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Rio 2016 – A Olimpíada e a Autoestima

Parei tudo o que estava fazendo pouco depois do meio-dia. Fiquei na frente da televisão, assistindo a decisão da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Fiquei surpreso com a minha tensão. Quando o nome do Rio de Janeiro saiu do envelope e foi apresentado para o mundo inteiro, não contive as lágrimas. Assista ao anúncio do resultado.

Fiquei sentado por alguns minutos, vendo a festa de Lula, Pelé, Guga, Paulo Coelho e Carlos Nuzman com os demais políticos, dirigentes esportivos e atletas da comitiva brasileira. Pensei nos motivos da minha emoção. Comecei a me lembrar da minha adolescência e no jargão “Brasil, o país do futuro” e de como eu criticava os nossos governos por toda a ineficiência e imobilismo. O Brasil estava estacionado, sendo ultrapassado no cenário internacional por outros países sem as nossas potencialidades.

O tempo passou, voltamos a votar para presidente. No governo Itamar, enfim funcionou um plano criado para trazer estabilidade ao país. No governo FHC, esta estabilidade foi consolidada, mas faltava o crescimento econômico. Qualquer crise, por mais distante geograficamente do Brasil fosse, nos atingia: México, Rússia ou Tigres Asiáticos. No governo Lula, a estabilidade foi mantida e o crescimento veio. Mesmo a pior crise capitalista desde 1929 não teve os efeitos devastadores do passado. O Programa Fome Zero, tão criticado, melhorou a vida de milhões de brasileiros. Ainda temos que avançar muito em educação, tecnologia e em infraestrutura, mas nossa autoestima melhorou incrivelmente.

Assista ao lindo vídeo feito para a apresentação da candidatura brasileira pelo genial cineasta Fernando Meirelles.

Caí na realidade e percebi que esta Olimpíada era mais um aviso. O futuro estava chegando… O Brasil dos meus filhos poderá ser o “país do presente”. O país que eu sempre sonhei em viver!  Hoje já não nos depreciamos tanto. O complexo de inferioridade está minguando. Acreditar em si é o primeiro passo para vencer. Nossas próximas gerações serão de vencedores!

Temos muito trabalho pela frente, mas isto eu tratarei em outro post na próxima semana. Hoje é dia para apenas deixar a emoção fluir…

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Revolução Farroupilha e o Acampamento Imperial

Começo dizendo que sou gaúcho e gosto de ser gaúcho, mas busco sempre construir uma visão crítica sobre “nosso jeito de ser”. Algumas vezes somos atrapalhados por nossa postura e ganhamos rótulos de arrogantes e intransigentes. Devemos sempre abrir nossa mente para visões diferentes, sem preconceitos ou pré-julgamentos.

Hoje é 20 de setembro, a data maior dos gaúchos. Festeja-se em todo o estado a Revolução Farroupilha, mas poucos conhecem a verdadeira história deste movimento. Não escreverei laudas sobre o assunto, mas inicialmente lembrarei um fato curioso. Nossa capital, Porto Alegre, foi conquistada pelo exército rebelde no dia 20 de setembro de 1835. Os legalistas retomaram a capital no dia 14 de junho de 1836. Após esta data, os farroupilhas não conseguiram mais reconquistá-la, durante os nove anos subsequentes de enfrentamentos. Assim sugiro que ao invés e um acampamento farroupilha, como o realizado anualmente no Parque Harmonia em Porto Alegre, tenhamos um “acampamento imperial”.

blog 2009-09-20

Fotos do “Acampamento Imperial” de Porto Alegre em 2008

Tenho dois livros do grande historiador gaúcho Moacyr Flores. Ele costuma fazer uma distinção entre história e mito. Encontrei outro dia uma entrevista dele na Internet e reproduzo alguns trechos abaixo.

Nós temos que estabelecer diferença entre história e memória. A memória é uma recriação do passado, no caso esse gaúcho de CTG, gaúcho literário, ele é uma recriação. Então o quê que se faz? Como temos conhecimento do contexto histórico e a História não nos serve, a memória começa a embelezar o passado. A memória idealiza o passado, porque este passado vai ser um símbolo, uma entidade. Então ele tem que sair idealizado dentro dos arquétipos universais.

Hoje a Revolução Farroupilha, é um verdadeiro mito. Passa a ser uma identidade, um testemunho da criação de uma identidade Riograndense. Então, hoje, todo mundo é farroupilha, quando que na época, era uma minoria revolucionária. Cidades como Porto Alegre, Rio Pardo, Pelotas, Rio Grande, Caçapava (que foi a segunda capital), eram antifarroupilhas. Os primeiros a lutarem contra os farrapos foram os próprios riograndenses. Criou-se um mito que eles lutaram por causa do charque. Lutaram por idéias e lutaram pelo poder.

É um grupo de fazendeiros, grandes comerciantes e oficiais superiores que querem ocupar o poder. O poder era sempre nomeado pela Coroa (Rio de Janeiro – Corte), agora o Rio Grande do Sul possuía certa autonomia econômica, mas não tinha autonomia política. Naquela época estava separado pela própria geografia, então, ele tinha que se formar sozinho e durante toda a sua formação, conflitos com os castelhanos. No dizer do Bento Gonçalves, o Rio Grande do Sul era um acampamento militar. Toda a população andava armada e era convocada desde os catorze anos até os sessenta anos para combate. Então, isso aí, vai até a guerra do Paraguai, 80% da cavalaria que lutou lá foi riograndense.

Então, no Rio Grande do Sul desde o início, se formou uma sociedade inculta: não tinha teatro, não tinha jornais… Era uma sociedade rústica, a casa muito pobre, mesmo o grande proprietário tinha uma casa muito rústica, com pouco recurso, móveis quase nenhum. É só a gente olhar a relação dos testamentos que se vê. Assim nós vemos a pobreza destes grandes proprietários de terra. A pobreza no sentido de mobiliário, até de indumentária. A riqueza era a terra, a quantidade de gado e escravos. Isso era a riqueza. Agora, não havia conforto, não havia escola. Criou-se aqui uma sociedade que praticamente não tinha igrejas.

Lá no século XVIII nós tínhamos uma igrejinha em Viamão e outra em Rio Grande. A parte da moral, da ética que a religião passa, essas pessoas ficaram sem. Muitos viviam a vida inteira sem ir a um ritual religioso, só se sabia que ele existia porque morria, aí tinham que fazer o óbito. Os policiais era quem comunicavam o óbito para ser registrado no livro da igreja.

Então, é uma sociedade que não tem conventos e seminários, onde se estudava na época. Uma sociedade muito rústica, e como ela é mobilizada constantemente contra os castelhanos, ela banalizou a morte.

É uma sociedade violenta, nada disso de brasileiro bonzinho, a própria Revolução Farroupilha, não é isso que vemos no dia 20 de setembro. Esse desfile, com carro alegórico, aqui em Porto Alegre, está se transformando em escola de samba. Não foi nada disso, houve muita degola, com mortes, com prisões. O que o pessoal não se dá conta, e eu acho incrível nós festejarmos uma revolução, quando nós deveríamos estar festejando a paz. O massacre que houve das populações, e as que mais sofreram com a violência foram as mulheres, que eram as primeiras a serem violentadas, a serem raptadas e isso não é contado.

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