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Redes de Alta Tensão sobre Nossas Cabeças

Você gostaria que uma rede de alta tensão aérea passasse na frente de sua casa ou estabelecimento comercial? Se isto acontecesse, você acha que sua rua ficaria mais bonita e valorizada? Você tem certeza que linhas de alta tensão não causam problemas de saúde, como o câncer? Tenho uma última pergunta, você aceitaria passivamente que esta rede passasse na porta de sua casa?

Se sua reposta para todas essas perguntas for um sonoro NÃO, saiba que em Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul, a concessionária de distribuição de energia elétrica, AES Sul, está instalando uma rede aérea de alta tensão em um dos principais acessos da cidade, a Avenida Sete de Setembro.

Colocação de postes na Av. Sete de Setembro (Foto: Diego da Rosa / GES)

A população local praticamente não foi informada. A única referência é esta reportagem do Jornal NH no dia 19 de maio, quando a instalação dos postes já havia começado.

Reportagem Jornal NH

Em resumo, a Prefeitura fez um acordo com a AES Sul, onde permitiu que a linha de alta tensão passe pela Avenida Sete de Setembro em troca de asfaltamento e outras benfeitorias. É ótimo que a linha atual seja removida de uma área onde vivem 900 famílias na Bairro Santo Afonso, mas como ficam as famílias que vivem num raio de 100 metros da nova linha?

A OMS, Organização Mundial da Saúde, órgão ligado a Nações Unidas, fez uma série de advertências e recomendações referentes a instalação de redes de alta tensão. Apresenta que possivelmente existe conexão entre linhas de alta tensão e leucemia infantil. Ou seja, as pessoas que habitam no entorno desta rede poderão ter problemas de saúde no futuro. Nos países desenvolvidos, existe a preferência por redes subterrâneas para reduzir estes riscos.

Decisões como esta não poderiam ser tomadas sem uma discussão na Câmara dos Vereadores e sem uma Audiência Pública. Parece que como não haverá gastos para a Prefeitura e a AES Sul dará uma contrapartida, o Executivo de Novo Hamburgo não precisa dar satisfação deste ato. Isto é um absurdo!

Após a Av. Sete de Setembro, qual será o trajeto deste rede? Seguirá pela Av. Cel. Travassos? Pela Pedro Adams Filho? Cruzará o Parque Floresta Imperial e a área da Comusa? Será que conseguiremos salvar, pelo menos, os atingidos na continuação desta obra?

Chegou a hora da população de Novo Hamburgo se mobilizar e cobrar explicações e medidas mitigadoras da Prefeitura e da AES Sul, porque se nada for feito agora, dificilmente haverá a retirada desta rede nas próximas décadas!

Não podemos assistir a tudo isto em silêncio!

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BR-116 – Sem Plano de Contingência na Grande Porto Alegre

Durante os últimos anos, os moradores da Grande Porto Alegre percebem o agravamento da situação do trânsito na BR-116 no trecho da capital gaúcha até Novo Hamburgo. Os congestionamentos são frequentes mesmo fora dos horários do rush. A rodovia encontra-se completamente saturada.

Congestionamento diário na BR-116

Veículos acidentados, ou apenas com panes mecânicas, são retirados da rodovia após longo período de espera, agravando ainda mais a situação. O Jornal NH descreve um acidente que exemplifica estas ocorrências rotineiras.

No dia 8 de abril, a demora para remoção de uma carreta que capotou na BR-116, em Canoas, provocou oito quilômetros de congestionamento. O veículo tombou na primeira hora da madrugada, mas a retirada só ocorreu às 9 horas, e a liberação total, às 11 horas.

Em agosto de 2009, uma carreta carregada com adesivo PVA (cola branca para papel ou madeira) tombou na rodovia e a demora para removê-la causou um engarrafamento de doze quilômetros no sentido interior-capital. A foto deste acidente pode ser vista abaixo.

 

Finalmente anuncia-se que procedimentos mais ágeis serão adotados para a remoção de veículos acidentados e um moderno sistema de monitoramento entrará em operação nos próximos meses. Por outro lado, gostaria de ouvir das autoridades responsáveis que existem planos de contingência para desvio do trânsito devido a bloqueios em pontos críticos da rodovia.

Parece que os motoristas estão expostos à própria sorte. A única ajuda vem de emissoras de rádio que mantém serviço de monitoramento das condições desta rodovia.

Os planos de contingência ou “planos B” descrevem as medidas a serem adotadas por uma empresa para fazer com que seus processos vitais voltem a funcionar plenamente, ou num estado minimamente aceitável, o mais rápido possível, evitando assim uma paralisação prolongada que possa gerar maiores prejuízos. A elaboração do plano nas empresas normalmente contém as seguintes etapas:

– identificação dos processos da empresa;

– avaliação dos impactos dos processos no negócio;

– identificação de todos os processos críticos para a sobrevivência da organização;

– identificação dos riscos e definir cenários possíveis de falha para cada um dos processos críticos;

– listagem das medidas a serem postas em prática em caso da ocorrência de falhas;

– definição das ações necessárias para operacionalização das medidas;

– estimativa dos custos de cada medida;

– definição da forma de monitoramento após a ocorrência da falha;

– definição dos critérios de ativação do plano;

– identificação do responsável pela ativação do plano;

– identificação dos responsáveis pela execução do plano de contingência;

– definição da forma de reposição do negócio à situação habitual.

A BR-116 deveria ser gerenciada de modo que acidentes e grandes congestionamentos não sejam encarados como ocorrências normais. Na verdade, são desvios da normalidade que devem ser prontamente atacados. As responsabilidades devem ser definidas claramente, senão corremos o risco de ficar à mercê da responsabilidade difusa entre o DNIT e a Polícia Rodoviária Federal.

Os investimentos em viadutos e novas vias alternativas são importantíssimos, mas nenhuma empresa resolve seus problemas apenas adquirindo novos ativos, gerenciá-los de forma competente é fundamental para a sustentabilidade do negócio.

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Todos os Acidentes Podem Ser Evitados: pelo menos é o que prega a DuPont

Num belo dia, o acionista majoritário da empresa mudou. O novo chefe veio com uma meta de acidentes inacreditável, zero. Nenhum funcionário acreditou que tal objetivo fosse possível. Ao analisar os resultados de outras empresas do grupo, todos comentavam que devia existir alguma maracutaia, porque não era possível ter aqueles números de forma sustentável. Éramos reativos.

Os resultados melhoraram, mas permaneciam longe dos objetivos. Foi iniciado um trabalho forte nos níveis gerenciais e de supervisão. Vários treinamentos foram realizados, novas técnicas foram exercitadas e uma grande quantidade de informação foi transmitida. Os operadores melhoraram suas atitudes, os atos inseguros reduziram, porque a supervisores estavam cobrando, além dos aspectos de qualidade e produtividade, comportamento seguro. Éramos dependentes do estímulo e da orientação das chefias.

O tempo foi passando e os funcionários incorporaram o comportamento seguro na sua rotina. Atingimos resultados que não acreditávamos ser possíveis no início da jornada. O estímulo da chefia continuava importante, mas não era mais essencial. Todos já sabiam o que devia ser feito. Éramos independentes e trabalhávamos de modo seguro autonomamente.

Finalmente começamos a observar os nossos colegas e auxiliá-los a trabalhar de forma mais segura. Existiam líderes em todas as áreas e em todos os níveis hierárquicos. Quando alguém praticava, mesmo que inadvertidamente, um ato inseguro era logo alertado para risco que corria. De imediato o funcionário corrigia sua ação sem apresentar descontentamento. Éramos interdependentes e um cuidava do outro colega da equipe.

Neste último estágio, a segurança se torna responsabilidade de todos e nos conscientizamos que somos responsáveis pela atitude dos demais. Visitei esta empresa hoje. Eles estão a mais de 800 dias sem acidentes. A meta de zero está sendo atingida de forma sustentável.

A Dupont baseia esta explicação na “Curva de Bradley” que pode ser vista abaixo.

BradleyCurvePodemos ver que a taxa de acidentes é reduzida à medida que a nova cultura é assimilada e praticada.

Apresentarei um exemplo simples, o uso do cinto de segurança em automóveis.

Há uns trinta anos, poucas pessoas usavam o cinto de segurança. Quando as pessoas eram questionadas sobre motivos pelos quais o cinto não era usado, diziam que era desconfortável e contavam histórias de motoristas que sobreviveram porque não usavam o cinto no momento de um acidente. Eram reativos.

Depois foi iniciada uma campanha mais forte com a aplicação de multas. Os motoristas começaram a utilizar o cinto para não sofrerem punições. Eram dependentes de uma fiscalização.

Depois a maioria dos motoristas passou a afivelar os cintos de segurança imediatamente após entrar no automóvel. O valor desta atitude já estava internalizado na cabeça de cada condutor de automóvel. Eram independentes.

Finalmente os motoristas passam a exigir que todos os passageiros também usem o cinto por motivos de segurança. O automóvel só inicia o deslocamento quando todos estão protegidos. Tornaram-se interdependentes. Os motoristas cuidam dos passageiros.

Este gráfico pode ser empregado para explicar os resultados advindos de qualquer outra mudança cultural na empresa, além da segurança. Substitua segurança por qualidade, por redução de desperdícios, por redução de horas paradas da planta, por acidentes ambientais e a análise será a mesma.

Não esqueça que a gerência deve estar comprometida e acreditar de forma autêntica nesta transformação. O nível de supervisão (chefia intermediária) deve liderar o processo de mudança cultural dos seus subordinados. Este não é um processo fácil e indolor, mas é o que podemos chamar de bom combate.

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