Já Temos a Tese e a Antítese – Chegou a Hora da Síntese

O filósofo alemão Georg Wilhem Friedrich Hegel propôs há quase duzentos anos que tudo se desenvolve pela oposição dos contrários. Filosofia, arte, ciência e religião são vivas devido a esta dialética.

Georg Hegel (Quadro de Schlesinger)

Georg Hegel (Quadro de Schlesinger)

A dialética hegeliana foi desenvolvida a partir da estrutura tese, antítese e síntese. A tese é uma afirmação ou situação inicialmente dada. A antítese é uma oposição à tese. Do conflito entre tese e antítese surge a síntese, situação nova que carrega dentro de si elementos resultantes desse choque. A síntese, então, torna-se uma nova tese que contrasta com uma nova antítese, gerando uma nova síntese, em um processo sem fim.

Na figura abaixo, vemos um exemplo. O marido e a esposa brigavam sobre a forma de colocar o papel higiênico. A solução (síntese) pode ser não usar mais o papel higiênico e sim um chuveirinho com água morna.

tese-antitese-sintese 

Mas por que eu estou falando nisso? Na verdade, ainda não me conformei (nem quero me conformar) com a discussão sobre a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. Nela ficou explícito de que existe uma tese sobre o Brasil: 

  • a nossa classe política é corrupta ou, ao menos, omissa em relação à corrupção. Não haverá renovação nos quadros políticos que altere esta realidade. Os herdeiros continuarão as atividades dos seus padrinhos;
  • a educação nas escolas públicas é de péssima qualidade e continuará assim;
  • a saúde pública também é de péssima qualidade e permanecerá assim;
  • as verbas destinadas para as obras relativas à Olimpíada serão desviadas para fins escusos;
  • o país nunca será um país desenvolvido.

A antítese neste caso diz que: 

  • é possível renovar os políticos através do voto;
  • a educação e a saúde pública podem ser melhoradas através de um trabalho sério dos governos com a participação da sociedade;
  • os desvios do dinheiro para as obras podem ser evitados através da fiscalização pela sociedade;
  • o Brasil poderá se tornar um país desenvolvido e a situação atual mostra que isto é possível.

Este é o momento de criarmos a síntese destas duas linhas de pensamento para que a sociedade possa influenciar decisivamente na construção do Brasil desenvolvido econômica e socialmente.

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E se alguém te mandar para o “Quinto dos Infernos”?

Outro dia no LinkedIn, encontrei uma explicação de Laécio Barreiros sobre a expressão “Quinto dos Infernos”. Você pode lê-la abaixo.

Durante o século 18, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de “O Quinto”. Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro. “O Quinto” era tão odiado pelos brasileiros, que foi apelidado de “O Quinto dos Infernos”.

A explicação é ótima, mas se alguém mandar você para “O Quinto dos Infernos”? Onde ficaria este lugar?

A obra clássica que descreve o Inferno é a Divina Comédia escrita por Dante Alighieri no começo do século XIV. Nela são descritos o paraíso, o purgatório e os nove círculos que formam o Inferno.

Dante Alighieri (Quadro de Sandro Botticelli)

Dante Alighieri (Quadro de Sandro Botticelli)

No quinto círculo existe um lago, onde estão amontoados os acusados de ira. Eles estão juntos com seus semelhantes que se batem e se torturam. No fundo deste lago estão os rancorosos que nunca demonstraram sua ira, eles não podem subir à superfície e ficam na lama do fundo do rio.

Delacroix_barque_of_dante

Barco de Dante (Quadro de Delacroix)

Se você está querendo brigar com todo mundo, ser mandado para o “Quinto Círculo do Inferno” parece certo.

Andando mais um pouco, chegamos ao oitavo círculo que é formado por dez fossos. No quinto fosso, os corruptos estão submergidos em um caldo fervente, os que tentam ficar com a cabeça fora do caldo são atingidos por setas lançadas por demônios. Em vida os corruptos tiraram proveito da confiança que a sociedade depositava neles. No Inferno estão submersos em caldos, escondidos, porque suas negociações eram feitas às escondidas.

Inferno - Canto 21 (Quadro de Gustave Dore)

Inferno – Canto 21 (Quadro de Gustave Dore)

Este “Quinto Fosso do Oitavo Círculo dos Infernos” parece um lugar perfeito para enviar parte de nossa classe política…

Qual destes dois seria o famoso “Quinto dos Infernos”?

Quem sabe Dante tenha feito uma obra de não-ficção?

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Parem de Olhar para as Árvores e Comecem a Olhar para a Floresta

Fiquei surpreso com o pessimismo dos comentários postados no grupo “BRASIL: VAGAS EXECUTIVAS” do site LinkedIn para o meu artigo “Rio 2016 – a Olimpíada e a Autoestima”. Não consegui entender como muitas pessoas acreditam que é inevitável que a corrupção coma boa parte do dinheiro para o Olimpíada, a educação e a saúde permaneçam com qualidade abaixo da crítica e o dinheiro para investimentos do país seja drenado apenas para obras supérfluas. Parece aquela conclusão: o que está ruim vai permanecer ruim para toda a eternidade.

Hoje ouvi uma entrevista com o economista Fábio Giambiagi para a Rádio Gaúcha de Porto Alegre sobre as perspectivas do Brasil para a década 2010-2020. Ele e Octávio de Barros acabam de organizar e lançar o livro “Brasil Pós-Crise”. Gambiagi acredita que esta será a melhor década desde os anos 80.

Octavio de Barros (esquerda) e Fábio Giambiagi (direita)

Octavio de Barros (esquerda) e Fábio Giambiagi (direita)

Além dos dois organizadores, economistas como Delfim Netto, José Roberto Afonso, Francisco Dornelles, Gustavo Loyola, José Márcio Camargo, Armando Castelar Pinheiro e Alexandre Marinis discutem as reformas que o governo terá que liderar para garantir um crescimento sustentável de 6% ao ano. Se estas reformas não forem efetivadas o crescimento estimado será de 4,7% ao ano.

Voltando à entrevista, Giambiasi disse que, em 99% dos dias, o retorno para casa dos brasileiros é frustrado por todos os problemas que a gente vê no dia-a-dia. Mas quando a gente olha para o conjunto da obra, vemos como o país avançou nos último vinte anos. A imagem que aparece claramente é de um país que aos poucos vai se firmando como uma economia que vai se consolidar. Ou seja, quando a gente olha para a árvore todos os problemas aparecem, mas quando se olha para a floresta, para o conjunto do período, notam-se os avanços. Certamente com o pré-sal, há condições de ter nos próximos anos um fator de catalisação de investimentos e progresso. O desafio é aproveitar isto da melhor forma possível.

Se o Brasil crescer 6% ao ano na próxima década, quase dobraremos nossa atual renda per capita. A educação e saúde devem ser os grandes investimentos do governo para garantir este crescimento sustentável.

Parece que muitos brasileiros estão olhando para algumas árvores (problemas) e se desiludindo com o país. O melhor é olharmos inicialmente para a floresta (conjunto da obra) para constatarmos que o país está se desenvolvendo. Depois devemos trabalhar para que fatores como educação de má qualidade, sistema de saúde deficiente, má versação de verbas e corrupção não prejudiquem o crescimento da floresta. Cabe a nós escolhermos bons representantes nos poderes executivos e legislativos e, depois, fiscalizarmos ativamente suas atuações.

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Todos os Acidentes Podem Ser Evitados: pelo menos é o que prega a DuPont

Num belo dia, o acionista majoritário da empresa mudou. O novo chefe veio com uma meta de acidentes inacreditável, zero. Nenhum funcionário acreditou que tal objetivo fosse possível. Ao analisar os resultados de outras empresas do grupo, todos comentavam que devia existir alguma maracutaia, porque não era possível ter aqueles números de forma sustentável. Éramos reativos.

Os resultados melhoraram, mas permaneciam longe dos objetivos. Foi iniciado um trabalho forte nos níveis gerenciais e de supervisão. Vários treinamentos foram realizados, novas técnicas foram exercitadas e uma grande quantidade de informação foi transmitida. Os operadores melhoraram suas atitudes, os atos inseguros reduziram, porque a supervisores estavam cobrando, além dos aspectos de qualidade e produtividade, comportamento seguro. Éramos dependentes do estímulo e da orientação das chefias.

O tempo foi passando e os funcionários incorporaram o comportamento seguro na sua rotina. Atingimos resultados que não acreditávamos ser possíveis no início da jornada. O estímulo da chefia continuava importante, mas não era mais essencial. Todos já sabiam o que devia ser feito. Éramos independentes e trabalhávamos de modo seguro autonomamente.

Finalmente começamos a observar os nossos colegas e auxiliá-los a trabalhar de forma mais segura. Existiam líderes em todas as áreas e em todos os níveis hierárquicos. Quando alguém praticava, mesmo que inadvertidamente, um ato inseguro era logo alertado para risco que corria. De imediato o funcionário corrigia sua ação sem apresentar descontentamento. Éramos interdependentes e um cuidava do outro colega da equipe.

Neste último estágio, a segurança se torna responsabilidade de todos e nos conscientizamos que somos responsáveis pela atitude dos demais. Visitei esta empresa hoje. Eles estão a mais de 800 dias sem acidentes. A meta de zero está sendo atingida de forma sustentável.

A Dupont baseia esta explicação na “Curva de Bradley” que pode ser vista abaixo.

BradleyCurvePodemos ver que a taxa de acidentes é reduzida à medida que a nova cultura é assimilada e praticada.

Apresentarei um exemplo simples, o uso do cinto de segurança em automóveis.

Há uns trinta anos, poucas pessoas usavam o cinto de segurança. Quando as pessoas eram questionadas sobre motivos pelos quais o cinto não era usado, diziam que era desconfortável e contavam histórias de motoristas que sobreviveram porque não usavam o cinto no momento de um acidente. Eram reativos.

Depois foi iniciada uma campanha mais forte com a aplicação de multas. Os motoristas começaram a utilizar o cinto para não sofrerem punições. Eram dependentes de uma fiscalização.

Depois a maioria dos motoristas passou a afivelar os cintos de segurança imediatamente após entrar no automóvel. O valor desta atitude já estava internalizado na cabeça de cada condutor de automóvel. Eram independentes.

Finalmente os motoristas passam a exigir que todos os passageiros também usem o cinto por motivos de segurança. O automóvel só inicia o deslocamento quando todos estão protegidos. Tornaram-se interdependentes. Os motoristas cuidam dos passageiros.

Este gráfico pode ser empregado para explicar os resultados advindos de qualquer outra mudança cultural na empresa, além da segurança. Substitua segurança por qualidade, por redução de desperdícios, por redução de horas paradas da planta, por acidentes ambientais e a análise será a mesma.

Não esqueça que a gerência deve estar comprometida e acreditar de forma autêntica nesta transformação. O nível de supervisão (chefia intermediária) deve liderar o processo de mudança cultural dos seus subordinados. Este não é um processo fácil e indolor, mas é o que podemos chamar de bom combate.

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Rio 2016 – A Olimpíada e a Autoestima

Parei tudo o que estava fazendo pouco depois do meio-dia. Fiquei na frente da televisão, assistindo a decisão da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Fiquei surpreso com a minha tensão. Quando o nome do Rio de Janeiro saiu do envelope e foi apresentado para o mundo inteiro, não contive as lágrimas. Assista ao anúncio do resultado.

Fiquei sentado por alguns minutos, vendo a festa de Lula, Pelé, Guga, Paulo Coelho e Carlos Nuzman com os demais políticos, dirigentes esportivos e atletas da comitiva brasileira. Pensei nos motivos da minha emoção. Comecei a me lembrar da minha adolescência e no jargão “Brasil, o país do futuro” e de como eu criticava os nossos governos por toda a ineficiência e imobilismo. O Brasil estava estacionado, sendo ultrapassado no cenário internacional por outros países sem as nossas potencialidades.

O tempo passou, voltamos a votar para presidente. No governo Itamar, enfim funcionou um plano criado para trazer estabilidade ao país. No governo FHC, esta estabilidade foi consolidada, mas faltava o crescimento econômico. Qualquer crise, por mais distante geograficamente do Brasil fosse, nos atingia: México, Rússia ou Tigres Asiáticos. No governo Lula, a estabilidade foi mantida e o crescimento veio. Mesmo a pior crise capitalista desde 1929 não teve os efeitos devastadores do passado. O Programa Fome Zero, tão criticado, melhorou a vida de milhões de brasileiros. Ainda temos que avançar muito em educação, tecnologia e em infraestrutura, mas nossa autoestima melhorou incrivelmente.

Assista ao lindo vídeo feito para a apresentação da candidatura brasileira pelo genial cineasta Fernando Meirelles.

Caí na realidade e percebi que esta Olimpíada era mais um aviso. O futuro estava chegando… O Brasil dos meus filhos poderá ser o “país do presente”. O país que eu sempre sonhei em viver!  Hoje já não nos depreciamos tanto. O complexo de inferioridade está minguando. Acreditar em si é o primeiro passo para vencer. Nossas próximas gerações serão de vencedores!

Temos muito trabalho pela frente, mas isto eu tratarei em outro post na próxima semana. Hoje é dia para apenas deixar a emoção fluir…

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Interpretação Definitiva de Johnny Cash para ONE do U2

Jogo futebol todas as segundas-feiras e não gosto de perder um minuto sequer do jogo. Um dia eu estava chegando no ginásio em cima da hora, quando o rádio começou a tocar a música One do U2, mas não era Bono Vox que estava cantando. Eu estacionei o carro em frente ao ginásio e fiquei extasiado com a interpretação de Johnny Cash. Ouvi a música até o final. Naquele dia fiquei na reserva do time e esperei minha vez para entrar na partida, mas estava feliz. Valeu à pena! Ouça a música e veja a letra.

Parece que a letra, na voz de Johnny Cash, ganhou outra dimensão. Quem não teve vontade de cantar alguma vez na vida coisas como:

You say one love, one life
It’s one need in the night
One love, we get to share it
Leaves you baby, if you don’t care for it.

Ou

Well, it’s too late, tonight,
To drag the past out into the light
We’re one, but we’re not the same
We get to carry each other, carry each other
One

Ou

Did I ask too much, more than a lot?
You gave me nothing, now it’s all I got
We’re one, but we’re not the same.
Well, we hurt each other, then we do it again.

Mas hoje eu prefiro cantar dois versos:

Love is a temple, love is a higher law.

We get to carry each other, carry each other.
One love! One!

Sempre tem uma boa música para cada momento de nossas vidas. Parece que Johnny Cash combina com aqueles momentos em que nos sentimos sós no mundo…

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O que é o Sucesso de um Projeto?

Na sexta-feira passada, fiz uma apresentação no VI Seminário de Gerenciamento de Projetos PMI-RS. O título da palestra era “Sete Fatores Críticos para o Sucesso de um Projeto Industrial”.

Hoje todos buscam o sucesso incessantemente. Não tenho a ambição de fazer um estudo amplo sobre as dimensões do sucesso nas mais variadas situações e em diferentes sociedades. Isto seria uma tarefa para filósofos, sociólogos, psicólogos e outros profissionais que estudaram profundamente a mente humana e seu comportamento social.

Gostaria de discutir algo bem mais simples. O que é sucesso em projetos?

A definição clássica de sucesso técnico em projetos está apresentada abaixo.

Restrições Clássicas para o Sucesso em Projetos
Restrições Clássicas para o Sucesso em Projetos

 

Ou seja, se for atingida a qualidade especificada, dentro do prazo e do custo estipulado, teremos atingido o tão almejado sucesso…

Todavia existem muitos casos onde temos pleno sucesso nestas três restrições e o benefício para a empresa fica aquém do esperado. Qual foi o erro?

Harold Kerzner afirma que, além de atender esta tripla-restrição, o gerente de projeto deve ter mais atenção ao valor que o projeto produzirá para a organização. Este valor pode ter diferentes dimensões, dependendo do negócio em que a empresa está inserida. Obviamente a dimensão financeira é uma das mais importantes.

Como os cenários estão em constante transformação, o gerente deve estar permanentemente ligado e sempre questionar se o projeto como está concebido continua fazendo sentido em termos de agregação de valor para a empresa. Ou seja, sucesso do empreendimento é muito mais do que simples sucesso técnico!

O gerente do projeto deve ter uma ligação forte com seus clientes internos e externos para satisfazê-los. Caso contrário, poderemos ter um gerente de projetos com comportamento “beija-flor” que comentei no post anterior. O empreendimento traz resultados financeiros pífios, mas atinge as metas de qualidade, prazo e custo. O gerente diz no final do projeto com o peito estufado:

– Eu fiz a minha parte. A culpa foi da pessoal da área de marketing ou da área comercial…

Não importa! Todos estão no mesmo barco e a empresa, por conta deste fracasso, talvez tenha que cortar custos e restringir os investimentos do próximo ano.

Outro desafio para empresas e profissionais é aumentar a eficácia na escolha e no gerenciamento de projetos. Paul Dinsmore resume simplesmente como “right project done right”.

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Quem é o Verdadeiro Líder: o Beija-Flor ou o Leão?

Herbert José de Souza, mais conhecido como Betinho, foi um grande sociólogo brasileiro. Apesar de toda a dificuldade causada pela AIDS, ele liderou bravamente, nos últimos anos de sua vida, a campanha da ação da cidadania contra a fome e pela vida.

Veja abaixo um dos vídeos mais conhecidos desta campanha:

A história contada por Betinho é poética. O vídeo é muito bem feito, chega a nos tocar, mas ele passa uma mensagem perturbadora.

Será que o beija-flor é o heroi nesta história? Sinceramente ele parece aquele funcionário que cumpre religiosamente seu horário de trabalho. Faz suas tarefas com esmero digno de elogios, mas está totalmente alienado em relação ao que acontece na sua empresa. Ou seja, mesmo sabendo que existem coisas erradas acontecendo, ele continua simplesmente “fazendo a sua parte”. Se o leão não visse a tentativa do pequeno pássaro de apagar o incêndio, ele fracassaria e morreria junto com a floresta.

Qual seria a atitude correta neste caso? O beija-flor deveria ter procurado o leão e dito:

 –  Vamos lá, chefe! Se todos nos unirmos agora, poderemos apagar este incêndio e salvar nossa floresta.

Sua chance de sucesso, neste caso, seria real! Os verdadeiros líderes escutam opiniões diferentes das suas, tentam entendê-las e, se convencidos, mudam de tática ou estratégia. Trabalhar em equipe geralmente traz resultados melhores do que esforços individuais.

Betinho, apesar da aparência frágil como a de um beija-flor, foi um leão. Ele tentou liderar os brasileiros para combater a fome, um dos piores males que pode atingir a um ser humano.

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Risoto de Funghi Secchi e Cogumelos Frescos

Um dos meus hobbies é a gastronomia. Todas as sextas-feiras tentarei apresentar alguma dica de prato para o final de semana. Como a minha esposa Cláudia é vegetariana, comecei a fazer mais pratos sem o uso de carne. Este risoto de cogumelo que apresento hoje é um dos preferidos da galera de casa.

risoto-cogumelo

Rendimento: 4 porções

Ingredientes:

20 g funghi (cogumelos) secos

300 g de cogumelos frescos (shitake, shimeji, paris, ostra) picados em pedaços médios

1 cebola grande picada

2 xícaras de arroz do tipo arbório

½ tablete de manteiga

1 colher de sopa de azeite de oliva

1 xícara de vinho branco

1,5 litros de caldo de legumes

Sal e pimenta-do-reino a gosto

Queijo parmesão ralado grosso

 Modo de preparo:

Em uma xícara, deixe os funghi de molho na água morna por uma hora. Pique os cogumelos hidratados em pedaços médios e reserve a água para utilizar posteriormente.

Numa panela, leve o azeite e metade da manteiga em fogo baixo. Quando estiver quente, acrescente a cebola picada e misture bem, com uma colher de pau, por 4 minutos, ou até que fique transparente.

Adicione os funghi e refogue por um minuto.

Aumente o fogo e acrescente o arroz. Refogue por um minuto, mexendo sempre.

Adicione o vinho e misture bem, até evaporar.

Quando o vinho secar, acrescente a água de hidratação do funghi e mexa sem parar.

Adicione os cogumelos frescos.

Quando secar, junte uma concha do caldo de legumes na sequência e repita a operação por 15 minutos.

Verifique o ponto: o risoto deve ser cremoso, mas os grãos de arroz devem estar “al dente”. Porém, se ainda estiver muito cru, continue cozinhando por mais um minuto. Se for necessário, junte um pouco mais de caldo e mexa bem. Na última adição de caldo, não deixe secar completamente. 

Adicione o restante da manteiga e o queijo parmesão, mexa e desligue o fogo.

Tampe a panela e deixe “descansar” por 5 minutos.

Prove o tempero e corrija se precisar, polvilhe com o parmesão ralado e sirva quente.

Para acompanhar, sugiro um vinho gaúcho, Boscato Merlot safra 2005.

Bom apetite!

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Pasta de Dente e o Ventilador: Como Acelerar as Mudanças na sua Empresa

Na Internet, pode-se encontrar facilmente o vídeo de uma história contada pelo filósofo e doutor em educação, Mario Sérgio Cortella, sobre um problema de caixinhas vazias de pasta de dente de uma grande empresa multinacional. Assista ao vídeo.

Nós engenheiros temos certa resistência para aceitarmos soluções pouco elegantes ou que não estejam alinhadas com o estado da arte da tecnologia. Qualquer engenheiro que fosse consultado sobre o problema da rejeição das caixinhas vazias de pasta de dente sugeriria a solução adotada pelos colegas. Ou seja, haveria um check weigher no final da linha de produção, composto por uma balança, sistema computadorizado de controle e um braço mecânico para a remoção das caixas com peso abaixo do especificado.

Exemplo de Check Weigher

Exemplo de Check Weigher

Muitas vezes as decisões são tomadas dentro de um escritório sem a participação das pessoas diretamente envolvidas na operação.  No caso desta discussão, dois engenheiros receberam uma missão e buscaram a melhor solução técnica disponível no mercado. Operadores e funcionários da manutenção provavelmente não forma envolvidos. Como resultado final obteve-se um sistema que atendia o objetivo, mas era mais complexo, bem mais caro e menos prático do que o adotado pelos operadores. Além disto, foram necessários três meses para solucionar o problema.

Existem inúmeras técnicas para acelerar a implementação de melhorias de processo. Uma das ferramentas mais poderosas que eu conheço e emprego é o chamado evento Kaizen. Monta-se uma equipe multidisciplinar integrada por operadores, engenheiros, gerentes, membros da manutenção e pessoas de outras áreas. Esta equipe, com no máximo dez pessoas, é conduzida por um facilitador, conhecedor de técnicas Lean. Após um breve treinamento nas técnicas a serem utilizadas, realiza-se uma visita na área problema. Na sequência, é feito um brain storming (o nosso toró de palpite). Todas as ideias levantadas são discutidas e classificadas de acordo com seu impacto e dificuldade de execução. Definem-se todas as ações a serem implantadas e testadas nos dois dias seguintes, bem como os seus responsáveis. Em menos de uma semana e com baixo custo, melhorias significativas são obtidas.

Como disse o filósofo Mario Sérgio Cortella, a melhor solução está no estoque de conhecimento da empresa. Para explorar este valioso estoque, nada melhor do que juntar pessoas que podem colaborar na solução do problema e dar a mesma oportunidade de expressar suas opiniões.

Finalmente devemos ter sempre em nossas mentes que primeiro temos que compreender para depois sermos compreendidos.

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Comédia Clássica com Marilyn Monroe

Em 2009 a comédia “Some Like it Hot”, lançada no Brasil com o título “Quanto Mais Quente Melhor”, está completando cinquenta anos de aniversário.

Num daqueles finais de semana chuvosos de inverno, estava em casa procurando alguma coisa para ver na televisão e achei este filme no Telecine Cult. Foram duas horas excelentes.

É a história de dois músicos de Chicago, Jerry (Jack Lemmon) e Joe (Tony Curtis), que testemunham acidentalmente assassinatos e passam a ser perseguidos por gângsters. Ambos se disfarçam de mulher, entram para uma banda de jazz composta só por garotas e fogem de trem para a Flórida. Joe passa a ser Josephine; e Jerry, Daphne. A cantora da banda é Sugar Kane (Marilyn Monroe). Assista ao vídeo com o trailer do filme do diretor Billy Wilder.

Esta comédia clássica foi eleita pelos críticos americanos a melhor de todos os tempos. O filme ganhou os Globos de Ouro na categoria Comédia ou Musical de Melhor Filme, Melhor Ator (Jack Lemmon) e Melhor Atriz (Marilyn Monroe).

Se você não quiser saber o final, pare a leitura por aqui.

Os disfarces funcionam bem até que Sugar se apaixona por Josephine, um experiente playboy (Joe E. Brown) se apaixona por Daphne, e um chefe da Máfia (George Raft) identifica a dupla.

O diálogo entre Lemmon e Brown na cena final é simplesmente sensacional e por si só já vale o filme…

Passe na sua locadora. Estoure a pipoca e assista a este filme. É diversão garantida!

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Questão Ética: Você absolveria Nelsinho Piquet?

Ontem saiu o resultado do julgamento do rumoroso caso da manipulação no GP de Cingapura de Fórmula 1 em 2008. Para quem está por fora do assunto, Nelsinho Piquet recebeu uma ordem do ex-chefe da escuderia Renault, Flavio Briatore, e pelo ex-diretor técnico, Pat Symonds, para bater propositalmente no muro para favorecer seu companheiro Fernando Alonso. Como ele estava numa situação difícil dentro da equipe e fortemente ameaçado de perder o emprego no final daquela temporada, cumpriu a ordem em troca da renovação do seu contrato. Assista ao vídeo da BBC com o resumo da história.

Após ser demitido, no decorrer da atual temporada, Nelsinho denunciou o plano em troca de imunidade.

 A Federação Internacional de Automobilismo divulgou a seguinte decisão:

 – a Renault permanece na disputa do campeonato, mas será excluída se cometer qualquer infração grave nos próximos dois anos;

– Flavio Briatore foi banido da categoria por ser o “cabeça” da fraude;

– Pat Symonds foi suspenso por cinco anos por participar da maracutaia;

– Nelsinho Piquet teve a imunidade confirmada e não foi punido.

 A equipe francesa conseguiu se livrar razoavelmente bem nesta história, porque admitiu a culpa e demitiu os dois idealizadores a armação.

Briatore foi proibido de manter qualquer vínculo com a Fórmula 1, incluindo agenciar a carreira de pilotos. Fernando Alonso, Mark Webber, Heikki Kovalainen e Romain Grosjean estão entre os seus clientes. Neste caso, fica claro que existe, pelo menos, um conflito de interesses. Como Briatore pode ser o chefe de uma escuderia e, ao mesmo tempo, agente de seus pilotos (Alonso e Grojean) e de pilotos de equipes adversárias (Weber e Kovalainen)?  É realmente muito estranho…

No caso de Nelsinho, houve a troca de uma atitude antiética por mais um ano de contrato. Todos concordam que ele errou, mas no nosso cotidiano enfrentamos situações mais complexas ou sutis. Quando isto ocorrer, devemos recorrer a um pequeno check list:

1. O ato a ser executado infringe alguma lei?

2. O ato é contrário a alguma norma interna ou procedimento da empresa?

3. Alguém será prejudicado por esta ação?

4. Alguém pode interpretar que a ação é antiética?

Mesmo que todas as respostas das perguntas acima sejam negativas, se você estiver com aquela sensação que tem alguma coisa errada, não faça. Afinal, como diziam os romanos, não basta à mulher de César ser honesta, ela tem que parecer honesta.

Reputação depois de atingida, dificilmente fica completamente restabelecida. O tempo deverá mostrar esta dura realidade para o Nelsinho Piquet.



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Concorrência Fraca e a Acomodação

Este é um ano especial para todos os colorados. O Internacional completou cem anos de existência em 4 de abril de 2009. Dentre as várias ações para comemorar seu centenário, foi lançado um filme que conta a história do clube desde sua fundação até os dias atuais. O aspecto inovador deste filme foi a escolha de torcedores para apresentar esta história. Tive a honra e felicidade de ser um dos escolhidos para dar um depoimento.

Cartaz do filme sobre o centenário do S.C. Internacional

Cartaz do filme sobre o centenário do S.C. Internacional

O diretor do filme, Saturnino Rocha, durante minha entrevista, fez uma pergunta interessante:

– Por que o Inter teve um desempenho tão ruim durante os anos 90?

Eu tenho uma explicação para fato e parece que o pessoal do filme aprovou, pois esta é uma das minhas aparições no filme. Em 1991, o maior rival do Inter, o Grêmio, foi rebaixado para a série B. Parece que a torcida do Inter e a direção do clube se acomodaram com aquela situação. Afinal o maior rival estava condenado a jogar uma divisão inferior, enquanto o Inter permanecia no convívio dos grandes clubes brasileiros. Em 1992, houve uma mudança no regulamento e doze clubes subiram para a primeira divisão, inclusive o Grêmio. Pior ainda, eles montaram um bom time e tiveram a melhor década da sua história. O Inter, por sua vez, tentou desesperadamente reverter a situação e passou a pensar no curto prazo, mudando jogadores e treinadores algumas vezes por ano. Os resultados foram pífios e o clube quase foi rebaixado em duas ocasiões. Somente na virada do século, quando passou a fazer um trabalho mais estruturado, voltou a crescer e atingiu seu momento mais importante com a conquista do campeonato mundial interclubes em 2006.

Nas empresas muitas vezes acontece este tipo de acomodação:

– a concorrência está passando por dificuldades;

– o câmbio está favorável, deixando os produtos importados pouco competitivos;

– barreiras alfandegárias ou não-alfandegárias inviabilizam importações.

Nós também nessas situações nos acomodamos e achamos que nossa bagagem técnico-gerencial já é suficiente, mas o mundo está mudando em velocidade cada vez maior.

Parece que aquela situação vai perdurar até o final dos tempos. De repente tudo muda:

– uma grande multinacional entra no mercado com um marketing agressivo;

– um concorrente lança um produto com tecnologia inovadora;

– o real se valoriza e produtos chineses entram no mercado com preços arrasadores.

O que fizemos na época de “vacas gordas”?

A empresa se modernizou? Buscou novas tecnologias? Investiu em inovação? Cortou suas ineficiências?

Nós estudamos outro idioma? Aprendemos novas técnicas de gerenciamento de pessoas? Fizemos uma especialização ou MBA?

Talvez nós ou nossas empresas não tenhamos a oportunidade que o Internacional teve de dar a volta por cima depois de dez anos de maus resultados. A acomodação é uma palavra que deve ser expurgada de nossas vidas sob pena de criar situações irreversíveis.

Termino este post, falando sobre um atleta que muitos dizem que é extraterrestre, o jamaicano Usain Bolt. Assista ao vídeo da final dos 100 metros do campeonato mundial de atletismo em Berlim. Notem que ele apenas confere com o canto do olho a posição de seu maior rival, o americano Tyson Gay, mas vira a cabeça para a esquerda para ver o tempo de sua prova. Sua luta é para superar o seu recorde mundial, não é para vencer adversários inferiores a ele.

Segundo informações do site GloboEsporte.com, Bolt falou sobre sua reconhecida irreverência após esta prova consagradora:

– Esse é o meu jeito. Eu treino duro o ano inteiro, então posso me divertir o quanto quero e mesmo antes das provas. Mas quando a corrida começa, eu me concentro totalmente. Sei exatamente o que tenho que fazer. Estou me sentindo orgulhoso de mim mesmo. Estava buscando esse título, buscando chegar à faixa dos 9s50. Ser o primeiro é especial.

Ou seja, ele tem metas de desempenho bem definidas e as busca independente de sua concorrência. Além disto, o trabalho lhe traz diversão e satisfação pessoal. Esta deve ser a postura a ser seguida por nós e pelas empresas.

Boa semana a todos!

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Revolução Farroupilha e o Acampamento Imperial

Começo dizendo que sou gaúcho e gosto de ser gaúcho, mas busco sempre construir uma visão crítica sobre “nosso jeito de ser”. Algumas vezes somos atrapalhados por nossa postura e ganhamos rótulos de arrogantes e intransigentes. Devemos sempre abrir nossa mente para visões diferentes, sem preconceitos ou pré-julgamentos.

Hoje é 20 de setembro, a data maior dos gaúchos. Festeja-se em todo o estado a Revolução Farroupilha, mas poucos conhecem a verdadeira história deste movimento. Não escreverei laudas sobre o assunto, mas inicialmente lembrarei um fato curioso. Nossa capital, Porto Alegre, foi conquistada pelo exército rebelde no dia 20 de setembro de 1835. Os legalistas retomaram a capital no dia 14 de junho de 1836. Após esta data, os farroupilhas não conseguiram mais reconquistá-la, durante os nove anos subsequentes de enfrentamentos. Assim sugiro que ao invés e um acampamento farroupilha, como o realizado anualmente no Parque Harmonia em Porto Alegre, tenhamos um “acampamento imperial”.

blog 2009-09-20

Fotos do “Acampamento Imperial” de Porto Alegre em 2008

Tenho dois livros do grande historiador gaúcho Moacyr Flores. Ele costuma fazer uma distinção entre história e mito. Encontrei outro dia uma entrevista dele na Internet e reproduzo alguns trechos abaixo.

Nós temos que estabelecer diferença entre história e memória. A memória é uma recriação do passado, no caso esse gaúcho de CTG, gaúcho literário, ele é uma recriação. Então o quê que se faz? Como temos conhecimento do contexto histórico e a História não nos serve, a memória começa a embelezar o passado. A memória idealiza o passado, porque este passado vai ser um símbolo, uma entidade. Então ele tem que sair idealizado dentro dos arquétipos universais.

Hoje a Revolução Farroupilha, é um verdadeiro mito. Passa a ser uma identidade, um testemunho da criação de uma identidade Riograndense. Então, hoje, todo mundo é farroupilha, quando que na época, era uma minoria revolucionária. Cidades como Porto Alegre, Rio Pardo, Pelotas, Rio Grande, Caçapava (que foi a segunda capital), eram antifarroupilhas. Os primeiros a lutarem contra os farrapos foram os próprios riograndenses. Criou-se um mito que eles lutaram por causa do charque. Lutaram por idéias e lutaram pelo poder.

É um grupo de fazendeiros, grandes comerciantes e oficiais superiores que querem ocupar o poder. O poder era sempre nomeado pela Coroa (Rio de Janeiro – Corte), agora o Rio Grande do Sul possuía certa autonomia econômica, mas não tinha autonomia política. Naquela época estava separado pela própria geografia, então, ele tinha que se formar sozinho e durante toda a sua formação, conflitos com os castelhanos. No dizer do Bento Gonçalves, o Rio Grande do Sul era um acampamento militar. Toda a população andava armada e era convocada desde os catorze anos até os sessenta anos para combate. Então, isso aí, vai até a guerra do Paraguai, 80% da cavalaria que lutou lá foi riograndense.

Então, no Rio Grande do Sul desde o início, se formou uma sociedade inculta: não tinha teatro, não tinha jornais… Era uma sociedade rústica, a casa muito pobre, mesmo o grande proprietário tinha uma casa muito rústica, com pouco recurso, móveis quase nenhum. É só a gente olhar a relação dos testamentos que se vê. Assim nós vemos a pobreza destes grandes proprietários de terra. A pobreza no sentido de mobiliário, até de indumentária. A riqueza era a terra, a quantidade de gado e escravos. Isso era a riqueza. Agora, não havia conforto, não havia escola. Criou-se aqui uma sociedade que praticamente não tinha igrejas.

Lá no século XVIII nós tínhamos uma igrejinha em Viamão e outra em Rio Grande. A parte da moral, da ética que a religião passa, essas pessoas ficaram sem. Muitos viviam a vida inteira sem ir a um ritual religioso, só se sabia que ele existia porque morria, aí tinham que fazer o óbito. Os policiais era quem comunicavam o óbito para ser registrado no livro da igreja.

Então, é uma sociedade que não tem conventos e seminários, onde se estudava na época. Uma sociedade muito rústica, e como ela é mobilizada constantemente contra os castelhanos, ela banalizou a morte.

É uma sociedade violenta, nada disso de brasileiro bonzinho, a própria Revolução Farroupilha, não é isso que vemos no dia 20 de setembro. Esse desfile, com carro alegórico, aqui em Porto Alegre, está se transformando em escola de samba. Não foi nada disso, houve muita degola, com mortes, com prisões. O que o pessoal não se dá conta, e eu acho incrível nós festejarmos uma revolução, quando nós deveríamos estar festejando a paz. O massacre que houve das populações, e as que mais sofreram com a violência foram as mulheres, que eram as primeiras a serem violentadas, a serem raptadas e isso não é contado.

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Espero gerar boas e interessantes discussões.

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