O filósofo alemão Georg Wilhem Friedrich Hegel propôs há quase duzentos anos que tudo se desenvolve pela oposição dos contrários. Filosofia, arte, ciência e religião são vivas devido a esta dialética.
A dialética hegeliana foi desenvolvida a partir da estrutura tese, antítese e síntese. A tese é uma afirmação ou situação inicialmente dada. A antítese é uma oposição à tese. Do conflito entre tese e antítese surge a síntese, situação nova que carrega dentro de si elementos resultantes desse choque. A síntese, então, torna-se uma nova tese que contrasta com uma nova antítese, gerando uma nova síntese, em um processo sem fim.
Na figura abaixo, vemos um exemplo. O marido e a esposa brigavam sobre a forma de colocar o papel higiênico. A solução (síntese) pode ser não usar mais o papel higiênico e sim um chuveirinho com água morna.
Mas por que eu estou falando nisso? Na verdade, ainda não me conformei (nem quero me conformar) com a discussão sobre a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. Nela ficou explícito de que existe uma tese sobre o Brasil:
- a nossa classe política é corrupta ou, ao menos, omissa em relação à corrupção. Não haverá renovação nos quadros políticos que altere esta realidade. Os herdeiros continuarão as atividades dos seus padrinhos;
- a educação nas escolas públicas é de péssima qualidade e continuará assim;
- a saúde pública também é de péssima qualidade e permanecerá assim;
- as verbas destinadas para as obras relativas à Olimpíada serão desviadas para fins escusos;
- o país nunca será um país desenvolvido.
A antítese neste caso diz que:
- é possível renovar os políticos através do voto;
- a educação e a saúde pública podem ser melhoradas através de um trabalho sério dos governos com a participação da sociedade;
- os desvios do dinheiro para as obras podem ser evitados através da fiscalização pela sociedade;
- o Brasil poderá se tornar um país desenvolvido e a situação atual mostra que isto é possível.
Este é o momento de criarmos a síntese destas duas linhas de pensamento para que a sociedade possa influenciar decisivamente na construção do Brasil desenvolvido econômica e socialmente.






