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Sobre Vicente Manera

Eng. Quimico, colorado, casado com a Cláudia, pai do Léo, da Júlia e da Luiza.

Ninguém Consegue Pensar Bem com Raiva

É muito difícil ter discernimento do que falar ou fazer, quando estamos dominados pelo ressentimento ou pela raiva. Normalmente as decisões, nestes momentos, não são as corretas e causam problemas futuros.

O esporte de lutas em mais evidência hoje é o chamado MMA (Mixed Martial Arts). Um dos maiores nomes da história deste esporte é Antônio Rodrigo Nogueira, o Minotauro. No ano passado, ele perdeu uma luta impressionante para o americano Frank Mir. Em dezembro de 2008, ele já havia perdido a luta para este lutador por nocaute técnico, a única derrota desta forma na sua carreira. No último combate de 2011, Minotauro acertou uma sequência de golpes que derrubou Mir. Se ele desse mais dois ou três golpes na cabeça do adversário, o juiz certamente encerraria a luta, mas Minotauro decidiu vencer a luta por submissão. Parecia que sua vingança só seria saciada se ele imobilizasse seu adversário no chão, a melhor técnica dominada por seu rival. Incrivelmente Mir conseguiu uma chave de braço. Nogueira tentou reverter a situação, mas não era mais possível, ele não quis desistir e acabou com o braço fraturado.

Antô Nogueira, o Minotauro vs Frank Mir

Minotauro domina a luta (esquerda). Finalização de Mir (direita).

No final de semana passado, o brasileiro Junior Cigano defendeu seu título de campeão dos pesos pesados do UFC justamente contra Frank Mir. Cigano ficou toda a luta em pé, porque seu ponto forte é o boxe. Após uma sequência de golpes, Mir caiu e o brasileiro percebeu que o adversário ainda estava ativo, se distanciou e deixou que Mir se reerguesse. Logo depois, Cigano conseguiu uma nova série de golpes, Mir sentiu e caiu, o brasileiro novamente recuou, mas desta vez o americano não conseguiu se levantar e ele aproveitou a oportunidade e acertou mais um golpe na cabeça do adversário. O juiz imediatamente encerrou o combate para evitar lesões mais graves.

Junior Cigano vs. Frank Mir

Junior Cigano dominou a luta do início ao fim.

Qual foi a diferença entre as lutas de Cigano e Minotauro? Cigano lutou focado, sem emoção e sua tática foi seguida à risca até a vitória, enquanto Minotauro teve uma atuação irrepreensível até o ponto em que conquistou uma enorme vantagem, neste momento, a vingança pareceu ser o mais importante… O resultado foi a mais dolorosa derrota da sua carreira e um braço quebrado!

Na nossa vida pessoal ou profissional, em determinados momentos, deixamo-nos levar por sentimentos inferiores como o ódio ou a raiva. Quando tomamos decisões neste estado mental, podemos machucar as outras pessoas e a nós mesmos. Só que diferentemente do Minotauro, ao invés de um braço quebrado, você pode causar sequelas mais graves. A sua própria carreira poderá sofrer sérios prejuízos. Relacionamentos importantes podem ser envenenados ou, até mesmo, inviabilizados.

Incrível Hulk

Quando não controlamos a raiva, podemos virar “Hulks”.

 

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Centro Volver!

No Brasil, na Europa e em vários locais democráticos do mundo, não existe mais a separação clara entre a direita e a esquerda. Parece que as duas vertentes políticas migraram para o centro, criando uma grande zona cinzenta. No Brasil, por exemplo, PT e PSDB são muito parecidos em suas propostas, apesar de cada um dos lados alardear ser o criador de cada conceito econômico vigente no país.

Na Europa, os socialistas e os liberais, com o passar do anos, tornaram-se cada vez mais semelhantes, sendo diferenciados por detalhes praticamente insignificantes na ótica dos eleitores. Por incrível que pareça, a extrema direita é a novidade no velho continente. Fato comprovado pelas expressivas votações de Marine Le Pen para presidência da França e dos neo-nazistas nas eleições estaduais na Alemanha.

Marine Le Pen

Marine Le Pen ficou em terceiro lugar com 20% dos votos

Um colega francês ficou indignado na semana passada com alguns comentários sobre a inviabilidade do Euro. Ele respondeu que, muito além das questões monetárias, está o sonho de estabilidade política e paz para todo o continente. Este é um sonho de várias gerações, mas talvez não seja o desta geração que busca empregos e crescimento econômico. Quando alguém de extrema direita culpa os imigrantes pela crise e desemprego, a comparação com a questão entre nazistas e judeus é inevitável.

A paz só é possível com estabilidade política e econômica. Um “novo capitalismo” deve emergir desta crise. A chamada terceira via, tão comentada há alguns anos, não surgiu ainda. Talvez nasça nos países em desenvolvimento… As pessoas não querem só comida, também querem diversão e arte (como cantavam Os Titãs). Um mundo melhor é possível, mas só nascerá se a “mão invisível” do liberalismo, que se tornou a única opção após a derrocada do bloco socialista, for substituída por um novo sistema. Todos devem trabalhar, gerar riqueza, ter acesso à educação e saúde de qualidade…

Eterno Debate

Viverei e verei este novo mundo florescer… Farei o que estiver ao meu alcance, este é meu compromisso!

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A Tecnolatria ou Como a Vida Parece Inviável sem a Tecnologia

Hoje visitamos uma fábrica na minúscula cidade de Arborfield no Canadá. No trajeto de quase duas horas e meia, percorrido de automóvel, apenas os primeiros 30 minutos tiveram uma cobertura precária de sinal do meu celular. Como ficamos aproximadamente 3 horas na cidadezinha, incluindo a visita e o almoço, fiquei desconectado do mundo por 7 horas.

É realmente incrível como passamos a depender da tecnologia! Quando comecei a trabalhar há 25 anos, a telefonia fixa era precária, os computadores pessoais eram lentos, caros e escassos, não existia Internet ou E-mail. As mensagens internas eram papeis transportados por office-boys, enquanto que as externas eram transmitidas por Telex. O quase falecido FAX veio anos depois e revolucionou as comunicações. Afinal podíamos enviar, além dos textos, figuras e cópias de documentos instantaneamente para alguém distante de nós. O problema é que existiam apenas duas cores, preto e branco, e depois se descobriu que aquele papel termossensível desbotava com o tempo e perdíamos conteúdos preciosos…

Máquinas de Telex (esquerda) e de FAX (direita)

Finalmente chegou o correio eletrônico, um grande passo para facilitar e democratizar a troca de informações entre as pessoas e entre as empresas. Agora além de textos e figuras, podemos enviar fotos, planilhas, apresentações…

Com o passar do tempo, apareceram os notebooks (ou laptops, como você preferir) que foram se tornando cada vez mais leves e potentes. Logo se transformaram em sonho de consumo, depois viraram o padrão do mercado. As informações passaram a ser carregadas para toda a parte. Vieram os celulares analógicos, depois os digitais ganharam novas funções e foram criados os multifuncionais, onde se pode navegar na Internet, receber e responder E-mails, tirar fotos, fazer vídeos, ouvir músicas…

Antigo Motorola (esquerda) moderníssimo iPhone 5 (direita)

Parece incrível, mas antes eu ocupava todo meu dia de trabalho sem estas ferramentas: notebook, celular, Internet e E-mail. Atualmente qualquer pane em uma destas ferramentas já causa um golpe na produtividade do trabalho. Tudo o que precisamos migrou para a forma eletrônica, cada vez guardamos menos papeis em arquivos metálicos e gavetas. Tudo estará logo na famosa “cloud” (ou iCloud para a turma da Apple). Só que tudo desaparece quando o plano de telefonia celular do nosso multifuncional não tem cobertura no interior da província de Saskatchewan no Canadá. Nestas horas, só me resta escrever um post da forma antiga, com papel e caneta. Depois se passa a limpo no blog…

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Privatização da Embrapa?

Faz alguns meses que estou trabalhando em um projeto em conjunto com a Embrapa. Neste período, pude perceber a excelência, dedicação e o profissionalismo de seus técnicos. Os primeiros resultados foram muito promissores e deveremos fortalecer esta parceria para os próximos anos.

Um aspecto que chamou minha atenção foi o entusiasmo e a visão no desenvolvimento do país. Um destes técnicos me disse que ele estava feliz com os primeiros resultados, mas sabia que provavelmente, nos próximos anos, as multinacionais colocariam no mercado híbridos mais produtivos. Comentei com ele que a função de gerador de tecnologia e desbravador do mercado foi exercida com eficiência pela Embrapa.

Fiquei surpreso quando vi as notícias sobre a privatização da Embrapa. Achei um verdadeiro absurdo e pensei em escrever um post sobre o assunto, mas encontrei este belo texto escrito pelo Delfim Netto na sua coluna da Folha de São Paulo do dia 11 de abril de 2012. A coluna está apresentada na íntegra abaixo.

Há tarefas que as virtudes do mercado não podem realizar adequadamente. Não se pode e não se deve esperar que uma empresa privada, que só pode sobreviver se gerar lucro, distribuir dividendos e criar valor para seus acionistas, atenda corretamente ao interesse social se tiver objetivos conflitantes entre o curto e o longo prazo.

É o que pode acontecer, por exemplo, quando a pesquisa e a inovação ocorrem em empresas que são, ao mesmo tempo, produtoras e disseminadoras de bens que incorporem seus resultados.

Suponhamos, para simplificar o argumento, uma empresa que produza um eficiente fungicida para combater doença que ataca a produção de feijão. Um dia, seus cientistas constroem com sucesso uma variedade de feijão resistente ao fungicida que ela mesma produz. Qual será a provável reação da sua administração, cujo primeiro dever é proteger o valor do patrimônio de seus acionistas? Patentear a inovação e colocá-la na prateleira! Até quando? Até que o valor dos seus investimentos na produção do fungicida seja completamente amortizado.

O “mercado” apresenta uma “falha”. Não funciona adequadamente pela simples e boa razão que o “incentivo” que lhe determina a ação – a maximização dos lucros – subordina o interesse coletivo ao “curto-prazismo” do interesse privado. Em outras palavras, o feijão resistente aos fungicidas que beneficiaria toda a sociedade terá a sua disseminação controlada pela velocidade da depreciação do investimento já feito para produzir o fungicida, condicionada ainda à possibilidade de garantir a remuneração dos dispêndios feitos com a pesquisa – ou seja, à patente e ao controle do valor criado pela descoberta.

Se não houver a “garantia” da patente, o mais provável é que, devido ao interesse privado, a inovação de interesse social nunca veja a luz.

Foram constatações tão simples como essas que levaram o governo, em 1972, a criar a EMBRAPA, que transformou o maior “passivo” brasileiro, o cerrado, no nosso maior “ativo”. Um ativo construído com dedicação, diligência e trabalho duro, que precisa continuar a ser defendido do “aparelhamento” ideológico-partidário.

colheita de soja no cerrado brasileiro

Ao contrário do que pensam alguns de nossos economistas, a EMBRAPA não nasceu para competir com o setor privado. Nasceu para inovar, criar e transmitir conhecimentos, usando as empresas privadas como instrumento para disseminá-los. Ela não produz “distorções” no mercado.

Muito pelo contrário, corrige a sua miopia “prazo-curtista”. É isso que torna incompreensível o misterioso e confuso “ruído” político atual sobre o seu importante papel para o desenvolvimento nacional.

FONTE: escrito por Antonio Delfim Netto na Folha de São Paulo  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/36373-embrapa.shtml)

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Minha Última Morada

Já pensei algumas vezes sobre o que seria feito com meu corpo após a vida abandoná-lo. Sinceramente não gostaria que fosse colocado em um caixão para ser consumido por bactérias vorazes e, num dia, ter os ossos transferidos para uma pequena urna guardada em um jazigo por toda a eternidade.

Prefiro a cremação, após a retirada de todos os órgãos ainda úteis para outras pessoas. O problema, neste caso, seria o que fazer com as cinzas. Meu coloradismo exacerbado sugere o gramado do Beira-Rio como o depositário dos minerais que compunham minha carcaça. Duvido que a direção do clube permitisse este procedimento. Afinal quantos torcedores desejariam ter o mesmo destino? Outro ponto contrário são as superstições futebolísticas bobas. Se o time passasse a perder, seria rotulado como um morto pé-frio causador do sofrimento de toda a “Nação Vermelha”. Por outro lado, se ganhasse um campeonato importante logo no primeiro ano, teria o status de santo. Logo eu…Se construirmos alguma casa especial ou, pelo menos, encontrarmos uma, poderia ser incorporado à terra de algum canteiro. Imagina ser reciclado e virar legume, fruta ou verdura? Não acho uma boa ideia! Sempre haveria comentários do tipo:

– Esta laranja está ácida!
– Mas também, a laranjeira foi fertilizada por quem? Como poderia ser diferente?

Só não reclamem que o chuchu está sem gosto, porque aí a culpa não será minha! Resta a alternativa de virar flor, mas gerará comentários maldosos. Que eu vire então uma ávore não-frutífera ou um arbusto…

Às vezes penso que o melhor seria voltar direto para a terra e não dar trabalho para os outros fazerem a “disposição final” dos meus restos. Se algum dia este post tiver alguma importância no mundo, talvez alguém diga:

– Putz! O cara se deu mal…

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A Reinvenção – Veja “O Artista”

Ocupar as dez horas que separam New York de São Paulo pode ser um tremendo desafio para alguns ou uma tortura terrível para outros. Sinceramente, não tenho muita dificuldade para preencher o tempo. Gosto de ver filmes, ler e, se tiver alguma inspiração, escrever.

O primeiro filme que assisti nesta última viagem foi surpreendente. Afinal qual é o louco que faz um filme mudo com fotografia em preto & branco no século XXI? O diretor Michael Hazanavicius foi realmente muito ousado! Onde estão os efeitos especiais e o 3D tão propícios para as modernas salas IMAX?

O Artista

O filme apresenta a única verdade absoluta que eu conheço – o mundo não para e temos que nos reinventar a cada dia. Se hoje somos os melhores, amanhã poderemos estar no ostracismo, porque a área que dominamos pode não ter mais a mesma importância ou destaque. Foi o que aconteceu com George Valentin, interpretado magistralmente por Jean Dujardin, ao acreditar que sua posição de ídolo do cinema mudo não se alteraria jamais. Não percebeu que o cinema falado sucederia o cinema mudo e insistiu em oferecer um produto que o público não desejava mais.

O filme se chama “O Artista”, mas poderia ser “O Engenheiro”, “O Médico”, “O Empresário”, “O CEO”, “O Político”, “O Cidadão”, “O Pai”, “O Filho” ou “O Marido”. Todos temos que nos reinventar nos diversos papeis que exercemos.

No final, como no grande cinema de Hollywood e em nossas vidas, apesar de frequentemente duvidarmos, o protagonista consegue dar a volta e se reinventa, fazendo um musical com muita dança e sapateado. Acredito que não foi à toa que as duas únicas palavras audíveis de George Valentin no filme foram “with pleasure”.

O Artista cena final

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O Aracnicídio

Quando mudei para São Paulo, pedi uma vaga no estacionamento do conjunto de prédios onde estão localizados os escritórios da empresa em que trabalho. Passados alguns dias me deram uma vaga no quarto subsolo de um dos edifícios-garagem. Notei que havia algumas teias de aranha no teto e em paredes próximas. Um dia vi uma aranha preta com manchas vermelhas no corpo e nas patas. Depois apareceu uma teia semiesférica com outra aranha dentro. Depois de algumas semanas, a aranha saiu da sua “toca”, ela era parecida com a primeira, mas era maior.

Aranha parecida com minhas vizinhas

Resolvi buscar uma convivência pacífica com minhas colegas de vaga. Inclusive dei nomes, a primeira era a Lucrécia (homenagem à Lucrécia Bórgia) e a maior era a Jacobina (homenagem a Jacobina Mentz Maurer dos Muckers).

As teias foram crescendo, assim como a proximidade das aranhas ao meu automóvel. Comecei a ficar com receio de me enrolar em alguma teia ou de ser atacado por uma das aranhas. Na quinta-feira passada, quando estava descendo a rampa de acesso do estacionamento, encontrei dois funcionários da limpeza. Aproveitei e informei o número da minha vaga e pedi para remover as aranhas. O pessoal imediatamente foi até o local e matou a Lucrécia, a Jacobina e suas crias. Sinceramente senti certo remorso por ter sido o mandante da matança das aranhas, mas tentei racionalizar que a situação representava um risco para mim.

Depois estava trabalhando normalmente, quando a secretária chegou e me avisou que mudou o local do estacionamento do meu carro. Na mesma hora, lembrei-me das aranhas inutilmente mortas. Que coisa mais terrível, parecia script de filme…

No final do dia, me dirigi até meu carro e vi que todas as teias foram removidas exceto uma junto à coluna no lado da minha ex-vaga. Ali durante o dia outra aranha da mesma espécie teceu uma nova teia. Já a batizei como Messalina (a polêmica imperatriz romana casada com Cláudio).

Lucrécia Borgia, Jacobina Maurer e a Imperatriz Messalina

Parecia um sinal que, apesar do massacre a que foram expostas, aquela espécie continuaria lutando e resistiria a todas as violências e adversidades do mundo exterior. Afinal a vida deve triunfar no final, mesmo que um tirano intolerante ache impossível a convivência entre criaturas diferentes. Esta é uma história verídica, mas poderia ser uma fábula sobre xenofobia e genocídios…

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Malditas Multinacionais

Muitas pessoas acreditam que empresas multinacionais querem prejudicar um país, quando decidem não investir ou descontinuar suas atividades em determinadas regiões do planeta. Na verdade, tudo se baseia no binômio lucro e risco. Meu objetivo, neste artigo, não é fazer uma defesa incondicional destes grupos econômicos, mas levantar alguns pontos para reflexão.

Visão sobre Multinacionais por Rodrigo Minêu

Multinacionais na visão de Rodrigo Minêu

Todos nós fazemos esta análise de risco e lucro ou custo e benefício na nossa vida. Se você tiver R$ 200 mil para aplicar e dois bancos lhe oferecem propostas para fundos de investimento. Um dos bancos é de primeira linha, um dos maiores do Brasil, e paga uma taxa de 1% ao mês, enquanto que o outro é um pequeno banco desconhecido da maioria das pessoas e remunera o capital com o dobro da taxa do grande banco. O que você faria? Colocaria todo seu dinheiro no banco menor, arriscando a perder tudo em caso de uma falência?

A opção da maioria das pessoas seria pela alternativa do grande banco, onde os lucros e os riscos são menores. O mesmo acontece muitas vezes em relação às multinacionais. As empresas procuram países onde haja estabilidade política e econômica, onde as regras não mudem com frequência e exista um judiciário independente. Este é o motivo que hoje é muito mais atraente investir no Brasil do que há vinte anos.
dineheiro na mão

Continuando o nosso exemplo, o Fundo Garantidor de Crédito cobre investimentos até R$ 70 mil em caso de falência da instituição financeira. Neste caso, poderíamos colocar R$ 70 mil no banco menor e os restantes R$ 130 mil no banco maior. Claramente houve uma maximização do lucro e um controle do risco. Você acha que os funcionários do banco pequeno teriam razão em dizer que você deveria investir todo seu dinheiro onde trabalham? Por que então as multinacionais deveriam colocar todo seu dinheiro em países onde podem perder seu patrimônio?

A conclusão deste post é que temos mais um motivo para desejar estabilidade político-econômica e instituições sólidas no país, porque ninguém põe seu dinheiro onde não existe isto. Sem investimentos não há desenvolvimento econômico nem empregos, nem redução da pobreza, nem justiça social.

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Bolo de Milho sem Glúten e sem Lactose

Há alguns meses a Cláudia descobriu que tinha intolerância a lactose, o açúcar do leite, e a glúten, um tipo de proteína presente em cereais como trigo, aveia e cevada. Seu problema com glúten não chega a ser tão grave quanto o dos celíacos, mas, mesmo assim, lhe causa uma série de transtornos.

Um dos celíacos mais famosos é Novak Djokovic. O sérvio sempre foi considerado um dos tenistas mais talentosos do circuito profissional, mas falhava nas horas decisivas dos jogos mais longos. Por ser jovem e magro, todos creditavam suas derrotas a alguma fraqueza psicológica. Mas ele descobriu que era celíaco, alterou sua dieta e chegou, no ano seguinte, ao topo do ranking da Associação dos Tenistas Profissionais.

Norman Djokovic

Casos como os da Cláudia e do Djokovic são mais comuns do que imaginamos.  Assim a busca por alternativas que substituam a farinha de trigo, rica em glúten, por outros ingredientes nos alimentos tornar-se cada vez mais frequente.

Antes de repassar a receita deste bolo, eu tenho um último aviso. A Cláudia já contribuiu como fotógrafa em outros posts gastronômicos e nos artigos sobre Rodin e Monet inspirados nas nossas férias na França. Desta vez, além da foto do bolo, ela também assina a receita. Hoje a minha parte é apenas o “enrolation”… Então vamos ao que realmente interessa, tudo com a Cláudia…

Vida de quem tem intolerância a glúten não é fácil… e bolo sem farinha de trigo é difícil achar um bom. Sempre os acho meio “secos”… mas esta receita salvou minha vida!! Adorei… seria perfeita se não precisasse de ovos… o que ainda irei testar. Mas por enquanto, para ajudar os que também têm intolerância, vai aí a receita. É superfácil:

Ingredientes:

8 colheres de sopa de Milharina (Quaker)
1 xícara de açúcar
3 ovos
1 vidro de leite de coco
1 lata de milho verde (colocar tudo, com a água)
1 colher média cheia de fermento em pó (Royal)

Modo de preparo:

Bater tudo no liquidificador.

Pode provar a massa e colocar mais açúcar à gosto.

Colocar numa forma pequena, de 20x30cm.

Assar até dourar (de 30 a 40min). Não cresce muito e fica úmido.

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A Humanidade é Desumana

Todo o dia ligamos a TV e vemos uma quantidade impressionante de imagens que provam que a humanidade vai de mal a pior. Eu, algumas vezes (talvez devesse ser quase o tempo todo…), me sinto um verdadeiro louco, porque defendo exatamente o contrário. A humanidade caminha, na minha visão, para novos estágios de evolução. Hoje se um homem bomba faz um atentado suicida no interior do Afeganistão, imediatamente somos informados pela CNN ou Globo News. De noite, em horário nobre, os diversos telejornais nos apresentam um grande número de tragédias pessoais ou coletivas, violência contra crianças, . crimes ambientais ou contra animais. Não temos como pensar diferente, a humanidade é desumana…

Na quinta-feira, quando cheguei em casa, a Cláudia assistia ao filme sobre Elizabeth I, a “rainha virgem” da Inglaterra, que reinou até o início do século XVII. A quantidade de maldades, perpetradas pelos seus adversários para matá-la, foi impressionante. Por outro lado, seu pai, o Rei Henrique VIII, para casar novamente e tentar um filho homem, inventou o adultério da sua esposa Ana Bolena que foi impiedosamente executada.

Elizabeth I

Elizabeth I

Há algumas semanas, eu e meu filho fomos a exposição sobre Roma no MASP. As histórias sobre os imperadores romanos também apresentam passagens deploráveis. A melhor que vimos é de Agripina. Ela teve um filho no primeiro casamento, Nero. Quando a esposa do imperador Cláudio, Messalina, foi executada por conspiração, ela seduziu o tio e casou-se com ele. Convenceu primeiro a adotar Nero como filho, depois convenceu a escolher Nero como seu sucessor. Quando Cláudio se arrependeu da escolha, envenenou e matou o marido. O pior é que depois Nero cansou da influência da mãe e resolveu matá-la. Fez as tentativas mais bizarras, incluindo até um naufrágio forçado. Finalmente conseguiu matar a mãe.

Nero e Agripina

Moedas com Nero e sua mãe Agripina

Nem falei de Átila, de Genghis Khan, Hitler ou Stalin. Guerras eram eventos normais; torturas, aceitas; assassinatos de inimigos, tolerados; violência, banalizada… Crianças e mulheres eram as principais vítimas no meio disso tudo. A humanidade civilizada admite isto hoje? Claro que não! Por isso, quando vemos na TV este tipo de notícia, achamos que as coisas estão piorando. Acontece exatamente o contrário.

Quando o Legião Urbana compôs a bela “Quando o Sol Bater na Janela do teu Quarto”, todos lembram do verso que usei como título deste post, “a humanidade é desumana”, mas esta música é um hino de otimismo e nos dá pistas sobre como melhorar o mundo.

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Porque esperar
Se podemos começar
Tudo de novo?
Agora mesmo,

A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance,
O sol nasce pra todos,
Só não sabe quem não quer,

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Até bem pouco tempo atrás,
Poderíamos mudar o mundo,
Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor,
E toda dor vem do desejo,
De não sentimos dor,

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só

Hoje podemos mudar o mundo, basta querer! Que mundo vamos deixar para trás? Assisti a um vídeo criado pela ONG Invisible Children na Internet que, apenas no YouTube teve até hoje 67 milhões de acessos. O vídeo pede a captura do rebelde Joseph Kony que faz ações na região central da África, raptando e torturando crianças para formar seu exército. A campanha quer a mobilização da comunidade internacional para atingir este objetivo até o final de 2012. Óbvio que existe controvérsia na web sobre esta ONG e suas reais intenções, mas vale a pena assisti-lo. O link abaixo é para o vídeo com legendas em português.

As redes sociais nos trazem possibilidades nunca antes imaginadas para debate, conscientização e ação. Se o Invisible Children, através desta ação, consegue influenciar o governo americano que não tem interesse político ou econômico na região, imaginem as possibilidades para melhorar o mundo…

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Risoto de Abóbora com Funghi Secchi

Hoje é segunda-feira de carnaval. O que fazer para o almoço? Há um tempo vi uma receita de risoto de abóbora com carne seca. Conversei com a Cláudia sobre o substituto para a carne seca. Talvez seria funghi secchi… Lembrei da nossa conversa e vi que tínhamos todos os ingredientes em casa para fazer uma versão vegana da receita.

Risoto de Abóbora com Funghi Secchi

Rendimento: 4 porções

Ingredientes:

40 g funghi (cogumelos) secos
500 g de abóbora cortada em cubinhos
2 cebolas grandes picadas
2 xícaras de arroz do tipo arbório
1 xícara de vinho branco
1,5 litros de caldo de legumes
2 colheres de margarina Becel
azeite de oliva
sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo:

Em uma xícara, deixe os funghi de molho na água morna por uma hora. Pique os cogumelos hidratados em pedaços pequenos e reserve a água para utilizar posteriormente.

Numa panela, leve o azeite em fogo alto. Quando estiver quente, acrescente a cebola picada e misture bem, com uma colher de pau, por 4 minutos, ou até que fique transparente.

Adicione os funghi e a abóbora refogue por um minuto.

Acrescente o arroz. Refogue por um minuto, mexendo sempre.

Adicione o vinho e misture bem, até evaporar.

Quando o vinho secar, acrescente a água de hidratação do funghi e mexa sem parar.

Quando secar, junte uma concha do caldo de legumes na sequência e repita a operação por 15 minutos.

Verifique o ponto: o risoto deve ser cremoso, mas os grãos de arroz devem estar “al dente”. Porém, se ainda estiver muito cru, continue cozinhando por mais um minuto. Se for necessário, junte um pouco mais de caldo e mexa bem. Na última adição de caldo, não deixe secar completamente.

Adicione a margarina, mexa e desligue o fogo.

Tampe a panela e deixe “descansar” por 5 minutos.

Prove o tempero e corrija se precisar, sirva quente.

Quem disse que a comida para ser saborosa deve ter carne?

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Salada de Endívias com Pesto de Manjericão

Em um dos restaurantes em que costumo almoçar, experimentei uma salada deliciosa. Assim nasceu a vontade de mostrar esta novidade para a Cláudia.

Salada de endívias com pesto de manjericão

Rendimento: 4 porções

Ingredientes:

2 endívias
30 g de folhas frescas de manjericão
6 nozes pecan ou castanhas do Pará
1 dente de alho
azeite de oliva extravirgem
sal a gosto

Modo de preparo:

Separe, lave as folhas das endívias e distribua em um prato.
Com a ajuda de um multi-processador, moa as folhas de manjericão.
Adicione o azeite até atingir a consistência desejada.
Acrescente e moa o dente de alho e as nozes.
Acerte o sal.

Coloque um filete do pesto sobre cada folha de endívia como apresentado acima.

Você pode encontrar os ingrediente nos bons supermercados e as endívias têm a aparência apresentada na foto abaixo.

Mas quem gostou mesmo foi a sogra. Todos sabem como é importante deixar a sua sogra feliz…

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Mudança – O Final de um Ciclo

Este é o último post que escrevo no meu apartamento da Rua Guia Lopes em Novo Hamburgo. Meus queridos fãs, leitores e seguidores não se desesperem, não estou encerrando as atividades do meu blog, apenas estou mudando de endereço.

Estou trocando a cidade de Novo Hamburgo, com seus quase 250 mil habitantes, onde vivo há dezoito anos, por nada mais nada menos do que São Paulo com uma população de mais de 11 milhões. Claro que não foi uma decisão fácil, porque, como em praticamente todas mudanças radicais que fazemos na vida, existem aspectos positivos e negativos. Ficam no Rio Grande do Sul, uma parte muito importante da minha família: meu filho, minha mãe, minha tia e meus irmãos. Vários amigos também continuarão morando por aqui. Meu Internacional também deixará de ter meu apoio frequente no Beira-Rio. Em compensação reencontrarei amigos que já mudaram antes para terras paulistanas e ficarei muito próximo das pessoas com quem mais interajo profissionalmente. Tenho certeza de que este fator será muito importante e agilizará o desenvolvimento dos projetos nos quais atuo. O apoio e carinho da minha amada Claudia e minha molequinha Júlia serão essenciais na adaptação à nova vida.

De certo modo, me sinto um pouco como o conquistador espanhol Cortez que mandou queimar os navios da frota espanhola. Assim ele deixou claro que a vida dos soldados não era mais na Espanha e sim no México. Evidentemente não ateei fogo no meu apartamento em Novo Hamburgo, vendi e tenho que entregá-lo na próxima segunda-feira. Não há possibilidade de retroceder.

Me lembro quando saí do emprego em que estava há vinte anos, senti que um vínculo importante havia se rompido. Me sentia livre para tentar experiências totalmente inéditas. As coisas não saíram como o esperado, mas cresci muito na adversidade. Hoje tenho certeza que a decisão de sair, mesmo abrindo mão da segurança que eu usufruía naquela empresa, foi correta.

Tive a mesma sensação de ruptura ao ver meu apartamento vazio. Fui muito feliz ali e também serei nesta nova fase da vida. Lembro de uma fala de Júlio César na peça homônima de Shakespeare:

Muito antes de morrer, morre o covarde; só uma vez o homem forte prova a morte.

Meu espírito hoje não tem medo de perseguir meus sonhos. Só quero morrer quando for a hora, como concluiu na sequência o próprio César:

Das coisas raras que tenho ciência, sempre me pareceu a mais estranha terem os homens medo, embora saibam que a morte, um fim a todos necessário, vem quando vem.

Julio Cesar Imperador romano

Júlio César - imperador romano

Para finalizar tenho que confessar que este foi um parto complicadíssimo, talvez pior do que Schwarzenegger no filme Junior.  A proprietária do apartamento, que nós alugamos em São Paulo, exigiu novas garantias de última hora, mas tudo vai dar certo e nós cresceremos muito mais em nosso novo lar.

Junior Arnold Schwarzenegger

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Bruna Surfistinha – Um Filme Desinspirador

Ontem eu e a Cláudia assistimos no Telecine ao filme baseado na vida da ex-prostituta brasileira Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha, estrelado pela bela Deborah Secco.

No início do filme, ela é uma adolescente que vive com os pais e estuda em um bom colégio, mas comete delitos em casa como roubo de dinheiro e das joias da mãe. Foge de casa e resolve ganhar a vida na prostituição. Começa a gostar dessa vida e, aparentemente, não se importa em se relacionar sexualmente com homens jovens ou velhos, gordos ou magros. Começa a se envolver com drogas e é expulsa do local onde trabalha. Aluga um apartamento de alto nível, monta um blog, que a torna famosa, vê o número de clientes e os lucros aumentarem. Ao mesmo tempo, aumenta o envolvimento com drogas, o que a leva à decadência. Chega ao fundo do poço quando passa a trabalhar na rua e depois num prostíbulo que cobra R$ 20,00 por programa. Quase morre de overdose e é ajudada por um cliente apaixonado por ela. Ele propõe uma nova vida melhor, mas ela rejeita. Volta ao apartamento e cria uma meta de fazer 800 programas e, depois disto, iniciar uma nova vida.

Não serei moralista e condenar a temática do filme, mas achei o filme em si chato e fraco. O número de cenas onde a Deborah Secco aparece em programas com clientes é excessiva. Se o objetivo foi mostrar que ela não recusava ninguém, então foi atingido, mas quase não sobrou tempo para discutir outros aspectos da vida como garota de programa, como violência e exploração.

Fiquei impressionado com a mensagem final que o filme passa. Se você é jovem e bonita, estiver precisando de dinheiro, ganhar a vida como garota de programa é uma opção. Como a personagem fala num certo momento, ela ganhava mais do muitas médicas e advogadas. Em outro momento, ela diz uma frase boba sobre acreditar e perseguir os sonhos. No caso, quais seriam estes sonhos? No filme nada é mencionado. E, no final, ela larga as drogas e decide fazer mais 800 programas antes de mudar de vida. Ou seja, você pode se prostituir, mas não se envolva com drogas.

Não li, nem tenho planos para ler, o livro autobiográfico da Raquel Pacheco, “O Doce Veneno do Escorpião”, talvez estas questões sejam apresentadas no livro, mas no filme nada foi visto. Apenas uma vida sem propósitos é mostrada até com certo glamour…

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Os números de 2011 by WordPress

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado mais de 19.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, seriam precisos 7 concertos esgotados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Rei Lear – A Velhice e a Sabedoria

Desde comprei e li Hamlet de William Shakespeare, fui arrebatado pelas obras do grande escritor inglês. Parece que não consigo ou quero me afastar de seus livros. Nas últimas semanas, devorei Otelo e Rei Lear e agora começarei Júlio César.

Como já falei nos dois últimos posts sobre Hamlet e Otelo, darei breves pinceladas na tragédia Rei Lear.

Rei Lear

"Rei Lear e o Bobo na Tempestade" de William Dyce (1806-1864)

O Rei Lear resolve repartir seu reino pelas suas três filhas no início da história. As duas mais velhas, Goneril e Regana, fazem juras de amor e recebem seus quinhões, enquanto que a filha mais nova, Cordélia, mais sincera e honesta, não se derrama em elogios ao pai, só afirma seu desejo de cuidá-lo, e mesmo assim é deserdada. Após a renúncia, Goneril e Regana desprezam o pai que passa por uma série de sofrimentos e privações. Ele praticamente enlouquece ao se dar conta de suas escolhas erradas.

Um dos grandes personagens do livro é o Bobo da Corte que segue junto com Lear. De fato, de bobo ele não tinha nada e, dos mais variados modos, diz as verdades, com música ou rimas ou de forma crua, como nesta brilhante frase dita para Lear:

– Tu não devias ter ficado velho antes de ter ficado sábio.

Esta frase é uma verdadeira pedrada. Realmente parece que a sabedoria traz a compreensão ou aceitação do que é diferente. A pergunta definitiva que sempre volta à cabeça não poderia ser outra neste caso. O que é ser sábio? Encontrei esta joia no livro “Trabalhos de Amor Perdidos” de Jorge Furtado da coleção “Devorando Shakespeare” da Editora Objetiva:

“A cada dia eu sei de mais coisas sobre as quais nunca saberei, os livros que me fariam um ser humano melhor, os filmes que mudariam minha vida, a melhor de todas as músicas, que nunca ouvirei. Quanto mais estudo, mais descubro a vastidão da minha ignorância. Minha burrice é uma África, minha ingenuidade é uma Ásia, minha estupidez, três Américas. Já minha sabedoria, esta é uma ilha da Páscoa, um pingo de terra firme batido sem piedade pelas ondas da incerteza e fustigado pelos ventos da amnésia, a milhares de quilômetros de qualquer porto seguro. Nem mesmo sei ao certo se ‘a milhares de quilômetros’ se escreve assim, ou se este tem agá ou crase”.

Jorge Furtado

Jorge Furtado, cineasta, roteirista e escritor

Eu já estou caminhando pela segunda metade da minha vida. Preciso forjar um pensamento nesta linha do texto do Jorge Furtado. Não quero envelhecer preso a paradigmas. Não quero ser aquela pessoa que pensa que sabe tudo e vai construindo muros e fossos ao seu redor. Ninguém chega perto de pessoas assim, porque elas não aceitam nada diferente dos seus espelhos. O resultado final é a solidão! Quero, até o meu derradeiro suspiro, ter a consciência que minha ignorância é um universo, enquanto que minha sabedoria é uma poeira vagando pelo cosmos. Quero trocar experiências e conhecimentos com todos, do mais culto ao mais humildade, do mais experiente ao mais novo…

Continuarei nesta minha trilha shakespeariana. Espero que cada livro me traga novos conhecimentos e a certeza que existe muito mais para aprender.

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Ciúmes – Como Não se Transformar no Shakespeariano Otelo

Eu assumo que já fui um cara muito ciumento. Já tive crises em que este sentimento vil teve contornos doentios. Hoje eu controlo-o da forma mais eficiente que minha capacidade permite. Talvez a Cláudia ache que eu não demonstre mais hoje, mas confesso que, quando ela me conta de caronas para colegas de trabalho, lá no fundo eu não gosto.

Nesta semana, eu li Otelo de Shakespeare, um grande clássico sobre o ciúmes. Óbvio que o ciúmes extremado que Otelo sentia em relação a Desdêmona é um paradigma do limite máximo atingível por este sentimento.

Otelo e Desdêmona de Adolphe Weisz

O que poderia explicar o ciúmes é a sensação de posse. Não somos donos de nossos companheiros. Se o amor for revestido de confiança, respeito, liberdade e transparência, não haveria necessidade de nos sentirmos proprietários de nossas “caras metades”. Assim não seríamos inseguros, não imaginaríamos que alguém melhor do que nós nos substituiria ou não teríamos o medo da perda.

O ciúmes e a posse

Como eu sempre digo, se formos autênticos e sinceros e agirmos da mesma forma com os outros como desejamos ser tratados, não existiria motivos para insegurança e ciúmes.

No caso de Otelo, Iago percebeu a insegurança de seu chefe e minou a confiança que ele tinha pela esposa. Talvez Otelo não sentia-se suficientemente confiante, porque era mouro, negro e bem mais velho do que Desdêmona, enquanto ela era filha de um respeitável senador veneziano, linda, culta, inteligente e articulada.

Resumindo, o importante é amar e ser amado, respeitar e ser respeitado, acreditar e ser acreditado. Assim venenos plantados por outros ou por nossas próprias mentes sempre serão neutralizados por antídotos poderosos. A melhor descrição sobre o amor aparece na primeira carta de São Paulo aos Coríntios. Para encerrar, transcrevo um pequeno trecho.

São Paulo pintado por Valentin de Boulogne ou Nicolas Tournier

O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. O Amor nunca falha.

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Ser ou Não Ser, Viver ou Morrer, Agir ou Parar – Hamlet Tinha Razão

A L&PM relançou uma coleção de livros no formato pocket. Olhando as opções disponíveis na livraria, resolvi comprar Hamlet de William Shakespeare, traduzido para o português por Millôr Fernandes. A tragédia mostra a tentativa Príncipe Hamlet de vingar a morte de seu pai, o Rei Hamlet da Dinamarca. Elementos como depressão, raiva, traição, incesto, vingança, corrupção fazem parte desta história.

“Hamlet e Horácio no Cemitério” de Delacroix

Os diálogos e monólogos do Hamlet são deliciosos. Ao reencontrar dois amigos, Rosencrantz e Guildenstern, o príncipe conversa e num determinado ponto afirma:

– Não há nada de bom ou mau sem o pensamento que o faz assim.

Quem não lembra do famoso “ser ou não ser”. Achava que Hamlet dizia esta frase segurando uma caveira, mas a cena em que ele segura e conversa com a caveira de Yorick , o bobo da corte, acontece bem depois, no Ato V.

Um dos filmes clássicos sobre Hamlet foi protagonizado por Laurence Olivier em 1948. Achei a cena do filme de 1996 dirigido e estrelado por Kenneth Branagh mais fiel ao livro. Clique e assista ao famoso monólogo.

Abaixo está a versão de Millôr Fernandes.

Ser ou não ser – eis a questão
Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra um mar de angústias –
E, combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir;
Só isso. E com o sono – dizem – extinguir
Dores do coração e mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer – dormir –
Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sonho da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Não obrigam a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A prepotência do mundo, e o achincalhe
Que o mérito paciente recebe dos inúteis.
Podendo ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem aguentaria fardos,
Gemendo e suando numa vida servil,
Senão porque o terror de alguma coisa após a morte –
O pais não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante – nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos,
A fugirmos pra outro que desconhecemos?
E assim a reflexão faz todos nós covardes.
E assim o matiz natural da decisão
Se transforma no doentio pálido do pensamento,
E empreitadas de vigor e coragem,
Refletidas demais, saem de seu caminho,
Perdem o nome de ação.

Parece evidente que o “ser” se refere à vida e à ação, enquanto o “não ser” está relacionado à morte e à inação. Será melhor suportar uma situação desfavorável do que lutar para melhorá-la? Será melhor manter a situação atual conhecida do que arriscar algo novo mais de acordo com nossas aspirações? O medo de decidir por algo novo pode nos paralisar? O dormir para buscar o alívio para os problemas diários é uma simples fuga e deve ser conseguido de qualquer forma, até com o uso de remédios?

O melhor mesmo é enfrentar de frente os problemas, mesmo com todos os riscos inerentes desta ação. Ficar parado, não perseguir seus sonhos, se preocupar excessivamente com a opinião dos outros, ter medo de perdas só pode nos conduzir à paralisia e transformar a vida em uma morte cotidiana antecipada.

Nós devemos buscar sempre o que acreditamos ser o melhor. Como disse o personagem Polônio ao aconselhar o filho Laertes:

– E, sobretudo, isto: seja fiel a ti mesmo. Jamais serás falso pra ninguém.

Qual será meu próximo Shakespeare, Rei Lear ou Otelo? Eis a questão…

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Gasto com Publicidade Oficial – Como o Dinheiro Público Escorre pelo Ralo

Todos criticam a malversação de recursos públicos no Brasil. As recentes denúncias sobre as ONGs do Programa Segundo Tempo do Ministério dos Esportes são mais um exemplo recente. Deveria haver fiscalização, além dos tribunais de contas, dos próprios cidadãos. Quando navegamos pelos portais da transparência das três esferas da administração pública, podemos buscar dados interessantes de como o dinheiro público é gasto pelos governos.

No meu último post, sobre liberdade de expressão, comentei sobre a relação dos governos com a imprensa. As verbas dedicadas à publicidade oficial crescem anualmente. Segundo o Portal Transparência do governo federal, os gastos com publicidade institucional foram de R$ 177 milhões em 2010. O gasto total com publicidade da administração direta do governo federal foi de R$ 644 milhões neste período. Se for incluída a administração indireta, segundo a Folha de São Paulo, o gasto deve chegar a R$ 1 bilhão.

Na cidade de Novo Hamburgo, a Prefeitura resolveu investir pesado em publicidade oficial a partir de 2010. A Tabela abaixo apresenta o orçamento com publicidade oficial dos últimos nove anos.

Neste momento, ainda não discutirei os gastos com publicidade legal e de utilidade pública, mesmo suspeitando que muitos destes dispêndios não tenham estas motivações. O gráfico abaixo mostra o aumento impressionante dos gastos com a publicidade institucional da Prefeitura de Novo Hamburgo. Em 2011, serão gastos aproximadamente R$ 2 milhões, quase o mesmo valor orçado no período 2005-2009.

Sob a desculpa de prestar contas à população e divulgar iniciativas de interesse público, a Prefeitura faz propaganda eleitoral para a eleição municipal do próximo ano. De acordo com o Portal Transparência do município, de janeiro a agosto de 2011, foram gastos aproximadamente R$ 2 milhões com o pagamento de três agências de publicidade. Apenas uma agência de Porto Alegre recebeu R$ 1.175.000,00. Outras duas de Novo Hamburgo receberam, no mesmo período, R$ 426 mil e R$ 381 mil cada.

Gostaria que a publicidade oficial fosse proibida no país. Este dinheiro poderia ser investido em áreas realmente importantes para a população como saúde, educação e infraestrutura. Sugiro que não se espere a sanção de uma lei federal, porque existe um projeto tramitando no Congresso Nacional há seis anos e ninguém sabe quando entrará na pauta de votação.

Lembro da proibição de animais em circos. Uma lei foi aprovada em Novo Hamburgo em 2007 devido ao desejo da população organizada pela ONG de proteção animal ONDAA. No ano seguinte, foi aprovada outra lei na Assembleia Legislativa do estado do Rio Grande do Sul. Deste o final de 2009, um projeto de lei (PL 7291/2006) foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e encontra-se atualmente no Plenário da Câmara dos Deputados, onde aguarda para entrar na pauta de votação.

A população deve exigir que os vereadores de Novo Hamburgo evitem a queima dos recursos públicos no orçamento de 2012. Na sequência, deve pedir que seus representantes criem e aprovem a lei municipal que proíba a publicidade oficial. Só assim poderemos realmente aproveitar bem o dinheiro dos impostos que pagamos. Chega de propaganda enganosa!

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Liberdade de Expressão

Há um ou dois meses, participei de um pequeno debate no Facebook sobre o gasto de verbas para publicidade da Prefeitura de Novo Hamburgo. Por exemplo, a campanha “Eu Cuido, Nós Cuidamos” atinge várias mídias simultaneamente, como outdoors espalhados pela cidade, inserções nas programações de emissoras de rádio locais e da capital, além de anúncios em jornais.

Um dos anúncios da campanha "Eu cuido, Nós cuidamos" da Prefeitura de Novo Hamburgo

Sou contra este tipo de propaganda com jeito de campanha eleitoral em todas as esferas da administração pública. Qual é o benefício para a população desta despesa da Prefeitura de Novo Hamburgo? Esta verba não seria melhor empregada na saúde, educação ou simplesmente na manutenção das esburacadas ruas da cidade? Quando isto é feito de modo continuado, pode deixar grupos de comunicação dependentes do dinheiro do Estado. Assim esta empresa passaria a ter conflitos de interesses. Como poderia dar notícias negativas sobre um cliente importante? Ficaria sempre aquela dúvida de que se esta notícia fosse publicada, o jornal ou a rádio poderiam perder o dinheiro com a publicidade oficial. Mesmo que isto não ocorra, sempre os leitores, ouvintes e telespectadores poderiam ter esta dúvida.

A pior consequência desta prática é, sem dúvida alguma, a autocensura. Um dos participantes do debate, que mencionei no início de post, fez uma ótima colocação sobre este relacionamento:

Não importa o partido que habita aquele prédio. Tanto faz. Desde a antiga Arena, passando por PMDB, PDT e agora o PT. O cliente é o patrão. Os interesses não mudam, são os mesmos. Reclamam quando querem censurar a imprensa. Mas quando a imprensa faz sua própria censura???

Quando isto ocorre, estes grupos de comunicação fazem propaganda positiva diária. Fatos negativos são minimizados ou omitidos. Solenidades para “inauguração” de alicerces de prédios públicos ou abertura de buracos para troca de adutoras de água potável são noticiadas com pompa. Uma atmosfera rósea em torno do poder público é criada.

Já defendi no meu blog o financiamento público das campanhas eleitorais, no post sobre o filme Tropa de Elite 2. Agora defendo que os governos só possam gastar verbas com publicidade em campanhas realmente de utilidade pública. Chegou a hora de acabar com esta mistura promíscua do público com o privado. Não podemos mais aceitar esta troca de favores, onde o dinheiro público escoa pelo ralo. Infelizmente o lobby dos grandes grupos da área de comunicação não permitirá que esta ideia prospere facilmente. Mais uma vez só com forte apoio popular será possível avançar nesta área.

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