uma pequena fração deste total é tratada de forma eficiente. Além dos esgotos domésticos, existe a poluição industrial causada, principalmente por farmacêuticas, têxteis e curtumes. O resultado final é a poluição de 75% das águas superficiais do país.

Por outro lado, apenas um terço das casas destas cidades está ligada a sistemas de coleta de esgoto, como pode ser visto no slide abaixo.

India - slide 2

Atualmente cerca um terço da população indiana vive em áreas urbanas. Se 12,6% das pessoas que vivem em cidades fazem suas necessidades a céu aberto, isto representa 55 milhões de pessoas. Outras 25 milhões de pessoas usam banheiros públicos, totalizando mais 80 milhões sem privadas em casa.

Na zona rural, a situação ainda é muito pior! Mais da metade dos habitantes faz suas necessidades a céu aberto, 450 milhões de pessoas. Ou seja, mais de meio bilhão de pessoas na Índia defecam na rua ou atrás de moitas. Observe a situação em outros países no mapa abaixo.

Defecating in the Open - Global

Em julho de 2014, The Economist fez uma reportagem sobre o assunto. Leia um trecho traduzido abaixo.

Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, diz que a construção de banheiros é uma prioridade sobre templos. Seu ministro das Finanças, Arun Jaitley, utilizou o orçamento deste mês para definir uma meta de acabar com a defecação a céu aberto em 2019. Isto acontecerá 150 anos após o nascimento de Mohandas Gandhi que disse que o bom saneamento era mais importante do que a independência.

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Primeiro-ministro Narendra Modi

Esta deve ser uma das maiores e mais importantes iniciativas na área do saneamento básico em toda a história da humanidade. Você consegue imaginar um político que prioriza construção de privadas ou invés de grandes obras?

A decisão do primeiro-ministro indiano segue uma lógica clara – má higiene pública leva a problemas de saúde, má nutrição e mortalidade infantil –, sem falar do grande risco de estupro para as mulheres devido à falta de um banheiro junto a suas casas. Superar este problema requer um plano abrangente, porque envolve educação e mudança de hábitos culturais, não apenas a construção de mais de cem milhões de novos banheiros pelo governo.

Termino este artigo com o mesmo pensamento que iniciei o artigo anterior. Fica escancarado como nosso mundo é desigual. Assisti a palestras na IFAT sobre a remoção de micropoluentes da água, através de processos sofisticados com o uso de carvão ativado e membranas, e a um seminário sobre a situação delicadíssima do abastecimento de água e saneamento básico na Índia.

Open defecation India

Péssimas condições sanitárias na Índia  [Fonte: The Economist]

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Por um Mundo mais Sadio e Justo – o Lixo e a Consciência

Após passar alguns dias na maior feira do mundo de tecnologia para tratamento de água, esgotos e reciclagem, a IFAT, em Munique na Alemanha, fica escancarado como nosso mundo é desigual. Assisti a palestras de como remover micropoluentes da água, através de processos sofisticados com o uso de carvão ativado e membranas, e a um seminário sobre a situação do abastecimento de água e saneamento básico na Índia.

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IFAT 2016 – painel Future Dialog

Na manhã do primeiro dia da feira, assisti a um painel muito interessante, “Um mundo sem desperdício – visão ou ilusão? ”, no qual quatro apresentadores mostraram suas visões sobre o assunto e o que estavam fazendo sobre o tema. O cientista Prof. Dr. Michael Braungart afirmou que os principais problemas já são conhecidos há 25 anos, mas muito pouco foi feito até hoje. A questão não é melhorar o que está aí, mas criar algo novo que não gere resíduos. O antimônio, por exemplo é um metal usado como catalisador no processo de fabricação de garrafas PET e pode contaminar os líquidos contidos por elas. Outro exemplo é a série de metais pesados utilizados em equipamentos eletrônicos que não são reciclados e poluem o meio ambiente.

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Michael Braungart

O representante de Gana no painel, o jornalista e ambientalista Michael Anane, denunciou que mensalmente quinhentos containers são enviados para seu país por nações desenvolvidas com equipamentos eletrônicos obsoletos, boa parte deste material sem nenhuma condição de uso ou conserto. Nestes casos, fios são queimados ao ar livre, para recuperar o cobre que, posteriormente, será enviado para a Europa. Todo o material que sobra é lançado em um lixão, onde metais extremamente tóxicos, como mercúrio e cádmio, contaminam o solo. Se achou esta transferência de lixo tóxico estranha, você está certo! A Convenção de Basel (Basileia, em português) proíbe estas movimentações de resíduos perigosos e sua disposição final em outros países.

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Michael Anane

Se por um lado, os países desenvolvidos discutem os princípios da “economia circular”, onde resíduos não são gerados ou são aproveitados nos próximos elos da cadeia produtiva, por outro lado, os olhos são tapados para que lixo tóxico seja jogado “embaixo do tapete” dos países pobres.

Existem uma série de iniciativas elogiáveis como o “Plastic Bank” criado pelo canadense David Katz, um dos apresentadores do painel. O “Plastic Bank” cria centros de processamento de resíduos de plástico em áreas muito pobres que têm uma quantidade elevada deste tipo de resíduo. O objetivo do “Plastic Bank” é liderar o movimento em direção a uma demanda mundial para o uso deste “Social Plastic” em produtos de uso diário. Quanto maior for a demanda, maior será o impacto social para ajudar os pobres do mundo. Segundo Katz, grande parte do plástico nos oceanos do mundo é originária dos países em desenvolvimento. Deste modo, o “Plastic Bank” criou um sistema para evitar o desperdício de plástico lançado em oceanos, rios e cursos de água, tornando-o muito valioso para ser simplesmente jogado fora.

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David Katz

Para se ter ideia do tamanho deste problema, copiei o parágrafo abaixo do site da ONG Instituto Akatu (www.akatu.org.br).

Por ano, 250 milhões de toneladas de plástico produzidas e cerca de 35% desse montante são usados apenas uma vez, por apenas 20 minutos. Após o uso, em torno 10% do material descartado tem como destino o mar, revelou um estudo da Race for Water, fundação suíça dedicada à preservação da água.

A jornalista alemã independente Hanna Gersmann, quarta apresentadora do painel, defendeu a existência de um ambiente legal que favoreça os processos sustentáveis através, por exemplo, da taxação de processos muito intensivos em recursos. Os plásticos e papéis oriundos de reciclagem, por exemplo, deveriam ser menos tributados do que os produtos obtidos, respectivamente, a partir do petróleo e da madeira.

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Hanna Gersmann

No Brasil, a gasolina é mais pesadamente tributada do que etanol. Deste modo, aumenta a viabilidade econômica das pessoas abastecerem seus automóveis com um combustível renovável do que com o combustível fóssil, reduzindo a emissão de gás carbônico (principal gás do efeito estufa) por quilômetro rodado.

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Tributação dos combustíveis no Brasil

Michael Braungart, juntamente com o designer William McDonough, criou uma abordagem para o projeto de produtos ou sistemas chamada “Cradle to Cradle”. O nome é uma oposição à expressão do inglês “cradle to grave”, berço ao túmulo. Assim a ideia é um ciclo contínuo interminável, sustentável, baseado em cinco princípios:

  1. Saúde ligada ao material – ausência de compostos tóxicos, como metais pesados ou produtos químicos cancerígenos, para a saúde das pessoas e do meio ambiente. Neste item, também está incluída a origem das matérias primas, por exemplo, a origem da madeira – floresta nativa ou reflorestamento.
  2. Reutilização do material – todo o material deve ser recuperado ou reciclado após o final da sua vida útil.
  3. Energias renováveis – em todas as etapas do processo devem ser empregadas majoritariamente energias renováveis.
  4. Água limpa – o consumo de água deve ser minimizado e a água empregada deve ser reutilizada no próprio processo, reciclada ou, se não houver outra alternativa, tratada e devolvida ao meio ambiente com qualidade aceitável.
  5. Responsabilidade social – o impacto do produto ou sistema sobre a comunidade deve ser positivo.

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Tem um ponto que deve ser atacado em paralelo com o redesenho de processos produtivos – o consumismo crescente no mundo. Você acha racional trocar de celular anualmente? Apple e Samsung trazem todo ano novos modelos de seus carros chefe, iPhone e Galaxy. Qualquer destes aparelhos multifuncionais de dois ou três anos atrás já possui mais utilidades do que a esmagadora maioria dos mortais jamais imaginou. Podemos, além de fazer ligações telefônicas, trocar mensagens eletrônicas instantâneas (inclusive de áudio e vídeo), tirar fotografias em alta resolução e imediatamente compartilhá-las através de e-mails ou nas redes sociais, usar navegadores (Waze e Google Maps) que nos ajudam a chegar a qualquer lugar, fazer transações bancárias, ouvir música, ver vídeos, ler e escrever textos, tomar conhecimento sobre as últimas notícias, passar o tempo com jogos. Tudo isto está na palma de nossas mãos, precisando apenas de uma conexão sem fio com a Internet, mas muita gente se sente obrigada a comprar o modelo recém lançado e o “antigo” vai para a gaveta. Nos últimos modelos, até mesmo a remoção das baterias de lítio é complexa com a necessidade de ferramentas especiais.

O consumo de produtos descartáveis é outro ponto a ser atacado. Se mais de um terço de todo o plástico produzido no mundo, 90 milhões de toneladas, é descartado logo após o uso, devemos também repensar nosso estilo de vida. Estes plásticos são sacos e filmes que envolvem alimentos e produtos em geral, copos, pratos, garrafas, canudos e talheres. O destino final deste recurso transformado em lixo, pode ser o estômago de peixes, aves marinhas e tartarugas. Não seria melhor voltar aos velhos tempos e usar utensílios de vidro ou aço e embalagens de papel? Assista ao vídeo abaixo.

Resumindo, nosso planeta tem recursos e capacidade de regeneração finitos. Não adianta estimular o consumo, se não existe boas soluções para aproveitar o produto após sua vida útil. Não adianta também se livrar do problema, enviando resíduos para países pobres. A solução deve ser holística e sustentável – ambientalmente, socialmente e economicamente. Os nossos hábitos e valores devem seguir esta condição, porque, ao comprar um produto, deveríamos pagar todos os custos ambientais e sociais que este produto carrega desde sua produção até seu destino final após a vida útil. Nosso consumo deve ser consciente!

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O que Fazer Quando o Prozac Político Acabar?

A Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff em 17 de abril. Provavelmente nesta quarta-feira, o Senado confirmará o julgamento de Dilma que será automaticamente afastada do cargo e o vice-presidente Michel Temer assumirá a presidência.

Temo (não é trocadilho com Temer) que, neste momento, poderá acabar o efeito do “Prozac político” ingerido por boa parte da população e tudo volte para aquele marasmo que estamos acostumados.

Hoje está cada vez mais claro que o país precisa de reformas em várias áreas – política, tributária e previdenciária. Não podemos mais conviver com um sistema político que se alimenta do fisiologismo e da corrupção, onde velhas raposas se perpetuam no Congresso e nas Assembleias Legislativas estaduais e, quando finalmente aposentam-se, são substituídas por parentes. Na atual legislatura da Câmara, metade dos deputados é oriunda de dinastias políticas e apenas 15% dos deputados eleitos com até 35 anos de idade não receberam o impulso de um sobrenome político. Se quiser saber mais detalhes, leia a reportagem completa da Agência Pública (jornalismo investigativo independente), clicando no link abaixo.

http://apublica.org/2016/02/truco-as-dinastias-da-camara/

No site brasileiro do jornal El País, também é apresentada outra distorção marcante do nosso sistema político, apenas 36 deputados de um total de 513 receberam votos suficientes para se eleger sem ajuda dos demais candidatos do partido. Tiririca, por exemplo, recebeu votos suficientes para eleger, além dele, mais cinco candidatos. Deste modo, estamos votando em um candidato, mas, na verdade, podemos ajudar a eleger outro que não gostamos ou, pelo menos, não conhecemos. O link abaixo apresenta a reportagem completa do El País.

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/19/politica/1461023531_819960.html

Temos um grande problema, porque se o sistema político atual favorece a esmagadora maioria dos políticos eleitos espalhados pelo Brasil, de onde surgirá a motivação para alterá-lo?

O Procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato deu uma esclarecedora entrevista para o site brasileiro da BBC no dia 15 de abril. Dallagnol afirmou:

A única proteção que nós temos é a sociedade, eu não tenho dúvida que, de modo ostensivo ou de modo sorrateiro, diversas pessoas com poder econômico e político tentarão derrubar a Lava Jato. Somos alvo daqueles que são investigados, e o número de investigados cresce a cada dia.

Eu temo com certeza esse tipo de mudança. Porque ainda que exista alguma mudança na chefia do poder Executivo – e cumpre lembrar que o Ministério Público é neutro em relação a qualquer coisa relacionada ao impeachment, porque somos um órgão independente do governo – mude ou não o governo, nós continuaremos tendo muitos inimigos no poder, porque grande parte das pessoas que estão no Congresso e que potencialmente venham a assumir inclusive o poder Executivo são investigadas pela Lava Jato.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160413_entrevista_dallagnol_rm

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Deltan Dallagnol (Fonte Reuters)

 

Num país sem memória, temos a impressão que sempre estamos vivendo o pior momento da nossa história. Agora o PT representa um processo de corrupção inédito, “nunca antes visto na história do Brasil”…

Este vídeo tem o depoimento do jornalista Fernando Rodrigues (ex-Folha de São Paulo) para o documentário “O Mercado de Notícias” de Jorge Furtado. Vale a pena assistir a todo o depoimento. Se você tiver apenas 15 minutos, veja a parte “Imprensa x Governo” (a partir de 35:50) e tire suas próprias conclusões.

As semelhanças entre a compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição de FHC e o Mensalão de Lula são evidentes.

E este grampo do FHC? Sem dúvida, um presidente não deveria pressionar o fundo de pensão de uma estatal, como o Previ do Banco do Brasil, para entrar em uma concorrência com um banco privado e uma multinacional italiana para privatização da Telebrás. Se quiser mais detalhes, incluindo a conversa comprometedora entre o presidente FHC e o economista André Lara Resende, clique no link abaixo.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/pre_sp_3.htm

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FHC teve uma conversa com André Lara Resende grampeada

Por incrível que pareça, nada foi investigado naquela época, porque o então Procurador Geral da República, Geraldo Brindeiro, não encontrou indícios suficientes para investigar estes casos. FHC escolheu Brindeiro em 1995 e o conduziu mais três vezes ao cargo. Ou seja, Brindeiro foi o Procurador Geral da República durante os dois mandatos de FHC. Ele foi apelidado de “Engavetador Geral da República” depois de aceitar apenas 60 denúncias de 626 inquéritos criminais que recebeu em oito anos de trabalho. Mais de duas centenas de inquéritos foram simplesmente engavetadas! Em sua última recondução, em 2001, Brindeiro foi apenas o sétimo mais votado pelos demais procuradores da República, recebendo 67 votos. Ou seja, apesar de não fazer parte da lista tríplice, ele foi o escolhido por FHC. Lula e Dilma, por outro lado, sempre conduziram o primeiro nome da lista tríplice, incluindo Roberto Gurgel (peça-chave no avanço do processo do Mensalão) e Rodrigo Janot (fundamental nas investigações de réus com foro privilegiado na Lava Jato).

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Geraldo Brindeiro (Fonte: O Globo)

Poderia contar outras histórias, como as denúncias de Paulo Francis sobre corrupção na Petrobrás durante o governo FHC, mas acredito que já é suficiente para demonstrar que a corrupção brasileira não é filha de um partido. O sistema político do país estimula a corrupção. Como cidadãos, devemos exigir que as apurações dos malfeitos de nossas autoridades sejam aprofundadas e os seus responsáveis punidos.

Minha esperança é que, após o impeachment de Dilma, a população não se acomode e aceite um “acordão” para restringir a Lava Jato com a justificativa que o país não pode ficar paralisado por mais tempo devido a estas investigações. Se perdermos agora a oportunidade de melhorar nossas práticas políticas, sabe-se lá quando teremos uma nova chance…

 

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Muito Triste, meu Brasil…

Assistimos a um conflito insano entre os partidários do impeachment da presidente Dilma Rousseff e aqueles que defendem seu mandato. Muitas amizades já foram abaladas devido a agressões verbais mútuas nas redes sociais. A frase do poeta brasileiro Iacyr Anderson Freitas resume bem os tempos atuais.

O Brasil encontra-se dividido entre as pessoas que pensam como nós (os bons, inteligentes e honestos) e as que pensam diferente de nós (os maus, burros e corruptos).

O espaço para uma boa e desarmada troca de ideias foi praticamente exterminado. Um lado grita “fora PT”, enquanto o outro responde “não vai ter golpe”. Neste ambiente, Eduardo Cunha é tolerado pelos partidários do impeachment, porque, além de inviabilizar o governo com suas manobras na Câmara, está acelerando o processo de cassação do mandato da presidente. Por outro lado, para se manter no poder, o PT transformou o governo em um balcão de negócios, onde cargos são trocados por votos contra o impeachment. O Partido Progressista (PP) é peça chave nesta estratégia, apesar de possuir 32 dos 51 políticos investigados pela Lava Jato, sendo que sete já foram denunciados ao STF. Os dois lados agem como aquele torcedor que vibra com erros de arbitragem a seu favor.

Neste maniqueísmo ingênuo só existem duas opções a favor ou contra o governo. Cada lado também já elegeu seu herói. O juiz Sérgio Moro é o super-homem do lado “anti-PT” e Lula é o ídolo do lado “anti-golpe”. Esta postura infantil de achar que só existe dois lados e seu lado é o certo impede qualquer diálogo.

Sergio Moro_boneco super-heroi

Boneco do juiz Sérgio Moro

O preocupante é ver que este governo não conseguiu avançar para resolver os problemas da economia nos últimos quinze meses. Caso consiga evitar que um terço dos deputados federais votem a favor do impeachment, Dilma permanecerá na presidência, mas não terá maioria na Câmara. Ou seja, não conseguirá governar e, depois deste processo de impeachment, devem vir outros, como o protocolado recentemente pela OAB. E a vida (ou sobrevida) deste governo não será administrar o país e sim salvar a própria pele. Ou seja, corremos o risco de ver a administração federal paralisada ainda por um bom tempo.

Então devemos apoiar a remoção da Dilma? Afinal ela demonstrou incompetência ao nos colocar nesta crise e não tem força para nos tirar. Além disto, seu partido está envolvido até os ossos em inúmeros casos de corrupção. Sem falar que sua campanha de reeleição foi baseada em mentiras. Não sou jurista, mas tirar um presidente devido a “pedaladas fiscais” não parece adequado à democracia. Se não for revelado envolvimento da presidente nos malfeitos da Lava Jato, não haveria razão clara para impeachment.

Avaliação presidente Dilma

Lembro-me dos pedidos de impeachment contra o então presidente Itamar Franco, porque ficou de mãos dadas com Lilian Ramos, que estava sem calcinha, no carnaval de 1994. Itamar era o vice de Fernando Collor que sofreu impeachment no final de 1992.

Itamar Franco_Lilian Ramos

Itamar Franco e Lilian Ramos no carnaval do Rio em 1994 (se quiser fotos mais picantes, procure na Internet)

Quando se iniciaram as discussões para remover Itamar da presidência, a inflação brasileira estava acima de 40% ao mês. Ou seja, o problema não era a fata de decoro de Itamar, era a desaprovação da população. Se tivéssemos um mecanismo de recall para retirar o mandato de políticos fortemente rejeitados pela população, seria diferente. Este sistema já é adotado em países como Alemanha, Suíça, Venezuela e em alguns estados dos Estados Unidos. Não se deve banalizar o impeachment! Se o Plano Real não estivesse no período final de gestação, talvez Itamar Franco tivesse sido removido da presidência. Depois da criação do Real em junho de 1994, a inflação caiu para menos de 10% ao mês, a tensão diminuiu e o impeachment devido à genitália desnuda de Lilian Ramos foi arquivado.

Avaliação presidente Itamar Franco

O caso de Dilma é semelhante. Se a economia estivesse ”bombando”, os pedidos de impeachment não seriam considerados.

Se o problema é a corrupção, então não faz sentido tirar Dilma e colocar Michel Temer. Em 2009, a Operação Castelo de Areia da Polícia Federal investigou a lavagem de dinheiro do Grupo Camargo Correa. Temer foi citado “apenas” 21 vezes e foi salvo, porque as provas foram anuladas.

Michel-Temer

Michel Temer

Vamos agora considerar que o governo não consiga comprar o apoio necessário para evitar que o plenário da Câmara aprove o impeachment. Temer já assume a presidência, enquanto o processo segue no Senado. Se o impeachment for confirmado, corre-se o risco de um grande acordo que gere um fluxo de boas notícias e o arrefecimento dos protestos nas ruas do país. Assim pode ser perdida a grande oportunidade de discutir as relações entre o público e o privado, servindo de base para a reforma de todo nosso sistema político. Teremos clima para isto depois do impeachment de Dilma?

Quem me chamar de petista pode estar certo que considero Dilma Rousseff uma das piores presidentes da história do país. Preferiria que a chapa Dilma-Temer fosse cassada pelo TSE, ou renunciasse num lampejo de desprendimento, e novas eleições presidenciais fossem realizadas. Então dirão que estou em cima do muro? Na verdade, estou bem acima do alto muro que divide petralhas dos coxinhas.

Perdemos a oportunidade em 2013 de pressionar os congressistas para fazerem uma reforma política ampla. No final, Eduardo Cunha (logo quem) liderou uma reforma remendo que de bom só trouxe o fim da reeleição para cargos do Executivo. Se não reformarmos nosso sistema político, daqui a pouco estaremos novamente divididos em dois lados na defesa cega de uma posição ou outra.

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Eduardo Cunha sob uma chuva de dólares falsos em um protesto na Câmara

Vejo pessoas emocionalmente tão afetadas que suas vidas passaram a girar apenas em torno desta crise política do país. Parecem que se tornaram verdadeiras caixas de ódio. Eu olho ao redor e só sinto tristeza…

 

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O namorado novo tem filhos? E agora?

Há pouco tempo uma amiga me procurou cheia de dúvidas no relacionamento, porque o namorado tem um filho e deixa ela de lado nos finais de semana que está com o garoto, não deixando ela fazer parte dos programas e passeios. Como ela ficava cada vez mais paranoica com o que lia na internet, resolvi falar sobre isto.

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Passei por uma situação parecida, por isto ela logo pensou em mim. Quando comecei a namorar meu marido, ele estava se divorciando do primeiro casamento (isto já não é um bom sinal, mas se você não puder evitar, continue lendo…). Ele tinha um filho pequeno de 6 anos. Inicialmente eu não o via nos finais de semana que ele estava com a criança e não entendia bem isto. Para mim a criança tinha que “entender” o pai, perceber que estava tudo melhor sem brigas em casa, etc. Claro que não é assim. Não podemos exigir maturidade de uma criança.

Hoje, com filhos, consigo entender bem melhor. A cabecinha das crianças funciona bem diferente. Algumas até se culpam pelo divórcio.

Bem, cada caso é um caso… Vale então observar algumas coisas:

– O namoro é recente?

Ele está certo em não incluir você nos passeios. Melhor proteger a criança. Imagina se a cada nova namorada, que pode sumir em 2 semanas, ele apresenta para a criança? Péssimo exemplo… Então ele está sendo um bom pai, este cara é bom! Filhos são mais importantes, sempre. Você pensará assim depois de ter os seus.

Não insista, só deixe claro que, quando ele se sentir pronto, você topa e fica feliz com a ideia. Isto mostra o quanto você se importa com eles.

– Já estão juntos a bastante tempo (8 meses pelo menos)?

Tudo tem um limite… Se vocês já estão juntos a tanto tempo e ele te esconde, inclusive da família, larga o osso e procura algo melhor. Desapega!! Impossível ser tão lerdo, ele não te ama.

Quando chegar o momento:

– A criança é pequena (menor de 4)?

Este é um bom motivo para a demora ser maior… Elas se apegam mais facilmente. Se o namoro acaba, é sempre uma perda para a criança, então é bom ter certeza de que o namoro é sério.

Costuma ser mais tranquilo nesta idade. A criança se adapta mais fácil às novas situações. Claro que depende muito dos pais. Se a preocupação deles for o bem estar dos filhos, farão de tudo para que a criança se sinta bem e se adapte à nova realidade.

Seja alegre e carinhosa. Os pequenos precisam de carinho sempre. Só tome cuidado para ser sempre uma nova amiga e não outra mãe. Mãe é a ex, ela que ficou madrugada acordada cuidando, que amou desde que o bebê estava na barriga. Seja legal, só isto. Agora, se ele for viúvo, aí sim você pode ser o exemplo feminino que está faltando na criação da criança. Permita-se amar.

– A criança é maiorzinha (de 4 a 10)?

Costuma ser a fase mais difícil. Onde não há ainda a maturidade para entender que os pais não são “um só”, nem exclusividade deles, que têm individualidade e que a família pode não estar tão saudável quanto deveria. Muitos acostumam-se com as brigas e ainda levam este exemplo para a vida toda. Ainda assim, se os pais forem conscientes, na hora que se divorciam, fazem de tudo para que a criança não se sinta culpada. Quer coisa pior que um ficar colocando o filho contra o ex ou a ex? Acredite, acontece muito. Haja terapia…

Se o relacionamento vai muito bem obrigado e ele quer que vocês se conheçam, tome alguns cuidados. Tenha consciência que você não é a mãe, mesmo que tenha o instinto materno gigante… Não faça competição.

– A criança já é um pré-adolescente?

Esta fase é dúbia. Por um lado, poderia ser mais fácil por já serem mais individuais e crescidos. Se tiveram um bom relacionamento com os pais, se sempre foram tratados com respeito, conversaram sobre suas dúvidas, tendem a compreender e por mais que doa a separação (sempre dói, até para quem está infeliz no casamento) irão se esforçar para ajudar os pais. Porém, se estiverem naquela fase “os outros são egoístas, me detestam, só me fazem sofrer”, aí é punk… Boas chances de ser um inferno pra todo mundo. Você terá que conquistar a confiança e isto é muito difícil. Nem tente comprar com presentes! Eles percebem a manipulação e aí nunca sentirão confiança.

Eu cometi alguns erros. Um deles foi me manter afastada da criança, numa distância “segura”. Sempre mantive a cordialidade, mas na minha cabeça, se eu me aproximasse mais (ou fosse carinhosa), poderia passar a imagem de estar tentando tomar o lugar da mãe, e isto eu não queria. Não queria nem que ele gostasse de mim, pois se sentiria traindo a mãe e ele sofreria. Não queria que ele tivesse que lidar com mais isto… Já lidava com bronca demais. Mas hoje tenho dúvidas se agi certo ou não. Afinal, crianças querem se sentir amadas.

Bom, este texto foi baseado em experiências próprias e de amigas. Não são regras e nem foram baseadas em artigos de psicologia. Se quiser compartilhar sua experiência ou dúvidas, deixe um recado. A gente se ajuda… 😉

Mais uma coisinha, se ele já te apresentou para os filhos, para a família e você participa de alguns eventos, ótimo! Porém, é importante entender que momentos 100% só com os filhos é essencial, assim como você quer momentos 100% só com ele.

dia do livro DIA DOS PAIS

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David Bowie Vive entre as Estrelas

Acordei na segunda-feira com a notícia da morte do artista inglês David Bowie. No final de semana, ouvi seu novo disco, “Blackstar” lançado no dia de seu aniversário na última sexta-feira. Vi e revi os clipes de três músicas – Blackstar, Lazarus e Sue. Li as letras das músicas. Prestei atenção no som dos instrumentos. Mostrei o clipe de Sue e um antigo de Space Oddity, onde Bowie canta a música como seu personagem Ziggy Stardust, para minha filha Júlia. Na tarde do domingo, estava impressionado com o trabalho de Bowie e escrevi na minha página do Facebook:

David Bowie Ziggy Stardust

David Bowie comemorou seu aniversário de 69 anos com o lançamento do seu novo álbum “Blackstar”. O que mais me impressionou foi Bowie ter realizado um trabalho totalmente diferente dos anteriores da sua longa e exitosa carreira. Ouvi todas as sete músicas impregnadas de jazz com lindos solos de saxofone.

O clipe da música título do álbum, além de impactante, nos traz aquela sensação que a pior escolha de nossas vidas é seguir cegamente algum profeta. Não esqueça que os falsos profetas estão por toda parte, não apenas na religião…

Este gênio me traz a inspiração de que nunca é tarde para recomeçar ou tentar algo novo.

Vida longa para este “ET” incrível, Major Tom, David Bowie!

Redescobri Bowie há quase três anos com o lançamento de seu álbum “The Next Day”. Fazia dez anos que ele não gravava um álbum com músicas inéditas. Confesso que comecei a ouvir as músicas com baixa expectativa, porque muitos artistas, nestes retornos, criam obras muito abaixo de seus melhores trabalhos. Cada música que eu ouvia, eu gostava mais e mais. “The Next Day” é um grande disco de rock! Ouvi algumas vezes o disco e depois comecei a ouvir novamente as músicas conhecidas das décadas de 70 e 80. Quando fiquei sabendo do lançamento de “Blackstar”, passei a contar os dias. Enfim o grande dia chegou, e seu último trabalho, como eu registrei na minha página do Facebook, é impressionante.

Meu abatimento com a morte de Bowie talvez seja alimentado pela certeza de que ele não vai se reinventar novamente. Não verei algo tão original como este último trabalho ou outros anteriores da sua carreira.

Minha tristeza também pode ser alimentada por relembrar que o tempo é implacável e, mais cedo ou mais tarde, as pessoas que gostamos ou admiramos ficarão distantes de nós ou desaparecerão.

O jovem David Bowie, em 1971, aos 24 anos de idade, compôs “Changes”. No final da música ele faz o seguinte alerta aos roqueiros:

Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strain)
Ch-ch-Changes
Oh, look out you rock ‘n rollers
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strain)
Ch-ch-Changes
Pretty soon you’re gonna get a little older
Time may change me
But I can’t trace time
I said that time may change me
But I can’t trace time

Minha dor é saber que este alerta não vale apenas para os roqueiros…

Prefiro pensar David Bowie voltou a encarnar o Major Tom de “Space Oddity” e está cruzando o espaço em busca de inspiração para criar novos personagens e novas músicas geniais.

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Os números de 2015 by WordPress

 

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House, tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto 26.000 vezes em 2015. Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 10 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Os números de 2014 by WordPress

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 20.600 vezes em 2014. Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 7 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Segredinho no preparo da Proteína Texturizada de Soja

A proteína texturizada de soja tem oligossacarídeos que dão aquele sabor caraterístico de soja (amarguinho) que ninguém gosta e que gera gases. Para tirar esta parte que não nos interessa, deixe de molho meia hora ou mais, na água morna com de vinagre de arroz ou limão.

Por exemplo:
– 1 xícara de proteína miúda + 2 colheres de vinagre e cubra com água morna.

Depois é só enxaguar e torcer bem. Agora você pode usar no lugar da carne animal.

Gosto de temperar com alho desidratado, cebola e shoyo para fazer, por exemplo, pasteizinhos, macarronada…

proteina

 

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Os números de 2013 by WordPress

Os macacos ajudantes de estatística do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2013 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Sydney Opera House tem capacidade para 2.700 pessoas. Este blog foi visto 24.400 vezes em 2013. Se fosse um concerto na Sydney Opera House, haveria cerca de 9 apresentações totalmente vendidas para muita gente assistir.

Clique aqui para ver o relatório completo.

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Turbulência

Neil Young canta o refrão
Driftin’ Back
No meio da turbulência do voo
O Malbec argentino dança um tango na taça.

Se um dia meu corpo não voltar para ti,
Há de existir algo mais sublime…
A vida não pode ser só física!
O fim não pode ser apenas as profundezas do Atlântico…

Se houver algo após meu último suspiro,
Não ficarei decepcionado.
Sonho te reencontrar no Paraíso.

Seria tão bonito quanto o jardim de Monet em Giverny,
Só sem os turistas…
Mas esta ainda não é a hora!

taça de vinho

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As Lições de Alex Ferguson

No mês de agosto, começa um dos principais campeonatos nacionais de futebol da Europa, a Premier League inglesa. Uma das maiores novidades do início desta nova temporada é uma ausência. Alex Ferguson, após quase 27 anos como treinador do Manchester United, se aposentou e não estará no banco de reservas dos Red Devils.

Alex Ferguson

Alex Ferguson

Os números de Ferguson no Manchester são impressionantes. Foram 1.500 jogos, com 895 vitórias, 13 títulos da Premier League, 5 Copas da Inglaterra, 4 Copas da Liga Inglesa, duas Champions League, uma Copa Intercontinental e uma Copa do Mundo Interclubes.

Muitas histórias já foram contadas sobre o ex-treinador do Manchester United. Uma das mais “interessantes” é sobre o controle da disciplina e respeito no grupo de jogadores, aspecto que Ferguson considerava fundamental. Ele acreditava que não havia espaço para broncas durante os treinamentos, mas no vestiário era diferente. O atacante galês Mark Hughes, o “Sparky”, que foi comandado pelo treinador entre 1988 e 1995, criou a expressão “tratamento do secador de cabelo” (hairdryer treatment) para as temíveis brocas com altos decibéis proferidas pelo seu chefe no Manchester United. Ferguson ficava cara a cara com seu jogador e gritava, seu comandado acabava com o cabelo atrás da cabeça (como se usasse um secador de cabelo).

Mark Hughes, o "Sparky"

Mark Hughes, o “Sparky”

Sobre seus métodos de disciplina Ferguson comenta:

Você não pode sempre vir e gritar e gritar. Isso não funciona. Ninguém gosta de ser criticado. Mas, no vestiário, é necessário que você aponte os erros de seus jogadores. Faço logo após o jogo para não esperar até segunda-feira, eu faço isso, e está acabado. Estou pronto para a próxima partida. Não há nenhuma vantagem em criticar sempre um jogador.

Mesmo assim ele admitiu que passava do ponto:

Eu era muito agressivo naqueles tempos, eu sou apaixonado e quero ganhar o tempo todo, mas hoje estou mais amadurecido… A idade faz isso com você e agora eu posso lidar melhor com os jogadores mais frágeis.

Anita Elberse, professora de Administração de Negócios na unidade de Marketing da Harvard Business School fez um interessante trabalho com Alex Ferguson e, no ano passado, deu uma entrevista sobre o sucesso de longo prazo do ex-treinador. Em sua opinião, este sucesso está centrado na sua vontade de desenvolver jovens talentos. Ferguson fala sobre a diferença entre “construir uma equipe e construir um clube.” Quando ele começou no Manchester United, imediatamente começou a reestruturar as categorias de base do clube. Ele também as tornou mais visíveis no clube, por exemplo, garantindo que os jogadores da base aquecessem ao lado de jogadores profissionais diariamente a fim de promover uma atitude de “um único clube”. E, mesmo no início, apesar das opiniões de muitos observadores para ser mais conservador (um comentarista de televisão respeitado disse naquela época que “não se pode ganhar nada com crianças”), ele deu aos jovens jogadores uma chance de ganhar um lugar no time principal. Muitos dos jogadores que ele desenvolveu – Ryan Giggs, David Beckham, Gary Neville, Paul Scholes – se tornaram verdadeiros destaques em sua geração, proporcionando ao clube uma base sólida.

Ryan Giggs (acima à esq.), David Beckham (acima à dir.), Gary Neville (abaixo à esq.), Paul Scholes (abaixo à dir.)

Ryan Giggs (acima à esq.), David Beckham (acima à dir.), Gary Neville (abaixo à esq.), Paul Scholes (abaixo à dir.)

A boa gestão deste processo durante um longo período, inevitavelmente, envolve cortar os jogadores mais velhos que já não podem dar uma boa resposta para a equipe, o que pode ser desgastante emocionalmente. Segundo Ferguson, “a coisa mais difícil de fazer é permitir a saída um jogador que foi um grande cara”.

Muitos outros fatores também contribuíram para o seu sucesso. Um fator particularmente impressionante foi a sua capacidade de se adaptar aos novos tempos. O mundo do futebol hoje em dia não se parece em nada com o que encontrou Ferguson quando começou como treinador no Manchester United há 27 anos. Ele adotou novas tecnologias e novas abordagens, como a contratação de cientistas do esporte na sua equipe, buscando novas formas de medir e melhorar o desempenho dos jogadores. Isso parece simples, mas se você tem sido tão bem sucedido quanto ele foi, é muito fácil ficar preso nos seus próprios caminhos.

Como muitos treinadores, Ferguson devia gerenciar para o curto prazo (durante uma partida e de jogo para jogo), médio prazo (na temporada), e longo prazo (ao longo dos anos). Estes requisitos também deveriam ser equilibrados por executivos de outras áreas, porque há uma troca constante entre a gestão do curto e longo prazo. Alex Ferguson considerou que, dentro da temporada, o truque é pensar no futuro, assumindo riscos calculados:

Eu poderia descansar jogadores chave para um jogo menos importante, mas há um elemento de risco em fazer isso, e o tiro pode sair pela culatra, mas você tem que aceitá-lo. Você tem que confiar no seu plantel.

Quando se trata de gerenciar para o sucesso em diferentes temporadas, a importância de apostar na juventude, como já foi apresentado, é crítica. Há um grande comentário de Ferguson sobre esta questão:

O primeiro pensamento para 99% dos treinadores recém-nomeados é ter certeza de que ganharão logo para sobreviver. Eles trazem jogadores experientes, muitas vezes de seus clubes anteriores. Mas eu acho que é importante construir uma estrutura para o clube de futebol, e não apenas um time de futebol. Você precisa de um alicerce. E não há nada melhor do que ver um jovem jogador atuando para sua primeira equipe.

As lições de Alex Ferguson, especialmente, em relação à importância dos objetivos de longo prazo e do apoio aos jovens talentos não valem apenas para treinadores de futebol. Muitos executivos de empresas também olham apenas o curto prazo, não apostam nos jovens, levam amigos e ex-colegas para trabalhar com eles nos novos empregos. Agindo desta forma, tanto os treinadores, quanto os executivos acreditam que garantirão o resultado do ano, ganharão suas gratificações e permanecerão nos seus cargos. Será que os clubes e as empresas terão resultados sustentáveis administrados por este tipo de treinadores e executivos?

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Os números de 2012 by WordPress

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

4.329 filmes foram submetidos ao Festival de Cinema de Cannes 2012. Este blog teve 24,000 visitas em 2012. Se cada visualização fosse um filme, este blog teria alimentado seis Festivais de Cinema.

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A Maior Emoção da Minha Vida

A Claudia estava no quinto ou sexto mês da gravidez, quando tomou uma decisão para mim surpreendente. Ela havia optado por ter a Luiza através de um parto normal humanizado. Sempre achei que cesárea era melhor para a mãe e para o bebê. Afinal escolhe-se a data, horário, hospital, médico, anestesista e pediatra. Na hora marcada, o casal chega no hospital e pronto… Para quebrar minha resistência, ela me “recomendou” a leitura do livro editado pela UNESP “Parto Normal ou Cesárea?” Após ler o livro, aceitei a escolha da Claudia.

Parto Normal ou Cesárea - UNESP

Depois fizemos um curso em um final de semana sobre parto natural, onde eram apresentados vários aspectos como as fases do parto, as posições, necessidade e tipos de anestesia, as situações nas quais as cesárias são indicadas. No final da tarde, assistimos ao curta-metragem “Sagrado” do Dr. Paulo Batistuta, onde os partos humanizados de duas mulheres em um hospital são apresentados de forma crua. Muita gente ficou chocada!

A próxima etapa foi montar a equipe: médica obstetra, pediatra e obstetriz (facilitadora do parto, também conhecida como parteira), visitar o Hospital São Luiz que tem duas salas para este tipo de parto e acertar a parte burocrática com o plano de saúde. Tudo certo!

No início da manhã da quinta-feira passada, eu estava no banheiro quando a Claudia entrou e disse que a bolsa tinha rompido. Duas horas depois começaram as contrações. O grande momento enfim estava chegando…

Minha família (meu filho, minha mãe, tia e irmão) havia chegado do Rio Grande do Sul na semana anterior para passar o Natal conosco e conhecer o seu mais novo membro. Por ironia do destino, o voo estava marcado para a tarde deste dia. Ou seja, não puderam ver pessoalmente a Luiza.

Até o meio-dia não houve muita evolução. No início da tarde, as contrações aumentaram em frequência, duração e intensidade. A obstetriz passou no nosso apartamento para avaliar a situação. Após o exame, concluiu que o colo do útero já estava mais macio, mas quase não havia dilatação e poderia demorar até dois dias para o parto. Ela foi embora para atender a outros compromissos, mas a partir desta hora o jogo mudou: o tampão caiu, havia uma contração a cada dois ou três minutos com duração de 40 a 50 segundos. A Claudia começou a sofrer e não tinha tempo suficiente para descansar entre as contrações, nem conseguia se alimentar. Tentou uma ducha de água morna, mas nada mudou. Resolveu então enviar uma mensagem para a obstetriz e eu liguei depois para o celular dela, pedindo para ela reavaliar a Claudia no final da tarde.

Ela chegou, fez o exame e ficou surpresa com a evolução do processo durante pouco mais de três horas, já estava com 5 ou 6 centímetros de dilatação. Chegou a hora de ir para a maternidade. Pegamos as malas, documentos e a mochila com o notebook, máquina fotográfica e filmadora. A Claudia já saiu de casa com vontade de fazer força para expulsar o nenê. Decidimos ir para a maternidade no automóvel da obstetriz que dirigiu loucamente pelas ruas de São Paulo. Enquanto dirigia, telefonou para a médica e para a pediatra, com a última não conseguiu contato. E a Claudia segurando a Luiza e sofrendo…

Entramos no saguão, avisei que ela estava em trabalho de parto com 41 semanas e o pessoal do hospital já a levou para a triagem, enquanto eu providenciava a internação. Depois de apresentar documento de identidade, carteira do convênio, senha para o procedimento, dar várias informações para o cadastro e antes do processo estar concluído, apareceu a obstetriz, fazendo sinal que eu devia deixar a burocracia para depois, porque a Claudia já seria encaminhada para a suíte do parto natural. Ela já estava com 9 a 10 centímetros de dilatação. Larguei tudo e saí correndo. Encontrei a Claudia, a obstetriz e a fotógrafa no elevador. Fui ao vestiário e troquei de roupa e desci para acompanhar o parto. Na escada, encontrei com a médica obstetra e falei:

– Oi, tudo bem? Vamos até a Claudia?

Como eu só havia encontrado a médica na primeira consulta com a Claudia, não fui reconhecido e ela pensou que eu fosse um anestesista oferecido e disse:

– Acho que você está me confundindo com outra pessoa!

Eu retruquei sorrindo:

– Acho que não…

Quando entramos na sala, ela se deu conta que eu sou o esposo da cliente e ficou totalmente sem jeito, pediu desculpas, queria dar explicações, mas o importante era a Claudia que já estava em uma enorme banheira com água quentinha. Sentei no banquinho próximo. Avisaram-me que não conseguiram contato com a pediatra “titular” (problema com o celular), mas a substituta estava a caminho.

A obstetriz orientava a Claudia que fazia força para dar a luz a nossa filha. A médica explicou que estava chegando a hora do “círculo de fogo”, quando a cabeça do nenê passaria pelo períneo. Depois de mais algumas contrações, a cabecinha da Luiza apareceu rapidamente e voltou. A médica descreveu o que havia acontecido e a Claudia decidiu que da próxima vez ela conseguiria. Na contração seguinte, a cabeça saiu. Emocionei-me, meus olhos se encheram de lágrimas, mas continuava apreensivo, porque a “batalha” ainda não havia terminado. A médica retirou duas voltas do cordão umbilical em torno do pescoço da Luiza e, depois de algum tempo, juntamente com a obstetriz, ajudaram a retirar o nenê.

Momento em que Luiza fica com a Claudia na banheira.

Momento em que Luiza fica com a Claudia na banheira.

A Luiza foi colocada sobre o peito da mãe, mas aquele momento de ternura foi interrompido bruscamente, porque havia algo errado com nossa garotinha. Colocaram um clipe, cortaram o cordão e levaram a Luiza para aspirar as vias aéreas, porque ela não estava respirando bem. Como a nossa pediatra ainda não havia chegado na suíte de parto, as profissionais da emergência do hospital realizaram os procedimentos. Neste momento, fiquei como uma “barata tonta”, tentava consolar a Claudia, que ainda estava na banheira, e acompanhar o procedimento na Luiza. Foi uma grande alegria quando ela chorou e começou a respirar normalmente.

Levaram a Claudia para a cama, para onde Luiza também foi levada após ser identificada e pesada. Finalmente o período de ternura reiniciou com a garotinha no colo, procurando e sugando o seio da mãe. Infelizmente tive que descer para fazer toda a burocracia da internação. Uma hora depois voltei para a suíte, onde nós três ficamos nos curtindo por um tempo. Depois eu e a Claudia fomos para o quarto e a Luiza teve uma longa passagem pelo berçário até a enfermeira levá-la ao nosso encontro.

Luiza no colo da Claudia.

Luiza no colo da Claudia.

A Claudia resumiu assim no Facebook:

Minha nova princesa nasceu hoje, na banheira, sem anestesia, sem cortes e ávida por mamar…
Estou super bem, diferente de quando fiz a cesárea da Júlia.
Ela tinha 41 semanas e pesou 3705g. Uma bolinha…

Meu resumo é diferente. A Claudia já queria que o parto da Júlia fosse normal e foi induzida pelo obstetra a fazer cesárea. Desta vez, ela não aceitou o procedimento padrão dos obstetras da rede privada. Negou-se a aceitar o “terrorismo” que induz as grávidas a evitarem o parto normal. No caso dela, o obstetra disse que havia probabilidade de rompimento do útero, porque seu primeiro parto foi uma cesárea, mas ela foi obstinadamente atrás de informações. Depois fez tudo que pudesse facilitar o parto: Yoga, massagens, Epi-No. Óbvio que não foi um passeio no parque, mas foi um parto sem lacerações, cortes ou pontos, onde a mãe pode ter um contato mais íntimo com a filha… Uma experiência inesquecível onde ela foi a principal agente! Só posso agradecê-la por ter participado.

Eu poderia fazer um plágio da música “Amor e Sexo” da Rita Lee e dizer:

Parto normal é imaginação
Fantasia
Cesária é prosa
Parto normal é poesia…

Aconselho todos os casais grávidos a procurarem informações científicas de qualidade, porque todos têm o direito de escolherem o que for melhor para si. A cesárea é uma operação delicada e como tal só deve ser realizada se houver real necessidade, sem contar as complicações e dores do pós-operatório. A Cláudia indicou alguns sites sobre o assunto.

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http://www.partodoprincipio.com.br/index.php
http://www.amigasdoparto.com.br/evidencias.html

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Aos Mestres com Carinho

Esta singela história aconteceu no já “longínquo” ano de 1973 no Colégio Notre Dame na cidade gaúcha de Passo Fundo. Acho que, pelo menos, uma das homenageadas deste post vai querer me matar por causa do adjetivo que usei para aquele ano…

Numa aula do segundo ano do primário, a professora afirmou que a Terra era um planeta e que os planetas giravam em torno do Sol. A volta completa demorava um ano ou aproximadamente 365 dias no nosso caso. Depois disse que a Terra e os outros corpos celestes do mesmo tipo também giravam em torno do seu eixo. A duração deste movimento de rotação era equivalente a um dia ou  24 horas, no caso da Terra. Quando o lado do planeta estava voltado para o Sol, tínhamos o dia e, quando não recebia os raios do “astro-rei”, era noite. E chegou o momento de explicar as estações do ano… Ela disse para a turma que as órbitas não eram circulares e sim “ovais”. Deste modo, quando a Terra está mais próxima do Sol, ficaria mais quente e teríamos o verão. Por outro lado, quando estivesse mais distante, ficaria mais frio e seria inverno.

Movimentos de rotação e translação da Terra em torno do Sol

Movimentos de rotação e translação da Terra em torno do Sol

Neste momento, eu fiz uma observação para a professora:

– Mas ontem eu vi no Jornal Nacional que estava nevando nos Estados Unidos e disseram que é o pior inverno dos últimos anos. Como é que lá é inverno e aqui no Brasil é verão ao mesmo tempo?

As quatro estações

As quatro estações

A professora foi atingida por um golpe inesperado. Ela poderia ter me desqualificado dizendo:

– Como um guri de 7 anos quer saber mais do que a professora?

Poderia ter simplesmente me “enrolado” e continuado a aula, mas ela fez algo inesquecível. Apenas parou, pensou e disse humildemente que não sabia a resposta naquele instante, mas que pesquisaria e, nos próximos dias, haveria uma explicação para minha dúvida.

Realmente após alguns dias, ela entrou na sala com um abajur e um globo terrestre e disse que teríamos uma aula especial sobre as estações do ano. Pediu para fecharmos todas as venezianas e cortinas. Depois um colega fez o papel do Sol, ao ligar o abajur. Ela desligou as luzes da sala e conduziu o globo na translação em torno do Sol. Mostrou que o eixo da Terra se inclina, fazendo que o hemisfério sul receba maior quantidade de raios solares no verão; e menor quantidade, no inverno. Tudo foi muito claro e visual. Depois usou meu exemplo e mostrou onde ficava os Estados Unidos (no inverno) e o Brasil (no verão). Na sequência, mostrou quando começava cada estação do ano nos dois hemisférios. Finalmente perguntou se minhas dúvidas tinham sido sanadas. Claro que foram!

Experiência do Sistema Solar

Experiência semelhante sobre o Sistema Solar

Aquela aula se tornou um benchmark, poucas vezes atingido. Tive outros grandes mestres na minha vida, mas guardo esta aula como um carinho especial. Na verdade, quantos professores desafiados por um aluno teriam um comportamento tão positivo como este? Na Universidade, não foram muitos… Talvez o orgulho, a insegurança ou a desmotivação impeçam o crescimento pessoal do próprio professor e da turma de estudantes. Se minha professora, que vergonhosamente não consigo lembrar o nome, ao invés de ter atitude proativa em relação ao meu questionamento, demonstrasse passividade ou, pior, agressividade, talvez hoje eu fosse outra pessoa ou profissional.

Neste Dia do Professor, só posso usar um velho chavão:

– Sem educação, não há solução!

Sem professores preparados e motivados, não conseguiremos formar os cidadãos e os profissionais que nosso mundo tanto precisa. Isto inclui, além de salário digno, treinamento contínuo. Encerro homenageando na pessoa da minha irmã Flávia que, por vocação, escolheu esta dura carreira, todos os professores que lutam, apesar de todas as dificuldades, para cumprir sua bela missão.

Feliz dia do professor

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Houve um Dia em que Queríamos Ser Herois

Sábado passado representou para mim o início do último final de semana  antes do meu retorno ao Brasil. Resolvi dar uma olhada no evento da cidade de Saskatoon nesse dia: Broadway Street Fair. Em primeiro lugar, a Broadway daqui não lembra a nova-iorquina e o principal atrativo era a venda dos mais variados artigos com descontos especiais. Em outra área da Feira, havia shows com bandas locais de rock, nenhuma muito promissora… No cruzamento entre duas quadras, foi colocado um tablado para apresentações de dança de grupos da terceira idade. Nada diferente do que no Brasil, sempre têm integrantes mais empolgadas e outras sendo arrastadas… Muitos cães passeavam com seus donos por todo o lado, aproveitando o belo dia. Muitas crianças se divertiam das mais variadas formas, fazendo arte em uma tenda, com pintura facial em outra, aprendendo esgrima ou numa curiosa atividade de tortadas na cara.

Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Já havia passado do meio-dia quando decidi almoçar. Procurei um restaurante fechado, porque os canadenses adoram comer em mesas na rua ao vento, invariavelmente sob o sol. Esta atitude deve ser estimulada pelo longo e rigoroso inverno que se abate sobre eles, transformando os raios solares em um produto precioso! Durante o almoço, um enorme caminhão de bombeiros entrou na rua, manobrou e estacionou quase na frente do restaurante. Na mesa do lado, um casal, certamente acima da faixa dos 70 anos, almoçava tranquilamente até o surgimento do caminhão, quando o esposo apreensivo perguntou:

– What’s going on?

Pensei que se fosse uma emergência, os bombeiros não chegariam naquela tranquilidade com a sirene desligada. Passados alguns instantes, muitas crianças aproximaram-se do caminhão e foram convidadas a entrar na cabine. A satisfação dos meninos era evidente.

Bombeiros na Broadway Street Fair de Saskatoon, Canadá

Meninos no caminhão dos Bombeiros na Broadway Street Fair de Saskatoon

Tive meu segundo momento emotivo em menos de uma hora. O primeiro aconteceu quando vi o casal que citei acima almoçando e imaginei eu e a Cláudia juntos daqui a um tempo. Depois, ao sair do restaurante, fiquei uns dez minutos observando as crianças e lembrei que eu, como a grande maioria dos meninos, já sonhei um dia em ser bombeiro, apagar incêndios e salvar vidas. Quando e por que este sonho acabou? Por que simplesmente desistimos de ser herois?

Por mais contraditório que possa parecer, ao invés de me deprimir, a visão das crianças no carro de bombeiros me alegrou, porque mais uma vez provou que a natureza humana essencial é boa, queremos ajudar os outros, almejamos ser herois. Os condicionamentos externos (pais, amigos, escola, televisão) e suas definições do que é ser bem sucedido nos desviam deste caminho mais natural. Afinal bombeiros não têm carrões do ano, nem apartamentos de cobertura ou passam as férias na Europa ou em ilhas paradisíacas da Polinésia Francesa. Eles são mal remunerados, assim como muitos dos herois de carne e osso que convivemos diariamente, porque gerar dinheiro é “mais importante” do que salvar vidas!

Bora Bora

Paradisíaca ilha de Bora Bora na Polinésia Francesa

Existem muitas formas de salvar vidas e nos tornarmos herois, pode ser através da boa educação e orientação das crianças, pode ser através da boa prática da saúde pública ou através do trabalho voluntário. Termino este post, homenageando uma menina que em menos de um mês estará completando 5 anos de idade, minha filha Júlia. Desejo que tu nunca desistas de ser nossa heroína e sempre sirva de exemplo para tua maninha Luiza que em breve estará entre nós.

Julia Lanterna Verde

Júlia como o super-heroi Lanterna Verde

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