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Almoços de Negócios e o Ladrão Ético

Almoços com clientes, fornecedores ou parceiros de negócios são comuns no mundo corporativo. Se for possível, prefiro não conversar sobre assuntos ligados ao negócio durante a refeição, mas, algumas vezes, não tem jeito, o tempo disponível é apertado e devemos usá-lo com a maior eficiência possível. Podemos ter uma refeição mais agradável quando o almoço for uma pausa nas discussões, ou o final da reunião, ou o encontro antes da reunião.

business lunch

Nestas situações, podemos aproveitar para conhecer melhor as pessoas através de um bate-papo informal do que tratando um assunto “oficial” da empresa. Às vezes, alguém monopoliza a conversa e se revela um narcisista – tudo que ele faz é mais bem feito ou tudo que ele tem é melhor. Já passei também por situações em que o cara passou todo o tempo se queixando de alguma coisa, inclusive da própria empresa – são as vítimas do mundo. Bom mesmo é quando se almoça com um bom contador de histórias. Já ouvi algumas impossíveis de acreditar, mentiras deslavadas. As melhores são aquelas que tangenciam o improvável.
Lembro-me de uma que ouvi de um engenheiro, dono de uma pequena empresa. Certa vez, ele havia deixado seu automóvel estacionado na rua e, quando voltou, ele não estava mais ali, foi roubado. Pior ainda, seu notebook estava no interior do carro. Pior ainda, ele não fazia um “backup” dos arquivos do computador há meses. O empresário foi a uma delegacia, fez a ocorrência e acionou o seguro. A polícia não localizou o automóvel e ele entrou em desespero, porque dados preciosos de projetos realizados pela sua empresa, que estavam no notebook roubado com o carro, foram perdidos.

No dia seguinte, ele recebeu uma ligação. Um homem perguntou o nome dele e se o seu carro foi roubado. Após as confirmações, o homem disse que estava com o notebook e perguntou se ele o queria de volta. Ele disse que sim e uma negociação foi iniciada. Todos os detalhes foram acertados: o valor a ser pago em dinheiro vivo, data, horário e local.

Claro que a polícia não poderia ser avisada e ele foi sozinho ao local combinado. Após chegar ao endereço indicado, esperou alguns minutos e recebeu uma nova ligação, onde foi acertado um novo local mais afastado da cidade. Ele chegou ao novo ponto de encontro e recebeu uma nova ligação. Desta vez ele deveria seguir a pé por uma trilha no meio do mato.

Enquanto caminhava, com o saco de dinheiro na mão, pensava:

– O que estou fazendo aqui? Eu sou uma besta! Os caras vão pegar o dinheiro e me dar um tiro. Vão me matar…

Apesar do pensamento negativo, seguiu em frente e encontrou os criminosos. Um deles pediu o dinheiro, conferiu e entregou o notebook. Não houve ameaças ou tentativas de extorquir mais dinheiro. Tudo ocorreu conforme o combinado. Ele voltou pela mesma trilha, pegou o automóvel e retornou para a sua empresa.

Concluiu a história da seguinte forma:

– Este ladrão fez a negociação mais correta da minha vida! Ofereceu um produto que eu realmente desejava. Definimos um preço justo pelo produto. Fez a entrega na data combinada e não pediu um centavo além do que foi acertado. Foi um verdadeiro exemplo de ética.

Agora ele faz backup do notebook semanalmente.

Se esta fosse uma história de ficção, eu seguiria a mesma narrativa até o momento em que ele recebeu o notebook. Na sequência, eu poderia inventar um diálogo entre o ladrão e o empresário:

– Tudo certo, doutor?
– Tudo certo!
– Não fazia backup há tempo, hein?
– Acho que faz quase um ano…
– Tem que fazer backup mais frequente, doutor! Imagina se um profissional menos gabaritado rouba seu equipamento… Tava f…
– OK! Eu sei… A primeira coisa que vou fazer, quando sair daqui, vai ser comprar um HD externo e copiar tudo…
– Eu tenho um HD externo novo de 2 Tera. Posso fazer um bom preço. Afinal, o doutor é um cliente VIP…
– Quanto?
– R$ 100.
– Não tenho dinheiro para pagar…
– Tudo bem! Eu aceito cartão…
– Aceita cartão?
– Pra venda de equipamentos, sim…
– OK, vou levar o HD.
– Vai querer CPF na nota?
– Não precisa.

O ladrão digita o valor da venda e pede para o empresário passar o cartão na máquina. Quando ele vai colocar a senha, o ladrão comerciante olha para o outro lado para não ver o número digitado.

credit-card-thief

O empresário recebe a segunda via do comprovante da operação e diz:

– Obrigado! Foi ótimo fazer negócio com você!
– Que isso, doutor? O prazer foi meu! Até a próxima…
– Espero que não tenha próxima!
– Então não vacila, OK?
– Vou tentar! Tchau.

O empresário voltou pela mesma trilha, pegou o automóvel e retornou para a sua empresa.

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A Tecnolatria ou Como a Vida Parece Inviável sem a Tecnologia

Hoje visitamos uma fábrica na minúscula cidade de Arborfield no Canadá. No trajeto de quase duas horas e meia, percorrido de automóvel, apenas os primeiros 30 minutos tiveram uma cobertura precária de sinal do meu celular. Como ficamos aproximadamente 3 horas na cidadezinha, incluindo a visita e o almoço, fiquei desconectado do mundo por 7 horas.

É realmente incrível como passamos a depender da tecnologia! Quando comecei a trabalhar há 25 anos, a telefonia fixa era precária, os computadores pessoais eram lentos, caros e escassos, não existia Internet ou E-mail. As mensagens internas eram papeis transportados por office-boys, enquanto que as externas eram transmitidas por Telex. O quase falecido FAX veio anos depois e revolucionou as comunicações. Afinal podíamos enviar, além dos textos, figuras e cópias de documentos instantaneamente para alguém distante de nós. O problema é que existiam apenas duas cores, preto e branco, e depois se descobriu que aquele papel termossensível desbotava com o tempo e perdíamos conteúdos preciosos…

Máquinas de Telex (esquerda) e de FAX (direita)

Finalmente chegou o correio eletrônico, um grande passo para facilitar e democratizar a troca de informações entre as pessoas e entre as empresas. Agora além de textos e figuras, podemos enviar fotos, planilhas, apresentações…

Com o passar do tempo, apareceram os notebooks (ou laptops, como você preferir) que foram se tornando cada vez mais leves e potentes. Logo se transformaram em sonho de consumo, depois viraram o padrão do mercado. As informações passaram a ser carregadas para toda a parte. Vieram os celulares analógicos, depois os digitais ganharam novas funções e foram criados os multifuncionais, onde se pode navegar na Internet, receber e responder E-mails, tirar fotos, fazer vídeos, ouvir músicas…

Antigo Motorola (esquerda) moderníssimo iPhone 5 (direita)

Parece incrível, mas antes eu ocupava todo meu dia de trabalho sem estas ferramentas: notebook, celular, Internet e E-mail. Atualmente qualquer pane em uma destas ferramentas já causa um golpe na produtividade do trabalho. Tudo o que precisamos migrou para a forma eletrônica, cada vez guardamos menos papeis em arquivos metálicos e gavetas. Tudo estará logo na famosa “cloud” (ou iCloud para a turma da Apple). Só que tudo desaparece quando o plano de telefonia celular do nosso multifuncional não tem cobertura no interior da província de Saskatchewan no Canadá. Nestas horas, só me resta escrever um post da forma antiga, com papel e caneta. Depois se passa a limpo no blog…

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