Arquivo do mês: novembro 2009

Como Fugir da Maldição do Gráfico de Dente de Serra e Manter as Melhorias no Processo

Temos um problema de processo. Um grupo se reúne e encontra a solução. Na semana seguinte, o desempenho é medido e, para a alegria deste grupo, tem-se um resultado excelente. Mensagens com congratulações circulam pelo e-mail da empresa e a vida prossegue.  Passa um tempo e alguém se lembra de dar uma olhadinha para ver como está funcionando aquele processo e tem uma surpresa! O desempenho voltou para o nível anterior àquela intervenção. Neste momento, pode-se perguntar para um operador o que está acontecendo e a resposta será desconcertante:

– Sempre foi assim! Isto nunca funcionou muito bem mesmo…

Neste caso, pode-se simplesmente repetir o que foi feito anteriormente e voltar a colocar o processo nos trilhos.

O gráfico de dente de serra apresentado abaixo será uma rotina nesta empresa e os resultados não serão sustentáveis. 

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Gráfico de Dente de Serra

Mas como os resultados podem ser sustentados?

O primeiro ponto é o comprometimento genuíno da gerência da área. O gerente deve acreditar e adotar a solução como sendo sua. Ele deve liderar pelo exemplo. Todo o processo de mudança encontra obstáculos. A maior barreira é a reatividade das pessoas. Para conquistá-las, melhor seria a participação na solução do problema, mas, se isto não for possível, devem ser treinadas e conscientizadas sobre a importância da mudança.

A base para o treinamento é a criação e atualização de padrões e procedimentos. Taiicchi Ohno disse que onde não existem padrões não pode haver melhoria contínua. Claro que a maioria das pessoas não gosta de redigir procedimentos e para se justificar costumam dizer:

– Pessoas não são robôs! Elas têm que ter espaço para usar a criatividade.

Na verdade, um procedimento descreve a melhor forma conhecida e comprovada de fazer certa atividade. Se cada um usar seu livre arbítrio e executar uma tarefa de acordo com sua fórmula pessoal, o resultado final terá uma variabilidade desastrosa. A disciplina operacional é chave para que todos trabalhem de modo padronizado. Sempre existirá o momento para usar a criatividade, mas as melhorias serão efetuadas a partir dos standards estabelecidos.

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Taiicchi Ohno

Também é fundamental a definição de parâmetros mensuráveis para avaliar o desempenho do processo. Como todos costumam dizer “você não pode controlar o que não mede”. A divulgação dos indicadores do processo em quadros de gestão à vista ajuda a sustentá-los.

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Quadro de Gestão à Vista

O melhor mesmo é estimular a participação dos funcionários. O envolvimento do pessoal do chão de fábrica, incluindo operação e manutenção, durante a resolução de um problema, cria comprometimento para a manutenção dos resultados. A gerência deve criar as condições necessárias para maximizar esta participação.

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Risoto Again!!! – Tomate Seco com Rúcula

Adoro risoto! Os leitores do meu blog  já viram as receitas do clássico risoto de funghi secchi e cogumelos frescos  e do exótico risoto de pera com queijo gorgonzola. Agora chegou a vez do charmoso risoto de tomate seco com rúcula.

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Rendimento: 4 porções

Ingredientes:

1 vidro de tomates secos (120 gramas drenado)
1 molho de rúculas (de preferência hidropônica)
1 xícara de vinho branco seco
1 cebola grande picada
2 xícaras de arroz arbóreo
1,5 litros de caldo de legumes
sal e pimenta-do-reino a gosto
queijo parmesão ralado a gosto

Modo de preparo:

Drene e pique grosseiramente os tomates secos. Reserve o óleo temperado.

Separe e lave as folhas de rúcula.

Numa panela, leve o óleo dos tomates secos e uma colher da manteiga ao fogo baixo. Quando estiver quente, acrescente a cebola picada e misture bem com uma colher de pau por 4 minutos ou até que fique transparente.

Acrescente o arroz e o tomate seco. Refogue por 1 minuto, mexendo sempre.

Adicione o vinho e misture bem, até evaporar.

Quando o vinho secar, acrescente uma concha do caldo e mexa sem parar.

Quando secar, junte outra concha e repita a operação por 15 minutos, sempre em fogo alto.

Verifique o ponto: o risoto deve ser cremoso, mas os grãos de arroz devem estar “al dente”. Porém, se ainda estiver muito cru, continue cozinhando por mais um minuto. Se for necessário, junte um pouco mais de caldo e mexa bem. Na última adição de caldo, não deixe secar completamente.

Adicione uma colher de sopa de manteiga e o queijo parmesão, mexa e desligue o fogo.

Coloque a rúcula sobre o risoto, tampe a panela e deixe “descansar” por 5 minutos.

Prove o tempero e corrija se precisar e sirva quente.

Para acompanhar este prato, a sugestão é um bom espumante brasileiro brut ou moscatel. Para os que preferirem um vinho tinto, sugiro o Pinot Noir da Vinícola Dal Pizzol.

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Holanda – Exemplo de Tolerância para o Mundo

A Holanda é um país da Europa que eu tenho muita simpatia. Os holandeses respeitam as diferenças entre as pessoas e toleram hábitos e opiniões diferentes.

Em maio de 2002, eu estava na Holanda, visitando algumas empresas quando estourou uma verdadeira bomba no país. Pim Fortuyn, político e líder populista de direita, foi assassinado por um ativista ecológico de esquerda logo após dar uma entrevista em uma rádio. Esta morte gerou uma verdadeira comoção no país. Este era o primeiro crime político em mais de três séculos. Bastava ligar a televisão e já apareciam notícias sobre o crime ou a biografia do político.

PimFortuyn

Pim Fortuyn

Fortuyn foi foco de controvérsia devido às críticas contra os mulçumanos e suas posições anti-imigração. Ele opunha-se aos imigrantes islamitas, porque se recusavam, segundo sua opinião, a integrar-se na sociedade holandesa, constituindo uma ameaça à cultura tradicionalmente tolerante do país. Qualificava o Islã como uma cultura atrasada. Nas eleições nacionais, ele se opôs a toda imigração vinda de fora da Europa.

Por sinal, até mesmo a extrema direita é diferente na Holanda, Fortuyn era homossexual assumido e o vice-presidente do seu partido era um negro oriundo do Suriname.

Outro ponto interessante sobre a pátria de Rembrandt e Van Gogh é a sua constituição. Em 2005, mais de 60% dos holandeses rejeitaram a constituição da Comunidade Européia, pois temiam que o país não pudesse mais adotar a legalização das drogas, da prostituição, do aborto e da eutanásia.

 Netherlands_referendum_on_European_constitution

O primeiro artigo da carta magna do país, por exemplo, proíbe qualquer forma de discriminação. Este direito é absoluto e não pode ser limitado por lei. Todos concordam que isto é excelente, mas contarei um caso que aconteceu comigo que nos faz pensar sobre esta norma. Para se ter uma idéia da extensão deste preceito constitucional, em outra viagem à Holanda, eu estava em um restaurante com dois holandeses. Fizemos nosso pedido e iniciamos uma conversa, quando o pessoal da mesa do lado começou a fumar. Perguntei se não havia área para fumantes naquele restaurante. A resposta foi surpreendente. Se houvesse uma área para fumantes, seria uma forma de discriminação, o que é terminantemente vedado pelo primeiro artigo da constituição.  Desta vez achei um exagero…

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Nem fumantes podem ser discriminados...

Este comportamento tolerante permitiu a construção de um país com boa parte do seu território abaixo do nível do mar. Aconteceram muito menos conflitos religiosos do que em outros países europeus. E, finalmente, são pessoas que procuram escutar e aceitar que os outros podem pensar e agir de forma diferente. Um genuíno exemplo para nós brasileiros…

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O Microvestido na Uniban: Quando o Grupo Ajuda a Expor as Fraquezas dos Indivíduos

O filósofo grego Aristóteles, há mais de 2300 anos, foi autor da tese que “o homem é um animal social”. Esta tese fundamenta-se na união natural entre os homens, porque o ser humano é naturalmente carente, necessitando de coisas e de outras pessoas para alcançar a sua plenitude.

aristoteles

Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.)

Evidentemente estas necessidades não se restringem a aspectos materiais. Buscamos, por exemplo, apoios, estímulos e reconhecimentos pelos grupos. Deste modo, procuramos outras pessoas que têm opiniões semelhantes ou apresentam visão de mundo semelhante à nossa. Muitas vezes, dentro de um grupo, atitudes socialmente inaceitáveis são praticadas.

Em umas férias, eu viajei para New York. Havia uma grande excursão de japoneses no hotel em que eu estava hospedado. Aquele hotel oferecia o café da manhã incluído na diária e, num certo dia, parecia que todos acordaram na mesma hora e desceram para o breakfast. Para minha surpresa e indignação, muitos japoneses furaram a fila escandalosamente. Fariam isto se não estivessem fortalecidos pelo grupo? Provavelmente não! Lembro-me de uma francesa que incentivava a todos a reagirem. Por pouco não foi criado um conflito entre os japoneses e o “resto do mundo”. Aquela francesa sozinha não começaria uma guerra, mas participaria ativamente se o grupo lhe desse respaldo.

No caso da Uniban, não entrarei na discussão sobre a roupa da estudante. Eu acho que aquele vestido era inadequado para assistir a uma aula, mas nada justifica o que aconteceu. Hoje gostaria de discutir a atitude agressiva dos estudantes.

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Aluna da Uniban escoltada por seguranças

A esmagadora maioria das pessoas que agiram de modo ofensivo e preconceituoso só o fizeram porque estavam em grupo. Portanto podem ter exposto seus sentimentos, aproveitando a participação da turba injustificadamente enfurecida. Neste momento, preconceitos e repressões de origem sexual ou social devem ter aflorado. Além disto, existiam pessoas que queriam ser reconhecidas pelo grupo e aproveitaram a oportunidade para fazerem as mesmas grosserias que alguns ”líderes” perpetravam.

Devemos ter uma ética que não mude quando estamos sós ou dentro de um grupo. Se dentro de um grupo, abolirmos todos os nossos preceitos éticos, concluiremos que, para o bem do grupo, vale mentir, roubar ou matar. Aquele simples check list  que apresentei em outro post  pode ajudar em caso de dúvida.

Não cheguei ao ponto que um “cara” declarou há dois mil anos: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (evangelho de João 15,12), mas seria maravilhoso se agíssemos desta forma. Jesus também protegeu Maria Madalena de ser apedrejada e disse para as pessoas: “quem nunca pecou, jogue a primeira pedra”.

Se aqueles estudantes da Uniban seguissem, pelo menos, aquele ensinamento que escutamos desde pequeno: “não faça algo que não gostaria que os outros fizessem a você”, este fato lamentável teria sido evitado. Isto também vale para todos os tipos de discriminações (sociais, raciais ou sexuais) e assédios (sexual ou moral).

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