Nenhuma Conquista Importante vem sem Persistência – o Exemplo de Rodin

Nesta semana, eu e a Cláudia voltamos de duas semanas de férias em Paris. Poderia escrever sobre várias observações que fizemos ao longo da viagem, mas escolhi, para começar, o exemplo de persistência do grande escultor francês Auguste Rodin. Visitamos o excelente Museu Rodin em Paris na semana passada e todas as fotos apresentadas neste post foram tiradas pela Cláudia.

Musée Rodin – Hotel Biron – Paris

Todos conhecem pelo menos duas obras deste artista: “O Pensador” e “O Beijo”, mas sua produção artística foi muito maior e as dificuldades enfrentadas na sua vida são um exemplo. Quem observa as duas obras apresentadas abaixo, pode pensar que Rodin teve uma vida maravilhosa rodeado de sucesso e glamour, entretanto ele só atingiu o sucesso após os 40 anos e, mesmo assim, nunca ficou imune às críticas.

O Pensador

O Beijo

Rodin nasceu em uma família pobre. Tentou entrar três vezes na principal Escola de Belas Artes da França e foi recusado. Após a morte da irmã, resolveu entrar para a vida religiosa. Felizmente o padre Eymard, reconhecendo seu talento, orientou-o a seguir a carreira artística. Por sinal Eymard foi canonizado pelo para João XXIII, como São Pedro Julião Eymard.

Padre Eymard

Para obter o sustento da família, trabalhou até os 35 anos em ateliês de arte decorativa na França e na Bélgica. Mais tarde considerou fundamental o conhecimento técnico adquirido nestes empregos. Conseguiu juntar algum dinheiro e investiu em uma viagem à Itália, onde interessou pelas esculturas de Donatello e Michelângelo. Esta viagem influenciou decisivamente seu estilo e toda sua obra.

No ano seguinte, expôs sua primeira escultura de destaque, o nu “A Idade do Bronze” apresentada abaixo. Apesar de todos admirarem seu trabalho, foi acusado de fraude, porque teria feito o molde diretamente sobre o corpo do modelo.

A Idade do Bronze

Levou anos para provar o contrário e quase desistiu por causa das críticas injustas e das dificuldades financeiras. Foi em frente e recebeu convite para fazer a obra “Porta do Inferno” baseada na Divina Comédia de Dante. Nunca concluiu a obra (foto abaixo), mas vários elementos, como “O Pensador” e “O Beijo”, ganharam vida própria.

Porta do Inferno

No mesmo período fez a obra “Os Burgueses de Calais”, apresentada na sequência, em que cada um dos seis personagens ganharam vida separadamente em outras esculturas.

Os Burgueses de Calais

Mesmo com todo o sucesso, foi duramente criticado pela escultura em homenagem ao escritor Honoré de Balzac. Pediu desculpas e recolheu a estátua para seu acervo próprio. O belíssimo bronze fotografado abaixo só foi fundido décadas após sua morte.

Honoré de Balzac

O resumo deste post poderia ser o seguinte: mesmo para um gênio como Rodin, o sucesso não chega, se não houver muito estudo e determinação. Ele aproveitou os dez anos de trabalho para aprender as mais diversas técnicas artísticas. Não hesitou em investir o dinheiro duramente amelhado naqueles anos em uma viagem à Itália que lhe traria conhecimento e inspiração. Resistiu a toda a espécie de críticas e prosseguiu com firmeza, realizando uma produção artística inovadora de alta qualidade. Quando percebeu que o público e a crítica não estavam preparados para certas obras, apenas as afastou dos olhos da maioria e as conservou para as futuras gerações.

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4 Comentários

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4 Respostas para “Nenhuma Conquista Importante vem sem Persistência – o Exemplo de Rodin

  1. Simone Palmeiro

    Oi Vicente,
    Que lindo passeio, lindas as fotos. Lendo teu artigo me lembrei de um livro que li não faz muito tempo. ” A Guerra da Arte ” de Steven Pressfield. Fala da guerra que combatemos em nós mesmos e das coisas que nos impedem de realizar aquilo que queremos e sonhamos. O autor do livro assim como Rodin foi desencorajado várias vezes, mas não desistiu nunca de seu sonho como escritor. Também foi reconhecido com um livro de sucesso só depois dos 40 anos. Fico pensando quantos talentos podem ter-se perdido por desistência. Achar em cada um de nós essa determinação e força interna que Rodin nos mostra segue um grande desafio. Que sirva de exemplo para que não desistamos de nossos sonhos por mais difíceis que eles pareçam no momento.

    Grande abraço,

    Simone

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    • Simone,

      A viagem de férias foi maravilhosa, mas a verdadeira viagem que devemos fazer diariamente é para o nosso interior.

      Este artigo é praticamente uma continuação de outro que fala da busca da felicidade, porque além de encontrarmos um sentido para nossas existências, devemos ter persistência para perseguir nossas metas e sonhos. O pior limite de uma pessoa é aquele determinado por ela mesma. Quando acreditamos que não somos capazes de fazer alguma coisa ou de realizar um sonho, certamente não atingiremos aquela meta. Por outro lado, não basta só acreditar, devemos arregaçar as mangas e ir à luta. Devemos nos preparar e não podemos deixar o desânimo tomar conta quando as dificuldades surgirem pelo caminho.
      Finalmente devemos lembrar o grande inventor Thomas Edison que disse que “talento é 1% inspiração e 99% transpiração”.

      Grande abraço,
      Vicente

      .

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      • Maurício Bandeira Pereira

        Grande Vicente,
        quisera eu ter o mínimo dom com as palavras combinado com um pouco de sua inteligencia e sabedoria para expressar com tanta facilidade muitos de meus pensamentos que convergem ou tangenciam a filosofia por traz disso tudo. Estamos sempre na velha e eterna busca pelo equilíbrio …parece que não termina …ainda bem que temos tempo (ou não, não sei…)…ou cada um o seu ….

        Forte abraço!
        Maurício Bandeira Pereira

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        • Maurício,

          É uma alegria ver teu comentário no meu blog. Com toda a certeza, tu tens capacidade e inteligência para transformar teus pensamentos em texto. Como eu vivo falando, os piores limites de uma pessoa são impostos por ela mesma.

          Concordo contigo, a busca de equilíbrio segue por toda a vida, afinal não estamos em uma bolha isolada do mundo. Tudo evolui e devemos buscar o equilíbrio também evoluindo. Nada de estagnação ou acomodação! Felizmente temos tempo (cada um tem o seu ritmo) para vivermos tudo isto, porque falta de tempo é desculpa de quem não tenta…

          Grande abraço,
          Vicente

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