Arquivo do dia: 22/10/2011

Liberdade de Expressão

Há um ou dois meses, participei de um pequeno debate no Facebook sobre o gasto de verbas para publicidade da Prefeitura de Novo Hamburgo. Por exemplo, a campanha “Eu Cuido, Nós Cuidamos” atinge várias mídias simultaneamente, como outdoors espalhados pela cidade, inserções nas programações de emissoras de rádio locais e da capital, além de anúncios em jornais.

Um dos anúncios da campanha "Eu cuido, Nós cuidamos" da Prefeitura de Novo Hamburgo

Sou contra este tipo de propaganda com jeito de campanha eleitoral em todas as esferas da administração pública. Qual é o benefício para a população desta despesa da Prefeitura de Novo Hamburgo? Esta verba não seria melhor empregada na saúde, educação ou simplesmente na manutenção das esburacadas ruas da cidade? Quando isto é feito de modo continuado, pode deixar grupos de comunicação dependentes do dinheiro do Estado. Assim esta empresa passaria a ter conflitos de interesses. Como poderia dar notícias negativas sobre um cliente importante? Ficaria sempre aquela dúvida de que se esta notícia fosse publicada, o jornal ou a rádio poderiam perder o dinheiro com a publicidade oficial. Mesmo que isto não ocorra, sempre os leitores, ouvintes e telespectadores poderiam ter esta dúvida.

A pior consequência desta prática é, sem dúvida alguma, a autocensura. Um dos participantes do debate, que mencionei no início de post, fez uma ótima colocação sobre este relacionamento:

Não importa o partido que habita aquele prédio. Tanto faz. Desde a antiga Arena, passando por PMDB, PDT e agora o PT. O cliente é o patrão. Os interesses não mudam, são os mesmos. Reclamam quando querem censurar a imprensa. Mas quando a imprensa faz sua própria censura???

Quando isto ocorre, estes grupos de comunicação fazem propaganda positiva diária. Fatos negativos são minimizados ou omitidos. Solenidades para “inauguração” de alicerces de prédios públicos ou abertura de buracos para troca de adutoras de água potável são noticiadas com pompa. Uma atmosfera rósea em torno do poder público é criada.

Já defendi no meu blog o financiamento público das campanhas eleitorais, no post sobre o filme Tropa de Elite 2. Agora defendo que os governos só possam gastar verbas com publicidade em campanhas realmente de utilidade pública. Chegou a hora de acabar com esta mistura promíscua do público com o privado. Não podemos mais aceitar esta troca de favores, onde o dinheiro público escoa pelo ralo. Infelizmente o lobby dos grandes grupos da área de comunicação não permitirá que esta ideia prospere facilmente. Mais uma vez só com forte apoio popular será possível avançar nesta área.

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