Arquivo do dia: 20/11/2011

Ciúmes – Como Não se Transformar no Shakespeariano Otelo

Eu assumo que já fui um cara muito ciumento. Já tive crises em que este sentimento vil teve contornos doentios. Hoje eu controlo-o da forma mais eficiente que minha capacidade permite. Talvez a Cláudia ache que eu não demonstre mais hoje, mas confesso que, quando ela me conta de caronas para colegas de trabalho, lá no fundo eu não gosto.

Nesta semana, eu li Otelo de Shakespeare, um grande clássico sobre o ciúmes. Óbvio que o ciúmes extremado que Otelo sentia em relação a Desdêmona é um paradigma do limite máximo atingível por este sentimento.

Otelo e Desdêmona de Adolphe Weisz

O que poderia explicar o ciúmes é a sensação de posse. Não somos donos de nossos companheiros. Se o amor for revestido de confiança, respeito, liberdade e transparência, não haveria necessidade de nos sentirmos proprietários de nossas “caras metades”. Assim não seríamos inseguros, não imaginaríamos que alguém melhor do que nós nos substituiria ou não teríamos o medo da perda.

O ciúmes e a posse

Como eu sempre digo, se formos autênticos e sinceros e agirmos da mesma forma com os outros como desejamos ser tratados, não existiria motivos para insegurança e ciúmes.

No caso de Otelo, Iago percebeu a insegurança de seu chefe e minou a confiança que ele tinha pela esposa. Talvez Otelo não sentia-se suficientemente confiante, porque era mouro, negro e bem mais velho do que Desdêmona, enquanto ela era filha de um respeitável senador veneziano, linda, culta, inteligente e articulada.

Resumindo, o importante é amar e ser amado, respeitar e ser respeitado, acreditar e ser acreditado. Assim venenos plantados por outros ou por nossas próprias mentes sempre serão neutralizados por antídotos poderosos. A melhor descrição sobre o amor aparece na primeira carta de São Paulo aos Coríntios. Para encerrar, transcrevo um pequeno trecho.

São Paulo pintado por Valentin de Boulogne ou Nicolas Tournier

O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. O Amor nunca falha.

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