Arquivo da categoria: Ética

Che Guevara: Anjo ou Demônio?

Esta é minha terceira viagem ao Canadá em 2012. Desta vez escolhi o filme “Diários de Motocicleta” para meu entretenimento durante o jantar. O filme trata de uma viagem que Ernesto Che Guevara e seu amigo Alberto Granado fizeram pela América Latina em 1952.

Che Guevara é daquelas figuras que a maioria das pessoas ama ou odeia. Todos os grandes líderes revolucionários de esquerda fazem parte deste clube como Lenin, Mao Tse Tung e Fidel Castro. Na política brasileira, o grande nome, sem dúvida, é Getúlio Vargas: endeusado pela maioria dos gaúchos e odiado pela maioria dos paulistas.

Ernesto Che Guevara

Ernesto Che Guevara

Voltando ao filme, Guevara tinha uma vida tranquila em Buenos Aires. Ele estava praticamente se formando em medicina aos 23 anos de idade e seu hobby preferido era jogar rúgbi. Na sua viagem de moto, ele se confronta com uma realidade totalmente diferente da sua vida “pasteurizada”. Ele vê, convive e sofre com a miséria extrema que colonos, índios e mestiços sem posses são submetidos no interior da América Latina. Na parte final do filme, ele e Alberto trabalham como voluntários em uma colônia de leprosos na Amazônia peruana. Fica chocado com a separação dos doentes das outras pessoas – médicos, religiosas, enfermeiras – feita através de um grande rio.

A questão básica é se as motivações de Ernesto Guevara eram justas. Minha resposta é sim! Não devemos ser insensíveis à miséria e às injustiças. Neste momento, chegamos à pergunta cuja resposta torna Che Guevara e outras figuras históricas tão polêmicas:

– Se a causa é justa, vale qualquer método para torná-la realidade?

Ernesto Che Guevara acreditava que apenas a luta armada mudaria aquela situação que ele vivenciou em sua viagem pela América Latina. Por outro lado, em todas as guerras, inocentes são mortos, crimes são cometidos e injustiças imperdoáveis são justificadas. Para ele estas perdas seriam aceitáveis, o que eu não concordo. Certa vez li, não me recordo onde, a seguinte frase:

– Até os mais nobres fins são conspurcados pelos meios empregados para obtê-los.

Isto explica a polêmica em torno da maioria dos grandes líderes da história da humanidade. Todos tinham defeitos e virtudes como cada um de nós, mas suas qualidades foram decisivas dentro de determinado contexto histórico. Muitos lutaram contra o Apartheid na África do Sul, mas Gandhi e Mandela optaram por não usar violência. Isto os coloca acima dos demais! Muitos lutaram contra a discriminação racial nos Estados Unidos, Martin Luther King escolheu a não violência como forma de ação e ajudou a melhorar situação dos negros sem derramamento de sangue, com exceção do seu próprio.

Martin Luther King - Nelson Mandela - Mahatma Gandhi

Martin Luther King (esquerda), Nelson Mandela (direita acima) e Mahatma Gandhi (direita abaixo)

Che Guevara decidiu agir com 24 anos para melhorar a vidas dos oprimidos da América Latina. Sua opção pela luta armada, em minha opinião, deve ser criticada, mas, por outro lado, devemos entender que foi tomada por um jovem idealista num contexto muito diferente do atual. Não devemos ser maniqueístas em relação a pessoas, países, religiões, culturas… Devemos analisar sempre nossos atos e nunca seguir líderes cegamente (como apresentei na série de posts sobre o Efeito Lúcifer), porque, como todos os seres humanos, eles acertam e erram.

Assista ao filme! Vale pela história, pelas atuações de Gael Garcia Bernal como Che Guevara e de Rodrigo de La Serna como Alberto Granado, pela música em especial “Al outro lado do rio” do uruguaio Jorge Drexler. Escute esta bela música com imagens de diversas cenas do filme. Como assisti ao filme em espanhol com legendas em inglês, o lado cômico foi a tradução dos palavrões que Alberto Granado volta e meia lançava sobre Ernesto Guevara, até aprendi uns novos de baixíssimo nível.

3 Comentários

Arquivado em Arte, Ética, Cinema, Filosofia, Gestão de Pessoas, História, Lazer, Música, Política, Psicologia

O Efeito Lúcifer – O Homem é o Homem e sua Circunstância (parte 3)

Nas duas primeiras partes, apresentei os experimentos de Stanley Milgram e Philip Zimbardo sobre a obediência cega. Agora, na parte final deste artigo, comentarei o “Efeito Lúcifer” criado por Zimbardo. Abaixo está apresentada a gravura de Gustave Doré com a representação da história da expulsão do anjo Lúcifer do Paraíso.

Paraíso Perdido de Gustavo Doré

Paraíso Perdido de Gustavo Doré

Vou iniciar este post com um pequeno vídeo para descontrair um pouco antes do assunto sério. O Candid Camera foi pioneiro nas “pegadinhas” na televisão e neste vídeo aparece a pressão do grupo sobre os indivíduos. Veja e dê boas risadas.

Em 2003, o secretário de defesa americano, Donald Rumsfeld, declarou que os fatos ocorridos na prisão de Abu Ghraib foram resultado de “umas poucas maçãs podres” no turno da noite. Zimbardo considerou que existem três categorias para explicar os fatos ocorridos na prisão iraquiana:

– disposicional – originadas de dentro de cada indivíduo, de cada soldado, as chamadas “maçãs podres”;
– situacional – originadas no entorno dos indivíduos, a prisão, o “barril de maçãs ruim”;
– sistêmica – são as influências mais amplas, poderes econômicos, políticos e legais, os “fabricantes dos barris de maçãs ruins”.

Uma das fotos da Prisão de Abu Ghraib

Zimbardo considera que a linha entre o bem e o mal é muito tênue e permeável. Eu gostaria de salientar que o mal não é um país, um povo ou uma raça. O mal está nos pensamentos e atitudes de cada indivíduo, independente de nacionalidade ou religião. Ele listou sete processos sociais que facilitam o escorregão para o mal:

– displicentemente dar o primeiro passo;
– desumanização dos outros;
– anonimato;
– responsabilidade individual difusa;
– obediência cega à autoridade;
– conformismo não crítico às regras do grupo;
– tolerância passiva ao mal pela inação ou indiferença.

Não esqueçam que o primeiro choque do experimento de Milgram foi de apenas 15 volts. Quem apertou o botão deve ter pensado que não havia problema, porque o “aluno” não deve ter sentido nada… Como diz Zimbardo, “esta é a chave, todo o mal começa com 15 volts”.

Por incrível que pareça, os experimentos que descrevi nos dois posts anteriores passaram pelos sete processos… A responsabilidade difusa, a obediência cega e o conformismo passivo são pontos de partida para uma série de comportamentos errados, principalmente em situações novas ou não familiares.

Assista à palestra de Zimbardo sobre o Efeito Lúcifer.

Zimbardo conclui que a mesma situação pode inflamar a imaginação para o mal, também pode inspirar heroísmo em outros, mas o pior, em minha opinião, é que a maioria das pessoas é culpada pelo mal da inação. Assim ele recomenda que nossos filhos sejam criados para serem heróis. Quando falamos em heróis pensamos em super-herois com superpoderes ou heróis modernos de carne e osso como Mahatma Gandhi, Martin Luther King ou Nelson Mandela. Apesar destes três últimos homens terem assumido enormes sacrifícios pessoais em nome da sociedade, buscamos herois comuns do dia a dia. Pessoas que não aceitam passivamente as injustiças denunciam e lutam para mudar o mundo que os cerca. Pode ser em casa, no trabalho, na escola ou na sua comunidade.

Para ser um heroi, você deve ser divergente, deve agir quando outras pessoas são passivas. Deve pensar de modo sociocêntrico ao invés de egocêntrico. O mais interessante é que as conclusões e recomendações de Zimbardo vão ao encontro do filósofo espanhol José Ortega y Gasset. Ele é o autor da frase que utilizei como título desta série de posts:

– “O homem é o homem e a sua circunstância”.

Filósofo espanhol José Ortega y Gasset

Para Ortega y Gasset, não é possível considerar o ser humano como sujeito ativo sem levar em conta simultaneamente tudo o que o circunda, incluindo o contexto histórico em que se insere. A Educação se transforma em instrumento para que cada um possa conscientizar-se de sua circunstância, relacionar-se com ela e superá-la. “Se não a salvo, não me salvo”, conclui o filósofo espanhol.

Sempre uso como exemplo o caso das relações entre árabes e judeus. No Brasil, não ouvimos falar de conflitos, porque o contexto não estimula violência entre estas duas etnias no nosso país. Agora se transferirmos algumas pessoas daqui para o Oriente Médio, a situação muda. O meio influencia decisivamente o comportamento dos indivíduos.

Amizade entre meninos árabe e judeu

Voltando para o mundo empresarial, muitas iniciativas são bloqueadas pela cultura interna. Grandes corporações muitas vezes tem responsabilidade individual difusa, obediência cega à autoridade, conformismo não crítico às regras e tolerância passiva ou indiferença aos verdadeiros problemas da empresa. Isto pode ser resumido por frases como:

– Esta não é minha responsabilidade!
– Eu estou fazendo a minha parte…
– Temos que manter o foco naquilo que “realmente” é importante!

Pensando bem, isto não acontece apenas em grandes corporações, pode acontecer em qualquer lugar, até mesmo nos nossos lares…

Deixe um comentário

Arquivado em Ética, Filosofia, Gerenciamento de Projetos, Gestão de Pessoas, História, Inovação, linkedin, Psicologia

O Efeito Lúcifer – O Homem é o Homem e sua Circunstância (parte 2)

Na primeira parte, comentei o experimento de Stanley Milgram sobre a obediência, no qual pessoas davam choques de até 450 volts em desconhecidos. Desta vez, o experimento da prisão de Stanford, criado por Philip Zimbardo em 1971, será nosso assunto principal.

Phil Zimbardo em 1971

Zimbardo recrutou 24 jovens voluntários do sexo masculino que foram divididos em dois grupos: doze seriam guardas e os demais presos. Ele transformou algumas salas do subsolo do Departamento de Psicologia da renomada Universidade de Stanford em um presídio, instalando grades no lugar de portas. O experimento deveria durar duas semanas e cada voluntário receberia US$ 15 por dia, o equivalente a US$ 85 em 2012.

Os “guardas” usavam uniformes militares, óculos escuros e cassetetes de madeiras e receberam instruções que deveriam fazer de tudo para manter a ordem com exceção do uso de violência física. Os “presos” usavam camisolões compridos, sem roupa de baixo, tocas de nylon na cabeça para simular a raspagem dos cabelos e tiveram seus nomes trocados por números. O “superintendente” do presídio era o próprio Zimbardo.

Após o primeiro dia calmo, estourou uma rebelião no segundo dia. Os guardas passaram a humilhar os presos das mais diferentes formas, inclusive sexual. Obrigavam os presos a fazerem longos períodos de exercícios forçados. Cortavam refeições e retiravam os colchões dos presos com mau comportamento. Um dos presos teve um colapso nervoso e foi substituído por outro jovem que estava na lista de espera.

Stanford Prison Experiment

Algumas fotos da Prisão de Stanford

Este novo preso, o número 416, se revoltou contra os maus tratos sofridos e iniciou uma greve de fome. Os guardas o trancaram em uma pequena peça no escuro (solitária) por algumas horas e depois tentaram forçá-lo a comer, sem sucesso.

Muitos guardas se ofereciam para fazer horas extras não remuneradas para “ajudar” a manter a ordem na prisão. No turno da noite, alguns deles achavam que as câmeras não filmavam no escuro e protagonizaram várias cenas de humilhação grave contra os prisioneiros.

No sexto dia, Zimbrado pediu que uma colega pesquisadora, Christina Maslach, avaliasse o andamento do experimento. Ela ficou horrorizada com as condições e recomendou o final imediato das atividades. Zimbardo, que estava se sentindo envolvido emocionalmente pela situação, concordou. Assim o que deveria levar duas semanas, durou apenas seis dias.

A própria Drª Maslach avaliou os participantes do experimento e concluiu que um terço dos guardas apresentaram fortes tendências sádicas, enquanto que os demais permaneceram omissos. A grande maioria dos presos aceitou passivamente as humilhações impingidas pelos guardas.

Zimbardo chegou à conclusão de que a situação é mais importante do que a personalidade individual para a determinação do comportamento das pessoas. Os guardas uniformizados ajudaram a construir uma autoridade inquestionável sobre os presos que a legitimaram através da aceitação passiva. Estes resultados são semelhantes aos obtidos por Milgram em seu experimento.

A situação ocorrida neste experimento em Stanford guarda uma incrível semelhança com os lamentáveis fatos praticados por militares americanos na prisão iraquiana Abu Ghraib (foto abaixo). Parece que lá também o ambiente estimulou comportamentos reprováveis.

Foto de tortura na Prisão de Abu Ghraib

Se você quiser saber mais sobre este experimento, veja este documentário preparado pela BBC. No último post desta série, finalmente falarei sobre o Efeito Lúcifer e como evitá-lo.

3 Comentários

Arquivado em Ética, Gerenciamento de Projetos, Gestão de Pessoas, História, linkedin, Psicologia

O Efeito Lúcifer – O Homem é o Homem e sua Circunstância (parte 1)

Na semana passada, participei de um programa de treinamento na renomada Harvard Business School sobre a construção de novos negócios em organizações consolidadas. Entre os vários estudos de casos e discussões sobre as diversas dimensões que influenciam este assunto, achei muito interessante a aula sobre cultura empresarial.

A ideia geral é que o contexto influencia decisivamente na atitude das pessoas, determinando seus comportamentos. Se a empresa tem uma forte cultura tradicional e anti-inovadora, os comportamentos de seus colaboradores seguirão esta cultura, mesmo que suas personalidades sejam distintas dela. Ou seja, se a empresa quer inovar, tem que primeiro ajustar sua cultura. O instrutor desta aula comentou rapidamente o trabalho de dois pesquisadores, Stanley Milgram e Phil Zimbardo. Suas experiências me causaram um impacto no meu entendimento sobre as pessoas. Usei o tempo de espera nos aeroportos na volta para estudar mais sobre os métodos e conclusões dos experimentos destes dois psicólogos.

Stanley Milgram

Stanley Milgram

O teste de Milgram foi realizado no início dos ano 60, inicialmente na Universidade de Yale. Sob a falsa alegação de que participariam de um teste sobre melhoria de memória, voluntários foram atraídos e selecionados. Na verdade o teste era sobre a obediência das pessoas em relação a ordens e apenas uma pessoa era testada (o “professor”), as outras duas (o “experimentador” e o “aluno”) eram atores. A figura abaixo apresenta o esquema básico do experimento.

Experimento de Milgram

O “professor” (T) lia uma série de pares de palavras, depois dizia uma destas palavras e as opções que completariam o par. O “aluno” (L) escolhia uma das opções. Se estivesse certa, o teste seguiria normalmente. Em caso de erro o “professor” aplicaria um choque elétrico no aluno, antes de prosseguir a leitura. O primeiro choque era de 15 volts, cada choque na sequência era acrescido de 15 volts até chegar a incríveis 450 volts! É importante salientar que ninguém sofria os choques, porque o “professor” não tinha contato visual com “aluno” que era substituído por uma gravação.

Num certo momento, após um choque, o “aluno” gritava de dor e pedia para sair. Os “professores” se viravam para o “experimentador” (E) e pediam para encerrar o teste, mas este ordenava a sua continuação, argumentando que o “aluno” não corria risco e que o teste era importante. Em um dos experimentos,  o “professor” realmente sofria a cada resposta errada do “aluno” e disse para o “experimentador” que não queria ser o responsável pela morte do “aluno”. O “experimentador” repetiu as ordens e completou que era o responsável pela integridade do “aluno”. Como não tinha mais responsabilidade, este “professor” continuou o teste, mesmo quanto o “aluno” parou de responder ou reclamar, ele prosseguiu com os choques até repetir três vezes os 450 volts, quando o teste foi finalmente encerrado.

No final, o teste era explicado para o “professor” e um ambiente mais leve era criado para atenuar o clima pesado durante o experimento. Por incrível que pareça dois terços dos testados foram até o final, conforme o gráfico apresentado abaixo. Ou seja, deram três choques de 450 volts! Nenhum dos testados, mesmos os que pararam antes, insistiu para ver o real estado dos “alunos”.

Resultado do Experimento de Milgram

Fica claro que em uma situação completamente fora do normal e do controle, ao receber as ordens, foi mais cômodo segui-las mesmo não concordando com a ação realizada. Ficou ainda mais fácil, quando a responsabilidade foi completamente removida dos ombros. Como se fosse aceitável puxar o gatilho do revólver e matar alguém, só porque alguém assumiu toda a responsabilidade.

Estas situações podem acontecer de modo mais sútil. O gerente ordena uma ação que você não concorda, mas realiza sem questionar. Esta forma é o popular “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Será que tem mesmo?  Outra, mais sútil ainda, é a do “expert” profundo conhecedor de determinada técnica. Ele fala alguma coisa sobre este assunto e todos concordam sem pensar ou questionar. Como se existisse alguém infalível…

Se você quiser saber mais sobre o experimento de Stanley Milgram, assista ao trecho do documentário abaixo. No próximo post, falarei sobre o Experimento da Prisão de Stanford desenvolvido por Phil Zimbardo.

 

4 Comentários

Arquivado em Ética, Gerenciamento de Projetos, Gestão de Pessoas, História, Inovação, linkedin, Psicologia

O Aracnicídio

Quando mudei para São Paulo, pedi uma vaga no estacionamento do conjunto de prédios onde estão localizados os escritórios da empresa em que trabalho. Passados alguns dias me deram uma vaga no quarto subsolo de um dos edifícios-garagem. Notei que havia algumas teias de aranha no teto e em paredes próximas. Um dia vi uma aranha preta com manchas vermelhas no corpo e nas patas. Depois apareceu uma teia semiesférica com outra aranha dentro. Depois de algumas semanas, a aranha saiu da sua “toca”, ela era parecida com a primeira, mas era maior.

Aranha parecida com minhas vizinhas

Resolvi buscar uma convivência pacífica com minhas colegas de vaga. Inclusive dei nomes, a primeira era a Lucrécia (homenagem à Lucrécia Bórgia) e a maior era a Jacobina (homenagem a Jacobina Mentz Maurer dos Muckers).

As teias foram crescendo, assim como a proximidade das aranhas ao meu automóvel. Comecei a ficar com receio de me enrolar em alguma teia ou de ser atacado por uma das aranhas. Na quinta-feira passada, quando estava descendo a rampa de acesso do estacionamento, encontrei dois funcionários da limpeza. Aproveitei e informei o número da minha vaga e pedi para remover as aranhas. O pessoal imediatamente foi até o local e matou a Lucrécia, a Jacobina e suas crias. Sinceramente senti certo remorso por ter sido o mandante da matança das aranhas, mas tentei racionalizar que a situação representava um risco para mim.

Depois estava trabalhando normalmente, quando a secretária chegou e me avisou que mudou o local do estacionamento do meu carro. Na mesma hora, lembrei-me das aranhas inutilmente mortas. Que coisa mais terrível, parecia script de filme…

No final do dia, me dirigi até meu carro e vi que todas as teias foram removidas exceto uma junto à coluna no lado da minha ex-vaga. Ali durante o dia outra aranha da mesma espécie teceu uma nova teia. Já a batizei como Messalina (a polêmica imperatriz romana casada com Cláudio).

Lucrécia Borgia, Jacobina Maurer e a Imperatriz Messalina

Parecia um sinal que, apesar do massacre a que foram expostas, aquela espécie continuaria lutando e resistiria a todas as violências e adversidades do mundo exterior. Afinal a vida deve triunfar no final, mesmo que um tirano intolerante ache impossível a convivência entre criaturas diferentes. Esta é uma história verídica, mas poderia ser uma fábula sobre xenofobia e genocídios…

10 Comentários

Arquivado em Animais, Ética, linkedin, Meio Ambiente, Psicologia, Segurança

Malditas Multinacionais

Muitas pessoas acreditam que empresas multinacionais querem prejudicar um país, quando decidem não investir ou descontinuar suas atividades em determinadas regiões do planeta. Na verdade, tudo se baseia no binômio lucro e risco. Meu objetivo, neste artigo, não é fazer uma defesa incondicional destes grupos econômicos, mas levantar alguns pontos para reflexão.

Visão sobre Multinacionais por Rodrigo Minêu

Multinacionais na visão de Rodrigo Minêu

Todos nós fazemos esta análise de risco e lucro ou custo e benefício na nossa vida. Se você tiver R$ 200 mil para aplicar e dois bancos lhe oferecem propostas para fundos de investimento. Um dos bancos é de primeira linha, um dos maiores do Brasil, e paga uma taxa de 1% ao mês, enquanto que o outro é um pequeno banco desconhecido da maioria das pessoas e remunera o capital com o dobro da taxa do grande banco. O que você faria? Colocaria todo seu dinheiro no banco menor, arriscando a perder tudo em caso de uma falência?

A opção da maioria das pessoas seria pela alternativa do grande banco, onde os lucros e os riscos são menores. O mesmo acontece muitas vezes em relação às multinacionais. As empresas procuram países onde haja estabilidade política e econômica, onde as regras não mudem com frequência e exista um judiciário independente. Este é o motivo que hoje é muito mais atraente investir no Brasil do que há vinte anos.
dineheiro na mão

Continuando o nosso exemplo, o Fundo Garantidor de Crédito cobre investimentos até R$ 70 mil em caso de falência da instituição financeira. Neste caso, poderíamos colocar R$ 70 mil no banco menor e os restantes R$ 130 mil no banco maior. Claramente houve uma maximização do lucro e um controle do risco. Você acha que os funcionários do banco pequeno teriam razão em dizer que você deveria investir todo seu dinheiro onde trabalham? Por que então as multinacionais deveriam colocar todo seu dinheiro em países onde podem perder seu patrimônio?

A conclusão deste post é que temos mais um motivo para desejar estabilidade político-econômica e instituições sólidas no país, porque ninguém põe seu dinheiro onde não existe isto. Sem investimentos não há desenvolvimento econômico nem empregos, nem redução da pobreza, nem justiça social.

1 comentário

Arquivado em Ética, Economia, linkedin, Política, Psicologia

A Humanidade é Desumana

Todo o dia ligamos a TV e vemos uma quantidade impressionante de imagens que provam que a humanidade vai de mal a pior. Eu, algumas vezes (talvez devesse ser quase o tempo todo…), me sinto um verdadeiro louco, porque defendo exatamente o contrário. A humanidade caminha, na minha visão, para novos estágios de evolução. Hoje se um homem bomba faz um atentado suicida no interior do Afeganistão, imediatamente somos informados pela CNN ou Globo News. De noite, em horário nobre, os diversos telejornais nos apresentam um grande número de tragédias pessoais ou coletivas, violência contra crianças, . crimes ambientais ou contra animais. Não temos como pensar diferente, a humanidade é desumana…

Na quinta-feira, quando cheguei em casa, a Cláudia assistia ao filme sobre Elizabeth I, a “rainha virgem” da Inglaterra, que reinou até o início do século XVII. A quantidade de maldades, perpetradas pelos seus adversários para matá-la, foi impressionante. Por outro lado, seu pai, o Rei Henrique VIII, para casar novamente e tentar um filho homem, inventou o adultério da sua esposa Ana Bolena que foi impiedosamente executada.

Elizabeth I

Elizabeth I

Há algumas semanas, eu e meu filho fomos a exposição sobre Roma no MASP. As histórias sobre os imperadores romanos também apresentam passagens deploráveis. A melhor que vimos é de Agripina. Ela teve um filho no primeiro casamento, Nero. Quando a esposa do imperador Cláudio, Messalina, foi executada por conspiração, ela seduziu o tio e casou-se com ele. Convenceu primeiro a adotar Nero como filho, depois convenceu a escolher Nero como seu sucessor. Quando Cláudio se arrependeu da escolha, envenenou e matou o marido. O pior é que depois Nero cansou da influência da mãe e resolveu matá-la. Fez as tentativas mais bizarras, incluindo até um naufrágio forçado. Finalmente conseguiu matar a mãe.

Nero e Agripina

Moedas com Nero e sua mãe Agripina

Nem falei de Átila, de Genghis Khan, Hitler ou Stalin. Guerras eram eventos normais; torturas, aceitas; assassinatos de inimigos, tolerados; violência, banalizada… Crianças e mulheres eram as principais vítimas no meio disso tudo. A humanidade civilizada admite isto hoje? Claro que não! Por isso, quando vemos na TV este tipo de notícia, achamos que as coisas estão piorando. Acontece exatamente o contrário.

Quando o Legião Urbana compôs a bela “Quando o Sol Bater na Janela do teu Quarto”, todos lembram do verso que usei como título deste post, “a humanidade é desumana”, mas esta música é um hino de otimismo e nos dá pistas sobre como melhorar o mundo.

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Porque esperar
Se podemos começar
Tudo de novo?
Agora mesmo,

A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance,
O sol nasce pra todos,
Só não sabe quem não quer,

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Até bem pouco tempo atrás,
Poderíamos mudar o mundo,
Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor,
E toda dor vem do desejo,
De não sentimos dor,

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só

Hoje podemos mudar o mundo, basta querer! Que mundo vamos deixar para trás? Assisti a um vídeo criado pela ONG Invisible Children na Internet que, apenas no YouTube teve até hoje 67 milhões de acessos. O vídeo pede a captura do rebelde Joseph Kony que faz ações na região central da África, raptando e torturando crianças para formar seu exército. A campanha quer a mobilização da comunidade internacional para atingir este objetivo até o final de 2012. Óbvio que existe controvérsia na web sobre esta ONG e suas reais intenções, mas vale a pena assisti-lo. O link abaixo é para o vídeo com legendas em português.

As redes sociais nos trazem possibilidades nunca antes imaginadas para debate, conscientização e ação. Se o Invisible Children, através desta ação, consegue influenciar o governo americano que não tem interesse político ou econômico na região, imaginem as possibilidades para melhorar o mundo…

2 Comentários

Arquivado em Ética, História, linkedin, Política, Psicologia

Bruna Surfistinha – Um Filme Desinspirador

Ontem eu e a Cláudia assistimos no Telecine ao filme baseado na vida da ex-prostituta brasileira Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha, estrelado pela bela Deborah Secco.

No início do filme, ela é uma adolescente que vive com os pais e estuda em um bom colégio, mas comete delitos em casa como roubo de dinheiro e das joias da mãe. Foge de casa e resolve ganhar a vida na prostituição. Começa a gostar dessa vida e, aparentemente, não se importa em se relacionar sexualmente com homens jovens ou velhos, gordos ou magros. Começa a se envolver com drogas e é expulsa do local onde trabalha. Aluga um apartamento de alto nível, monta um blog, que a torna famosa, vê o número de clientes e os lucros aumentarem. Ao mesmo tempo, aumenta o envolvimento com drogas, o que a leva à decadência. Chega ao fundo do poço quando passa a trabalhar na rua e depois num prostíbulo que cobra R$ 20,00 por programa. Quase morre de overdose e é ajudada por um cliente apaixonado por ela. Ele propõe uma nova vida melhor, mas ela rejeita. Volta ao apartamento e cria uma meta de fazer 800 programas e, depois disto, iniciar uma nova vida.

Não serei moralista e condenar a temática do filme, mas achei o filme em si chato e fraco. O número de cenas onde a Deborah Secco aparece em programas com clientes é excessiva. Se o objetivo foi mostrar que ela não recusava ninguém, então foi atingido, mas quase não sobrou tempo para discutir outros aspectos da vida como garota de programa, como violência e exploração.

Fiquei impressionado com a mensagem final que o filme passa. Se você é jovem e bonita, estiver precisando de dinheiro, ganhar a vida como garota de programa é uma opção. Como a personagem fala num certo momento, ela ganhava mais do muitas médicas e advogadas. Em outro momento, ela diz uma frase boba sobre acreditar e perseguir os sonhos. No caso, quais seriam estes sonhos? No filme nada é mencionado. E, no final, ela larga as drogas e decide fazer mais 800 programas antes de mudar de vida. Ou seja, você pode se prostituir, mas não se envolva com drogas.

Não li, nem tenho planos para ler, o livro autobiográfico da Raquel Pacheco, “O Doce Veneno do Escorpião”, talvez estas questões sejam apresentadas no livro, mas no filme nada foi visto. Apenas uma vida sem propósitos é mostrada até com certo glamour…

Deixe um comentário

Arquivado em Arte, Ética, Cinema, Geral, Lazer

Gasto com Publicidade Oficial – Como o Dinheiro Público Escorre pelo Ralo

Todos criticam a malversação de recursos públicos no Brasil. As recentes denúncias sobre as ONGs do Programa Segundo Tempo do Ministério dos Esportes são mais um exemplo recente. Deveria haver fiscalização, além dos tribunais de contas, dos próprios cidadãos. Quando navegamos pelos portais da transparência das três esferas da administração pública, podemos buscar dados interessantes de como o dinheiro público é gasto pelos governos.

No meu último post, sobre liberdade de expressão, comentei sobre a relação dos governos com a imprensa. As verbas dedicadas à publicidade oficial crescem anualmente. Segundo o Portal Transparência do governo federal, os gastos com publicidade institucional foram de R$ 177 milhões em 2010. O gasto total com publicidade da administração direta do governo federal foi de R$ 644 milhões neste período. Se for incluída a administração indireta, segundo a Folha de São Paulo, o gasto deve chegar a R$ 1 bilhão.

Na cidade de Novo Hamburgo, a Prefeitura resolveu investir pesado em publicidade oficial a partir de 2010. A Tabela abaixo apresenta o orçamento com publicidade oficial dos últimos nove anos.

Neste momento, ainda não discutirei os gastos com publicidade legal e de utilidade pública, mesmo suspeitando que muitos destes dispêndios não tenham estas motivações. O gráfico abaixo mostra o aumento impressionante dos gastos com a publicidade institucional da Prefeitura de Novo Hamburgo. Em 2011, serão gastos aproximadamente R$ 2 milhões, quase o mesmo valor orçado no período 2005-2009.

Sob a desculpa de prestar contas à população e divulgar iniciativas de interesse público, a Prefeitura faz propaganda eleitoral para a eleição municipal do próximo ano. De acordo com o Portal Transparência do município, de janeiro a agosto de 2011, foram gastos aproximadamente R$ 2 milhões com o pagamento de três agências de publicidade. Apenas uma agência de Porto Alegre recebeu R$ 1.175.000,00. Outras duas de Novo Hamburgo receberam, no mesmo período, R$ 426 mil e R$ 381 mil cada.

Gostaria que a publicidade oficial fosse proibida no país. Este dinheiro poderia ser investido em áreas realmente importantes para a população como saúde, educação e infraestrutura. Sugiro que não se espere a sanção de uma lei federal, porque existe um projeto tramitando no Congresso Nacional há seis anos e ninguém sabe quando entrará na pauta de votação.

Lembro da proibição de animais em circos. Uma lei foi aprovada em Novo Hamburgo em 2007 devido ao desejo da população organizada pela ONG de proteção animal ONDAA. No ano seguinte, foi aprovada outra lei na Assembleia Legislativa do estado do Rio Grande do Sul. Deste o final de 2009, um projeto de lei (PL 7291/2006) foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e encontra-se atualmente no Plenário da Câmara dos Deputados, onde aguarda para entrar na pauta de votação.

A população deve exigir que os vereadores de Novo Hamburgo evitem a queima dos recursos públicos no orçamento de 2012. Na sequência, deve pedir que seus representantes criem e aprovem a lei municipal que proíba a publicidade oficial. Só assim poderemos realmente aproveitar bem o dinheiro dos impostos que pagamos. Chega de propaganda enganosa!

3 Comentários

Arquivado em Animais, Ética, Economia, linkedin, Política

Liberdade de Expressão

Há um ou dois meses, participei de um pequeno debate no Facebook sobre o gasto de verbas para publicidade da Prefeitura de Novo Hamburgo. Por exemplo, a campanha “Eu Cuido, Nós Cuidamos” atinge várias mídias simultaneamente, como outdoors espalhados pela cidade, inserções nas programações de emissoras de rádio locais e da capital, além de anúncios em jornais.

Um dos anúncios da campanha "Eu cuido, Nós cuidamos" da Prefeitura de Novo Hamburgo

Sou contra este tipo de propaganda com jeito de campanha eleitoral em todas as esferas da administração pública. Qual é o benefício para a população desta despesa da Prefeitura de Novo Hamburgo? Esta verba não seria melhor empregada na saúde, educação ou simplesmente na manutenção das esburacadas ruas da cidade? Quando isto é feito de modo continuado, pode deixar grupos de comunicação dependentes do dinheiro do Estado. Assim esta empresa passaria a ter conflitos de interesses. Como poderia dar notícias negativas sobre um cliente importante? Ficaria sempre aquela dúvida de que se esta notícia fosse publicada, o jornal ou a rádio poderiam perder o dinheiro com a publicidade oficial. Mesmo que isto não ocorra, sempre os leitores, ouvintes e telespectadores poderiam ter esta dúvida.

A pior consequência desta prática é, sem dúvida alguma, a autocensura. Um dos participantes do debate, que mencionei no início de post, fez uma ótima colocação sobre este relacionamento:

Não importa o partido que habita aquele prédio. Tanto faz. Desde a antiga Arena, passando por PMDB, PDT e agora o PT. O cliente é o patrão. Os interesses não mudam, são os mesmos. Reclamam quando querem censurar a imprensa. Mas quando a imprensa faz sua própria censura???

Quando isto ocorre, estes grupos de comunicação fazem propaganda positiva diária. Fatos negativos são minimizados ou omitidos. Solenidades para “inauguração” de alicerces de prédios públicos ou abertura de buracos para troca de adutoras de água potável são noticiadas com pompa. Uma atmosfera rósea em torno do poder público é criada.

Já defendi no meu blog o financiamento público das campanhas eleitorais, no post sobre o filme Tropa de Elite 2. Agora defendo que os governos só possam gastar verbas com publicidade em campanhas realmente de utilidade pública. Chegou a hora de acabar com esta mistura promíscua do público com o privado. Não podemos mais aceitar esta troca de favores, onde o dinheiro público escoa pelo ralo. Infelizmente o lobby dos grandes grupos da área de comunicação não permitirá que esta ideia prospere facilmente. Mais uma vez só com forte apoio popular será possível avançar nesta área.

7 Comentários

Arquivado em Ética, linkedin, Política

Ontem os Negros, Hoje os Animais, Amanhã os Robôs!

Estamos no ano de 2067, a Assembleia Geral da ONU debate um tema polêmico, a alteração da ordem da segunda e da terceira Lei da Robótica. Estas leis famosas foram formuladas quase um século antes por Issac Asimov.

Isaac Asimov

O secretário-geral solenemente abre a sessão plenária:

– Prezados representantes de todas as nações da Terra, estamos aqui reunidos para mais uma sessão histórica. Desde a criação de unidades autônomas artificiais providas de inteligência e livre arbítrio, os robôs, assistimos a uma enorme evolução no relacionamento com os seres humanos. Respeito, lealdade, afinidade, amizade e até amor são palavras que definem inúmeras relações entre humanos e robôs. Hoje discutiremos se as três leis da robótica estão adequadas à realidade de nosso tempo. Os seguintes princípios guiam atualmente a programação dos robôs:

    • 1ª Lei – Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
    • 2ª Lei – Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
    • 3ª Lei – Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.

Na prática, se um humano ordenasse que dois robôs lutem até a destruição de um deles, não existiria problema legal. Isto poderia ter razões fúteis, como apostas, ou por puro sadismo.

No século XIX, se discutia se os negros tinham alma e se poderiam ser livres. Parece uma conversa absurda nos dias atuais; e em 2067, nem se fala…

Escravo sendo castigado (Debret)

Hoje temos o mesmo debate em relação aos direitos dos animais. Cada vez mais pessoas defendem o bem estar animal. Afinal respeito, lealdade, afinidade, amizade e até amor são palavras que definem inúmeras relações entre humanos e animais. Maus tratos contra animais atualmente são crimes e práticas como touradas ou rodeios são cada vez mais limitadas. Talvez nas próximas décadas assistamos o declínio no consumo de carne por conta desta consciência em relação aos direitos dos animais. Se nós humanos temos alma, porque os animais não as possuem?

Teste dermatológico em coelhos

Hoje parece ridículo discutir os direitos dos robôs. Há um século, discutir os direitos dos animais deveria ser uma excentricidade. No século XVI, defender o fim da escravidão dos negros era uma afronta contra os interesses das metrópoles europeias.

Apesar de muitos discordarem, a humanidade evolui e a nossa consciência continua crescendo. O que hoje é um ato aceitável, amanhã será um crime grave.

Deixe um comentário

Arquivado em Animais, Ética, Filosofia, Geral, História, linkedin

Audiência Pública de Esclarecimentos Sobre a Rede de Alta Tensão em Novo Hamburgo

A comunidade, com o apoio do vereador Raul Cassel, receberá um técnico da AES Sul que dará explicações sobre a instalação de redes de alta tensão em áreas populosas de Novo Hamburgo, trechos das avenidas Sete de Setembro, Pedro Adams Filho e Guia Lopes.

Compareça e participe! A comunidade precisa ser informada. Sua saúde e seu patrimônio estão em risco.

Local: Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo
Endereço: Rua Almirante Barroso, 261
Fone: 3594-0500
Data: 4 de agosto de 2011
Horário: 15 horas

Questionamentos para AES Sul sobre Redes de Alta Tensão

Foi considerado no projeto o relatório “Estabelecendo Um Diálogo Sobre Riscos De Campos Eletromagnéticos” da Organização Mundial da Saúde – OMS?

Linhas de transmissão de energia elétrica geram campos eletro-magnéticos de baixas frequências. Campos elétricos de baixas frequências influenciam a distribuição de cargas elétricas na superfície dos tecidos condutores e causam um fluxo de corrente elétrica no corpo. Campos magnéticos de baixas freqüências induzem correntes circulantes dentro do corpo humano. [páginas 3 e 4 do relatório]

Em 2001, um grupo de trabalho integrado por peritos, constituído pela IARC (International Agency for Research on Cancer) da OMS reviu estudos relacionados com a carcinogenicidade de campos elétricos e magnéticos estáticos e de frequências extremamente baixas (ELF). Usando a classificação padrão da IARC que pondera as evidências humanas, animais e de laboratório, campos magnéticos ELF foram classificados como possivelmente carcinogênicos para humanos com base em estudos epidemiológicos de leucemia infantil. [página 5 do relatório]

Importante lembrar que a rede passará na frente do Colégio Sinodal da Paz, localizado na Avenida Pedro Adams Filho, nº 1974.

Estes fatos foram levados em consideração no projeto desta linha de transmissão? Existe alguma evidência ou fato que rejeite as afirmações acima?

Foi realizada análise de risco no projeto e instalação desta rede?

Por que nenhum programa de comunicação foi adotado? Por que não foi realizada uma audiência pública para discutir o projeto?

Os moradores, comerciantes e o colégio foram comunicados sobre a instalação desta nova linha de transmissão?

Foram consideradas outras opções técnicas (trajeto diferente ou linhas enterradas)?

Foram consideradas medidas mitigatórias (blindagem da linha)?

Foram consideradas medidas compensatórias para moradores e comércio?

Como serão compensados os proprietários de casas, apartamentos, terrenos e pontos comerciais pela imprevista queda no valor de suas propriedades? Existe jurisprudência para indenização de proprietários devido à desvalorização econômica do terreno causada pela passagem rede de transmissão de energia elétrica.

A Avenida Sete de Setembro será alargada? Os comerciantes foram avisados sobre a redução das calçadas que atualmente são utilizadas como estacionamento de seus negócios?

Qual será o impacto paisagístico? Na revitalização da Avenida Comendador Franco em Curitiba, por exemplo, está incluída a retirada das torres de alta tensão.

Existe garantias de resistência dos postes contra o impacto de caminhões? Serão instaladas defensas metálicas para proteção em caso de choques de veículos?

Qual o motivo que levou a transferência da linha do Bairro Santo Afonso para a deste projeto? A rede atual apresenta risco elevado? Qual a vantagem deste projeto sobre a situação atual?

Outras perguntas podem ser entregues por escrito no plenário para um vereador de Novo Hamburgo que questionará o representante da AES Sul.

Para mais informações clique aqui: https://vicentemanera.wordpress.com/2011/06/23/redes-de-alta-tensao-sobre-nossas-cabecas

1 comentário

Arquivado em Ética, Geral, Meio Ambiente, Política, Segurança

Sejamos Oportunistas!

Acho incrível como certas palavras ganham contornos negativos com o passar do tempo, enquanto outras passam a ter significados muito melhores do que os originais. Por exemplo, o grande poeta Augusto dos Anjos escreveu no seu impactante soneto “Versos Íntimos”:
 

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Formidável, em seu sentido original, significa terrível, pavoroso. Afinal o que pode ser mais terrível do que o enterro do último sonho ou ilusão de uma pessoa?  Hoje todos usamos a palavra formidável, no Brasil, para adjetivarmos algo excelente.

Augusto dos Anjos publicou apenas um livro de poesias: "Eu"

Por outro lado, os dicionários definem o oportunista como aquele que sabe tirar proveito das circunstâncias de dado momento, em benefício de seus interesses. Será que isto é realmente mau, se os aspectos éticos forem levados em consideração? O significado de oportunismo, na esfera da política ou dos negócios, deixa implícito que esta prática é empregada independentemente do sacrifício de princípios éticos. No futebol, curiosamente, é um grande elogio dizer que o atacante do time é oportunista. No Internacional, lembro de nomes como Dadá Maravilha, Geraldão e Nilson. Abaixo você pode assistir ao gol de Dario na final do campeonato brasileiro de 1976 contra o Corinthians.

Sejamos o atacante oportunista da nossa vida pessoal e profissional para aproveitarmos as circunstâncias favoráveis e atingir mais rápidos nossos objetivos. Vamos manter as antenas sempre ligadas. Só tenho um último lembrete, não esqueçam da ética, porque como escreveu Augusto dos Anjos no final do soneto “O Morcego”:

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

2 Comentários

Arquivado em Ética, Blog, Esporte, Gestão de Pessoas, Inter, linkedin, Literatura

Vale Tudo para Conseguir o Emprego dos Sonhos? Veja o Filme “O Corte”!

O cineasta grego Costa-Gavras é famoso pelos filmes políticos. Por exemplo, ele dirigiu filmes como “Z” que trata da ditadura militar grega nos anos 60 e “Desaparecidos, Um Grande Mistério” (Missing) que aborda a ditadura de Pinochet no Chile. Seu último filme, rodado em 2005 na França, é “O Corte”.

Cineasta Costa-Gavras

Um processo aparentemente irreversível é a globalização da economia. As terceirizações, fusões e incorporações são consequências deste processo. Quando duas empresas se transformam em apenas uma, ajustes nos quadros dos níveis administrativos e na diretoria são inevitáveis. Ou seja, demissões ocorrem e, normalmente, apenas as funções operacionais não são afetadas em um primeiro momento.

“O Corte” conta a história de Bruno Davert de 41 anos, interpretado pelo ator francês José Garcia, quinze dos quais prestando bons serviços a uma fábrica francesa de papel. Dois anos depois de perder seu emprego, ele toma uma decisão totalmente heterodoxa, resolve identificar, perseguir e eliminar os candidatos ao cargo que cobiça. Bruno parte para um jogo sem regras onde a concorrência é eliminada e o objetivo final justifica os meios adotados. Como podemos perceber, Costa-Gavras, através de sua ideologia de esquerda, criou uma paródia do capitalismo selvagem, onde livre competição pode significar a eliminação implacável da concorrência. O resultado final do filme é muito interessante e o humor negro vem na dose correta. Além de divertir, nos leva a boas reflexões sobre limites éticos e morais. Será que vale tudo para atingir os objetivos?

Como já escrevi em outro post, concorrência forte é fundamental para evitar acomodação e estimular o crescimento. Por outro lado, agir de modo ético é essencial para a construção de uma vida pessoal e profissional de sucesso. Nada melhor do que viver sem medo de ser descoberto e sem paranoias ou manias de perseguição, porque esperamos dos outros as mesmas atitudes que praticamos.

2 Comentários

Arquivado em Ética, Cinema, Economia, Geral, linkedin

O Diabo Sempre Cobra a Conta

Outro dia recebi uma mensagem com a propaganda de um curso. No final tinha a seguinte frase:

– “O que sua empresa quer é sua inteligência, criatividade, capacidade inovadora, motivação, comprometimento e não o seu sangue”.

Comecei a pensar sobre a frase e cheguei a conclusão que isto necessariamente não era uma coisa boa. Afinal as empresas estavam querendo as nossas ALMAS!!!

Lembrei de um filme dos anos 80, Crossroads. Filme muito bom, especialmente para quem gosta de blues e rock. Ralph Macchio, o Karate Kid original, é o ator principal. Durante o filme ele é dublado pelo grande guitarrista Ry Cooder. O filme trata da lenda dos pactos com o diabo de grandes músicos do blues para atingir o sucesso. Para salvar a alma do seu companheiro de jornada, Ralph Macchio aceita enfrentar o guitarrista do diabo interpretado pelo “monstro” Steve Vai. O duelo é vencido quando Ralph, dublado desta vez pelo próprio Steve Vai, toca Bach na guitarra. Afinal se Johann Sebastian Bach toca a música que vem do Céu, como o guitarrista do diabo poderia vencer o duelo? Assista à cena do duelo.

Se as empresas querem nossa “alma”, não devemos “vendê-la” a uma empresa antiética , apenas em troca do sucesso. Como aconteceu no filme, um dia o “diabo” virá cobrar a conta…

1 comentário

Arquivado em Ética, Cinema, Gestão de Pessoas, linkedin, Música

Coronel Nascimento e o Nascimento da Consciência

No sábado passado, eu e a Cláudia fomos ao cinema para assistir ao filme Tropa de Elite 2. Nossa expectativa era alta e não ficamos decepcionados.

A mensagem que existe uma violência institucionalizada ligada à parte da classe política é perturbadora. Campanhas políticas aparecem financiadas por criminosos através de “caixa dois” e toda a promiscuidade, oriunda desta união espúria, se revela em um toma lá dá cá inaceitável. Os cidadãos, por outro lado, são manipulados por uma mídia com interesses obscuros.

Como romper este círculo vicioso? Isto nunca mudará? Minha resposta é a situação está melhorando, mas depende da participação de todos nós. A maior prova foi a aprovação do projeto Ficha Limpa e a sua aplicação na eleição deste ano devido a uma iniciativa popular. Este instrumento está previsto em nossa Constituição e permite que um projeto de lei seja apresentado ao Congresso Nacional desde que, entre outras condições, seja acompanhado pelas assinaturas de 1% de todos os eleitores do Brasil.

Foram obtidas 1,9 milhões de assinaturas através de uma grande mobilização que contou com a Internet através do Twitter, do Facebook e do capítulo brasileiro da Avaaz.org. No Senado, a aprovação do projeto de lei foi unânime! Este resultado seria possível sem a participação organizada da sociedade? Provavelmente não…

Há um bom tempo o senador Pedro Simon defende o financiamento público de campanhas eleitorais. Quando ouvi pela primeira vez, achei um verdadeiro absurdo. Como a esmagadora maioria dos brasileiros, pensei em novos desvios de dinheiro para as mãos de políticos inescrupulosos.

Hoje começo a pensar diferente. A proibição de doações de pessoas físicas e jurídicas parece ser uma boa medida. Desta forma, poder-se-iam reduzir as trocas do tipo dar a contribuição para a campanha e, após a eleição, receber vantagens em projetos e contratos com o setor público. Como não existiriam mais campanhas milionárias, também seria fácil reconhecer a existência de “caixa dois”.

No Congresso Nacional, está em tramitação um projeto de reforma política que trata de três pontos principais:

  • fidelidade partidária;
  • financiamento público de campanhas eleitorais;
  • votação em lista fechada.

Além do financiamento público de campanhas, a fidelidade partidária é outra medida importante para o fortalecimento dos partidos e controle da corrupção.

Destes pontos, apenas o terceiro me traz dúvidas. Será que a votação em lista fechada não vai causar a perpetuação dos caciques partidários? Afinal os partidos decidirão internamente a ordem dos candidatos na lista. Desta forma, se o partido obtiver votos suficientes para eleger quatro deputados, os eleitos serão os quatro primeiros da lista. Parece muito mais democrático deixar na mão do eleitor a decisão dos candidatos eleitos do que dar todo o poder para um pequeno grupo sujeito às mais variadas influências.

Cabe à sociedade novamente organizar-se e buscar o aperfeiçoamento da democracia brasileira e das instituições públicas. Afinal a democracia deve ser tratada como um processo que sempre poderá ser aprimorado e NÓS somos os agentes destas mudanças.

4 Comentários

Arquivado em Ética, Cinema, História, linkedin, Política

Grêmio: Entrega ou Não Entrega?

Há alguns anos deixei de, imediatamente, tomar partido de um lado ou de outro nas discussões sobre política e passei a tentar entender as motivações dos dois lados. Estendi este procedimento para outras áreas e, sinceramente, isto me ajudou a entender mais as pessoas e, principalmente, os gaúchos.

Eu estaria exagerando se dissesse que a população do Rio Grande do Sul é uma das mais radicais do mundo, porque hoje não chegamos ao ponto de desejar a morte do outro lado como acontece no Oriente Médio. Por outro lado, ao assumir uma posição, é quase impossível a mudança. A pessoa é malvista e rotulada como vira-casaca. Nós gaúchos formamos sempre dois polos. Na política já tivemos várias fases:

– imperiais x farrapos;
– pica-paus (aliados do Júlio de Castilhos) x maragatos;
– chimangos (aliados de Borges de Medeiros) x maragatos;
– brizolistas x antibrizolistas;
– ARENA x MDB;
– PDS x PMDB;
– petistas x antipetistas.

Cavalaria Farroupilha

A situação chega ao ponto de se desejar o mal para o estado para prejudicar o lado adversário. A irracionalidade é muito forte. CPIs com justificativas semelhantes são elogiadas na esfera estadual e criticadas no âmbito federal, mostrando uma completa falta de coerência. É como diz o provérbio popular “a paixão cega a razão”.

No futebol, não poderia ser diferente. O estado se divide em colorados e gremistas. Existem claras diferenças ideológicas entre os dois lados. Para os colorados, é fundamental ter um time que jogue bem, com qualidade técnica e bom toque de bola. A vitória deve ser o resultado da prática do futebol mais bem jogado. Para os tricolores, o mais importante é a raça. A vitória é consequência da superação dos limites da equipe, algo heroico.

Da mesma forma, como acontece em outras áreas, boa parte dos tricolores são anticolorados e boa parte dos torcedores do Inter são antigremistas.

Rivalidade Gre-Nal

Esperei quase uma semana para escrever sobre a rodada final do Brasileirão deste ano. O Inter, para ser campeão brasileiro, deve vencer seu jogo e esperar a ajuda do seu maior rival no jogo contra o Flamengo no Rio de Janeiro.

Ouvi coisas incríveis durante esta semana. Por exemplo, a culpa desta situação é da fórmula do campeonato por pontos corridos. Outra pérola é a colocação no mesmo nível do ato de “secar” o rival e a facilitação do jogo para o Flamengo. Outra sensacional é a colocação de que a direção tricolor não vai pedir para os jogadores “entregarem” o jogo, mas vai descaracterizar a equipe com a retirada de vários titulares. Assim o time formado por jogadores mais fracos perderia a partida sem fazer “corpo-mole”. Isto me lembra a página mais lamentável da história do Rio Grande do Sul, o episódio do massacre dos negros em Porongos. No final da Revolução Farroupilha, os termos da rendição não admitiam a manutenção dos negros livres que lutaram ao lado dos farrapos. A solução foi desarmá-los e combinar um ataque noturno dos imperiais ao acampamento dos lanceiros negros. Como os soldados negros desarmados poderiam resistir ao ataque do exército imperial? Como o Grêmio pode resistir ao ataque do Flamengo com um time “desarmado” cheio de reservas?

 Voltamos à velha questão do dilema ético, já abordada com mais detalhe no post sobre Nelsinho Piquet. As consequências para o Grêmio, dependendo do que ocorrer no domingo, podem ser imprevisíveis. A história centenária do tricolor gaúcho pode ficar manchada e o Grêmio perderá a maior oportunidade de demonstrar toda a sua grandeza.

Sou colorado e alguns leitores podem dizer que estou legislando em causa própria. O ex-deputado Marcos Rolim, defensor dos direitos humanos e gremista de nascença, pensa parecido. Vocês podem conferir o seu artigo.

http://rolim.com.br/2006/index.php?option=com_content&task=view&id=739&Itemid=3

No domingo à noite, saberemos o que aconteceu…

2 Comentários

Arquivado em Ética, Esporte, Inter

O Microvestido na Uniban: Quando o Grupo Ajuda a Expor as Fraquezas dos Indivíduos

O filósofo grego Aristóteles, há mais de 2300 anos, foi autor da tese que “o homem é um animal social”. Esta tese fundamenta-se na união natural entre os homens, porque o ser humano é naturalmente carente, necessitando de coisas e de outras pessoas para alcançar a sua plenitude.

aristoteles

Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.)

Evidentemente estas necessidades não se restringem a aspectos materiais. Buscamos, por exemplo, apoios, estímulos e reconhecimentos pelos grupos. Deste modo, procuramos outras pessoas que têm opiniões semelhantes ou apresentam visão de mundo semelhante à nossa. Muitas vezes, dentro de um grupo, atitudes socialmente inaceitáveis são praticadas.

Em umas férias, eu viajei para New York. Havia uma grande excursão de japoneses no hotel em que eu estava hospedado. Aquele hotel oferecia o café da manhã incluído na diária e, num certo dia, parecia que todos acordaram na mesma hora e desceram para o breakfast. Para minha surpresa e indignação, muitos japoneses furaram a fila escandalosamente. Fariam isto se não estivessem fortalecidos pelo grupo? Provavelmente não! Lembro-me de uma francesa que incentivava a todos a reagirem. Por pouco não foi criado um conflito entre os japoneses e o “resto do mundo”. Aquela francesa sozinha não começaria uma guerra, mas participaria ativamente se o grupo lhe desse respaldo.

No caso da Uniban, não entrarei na discussão sobre a roupa da estudante. Eu acho que aquele vestido era inadequado para assistir a uma aula, mas nada justifica o que aconteceu. Hoje gostaria de discutir a atitude agressiva dos estudantes.

aluna_uniban2

Aluna da Uniban escoltada por seguranças

A esmagadora maioria das pessoas que agiram de modo ofensivo e preconceituoso só o fizeram porque estavam em grupo. Portanto podem ter exposto seus sentimentos, aproveitando a participação da turba injustificadamente enfurecida. Neste momento, preconceitos e repressões de origem sexual ou social devem ter aflorado. Além disto, existiam pessoas que queriam ser reconhecidas pelo grupo e aproveitaram a oportunidade para fazerem as mesmas grosserias que alguns ”líderes” perpetravam.

Devemos ter uma ética que não mude quando estamos sós ou dentro de um grupo. Se dentro de um grupo, abolirmos todos os nossos preceitos éticos, concluiremos que, para o bem do grupo, vale mentir, roubar ou matar. Aquele simples check list  que apresentei em outro post  pode ajudar em caso de dúvida.

Não cheguei ao ponto que um “cara” declarou há dois mil anos: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (evangelho de João 15,12), mas seria maravilhoso se agíssemos desta forma. Jesus também protegeu Maria Madalena de ser apedrejada e disse para as pessoas: “quem nunca pecou, jogue a primeira pedra”.

Se aqueles estudantes da Uniban seguissem, pelo menos, aquele ensinamento que escutamos desde pequeno: “não faça algo que não gostaria que os outros fizessem a você”, este fato lamentável teria sido evitado. Isto também vale para todos os tipos de discriminações (sociais, raciais ou sexuais) e assédios (sexual ou moral).

2 Comentários

Arquivado em Ética, Geral, Gestão de Pessoas, linkedin

Questão Ética: Você absolveria Nelsinho Piquet?

Ontem saiu o resultado do julgamento do rumoroso caso da manipulação no GP de Cingapura de Fórmula 1 em 2008. Para quem está por fora do assunto, Nelsinho Piquet recebeu uma ordem do ex-chefe da escuderia Renault, Flavio Briatore, e pelo ex-diretor técnico, Pat Symonds, para bater propositalmente no muro para favorecer seu companheiro Fernando Alonso. Como ele estava numa situação difícil dentro da equipe e fortemente ameaçado de perder o emprego no final daquela temporada, cumpriu a ordem em troca da renovação do seu contrato. Assista ao vídeo da BBC com o resumo da história.

Após ser demitido, no decorrer da atual temporada, Nelsinho denunciou o plano em troca de imunidade.

 A Federação Internacional de Automobilismo divulgou a seguinte decisão:

 – a Renault permanece na disputa do campeonato, mas será excluída se cometer qualquer infração grave nos próximos dois anos;

– Flavio Briatore foi banido da categoria por ser o “cabeça” da fraude;

– Pat Symonds foi suspenso por cinco anos por participar da maracutaia;

– Nelsinho Piquet teve a imunidade confirmada e não foi punido.

 A equipe francesa conseguiu se livrar razoavelmente bem nesta história, porque admitiu a culpa e demitiu os dois idealizadores a armação.

Briatore foi proibido de manter qualquer vínculo com a Fórmula 1, incluindo agenciar a carreira de pilotos. Fernando Alonso, Mark Webber, Heikki Kovalainen e Romain Grosjean estão entre os seus clientes. Neste caso, fica claro que existe, pelo menos, um conflito de interesses. Como Briatore pode ser o chefe de uma escuderia e, ao mesmo tempo, agente de seus pilotos (Alonso e Grojean) e de pilotos de equipes adversárias (Weber e Kovalainen)?  É realmente muito estranho…

No caso de Nelsinho, houve a troca de uma atitude antiética por mais um ano de contrato. Todos concordam que ele errou, mas no nosso cotidiano enfrentamos situações mais complexas ou sutis. Quando isto ocorrer, devemos recorrer a um pequeno check list:

1. O ato a ser executado infringe alguma lei?

2. O ato é contrário a alguma norma interna ou procedimento da empresa?

3. Alguém será prejudicado por esta ação?

4. Alguém pode interpretar que a ação é antiética?

Mesmo que todas as respostas das perguntas acima sejam negativas, se você estiver com aquela sensação que tem alguma coisa errada, não faça. Afinal, como diziam os romanos, não basta à mulher de César ser honesta, ela tem que parecer honesta.

Reputação depois de atingida, dificilmente fica completamente restabelecida. O tempo deverá mostrar esta dura realidade para o Nelsinho Piquet.



Deixe um comentário

Arquivado em Ética, Esporte, linkedin