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O Microvestido na Uniban: Quando o Grupo Ajuda a Expor as Fraquezas dos Indivíduos

O filósofo grego Aristóteles, há mais de 2300 anos, foi autor da tese que “o homem é um animal social”. Esta tese fundamenta-se na união natural entre os homens, porque o ser humano é naturalmente carente, necessitando de coisas e de outras pessoas para alcançar a sua plenitude.

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Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.)

Evidentemente estas necessidades não se restringem a aspectos materiais. Buscamos, por exemplo, apoios, estímulos e reconhecimentos pelos grupos. Deste modo, procuramos outras pessoas que têm opiniões semelhantes ou apresentam visão de mundo semelhante à nossa. Muitas vezes, dentro de um grupo, atitudes socialmente inaceitáveis são praticadas.

Em umas férias, eu viajei para New York. Havia uma grande excursão de japoneses no hotel em que eu estava hospedado. Aquele hotel oferecia o café da manhã incluído na diária e, num certo dia, parecia que todos acordaram na mesma hora e desceram para o breakfast. Para minha surpresa e indignação, muitos japoneses furaram a fila escandalosamente. Fariam isto se não estivessem fortalecidos pelo grupo? Provavelmente não! Lembro-me de uma francesa que incentivava a todos a reagirem. Por pouco não foi criado um conflito entre os japoneses e o “resto do mundo”. Aquela francesa sozinha não começaria uma guerra, mas participaria ativamente se o grupo lhe desse respaldo.

No caso da Uniban, não entrarei na discussão sobre a roupa da estudante. Eu acho que aquele vestido era inadequado para assistir a uma aula, mas nada justifica o que aconteceu. Hoje gostaria de discutir a atitude agressiva dos estudantes.

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Aluna da Uniban escoltada por seguranças

A esmagadora maioria das pessoas que agiram de modo ofensivo e preconceituoso só o fizeram porque estavam em grupo. Portanto podem ter exposto seus sentimentos, aproveitando a participação da turba injustificadamente enfurecida. Neste momento, preconceitos e repressões de origem sexual ou social devem ter aflorado. Além disto, existiam pessoas que queriam ser reconhecidas pelo grupo e aproveitaram a oportunidade para fazerem as mesmas grosserias que alguns ”líderes” perpetravam.

Devemos ter uma ética que não mude quando estamos sós ou dentro de um grupo. Se dentro de um grupo, abolirmos todos os nossos preceitos éticos, concluiremos que, para o bem do grupo, vale mentir, roubar ou matar. Aquele simples check list  que apresentei em outro post  pode ajudar em caso de dúvida.

Não cheguei ao ponto que um “cara” declarou há dois mil anos: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (evangelho de João 15,12), mas seria maravilhoso se agíssemos desta forma. Jesus também protegeu Maria Madalena de ser apedrejada e disse para as pessoas: “quem nunca pecou, jogue a primeira pedra”.

Se aqueles estudantes da Uniban seguissem, pelo menos, aquele ensinamento que escutamos desde pequeno: “não faça algo que não gostaria que os outros fizessem a você”, este fato lamentável teria sido evitado. Isto também vale para todos os tipos de discriminações (sociais, raciais ou sexuais) e assédios (sexual ou moral).

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Questão Ética: Você absolveria Nelsinho Piquet?

Ontem saiu o resultado do julgamento do rumoroso caso da manipulação no GP de Cingapura de Fórmula 1 em 2008. Para quem está por fora do assunto, Nelsinho Piquet recebeu uma ordem do ex-chefe da escuderia Renault, Flavio Briatore, e pelo ex-diretor técnico, Pat Symonds, para bater propositalmente no muro para favorecer seu companheiro Fernando Alonso. Como ele estava numa situação difícil dentro da equipe e fortemente ameaçado de perder o emprego no final daquela temporada, cumpriu a ordem em troca da renovação do seu contrato. Assista ao vídeo da BBC com o resumo da história.

Após ser demitido, no decorrer da atual temporada, Nelsinho denunciou o plano em troca de imunidade.

 A Federação Internacional de Automobilismo divulgou a seguinte decisão:

 – a Renault permanece na disputa do campeonato, mas será excluída se cometer qualquer infração grave nos próximos dois anos;

– Flavio Briatore foi banido da categoria por ser o “cabeça” da fraude;

– Pat Symonds foi suspenso por cinco anos por participar da maracutaia;

– Nelsinho Piquet teve a imunidade confirmada e não foi punido.

 A equipe francesa conseguiu se livrar razoavelmente bem nesta história, porque admitiu a culpa e demitiu os dois idealizadores a armação.

Briatore foi proibido de manter qualquer vínculo com a Fórmula 1, incluindo agenciar a carreira de pilotos. Fernando Alonso, Mark Webber, Heikki Kovalainen e Romain Grosjean estão entre os seus clientes. Neste caso, fica claro que existe, pelo menos, um conflito de interesses. Como Briatore pode ser o chefe de uma escuderia e, ao mesmo tempo, agente de seus pilotos (Alonso e Grojean) e de pilotos de equipes adversárias (Weber e Kovalainen)?  É realmente muito estranho…

No caso de Nelsinho, houve a troca de uma atitude antiética por mais um ano de contrato. Todos concordam que ele errou, mas no nosso cotidiano enfrentamos situações mais complexas ou sutis. Quando isto ocorrer, devemos recorrer a um pequeno check list:

1. O ato a ser executado infringe alguma lei?

2. O ato é contrário a alguma norma interna ou procedimento da empresa?

3. Alguém será prejudicado por esta ação?

4. Alguém pode interpretar que a ação é antiética?

Mesmo que todas as respostas das perguntas acima sejam negativas, se você estiver com aquela sensação que tem alguma coisa errada, não faça. Afinal, como diziam os romanos, não basta à mulher de César ser honesta, ela tem que parecer honesta.

Reputação depois de atingida, dificilmente fica completamente restabelecida. O tempo deverá mostrar esta dura realidade para o Nelsinho Piquet.



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